12/08/2013

Balanço da Pré-Época: uma aparente ausência de estratégia

Ponto prévio: no texto infra – que, aviso já, poderá produzir sonolência aos mais suscetíveis – não vou abordar a qualidade do plantel, ou a qualidade do futebol apresentado até agora, ou a qualidade do trabalho de Leonardo Jardim (de que sou apreciador) ou sequer a qualidade dos jogadores do plantel. Vou, apenas, abordar a estratégia para o futebol profissional. Felizmente, o Sporting ganhou ontem por 3-0, alguns dos reforços estiveram em evidência, correu tudo bem e até o jovem Ruben Semedo marcou um golito, o que me deixa muito mais confortável para escrever o que penso.

***
 
Como sabem os que vêm acompanhando este blog de há uns meses para cá, ando conscientemente a adiar o balanço da pré-época do Sporting.

E ando a adiá-lo por um motivo simples – dei (e continuo a dar) à direção de BC um benefício da dúvida (material e temporal) resultante, essencialmente, de três fatores:

a)      O facto de BC apenas ser presidente desde Março, não tendo tido anteriormente qualquer experiência no futebol;

b)      Me parecer que o presidente esteve essencialmente focado na reestruturação financeira durante os primeiros meses de mandato;

c)      Entender que, efetivamente, havia inúmeras situações complexas para resolver na formulação do plantel do Sporting 2013/2014.

No entanto, ontem o Sporting jogou o último jogo da pré-época. A partir de agora, já não há mais “pré”, vai começar a guerra. Entendo que é o momento adequado. Poder-me-ão dizer que deveria esperar por 31 de agosto. Mas isso não faz sentido, para mim, por dois motivos:

(i)     O primeiro – em tese, independentemente do que aconteça até 31.08, é normal e expectável que as ideias sobre os plantéis fiquem definidas antes do início das competições oficiais;

(ii)   O segundo, na sequência do primeiro – na prática, tudo o que possa acontecer entre o início das competições oficiais e 31 de agosto assume, em princípio, natureza excecional.

Ora, eu entendo que devemos apreciar a estratégia para o próximo ano (e para os próximos anos) em função do que é normal e expectável – não em função de circunstâncias anormais ou excecionais.

E fazendo a avaliação nesta base, tenho que começar por dizer que eu não percebi quais as ideias e qual a estratégia do Sporting para 2013/2014 (e para os anos seguintes). Durante a campanha eleitoral, falou-se de uma estratégia de aposta na formação; venderam-nos, também, a tese dos reforços cirúrgicos; e passou, ainda, a ideia de que estrangeiros não adaptados ao futebol português apenas viriam em circunstâncias excecionais.

Ora bem: parece que nada disto se passou. Nem aposta na formação, nem reforços cirúrgicos, nem preocupação em evitar jogadores não adaptados. Senão, vejamos:

a)      Quanto à formação: dos 19 jogadores apresentados no dia 27 (a que entretanto podemos acrescentar Slimani e, pelos vistos, André Santos), apenas 2, e com muito boa vontade, podem considerar-se como resultado de uma aposta na formação (William Carvalho e Wilson Eduardo). Porque os restantes ou não são formados no Sporting ou já tinham sido “aposta” em épocas anteriores (e mesmo os dois que refiro estiveram sucessivamente emprestados – não foram da formação para a equipa A); 

