30/08/2013

Update (vários casos resolvidos) e Derby

Sei que disse em comentário no último post que só iria fazer o balanço deste final de mês na próxima semana, face ao permanente avolumar das notícias. Mas uma vez que queria deixar duas notas sobre o derby, faço rapidamente um update dos temas que estavam por resolver:

Turan - transferido a custo 0, mantemos 40% do passe, foi o possível.
Evaldo - ?
Boulahrouz - ?
Onyewu - rescisão com nota simpática de despedida, solução muito melhor do que um despedimento.
Pranjic - outra rescisão com nota simpática de despedida, a meu ver solução melhor do que a do empréstimo mesmo que no imediato seja mais cara.
Jeffrén - ?
Bojinov - ?
Labyad - arrepende-se de ter saído cedo demais do PSV, seria bom que ligasse ao Bruma a explicar porquê.
Bruma - Gala por 12M€ ou renovação (segundo parece tem contrato até 15/16, será mesmo assim?).
Ilori - parece certo no Liverpool. Se for mesmo por 9.3M€, não retirando uma vírgula ao que sempre disse (devia ter sido alvo de uma abordagem prioritária), não deixo de reconhecer que é um bom negócio (creio que, entre compras e vendas, é o central mais caro da história do Sporting).

Quanto ao presidente BC, apenas um comentário: estava à espera de todas estas notícias de rescisões, com exceção do André Santos, desde Maio; contudo, mais vale tarde do que nunca.

Duas notas quanto ao derby:

- o futebol é o momento e o nosso é aparentemente melhor do que o deles. Será que o nosso melhor momento chega para derrotar a (objetivamente melhor) equipa adversária? Temos que ser cautelosos, preparar bem o jogo e por de lado excessos de confiança. O adversário é mais forte. Ponto. Temos que controlar as suas forças e aproveitar as suas fraquezas (também as há). É possível ganhar, claro que sim, mas se a sobranceria dos mais fortes tem efeitos normalmente perniciosos, o que dizer da sobranceria dos que nem sequer são mais fortes (e tenho visto alguma por aí)?

- aconteça o que acontecer amanhã, o Sporting deve manter uma linha de pensamento igual à que mantinha até aqui. Quero ganhar e acredito que é possível. Mas da mesma forma que espero que uma eventual derrota (vade retro!) não abale a ideia (de futebol) que se estava a construir, espero também que uma vitória não arraste para a euforia um grupo de jogadores que tem ainda muito para crescer antes de pensar em vôos mais altos.

E venha o Derby!

29/08/2013

Update - Casos Resolvidos e Outras Novidades

Evaldo - vai rescindir e assinar pelo Vitória de Guimarães. Sinceramente, não tinha mesmo lugar. Um bom profissional mas que, sendo (uma vez mais) sincero, não vai deixar grandes saudades.

André Santos - vai rescindir e assinar pelo Vitória de Guimarães. Trocava de bom grado a situação do André Santos pela do Diogo Salomão, até porque me parece que o André Santos poderia ser uma opção mais útil à equipa este ano do que o Salomão. Mas enfim...

Pranjic - parece certo o empréstimo ao Panathinaikos com o Sporting a suportar 1/3 do ordenado. Acredito que seja a melhor solução possível neste momento, duvido que não tivesse sido possível uma solução melhor ou idêntica poupando dois meses de salários do jogador.

Outras "novidades":

- Ilori quase certo no Liverpool por 7M€ - não me custa reconhecer que recuei, de bom grado, nas dúvidas iniciais que tinha relativamente a este jogador (foi talvez a surpresa mais agradável do ano passado). Pergunto-me, por isso, se este jogador (à semelhança do que dizia de Bruma) não deveria ter sido alvo de uma abordagem determinada no sentido da renovação. Como me diziam noutro dia, provavelmente o custo projetado para algumas das renovações e contratações anunciadas serviria para assegurar o Ilori, sendo que parece relativamente unânime entre os que conhecem bem os jogadores - não é o meu caso - que (pelo menos) as renovações com Luís Ribeiro, Edelino Ié, Mica, Kikas não fazem sentido. Enfim, vamos ver o que será a carreira de Ilori bem como as proteções que o Sporting irá fazer relativamente ao retorno do jogador a Portugal (claro que saindo do Sporting é meio caminho andado para o Paulo Bento o convocar porque já percebemos que lhe causa comichão convocar os nossos jogadores para a seleção);

- Patrício, diz-se, já não sai. Estamos a contar com o ovo no cu da galinha - valorização num Mundial onde nem sequer sabemos se Portugal conseguirá estar presente... Vamos esquecer os loucos que falavam de 20M€ e disparates do género e digamos a verdade: qualquer valor acima de 10M€ por um GR português é muito bom;

- o Benfica usa o mesmo método há anos, não sei como os jornais ainda engolem isto (ou se calhar sei...). Na década de 90, o JVP estava sempre em dúvida, mas jogava sempre (milagre!!); em 2000/2001 foi o João Tomás, mais tarde aquele pequenote irritante que lá andava, havia sempre alguém que estava em dúvida e recuperava a horas do derby. Agora é o Markovic que está "lesionado" e "em dúvida", mais o Cardozo que "não está em condições físicas". Mas alguém duvida que o Markovic e o Cardozo serão ambos convocados?! Anos e anos a ouvir estas patranhas, nem sei como é que alguém ainda cai nisto. Leonardo, meu caro, vai por mim: conta com o Markovic no 11 em vez do Rodrigo e o paraguaio no banco a entrar na 2ª parte.

28/08/2013

Casos por resolver (V) e Casos Resolvidos

Turan - integrado na equipa A depois de ter jogado pela B. Ambiente desanuviado ou simplesmente fruto do acaso? Com BC ao leme, confesso que não acredito nesta última. Poderá ter sido para dar alguma montra, mas na equipa B duvido que produza um efeito útil. Não é uma solução que me desagrade, muito embora gostasse de ver melhor o jogador para tirar conclusões mais definitivas.

Evaldo - um caso parado e sem resolução à vista, mantenho o palpite de que provavelmente o contrato vai ser cessado por mútuo acordo.

Boulahrouz - mantêm-se os rumores do interesse de clubes ingleses, esperemos que acabe por ser transferido nos últimos dias do mercado. Entretanto o Record hoje noticia que não se pode apresentar em Alvalade e anda a treinar com Pranjic, Rubio e Stojanovic, com o suposto apoio do ex-team manager Vidigal. Se alguém me conseguir explicar isto, agradeço porque nesta, confesso, fiquei perdido.

Onyewu - aguardamos a conclusão do processo disciplinar, mas o curioso é que este se pode apresentar em Alvalade e a dupla Boulahrouz/Pranjic aparentemente não pode. Tudo muito nebuloso.

André Santos - mantêm-se as dúvidas quanto à integração no plantel principal, mas começo a achar que acabará dispensado.

Salomão - renovou até 2019 e fica, calculo, no plantel principal. Como sabem, não fico particularmente entusiasmado. Mas, enfim, bem ou mal, é um caso que está resolvido.

Pranjic - fala-se novamente do Panathinaikos, desta feita por empréstimo. Espero que seja mais um caso resolvido.

Jeffrén - sem novidades mas se este acabar por ficar, não é propriamente um desastre (mas falo sem saber quanto ganha...).

Bojinov - mais um sob processo disciplinar mas à chegada a Lisboa teve umas palavras simpáticas, eventualmente para tentar amenizar os efeitos do mesmo. Vamos ver se pode frequentar as instalações...

Labyad - obviamente ninguém acredita que está satisfeito por treinar com a equipa B. Está a adotar uma postura que se compreende (quer preservar o contrato que o Sporting livremente assinou com ele) mas que vai prejudicar o seu crescimento enquanto futebolista, porque obviamente precisa de jogar. Não vejo solução para este caso que não seja a renegociação das condições de pagamento do salário (ou seja, tentar - se é que não foi já tentado - que uma parte do salário seja afetada a um prémio por uma futura transferência - de qualquer forma, muito complicado...).

27/08/2013

Dias movimentados - tanto para escrever e tão pouco tempo para o fazer...


