31/07/2013

A propósito de "Zé Love"


Ponto prévio: nem estou certo que o rapaz da foto seja o Zé Eduardo, putativo reforço para o ataque, também conhecido por Zé Love; aliás, nem sei porque é que o Zé Eduardo é conhecido por Zé Love; mas sendo o rapaz da foto o Zé Love, só vos posso dizer uma coisa que definitivamente sei: o Zé é um rapaz que gosta de ser fotografado em boas companhias. O que só lhe fica bem.

Mas adiante porque nem me lembrei deste post a propósito do Zé Love. Sim, o título é enganador. Eu lembrei-me deste post a propósito do Farley Rosa, ex-junior que terminou contrato e assinou pelo Sevastopol da Ucrânia. E lembrei-me por uma razão simples: eu nunca teria deixado sair o Farley Rosa.

Neste momento, alguns dos leitores estarão a perguntar-se "mas este tipo noutro dia nem sabia bem quem eram os juniores e agora diz que mantinha o Farley Rosa?". Exatamente, é isso mesmo: não o conheço como jogador, não o vi jogar uma única vez, mas não o deixaria sair.

Ontem discutia o tema com quem verdadeiramente sabe da poda e o meu interlocutor dizia-me que tanto o Farley Rosa como o Luíz Cortez deveriam ter ficado no Sporting. Na altura eu pouco disse, essencialmente porque não estava a ver o tema pelo prisma correto. Hoje, permito-me discordar. O Luis Cortez (que também nunca vi jogar) tanto pode ser um erro crasso do Sporting como um jogador que não vai fazer uma carreira por aí além, percebo qualquer decisão quanto ao rapaz. Já o Farley Rosa, com muita probabilidade, vai fazer uma grande carreira no futebol.

E porquê? Porque se chama Farley Rosa. Há muito tempo não ouvia um nome tão bom para jogador de futebol. Farley Rosa é, simplesmente, divinal. Um nome só ao alcance de predestinados para a bola: Farley transporta a técnica requintada, Rosa o remate ao ângulo. Um nome que nos leva para um imaginário de perfeição do passe, classe na receção, mestre do ritmo de jogo. Um nome que caberia na Hungria de 54, no Brasil de 70, na Espanha de 2010 ou, melhor ainda, no Sporting de Mirko Jozic.

Não será por acaso que no nosso futebol Bruma e Ilori têm mediatismo e notoriedade. Aliás, considero, neste ponto, que Catio Baldé está uns aninhos à frente dos comuns mortais. Reparem que Catio não representa um João Silva ou um Luís Pinto ou mesmo um Vítor Fernandes; nada disso. Catio representa um Armindo que transforma em... Bruma (tchaaaaa).

Não andaríamos aqui a discutir isto há semanas se o jogador em causa se chamasse Pedro Matos... O Pedro Matos seria abandonado à sua luta pela imprensa portuguesa, que lhe atribuiria um canto de página ao lado dos reforços do Leixões.

Tal como ninguém ficaria minimamente preocupado se às tantas se dissesse que os jovens sub-15 Armando Silva e Manuel Costa estavam ausentes dos treinos; mas a nação sportinguista fica suspensa no terror ao saber que Moreto Cassamá e Idrisa Sambu não foram treinar - sem que um só dos que comentam o tema alguma vez tenha visto o Moreto ou o Idrisa sequer pisar um relvado. Mas percebe-se porquê: tanto Cassamá como Sambu vão, seguramente, longe no futebol. Já o Armando Silva e o Manuel Costa vão ter que bulir muito se algum dia quiserem ser alguém.

Farley Rosa saiu porque (inexplicavelmente) no Sporting não há ninguém que se preocupe com estes temas (quando se preocupam com outros tão interessantes como, por exemplo, as cores das chuteiras dos jogadores). E isto porque no Sporting e, genericamente, no futebol português ainda ninguém percebeu que Cristiano Ronaldo não passaria de um jogador de clube médio (vá lá... poderia chegar a um grande em Portugal, no máximo) se se chamasse Júlio Miguel. Se se chamasse Júlio Miguel, obviamente, não passaria disto. E a marca JM7 não teria projeção para além da Região Autónoma da Madeira. Aliás, retiro o que disse atrás: Júlio Miguel não chegaria a médio ou grande nenhum, jogaria no União da Madeira e seria o saco de pancada nos dias em que Ávalos (esse mesmo, ainda mexe) chegasse mal-disposto aos treinos.

Eu sei bem quem é o responsável por isto. Ele mesmo, esse em que vocês estão a pensar: o Professor Neca. O Professor Neca chegou a adjunto do Benfica, como todos se lembram. A partir desse momento, no futebol português criou-se a convicção de que o nome era irrelevante. Não interessava.  Quando um tipo que simultaneamente se apresenta como Professor + Neca chega a um dos grandes clubes portugueses e ninguém o coloca a fazer leitura de búzios ou exercícios de hipnose ao melhor estilo do Professor Alexandrino, está tudo perdido. Ainda para mais, a geração de ouro, que na altura começava a afirmar-se, estava carregadinha de Costas e de Pintos. Portanto, pensou-se, tudo seria possível.

Mas não é, claro que não é. Por isso é que na galeria dos notáveis do futebol português, a nível internacional, estão essencialmente quatro nomes: Eusébio, Futre, Figo e Ronaldo. Vejam o caso do Figo: eu, como sportinguista,  não tenho problemas em reconhecer que sempre gostei muito mais do futebol do Rui Costa. Mas "Figo" tem outra magia... E em termos de "pezinhos", duvido muito que alguém tenha suplantado, naquela geração, o Pedro Barbosa. E em termos de dinâmica, rendimento, regularidade, João Pinto. Pois, mas destes todos há um com Bola de Ouro: Figo. Os restantes, sim, vão para uma galeria de notáveis, mas ao lado do Manuel Fernandes (meu ídolo de infância - o meu pai sempre preferiu o Jordão e agora é que o percebo!), Fernando Gomes e Carlos Manuel...

E voltemos então ao Zé que de parvo tem pouco - e não o concluo só pelas companhias que escolhe. É que o Zé sabe que um jogador brasileiro sofre dos mesmos problemas do português. Ele lembra o passado e recorda Pelé, recorda Garrincha, recorda Rivelino, Jairzinho e Tostão, recorda Sócrates e Falcão, recorda Romário e Bebeto, recorda Ronaldo e Rivaldo. E sabe que Zé Eduardo não vai longe, mas Zé Love pode alcançar muito mais...

Para já, está no bom caminho. O Zé pode não se tornar um multimilionário ou um Bola de Ouro. Pode não conquistar títulos nem vitórias europeias retumbantes. Pode não entrar, sequer, para a história do futebol português. Mas, a ser contratado, o nome Zé Love já o conduziu à máxima honra a que um profissional de futebol pode aspirar: representar o Sporting Clube de Portugal.

30/07/2013

Os casos por resolver (II) - Update

Alguns (poucos e não muito bons) desenvolvimentos, de acordo com os jornais:

Turan - a ser verdade o que se noticia, o Sporting fez exigências de "última hora" que inviabilizaram a transferência de Turan para o Nice - espero que a história esteja mal contada, porque já foi esta a ideia que passou no caso de Viola com o Racing e esta postura (ou a imagem que dela está a passar) obviamente não ajuda nada a fechar negócios com quem quer que seja;

Boulahrouz - fala-se, agora, do West Ham - espero que o Sporting perceba que a fronteira entre a defesa dos interesses do clube e algumas exigências despropositadas nem sempre é visível pelas contrapartes e por terceiros;

Viola - aparecem agora notícias relativas ao interesse do River Plate (que estaria disposto a pagar 500k pelo empréstimo). Estará relacionada com a desistência na contratação de Iturbe?

PS: Uma nota quanto ao tema Elias. Concordo que o Sporting não tinha alternativa e tinha mesmo que desmentir o jogador. Não podia ficar no ar a ideia de que os jogadores do Sporting (incluindo, obviamente, os que queremos transferir) tinham salários em atraso, sob pena de a nossa força negocial, que já não é extraordinária, ficar publicamente debilitada. Já as restantes "bocas" do comunicado de ontem eram, uma vez mais, dispensáveis.

29/07/2013

Os casos por resolver

Saliento as contas feitas neste post (que surge em atualização deste outro): o Sporting tem nos seus quadros profissionais (contabilizando apenas os seniores) nada menos do que 60 jogadores.

E noto que os posts não incluem jogadores emprestados como Elias, Gelson ou Miguel Lopes. Para os efeitos que abaixo irei descrever, entendo que devem também ser contabilizados estes jogadores, na medida em que podem não ser um problema hoje mas sê-lo-ão seguramente daqui a 6 meses ou 1 ano. E como estes poderá haver mais de que não me recorde agora (Renato Neto creio que rescindiu em definitivo...).