b)      Quanto aos reforços cirúrgicos: devo ter sido dos mais radicais a apontar as falhas do plantel do Sporting, identificando a necessidade de 6 ou 7 jogadores (a maioria dos bloggers, comentadores e opinadores não defendia mais do que 3/4). Mas, independentemente das opiniões, a dada altura ficou relativamente claro que, se preenchêssemos com jogadores da B as vagas para suplentes, precisávamos de 1 DE e 2 AV. Aqui o vosso amigo acrescentava um MC e compreendia um DC e, ainda assim, estava relativamente isolado na doutrina. E, atenção, seriam jogadores, como se diz na gíria, para “pegar de estaca”. Pois bem: foram contratados 1 DD, 1 DE, 1 DC, 1 MC e 3 AV. Nada menos do que 7 jogadores. Sendo que, dos 7, apenas 4 se perfilam para a titularidade (Jefferson, Maurício, Magrão e Slimani/Montero). Acresce que a imprensa fala de outros jogadores e o próprio BC diz que caso haja saídas, serão contratados mais jogadores. Honestamente, não vejo onde está o “cirúrgico” nisto…

c)      Por fim o tema dos jogadores não adaptados. Dos 7 jogadores contratados, apenas 2 (Jefferson e Cissé) estão adaptados ao futebol português. Os restantes – Welder, Maurício, Magrão, Montero, Slimani – nunca tinham sequer pisado o território nacional. Portanto, a exceção (jogadores não adaptados ao futebol português) tornou-se regra.

Isto não seria propriamente um problema se nos tivessem dito: “no primeiro ano, vamos reformular o plantel; temos que reduzir custos mas não podemos de um dia para o outro por nos ombros dos jovens da formação a responsabilidade de mudar o Sporting; vamos contratar um ou outro jogador experiente que traga ao Sporting uma consistência que não temos; e vamos assumir um compromisso de aposta na formação no médio/longo prazo, que começa este ano de uma forma, ainda, mitigada; a partir do segundo ano, os jogadores a lançar na equipa principal serão, prioritariamente, os jogadores da equipa B, com quem renovaremos contratos a longo prazo.”

Podíamos gostar, não gostar, aceitar ou rejeitar. Mas iríamos – pelo menos eu iria – compreender o que foi feito. Mas, na realidade, nada nos foi dito. Aliás, nós não ouvimos nem aquele discurso, nem outro qualquer. Se bem se recordam, a “aposta na formação”, os “reforços cirúrgicos” e a preocupação em evitar “jogadores não adaptados” vem já das eleições. Foi o candidato BC que falou. O Presidente BC nunca nos transmitiu claramente a estratégia, fosse ela qual fosse. Temos que pegar no que disse na campanha eleitoral para tentar perceber o que quis fazer. E se o fizermos, chegamos à conclusão de que nada do que prometeu foi cumprido (o que não seria, em si mesmo, um problema se o resultado final fosse melhor do que a promessa original – o que não parece ser o caso).

Assim, desta forma e neste contexto, a ideia que passa é a de uma total ausência de estratégia para 2013/2014. E para os anos seguintes, ainda que consideremos que foram renovados inúmeros contratos com jogadores da equipa B, creio que devemos colocar a seguinte questão: que lugares vão ocupar esses jogadores considerando que os que agora entraram foram, alguns deles, contratados para o longo prazo (Jefferson 4 anos, Maurício 5 anos, Cissé 5 anos, Montero supostamente 5 anos, Slimani 4 anos)? Claro que podemos sempre confiar na valorização destes jogadores e consequente venda mas, face ao que vimos até agora, afigura-se difícil a concretização desse cenário (alguns são bons jogadores, mas dificilmente serão jogadores para vender por muitos milhões).

E nem me refiro aos jogadores em excesso que já todos percebemos que não contam – porque quanto a esses, e apenas quanto a esses, embora entenda que era por aí que devíamos ter começado (esvaziar a casa antes de a preencher), posso tentar entender o porquê de só ficarem resolvidos a 31 de agosto (esticar a corda até ao limite, ceder ao “mau negócio” apenas quando já não houver alternativa… será isto?). Isto sem prejuízo de os indícios até agora recebidos revelarem alguma falta de tato (para não dizer ingenuidade) na gestão de alguns dos temas, o que também me deixa preocupado.