Foram 5 ou 6 dias movimentados em Alvalade, notícias quase sempre boas (vitórias a todos os níveis) e um título oficial (vitória na Supertaça em Andebol sobre o FCP) mas pouco tempo para comentar o carrossel de novidades.

Vamos aos principais temas, por ordem cronológica:

23.08 (manhã) - A entrevista de BC

Surpreendente entrevista de BC no dia em que todos diziam que sairia a decisão da CAP no caso Bruma. Comentei com amigos e familiares que a entrevista de BC, naquele dia e naquelas circunstâncias, só podia significar que BC já sabia que ia perder o caso Bruma (o que acabou por não acontecer). BC nessa entrevista não só não salvaguardava de forma clara a imagem do jogador como também não manifestava qualquer aproximação aos empresários (que, goste-se ou não, representam o Bruma), pelo que concluí que BC estava a preparar o terreno para a derrota na CAP. E, eventualmente, até estava...

Também incompreensível manter-se uma tática de guerrilha com os empresários. Pensei que Zahavi era um tema do passado, mas BC foi ressuscitá-lo sem qualquer motivo aparente (que não fosse, lá está, o de tentar justificar uma putativa derrota na CAP). Continuo sem perceber porquê. Cheguei a falar do objetivo de obrigar os jogadores a mudar de empresário mas depois disso jogadores representados por Zahavi renovaram contrato. Há algo aqui que me escapa...

Noutro plano, muito boas as declarações relativamente ao tema da arbitragem. É exatamente a estratégia que defendo há anos: em vez de fazermos o papel dos calimeros que se queixam a torto e a direito (ver como mau exemplo os nossos paineleiros...), o Sporting deve falar de arbitragem apenas quando efetivamente se justifique mas de forma firme e fundamentada. Foi o que BC fez após o jogo da Luz e que aqui aplaudi. A manter.

23.08 (noite) - Vitória na CAP

Primeiro ponto: a vitória na CAP é uma vitória do Sporting e uma vitória de BC; e é uma derrota de Bruma, Baldé e Bebiano. Parece-me indiscutível. Não obstante, mantenho o que fui dizendo ao longo dos tempos: só o facto de o tema ter chegado à CAP já era uma derrota do Sporting e de BC, que não resolveram o tema de forma a evitarmos este filme. A renovação antes da confusão representaria sempre o sucesso do Sporting e de BC; a vitória na CAP é uma batalha vencida numa guerra de todo indesejada.

De qualquer forma, é uma circunstância obviamente favorável ao Sporting nesta fase uma vez que obrigará Bruma e os seus empresários a, pelo menos, ouvirem o que BC te para propor. Vamos ver como acaba.

Uma nota: espero que a vitória na CAP não leve BC a pensar que, afinal, não precisa nada de corrigir a rota como aqui referi...

24.08 (noite) - Vitória em Coimbra

Vitória importante e bem conseguida, com uma equipa a jogar coletivamente. O futebol, para esta fase, está num nível muito razoável, acredito que ainda melhore. Gostei de Jefferson, André Martins e, claro está, do "meu" Carrillo que está cada vez mais comprometido com a equipa.

No final do jogo, o Leonardo Jardim citou-me quando referiu que "o futebol é o momento". Ligou-me antes a perguntar se o podia fazer e eu disse-lhe que não havia problema desde que ganhássemos o próximo jogo. Prometeu-me que assim seria.

E quanto ao derby, sei que sou dos poucos a pensá-lo, mas creio que para o Sporting não foi necessariamente má a reviravolta do Benfica. Prefiro o Benfica minimamente confiante do que um Benfica que teria que ganhar em Alvalade, sim ou sim. É que esse, estou convencido, ganharia mesmo, fosse lá como fosse: o próprio FCP (e consequentemente o "sistema") preferiria um Sporting com 6 pontos e um Benfica com 3 do que um Sporting com 9 moralizado, ainda que o Benfica ficasse com 0 (já o disse aqui várias vezes, o FCP tem a grande qualidade de nunca nos menosprezar, mesmo quando assumidamente não somos favoritos ou sequer candidatos ao título).

27.08 - Novamente Bruma

Parece claro que, depois das notícias precipitadas sobre o "castigo" que seria a integração de Bruma na equipa B, e consequentes declarações (também precipitadas) a referir que Bruma não aceitaria treinar-se com a referida equipa B, as partes começam a convergir para um ambiente em que um acordo (seja ele qual for) é possível. O próprio Bebiano, que foi quem mais gasolina foi deitando para a fogueira neste caso, começa o dia de hoje a deitar água na fervura. Parece-me bem.

Ontem um amigo deu-me aquela que me parece ser a melhor sugestão que li até agora para a resolução deste caso - renovação por 4 ou 5 anos, com 1º ano de empréstimo a um clube europeu onde possa evoluir até acalmarem as hostes (o Galatasaray até poderia ser uma boa opção porque o ideal seria um campeonato semelhante ao nosso), com uma opção de compra que afastasse os abutres (aqui eu diria que nunca poderia ser inferior a 20M€).

***

E venha o derby para a terceira vitória consecutiva!

26/08/2013

O outro lado dos descontos

Sim, finalmente consigo falar de descontos no futebol sem sentir um nó na barriga! Para substituição, apenas uma voz rouca que sofreu com a libertação em decibéis máximos de um pesadelo que via o Benfica a ficar, logo no início do campeonato, com as hipóteses de conquistar o campeonato demasiado complicadas. 

Quando alguns já tinham abandonado o Estádio da Luz (adoro que estes desistentes estejam a sofrer com o desgosto de não terem presenciado a reviravolta mais impressionante de que me recordo de ver ao vivo) o Benfica não só empatou mas também venceu este enervante e desgastante jogo contra o Gil Vicente. Espero que esta inversão de sentimento em relação aos descontos seja o sinal para todos os jogadores e equipa técnica que o que aconteceu no final da época passada, apenas pode influenciar a cabeça dos jogadores, nada mais.



No entanto, não podemos ficar inebriados por esta vitória espetacular. Os festejos loucos não tapam os problemas que este jogo voltou a revelar:
- os laterais jogam como se estivesse alguém a agarrar a camisola permanentemente! Quero acreditar que apenas estão fora de forma mas tenho muitas dúvidas. A fífia e lentidão de Maxi então, meu Deus…
- Artur continua nervoso e inseguro. Aquelas duas saídas consecutivas a cruzamentos foram de bradar aos céus;
- o Enzo nunca mais volta da Argentina?
- Jesus ainda não percebeu, desde a época passada, que Lima e Rodrigo juntos não funcionam?
- Markovic pode jogar em todas as posições pois não há dúvidas que é craque mas é no meio que tem que jogar! Ele sim, pode apoiar o avançado! Já Djuricic não pode jogar tão perto do avançado! O homem não sabe jogar de costas para a baliza, tem que jogar de frente para o jogo para fazer passes decisivos como fez para Markovic;
- apesar do cruzamento para o segundo golo, Sulejmani continua a parecer que não tem a velocidade necessária para jogar na ala.

A equipa até criou oportunidades mais do que suficientes para ganhar por vários golos de diferença mas o futebol envolvente de ataque da época passada continua a ser uma miragem. Falta o entusiasmo e a alegria que contagiam as bancadas. Sei que as vitórias são o combustível ideal para que o bom futebol volte a aparecer mas não deixa de ser um arranque demasiado tremido face ao principal adversário e mesmo ao próximo adversário.

Nota, a sublinhado, dos festejos do segundo golo:
-  apesar de, para ser simpático, não ser um fã de Jesus, gostei de o ver a correr para festejar o segundo golo e do abraço de conforto a Maxi e de alegria a Luisão. Mostra por um lado que, apesar de alguma imobilização que a postura de Jesus tem apresentado no banco, ainda tem a vontade e ambição de vencer. Por outro, mostra uma ligação forte ao plantel ou pelo menos a dois dos jogadores com mais peso no plantel, o que não deixa de ser importante quando se fala bastante de um afastamento entre os jogadores e Jesus.

