16/05/2013

Os deuses do futebol


Não posso deixar de questionar os deuses do futebol sobre o que teremos feito de tão grave para, no espaço de 5 dias, nos terem virado as costas e castigado de forma tão cruel. Dois jogos consecutivos com golos já nos períodos de descontos… É verdade que o golo de sábado foi bem mais doloroso que o de ontem mas não se faz tamanha desfeita em tão pouco espaço de tempo e em jogos tão importantes!


Estava um ambiente fantástico, digno de uma grande final europeia e aquelas animações pré-jogo, com o símbolo gigante do Benfica estendido no relvado, aumentaram logo os níveis de ansiedade. Já sabia que isto ia acontecer… Apesar da profunda depressão do fim-de-semana não dava como assistir a este jogo desmotivado e desiludido. E depois com o jogão do Benfica na primeira parte, tudo se agravou ainda mais!

Rodrigo foi a surpresa com a qual não concordei. No entanto, ao contrário do que li na imprensa, acho que o miúdo fez um bom jogo, segurou bem a bola, driblou, apareceu nos espaços e abriu espaços e, não fosse a escorregadela (depois da final das botas a voarem, esta foi a das escorregadelas) podia ter mesmo marcado. Face a uma defesa inglesa pouco móvel e a um David Luiz normalmente pouco disciplinado a nível táctico, Rodrigo apareceu muitas vezes na esquerda e permitiu assim que Gaitán aparecesse também no meio. Parabéns Jesus, não concordei com esta opção, mas saiu muito bem! Infelizmente, o Benfica não traduziu o bom jogo em golos. Estava tímido a rematar (Salvio e Gaitán preferiam passar em vez de arriscarem serem felizes) e com tantos passes junto da grande área, quase não se rematou de fora da área.

Depois na segunda parte, voltámos a entrar bem mas começámos a dar mais espaços. Pensava que Jesus iria reforçar o meio campo com o avançar da segunda parte e o maior cansaço mas, depois do golo do Chelsea num contra-ataque em que Torres se superiorizou aos centrais do Benfica, decidiu arriscar logo com a entrada de Lima e Ola John. Depois do empate, foi um jogo aos soluços de parte a parte destacando-se apenas um grande remate para cada lado e, para nosso desespero, mais um golo nos descontos. E nem os deuses quiseram corrigir os dois erros crassos através de Cardozo, nos últimos segundos da partida.

Notas:
- fantástico Enzo Pérez! Tem tudo para ser a nova referência dos adeptos. Uma garra brutal a defender e uma grande capacidade para transportar a bola, avançar em velocidade e decidir pelo melhor passe;
- Cardozo adora estes jogos e até parece outro jogador. Aquele golo em que estava com um braço em fora-de-jogo poderia ter feito toda a diferença;
- Já não suporto ver o Melgarejo à frente;
- André Almeida está cada vez melhor a defender;
- A discussão de Enzo Pérez no final com Jesus? Não faço ideia do que terá sido mas, se eu fosse o argentino, teria dito algo como “Ó teimoso do car#$%&, estás a ver a merda que dá colocares 5 gajos em fila na linha da pequena área?! Eu é que tenho que marcar o fdp do Ivanovic ou deveria ser o Luisão a marcar o melhor jogador do Chelsea no jogo aéreo e, entre agarrões e encostos, dificultar a acção? Não percebes que assim os gajos vêm embalados e é quase impossível para os que estão agarrados à linha, depois fazer oposição?! F”#%-SE!!!” Algo que já tinha referido aquando do jogo com o Celtic… 
- Se o Benfica deu banho de bola na primeira parte, os adeptos benfiquistas golearam os do Chelsea durante todo o jogo. Foram impressionantes e, na televisão, só ouvia os tradicionais cânticos do Estádio da Luz.


Sei que as vitórias morais são uma treta e que o que interessa são os resultados. Mas também sei o valor que sobressai de perceber que o Benfica voltou a ser grande na Europa e a diferença de jogar uma final contra o Chelsea ou contra uma qualquer equipa da segunda ou terceira divisão europeia. Há um patamar a que nunca será possível chegar pela diferença de orçamentos (Real, Barça, Bayern, United…) mas o Benfica voltou a ser grande na Europa! Depois das humilhações europeias de que todos os benfiquistas se recordam, este não deixa de ser um ponto importante. A recepção que os jogadores tiveram no aeroporto e estádio, por muito que o tentem fazer, não demonstra que somos adeptos que se contentam com pouco e que não têm uma filosofia de exigência. Demonstra apenas que percebemos a diferença entre perder e perder lutando com toda a garra e mostrando ao Mundo uma qualidade que ninguém poderá negar. E isto sim, nos enche de orgulho! Mostra também o crescimento de uma força que será cada vez mais poderosa e que não tardará a inverter por completo o ciclo de fracasso dos últimos 20 anos. Quanto a Jesus…vou deixar para mais tarde.

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