16/09/2013

Aprender com as vitórias


De todas as vitórias conseguidas esta época, a de ontem será aquela que mais parece indicar que o Sporting está, de facto, muito diferente. Simplesmente porque, apesar de indiscutível e merecida, foi conseguida num jogo em que não jogámos particularmente bem; e porque, há que reconhecê-lo, apesar do mérito a que já aludi, beneficiámos de alguma sorte.

Em boa verdade, apesar das nossas inúmeras oportunidades desperdiçadas, não fizemos nada por aí além para as conseguir criar, apenas aproveitando a fraca qualidade do adversário - e o Olhanense teve as duas melhores e mais claras oportunidades do jogo (Diakhité de cabeça à barra, Vitor Bastos também de cabeça por cima - isto para não referir aquele lance do mau atraso do Maurício na primeira parte).

Por outro lado, convém referir que o primeiro golo é claramente em fora-de-jogo (daqueles de que me apercebi sem recurso à repetição porque reparei que Montero estava adiantado antes do livre e deu para perceber que não tinha recuado o suficiente), sem prejuízo de o Ricardo ter feito lembrar o Artur naquele famoso clássico de há 2 anos em que o Maicon também marcou em fora-de-jogo.

Ou seja, sem fazermos uma exibição de grande qualidade, aproveitámos bem os erros alheios e tivemos a sorte de os nossos erros não terem consequências por aí além.

E é este o ponto essencial: são estes jogos que os treinadores devem aproveitar para fazer crescer as equipas. Jogos em que não jogámos particularmente bem, nem estivemos particularmente bem defensivamente, mas acabámos por ganhar. Porque o ambiente nesta semana, sendo obviamente bom, permite encaixar melhor as sarabandas que o treinador será obrigado a dar. Muito em particular, o fantasma das bolas paradas voltou a aparecer. Quando tudo parecia no bom caminho (controlámos bem o Benfica que é fortíssimo nesses lances) eis que o Olhanense, um dos mais fortes candidatos à descida, põe a nu algumas das nossas fragilidades.

De resto, e resumidamente, sinais + para Jefferson, Adrien, Martins e Montero. O único sinal - preocupante (apesar da assistência para o segundo golo) vai para Wilson Eduardo, que já não tinha feito um grande jogo com o Benfica e ontem decidiu quase sempre mal, emperrou por diversas vezes o jogo da equipa e errou inúmeros passes. A propósito, revelo que tenho uma aposta em curso sobre este jogador em que arrisquei que marca esta época 10 golos (em todas as competições); mas começo a ver que o meu "adversário" nesta aposta tem razão nalgumas limitações que aponta ao Wilson, nomeadamente no plano técnico, que, diz ele, se tornam mais visíveis à medida que o Sporting vai melhorando (e os adversários vão redobrando cuidados, o que afeta em primeira instância os tecnicamente menos dotados). Espero que o Wilson corresponda à aposta que fiz nele e saiba defender-se bem das acrescidas dificuldades que pode vir a encontrar.

Próximo adversário: Rio Ave. Em princípio, com o 11 habitual ou perto disso. E porque digo isto? Porque se é verdade que temos tido sorte no julgamento dos foras-de-jogo, convém dizer que não temos a sorte de jogar frequentemente contra 9 nem a sorte de defrontar na jornada seguinte equipas reduzidas a 9 na jornada anterior...

2 comentários:

  1. "Porque se é verdade que temos tido sorte no julgamento dos foras-de-jogo, convém dizer que não temos a sorte de jogar frequentemente contra 9 nem a sorte de defrontar na jornada seguinte equipas reduzidas a 9 na jornada anterior..."

    Coincidências meu caro, coincidências...

    Só não vê quem não quer. Quando se der por eles, já lá vão com cerca de 7 a 8 pontos de avanço, sem hipóteses de serem alcançados. Há que ter tempo e espaço para pensar na Champions, pois os ordenados e comissões são quantias elevadas e difíceis de pagar.

    ResponderEliminar
  2. Cantinho,
    Numa perspetiva puramente egoísta, preocupa-me mais a vantagem "por tabela" (será mesmo só por tabela?) de que tem beneficiado o nosso adversário direto, Sporting de Braga.
    Um abraço

    ResponderEliminar