A conclusão, por ora, é que ou há uma estratégia não revelada (wishful thinking?) ou simplesmente estamos… sem estratégia. Pessoalmente, teria preferido uma aposta na formação, com a contratação dos tais jogadores que ocupassem claramente lugares para onde não tivéssemos alternativas. E aqui todas as opiniões seriam válidas, mas fosse qual fosse a posição de BC e Inácio, todos acabaríamos por aceitar.

O que foi feito, deixa-me dúvidas… Porque dificilmente se enquadra numa estratégia de “aposta na formação” (seja ela qual for) a contratação de 7 jogadores, todos acima dos 20 anos, todos estrangeiros, alguns deles perfeitos desconhecidos e relativamente aos quais não há, sequer, uma mínima garantia de que possam ser titulares – com exceção, curiosamente, daqueles que já todos (!) sabíamos que íamos contratar (o DE e um dos 2 PL). 

Pela minha parte, mantenho o benefício da dúvida. Porque sou um resultadista e nada me dará mais prazer do que ser contrariado pela realidade. Porque embora me pareça má política resolver problemas após o início do campeonato, posso ter uma surpresa daqui até 31 de agosto. E porque, na realidade, se todos os jogadores contratados se revelarem muito bons, pode até acontecer que facilitem a integração dos demais (não estou a ver como, mas pode ser falha minha). Mas, neste momento, tenho que dizer que estou desconfiado desta estratégia – ou desta ausência de estratégia. 

Para terminar: nada do que disse afeta o que penso sobre Leonardo Jardim (considerando o que vi até agora) ou o meu apoio aos jogadores e à equipa, como é óbvio. Ontem estive em Alvalade, vibrei com o golão de Montero, sorri com o golo de Carrillo e deu-me particular gozo ver o Ruben Semedo marcar (porque só o tinha visto jogar 90 minutos uma vez e disse logo, num daqueles meus palpites zandingueiros, que o Ruben Semedo iria longe). Mais: nalguns momentos, o futebol jogado no campo leva-me a esquecer os problemas de estratégia. E não fossem os últimos 4/5 anos provavelmente estaria pouco preocupado com a estratégia e mais preocupado com o estado de evolução do nosso futebol em campo. Mas aprendi a perceber, ao longo deste triste período, que um clube sem estratégia mais tarde ou mais cedo acaba por pagar o preço da “navegação à vista”. O futebol é o momento e sempre será. Mas esse momento tem que estar, sempre, ao serviço de uma estratégia. E, repito, este post só aborda mesmo a estratégia.
 
***

Ontem estive em Alvalade, gostei de algumas coisas e não tanto de outras mas agradou-me particularmente ver que Leonardo Jardim tira conclusões do que se tem visto na pré-época e sabe o que está a fazer. Dou-vos apenas um exemplo: ontem Capel não saiu nem um minuto da direita, local onde rende melhor de há vários meses para cá. Fez algumas combinações interessantes e dois ou três cruzamentos perigosos. Na esquerda, Capel tem sido uma nulidade porque a sua permanente procura do pé esquerdo leva a que só procure a linha (sendo que, para os mais desatentos, a baliza fica no meio do campo e, parecendo que não, tem a sua graça quando a bola entra lá dentro). E é por ter total confiança no treinador do Sporting que vou insistir na permanência do André Santos, um jogador que simplesmente não caiu no goto nem dos adeptos do Sporting nem dos adeptos dos adversários porque não distribui fruta nem marca golões de fora da área. Mas ontem viu-se que o André Santos tem mais futebol nos pés do que o William e o Rinaudo juntos. Se ao primeiro perdoamos a inexperiência, o que dizer do segundo? Apenas isto: de que adianta a “raça” e “combatividade” de Rinaudo quando corremos permanentemente o risco de passar a jogar com 10? Aquele MC de ontem com André Santos e Adrien teria infinitamente mais capacidade para sair a jogar do que com William e Rinaudo. Sei que neste momento, e para não variar, estarei (quase?) isolado na doutrina. Mas espero, sinceramente, que Leonardo Jardim (também) tenha percebido isto.