Recomendo a leitura dos dois posts porque me parecem, ambos, exercícios muitíssimo úteis para percebermos o desenho do Sporting 2013/2014. Não vou sequer enumerar os jogadores porque os posts linkados estão muito claros.

Queria apenas deixar três ou quatro notas:

(i) a primeira: com 22 jogadores no plantel principal + equipa B, o Sporting deve ter nos seus quadros um número nunca superior a 42 jogadores (reitero que não estou a incluir juniores). Os 20 da equipa B devem ser suficientes na medida em que (i) alguns da A poderão alinhar pela B numa ou noutra circunstância (regresso de lesão ou aquisição de ritmo de jogo em fases de menor utilização são apenas exemplos) e (ii) alguns dos juniores poderão ser chamados à equipa B se tal se revelar necessário;

(ii) a segunda: admito que, a título excecional, esse número (42) possa ser excedido em função de um ou outro empréstimo, nas seguintes condições:
  • em resultado de protocolos, como o do Cercle Brugges - em que, já agora, entendo que o protocolo cumpriu a sua finalidade, apenas foi mal aproveitado pelo Sporting (tanto Reis como Neto como William, pelos vistos, evoluíram durante o empréstimo);
  • em resultado de circunstâncias financeiras muito específicas (pense-se nos tais casos de Elias, Gelson ou Miguel Lopes), casos em que os clubes de destino devem suportar os salários;
  • em resultado de ocasionalmente haver um ou outro jogador sem lugar na equipa principal mas cuja evolução se considere insuficiente apenas no espaço da equipa B (penso ser o caso de Viola).
(iii) a terceira: muito embora estejamos longe do número de jogadores do Benfica ou do FCP, 60 jogadores é demasiado. Há que fazer um trabalho de sapa na tentativa de atingir os tais "42 + alguns";

(iv) a quarta, se quisermos a partir de 01.09 apresentar aos "parceiros" uma folha salarial condizente com os objetivos da reestruturação, o trabalho de sapa terá que ser realizado até 31.08.

Isto dito, sem entrar na apreciação de quem deve ou não ficar na equipa B porque não conheço a maioria dos jogadores (na equipa A serão os tais 22, dos quais conhecemos 19 e temos esperança que o 20º e o 21º sejam Ilori e Bruma, ficando a faltar um jogador que, suspeito, será recrutado externamente) diria que estão por resolver os casos de Turan, Evaldo, Boulahrouz, Onyewu, André Santos, Pranjic, Salomão, Jeffrén, Viola e Bojinov (10 jogadores).

Estou a referir-me apenas aos casos mais mediáticos, claro está - quem de 60 tira 10 fica ainda com 50... e não estou a ver um plantel B com 28 jogadores (considerando que a equipa A terá 22). Haverá, pois, outros casos para resolver.

Mas quanto aos mais mediáticos, o ponto de situação é o seguinte:

Turan - estará prestes a ficar resolvido;

Evaldo - não há novidades;

Boulahrouz - falou-se do regresso à Holanda, num estilo Schaars, mas não avançou;

Onyewu - não há novidades;

André Santos - é um caso recente, duvido que aceite ser integrado na equipa B, admito que o problema possa estar na duração do contrato (acaba em 2014);

Pranjic - falou-se do Panathinaikos, mas nada avançou;

Salomão - caso igual ao de André Santos;

Jeffrén - falou-se do interesse de alguns clubes espanhóis, mas nada disso avançou (de todo o modo só agora ficou 100% claro que não conta);

Viola - parece claro que será emprestado para um clube argentino, mas falta fechar o tema;

Bojinov - não há novidades.

Vou controlando por aqui mas parece-me crucial chegar a 31.08 com estes temas fechados (leia-se: jogadores transferidos/emprestados em casos excecionais). A folha salarial de Setembro certamente não contemplará jogadores não utilizados e a treinar com a equipa B que, sozinhos, ganham mais do que toda a equipa B junta. Mais um tema em que teremos que aguardar.

As transferências e as não transferências

Perceber a lógica das transferências em que o Benfica se vê envolvido é, para mim, um exercício cada vez mais complicado. Acredito que no futebol moderno, com empresas, fundos de investimento, empresários e mesmo as parcerias e/ou favorecimentos entre clubes a terem cada vez mais peso, os adeptos nem sempre podem ter acesso a toda a informação e conhecer todos os detalhes. No entanto, fico com a sensação que alguns negócios não só, são mal explicados, como tentam passar realidades distorcidas aos próprios adeptos.

Começando pela transferência mais estranha. O Benfica foi buscar Pizzi ao Atl. Madrid quando se falava no interesse do Sporting no avançado. Era uma solução interessante como alternativa a Lima e Rodrigo mas afinal vai ser emprestado ao Espanhol. Tenho dificuldades em acreditar que o Benfica opte agora por uma estratégia já iniciada anteriormente pelo Porto de evitar que o Sporting se reforce com os bons jogadores disponíveis mas se juntarmos a contratação de Fariña, dá pelo menos para duvidar. Não me parece a melhor jogada quando estão reunidas as condições para que Benfica e Sporting se aproximem.


No meio disto tudo, o Atlético comunicou que chegou a acordo com o Benfica por Roberto (mas que vai ser emprestado ao Olympiacos) quando todos pensávamos que o Benfica já tinha vendido o jogador na temporada passada (estranhamente também para todos até com lucro). Não cheira bem...

A novela Cardozo continua. Se os últimos números que vieram nos jornais corresponderem à verdade, seria uma grande venda. 12 milhões mais dois ou três por objetivos seria realmente de tirar o chapéu. Acho que mesmo os 12 milhões já seriam uma grande venda. 

Espero ainda a venda de Garay, convencido de que estas duas vendas continuam a não ser suficientes. Entre Salvio, Matic e Gaitán pelo menos um deve sair, e se Matic é o que deverá fazer mais mossa, Gaitán acabaria por nunca fazer uma grande época e não teríamos hipótese de ver mais disto:




28/07/2013

Apresentação com notas de indefinição

Tinha dito que o primeiro balanço do trabalho de BC e Inácio, a meu ver, seria feito com a apresentação do plantel.

Pois bem: o plantel foi apresentado e esse balanço é, ainda, impossível, o que não é um sinal propriamente positivo. A ser feito o tal balanço, teriam que ser mantidos diversos pontos de interrogação, não tanto pelos jogadores contratados/transferidos/mantidos mas pelas indefinições que neste momento se mantêm. Eu, pelo menos, não fiquei com uma ideia sólida do plantel que vamos ter. Fiquei mesmo com muitas dúvidas, que apenas deverão ser esclarecidas a 31.08. É claro que as sucessivas e contraditórias declarações dos responsáveis não ajudam (primeiro seriam 20, depois 22) mas sejam 20 ou 22 as opções são ainda pouco claras. O único ponto que consegui antecipar com mínimo acerto no post acima linkado foi o facto de se terem contratado um MC e um PL antes da apresentação; mas essa previsão baseava-se num plantel (principal) de 20 jogadores... serão mesmo 20?

Mas vamos ao detalhe - foram apresentados os seguintes jogadores:

Guarda-Redes: Patrício e Boeck
Defesas: Cedric,Welder, Jefferson, Dier, Maurício e Rojo
Médios: Rinaudo, William, Adrien, Martins, Labyad e Magrão
Extremos/Avançados: Capel, Carrillo e Wilson; Cissé e Montero.

Vejamos, então:
(i) 19 jogadores e não 22, como Leonardo tinha dito (significa que chegam + 3 jogadores ou estamos a contar com renovações de alguns contratos antes de anunciar os jogadores? Ou são 19 e + 1? - não, não é uma piada ao Paulo Futre);
(ii) 1 DE, 3 DC, 3 extremos (Labyad foi utilizado na ala mas parece-me aposta para o meio - a palavra "aposta" é mesmo perfeita porque tirar rendimento do Labyad começa a ser tão provável quanto ganhar na roleta). Será que chegam jogadores para estas posições? (espero que não, com exceção do extremo, em que poderei perceber uma "contratação" - se for Bruma, melhor!);
(iii) William terá ganho a batalha pelo lugar a André Santos, ou será que este último ficou de fora apenas porque só tem + 1 ano de contrato (ao passo que o William renovou - representado, diga-se, por um empresário que foi atacado de forma nojenta pelos vergonhosos anti-semitas da blogosfera leonina)? André Santos será dispensado/transferido/emprestado ou integrado na equipa B?
(iv) esperavam-se as ausências de Viola (para emprestar) e Jeffren (para transferir) mas o que vai acontecer a Salomão? Não me interpretem mal: não sou um fã de Salomão, como todos sabem. Mas coloco a mesma questão que coloquei relativamente a André Santos: o que vai acontecer ao jogador?
(v) é razoável assumir que Ilori não foi apresentado devido ao impasse na sua renovação? Será integrado na equipa B? Face à lesão de Rojo, quem estará em campo e no banco na 1ª jornada?

