13/05/2013

Murro no estômago


Acho muita piada a quem anda a utilizar o cliché do “quem joga para o empate, arrisca-se a perder” para justificar a derrota do Benfica. No entanto, esquecem que a frase é bem utilizada quando a equipa que defende não contraria o futebol do adversário, permite jogadas de ataque e várias ocasiões de golo e depois, normalmente, acaba por sofrer mesmo o golo. Não tem nada a ver com o que se passou nas Antas! Em primeiro lugar, o Benfica não tinha, por força das últimas semanas carregadas de jogos, a mesma capacidade física do Porto. Sendo assim, não poderia arriscar enveredar por um estilo de jogo aberto, rápido, de ataques e contra-ataques sucessivos. Era suicídio! Ainda para mais, esse desgaste extremo também se iria refletir na final da Liga Europa. Por outro lado, romantismos no futebol moderno têm cada vez menos espaço. Já se esqueceram como o Chelsea venceu a última Liga dos Campeões? Precisando apenas do empate, queriam mesmo que o Benfica jogasse o jogo pelo jogo?! É claro que deveria ter conseguido mais circulação de bola e sido mais incisivo no contra-ataque mas pareceu-me que havia um receio maior em desestabilizar a organização defensiva do que em criar desequilíbrios ofensivos.

E depois?! A estratégia foi bem escolhida, a táctica bem montada e concordei a 100% com o onze inicial. E a verdade é que o Porto não conseguiu uma única ocasião de golo legal (não considero a do fora-de-jogo de metro e meio), James nunca se soltou e o Jackson nem se viu. Apenas pelo lado direito da defesa é que o Porto ia ganhando espaço a mais e foi por aqui que veio o golo. Golos que foram bastante semelhantes, resultando de tabelas ou ressaltos e muito por acaso.

Ou seja, estava tudo bem quando já para lá dos 90 minutos, um lance totalmente fora de contexto nos deu um tremendo murro de estômago e nos retirou o chão. É um remate perfeito a todos os níveis (domínio, força, efeito) que, arrisco, nunca mais será repetido pelo mesmo jogador e provavelmente poucos mais marcará pelo Porto. É uma sorte incrível… Não percebo como os deuses do futebol podem ser tão generosos com quem faz tão mal ao futebol! Até as meias finais e finais europeias que ganharam recentemente foram contra Corunha, Mónaco, Celtic e Braga!! Há quem critique Jesus por se ter ajoelhado e demonstrado tudo o que lhe ia na alma. Eu agradeço. Não suportaria ver um treinador que não sentisse pelo menos de forma parecida com qualquer adepto benfiquista. Sei que não reagiu assim pelos adeptos mas mais pelo seu ego ou objetivos profissionais mas precisava de o ver sentir aquele golpe profundo. E não o consigo culpar por este resultado. Consegui fazê-lo contra o Estoril mas não neste jogo. Mesmo quando não consigo perceber como colocou o Roderick em vez do Jardel ou Melgarejo ou mesmo a entrada de Aimar. Foi mesmo felicidade a mais para um Porto que, começo a acreditar, deve ter uma série de bruxos contratados. Muitos temiam um Benfica que fosse engolido por um Porto demolidor e voraz. Nada disso aconteceu...

Quanto à arbitragem, não teve influência no resultado graças ao falhanço de James. Achei estranho como amarelou quase ao mesmo tempo Matic e Enzo mas deixou James dar dois mergulhos olímpicos sem qualquer amarelo. Provavelmente não ia dar nada em nada mas também achei piada a ter permitido o livre para o Benfica depois do golo do Porto, ter permitido a subida de toda a equipa e depois ter terminado o jogo quando a bola ia no ar. Palhaçada à Proença…

Resta esperar que os deuses do futebol nos compensem de tamanha desfeita e têm duas oportunidades para o fazer. Tanto me dá quarta como no próximo fim de semana. Só sei que preciso sair desta depressão futebolística. Amanhã, com o aproximar do jogo já sei que boa parte dela terá passado, mesmo sabendo que há uma grande probabilidade de voltar ao mesmo ponto.

1 comentário:

  1. Análise imparcial de um sportinguista:

    1. Não me parece que, nas críticas ao JJ, esteja em causa a tática, o "jogar para empatar" ou sequer o 11 inicial. Está em causa a identidade da equipa. O Porto quando vem à Luz (mesmo o de VP) não abdica da sua identidade e da sua forma de jogar; o Benfica de JJ (e todos sabem como eu o defendo) abdicou da sua identidade no Dragão e não fez o que podia fazer para ganhar o jogo e arrumar de vez com o campeonato.

    2. No ano passado e há 2 anos (na Taça), depois de uma goleada traumática em que, precisamente, o Benfica abdicou da sua identidade, o Benfica jogou no Dragão "à JJ" e num caso empatou e noutro até ganhou. Mais do que achar que, desta vez, o Benfica perdeu porque jogou para empatar, acho que o Benfica não jogou para ganhar o jogo, quando o poderia efetivamente ter ganho. Por um simples motivo: é muito melhor do que o FCP, este ano.

    3. Tudo isto não invalida, claro, que o Benfica tenha tido um tremendo azar.

    4. Estas são precisamente as críticas que fiz ao Peseiro num jogo de má memória para mim e de boa memória para os benfiquistas. Também dessa vez não se podia dizer que "a equipa que defende[u] não contrari[ou] o futebol do adversário, permit[iu] jogadas de ataque e várias ocasiões de golo e depois (...) acab[ou] por sofrer mesmo o golo". Não foi isso que aconteceu. O que aconteceu foi que o Sporting, que era melhor, não fez tudo o que podia para ganhar. E teve o azar de sofrer um golo quase no final do jogo, num lance fortuito.

    5. Se o Peseiro e o JJ tivessem feito tudo para ganhar, poderia ter acontecido exatamente o mesmo, claro que sim. E provavelmente estaríamos hoje a perguntar "porque raio o Peseiro/JJ não se fechou cá atrás sossegadinho e aguentou o empate?". Mas o futebol é mesmo assim... A crítica a posteriori é sempre mais fácil de fazer. No meu caso, tenho, digamos, a "legitimidade" de ter dito há 8 anos precisamente o que digo hoje, pelo que até seria incoerente da minha parte não o dizer agora.

    Boa sorte para amanhã!

    ResponderEliminar