12 comentários:

  1. Excelente o que transmites nestes parágrafos, primeiro que tudo sou um apoiante na qualidade de sócio de BDC mas tens toda a razão ao dizeres que foi passada uma ideia e de que agora seguimos por outra, (contratações cirúrgicas), mas também digo que as boas cirurgias fazem-se com bom dinheiro, o que não temos. Melhor, pergunto como se consegue 3 a 4 contratações cirúrgicas com 1,2 M? Finalizo dizendo que tal como tu, na minha doutrina não tínhamos hoje no plantel o Rinaudo (gosto da sua determinação, mas amo o sporting cp) nem o Capel, mas sim teria Salomão e André Santos portugueses com alguma qualidade, na minha opinião a suficiente para serem alternativas válidas tanto a um como a outro.

    Continua com a tua serenidade a operar textualmente o futebol do Sporting CP.

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  2. Koba,

    Compreendo o que dizes. No entanto nós não somos o Barça, nem temos o Messi, logo não podes ter o meio-campo só com jogadores que são bons a construir. Precisas de lá ter 1 William Carvalho ou 1 Rinaudo.

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  3. Mana azevedo, obrigado pelos comentários

    Quanto às contratações cirúrgicas, percebo o teu ponto, mas repara que bastaria não ter contratado os que vieram "a mais". Não contesto os critérios das escolhas (aliás disse aqui que os compreendia perfeitamente - a II Divisão brasileira, os clubes médios nacionais), mas a simples necessidade de contratar esses jogadores.

    Ou seja, respeitando todos os critérios e não discutindo valores, bastaria que tivessem vindo apenas o Jefferson, o Magrão (e este eu seria dos poucos a aceitar), o Montero e o Slimani. Os restantes não gastaríamos um cêntimo em salários, transferências ou "favores" (refiro-me ao Maurício, seguramente que o Dionísio Castro não avançou com o dinheiro por sportinguismo).

    O Maurício, que considero razoável (e estou no grupo dos otimistas!), só é titular por uma série de infortúnios do Dier e do Rojo e pelo impasse na renovação do Ilori. Em condições normais, seria a 4ª opção. Eu defendi que se contratasse um DC titular. Se não fosse possível, e admito perfeitamente que não fosse, para 4ª opção estava lá o Nuno Reis.

    O Welder não consigo mesmo perceber, seja qual for a perspetiva... Posso estar enganado mas entendo que o Esgaio nunca será um ala/extremo de topo e que valeria a pena a sua adaptação a DD.

    E o Cissé parece ter sido um erro de casting (que se aceitaria se nos dissessem "só dá para 2 e o segundo tem mesmo que ser deste valor"). Mas se iam buscar o Montero e o Slimani, pergunto se o Betinho, o Rubio e o Alexandre Guedes não poderiam perfeitamente ser as opções de recurso (e nem me refiro ao Wilson que tem jogado a AV ou mesmo ao Carrillo que também pode jogar ali como ontem o LJ, e muito bem, demonstrou).

    E embora não seja grande fã do Salomão, concordo contigo: se o Sporting vender o Rinaudo e o Capel e ficar com o André Santos e o Salomão, acho sinceramente que o Sporting está a dar passos no sentido da realidade muito mais prudentes (e compreensíveis) do que aqueles que tenho visto.

    SL

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  4. Mike ok, vamos admitir que assim é, precisamos de 1. Mas 2? A jogar juntos?

    Eu gostei do William a 6, na altura em que estávamos em 4-3-3. Neste sistema, William & Rinaudo assusta-me.

