18/07/2013

Confissão

Tenho uma confissão a fazer: aqui há uns dias, em animada discussão com um amigo, defendi que esta pré-temporada não estava tão mal organizada quanto a estavam a pintar.

Na altura, recorri à pré-temporada da época passada que quase não gerou contestação (a não ser pelos fracos resultados - mas eu estou agora a referir-me à organização e não aos resultados) para criar um paralelo e chegar à conclusão de que, efetivamente, a deste ano até seria mais exigente.

A minha argumentação era, mais coisa menos coisa, a seguinte:
- no ano passado começámos com uma equipa de amadores; este ano era para ser com o Beira-Mar (que desmarcou) e passámos para o Tourizense - testes, digamos, equivalentes;
- depois jogámos com o Charlton e com o Sheffield, este ano é verdade que temos um segundo teste contra amadores (Kitchener) mas incluído num pacote em que há também o jogo com o Peñarol (adversário de respeito) e em que, certamente, o Sporting receberá alguns €€€;
- depois tivemos um triangular no Restelo (com jogos de 45 minutos) contra Belenenses e Atlético (ambos da II Liga no ano passado), este ano defrontamos um Belém de I Liga (já explico o sublinhado);
- no jogo de apresentação tivemos o St. Etienne, este ano teremos a Real Sociedad;
- no torneio 5 Violinos tivemos o Olympiakos, este ano teremos a Fiorentina;
- no ano passado fizemos o Colombino, em que defrontámos Getafe e Tetouan (clube marroquino), este ano temos o Guadiana, contra Braga e um adversário ainda desconhecido (mas que, pela tradição do torneio, não deverá seguramente ser uma equipa de coxos).

Em suma, uma organização semelhante, mas com adversários mais exigentes (na minha opinião).

Como já perceberam, assumi que o jogo do dia 20 era contra o Belém. Só depois me apercebi, no Sporting Autêntico, de que, no dia 20, o jogo seria contra o Benfica. O que obviamente não é bem a mesma coisa, como muito bem reforçou o Cantinho do Morais nos últimos comentários ao meu post de ontem.

O que dizer disto? Simplesmente que é incompreensível. Parece-me inaceitável que um jogo contra o grande rival seja tratado desta forma. Não só porque a competição e o rival merecem um respeito que, a meu ver, o Sporting não está a demonstrar (sim, o rival Benfica merece todo o respeito do Sporting) mas também (sendo pragmático: essencialmente) pelos motivos que o Cantinho já referiu nos citados comentários - o Sporting pode pagar um preço muito elevado por esta "distração".

Obviamente que percebo que partir o plantel em 2 (por exemplo 10 A e 10 B no Canadá, 10 A e 10 B por cá) comprometeria a criação de rotinas, espírito de grupo, etc. Basta pensar que o treinador é só um e não poderia obviamente estar presente nos dois locais. Mas a solução encontrada parece-me francamente infeliz.

Note-se que, ainda que fosse contra o Belém, creio que também este adversário mereceria o respeito de nos apresentarmos com um 11 condigno e não, como sugere A Bola, uma manta de retalhos a cumprir os mínimos olímpicos do regulamento, com 2 mais do que prováveis dispensados (Jeffren e Pranjic), 1 provável emprestado (Viola) e 5 jogadores da B (João Mário, Esgaio, Betinho, Fokobo e Rubio). Isto para não contar com Evaldos e outros que tal, também com guia de marcha há muito carimbado. E estas são as principais figuras, atenção. A baliza, por exemplo, pertencerá a Golas, que nem um jogo fez pela equipa principal (e se Golas se lesiona nem imagino quem vai assumir a baliza).

Sendo contra o Benfica, mais mu custa compreender esta ida ao Canadá.

Confesso, pois: não me tinha apercebido de nada disto. Se me tivesse apercebido, jamais faria a defesa desta pré-temporada que, dê lá por onde der, tem esta nódoa na sua organização.

