10/09/2013

Notas finais da pré-época... e bola "prá" frente!


Disclaimers:

1. Nunca fui apoiante de BC, pelo simples motivo de que não sou apoiante de ninguém no Sporting. Sou apoiante do Sporting.

2. Em 2011 não votei BC, votei naquele que me parecia ser o mais interessante projeto desportivo, o de Dias Ferreira (hoje, com distância, vejo que o único realista era, provavelmente, o de Abrantes Mendes).

3. A propósito da eventual organização de um Congresso, tive um encontro com BC em Janeiro de 2013 em que tivemos uma longa conversa sobre o momento do Sporting. Fiquei na altura com uma ideia muito diferente da que tinha relativamente ao "candidato BC 2011".

4. Nas eleições de 2013 assumi, juntamente com outros sócios, o compromisso de não-envolvimento no processo eleitoral em virtude de uma proposta apresentada a todas as candidaturas relativamente, uma vez mais, à eventual organização de um Congresso.

5. Durante a campanha eleitoral, tive novo encontro com BC (e com os restantes candidatos), mais uma vez sobre o tema "Congresso", em que BC se revelou não só disponível para organizar o Congresso como também apoiante de algumas das ideias que sugeríamos discutir.

6. Ainda não estou seguro que o comunicado a que se referia BC seja a comunicação à CMVM realizada na última 6ª feira porque essa comunicação, na realidade, não detalha o que foi feito nos muitos casos resolvidos. Eu estava à espera de um comunicado "à BC", com mais detalhe sobre cada um dos tais 25 casos resolvidos. Pode ser que não me engane e ainda tenhamos esse comunicado produzido esta semana.

Isto dito, vamos às muito breves notas finais da pré-época, começando com uma ideia muito simples: para um resultadista, como eu sou, o balanço do que se conseguiu até agora tem que ser positivo; mas relativamente à estratégia desportiva, creio que ainda teremos que esperar uns anos para ver como estamos.

1. Estratégia

Já abordei o tema aqui e não mudei a ideia que então tinha. Não vou repetir os argumentos, vou apenas referir que mantenho algumas dúvidas quanto à estratégia de BC no médio prazo. Mesmo a renovação de contratos com os jovens da formação gera algumas questões, que colocarei noutro post.

Conclusão: a rever. Creio que só com o decurso de uma ou duas épocas poderemos tirar alguma conclusão mais precisa.

2. Organização

Houve falhas de organização nesta pré-temporada, como abordei aqui. A Taça de Honra, se aproveitada de outra forma pelo Benfica, poderia ter sido um golpe duro na nossa auto-estima. Este aspeto, no próximo ano, deve ser corrigido. No demais, não tenho muito a apontar. Fizemos mais jogos do que no ano passado e os adversários permitiram testar as nossas virtudes (e confirmá-las) e as nossas debilidades (e corrigi-las).

Uma vez que o tema da Taça de Honra foi salvo pelo resultado, a nota é positiva. Mas gostaria de ter um derby minimamente sério no próximo ano.

3. Construção do plantel

Com uma ou outra nota de dúvida ou precipitação (Welder, Cissé, eventualmente Magrão), o Sporting reforçou as posições em que estava necessitado. Agradou-me particularmente Vítor que veio trazer aquilo que eu próprio pedia para o nosso MC (e que pensava que estava subjacente à contratação de Magrão). Quanto a Piris, não entendo, pelas razões que antes referi. As dúvidas estão, precisamente, nos lugares de reserva que podiam ter sido resolvidos com jogadores da formação (implicaria voltar a discutir a estratégia).

A nota é positiva, mas convém dizer que estamos numa fase em que tiros ao lado se pagam muito caro. Para o ano, temos que ser ainda mais cirúrgicos, como dizia BC, nas contratações. E não esquecer quem está este ano na equipa B.

4. Escolha dos reforços

Parece-me que houve critério na escolha dos reforços. As exceções serão, uma vez mais, Welder e Cissé (uma vez mais: eventualmente Magrão). Jefferson tem correspondido, Maurício tem sido uma agradável surpresa, Montero mais do que isso. Quanto aos "recuperados", a integração de Wilson tem corrido bem e a de William Carvalho (outra surpresa) ainda melhor. Vamos aguardar por Slimani (parece-me que foi contratado quando se percebeu que Cissé não tem ainda andamento).

Nota positiva.

5. Bruma, Ilori e Dier

Trato estes casos separadamente porque me parece relativamente unânime que, de todos os jogadores lançados o ano passado, são os mais promissores.

Quanto a Bruma, a abordagem inicial foi arrogante e precipitada, o que causou o processo na CAP. Mas o Sporting ganhou o processo e acabou por resolver bem o tema. Nada melhor do que aprender com os erros quando os resultados são positivos. É isso que espero que aconteça.

Já no que respeita a Ilori, creio que se cometeu precisamente o erro que aqui fui referindo diversas vezes: tratá-lo como mais um. Terá sido proposta a Ilori um contrato até 2018 ou 2019 com a tal cláusula de 45 ou 60 milhões. Percebo que um jogador com ambição de sair (ainda que guardasse essa ambição para depois) e que já tem propostas de fora (ou seja, já sabe que tem mercado) não aceite este tipo de contrato. O tema não foi inicialmente abordado da forma mais aconselhável, muito embora a transferência tenha acabado por realizar-se por valores razoáveis.