    Ontem ficámos sem conseguir jogar futebol entre os 15/20 minutos e o nosso segundo golo. A Fiorentina, que não preparou o jogo e não viu um video nosso, ao fim de 20 minutos bloqueou-nos a saída de bola pelos laterais e os nossos médios recuados recebiam de costas para o jogo para voltar a devolver atrás. Imaginemos, agora, um Pedro Emanuel a treinar isto toda a semana...

    Adrien fez uma tremenda falta.

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  5. Koba,

    Não acredito que o Jardim faça muitas vezes esta dupla de meio-campo. Acredito que a tenha usado porque a Fiorentina tinha um meio-campo forte e ele queria tentar para-los.

    No nosso campeonato basta 1 deles jogar.

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  6. Koba, assino por baixo a nota sobre o André Santos. E estou confiante que LJardim o tenha percebido, o André entrou muito bem no jogo.

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  7. "André Santos tem mais futebol nos pés do que o William e o Rinaudo juntos"

    Se tudo o resto que estava escrito estava bem, com isto atingiu a excelência.

    Rinaudo é um atentatado! Mau posicionamento, temperamento, péssima abordagem ao portador da bola, dá sempre o lado errado e tem a bola uma eternidade. Repugna-me que use a braçadeira de capitão. E foi o que menos mereceu levantar aquela taça.

    Agora não posso aceita que, com 1 mês de pré-época, André Santos só agora apareça. E nem sequer foi apresentado! Ou é aposta ou não é!

    Já agora, a medalha do Rui Patrício ficou no pescoço do Bruno Carvalho?

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  8. Será que as notícias que insistentemente referem o tal do Ogude significam que está a ser ponderada a saída do Rinaudo? Embora não me choque do ponto de vista da decisão técnica, não deixa de me causar alguma confusão: deve ser o 5º ou 6º ano consecutivo em que transferimos o capitão de equipa. E já agora o sub-capitão é o Patrício que também está prestes a sair...

    Cantinho, essa indefinição quanto ao plantel deixa-me francamente preocupado. Temos vários "casos Cardozo" mas com duas desvantagens: (i) nenhum dos jogadores tem a qualidade do Cardozo (que se ficar lá vai acabar por marcar os seus golitos, mesmo contrariado) e (ii) fomos nós que os criámos, todos eles (não interessa se foi o JEB, o Godinho ou o Bruno: foi o Sporting).

    PS: Cantinho, noutro dia no comentário quanto aos melhores jogadores a jogar em Portugal, esqueci-me de lhe dizer que faltava lá o Matic que, para mim, é neste momento o melhor. Aliás, custa-me dizer isto, e não é pouco, mas é bem capaz de ser o melhor médio defensivo que já vi jogar em Portugal.

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  9. Koba,

    Mais um bom post que temia não chegar a tempo para comentar.

    Concordo relativamente à estratégia ou falta dela. Creio que há dois momentos nas aquisições deste defeso: o das aquisições de BdC/Inácio/Virgílio (?) e as últimas pedidas por Jardim: Magrão e Slimani.

    Os primeiros, Jefferson, Cissé correspondiam ao perfil anunciado (jogadores adaptados) embora me custe a perceber o que se viu no segundo que não passe por ficar na B, onde duvido que tire o lugar a Betinho, por exemplo.

    Terá havido ainda um pré-momento bastante prometedor quando se falou em Josué, Sílvio, e Pizzi, por exemplo. E não se falou por exemplo em Vitor, que o Paços/Jorge Mendes quer negociar e oferecia o que me parece que Magrão nunca será capaz. Mas esta estratégia de hostilizar quem manda no mercado e ter relações priveligiadas com desconhecidos que "operam" em mercados abaixo de emergentes devia ser algo que se deveria perceber melhor.

    Este é um ponto fundamental na estratégia de qualquer clube, o nosso em particular, com necessidade de fazer mais valias devia preocupar-se em abrir canais e não em fechar. Não será a Clássico que nos vai abrir as portas dos grandes clubes para colocarmos os nossos melhores jogadores. Vamos pensar que tudo vai correr pelo melhor, realizar um bom campeonato e valorizar activos. Será a Clássico ou JM e Zahavi que nos proporcionarão bons contratos para realizar mais valias? E a querela com Baldé, de todo escusada e total falta de tacto, não ficará por aqui.