PS: preocupa-me que apenas ganhemos ao Kitchener por 2-1; mas preocupa-me muito mais que tenhamos estado a perder durante 70 minutos com uns amadores canadianos. Amadores + canadianos. Sem comentários.

10 comentários:

  1. Viva Koba. Concordo que esta pré-época tem algumas semelhanças com a da temporada anterior (low-profile), ambas, por sua vez, em contraste com a de Domingos. Esta pré-temporada tinha potencial para gerar uma onda pelo menos idêntica à de 2011/12. Esse potencial não tem sido capitalizado, quer pela forma como o plantel tem sido retocado, com o não preenchimento das lacunas (os jogadores têm chegado mas dificilmente emprestarão qualidade superior relativamente aos que já estavam), ou criação de novos problemas com relação a Bruma e por ventura Ilori, estando por perceber se o concurso de 2 centrais de alguma forma se relaciona com o futuro do último. Há uma nítida sensação de falta de qualidade no plantel que tenho impressão (ou temo) estar certa. Pessoalmente estas entradas e perfil de jogadores contratados faz-me lembrar aquelas épocas no fim dos anos 90 onde vinham Gil Baiano, Vinícius, Nené e muitos outros jogadores do campeonato Brasileiro que frequentemente não exibiam qualidade para jogar no Sporting.

    Em simultâneo, a gestão do calendário tem sido péssima. Basicamente existem indicadores diários das equipas do SLB e do FCP ao passo que do Sporting não existe nada, enquanto do lado de fora os adeptos se entretêm a discutir "política" como se estivessem congelados em período pré-eleitoral. Um vazio tremendo. Enquanto os outros carburam e já entraram em 2013/14 nós parecemos parados no tempo. Neste particular a TH da AFL teria o condão de contribuir para a referida onda de optimismo e adesão por parte dos adeptos. Essa oportunidade não só será desaproveitada como é provável que possa despoletar o efeito inverso.

    As semelhanças também ao nível dos treinadores: pessoalmente, tal como no ano passado relativamente a Sá Pinto, vejo Leonardo Jardim como uma boa aposta e tal como naquela altura, pré-época de 2012/13, não gostei da forma como o plantel foi gerido (entradas de jogadores que se adivinhava não iria o Sporting deles retirar grande rendimento), esse 'desgosto' era amenizado pela confiança sentida no treinador.
    Este ano é a mesma coisa ao nível de percepção sobre Leonardo Jardim.

    Um abraço.

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  2. Koba, o que me chateia mesmo é saber que todas as contratações que nós sondámos vieram a publico independentemente do destino que tiveram. E esta falta de discrição é assustadora em todos os niveis, porque a mim irrira-me o facto de estarmos a negociar através dos jornais, a outros irritará o facto de terem ido para onde foram.
    Há quanto tempo o Pizzi está a caminho do Sporting, por exemplo?

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  3. Manuel,

    Obrigado pelo comentário, que subscrevo a 99%. O 1% de discordância diz respeito à "fé" no Sá Pinto que, no meu caso particular, era pouca ou nenhuma desde o início, algo que ficou reforçado com aquela marcante final da Taça com a Académica.

    E há outro ponto: Leonardo Jardim não fala desde que foi apresentado. Ontem apontaram-me isto como outra falha na organização, quero crer (é mesmo esta a expressão) que o propósito é o de não expor o treinador à debilidade do plantel, à instabilidade das contratações falhadas, ao pouco entusiasmante prestígio dos reforços, etc. A partir de dia 23, creio que tudo isto mudará. Ou pelo menos assim espero.

