31/07/2013

A propósito de "Zé Love"


Ponto prévio: nem estou certo que o rapaz da foto seja o Zé Eduardo, putativo reforço para o ataque, também conhecido por Zé Love; aliás, nem sei porque é que o Zé Eduardo é conhecido por Zé Love; mas sendo o rapaz da foto o Zé Love, só vos posso dizer uma coisa que definitivamente sei: o Zé é um rapaz que gosta de ser fotografado em boas companhias. O que só lhe fica bem.

Mas adiante porque nem me lembrei deste post a propósito do Zé Love. Sim, o título é enganador. Eu lembrei-me deste post a propósito do Farley Rosa, ex-junior que terminou contrato e assinou pelo Sevastopol da Ucrânia. E lembrei-me por uma razão simples: eu nunca teria deixado sair o Farley Rosa.

Neste momento, alguns dos leitores estarão a perguntar-se "mas este tipo noutro dia nem sabia bem quem eram os juniores e agora diz que mantinha o Farley Rosa?". Exatamente, é isso mesmo: não o conheço como jogador, não o vi jogar uma única vez, mas não o deixaria sair.

Ontem discutia o tema com quem verdadeiramente sabe da poda e o meu interlocutor dizia-me que tanto o Farley Rosa como o Luíz Cortez deveriam ter ficado no Sporting. Na altura eu pouco disse, essencialmente porque não estava a ver o tema pelo prisma correto. Hoje, permito-me discordar. O Luis Cortez (que também nunca vi jogar) tanto pode ser um erro crasso do Sporting como um jogador que não vai fazer uma carreira por aí além, percebo qualquer decisão quanto ao rapaz. Já o Farley Rosa, com muita probabilidade, vai fazer uma grande carreira no futebol.

E porquê? Porque se chama Farley Rosa. Há muito tempo não ouvia um nome tão bom para jogador de futebol. Farley Rosa é, simplesmente, divinal. Um nome só ao alcance de predestinados para a bola: Farley transporta a técnica requintada, Rosa o remate ao ângulo. Um nome que nos leva para um imaginário de perfeição do passe, classe na receção, mestre do ritmo de jogo. Um nome que caberia na Hungria de 54, no Brasil de 70, na Espanha de 2010 ou, melhor ainda, no Sporting de Mirko Jozic.

Não será por acaso que no nosso futebol Bruma e Ilori têm mediatismo e notoriedade. Aliás, considero, neste ponto, que Catio Baldé está uns aninhos à frente dos comuns mortais. Reparem que Catio não representa um João Silva ou um Luís Pinto ou mesmo um Vítor Fernandes; nada disso. Catio representa um Armindo que transforma em... Bruma (tchaaaaa).

Não andaríamos aqui a discutir isto há semanas se o jogador em causa se chamasse Pedro Matos... O Pedro Matos seria abandonado à sua luta pela imprensa portuguesa, que lhe atribuiria um canto de página ao lado dos reforços do Leixões.

Tal como ninguém ficaria minimamente preocupado se às tantas se dissesse que os jovens sub-15 Armando Silva e Manuel Costa estavam ausentes dos treinos; mas a nação sportinguista fica suspensa no terror ao saber que Moreto Cassamá e Idrisa Sambu não foram treinar - sem que um só dos que comentam o tema alguma vez tenha visto o Moreto ou o Idrisa sequer pisar um relvado. Mas percebe-se porquê: tanto Cassamá como Sambu vão, seguramente, longe no futebol. Já o Armando Silva e o Manuel Costa vão ter que bulir muito se algum dia quiserem ser alguém.

Farley Rosa saiu porque (inexplicavelmente) no Sporting não há ninguém que se preocupe com estes temas (quando se preocupam com outros tão interessantes como, por exemplo, as cores das chuteiras dos jogadores). E isto porque no Sporting e, genericamente, no futebol português ainda ninguém percebeu que Cristiano Ronaldo não passaria de um jogador de clube médio (vá lá... poderia chegar a um grande em Portugal, no máximo) se se chamasse Júlio Miguel. Se se chamasse Júlio Miguel, obviamente, não passaria disto. E a marca JM7 não teria projeção para além da Região Autónoma da Madeira. Aliás, retiro o que disse atrás: Júlio Miguel não chegaria a médio ou grande nenhum, jogaria no União da Madeira e seria o saco de pancada nos dias em que Ávalos (esse mesmo, ainda mexe) chegasse mal-disposto aos treinos.

