28/10/2013

Mais equipa, mais futebol e mais sorte


Feita a homenagem ao grande Lou Reed, passemos então ao clássico de Domingo, começando por dizer que o Sporting fez uma boa segunda parte e que, se tem aproveitado duas boas oportunidades de golo, por Montero e Capel (a primeira delas escandalosa), poderia muito bem ter posto o Porto em sentido. Aliás, o Dragão não tremeu no Domingo porque o Porto marcou o segundo golo logo a seguir ao golo do empate, o que tranquilizou a equipa e permitiu controlar o jogo. Ainda assim, o Porto teve que sofrer entre o segundo e o terceiro golo e momentos houve em que ficou acantonado no seu meio-campo a ver o Sporting jogar. Fraco consolo para quem, como eu, acreditou que ia ganhar o jogo quando William marcou o golo do empate.

Numa análise fria, creio que foram três os fatores que decidiram o clássico:

1. Mais equipa - o jogo de Domingo revelou, na minha opinião, que o Porto tem de facto mais equipa do que o Sporting. O Sporting tem ainda algumas limitações que foram evidentes ao longo do jogo. Não me refiro a maus jogadores ou jogadores sem nível para jogar no Sporting, não é disso que se trata. Refiro-me ao tal "plus" de que venho falando há uns tempos e que neste tipo de jogo se nota que vai faltando:

a) A defesa do Porto é de altíssimo nível, basta que o treinador não invente com Fuciles ou Maicons. Os laterais são muito bons, Otamendi tem pormenores de grande categoria e Mangala, quando controla o ímpeto, impõe-se naturalmente pela presença física, sem necessidade de distribuir fruta a torto e a direito. Juntou-se ainda um Helton muito inspirado. No Sporting, Cedric fez um jogo algo a medo (terá ficado afetado pela situação na seleção) e a precipitação de Maurício pôs o Sporting a perder aos 10 minutos. Detalhes que fazem a diferença num jogo destes

b) O meio-campo, não sendo genial, tem um Fernando em boa forma e um Lucho que, apesar de tudo, ainda vai fazendo a diferença. No Sporting, William demonstrou que tem categoria acima da média, mas Adrien continua a falhar inúmeros passes e Martins continua algo desinspirado.

c) No ataque, Varela fez dos melhores jogos que lhe vi fazer pelo Porto, enquanto que Jackson, sem marcar ou ter uma oportunidade sequer, participou muito no jogo coletivo da equipa. Já Wilson Eduardo não conseguiu segurar uma bola, Montero desperdiçou a única boa oportunidade que teve e Carrillo continua, nos grandes jogos, a ter medo de partir para cima do adversário.

Em suma, reconheço que, por ora, o Porto ainda vai tendo mais equipa do que o Sporting.

2. O Porto teve também mais futebol. Em resultado de ter mais equipa, claro, mas também porque, mesmo considerando diferenças de detalhe que cada treinador impõe, o esquema do Porto é o mesmo de há muitos anos. Pode correr melhor com Villas-Boas e pior com Fonseca porque há sempre algo que resulta de opções de cada treinador, mas há uma base e um estilo que estão lá e que os jogadores mais antigos conhecem e os mais novos apreendem rapidamente. Da mesma forma que, com as devidas distâncias, Guardiola e Vilanova e Martino são diferentes, mas o estilo está lá. No Porto acontece o mesmo. E qualquer treinador pode aproveitar essa base ao invés de começar do zero.

3. Por fim, o Porto teve mais sorte. Não desconsiderando os méritos e deméritos dos jogadores, há lances decisivos em que o Porto teve sorte. O timing do golo de Danilo é perfeito, não poderia ser melhor. E o lance de Montero, sem tirar mérito a Helton, será golo em 90% dos lances de que Montero disponha em idênticas condições (não porque outros GRs sejam piores do que o Helton, mas porque o Montero dificilmente deixará de cabecear de cima para baixo, por exemplo).

Uma nota ainda para a arbitragem, que considerei impecável.

Quanto a nós: foco nos objetivos. Terceiro lugar ao alcance, manter a rota e continuar a crescer. Para o ano, mais consistentes, e a jogar da mesma forma, certamente não nos deixamos bater.

3 comentários:

  1. It was not a Perfect Day

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  2. Veremos se esta ida ao Dragão não terá os mesmos efeitos que teve a ida do Sporting de Domingos à Luz, em 2011, quando vinha de 10 vitórias seguidas (Liga, Liga Europa e Taça) e podia, nesse jogo, alcançar o 1º lugar.
    A resposta terá que ser dada no próximo sábado, frente ao Marítimo.

    No geral, o post diz tudo e concordo muito relativamente à distância que uma equipa tem da outra.
    No entanto, não concordo quando dizes que a arbitragem teve "impecável". Não foi por ali que o Sporting perdeu, mas terá sido por ali que o Porto conseguiu, juntamente com a qualidade dos seus jogadores, demonstrar a sua superioridade. A distância entre os 2 clubes também se viu por ali.

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  3. Muito gosto eu, que os adeptos dos clubes da capital, continuem, ano após ano, a dizer "para o ano é que vai ser."
    Agora, falar de arbitragem, como faz o comentador anterior, demonstra apenas uma de duas coisas, se não mesmo as duas: 1- Não percebe nada, mas mesmo nada de futebol; 2- Não gosta nada, mas mesmo nada de futebol. Gosta é de discutir arbitragens e de insinuar que o outro só é melhor porque é um bandido. É esta maneira de ser, que é endémica, que faz com que sejamos o país fraquinho que somos. É esta gente mesquinha, recalcada, invejosa, que em vez de procurar a grandeza e ser melhor que os outros, prefere denegrir os outros e dizer eles só são melhores do que eu porque...seguindo-se um rol de desculpas esfarrapadas, que servem apenas para tentar ocultar a sua própria incompetência. Desculpem-me o desabafo, que nada tem que ver com o autor do post, mas sim com o comentador anterior (cantinho do morais), pois estou farto de viver num país fértil neste tipo de gente que nada acrescenta e só serve para dizer mal de tudo o que mexe. haja paciência.

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