    Deixe-me também aproveitar o seu comentário para (mais) uma nota quanto à contratação de brasileiros: não me choca que andemos em busca de brasileiros do 2º ou 3º mercados, simplesmente porque não temos capacidade para andar pelo 1º. Sucede que é preciso trabalhar muito mais, observar muito melhor e ser muito mais rápido no 2º mercado do que no 1º. Os exemplos que dá, aliás, demonstram que o problema não está no mercado em que procuramos os jogadores mas na prospeção, observação e trabalho de casa. Todos os que refere fracassaram mas, a meu ver, são distintos os problemas com o Gil Baiano (contratado em 96/97, ano de vacas magras) e os restantes brasileiros (contratados em 97/98, primeiro ano de Champions para o Sporting - acrescentaria Carlos Miguel, Leandro e, muito embora não seja brasileiro, Gimenez). No caso do Gil Baiano, andávamos no tal 2º mercado, onde a probabilidade de falhar é maior e é preciso trabalhar muito bem para desencantar algum jogador valioso (nesse caso, trabalhou-se mal); nos restantes, onde a exposição dos jogadores e o facto de atuarem em grande clubes, apesar de tudo, reduziria a probabilidade de erro, o Sporting contratou supostas estrelas em ascensão e gastou fortunas, mas não acertou numa só contratação. Repare que a melhor contratação de 97/98 acabou por ser o Edmilson que, originariamente, nem num 2º mercado estava - estava num 3º mercado quando foi contratado pelo Nacional (então na II Liga) ao Democrata de Valadares do campeonato mineiro (se não estou em erro). Ou seja, admitindo que o Sporting se foca, seriamente, nestes mercados mais acessíveis, pode efetivamente aí desencantar bons jogadores, desde que, ponto essencial, trabalhe mais e melhor do que os outros.

    Metralha, esse aspeto começa, também, a deixar-me perplexo. E mais ainda o facto de o presidente assumir que tentámos e não conseguimos. Neste momento, são tantas as contratações (Jefferson, Maurício, Cissé) quanto as tentativas assumidamente falhadas (Josué, Ghilas, Fariña).

    SL aos dois

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  4. Koba, em relação a Sá Pinto referia-me também ao estado de espírito mantido então, não agora. Provavelmente idealizou as coisas certas mas faltaram os atributos relativos ao treino. Treinador sem parte técnica é como pedir a um puzzle que se monte sozinho: não acontecerá.

    Gostava imenso de Leandro e esse início de 1997/98 encerrava muitas doses de esperança. Gostava também de Carlos Miguel, em tese porque oportunidades nem teve muitas, Carlos Miguel que fora recrutado no 1º mercado do Brasil, salvo erro Palmeiras. Em Leandro lembro a vitória sobre o AS Mónaco (obra de arte, o 3º golo, jogada de Barbosa) e recordo em 1998/98, com Mirko Jozic, Jorge Jesus quando treinava o Felgueiras dizer na sequência duma derrota em Alvalade - "O Leandro é um ganda jogador". Edmilson lembro apenas o do PSG (ex-FCP) que veio numa das reaberturas de mercado em 1997/98, quando o treinador já era Carlos Manuel.
    Regressado às contratações para esta época, por acaso não descrimino origens. Temo que existam bons jogadores em todo o lado. Em todos os campeonatos. Em todas as divisões. Preocupa-me e desilude-me antes o perfil dos jogadores recrutados, transparecendo que andamos a falhar não nos sítios onde se pesca mas no peixe que se procura.

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  5. É uma ótima analogia! Efetivamente, nos sítios onde pescamos há bom peixe, mas por vezes parece que não temos know-how suficiente para irmos em busca do peixe que interessa (e de que precisamos).

    Era a esse Edmilson que me referia, mesmo tendo sido contratado a meio da época foi a contratação que melhor rendimento teve, se considerarmos não só esse ano mas também as épocas seguintes (ainda chegou a ser campeão em 99/2000). O Leandro era um ótimo jogador (obra-de-arte, concordo, o 3º golo com o Monaco), mas a quem se aplicava o dichote de "não ter cabeça" (lembrar aquele episódio surreal com o Gimenez em Albufeira...).

    Enfim, como eram diferentes os tempos. Basta lembrar que, logo na época seguinte, com 16 anos de jejum no lombo, uma equipa não mais do que razoável e algumas contratações mais modestas (nada equiparado ao ano anterior), jogámos um ótimo futebol, fizemos um estupendo início de campeonato e só fomos afastados da luta por uma sucessão absolutamente inacreditável de arbitragens (é a única época das que acompanhei em que o digo abertamente: em 98/99 fomos roubados jogo atrás de jogo até ser matematicamente impossível lutar pelo título).