    É-me difícil negar a aposta na formação quando se renovou com tantos jogadores e se ofereceu contratos dilatados no tempo. Ainda assim não creio que não pudéssemos, num ano excepcional, ter prescindido de Mauricio e Magrão, dando lugar aos muitos centrais. Reis não é pior, por exemplo. Mesmo Rojo acho de muito difícil valorização, isto se permanecer a resvalar do que tinha demonstrado com Jesualdo, pelo que não seria pior deixá-lo sair se houvesse uma oferta algures pelo preço de custo.

    Uma outra nota para Ilori e Bruma. Os dois melhores a par de Dier estão mais talhados para seguir o caminho de Sabrosa e Moutinho do que outro qualquer, não havendo por isso a mudança que todos gostaríamos de verificar em relação aos nossos jovens mais talentosos: quase todos saem a mal e demasiado cedo.

    Finalizo com Labyad. O Sporting não vai perder apenas um jogador promissor, se bem com muito que aprender ainda. Vai ficar marcado como um clube que não só não consegue aproveitar os jogadores que forma como é incapaz de rentabilizar as apostas que faz em talentos emergentes. Rúbio e Viola são mais dois.

    Abraço

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  10. Leão de Alvalade, vamos acreditar que não tivemos capacidade para chegar a esses jogadores do pré-momento que refere, mesmo o Vítor. Só um deles custaria ao Sporting (valor da transferência) o mesmo que custaram todos os que entraram (assumindo que o Montero veio mesmo emprestado e não contando com o efetivo exercício da cláusula de opção).

    Aqui o ponto deveria ter sido o seguinte: "se chegamos à conclusão que não conseguimos ir buscar os tais jogadores que cumprem os nossos critérios e pegam de estaca, temos que ponderar se vale a pena contratar algum, considerando que temos uma geração na B com grande qualidade [nota: os experts que acompanham as nossas camadas jovens dizem-me que é esta e não a próxima ou a seguinte; é esta que não podemos deixar de aproveitar]; nós queremos um MC e um DC mas este Magrão e este Maurício são jogadores que só cabem nos nossos critérios se efetivamente fizerem a diferença". Uma observação avisada dos jogadores permitiria tirar algumas conclusões, e voltamos à discussão que tive há algumas semanas com o Manuel Humberto sobre o nosso atual "know-how" na prospeção e observação de jogadores.

    Concordo que o Rojo de Jesualdo foi o melhor Rojo que vimos até agora. Resta saber porque mais ninguém consegue tirar rendimento do jogador. Pelo que vimos até agora, Rojo parece estar a voltar ao que era com Sá Pinto.

    Quanto a Labyad: ontem ouvi Eduardo Barroso dizer que o caso Cardozo foi muito mal gerido porque desvalorizou o jogador; logo de seguida, pareceu esquecer-se que o Sporting está a desvalorizar Labyad (quem é que neste momento quer um jogador que ganha 2M€/ano e ainda assim é despromovido à equipa B?). Que, curiosamente, é um rapaz com muito azar: logo no momento em que LJ testa um esquema tático em que Labyad se sentiria muito mais confortável (no papel que faz o Wilson), Labyad é despromovido à equipa B. No momento em que os rivais corrigem a rota para passar ao mercado uma mensagem de não-desvalorização, nós fazemos o percurso inverso. Considerando que o rapaz vai por cá passar o Agosto, não teria sido melhor deixá-lo na equipa A e, inclusivamente, pô-lo na montra (pelo menos no Guadiana)? Não percebo.

    Um abraço

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  11. Não poderá dizer que eu não avisei...

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