Enfim, muitas dúvidas que gostava de ver esclarecidas o mais cedo possível. Idealmente, antes de começar o campeonato (vou adiando os balanços, bem sei...).

Quanto ao jogo, não esperava obviamente muito mais do que foi mostrado. Houve fases muito razoáveis, nomeadamente (por coincidência... ou talvez não) nos momentos de maior envolvimento dos jogadores formados no Sporting (prestação de Eric Dier durante todo o jogo, combinações Cedric-Martins na primeira parte, aquela jogada com Wilson e Esgaio na segunda, obviamente o golão de Adrien). Por outro lado, e os experts que me corrijam se estiver enganado, parece-me que a equipa ofensivamente se posiciona, relativamente à época anterior, uns bons metros mais à frente e que o MC está mais próximo do PL. A rever.

Os destaques, a meu ver, seriam os seguintes:

Dier - o melhor em campo, fez um jogão. Pode não ter a velocidade de Ilori mas tem tudo para ser o líder da nossa defesa.

Maurício - face ao que tinha lido, ia com uma expetativa muito baixa. Surpreendeu-me pela positiva. E nem me refiro ao golo, que também é um ótimo sinal, claro está. Refiro-me à forma como abordou a maioria dos lances. Para primeira impressão, gostei.

Jefferson - muito melhor a atacar do que a defender. Não serei um Freitas Lobo, mas há sinais que consigo interpretar. E quando um adversário insiste até à exaustão em atacar sempre pelo mesmo flanco, significa que percebeu que esse é o ponto fraco da equipa em termos defensivos. Posso estar enganado, mas este jogador vai precisar de melhorar muito defensivamente.

William - pode ser mais expedito a soltar a bola, mas gostei de ver que tem (quase) sempre a preocupação de a jogar para a frente.

Adrien - jogo razoável, bom livre para o 1º golo, o 2º é um golão.

Cissé - péssimo jogo. Lento, pouco móvel e sem conseguir segurar uma só bola. Com Wilson a PL a equipa ganhou logo outra mobilidade (leia-se: jogou futebol com o envolvimento de um PL que não se esconde, vem buscar jogo, desmarca-se, etc. - essas coisas, Salim, que parecendo que não dão jeito num PL). Tem 20 anos, não tem? Aham... OK, vamos responder que sim. Pois... eu mantenho o benefício da dúvida porque não quero julgar um jogador com base num só jogo. Mas parece-me que vai acabar na B trocado com o Betinho ou o Rubio...

Labyad - leu noutro dia a minha troca de ideias com o Metralha e, como tem uma implicância tremenda comigo, resolveu reforçar os argumentos do Metralha. Só mesmo para me chatear. Mais um jogo abaixo do exigível.

O melhor de tudo: voltei a Alvalade e a bola recomeçou a rolar.

Agora, como dizia o Cabrita, vamos a eles (todos eles!!) que nem tarzões! Mas convirá assegurar que a macaca Chita também vem porque só com os nossos 19 tarzões podemos ter uma vida algo complicada...

26/07/2013

Novidades

1. Ainda há possibilidade de Bruma e Sporting se reconciliarem, esta é a boa (e, para mim, supreendente) novidade; a (aparentemente) não tão boa é que, segundo parece, BC até pode ter mudado a rota no tema em específico (e bem), mas na abordagem "macro" mantém o tom que, a meu ver, foi um dos problemas que acabou por resultar na grande confusão em que se tornou o caso Bruma... Dispensável a "boca" a Jorge Mendes sobre a proposta do Monaco (todos os dias há jogadores do Benfica vendidos nos jornais - alguém viu Vieira mandar uma "boca" a Jorge Mendes sobre o tema?).

2. Monaco que, parece, fez mesmo uma proposta de 10M€ por Rui Patrício. A proposta é boa, em meu entender, mas percebo que, nesta fase, se tente subir o valor. Tudo normal até aqui. Já colocar (publicamente) a barreira nos 15M€ acho que não faz muito sentido. BC sabe muito bem que uma proposta de 13M€ a pronto + um empréstimo de um jogador que nos faça falta (e cujos salários sejam suportados pelo Monaco) é irrecusável (trata-se de um mero exemplo). Mas BC sabe muito bem, também, que se vender abaixo do limite que ele próprio definiu e mandar umas larachas no dia seguinte no jornal, os indefetíveis perdoam tudo. Quanto a mim, que aceitaria a venda pelos 10M€ (por um GR é muita fruta), elogiarei sempre qualquer venda que BC consiga fazer acima desse valor.

3. Pranjic, segundo parece, está próximo de assinar pelo Panathinaikos. A ser verdade, finalmente fica resolvido um dos temas mais complicados. Mas faltam 5 ou 6 de igual calibre.

4. Gerson Magrão estará assegurado, espero que seja o tal MC que faça a diferença e nos dê algo que efetivamente não temos. Espero também que pare por aqui - 1 MC sempre defendi que fazia falta, não faz sentido mais contratações para o meio-campo (Luiz António do Flamengo) quando temos uma equipa B com jogadores que podem dar conta do recado quando seja necessário (Zezinho e João Mário, designadamente).

5. Confesso que me ultrapassa a contratação de Welder (como dizia há uns dias o Cantinho do Morais, há 6 meses tínhamos 4 DD promissores, conseguimos agora ir contratar um DD ao Brasil). Espero que seja o suplente do Cedric e que o Cedric disponha de total confiança da equipa técnica. Um Cedric titular indiscutível, a jogar com confiança e consistência, até à seleção pode ir. Não é especialmente complicado.

6. Orlando Sá - só posso imaginar que venha reforçar a equipa B, mas mesmo assim não percebo. Não porque desconfie do valor do jogador (se bem que não o considero muito acima de razoável) mas porque o Sporting tem já 2 PL (Montero e Cissé) + os atuais jogadores da equipa B (Betinho, Rubio, não sei se Alexandre Guedes). Espero que tudo isto não acabe por desvirtuar a finalidade da equipa B (pode haver 1 ou 2 contratações laterais, mas o objetivo não é esse).

7. Afinal não são 20, são 22, Leonardo Jardim falou (finalmente!) e esclareceu esse tema. O que, neste momento, significa o seguinte:
GR: Patrício + Boeck
DD: Cedric + Welder
DE: Jefferson + ???
DC: Ilori + Dier + Rojo + Maurício
MD: Rinaudo + ???
MC: Adrien + Magrão
MO: Martins + Labyad
ED/EE: Capel + Carrillo + Wilson + ???
PL: Montero + Cissé

Ainda três incógnitas. Aposto em Mica, André Santos e Salomão para os lugares em que ainda há dúvidas (Mica ou King, André ou William, Salomão ou... Viola?). Pelo menos para a noite da apresentação.

Quanto à equipa B, do que conheço (baseado nos que jogaram a Taça de Honra e os jogos no Canadá), será a seguinte:
GR: Golas + Ribeiro + Meira
DD: Riquicho + ???
DE: King + ???
DC: Reis + Sambinha + Tobias + Semedo + Hugo Sousa (?)
MD: Fokobo + William + Kikas (?)
MC: Zezinho + João Mário
MO: Plange (?) + Chaby
ED/EE: Esgaio + Iuri + Ponde + ???
PL: Betinho + Rubio

(corrijam onde necessário, é muito possível que esteja a misturar jogadores da B com jogadores que, por ora, estarão no plantel dos juniores)

8. Por último, não sei se aconteceu com mais alguém, mas ainda não recebi o novo cartão da gamebox. E não é previsível que o receba antes do jogo de amanhã. Espero não ter problemas para entrar no estádio...

25/07/2013

Para a posição 10, tudo ok

Aproveitando as férias pelo Algarve, tive a possibilidade de ver o primeiro jogo da época ao vivo. Para quem está habituado a ver o jogo da 3ª inferior do Estádio da Luz, a capacidade de ler o jogo fica bem próxima de zero quando se está numa pequena bancada do estádio do Portimonense.

Mesmo assim, que notas é que consegui retirar deste jogo? 

