31/05/2013

Uma pausa (sem Kit Kat) para comentar os nomes de que se fala por aí (nos OCS, nos blogs e nos mentideros)

Monetti - GR que joga na II Divisão argentina e de que nunca ouvi falar antes de começar a aparecer nas notícias. Não viria a custo 0, logo não deve mesmo vir. Para 2º GR acho que faria mais sentido um jogador livre e com alguma experiência. Não gosto de jogar FM no fa3 mas o Moreira que andou pelo Swansea e pelo Chipre parece-me uma boa opção. De qualquer forma, embora eu defenda a contratação de um GR, duvido que seja contratado um.

Steven Vitória - desconheço o valor da transferência, mas parece-me que seria uma boa opção para o centro da defesa.

Rolando - nunca gostei dele, como sabem os que acompanham o Fa3, em particular os meus posts sobre a seleção. Reconheço que teria lugar no (atual) Sporting mas para entrar o Rolando no 11 (não viria para bater palmas do banco, seguramente) teriam que sair da equipa o Ilori ou o Rojo. Mesmo assumindo que o Rojo sai por motivos salariais, há que perceber que o Rolando não será muito mais barato; e tendo eu já assumido que o Ilori me surpreendeu, e muito, pela positiva, não acredito que se contratasse o Rolando para parar a evolução do Ilori. Em suma, não queria o Rolando no Sporting. De qualquer forma, parece que desistimos dele porque nos chateámos com o FCP, tudo graças ao "Caso Minorca". Obrigado Minorca.

Médio croata referido no "Fora de jogo" com um nome de tal forma marado que nem sequer merece chamada ao título - acho que não preciso de dizer mais nada...

Oussama Assaidi - não conheço, sendo do Liverpool não deve ser mau jogador. Como sabem, historicamente, o Liverpool nunca enfia barretes. Teve até o melhor jogador francês da sua geração, um tal de Sinama-Pongolle... Mais a sério, não conheço, mas o mercado dos empréstimos deste tipo de clubes que não sabe bem onde gasta o dinheiro deve ser explorado porque há ali muitos jogadores sub-aproveitados (resta saber se temos capacidade para lhes pagar os salários).

Mido - PL egípcio que não faz a espinha de um carapau vai para uns bons 6 anos. Vejo no zerozero as estatísticas do rapaz e fico a pensar que o já mencionado Steven Vitória é bem capaz de ter marcado mais golos do que este "craque" nos últimos anos...

Raul Rusescu - melhor marcador da Liga Romena, logo não temos capacidade para o contratar ou para lhe oferecer um salário que o faça virar do avesso o Steaua Bucuresti. Esquecer.

Ghilas - bom jogador, sem dúvida. É o suplente ideal para o Jackson Martinez e PdC sabe-o melhor do que qualquer um de nós. Se não quiser ser suplente, pode sempre fazer parelha com Lima no Benfica, agora que o Cardozo tem as malas aviadas. Esquecer.

Carlão - se confiássemos os golos da equipa a este rapaz, teríamos uma época semelhante à anterior, mas para pior. Qualquer clube brasileiro da 3ª divisão tem um PL de nível semelhante ou superior. OK, é um exagero. Deve haver 1 ou 2 clubes da 3ª divisão brasileira cujo PL seja pior do que o Carlão.

30/05/2013

Os "reforços", o plantel e a entrevista de BC


NOTA PRÉVIA: depois de publicar verifiquei que tinha acabado de escrever um dos meus habituais lençóis. Aos que só ultimamente me lêem, recomendo que vão alternando a leitura do post com a atualização da novela Jesus na Bola online. Um must (os papagaios vão voltando a atacar!).

1. "Reforços"

Gosto muito da palavra "reforço". Típica do jornal de pré-época, é usada para todo o jogador contratado. Mas, no seu sentido literal, só devia ser usada para os que vêm trazer algo que uma equipa ainda não tinha. Os que vêm para somar não deviam contar. Por isso mesmo, vou distingui-los no futebola3. E reforços serão apenas os que efetivamente contam.

Foi ontem apresentado o primeiro. Trata-se de Jefferson, ex-Estoril. Defesa esquerdo, assume-se que destinado à titularidade, que pertencia a Joãozinho (entretanto a caminho do Braga), de que nunca fui particular fã (embora reconheça que fez um trabalho esforçado).