- adoro o Luisão e acho que é quase sempre ele que, nos momentos mais difíceis, dá o exemplo e leva a equipa a levantar-se e a correr atrás do golo. No entanto, já não é a primeira vez que o vejo a ter reacções para o público muito similares às que também já vi em Cardozo. Reacções para quem lhe garante o ordenado, para quem o apoia em casa mas também em muitos jogos fora de portas e mesmo no estrangeiro. A devoção é enorme mas se jogam sem garra, lentos e com resultados negativos não se podem admirar de ouvir uns assobios!  E ainda por cima nem foi o caso neste jogo, pois, apesar da nuvem cinzenta que pairava, os assobios foram apenas esporádicos. Por isso Luisão, vai para o c#$¥£?¥ com o teu dedo na boca a mandar calar o pessoal! Mais uma vez, vénia a Jesus que o mandou parar e o enviou para o centro do terreno.



O círculo que os jogadores fizeram no final do jogo também pode indiciar que o plantel vai finalmente unir-se. Até terminar a janela de transferências russa, existirá sempre um fantasma a pairar sobre o grupo, mas é importante que os jogadores percebam que estão todos efectivamente comprometidos com os objectivos do plantel e não com eventuais transferências e, desta forma, seguirem para a guerra juntos e como uma verdadeira equipa.

21/08/2013

O melhor reforço da temporada


Não tive a possibilidade de ver em direto o jogo do Sporting com o Arouca. Em dia de aniversário do meu Pai, a quem aliás devo o meu sportinguismo, a prioridade foi o convívio com a família.

OK, a história não é bem assim. Tanto eu como o meu Pai, principalmente o meu Pai, queríamos ver o jogo. Mas no local onde estávamos, sempre houve SportTV1, SportTV2 e SportTV3; nunca ninguém se perguntou porque não teríamos SportTV4 porque era irrelevante; até que a SportTV4 foi substituída pela SportTV Live, onde o jogo foi transmitido; e o meu Pai, que tanto queria ver o jogo, já não foi a tempo de resolver o problema. Assim, fomos sabendo o que se passava pelos SMS que nos iam enviando.

O resultado final não deixa de ser uma prenda para 64 anos de sportinguismo. Parabéns Pai.

O que fica deste primeiro jogo, que pude rever mais tarde já sabendo o resultado, é que o Sporting mostrou, fundamentalmente, capacidade de reação e um nível futebolístico que considero bom para esta fase da época. O adversário era o Arouca, que se argumentou ser inexperiente mas cujos jogadores, segundo me disseram no Domingo de manhã, somavam mais 100 jogos na I Liga do que os nossos...

Creio que já não vale a pena, a esta distância, fazer a análise do jogo e do ambiente vivido em Alvalade no Domingo (que, pelo que percebi, foi fantástico). Remeto para o texto do Cantinho do Morais no qual me revejo (quase) integralmente. Acrescento as seguintes notas:

1. O melhor reforço da temporada é claramente o treinador. Leonardo Jardim, a meu ver, está a disfarçar algumas debilidades visíveis nesta pré-temporada, nomeadamente em termos de organização, estratégia, construção do plantel e dispensa de excedentários. A equipa apresenta-se como uma equipa, nota-se que treina e trabalha como equipa. Aquilo que tanto insisti quando me referia ao futebol do Sporting do ano passado, numas bocas popularuchas que ia mandando na altura (o clássico dichote "parece que nem treinam juntos") está lá para trás, num passado que agora vejo como muito distante. Não escondo que simpatizo com o treinador desde o início e sou, por isso mesmo, suspeito nesta análise. Mas foi, a meu ver, o melhor ato de gestão desportiva praticado por BC e Inácio.

2. Maurício é um central daqueles que cai no goto dos adeptos porque marca golos. O que é importante, obviamente, embora não essencial (basta olhar para o lado e ver Garay que não marca muitos golos e é um central de eleição). Mas a verdade é que Maurício tem ido um pouco além disso. Parece-me certinho e consciente das suas limitações (um pouco a fazer lembrar o Tonel, ainda é cedo para dizer se para melhor). Ainda algo duro, porém, para aquilo que é o estatuto do Sporting. Quem me acompanha aqui desde o início sabe que não há nada que mais odeie do que o discurso do Sporting-Calimero. Contudo, creio que todos sabemos que o estatuto de um clube é essencial para a admissão ou rejeição de certos comportamentos em campo. O Sporting, este Sporting, nunca poderia ter um Javi Garcia ou um Bruno Alves. Acabariam expulsos jogo sim, jogo não. Maurício tem que moderar a pancada ou "aprender a dar porrada" (mais um dichote, desculpem lá). Sim, é essencial saber dar porrada. O Oceano nunca foi meigo e acredito (não contabilizei) que tenha tido menos expulsões na carreira do que o João Vieira Pinto...

3. Parece que terei que me penitenciar quanto ao William Carvalho. Talvez por ter ao lado um parceiro que sabe o que fazer à bola, o William terá sido influenciado (por osmose?) a fazer uma bela partida, em particular na construção de jogo. O passe para o Wilson no segundo golo é excelente e demonstra que o William tem mais futebol nos pés do que eu pensava. Mea culpa. Vamos ver se mantém a qualidade na construção perante equipas que (o) pressionem com mais qualidade. Mas por ora, gostei da dupla William-Adrien.

4. Adrien que, diga-se, está a ser aquilo que eu pedia no tal MC que entendia ser necessário na projeção do que deveria ser a nossa pré-temporada: o jogador decisivo no ritmo de jogo da equipa. Está num nível muito alto. Com este Adrien, reconheço que não precisávamos de outro MC (tinha dito, com alguma descrença, que Adrien só deveria ficar se fosse aposta para titular e que nesse caso não precisaríamos de outro - mas reconheço que não estava particularmente confiante com esta possibilidade). Agora, pergunto: "este" Adrien já estava no plantel ou (lá está!) foi Leonardo Jardim que fez "este" Adrien? Não sei... mas, com as habituais suspeitas, desconfio da segunda hipótese.

5. Wilson Eduardo é um jogador que não enche as medidas dos experts mas a quem reconheço grande utilidade. Tem uma postura impecável (mais um que me parece consciente das suas  limitações e que usa isso em seu benefício) e não sendo um Bolt não é propriamente lento. Pode ser um jogador importante porque o Sporting precisa que outros jogadores marquem golos para além do PL. E porque tanto pode jogar à esquerda, como à direita, como no apoio ao PL como ao lado do PL, podendo ser usado para mudar toda a disposição ofensiva da equipa. Pela minha parte, ainda bem que temos Wilson Eduardo e que Leonardo Jardim o está a aproveitar.

6. Dois pontos de discordância com o Cantinho do Morais (os únicos), em dois temas:

(i) o primeiro, em que sou altamente suspeito: gostei de ver o Carrillo. Não fez um grande jogo, mas ao contrário do ano passado em que aparecia em 1 ou 2 jogadas geniais que na maioria das vezes não davam em nada, desta feita vi um Carrillo mais objetivo, mais participativo no jogo coletivo e que aliás fez uma excelente assistência para o golo do Wilson Eduardo. Mas concordo com o Cantinho quando refere que Carrillo tem que aproveitar a confiança que Leonardo Jardim tem nele. Porque quando Carrillo conseguir integrar no jogo coletivo os rasgos individuais que fazia no ano passado (e até eu digo que no ano passado não fez mais do que isso) insisto que vai ser um jogador de top;

(ii) o segundo, em que sou insuspeito porque sempre gostei do jogador, salvo nos últimos tempos: não fiquei fã do que fez o Capel. Capel insiste em levar o jogo permanentemente para a linha e cruzar sem olhar para a área. Quantas vezes vai acontecer um PL de 1,75m cabecear sozinho, praticamente na pequena área, no meio dos centrais adversários? O cruzamento saiu perfeito, ok, mas dificilmente volta a repetir-se. E digo o mesmo do segundo cruzamento. Montero resolveu com uma obra-prima, mas quantas vezes vai beneficiar da complacência dos centrais adversários? Insisto que Capel tem que ser mais versátil no seu jogo.