1. Começando pelo título deste post, os dois jogadores que jogaram na nova posição 10 deixaram boas perspectivas para o resto da época. Markovic poderá ser o jogador que finalmente terá a capacidade de desequilibrar pelo meio da mesma forma que Salvio, Gaitán e Ola John faziam pelas alas. Muito rápido, movimentações interessante e excelente técnica. Quando passou para a linha desapareceu do jogo. 
Depois Djuricic. Uma classe tremenda a transportar a bola, sempre de cabeça levantada e a preparar-se para fazer o passe de morte. Fico à espera de o ver jogar num campo com mais espaços.
Assim, mais um sinal de um plantel desequilibrado. Tenho dificuldades em perceber como Jesus irá gerir dois talentos para a mesma posição quando não me parece que sejam compatíveis. Ainda é cedo para conclusões, mas acredito que quando se fala em rotatividade não se pretende dois jogadores de grande nível a alternar, mas apenas ter uma opção válida (tipo Gaitán que poderia fazer esta posição). Isto será especialmente crítico quando se chegar aos apetecíveis jogos da Champions. 



2. Salvio e Gaitán mostraram a qualidade que todos reconhecem. 

3. Amorim entrou bem e ajudou a fortalecer a ideia de que poderá ser ele a alternativa a Enzo.

4. Matic é impressionante. Para o lugar deste sérvio é que continua a não existir um jogador que se aproxime minimamente do seu nível.

5. Os laterais ainda estão em fase de adaptação mas ainda não deram sinais de que poderão ser os jogadores de que o Benfica precisava. Mesmo assim, Cortez lá foi aparecendo a atacar.

6. Artur não fez uma defesa e sofreu mais um golo, ainda por cima daqueles que ainda hoje me dão a volta ao estômago (remate cruzado). Da bancada Norte, não consigo perceber se podia ter feito mais alguma coisa mas antecipo que não ter um suplente de respeito, poderá ser um problema.

7. Sulejmani teve iniciativas interessantes e impressionou pela capacidade em também defender, algo pouco habitual nos alas.

Ainda é bastante cedo mas começa a ser evidente que há um Benfica do meio campo para a frente e outro do meio campo para trás. Ficamos à espera dos próximos jogos.


24/07/2013

Fredy Montero


Chegou o PL de que se falava há várias semanas. Fredy Montero, 25 anos, 1.75m, 73kg. Bom, a idade convém confirmar com o diretor do colégio que frequentou em criança, mas vamos assumir os 25.

Obviamente deposito esperanças no jogador, como é normal nestas fases de pré-época. Os videos do youtube têm coisas engraçadas (se bem que os do Caicedo e do Tiuí também não são maus). Vem com a inegável aura de titular, comparando com o "barato" Cissé e restante juventude da equipa B. Como sportinguista espero, pois, que seja um goleador imparável. E mesmo que o início não corra particularmente bem (recordar Liedson, suplente de Elpídeo Silva durante vários meses), vou sempre esperar pela famosa "adaptação" (que a vox populi converteu num mito urbano que abrange tudo e mais um par de botas - um dia tentarei desenvolver este tema).

Isto dito, e que me perdoem os fundamentalistas, tenho que confessar que não percebo a excitação dos adeptos à volta de um PL que já vai na sua 7ª ou 8ª época como profissional (retiro daqui que assim seja) e marcou 96 golos em 286 jogos, uma média de 0,34 golos por jogo, tendo apenas disputado os campeonatos na Colômbia e EUA. Sei que as estatísticas valem o que valem, que o Jackson veio do campeonato mexicano, que um PL não vale só pelos golos, etc, etc, etc. Mas face aos dados que temos, estou apenas expectante e esperançado.

Note-se que não terei qualquer problema em vir aqui dizer, se for o caso, que BC e Inácio tiraram um grande coelho da cartola; mas dizer, hoje, que este era o PL de que precisávamos, ainda não sou capaz. E nem me estou a referir à pressão sobre o jogador que pode ser gerada pela expetativa (demasiado alta) de alguns adeptos... Honestamente, eu aconselharia calma porque vejo à minha volta aplausos histéricos a tudo e mais alguma coisa, sem qualquer critério, e antecipo um tombo muito duro para aqueles que acham que o grande Sporting está de volta. Não está. E a verdade é que BC, num estilo que pelos vistos não será totalmente claro para os seus próprios seguidistas fanáticos, tem alertado insistentemente para isso.

Os termos do negócio não são muito claros, mas parece relativamente assente que, por motivos ainda não totalmente explicados, o jogador chega (hoje) por empréstimo mas o exercício da opção de compra, no valor de (diz-se) 2,5M€, está já assegurado. Há quem diga que o Sporting não conseguiu desbloquear a verba antes de formalizar o aumento de capital ontem aprovado, o Record diz que o tema está relacionado com obrigações que a MLS teria perante o Deportivo Cali. Em qualquer dos casos, parece que o jogador terá contrato por 5 épocas e custou 2,5M€.

Em princípio, só chegará mais um médio, seja MC ou MO. Mas entretanto falta resolver os (muitos) casos de dispensas já pendentes e também os que venham a resultar da escolha final dos 20 jogadores do plantel A. Gostava que estivessem resolvidos até dia 27 mas calculo que não seja possível. Assim, apenas espero que no dia 27 seja apresentado um plantel A com os tais 20 jogadores mas com cabeça, tronco e membros.

Aguardemos.

23/07/2013

O tango de Valentin Viola


Continua o tango de Valentin Viola.

Ele, num assomo de saudade, confessa-se com vontade de regressar a casa; o pai apoia; o Racing vem a Lisboa; o jogador não vai ao Canadá; fica por cá e até se sai bem na Taça de Honra; entretanto o Sporting negoceia com o Racing; o Racing sai de mãos a abanar; o pai, conformado, declara que ele fica mais um ano no Sporting; os jornais declaram, ainda assim, que ele ganha demais. Todo o tom é de comovente incerteza, como o tango impõe. Veremos onde isto vai dar.

Vem isto a propósito de animada discussão que ontem mantive com um grande sportinguista sobre o meu ponto 7 do post de ontem. Escrevi eu: "A ser verdade tudo o que é dito aqui sobre o empréstimo de Viola, aplaudo a medida: os salários são suportados pelo Racing, que "paga" no mínimo 350k (não será propriamente um pagamento mas antes um desconto no valor que devemos) e fica com uma cláusula de opção de compra. Para os que confiam no futuro do rapaz, teria obviamente interesse saber o valor desta cláusula de opção."

O meu interlocutor contestou o meu apoio à medida, fundamental e resumidamente, pelo facto de considerar Viola, de entre as opções atualmente disponíveis, o melhor AV que o Sporting tem neste momento (considerando, apenas, os que estão atualmente a realizar a pré-temporada, seja no Canadá, seja em Lisboa).

Não obstante, seja em concordância ou discordância relativamente a esta afirmação, a verdade é que não me pronunciei sobre esse tema.

Pela minha parte, distingo o tema em dois momentos: a decisão "desportiva" relativamente ao papel de Viola no Sporting 2013/2014 (deixo o "desportiva" entre aspas porque, efetivamente, o termo é redutor - uma decisão num clube profissional, ainda para mais na nossa situação, raramente é baseada em aspetos meramente desportivos) e a solução quanto ao destino do jogador, após a decisão "desportiva".

O meu comentário de ontem diz respeito, apenas, ao segundo momento, o da solução encontrada. Mas quanto ao primeiro - a decisão "desportiva" - quero dizer que não me choca que Viola seja tido como um elemento a emprestar. Basta que, no diálogo entre estrutura e treinador, se antecipe que a utilização do jogador será escassa para fazer, também por antecipação, uma relação entre utilização e ordenado que conduza à possibilidade de empréstimo (desde que o clube de destino suporte esse ordenado).

Obviamente que esta última apreciação (feita de forma algo "rudimentar") se baseia, também, na especulação relativamente ao "alto" ordenado do jogador, mas essencialmente (e aí dou razão ao meu interlocutor) no facto de, no aspeto meramente desportivo (agora sem aspas), não ter relativamente ao Viola a fé que muitos têm.

Com efeito, e sabendo que tocava num ponto fraco meu, às tantas o nome de Carrillo veio à discussão. E fiquei a pensar que se esta decisão fosse tomada relativamente a Carrillo, eu certamente reagiria em discordância. Mas, no tal segundo momento, o da solução encontrada (que, afinal, parece ter caído por terra quanto a Viola), provavelmente perceberia a decisão. Ou seja, se se tratasse de Carrillo, provavelmente diria que a decisão de dispensa era um desastre mas, como dizia ontem, a solução encontrada poderia não ser má de todo "se percebesse que o Carrillo (i) não contava (ii) ganhava demais, e ainda que (iii) devíamos parte do valor da transferência e (iv) só o seu clube de origem o valorizava ao ponto de cumprir os meus pressupostos financeiros".

