23/07/2013

O tango de Valentin Viola


Continua o tango de Valentin Viola.

Ele, num assomo de saudade, confessa-se com vontade de regressar a casa; o pai apoia; o Racing vem a Lisboa; o jogador não vai ao Canadá; fica por cá e até se sai bem na Taça de Honra; entretanto o Sporting negoceia com o Racing; o Racing sai de mãos a abanar; o pai, conformado, declara que ele fica mais um ano no Sporting; os jornais declaram, ainda assim, que ele ganha demais. Todo o tom é de comovente incerteza, como o tango impõe. Veremos onde isto vai dar.

Vem isto a propósito de animada discussão que ontem mantive com um grande sportinguista sobre o meu ponto 7 do post de ontem. Escrevi eu: "A ser verdade tudo o que é dito aqui sobre o empréstimo de Viola, aplaudo a medida: os salários são suportados pelo Racing, que "paga" no mínimo 350k (não será propriamente um pagamento mas antes um desconto no valor que devemos) e fica com uma cláusula de opção de compra. Para os que confiam no futuro do rapaz, teria obviamente interesse saber o valor desta cláusula de opção."

O meu interlocutor contestou o meu apoio à medida, fundamental e resumidamente, pelo facto de considerar Viola, de entre as opções atualmente disponíveis, o melhor AV que o Sporting tem neste momento (considerando, apenas, os que estão atualmente a realizar a pré-temporada, seja no Canadá, seja em Lisboa).

Não obstante, seja em concordância ou discordância relativamente a esta afirmação, a verdade é que não me pronunciei sobre esse tema.

Pela minha parte, distingo o tema em dois momentos: a decisão "desportiva" relativamente ao papel de Viola no Sporting 2013/2014 (deixo o "desportiva" entre aspas porque, efetivamente, o termo é redutor - uma decisão num clube profissional, ainda para mais na nossa situação, raramente é baseada em aspetos meramente desportivos) e a solução quanto ao destino do jogador, após a decisão "desportiva".

O meu comentário de ontem diz respeito, apenas, ao segundo momento, o da solução encontrada. Mas quanto ao primeiro - a decisão "desportiva" - quero dizer que não me choca que Viola seja tido como um elemento a emprestar. Basta que, no diálogo entre estrutura e treinador, se antecipe que a utilização do jogador será escassa para fazer, também por antecipação, uma relação entre utilização e ordenado que conduza à possibilidade de empréstimo (desde que o clube de destino suporte esse ordenado).

Obviamente que esta última apreciação (feita de forma algo "rudimentar") se baseia, também, na especulação relativamente ao "alto" ordenado do jogador, mas essencialmente (e aí dou razão ao meu interlocutor) no facto de, no aspeto meramente desportivo (agora sem aspas), não ter relativamente ao Viola a fé que muitos têm.

Com efeito, e sabendo que tocava num ponto fraco meu, às tantas o nome de Carrillo veio à discussão. E fiquei a pensar que se esta decisão fosse tomada relativamente a Carrillo, eu certamente reagiria em discordância. Mas, no tal segundo momento, o da solução encontrada (que, afinal, parece ter caído por terra quanto a Viola), provavelmente perceberia a decisão. Ou seja, se se tratasse de Carrillo, provavelmente diria que a decisão de dispensa era um desastre mas, como dizia ontem, a solução encontrada poderia não ser má de todo "se percebesse que o Carrillo (i) não contava (ii) ganhava demais, e ainda que (iii) devíamos parte do valor da transferência e (iv) só o seu clube de origem o valorizava ao ponto de cumprir os meus pressupostos financeiros".

Um pouco à imagem da minha resignação quanto à saída de Matias Fernandez: eu admirava imenso o jogador mas, face ao ordenado que Matias pretendia e estando a 1 ano do final do contrato, mesmo considerando a decisão "desportiva" desastrosa, acabei por me conformar com a solução encontrada.

Claro que estamos (todos) a falar sem conhecer sequer metade dos detalhes da história. Mas assumindo que o ordenado é alto e que se antecipa que a utilização do jogador na equipa A seja escassa, aceito a decisão "desportiva" e concordo, apesar de tudo, com a solução que ontem estava em cima da mesa. Tinha já dito antes ao meu interlocutor que entendia que o melhor para Viola seria o empréstimo a um dos clubes da Liga que não jogue apenas para não descer. Mas a verdade é que nenhum destes clubes (i) nos paga o que quer que seja pelo empréstimo (poderíamos no limite assegurar uma preferência sobre um jogador, por exemplo, o que no futebol português vale zero como se viu no caso Ghilas) e/ou (ii) suporta integralmente o salário do jogador. E tudo isto, na nossa situação financeira, tem obviamente que ser ponderado.