7. Tinha aqui dito que se Fredy Montero se revelasse um craque, seria o primeiro a elogiar BC e Inácio. Pois bem, não preciso de ver mais para perceber que Fredy Montero é um excelente jogador. Resta saber se é o PL de que precisamos para 30 jornadas de campeonato nacional (à imagem de Acosta ou Liedson), mas a qualidade está lá. Parabéns a BC e Inácio até porque, para a qualidade que parece ter, diria que não foi caro.

8. Nota final para o cântico. Agrada-me muito ver Alvalade a cantar algo que não é ofensivo para ninguém, apenas diz respeito ao Sporting e a nenhum outro clube e envolve todo o estádio. Excelente. Mas, um pouco contra a corrente, não posso deixar de dizer que a letra do cântico está longe de ser fantástica e aquele final não faz sentido. Bastaria substituir "Sporting tu nunca vais acabar" (que não cabe no tempo da música) por, por exemplo, "Sporting teu nome é imortal" (que jogaria com o "força é brutal" em vez do "história para contar"). Mas enfim, não se pode ter tudo. Ficaria muito satisfeito se inventassem outros cânticos de igual valia, desde que obedecessem à mesma lógica e pusessem todo o estádio a cantar.

PS1: O post vai longo, mas não resisto a comentar os históricos rivais. Nem Porto nem Benfica fizeram jogos ao nível da qualidade que as suas equipas têm. O Porto disfarçou uma péssima primeira parte com uma segunda a jogar contra 10, o Benfica nem isso conseguiu (mas não jogou contra 10). Convém dizer que tanto o Vitória como o Marítimo fizeram excelentes jogos, o primeiro em particular surpreendeu-me bastante. Vai ser muito difícil jogar no Bonfim e na Madeira... Convém também dizer que o árbitro do jogo do FCP foi o árbitro mais criticado pelo próprio FCP durante o ano passado. How convenient...

19/08/2013

Mais um triste início

É desesperante e triste que o Benfica tenha chegado a um ponto em que ganhar um jogo na primeira jornada é desafio de dificuldade máxima. Que raio de mentalidade e preparação psicológica se faz para que os jogadores entrem sempre a tremer, com receios, presos de movimentos e sem qualquer alegria?! Para já, um agradecimento a quem manteve o líder deste grupo no banco quando se percebia que estes jogadores precisavam de um novo ciclo e esquecer todas as desilusões, incompetências e má sorte das últimas épocas. E se este líder queria mostrar que continuava aí para os disparates e inventanços, já o conseguiu!

É fantástico que num plantel desequilibrado e com um número excessivo de extremos/alas, o treinador, numa situação em que o titular indiscutível do lado direito não pode dar o seu contributo à equipa (Salvio), prefira desfazer a dupla do meio-campo de toda a época passada e que tão bem deu conta do recado (Matic e Enzo) para colocar o argentino no lado direito. Assim como também acho brilhante colocar o Djuricic na mesma posição de Markovic quando já se percebeu que têm características completamente diferentes e que o primeiro, ou ainda não está preparado/rotinado para aquela posição ou então que não é aquela a sua posição. Eu acredito mais na última e que a forma de jogar de Djuricic é mais propícia a jogar de trás para a frente e a definir as jogadas do que a procurar os espaços, desequilíbrios e a jogar de costas para a baliza.


Depois, o que já se tinha percebido nas laterais. Cortez é muito fraco sendo que apenas reconheço que tem fibra para as bolas divididas. Quanto ao resto, não vejo cruzamentos perigosos, velocidade na frente ou outro qualquer movimento ou passe relevante. No outro lado, Maxi está muito lento e previsível.

Enzo, com a mudança na segunda parte para o meio, ainda esteve bem mas depois queixou-se e desapareceu. Não percebo estas coisas. Faltava uma substituição e assim sendo, ou pode correr sem limitações ou dá lugar a outro! Este meio termo do "não estou bem mas dou umas corridas quando é preciso" é que me tira do sério! Para agravar ainda foi para defesa direito para correr mais um pouco, enviar uns cruzamentos para fora e fingir que corria atrás do gajo do Marítimo que fez o cruzamento para o segundo golo.

Artur, gostava mais de ti quando andavas nas meninas! Que bela merda de penalty! Mesmo não sendo 100% claro, para mim é penalty. Não chegava fechar a baliza e evitar o contacto quando o adversário simplesmente fugia para a linha? 

Mas o que me chocou mais foi mesmo a falta de vontade e garra! Depois do golo do empate oferecido, o Marítimo estava só à espera do murro do KO mas o Benfica era de uma lentidão e ineficácia aflitiva! Ou era o Ola John a parar o jogo e que teimava em não cruzar ou fazer um passe de primeira, ou o Rodrigo a passar para o vazio ou linha de fundo ou outro disparate qualquer...

Depois no final, as habituais desculpas e a passagem da responsabilidade para a arbitragem pois o homem faz sempre tudo bem. Juntamente com as assistências no Estádio, pode ser que as assinaturas da Benfica TV façam ver a LFV que o pessoal está mais interessado em vitórias do que em valorização de jogadores e em transferências (boas ou obscuras, tanto faz).

16/08/2013

Casos por Resolver (IV)

Vamos, por breves minutos, fazer um esforço para acreditar em tudo o que vem na imprensa:

Turan - tudo na mesma, o jogador insiste que quer ir para o Reims. Provavelmente vai mesmo acabar no Reims nos últimos dias do mercado.

Evaldo - chegou a falar-se da possibilidade de integrar o plantel, entretanto saiu na imprensa que afinal não fica. Parece-me que o contrato vai ser cessado por mútuo acordo.

Boulahrouz - falou-se primeiro do regresso à Holanda, agora fala-se do interesse de clubes ingleses (West Ham e Crystal Palace). Creio que acabará mesmo por ser transferido nos últimos dias do mercado.

Onyewu - aparentemente, o Sporting ter-lhe-á movido um processo disciplinar em virtude de ter realizado uma cirurgia sem o conhecimento do clube. Não sei se é ou não fundamento para despedimento. Mas, no limite, poderemos estar perante mais um caso de cessação de contrato por mútuo acordo,

André Santos - dúvidas quanto à integração no plantel principal... Palpite (& wishful thinking): renova e é efetivamente integrado.

Salomão - caso igual ao de André Santos, mas retiro o "wishful thinking" (não que deseje o contrário, apenas não ficarei propriamente satisfeito... embora não me choque a integração do jogador).

Pranjic - falou-se do Panathinaikos, mas nada avançou. O tema anda à volta, segundo parece, do que o Sporting deve ainda ao jogador. Acho que acaba mesmo no Panathinaikos com um acordo de pagamento do que está em dívida.

Jeffrén - falou-se do interesse do Elche e do Granada, agora fala-se do Espanyol. Acho que vai mesmo acabar em Espanha.

Bojinov - falou-se de uma troca de jogadores com o Parma. Já temos jogadores a mais, duvido que se avance para a troca. Mas se o Parma está disposto a trocar jogadores, significa que está efetivamente interessado. "Wishful thinking": segue para o Parma sem mais custos para o Sporting.

Novidade nesta lista: Labyad. Um caso muito complicado que resolvemos complicar ainda mais ao tirar o jogador da montra. Difícil dar aqui um palpite mas acredito que o jogador acabará por ficar, integrado na equipa A, após um acordo de renegociação do contrato, não dos valores mas do timing dos pagamentos - "basta que" (falar é fácil...) se converta parte do ordenado num prémio de tranferência, por exemplo.

12/08/2013

Balanço da Pré-Época: uma aparente ausência de estratégia

Ponto prévio: no texto infra – que, aviso já, poderá produzir sonolência aos mais suscetíveis – não vou abordar a qualidade do plantel, ou a qualidade do futebol apresentado até agora, ou a qualidade do trabalho de Leonardo Jardim (de que sou apreciador) ou sequer a qualidade dos jogadores do plantel. Vou, apenas, abordar a estratégia para o futebol profissional. Felizmente, o Sporting ganhou ontem por 3-0, alguns dos reforços estiveram em evidência, correu tudo bem e até o jovem Ruben Semedo marcou um golito, o que me deixa muito mais confortável para escrever o que penso.

***
 
Como sabem os que vêm acompanhando este blog de há uns meses para cá, ando conscientemente a adiar o balanço da pré-época do Sporting.