Quanto a Dier, aguardemos. Há contrato até 2016. Tratá-lo como os outros é, como já disse, errado.

Veremos se BC aprendeu algo com os casos Bruma e Ilori. Isto, claro, se quer ficar com jogadores desta qualidade e transferi-los, sim, mas mais tarde e por valores "a sério". Não posso dizer que o balanço é positivo porque o objetivo deveria ter sido o de conservar os jogadores e as estratégias utilizadas conduziram, como se vê, a um resultado diverso. Isto sem prejuízo de considerar igualmente que, face às circunstâncias, um encaixe de aproximadamente 20M€ não deixa de ser positivo.

6. Dispensados

O balanço só poderia ser feito se percebêssemos a modalidade utilizada: "cheque&vassoura" by Luís Duque ou "negociação até ao último cêntimo" à la BC. Não sabemos.

O que sabemos é que ficaram alguns casos por resolver. E que estes temas, mesmo os entretanto resolvidos, foram deixados para o fim, eventualmente ao abrigo da estratégia "antes quebrar que torcer". Eu não o teria feito assim mas obviamente não conheço ao pormenor o contexto em que vive o Sporting e também não sei se havia disponibilidade financeira para resolver em Julho todos os casos complicados.

Parece-me, igualmente, que o comunicado de hoje vem mais uma vez lançar para a fogueira alguns toritos de lenha desnecessários. Alguns destes jogadores frequentam o balneário onde estão todos os outros, convirá não esquecer.

Preocupam-me em particular os casos de Jeffren e Labyad, jogadores que, com outra gestão mediática dos processos, poderiam ser reintegrados nos trabalhos da equipa A e até, quem sabe, ser úteis no futuro (imaginemos que Capel sai em Janeiro... será que se Jeffren estivesse integrado - e motivado - poderia ser uma boa alternativa?).

Mas não deixo obviamente de reconhecer que foram resolvidos diversos casos complicados (com Boulahrouz e Pranjic à cabeça).

***

Contas feitas, como já disse, entendo que o balanço é positivo. E que temos condições para ficar em 3º lugar, fazendo uma boa época. Para as épocas seguintes, fica a dúvida: qual o objetivo das inúmeras renovações e dos contratos de longo prazo?

Resta saber como vamos reagir às primeiras complicações. O discurso tem sido no sentido de preparar esse embate, e muito bem.

Tenho gostado muito das palavras de Leonardo Jardim, da discrição de Inácio e da mais recente postura de BC, menos interventiva mas mais assertiva.

Um ponto essencial: goste-se ou não do estilo, há uma liderança clara no Sporting. Temia pelos papagaios mas BC impôs uma ordem que há muito não se via. Ele é o líder, espero que o seja também nos maus momentos (e confio que o será). Louvo-lhe a coragem (ou inconsciência!) de pessoalizar todos os temas, pelo que tal implica em termos de responsabilidade.

Da minha parte terá sempre todo o apoio desde que dê a cara (e vai dar, não duvido).

4 comentários:

  1. Koba, não tenho nada a acrescentar aos 6 pontos, algumas pequenas diferenças que de tão pequenas nem valem a pena a menção.

    Abraço.

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  2. Concordo com as principais ideias do post. Quanto ao ponto dos dispensados, não percebo a dúvida que o Koba aponta. A mim parece que se tem apostado na última "modalidade", a negociação até ao último cêntimo à la BC. Com cheque e vassoura tratava-se logo nas primeiras semanas depois do fim da época anterior. Gostei também do facto de se ter estabelecido o vencimento do presidente num valor baixo, quando se compara com outros. Se isto significar que todos os outros membros da direcção e companhia têm valores inferiores, representa uma diminuição de custos em salários considerável. Não me lembro é onde isto encaixa na ideia dos sócios decidirem qual era o seu vencimento, mas talvez tenha sido melhor assim.

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  3. Koba, estou como o LdA, nada a acrescentar.

    Eu acho que BC tem uma misturas de "ambas as duas": coragem e inconsciencia.
    E mais, pelo que tenho visto, é um homem com o pé quente ao contrário dos antecessores. Como dizia o outro: "eu não acredito, mas que as há, há" :)

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  4. Miguel, a dúvida surge pelo seguinte:

    a) houve casos resolvidos de forma mais rápida do que outros
    b) houve casos resolvido já após o fecho das inscrições
    c) houve casos que não ficaram resolvidos
    d) em nenhum caso se comunicou quanto se pagou

    Só podemos assegurar que não foi "cheque&vassoura" se soubermos que, por exemplo, ao Boulahrouz apenas se pagou metade do que se devia. Porque se se pagou o contrato na totalidade, é um "cheque&vassoura" mais moroso, mas não deixa de ser cheque&vassoura...

    LdA/Metralha, obrigado pelos comentários. Faltou de facto referir este último ponto bem salientado pelo Metralha: a sorte. O melhor exemplo é a Taça de Honra, aquilo podia ter corrido francamente mal e acabámos a ganhar a competição (nos penalties...)

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