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  6. Bem diferentes mesmo: sinto saudades da forma como se via o Sporting. Nessa altura éramos (julgo) especiais. Hoje estamos mais diluídos, algo (bastante) descaracterizados. Hoje em dia dificilmente teríamos capacidade, como exemplo, de atrair treinadores como Carlos Queirós ou Bobby Robson. Essa equipa de 1998/99 foi garantidamente a que melhor futebol jogou nos últimos 20 anos de Sporting, juntamente com a de Peseiro, e não recordo por acaso o Edmilson no Nacional. Recordo-o somente no Salgueiros. Edmilson foi para o FCP. Sá Pinto veio para nós. Nessa longa sequência de arbitragens (Jozic) recordo especialmente bem o jogo nas Antas. Completamente surreal. Nesse jogo Gabriel Heinze marcou para nós, perdemos 3-2. Jogávamos muito e foi uma pena Mirko Jozic não ter -15 ou -10 anos e não ter ficado no Sporting mais tempo. Mas no Sporting é sina: entre bons treinadores (quando nem temos tantos quanto isso) e maus dirigentes, os bons treinadores saem e os maus dirigentes ficam.

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  7. Nesse ano lembro-me de um Sporting-Boavista que terminou 1-1, em que o banho de bola foi de tal dimensao, que o Jaime Pacheco, acho que pela primeira e unica vez na sua carreira, admitiu que o resultado tinha sido injusto, e que eles deviam ter perdido o jogo.

    Mas la esta, isso foi antes de jornais desportivos diarios (acho) e da internet e blogues. Eu acho que esta realidade tambem contribui para a degradacao do ambiente, pois somos bombardeados com 95% de lixo e bocalidade para apenas 5% de qualidade. Isso, parecendo que nao, altera em muito a percepcao e a forma como as pessoas vivem o clube e se relacionam entre si.

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  8. Koba,

    Parece que o Jesus foi meigo com o Sporting. A convocatória para o jogo de hoje é idêntica à nossa. Jogadores da B e alguns da A (Jardel, Melgarejo, Rodrigo, Ola John, Luisinho, André Gomes, Roderick e Paulo Lopes).

    Parece que as relações Sporting/Benfica estão melhores.

    Veremos se isso será bom.

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  9. Vamos pensar que afinal não foi ao acaso. Que o jeffren não jogue, ainda se engana e temos de aturar aquela falta de atitude mais um ano.

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  10. Cantinho, Metralha,

    Duvido que não tenha havido um acordo de cavalheiros, diga o Hélder o que disser. Digo mais: se o Sporting tivesse a equipa principal disponível, será que o Benfica faria esta convocatória? Parece-me claramente que não (ainda que o risco de cabaz para eles, Benfica, fosse muito inferior - afinal o Kitchener ficou-se pela margem mínima). Obviamente estamos todos a especular, mas deverá haver algo que nos está a escapar.

    Metralha, poucos jogadores me terão desiludido tanto quanto o Jeffren. Num flash-back do que foi o meu histórico de Fa3, não deve ter havido jogador mais "protegido" por mim. Disse há 2 anos que era o nosso melhor reforço, quando se lesionou fiquei a ansiar pelo seu regresso, fui sempre dizendo que era azar, fui sempre manifestando esperança no seu aparecimento em grande (fiz posts antes de alguns jogos das competições europeias a dizer que ia ser "o" jogo de Jeffren) e, afinal, deu no que deu. Sabe o que acho que lhe faria mesmo bem? Um aninho de equipa B. Obviamente é impossível face ao que recebe, mas parece que está a precisar de um back-to-basics e de encarar os sempre simpáticos lodaçais da Feira e de Penafiel bem como os "talentosos" centrais e trincos dos respetivos clubes, para perceber que a vida não é fácil...

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