E ando a adiá-lo por um motivo simples – dei (e continuo a dar) à direção de BC um benefício da dúvida (material e temporal) resultante, essencialmente, de três fatores:

a)      O facto de BC apenas ser presidente desde Março, não tendo tido anteriormente qualquer experiência no futebol;

b)      Me parecer que o presidente esteve essencialmente focado na reestruturação financeira durante os primeiros meses de mandato;

c)      Entender que, efetivamente, havia inúmeras situações complexas para resolver na formulação do plantel do Sporting 2013/2014.

No entanto, ontem o Sporting jogou o último jogo da pré-época. A partir de agora, já não há mais “pré”, vai começar a guerra. Entendo que é o momento adequado. Poder-me-ão dizer que deveria esperar por 31 de agosto. Mas isso não faz sentido, para mim, por dois motivos:

(i)     O primeiro – em tese, independentemente do que aconteça até 31.08, é normal e expectável que as ideias sobre os plantéis fiquem definidas antes do início das competições oficiais;

(ii)   O segundo, na sequência do primeiro – na prática, tudo o que possa acontecer entre o início das competições oficiais e 31 de agosto assume, em princípio, natureza excecional.

Ora, eu entendo que devemos apreciar a estratégia para o próximo ano (e para os próximos anos) em função do que é normal e expectável – não em função de circunstâncias anormais ou excecionais.

E fazendo a avaliação nesta base, tenho que começar por dizer que eu não percebi quais as ideias e qual a estratégia do Sporting para 2013/2014 (e para os anos seguintes). Durante a campanha eleitoral, falou-se de uma estratégia de aposta na formação; venderam-nos, também, a tese dos reforços cirúrgicos; e passou, ainda, a ideia de que estrangeiros não adaptados ao futebol português apenas viriam em circunstâncias excecionais.

Ora bem: parece que nada disto se passou. Nem aposta na formação, nem reforços cirúrgicos, nem preocupação em evitar jogadores não adaptados. Senão, vejamos:

a)      Quanto à formação: dos 19 jogadores apresentados no dia 27 (a que entretanto podemos acrescentar Slimani e, pelos vistos, André Santos), apenas 2, e com muito boa vontade, podem considerar-se como resultado de uma aposta na formação (William Carvalho e Wilson Eduardo). Porque os restantes ou não são formados no Sporting ou já tinham sido “aposta” em épocas anteriores (e mesmo os dois que refiro estiveram sucessivamente emprestados – não foram da formação para a equipa A); 

b)      Quanto aos reforços cirúrgicos: devo ter sido dos mais radicais a apontar as falhas do plantel do Sporting, identificando a necessidade de 6 ou 7 jogadores (a maioria dos bloggers, comentadores e opinadores não defendia mais do que 3/4). Mas, independentemente das opiniões, a dada altura ficou relativamente claro que, se preenchêssemos com jogadores da B as vagas para suplentes, precisávamos de 1 DE e 2 AV. Aqui o vosso amigo acrescentava um MC e compreendia um DC e, ainda assim, estava relativamente isolado na doutrina. E, atenção, seriam jogadores, como se diz na gíria, para “pegar de estaca”. Pois bem: foram contratados 1 DD, 1 DE, 1 DC, 1 MC e 3 AV. Nada menos do que 7 jogadores. Sendo que, dos 7, apenas 4 se perfilam para a titularidade (Jefferson, Maurício, Magrão e Slimani/Montero). Acresce que a imprensa fala de outros jogadores e o próprio BC diz que caso haja saídas, serão contratados mais jogadores. Honestamente, não vejo onde está o “cirúrgico” nisto…

c)      Por fim o tema dos jogadores não adaptados. Dos 7 jogadores contratados, apenas 2 (Jefferson e Cissé) estão adaptados ao futebol português. Os restantes – Welder, Maurício, Magrão, Montero, Slimani – nunca tinham sequer pisado o território nacional. Portanto, a exceção (jogadores não adaptados ao futebol português) tornou-se regra.

Isto não seria propriamente um problema se nos tivessem dito: “no primeiro ano, vamos reformular o plantel; temos que reduzir custos mas não podemos de um dia para o outro por nos ombros dos jovens da formação a responsabilidade de mudar o Sporting; vamos contratar um ou outro jogador experiente que traga ao Sporting uma consistência que não temos; e vamos assumir um compromisso de aposta na formação no médio/longo prazo, que começa este ano de uma forma, ainda, mitigada; a partir do segundo ano, os jogadores a lançar na equipa principal serão, prioritariamente, os jogadores da equipa B, com quem renovaremos contratos a longo prazo.”

Podíamos gostar, não gostar, aceitar ou rejeitar. Mas iríamos – pelo menos eu iria – compreender o que foi feito. Mas, na realidade, nada nos foi dito. Aliás, nós não ouvimos nem aquele discurso, nem outro qualquer. Se bem se recordam, a “aposta na formação”, os “reforços cirúrgicos” e a preocupação em evitar “jogadores não adaptados” vem já das eleições. Foi o candidato BC que falou. O Presidente BC nunca nos transmitiu claramente a estratégia, fosse ela qual fosse. Temos que pegar no que disse na campanha eleitoral para tentar perceber o que quis fazer. E se o fizermos, chegamos à conclusão de que nada do que prometeu foi cumprido (o que não seria, em si mesmo, um problema se o resultado final fosse melhor do que a promessa original – o que não parece ser o caso).

Assim, desta forma e neste contexto, a ideia que passa é a de uma total ausência de estratégia para 2013/2014. E para os anos seguintes, ainda que consideremos que foram renovados inúmeros contratos com jogadores da equipa B, creio que devemos colocar a seguinte questão: que lugares vão ocupar esses jogadores considerando que os que agora entraram foram, alguns deles, contratados para o longo prazo (Jefferson 4 anos, Maurício 5 anos, Cissé 5 anos, Montero supostamente 5 anos, Slimani 4 anos)? Claro que podemos sempre confiar na valorização destes jogadores e consequente venda mas, face ao que vimos até agora, afigura-se difícil a concretização desse cenário (alguns são bons jogadores, mas dificilmente serão jogadores para vender por muitos milhões).

E nem me refiro aos jogadores em excesso que já todos percebemos que não contam – porque quanto a esses, e apenas quanto a esses, embora entenda que era por aí que devíamos ter começado (esvaziar a casa antes de a preencher), posso tentar entender o porquê de só ficarem resolvidos a 31 de agosto (esticar a corda até ao limite, ceder ao “mau negócio” apenas quando já não houver alternativa… será isto?). Isto sem prejuízo de os indícios até agora recebidos revelarem alguma falta de tato (para não dizer ingenuidade) na gestão de alguns dos temas, o que também me deixa preocupado.

A conclusão, por ora, é que ou há uma estratégia não revelada (wishful thinking?) ou simplesmente estamos… sem estratégia. Pessoalmente, teria preferido uma aposta na formação, com a contratação dos tais jogadores que ocupassem claramente lugares para onde não tivéssemos alternativas. E aqui todas as opiniões seriam válidas, mas fosse qual fosse a posição de BC e Inácio, todos acabaríamos por aceitar.

O que foi feito, deixa-me dúvidas… Porque dificilmente se enquadra numa estratégia de “aposta na formação” (seja ela qual for) a contratação de 7 jogadores, todos acima dos 20 anos, todos estrangeiros, alguns deles perfeitos desconhecidos e relativamente aos quais não há, sequer, uma mínima garantia de que possam ser titulares – com exceção, curiosamente, daqueles que já todos (!) sabíamos que íamos contratar (o DE e um dos 2 PL). 

Pela minha parte, mantenho o benefício da dúvida. Porque sou um resultadista e nada me dará mais prazer do que ser contrariado pela realidade. Porque embora me pareça má política resolver problemas após o início do campeonato, posso ter uma surpresa daqui até 31 de agosto. E porque, na realidade, se todos os jogadores contratados se revelarem muito bons, pode até acontecer que facilitem a integração dos demais (não estou a ver como, mas pode ser falha minha). Mas, neste momento, tenho que dizer que estou desconfiado desta estratégia – ou desta ausência de estratégia. 