Isto dito, entendo que temos que aceitar, nas atuais circunstâncias, que num caso ou noutro o interesse financeiro imediato se sobreponha ao crescimento desportivo do jogador. Podemos cometer alguns erros, claro que sim, mas temos que tomar as decisões agora

Isto, obviamente, não se aplica ao caso Bruma. Claro que poderão dizer que considero a gestão do caso Bruma um disparate e aceito a decisão neste caso porque no Bruma todos concordamos com o potencial do jogador e aqui, pelos vistos, discordamos (o que reconduziria tudo novamente à questão "desportiva"). Mas não é esse o ponto, o ponto é que, nesta nossa fase tão complicada, os sacrifícios (acima de um determinado limite) em nome do desenvolvimento de um jogador têm que ser a exceção e não a regra. O Bruma (por inúmeras razões) é a exceção, os restantes a regra. Pelo Bruma valia a pena ultrapassar limites, pelos restantes (entendo que) não. O crescimento desportivo do Viola pode ter que ser sacrificado. E, em meu entender, temos que aceitar viver com isso.

Em suma, aceito qualquer decisão que seja tomada relativamente à integração ou dispensa de Viola, assim como aceitaria uma decisão de empréstimo ao Racing no pressuposto de que os argentinos suportariam o salário e aceitariam reduzir a dívida que mantemos para com eles. Se ficar, obviamente, desejo que as minhas dúvidas quanto ao jogador se transformem em certezas quanto à sua qualidade.

6 comentários:

  1. Koba, Viola seria uma optima opção se Bruma sair. Terá mais minutos e seria a 3ª opção como extremo do 4-3-3 de Jardim ( julgo que seja a táctica do nosso treinador), além do facto de poder ser 2º avançado em caso de necessidade atacante durante os jogos. O que se "poupa" com Bruma mantem-se no vencimento de Viola, sendo que qquer das primeiras opções ( Capel, Carrillo) tbem ganha bastante bem, não havendo problemas de gestão de plantel, com titulares a ganharem bem menos que os suplentes como aconteceu a partir de Dezembro do ano passado e quem sabe ganhar-se desportivamente e financeiramente com a valorização do jogador.

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  2. Metralha,
    Sei que estou praticamente isolado na minha apreciação ao Viola, mas ainda não consigo partilhar do seu otimismo. Espero estar enganado.
    Agora, o enquadramento que está a dar ao jogador no seu comentário facilitaria, obviamente, a sua continuidade no plantel, ainda mais se (como antecipo) Capel e Labyad saírem. Face às nossas dificuldades de movimentação no mercado, há (mais) espaço para quem já lá está.
    Admitindo, porém, que o valor que ontem se referiu por aí (800k/época) é verdadeiro, creio que BC e Inácio tentarão encontrar outro tipo de solução para o jogador.

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  3. Koba, entre labyad e viola, all in no argentino. 800k era o valor do bruma.
    E sinceramente acho q viola é aquilo, ou se gosta ou não, não estou a espera de grandes melhorias mas prefiro um jogador esforçado do que um jeffren ou labyad que parecem estar a fazer um favor para estar ali...

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  4. Quanto à atitude, de acordo. Se bem que no Labyad fico sempre com a sensação que não está a jogar no sítio certo e que o sistema de jogo não o favorece. Parece-me um jogador daquela espécie que antes crescia como erva daninha e que hoje (aparentemente) saiu de moda: o tipo que gosta de jogar "atrás do ponta-de-lança".

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  5. O unico jogo do Labyad em que me encheu as medidas foi em Olhão, depois disso e antes disso, péssimo. Decisões, atitude e mesmo capacidade técnica muito abaixo de qquer extremo formado no Sporting. Atrás do PdL é um chuta-chuta inconsequente, digo eu.

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  6. Metralha, infelizmente (para o Labyad!) não tenho argumentos para contrariar os seus. Sou, por natureza, uma "resultadista" (ou "rendimentista", mais apropriado a este caso) e o rendimento de Labyad no ano passado foi miserável, com exceção, precisamente, do jogo que refere.

    Assim, fico apenas com a tal "sensação" de que o jogador poderia render mais. Talvez gerada pelo facto de ter tido meia Europa atrás dele quando o contratámos (Benfica incluído e sabemos que JJ raramente falha uma contratação); talvez gerada pelo facto de ter apenas 20 anos; talvez gerada pelo facto de o ano passado ter sido particularmente complicado para quem veio de fora. Nem sei bem.

    Mas o facto é que o rendimento do jogador foi muito fraco. Nem discuto.

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