Um pouco à imagem da minha resignação quanto à saída de Matias Fernandez: eu admirava imenso o jogador mas, face ao ordenado que Matias pretendia e estando a 1 ano do final do contrato, mesmo considerando a decisão "desportiva" desastrosa, acabei por me conformar com a solução encontrada.

Claro que estamos (todos) a falar sem conhecer sequer metade dos detalhes da história. Mas assumindo que o ordenado é alto e que se antecipa que a utilização do jogador na equipa A seja escassa, aceito a decisão "desportiva" e concordo, apesar de tudo, com a solução que ontem estava em cima da mesa. Tinha já dito antes ao meu interlocutor que entendia que o melhor para Viola seria o empréstimo a um dos clubes da Liga que não jogue apenas para não descer. Mas a verdade é que nenhum destes clubes (i) nos paga o que quer que seja pelo empréstimo (poderíamos no limite assegurar uma preferência sobre um jogador, por exemplo, o que no futebol português vale zero como se viu no caso Ghilas) e/ou (ii) suporta integralmente o salário do jogador. E tudo isto, na nossa situação financeira, tem obviamente que ser ponderado.

Isto dito, entendo que temos que aceitar, nas atuais circunstâncias, que num caso ou noutro o interesse financeiro imediato se sobreponha ao crescimento desportivo do jogador. Podemos cometer alguns erros, claro que sim, mas temos que tomar as decisões agora

Isto, obviamente, não se aplica ao caso Bruma. Claro que poderão dizer que considero a gestão do caso Bruma um disparate e aceito a decisão neste caso porque no Bruma todos concordamos com o potencial do jogador e aqui, pelos vistos, discordamos (o que reconduziria tudo novamente à questão "desportiva"). Mas não é esse o ponto, o ponto é que, nesta nossa fase tão complicada, os sacrifícios (acima de um determinado limite) em nome do desenvolvimento de um jogador têm que ser a exceção e não a regra. O Bruma (por inúmeras razões) é a exceção, os restantes a regra. Pelo Bruma valia a pena ultrapassar limites, pelos restantes (entendo que) não. O crescimento desportivo do Viola pode ter que ser sacrificado. E, em meu entender, temos que aceitar viver com isso.

Em suma, aceito qualquer decisão que seja tomada relativamente à integração ou dispensa de Viola, assim como aceitaria uma decisão de empréstimo ao Racing no pressuposto de que os argentinos suportariam o salário e aceitariam reduzir a dívida que mantemos para com eles. Se ficar, obviamente, desejo que as minhas dúvidas quanto ao jogador se transformem em certezas quanto à sua qualidade.

22/07/2013

Rápidas

1. Mais uma vez, os jogadores do Sporting que ontem alinharam na final da Taça de Honra mostraram que a camisola não tem um B nas costas. 3-3 no final, vitória nos penalties. Ganhar assim revela sempre sorte, é verdade, mas aqueles jogadores mantiveram um empenho exemplar e uma atitude fantástica até ao fim do jogo. A sorte procura-se... E eles fartaram-se de a procurar. Mereceram muito aqueles festejos no final.

2. No Canadá, mais um jogo sem transmissão televisiva. Novamente 3-3 no final, o Sporting ganhou novamente nos penalties. A avaliar pelos comentários às prestações dos jogadores, há muito por fazer, essencialmente ao nível defensivo, onde parece que os reparos às prestações de Jefferson e Maurício são unânimes. Entretanto, Welderson está a caminho para ser opção a Cedric. Espero, sinceramente, que BC e Inácio expliquem muito bem porque se desfizeram de Arias para ir contratar este jogador.

3. Uma nota para a "sorte" de BC - vai sair "ileso" da desorganização total que foi esta última semana porque o Sporting ganhou ao Benfica B e porque ganhou dois jogos nos penalties. É claro que um "resultadista" como eu não pode deixar de dizer que, ainda que a estratégia fosse má (e era), acabou por sair melhor do que a encomenda. Mas evitemos repetir no próximo ano. E entretanto amanhã é dia 23 e (penso eu) fica concluída a entrada da Holdimo no capital, o que permite recuperar percentagens de passes e anunciar transferências de jogadores. Melhor alinhamento (para BC) era impossível.

4. Montero chegou discretamente a Lisboa. Finalmente algo feito com discrição.

5. Faltam 5 dias para 27 de Julho e continuo sem ver o que vai acontecer ao "Quinteto Maravilha": Evaldo, Boula, Onyewu, Pranjic, Bojinov.

6. Até o levo à Galiza e pago uma mariscada ao rapaz e a quem quiser vir comigo...

ADITAMENTO:

7. A ser verdade tudo o que é dito aqui sobre o empréstimo de Viola, aplaudo a medida: os salários são suportados pelo Racing, que "paga" no mínimo 350k (não será propriamente um pagamento mas antes um desconto no valor que devemos) e fica com uma cláusula de opção de compra. Para os que confiam no futuro do rapaz, teria obviamente interesse saber o valor desta cláusula de opção.

21/07/2013

Obrigado miúdos e... "obrigado" Benfica


Agradeço aos "miúdos" (eles que me desculpem esta expressão, que nada tem de pejorativa) pelo empenho e pela forma como ontem se exibiram (há ali uma jogada na primeira parte, que Esgaio acaba por desperdiçar, com um "cheirinho" muito agradável a bom futebol  - creio que é mesmo a jogada que dá origem ao canto do 1º golo). Houve ali vários que quiseram demonstrar que aquele equipamento é do Sporting e não tem nenhum B nas costas (Viola incluído, ele que está de saída mas deu o que tinha - e que contraste com Jeffren...).

Quanto ao Benfica, tendo em conta o leque de jogadores disponíveis, apresentou um misto de suplentes com equipa B. O Hélder diz que não houve "acordo de cavalheiros" o que mais reforça o meu "agradecimento": o Benfica tinha aqui a oportunidade de espezinhar os jovens que ontem se apresentaram com a camisola do Sporting e abdicou de o fazer. Só não deixo cair as aspas nos agradecimentos porque estou com a sensação de que há aqui algo que me está a escapar...

Hoje temos Sporting-Estoril e Sporting-Peñarol mas parece que este também não vai ser transmitido (ao que chegámos...). De qualquer forma, muito embora tivesse mais curiosidade em ver o segundo (obviamente), a avaliar pelos relatos do jogo com o Kitchener, fico com a sensação de que verei melhor futebol se me ficar pela Taça de Honra...

18/07/2013

Confissão

Tenho uma confissão a fazer: aqui há uns dias, em animada discussão com um amigo, defendi que esta pré-temporada não estava tão mal organizada quanto a estavam a pintar.

Na altura, recorri à pré-temporada da época passada que quase não gerou contestação (a não ser pelos fracos resultados - mas eu estou agora a referir-me à organização e não aos resultados) para criar um paralelo e chegar à conclusão de que, efetivamente, a deste ano até seria mais exigente.

A minha argumentação era, mais coisa menos coisa, a seguinte:
- no ano passado começámos com uma equipa de amadores; este ano era para ser com o Beira-Mar (que desmarcou) e passámos para o Tourizense - testes, digamos, equivalentes;
- depois jogámos com o Charlton e com o Sheffield, este ano é verdade que temos um segundo teste contra amadores (Kitchener) mas incluído num pacote em que há também o jogo com o Peñarol (adversário de respeito) e em que, certamente, o Sporting receberá alguns €€€;
- depois tivemos um triangular no Restelo (com jogos de 45 minutos) contra Belenenses e Atlético (ambos da II Liga no ano passado), este ano defrontamos um Belém de I Liga (já explico o sublinhado);
- no jogo de apresentação tivemos o St. Etienne, este ano teremos a Real Sociedad;
- no torneio 5 Violinos tivemos o Olympiakos, este ano teremos a Fiorentina;
- no ano passado fizemos o Colombino, em que defrontámos Getafe e Tetouan (clube marroquino), este ano temos o Guadiana, contra Braga e um adversário ainda desconhecido (mas que, pela tradição do torneio, não deverá seguramente ser uma equipa de coxos).

Em suma, uma organização semelhante, mas com adversários mais exigentes (na minha opinião).

Como já perceberam, assumi que o jogo do dia 20 era contra o Belém. Só depois me apercebi, no Sporting Autêntico, de que, no dia 20, o jogo seria contra o Benfica. O que obviamente não é bem a mesma coisa, como muito bem reforçou o Cantinho do Morais nos últimos comentários ao meu post de ontem.