Para terminar: nada do que disse afeta o que penso sobre Leonardo Jardim (considerando o que vi até agora) ou o meu apoio aos jogadores e à equipa, como é óbvio. Ontem estive em Alvalade, vibrei com o golão de Montero, sorri com o golo de Carrillo e deu-me particular gozo ver o Ruben Semedo marcar (porque só o tinha visto jogar 90 minutos uma vez e disse logo, num daqueles meus palpites zandingueiros, que o Ruben Semedo iria longe). Mais: nalguns momentos, o futebol jogado no campo leva-me a esquecer os problemas de estratégia. E não fossem os últimos 4/5 anos provavelmente estaria pouco preocupado com a estratégia e mais preocupado com o estado de evolução do nosso futebol em campo. Mas aprendi a perceber, ao longo deste triste período, que um clube sem estratégia mais tarde ou mais cedo acaba por pagar o preço da “navegação à vista”. O futebol é o momento e sempre será. Mas esse momento tem que estar, sempre, ao serviço de uma estratégia. E, repito, este post só aborda mesmo a estratégia.
 
***

Ontem estive em Alvalade, gostei de algumas coisas e não tanto de outras mas agradou-me particularmente ver que Leonardo Jardim tira conclusões do que se tem visto na pré-época e sabe o que está a fazer. Dou-vos apenas um exemplo: ontem Capel não saiu nem um minuto da direita, local onde rende melhor de há vários meses para cá. Fez algumas combinações interessantes e dois ou três cruzamentos perigosos. Na esquerda, Capel tem sido uma nulidade porque a sua permanente procura do pé esquerdo leva a que só procure a linha (sendo que, para os mais desatentos, a baliza fica no meio do campo e, parecendo que não, tem a sua graça quando a bola entra lá dentro). E é por ter total confiança no treinador do Sporting que vou insistir na permanência do André Santos, um jogador que simplesmente não caiu no goto nem dos adeptos do Sporting nem dos adeptos dos adversários porque não distribui fruta nem marca golões de fora da área. Mas ontem viu-se que o André Santos tem mais futebol nos pés do que o William e o Rinaudo juntos. Se ao primeiro perdoamos a inexperiência, o que dizer do segundo? Apenas isto: de que adianta a “raça” e “combatividade” de Rinaudo quando corremos permanentemente o risco de passar a jogar com 10? Aquele MC de ontem com André Santos e Adrien teria infinitamente mais capacidade para sair a jogar do que com William e Rinaudo. Sei que neste momento, e para não variar, estarei (quase?) isolado na doutrina. Mas espero, sinceramente, que Leonardo Jardim (também) tenha percebido isto.

08/08/2013

Uma visão mais a frio: os sinais positivos do jogo de ontem


Ponto prévio: vi o jogo de ontem fora de casa e enquanto jantava; mais atento à 1ª parte do que à 2ª; e nem me apercebi bem das substituições que foram sendo feitas.

Isto dito, realço, ainda assim, que acabei o jogo bastante irritado. Não tanto pelo resultado mas pela confusão em campo. Às tantas não se percebia quem fazia o quê. Quando cheguei a casa, queria vir aqui "desabafar" com o caos futebolístico a que assisti no final do jogo mas felizmente contive-me. E agora, mais a frio, consigo tirar alguns aspetos positivos do jogo de ontem.

O primeiro: a primeira parte foi muito razoável. O adversário não era um adversário qualquer. Era o Braga que tem sido, reconheçamo-lo, sucessivamente mais forte do que nós nos últimos 4/5 anos se atendermos à prestação desportiva. E que tem uma boa equipa. Que é, como pudemos constatar na nossa própria casa, muito bem orientada. Por um treinador, diga-se, que conhece como ninguém a maioria dos nossos jogadores.

O segundo: mesmo para os que entendam que o Sporting não jogou nada de especial, a verdade é que o Sporting esteve sempre por cima na primeira parte. Entrou bem no jogo, jogou sempre no MC adversário (enquanto houve pernas para isso) e criou diversos lances de perigo. Recordo-me em particular de três desperdiçados por Fredy Montero (um jogador ontem francamente desinspirado) e um desperdiçado por Gerson Magrão.

E pego em Fredy Montero para realçar o terceiro aspeto positivo. Os treinadores costumam dizer que não estão preocupados quando a equipa cria situações de golo e só falha na finalização. Regra geral, discordo dos treinadores. Mas na pré-época tendo a concordar: mais importante do que ganhar jogos e marcar golos é verificar se a equipa tem ou não dinâmica que lhe permita criar vários lances de golo sem contar com bolas paradas, charutadas, etc. E ontem, na minha opinião, o Sporting jogou muito razoavelmente na 1ª parte, criando diversos lances interessantes e assentes num jogo coletivo. Terá supreendido o Braga por entrar com um esquema que, às tantas, parecia mais um 4x1x3x2 (William mais recuado, Wilson próximo de Montero) do que um 4x3x3. E a verdade é que não correu mal (e creio ter sido apenas uma experiência, vamos ver como jogamos contra a Fiorentina).

O quarto aspeto positivo tem a ver com a prestação de alguns jogadores. Adrien tem sido, indiscutivelmente, o melhor da pré-temporada e ontem esteve novamente bem (espero que a lesão não seja grave); Carrillo continua com os defeitos de sempre (às tantas desaparece) mas parece-me mais envolvido no jogo da equipa de jogo para jogo; Montero movimentou-se bem melhor do que nos jogos anteriores (talvez porque tenha tido um apoio mais próximo - e atenção que se este esquema for mesmo para implementar, ainda que como alternativa, poderá ser o ideal para... Labyad); gostei de Wilson (tem sido melhor do que esperava) e novamente de Cedric; e os primeiros minutos de Magrão foram aceitáveis (embora insista que parece enferrujado e tenha rebentado ao fim de 25-30 minutos).

Mas atenção: estes são os sinais positivos de uma noite que correu mal. Não quero dizer que foi uma noite essencialmente positiva, pelo contrário. Quero é que se retirem de uma noite negativa os aspetos positivos. Porque se excecionarmos o que acima referi, iremos recordar que:
- a segunda parte não existiu, foi má demais;
- as substituições não resultaram, nenhuma delas;
- Montero falhou golos inacreditáveis (é bom que apareça, mas nalguns lances chegou a ser ridículo);
- continuamos a sofrer golos na zona central da defesa (e o Marcos Rojo, francamente, parece que só resultava mesmo com o... Jesualdo);
- Leonardo Jardim levou alguns jogadores a passear ao Algarve... porque não lançou André Santos em vez de Rinaudo? O que foi André Santos fazer ao Algarve?
- alguns jogadores não parecem, efetivamente, ter categoria ou estaleca ou experiência ou whatever para jogar no Sporting (o caso mais evidente o de Cissé);
- tudo muito nervoso no final da 2ª parte (estás a ver, caro BC, o resultado das tuas crises de nervos em jogos amigáveis?).

Preocupado? Sim. Mas menos preocupado do que após o jogo com o West Ham. Esse sim, deixou-me a pensar que tinha visto mal o jogo com o Nacional da Madeira. Este jogo com o Braga diz-me o seguinte: se o Sporting da 1ª parte (evoluindo em 4x1x3x2 ou 4x3x3 ou 4x4x2, whatever) crescer, corrigir erros e melhorar, pode vir a ser um bom Sporting, que lute pelo 3º lugar. O da 2ª parte e o do jogo com o West Ham, convenhamos, fica em 5º, no máximo.

Para finalizar: BC manteve-se no banco mas não se deu por ele. Melhor assim. Preferia, sinceramente, vê-lo de regresso à bancada para evitar males maiores.

Venha agora a Fiorentina para percebermos, definitivamente, onde estamos: na 1ª parte de ontem ou no resto do Torneio do Guadiana.