Eu sei bem quem é o responsável por isto. Ele mesmo, esse em que vocês estão a pensar: o Professor Neca. O Professor Neca chegou a adjunto do Benfica, como todos se lembram. A partir desse momento, no futebol português criou-se a convicção de que o nome era irrelevante. Não interessava.  Quando um tipo que simultaneamente se apresenta como Professor + Neca chega a um dos grandes clubes portugueses e ninguém o coloca a fazer leitura de búzios ou exercícios de hipnose ao melhor estilo do Professor Alexandrino, está tudo perdido. Ainda para mais, a geração de ouro, que na altura começava a afirmar-se, estava carregadinha de Costas e de Pintos. Portanto, pensou-se, tudo seria possível.

Mas não é, claro que não é. Por isso é que na galeria dos notáveis do futebol português, a nível internacional, estão essencialmente quatro nomes: Eusébio, Futre, Figo e Ronaldo. Vejam o caso do Figo: eu, como sportinguista,  não tenho problemas em reconhecer que sempre gostei muito mais do futebol do Rui Costa. Mas "Figo" tem outra magia... E em termos de "pezinhos", duvido muito que alguém tenha suplantado, naquela geração, o Pedro Barbosa. E em termos de dinâmica, rendimento, regularidade, João Pinto. Pois, mas destes todos há um com Bola de Ouro: Figo. Os restantes, sim, vão para uma galeria de notáveis, mas ao lado do Manuel Fernandes (meu ídolo de infância - o meu pai sempre preferiu o Jordão e agora é que o percebo!), Fernando Gomes e Carlos Manuel...

E voltemos então ao Zé que de parvo tem pouco - e não o concluo só pelas companhias que escolhe. É que o Zé sabe que um jogador brasileiro sofre dos mesmos problemas do português. Ele lembra o passado e recorda Pelé, recorda Garrincha, recorda Rivelino, Jairzinho e Tostão, recorda Sócrates e Falcão, recorda Romário e Bebeto, recorda Ronaldo e Rivaldo. E sabe que Zé Eduardo não vai longe, mas Zé Love pode alcançar muito mais...

Para já, está no bom caminho. O Zé pode não se tornar um multimilionário ou um Bola de Ouro. Pode não conquistar títulos nem vitórias europeias retumbantes. Pode não entrar, sequer, para a história do futebol português. Mas, a ser contratado, o nome Zé Love já o conduziu à máxima honra a que um profissional de futebol pode aspirar: representar o Sporting Clube de Portugal.

7 comentários:

  1. Muito bom Koba.
    Esperemos que haja Love em Alvalade. E já agora que Magrão não seja um prenúncio de anorexia futebolistica.

    Abraço

    ResponderEliminar
  2. LdA, é bom lembrar que já tíhamos um jogador com Labya(d), até podemos não vir a jogar futebol mas estamos a formar craques do engate!

    Um abraço

    ResponderEliminar
  3. Apenas 2 notas sobre este post:

    .Se o Leonardo vê esta fotografia, o rapaz assina logo!

    .Sempre disseste que o Alverca não iria a lado nenhum (e não foram), enquanto tivesse um central chamado João Comboio.

    ResponderEliminar
  4. PS. No outro dia conheci o Ávalos. Meti-me com o gajo e disse-lhe: "Aquilo é que era!!! Ávalos e Paulo Turra... nem o osso ficava para contar a história!!!" Resposta dele: "E quando um de nós não chegava, ainda havia o Litos e o Pedro Emanuel!!!" Maravilhoso!!!

    ResponderEliminar
  5. Galaad, enganei-me apenas no Fábio Coentrão, que nunca mudou apenas para "Fábio" e foi transferido por milhões! De resto, isto vai batendo tudo certo...

    PS: este ano, pelo que leio nos blogs benfiquistas, serás "Cortez".

    PS2: acho que o Ávalos não coincidiu com o Litos no Boavista. Ele deve ter dito outro nome qualquer e associaste ao Litos. É indiferente porque era tudo gente finíssima. A fazer lembrar o "tridente do terror" do Beira-Mar anos 90: Dinis, Eliseu e Eusébio. Até fazia faísca! Nessa altura, decidiam-se campeonatos no Mário Duarte, tal o grau de dificuldade do jogo.

    ResponderEliminar
  6. Não gosto do Djavan. Mesmo assim, prefiro isso a Kardec...

    Tens razão: o ávalos não coincidiu com o Litos. Devo ter confundido com um Mário Loja qualquer desta vida...

    ResponderEliminar