O que dizer disto? Simplesmente que é incompreensível. Parece-me inaceitável que um jogo contra o grande rival seja tratado desta forma. Não só porque a competição e o rival merecem um respeito que, a meu ver, o Sporting não está a demonstrar (sim, o rival Benfica merece todo o respeito do Sporting) mas também (sendo pragmático: essencialmente) pelos motivos que o Cantinho já referiu nos citados comentários - o Sporting pode pagar um preço muito elevado por esta "distração".

Obviamente que percebo que partir o plantel em 2 (por exemplo 10 A e 10 B no Canadá, 10 A e 10 B por cá) comprometeria a criação de rotinas, espírito de grupo, etc. Basta pensar que o treinador é só um e não poderia obviamente estar presente nos dois locais. Mas a solução encontrada parece-me francamente infeliz.

Note-se que, ainda que fosse contra o Belém, creio que também este adversário mereceria o respeito de nos apresentarmos com um 11 condigno e não, como sugere A Bola, uma manta de retalhos a cumprir os mínimos olímpicos do regulamento, com 2 mais do que prováveis dispensados (Jeffren e Pranjic), 1 provável emprestado (Viola) e 5 jogadores da B (João Mário, Esgaio, Betinho, Fokobo e Rubio). Isto para não contar com Evaldos e outros que tal, também com guia de marcha há muito carimbado. E estas são as principais figuras, atenção. A baliza, por exemplo, pertencerá a Golas, que nem um jogo fez pela equipa principal (e se Golas se lesiona nem imagino quem vai assumir a baliza).

Sendo contra o Benfica, mais mu custa compreender esta ida ao Canadá.

Confesso, pois: não me tinha apercebido de nada disto. Se me tivesse apercebido, jamais faria a defesa desta pré-temporada que, dê lá por onde der, tem esta nódoa na sua organização.

PS: preocupa-me que apenas ganhemos ao Kitchener por 2-1; mas preocupa-me muito mais que tenhamos estado a perder durante 70 minutos com uns amadores canadianos. Amadores + canadianos. Sem comentários.

Red Pass pago, esperança renovada

E depois de uma época como a anterior, não está a ser fácil ficar novamente empolgado com o futebol. Talvez por isso os posts sobre as “camisolas berrantes” tenham tirado também um período sabático. No entanto, o red pass está renovado! Não havia como largar o lugar que é meu desde que este estádio foi construído. A convicção de que é para os bons e maus momentos, a esperança imutável de que a época que se avizinha vai ser nossa assim como o privilégio de partilhar as alegrias e tristezas com bons vizinhos de bancada, só podiam levar a mais um contributo para os cofres da Luz (nem sempre devidamente valorizado por quem o recebe…).

Ainda não consegui ver nenhum jogo desta pré-época, mas acredito que nesta fase também pouco importa. Seria mais uma curiosidade de ver o toque de bola e as movimentações das novas contratações do que outra coisa. Dos onze iniciais que tenho visto, parece que já temos uma óptima novidade: deverá ser esta época que Jesus finalmente abdica dos dois avançados! Quem acompanha este Futebol a 3 sabe bem o quanto eu defendo esta opção. Certamente que a saída de Cardozo contribuirá para esta opção mas outros factores como o desgaste da equipa ao longo da época, capacidade de controlar a bola, competitividade contra equipas de maior dimensão e solidez defensiva poderão entrar em linha de consideração. Por outro lado, será um sinal de que ainda haverá uma réstia de esperança para a conhecida teimosia de Jesus.


Quanto ao plantel, já é outra história. Com o andar da carruagem, iremos repetir os erros da época passada com mais um plantel desequilibrado e a arriscar as necessárias vendas ao encerrar das janelas de transferências, agravando ainda mais os desequilíbrios (Matic e Enzo serão aqui os principais riscos). Fazendo uma análise da frente para trás:

- Lima e Rodrigo deverão alternar na posição de ponta de lança, restando saber quem será o 3º homem caso nenhum dos recém-chegados como Markovic e Djuricic possa também fazer esta posição;

- No meio campo avançado (alas e 10), quantidade e qualidade para todos os gostos. Mesmo com uma hipotética venda de Gaitán ou qualquer outro, há opções de qualidade para garantir a devida rotatividade pois a polivalência também existe. Para 3 posições temos Gaitán, Djuricic, Farinã, Markovic, Sulejmani, Salvio e Ola John (Urreta só acredito que fique se um dos outros for vendido);

- No meio campo de trabalho e para duas posições, apenas temos duas opções de qualidade (Enzo e Matic) já que as restantes opções dificilmente estarão à altura para manter o nível dos titulares num jogo de elevada exigência como por exemplo os da Champions. André Gomes, Amorim ou André Almeida não dão (ou ainda não dão) as devidas garantias. Para algo tão evidente na época passada, diria mesmo que era a segunda lacuna mais gritante depois do defesa esquerdo, não percebo como se investe tanto noutras posições e nada para estas;

- Nas laterais estamos melhor depois da contratação de Sílvio que pode jogar em qualquer dos lados. Maxi continua disponível para a direita e gostaria de ver Cancelo a ter algumas oportunidades e no lado esquerdo fomos buscar um Cortez ao refugo do São Paulo (pelo menos na época em curso) mas que já chegou a prometer em temporadas anteriores. Esperava uma aposta mais forte para este lugar mas pode ser que seja melhor que o esperado;

- Para o centro da defesa, um Lisandro para substituir Garay (nunca vi jogar), uma aposta interessante em Steven Vitória e Jardel como  4º jogador para a posição enquanto o sérvio deverá ser emprestado. Apesar dos golos que temos sofrido nesta pré-época, não é por aqui que me preocupo;

- Na baliza o “Artur-que-se-meteu-com-a-gaja-errada” deve continuar como titular e esperamos que agora de cabeça limpa e à prova de erros em jogos decisivos (sim, fiquei desconfiado do brasileiro nesta última época) e um Paulo Lopes para o banco já que Oblak decidiu fazer o papel de Bruma da Luz (mesmo se não inventasse, o mais aconselhável seria continuar com os empréstimos para acumular experiência).

Para já, é isto mas falta ver uns jogos mais a sério e esperar pelas várias novelas das transferências. Só mesmo o Pinto da Costa é que percebe que, já que o mercado está maluco e andam para aí muitos milhões a arder nos bolsos de milionários, é preferível aproveitar e despachar logo as coisas, encaixar uma brutalidade em vendas mas ter uma pré-época em que o treinador sabe com o que conta para o resto da época.

17/07/2013

27 de Julho

27 de Julho é a primeira data de balanço para Bruno de Carvalho e Inácio (a segunda data é 31 de Agosto).

A 27 de Julho, data do jogo de apresentação, os adeptos esperam que estejam reunidos os 20 jogadores que formarão o plantel 2013/2014, sujeito apenas a  alguns retoques. Por "retoques" deve entender-se:
(a) propostas (de transferência) irrecusáveis; ou
(b) contratações (i) para suprir essas transferências e/ou (ii) que efetivamente constituam oportunidades para o clube (por exemplo, se o Atletico Madrid acabar por aceitar ceder Pizzi em condições vantajosas, entendo que o Sporting deve aproveitar).

Por ora, o plantel está, em boa verdade, uma grande confusão.

Mas baseando-me em alguns indícios, nomeadamente a convocatória para o Canadá (ainda que excluindo os elementos que, em princípio, farão parte do plantel da B: Ruben Semedo, Seejou King, William Carvalho, Filipe Chaby, Zezinho, Nii Plange e Cristian Ponde), creio que podemos dar como "certos" no plantel principal os seguintes jogadores:

GR - Patrício, Boeck

DD - Cedric

DE - Jefferson

DC - Rojo, Dier, Ilori, Maurício

MD - Rinaudo, André Santos

MC - Adrien

MO - Labyad, André Martins

ED - Carrillo, Wilson Eduardo

EE - Capel, Salomão

PL - Cissé

Destes 18 jogadores, acho bastante provável a transferência ou empréstimo de algum ou alguns dos 5  que estão pintados a bold (os tais "retoques" admissíveis até 31.08 se as propostas forem irrecusáveis). Sendo realista, acho difícil que Patrício e Capel não sejam transferidos e acho pouco provável que o Sporting não encontre uma solução para Labyad que permita passar para terceiros a totalidade ou parte dos 2M€ anuais a que, diz-se por aí, o marroquino terá direito em 2013/2014.

Mas vamos admitir que a base é esta, e que no dia 27 mesmo os jogadores a bold são apresentados.