PS: O Benfica, mal ou bem, resolveu o tema Cardozo antes do início do campeonato. A meu ver, resolveu mal, mas é preferível uma má decisão a uma não-decisão. O Benfica percebeu que os adeptos tinham perdoado o jogador e abriu a porta, ao contrário do que eu pensava que fariam (claro que a apresentação de Emenike no Fenerbahce muito contribuiu para isso - e veio provar que na realidade Cardozo só tinha uma proposta que lhe interessasse). Reparem que se o Benfica quiser transferir o jogador, ainda o pode fazer (e acho que deve fazê-lo). Mas corrigiu a rota: de excluído, Cardozo passou a integrado. E fê-lo percebendo que não podia iniciar o campeonato com este caso dentro de casa. Repito: mal ou bem, mataram o tema antes de o campeonato começar. Talvez devêssemos aprender algo com isto...

PS2: Desculpem o aditamento à última da hora mas faltou referir um aspeto importantíssimo: Diego Capel, no lado esquerdo, só tem sabido procurar a linha e centrar. Começo a achar que não se enquadra no tipo de futebol que (acho que) Jardim quer implementar.

07/08/2013

Quem não te conheça que te compre!

Sim, estou a referir-me ao russo coxo que joga no Porto e que voltou a treinar "sem limitações" a quatro dias do jogo da Supertaca...

06/08/2013

Alguns sinais preocupantes & Aditamento relativo a Reforços


Não, não vou entrar na logica absurda de considerar que estamos pessimos quando ate parecia que não estavamos nada mal. Estamos na pre-epoca, ha testes a fazer e pontas soltas a acertar. Tudo normal. Mas reconheço que fiquei preocupado com algumas coisas que ontem vi no jogo contra o West Ham.

O problema e que "algumas" são, na realidade, bastantes. Ora vejam:

(i) Coletivamente, a equipa raramente saiu a jogar de pe para pe... Muita bola direta, incluindo em pontape de baliza. Os centrais nunca conseguiram sair a jogar quando pressionados, Rinaudo não ajudou, Evaldo ainda menos, so Welder conseguiu dar uma ajudinha. Adrien e Martins bem tentavam recuar mas sem que os restantes, depois, criem linhas de passe para sair a jogar, fica dificil;

(ii) Defensivamente, foram demasiados disparates e uma total incapacidade de reagir ao jogo direto do adversario. Chegou a ser confrangedor perceber que qualquer livro do meio-campo ou lançamento lateral era na realidade um lance de perigo do adversario (e sofremos um golo assim);

(iii) Ontem, sim, o volume ofensivo foi quase nulo. Poucas bolas na frente, salvo na parte final, em que com maior presença perto da area se conseguiram desenvolver alguns lances razoaveis, mas graças a um futebol direto e ao recuo do adversario (e fossem Wilson e Cisse um pouco mais objetivos, ate teria dado para empatar...);

(iv) A postura de BC no banco foi qualquer coisa de incompreensivel. Em pe, ao lado do treinador?! A protestar com arbitros devido ao tempo de desconto dado num jogo amigavel?! Enfim, sera que esta na hora de BC assistir aos jogos a partir do camarote? E que duvido que Jardim ature esta postura muito mais tempo. E olhem que sou dos que não acredita (ha quem diga que não quero acreditar) que a gritaria junto do William no final do jogo foi uma reprimenda...

(v) Boeck, alem de jogar com os pes num nivel inferior ao de Rui Patricio (o que não e propriamente um elogio...), não esta a transmitir grande segurança à equipa (tambem para isto o tal GR experiente poderia dar jeito...);

(vi) Rinaudo esteve fraquissimo (para não variar) mas teve a "sorte" de William ter entrado com "pe-frio" e ter tido responsabilidades diretas nos 2 primeiros golos do West Ham. Tera garantido a titularidade na 1ª jornada graças aos erros do concorrente direto?

(vii) Andre Martins e Capel estiveram francamente desinspirados. O futebol direto, obviamente, não ajuda a que estes dois, em particular, possam dar à equipa o que têm de bom. E Chaby, na segunda parte, tambem sofreu com isso.

(viii) Montero anda com demasiada cerimonia na hora do remate (o lance do penalty foi elucidativo, assim como uma tentativa de chapeu que Jaaskelainen ate agradeceu). Diz-se que esta a chegar Slimani para o ataque. Cuidado rapaz...

Sinais positivos? Poucos. Welder esteve razoavel (mas desapareceu na 2ª parte), gostei de Adrien uma vez mais (talvez o melhor da equipa), Carrillo provou pela milesima vez que e o jogador desta equipa que pode fazer a diferença (muito embora as vezes pareça alheado do jogo... ha que insistir com Carrillo, treinar, treinar, treinar, procurar um envolvimento mais frequente deste jogador no jogo ofensivo e, acima de tudo, não desistir em função de erros ou assobiadelas), Wilson e Magrão mexeram com o jogo (mesmo estando o segundo completamente enferrujado) mas ja na fase de recuo do West Ham.

O melhor sinal de todos? Perdemos na pre-epoca. Sim, a derrota e um bom sinal. Porque permite identificar os erros e corrigi-los (assim haja tempo para isso...). A começar pelo erro de ter o presidente sentado no banco (e olhem que, se bem se lembram, estive do lado de BC em Braga). Percebeu-se ao principio, agora estamos a acordar para os problemas que essa presença pode gerar.

Amanhã, com o Braga, espera-se muito mais. E ja que todos recomendam 11, aqui vai o meu (que não seria necessariamente o 11 contra o Arouca ou contra a Fiorentina):
Boeck
Cedric
Dier
Rojo
Jefferson
William
Adrien
Magrão
Carrillo
Wilson
Montero

E venha o Braga para ver se isto anima um pouco, hoje o sportinguismo acordou algo deprimido.

ADITAMENTO

A loja tem MESMO que fechar. Como é que vamos "apostar na formação" a contratar jogadores para todas as posições? É que temos uma equipa B, convém lembrar.

Curioso verificar que quando eu disse que íamos contratar 6 jogadores, eu próprio achei que seriam muitos (e 3 deles eu aceitava preencher com recurso à equipa B!). Entretanto vieram Jefferson, Maurício, Cissé, Welder, Magrão, Montero e eu compreendi as opções, apenas insistia num GR caso Patrício saísse. Mas só oiço falar de trincos nigerianos, centrais brasileiros e PL para todos os gostos.

Claro que como sportinguista fanático, só espero que o Ogude seja uma máquina, o Kanu o novo Marco Aurélio e o Slimani seja um animal de área. Mas espero, também, que as entradas sejam acompanhadas de... saídas (Rinaudo? Rojo? Cissé?) sob pena de às tantas estarmos (i) a pagar a dois o que antes pagávamos a um (o que vai dar ao mesmo, ou pior) e (ii) a tapar quaisquer vagas que possam surgir para os jogadors da equipa B.

Sendo que, a 6 de agosto (!), eu ainda não percebi qual vai ser o nosso plantel principal!

Claro que se chegarmos a Janeiro e tudo tiver corrido mal, a solução é simples: transferir os caros "à papo-seco", promover os jogadores da B... onde é que já vi este filme?

Nunca mais chega 1 de setembro...

05/08/2013

Aí estão os fantasmas!

Era inevitável. Todos sabíamos que ao menor sinal de uma má exibição, o crédito reduzido, nulo ou mesmo devedor de Jesus teria logo o devido reflexo nas bancadas do Estádio da Luz. Esta era uma das desvantagens que indiquei para a continuação de Jesus. Assim, o fantasma da intolerância relativamente ao treinador está aí já bem presente.
Ao mesmo tempo chegou o fantasma do paraguaio. É engraçado perceber como os mesmos milhares de adeptos que assobiavam regularmente o Takuara, no fds não fizeram menos do que gritar pelo nome dele (excluo deste grupo de adeptos a claque do Benfica que sempre o apoiou mas que também acho que estão mais a cantar contra a direcção do que outra coisa). Face ao que aconteceu no final da época passada e mesmo pertencendo à facção que preferia o afastamento de Jesus, fui mais um a assobiar os cânticos para o paraguaio (infelizmente nunca aprendi a assobiar como deve ser…). Concordo com a venda e afastamento do jogador da equipa, embora considere que a telenovela já se está a arrastar por demasiado tempo.