Se assim for, parece claro que serão contratados apenas + 2 jogadores até essa data: 1 MC e 1 PL. Se quanto ao PL temos insistentemente ouvido falar de Fredy Montero, já quanto ao MC tudo parece mais indefinido. Parece que o Sporting andou a tentar Josué, Rafa e Fariña, o que, pelo que li sobre os jogadores (verdadeiramente só conheço o Josué), de certa forma indicia que estamos à procura de um jogador com características ofensivas. Olhando para o nosso rival de Lisboa, eu insisto que precisávamos mais de um Enzo do que de um Djuricic, mas pelos vistos não será assim. Aguardemos.

Seja como for, a indefinição que hoje me deixa apreensivo no dia 27 tem que estar sanada. No dia 27, tem que ser apresentado um plantel com pés e cabeça e que convença os adeptos minimamente. Minimamente, repito, porque vendo os planteis dos rivais históricos percebemos claramente este ano que não temos qualquer hipótese de disputar o que quer que seja com eles.

E minimamente implica, também, que o MC e o PL não venham da equipa B. Ou seja, se o João Mário nem sequer vai ao Canadá, mesmo depois de renovar até 2018, calculo que não seja "o" elemento do MC com quem estamos a contar. Muito menos o serão o Betinho, o Rubio ou o Owusu.

27 de Julho. Faltam 10 dias.

PS: Obviamente, a 27 de Julho não quero ter a treinar à parte Evaldo, Boulahrouz, Onyewu, Pranjic, Jeffren e Bojinov. E quero que a situação de Viola esteja resolvida. Assumindo que nenhum destes integra o plantel (só a Jeffren ou Viola aceitaria o benefício da dúvida), as respetivas situações contratuais terão que estar devidamente solucionadas (ou em vias de) a 27 de Julho. Fantasmas a pairar e treinos à parte são mesmo do pior que um plantel pode ter para criar instabilidade.

16/07/2013

Ainda Bruma e o discurso de BC

Fechando (por ora) o círculo no tema Bruma, queria apenas dizer o seguinte:

1. A postura de BC, desde o início, tinha como finalidade marcar a diferença com o passado. Essa diferença era necessária e o Sporting precisava dela, doa a quem doer. BC pode ter ido longe demais por diversas vezes, mas creio que o propósito era, efetivamente, o de exibir com clareza uma marca de mudança. No entanto, num clube com a dimensão social do Sporting, é impossível pensar que as atuações e intervenções públicas não têm subjacentes lógicas políticas de conquista, conservação e reforço do poder. Seja por melhores ou piores razões (no caso do Sporting e de BC, espero, obviamente, que tenha sido pelas melhores razões possíveis). Penso que todos sabemos que o discurso de BC tinha uma fortíssima componente política, mais do que de estratégia desportiva, essencialmente relacionada com a conquista definitiva do seu "eleitorado" (que adora os sound-bytes mas, como sempre avisei, prefere bolas na baliza adversária...). Sempre aqui realcei, e mantenho, que faltou a BC procurar "ganhar" também os que não se reviam no seu discurso (nomeadamente o da campanha eleitoral) e sempre aqui assinalei, e reforço, que o discurso de BC tem características populistas (e, por vezes, divisivas). Vejo agora que alguns dos seus apoiantes o reconhecem expressamente, o que me deixa, pelo menos, com o conforto da convicção de que não escrevo o que escrevo apenas porque não me revejo na doutrina populista de BC (vejam aqui um insuspeito texto que vai no mesmo sentido daquele que eu ontem aqui escrevi - e que só li após ter escrito o meu próprio texto).

2. Isto não significa que tudo o que BC tenha feito tenha sido orientado por essa lógica populista. Pelo contrário. A forma como BC resolveu o tema Holdimo, o facto de se referir aos bancos como "parceiros", a hipoteca da nua-propriedade do estádio, o reencontro com Zahavi, etc. mostram que BC é muito mais realista do que o seu discurso indica. Como sempre, com BC, há que ler nas entrelinhas e, muitas vezes, ler o que nem nas entrelinhas está escrito. Percebo que não seja fácil, porque o discurso é de tal forma marcante que se torna difícil ultrapassá-lo ou ignorá-lo e partir para a análise fria dos factos. Mas temos todos que fazer esse esforço e essa análise. Como muito bem me alertaram há uns dias, é difícil fazê-lo quando o atual presidente, durante a campanha eleitoral, acusou um dos candidatos de ser o "candidato da banca" (ou permitiu que a acusação fosse feita a esse candidato) e depois aparece na TV a referir-se aos "parceiros bancários" como se nada fosse. Mas num país em que qualquer candidato a PM promete não aumentar impostos, assume o cargo, aumenta-os e ainda é reeleito, ficar chocado com isto é não entender que as campanhas eleitorais apenas servem para contar espingardas e não para discutir programas. É a era em que vivemos. E tentar mudar isto é tão realista quanto a tentativa de BC de tentar mudar a conduta dos empresários ligados ao futebol... Por isso, fiquemo-nos pelos factos e ignoremos o discurso.

3. E quanto aos factos, há algumas coisas positivas que já foram feitas, muito em particular a reestruturação financeira (que não está isenta de críticas mas é, em geral, positiva). Já quanto ao facto que tem sido motivo de discussão nos últimos dias, a verdade é que BC falhou claramente na renovação com Bruma. Pode ainda dar a volta, segundo parece, mas, em virtude da atuação de BC, Bruma está hoje mais longe do Sporting do que estava quando BC assumiu o cargo. Negá-lo é negar factos. E os factos são estes: quando BC entrou, Bruma estava sob contrato, supostamente até Junho de 2014 e apenas tinha feito meia dúzia (ou pouco mais) de jogos pela equipa A; hoje, Bruma alega que o seu contrato acabou e que vai prosseguir a carreira noutro clube, fez uma dúzia de jogos pela equipa A e participou num Mundial de juniores onde foi a maior figura da seleção nacional, com vários golos e assistências. Ora, se nos lembrarmos do vendaval de críticas à venda de João Pereira antes do Euro 2012 (eu próprio, que até me queria "ver livre" do jogador, critiquei o timing da transferência), não podemos deixar de estranhar que se espere pelo regresso do Bruma do Mundial para renovar com ele... Bastaria isto para se perceber que algo ia mal na estratégia com Bruma. Mas, como todos sabemos, não foi só isto. Foi todo um discurso e uma postura que complicou a relação com o jogador (em termos que, pessoalmente, considero irremediáveis - o volte-face, a suceder, será no sentido de recebermos uma indemnização mais adequada do que a que receberíamos ainda que a decisão da CAP nos fosse favorável).

4. A retirar de positivo de tudo isto: tornou-se claro para BC (pelo menos assim o espero)que esta postura não resolve todos os problemas; tornou-se claro para os radicais (também o espero) que nem todos os temas são fáceis e se resolvem com murros na mesa; tornou-se claro que gerir o Sporting é muito mais difícil do que muitos imaginavam; tornou-se claro que, à semelhança dos bancos, antes diabolizados, os empresários, na medida certa, podem ser parceiros e não inimigos. E espero que o clube seja gerido, doravante, com base nestas premissas mas, acima de tudo, com base num princípio essencial: o Sporting tem que estar acima de quaisquer discursos, posturas e ganhos de popularidade; e a defesa dos seus interesses obriga a uma flexibilidade na atuação e no discurso que não se coaduna com a alegria dos que adoram o sound-byte pelo sound-byte.

15/07/2013

Bruma

O dia de hoje, em que A Bola publica que Sporting e Bruma voltaram a aproximar-se, parece-me o ideal para tecer uns breves comentários sobre esta "novela", uma vez que o farei sem a pressão de saber que o jogador definitivamente sai so Sporting mas também sem a convicção de que fica (porque até tenho a convicção contrária).

Chamo a atenção para este texto (que só tive oportunidade de ler depois de publicar o meu último post) porque está lá dito muito do que eu ia escrever sobre este tema. Muito em particular destaco este comentário, feito pelo próprio blogger em resposta a um dos comentadores:

"O negócio tem problemas, mas só um clube forte e sem estar de mão estendida (como está o Sporting) é que pode lutar para o mudar (ou melhorar). Agora tem de jogar com essas regras."

De forma muito mais sucinta e direta, esta frase corresponde à ideia que eu tentei fazer passar neste post, ou seja, seria muita ingenuidade pensar que é o Sporting, no momento em que está, que vai mudar as regras do jogo.

Precisamente por entender que seria demasiado ingénuo tentar esse caminho, desenvolvi a tese de que, na realidade, o que BC pretendia era pressionar alguns jogadores a mudar de empresário. Mas disse também, mais tarde, que a mudança de empresário, em si mesma, não era uma vitória: seria preciso ver se os resultados obtidos pelo Sporting em consequência dessa mudança trariam mais benefícios do que prejuízos. E, aliás, quanto ao caso Bruma em particular, cedo me avisaram que a mudança de Zahavi para Baldé seria de cavalo para burro.

A meu ver, o ponto essencial é (sempre) o mesmo: as estratégias são boas ou más consoante os resultados, quer os imediatos, quer os resultados de longo prazo. Esta estratégia da direção do Sporting (fosse ela qual fosse) estava a correr mal, se nos focarmos no único caso que era necessário resolver já (ou no mais relevante, se preferirem). No imediato, correu mal porque aumentou o risco de perdermos o jogador; no longo prazo, também correu mal porque o que se pretendia que fosse um exemplo para todos os restantes poderia (pode?) acabar por tornar-se em mais um caso em que um Futre ou um Figo saem, na melhor das hipóteses, por meia dúzia de patacos (ou seja, um exemplo sim, mas nos antípodas da ideia que se pretendia fazer passar).

O que fazer? Corrigir a rota e tentar salvar o que dê para salvar. Creio (posso estar enganado) que foi o que fez Bruno de Carvalho. A ser verdade, agrada-me ver que BC está novamente sentado à mesa com Zahavi, admitindo, claro está, que tal signifique uma inversão da estratégia. A ser verdade e tendo o significado que admito, representa algo muito simples: BC, e muito bem, está a por os interesses do SCP à frente do seu ego e das suas próprias ideias. Diz-se por aí que é um golpe no seu orgulho. Pois que seja. O que eu espero de um presidente do Sporting é que perceba que o orgulho do clube é mais importante do que o seu próprio orgulho. Estava a ser demasiado fácil provocar o Sporting... Bastava uma boca na imprensa (do tipo "estão a brincar com o fogo") para o presidente logo se tornar "não-pressionável". Mas, no momento em que se encontra o Sporting, esse acabava por ser o primeiro passo para a rutura negocial. Se BC fez efetivamente este flik-flak, dá-me muito mais garantias do que as histórias da carochinha dos "irredutíveis" e outras parvoíces boas para impressionar papalvos. Dou, aliás, um exemplo: se para o SCP for importante, por qualquer motivo, reatar relações com o FCP (e os que me leram sabem que apoiei BC neste tema a 100%), espero que BC tenha o sangue-frio necessário para o fazer. Porque o clube tem que vir em primeiro lugar.

Vamos, então, aguardar mais uns dias e ver se ainda há algum coelho para tirar da cartola.

Isto dito, queria só deixar aqui mais duas notas:

1. A discussão do caráter de Bruma não faz sentido nenhum. Bruma tem 18 anos e diz que não quer ser ele a negociar diretamente. Tem o direito a estar representado nas reuniões que bem entender (acho é que deve comparecer também o próprio, mas isso é com ele e seus representantes). Bem ou mal aconselhado, a verdade é que tem quem trate destes temas por ele. Por muito que ele force ficar no Sporting, é normal que quem o aconselha lhe diga que ganha força negocial com esta jogada. Porque a verdade é que a ganha. E o tema ainda não acabou, não comecemos com os habituais comportamentos caliméricos e com os insultos a despropósito.

2. Por outro lado, um clube que contratou Labyad da forma como o Sporting o fez há um ano tem que ter cautela nas afirmações públicas e queixinhas sobre este tema. O discurso de ontem do Mestre Aurélio (vénia) não será muito diferente do discurso do diretor de formação do PSV Eindhoven. Há um ano, este último poderia perguntar se vale a pena formar. Ao que nós responderíamos "paciência, é a vida". E olhem que, sem investigar profundamente o tema, dir-vos-ia que os casos Bruma e Labyad não serão muito diferentes...

14/07/2013

15 dias em jeito de resumo

Principais novidades destes 15 dias, a meu ver muito complicados para BC e consequentemente para o Sporting:

- Bruma alega a invalidade do contrato e não integrará o plantel da próxima temporada. Uma pena que se perca um jogador como Bruma. Responsáveis? Os representantes do jogador, o próprio Bruma e a direção do Sporting. De nada vale olhar para Godinho Lopes como o único responsável. Bruno de Carvalho e Inácio tiveram tempo mais do que suficiente para resolver este tema e a verdade é que mediaticamente o tema foi gerido de uma forma que sempre gerou muitas dúvidas. É que ganhar batalhas de mudanças de empresários, por si só, não chega. É preciso que haja benefícios palpáveis para o clube. A meu ver, trata-se do primeiro grande contratempo do mandato de BC. Pode ter ganho o primeiro round com a rescisão de Bruma com Zahavi, mas perdeu agora o segundo. Veremos como fica o combate, mas convenhamos que BC e o Sporting foram ao tapete e não é certo que se levantem antes do gongo soar...

- Maurício (DC) e Cissé (PL) foram apresentados. O segundo e terceiro reforços, respetivamente, depois de Jefferson (DE). Mais duas posições necessitadas e onde se antecipava que fossem contratados jogadores. No caso de Cissé, certamente terá um competidor mais experiente pelo lugar, o tal que se destina à titularidade. Conheço mal Cissé, mas aceito a aposta neste jogador, numa lógica de rotatividade e de potenciar um jovem jogador, como já tinha dito noutro post. Quanto a Maurício, não o conheço, mas agrada-me que o Sporting esteja no 2º mercado do Brasil (ou mesmo no 3º). Já o tinha dito aqui muitas vezes: quando um grande não tem dinheiro, em vez de contratar Limas ao Braga (ou Marcos Aurélios ao União da Madeira, dando um exemplo não tão recente mas que diz mais aos sportinguistas), pode ir buscá-los diretamente à fonte. Tem é que ser muito melhor na prospeção do que todos os outros. Espero que tenhamos acertado com Maurício.

- para PL titular, fala-se insistentemente de Fredy Montero. Já tive oportunidade de ver diversos videos no youtube e há um ponto em que não engana: tem qualidade técnica. Mas chegará para jogar sozinho na frente?

- fala-se, também insistentemente, do empréstimo de Pizzi. Com a saída de Bruma, agradar-me-ia muitíssimo. Com Pizzi e Carrillo (não acredito que Capel fique) teríamos uma dupla de extremos muito interessante. Esperemos que o PL corresponda efetivamente.

- Miguel Lopes saiu para o Lyon por empréstimo. Deste legado de Godinho Lopes, sim, BC pode queixar-se. É que Miguel Lopes seria um jogador que o Sporting provavelmente transferiria por 2 ou 3 milhões. Ainda que 50% fossem para o Dragão, sempre seria 1 ou 1,5 milhões encaixados e um salário alto fora do orçamento. Com a cláusula que garante 5 milhões ao FCP, obviamente que o negócio teria que ser um empréstimo. Boa solução mas...

- ... parece que teremos que encontrar uma alternativa a Cedric para DD. É que Arias foi vendido ao PSV, num pacote que incluiu também Schaars. Se não me oporia à transferência deste último (fosse qual fosse o valor, considerando a idade, o salário, a percentagem do passe e, ainda, o valor que por ele pagámos), a do primeiro só tem um nome: disparate. Difícil de acreditar que tenha sido aceite transferir estes dois jogadores em pacote por 1,6 milhões, ainda mais quando BC e Inácio (mais este) anunciaram aos sete ventos que não estávamos em saldos. Só se queriam dizer que, na realidade, a campanha não é de desconto percentual mas de "Pague 1 e leve 2". Segundo contratempo... Quanto ao DD, por ora parece-me que a segunda opção será Esgaio. Veremos.

- nada sobre o quinteto Evaldo, Boulahrouz, Onyewu, Pranjic, Bojinov. Confirma-se que o mercado quer quem nós queremos manter e não quem queremos empandeirar.

- Ghilas assinou pelo FCP. Terceiro contratempo? Para aqueles que achavam que o Sporting iria garantir Ghilas só porque foi treinado pelo Inácio, sim. Para mim, que desde cedo antecipei que iria para FCP ou Benfica (clubes com os quais agora não conseguimos competir em termos de oferta salarial), não. Só estranho a comunicação de BC sobre este tema, pouco clara e pouco precisa. Eu, pelo menos, fiquei sem entender a história do exercício ou não exercício da preferência.

Entretanto, ganhámos ao Tourizense por 4-0 no primeiro jogo da pré-temporada. Não conta muito mais do que isso: foi o primeiro jogo da pré-temporada.

Se me recordar (ou se me recordarem) de outros temas, darei também opinião. Mas creio ter coberto o essencial. Agora, ao trabalho porque como dizia o André Martins e muito bem (novo capitão?), com ou sem Bruma, quando o campeonato começar vamos jogar com 11. Convém (digo eu) que esses 11 treinem para que nessa altura possamos dizer que temos equipa.