Agora, o desagrado dos adeptos foi completamente natural! A primeira parte foi relativamente boa mas a incapacidade do Benfica em alvejar a baliza de Ceni era absurda (impressionante a capacidade de passe deste guarda-redes!). A segunda parte então foi o desacerto completo, com uma exibição bastante embaraçosa. Algumas conclusões que retirei do jogo:


- Cortez deixa mesmo muito a desejar. Ataca muito mas é demasiado fogo de vista. Em consonância com o penteado que apresenta, é muito exuberante mas a maior parte das vezes acaba por fazer um passe para trás após uma finta, vai demasiadas vezes para dentro, para além de que pára demasiado o jogo antes de se aventurar num drible. Se somarmos as debilidades defensivas (bem evidentes no segundo golo e em algumas fugas de adversários) à incapacidade de ler as movimentações dos colegas para fazer o passe no momento certo, percebemos que dificilmente se tornará no defesa que precisávamos;

- Djuricic é de facto uma mais valia mas pareceu andar muito perdido em campo. Duvido até que seja um jogador para jogar, como Markovic, entre o meio-campo e o avançado. Parece-me que será mais proveitoso se jogar de trás para a frente, organizando o jogo a partir de terrenos mais recuados;

- o enorme Enzo da época passada ainda não chegou;

- Maxi ainda não está a carburar e, depois das intermitências da época passada, aumentam as dúvidas relativamente à sua capacidade para o lugar;

- Matic é de outro planeta;

- Markovic é mesmo fantástico mas Jesus não pode inventar neste caso. Tem que jogar pelo meio e como apoio ao avançado;

- Continuo a não ter grandes expectativas relativamente a Sulejmani.


Já num post anterior tinha alertado para os desequilíbrios evidentes no plantel. Não percebo como se repetem os mesmos erros, ano após ano! Ainda para mais, se se confirmar a recente notícia do objetivo de 75 milhões em vendas e a inevitável venda de Matic para chegar a este montante (posso pedir a devolução do dinheiro do Red Pass se isto acontecer?!). Tenho muito receio em imaginar o que será esta época… Um grande amigo meu do Porto diz que este ano está um pouco mais preocupado por o Benfica não ser, como é habitual, já o campeão antecipado na ótica dos adeptos e com a imprensa a fazer várias capas a prever enormes sucessos para esta época. Não acredito muito mas pode ser que, enquanto ainda há tempo para equilibrar o plantel e tempo para colocar os jogadores a jogar nas posições em que rendem mais, se aproveite estes deslizes para acertar o rumo a tempo de entrar nos jogos oficiais da melhor forma.

01/08/2013

Novidades, Casos por resolver (III), Caso Resolvido & Outros temas


1. Comecemos pelos casos por resolver, sendo que um deles passou à categoria de "Casos Resolvidos":

Boulahrouz - fala-se, novamente, do West Ham, clube que iremos defrontar no Torneio do Guadiana. Ouvi por aí 1M€ pela transferência. A ser verdade, a única pergunta que BC tem que fazer ao jogador é a seguinte: "Khalid, as malas estão prontas ou precisas de ajuda?".

Viola - confirma-se a saída para o Racing, por empréstimo. Parece que o valor pago pelo Racing foi de 450k€ e que os argentinos suportam os salários na totalidade (já li os mais diversos valores por aí referidos). Não vou repetir os meus argumentos, limito-me a remeter para aqui e dizer que, bem ou mal (na minha opinião, bem), temos um Caso Resolvido. Faltam 9, sendo que este era talvez o menos complicado de todos (jogador jovem, com potencial, com mercado e com vontade de voltar para a Argentina - basta ver as reações de euforia do jogador para perceber que também ele preferia esta solução).

Salomão - falaram-me hoje da possibilidade de colocação no Rio Ave em 13/14 (por empréstimo ou após acordo para cessação do contrato). Sinceramente, acho mal. Mas não porque não queira ver o Salomão no Rio Ave ou  noutro clube qualquer (como sabem, acho que não tem lugar em Alvalade). Simplesmente porque me parece que poderia ser uma excelente "moeda de troca" num negócio que nos interessasse, como o do Bruno Gama de que se falou há umas semanas. Mas há outras possibilidades. Por exemplo, faria mais facilmente o negócio com o Nacional da Madeira para assegurar o Candeias (mais um tema em que provavelmente estarei isolado na doutrina, bem sei). Isto, claro está, no pressuposto de que o Bruma não fica (e acredito que não fique). Para adensar a trama, A Bola refere que tanto o Salomão como o André Santos treinam com o plantel principal e só não foram apresentados porque o contrato acaba em 2014...

2. Vamos agora às novidades:

a) Patrício está entre o Monaco e o Arsenal, a crer no que refere a imprensa, que fala também do possível interesse da Fiorentina (sinceramente, não acredito que um clube italiano de média dimensão gaste 10M€ num GR, ainda para mais estrangeiro). A saída é quase certa.

b) Para além do pinga-amor Zé Love, a imprensa tem insistentemente referido os nomes de Kanu, Garry Rodrigues e Adán como possíveis reforços. A ser verdade, estamos perante 2 disparates e mais uma incógnita. Os dois disparates são, obviamente, o Kanu e o Adan. Vejamos:

- o Kanu porque, podendo estar enganado, creio que não estamos a concorrer ao Guiness Book of Records como o clube de futebol no mundo com mais centrais nos seus quadros profissionais (o FCP acaba de receber semelhante galardão ao contratar o 9º GR) - já são centrais a mais!

- o Adan porque, tendo eu sido das poucas alminhas a defender que se contratasse um GR em caso de saída do Patrício, confesso que estava à espera de uma solução mais experiente e mais em conta. O bom do Adan, convenhamos, não será barato (penso no salário) e em termos de experiência pouco acima estará do Victor Golas (sim, estou a exagerar...). Confesso-vos, eu tinha pensado num jogador que fizesse o papel do Tiago no final da carreira. Um Quim, ou um Moreira, jogador experiente, calejado e que assegurasse a baliza no caso de um azar (quem não se recorda do percurso final de Silvino no FCP?). Era essa a ideia. O Adan, sinceramente, não compreendo. Ah, e é mais um estrangeiro.

- o Garry não conheço de lado nenhum...

c) não sei se o Sporting perdeu ou não perdeu o primeiro round no caso Bruma. Entendo, aliás, que a decisão ontem noticiada não afeta a decisão final relativa à validade do contrato entre o Sporting e o Bruma. Agora, quanto ao comunicado de ontem, só acredita naquilo quem quer muito acreditar. OK, eu reformulo: um jurista só acredita naquilo se quiser muito acreditar. Aos demais mortais dou o benefício da dúvida, porque não são obrigados a saber que aquilo não tem ponta por onde se lhe pegue... Não é particularmente grave porque nada nos diz quanto ao desfecho do caso Bruma, mas de facto só é possível em estado de graça, noutra qualquer fase seria objeto de todo o tipo de deboche.

3. Uma nota adicional quanto ao Gerson Magrão, no seguimento desta interessante discussão. O jogador que defendo, pelo menos desde Abril, como essencial no nosso MC é, obviamente, um titular indiscutível. Como disse num animado debate desta manhã, estava a pensar num Enzo, num Viana, num Duscher, num Rochemback magro, num Elias com vontade de correr (dei outro exemplo mas não o posso repetir publicamente sob pena de ser sujeito a apedrejamento virtual). Mas como disse no debate no A Norte de Alvalade, se houver na equipa B jogadores prontos a pegar de estaca na posição 8, fazendo um papel todo-o-terreno e trazendo à equipa algo que, a meu ver, só um Adrien em grande pode dar, não se justifica a contratação do brasileiro.

4. Old habits die hard, caro Jorge Nuno... Este menino, simplesmente, nunca gostou de fazer a pré-temporada. É que aquilo é uma tremenda duma chatice, e corre para aqui, e sprinta para ali, e estão 35º... É verdade que nos deram uma lição com as primeiras aulas de Português desde que está em Portugal, mas folgo em saber que nem a implacável "estrutura" portista conseguiu convencer este russo a correr todos os dias da pré-época.

5. Depois de Esgaio, João Mário, William e Wilson, são agora renovados os contratos com Chaby e Ponde. Enquanto se prepara, e bem, o futuro, espero que não se descure o presente. O futebol é o momento.