Vi poucos jogos deste jogador, do que vi gostei, mas o Estoril é o Estoril e o Sporting é o clube mais difícil do mundo, como já aqui escrevi (e fundamentei) por diversas vezes. Certamente que a integração e o trabalho do treinador serão essenciais. De qualquer forma, defendi aqui dezenas de vezes que se prestasse mais atenção ao mercado nacional e isso foi feito. Obviamente que, noutras condições financeiras, o Jefferson seria um suplente do Marcos Rojo ou de outro DE (basta recordar Insua, por exemplo). Mas quem não tem dinheiro, não tem vícios. O FCP que tem dinheiro, pode ter o vício de contratar 5 jogadores no mercado nacional em que nem um só deles vá para a equipa titular. O Sporting contrata o Jefferson para titular indiscutível. É a vida. Mas não me queixo: da mesma forma que gostei do treinador contratado, gostei do lateral esquerdo escolhido.

2. Plantel 2013/2014

Parece relativamente "oficial" que o plantel terá 20 jogadores + 22 da equipa B. Não conheço suficientemente a equipa B para o exercício que gostaria de fazer (tentar construir um plantel com estes 42 jogadores), mas uma coisa me parece certa: considerando que jogam 11 e que todos terão alternativas, algumas dessas alternativas estarão na equipa B e não serão contratados jogadores para todas as posições deficitárias.

Já tinha aqui e aqui abordado, com alguma leveza (assumo-o), a construção do plantel 2013/2014. Mas há alguns pressupostos assumidos nesses meus posts que, pelo que leio nos jornais, podem não se verificar. Em particular, e considerando os tetos salariais de que se fala, estava a assumir como permanências alguns jogadores que dificilmente ficarão no plantel. Por outro lado, é normal que a reestruturação financeira negociada com a banca tenha por exigência a realização de algum encaixe em transferências.

Por isso, acho que devemos tentar pensar no plantel, neste momento, antecipando o "pior" cenário. E esse "pior" cenário é o da saída de todos os jogadores que estarão acima do teto salarial e, por outro lado, possam gerar a imediata entrada de fundos que iriam direitinhos para os bolsos dos bancos (aqui admito que a situação possa levar uma volta com o que vamos receber de transferências indiretas, como a do Minorca ou mesmo Nani, por exemplo, mas ainda assim vou trabalhar no "pior" cenário).

Uma clarificação adicional antes de entrarmos nos pressupostos: uso o termo "pior" entre aspas porque nalguns casos a saída dos jogadores, mesmo que a custo 0, não é o pior cenário: é o melhor.

Eis os pressupostos do "pior" cenário (não contabilizo valores, nem de entradas nem de saídas):

1. Saem Patrício (transferência), Miguel Lopes (transferência), Marcos Rojo (transferência), Evaldo (dispensa), Boulahrouz (dispensa), Onyewu (dispensa), Pranjic (dispensa), Labyad (transferência), Adrien (transferência), Schaars (transferência), Renato Neto (dispensa), Jeffren (dispensa), Capel (transferência), Diogo Salomão (dispensa), William Owusu (dispensa), Bojinov (dispensa). Saem, portanto, 16 jogadores, dos quais antevejo que se realizem efetivas receitas relativamente a 7. O indiano Sunil nem entra nestas contas.

2. Elias e Gelson mantêm os empréstimos até Janeiro (admito que não tenhamos custos salariais com estes dois).

3. Não são renovados os contratos de William Carvalho, João Gonçalves e Jorge Chula nem é exercida a opção por Ventura.

4. São recuperados de empréstimos Turan, Nuno Reis, André Santos e Wilson Eduardo.

5. Mantêm-se no plantel Boeck, Cedric, Ilori, Dier, Rinaudo, André Martins, Viola, Carrillo e Bruma.

6. Sobem da equipa B Arias, Zezinho, João Mário, Ricardo Esgaio e Diego Rubio.

7. Ficaria algo como isto ("R" corresponde a reforço, assinalo em parêntesis retos os que pertenceriam ao plantel da equipa B):

GR - Boeck + R1
DD - Cedric + Arias
DE - Jefferson + [Turan]
DC - Ilori + Dier + Nuno Reis + R2
MD - Rinaudo + André Santos
MC - R3 + Zezinho + [João Mário]
MO - André Martins + R4
E - Carrillo + Bruma + Wilson Eduardo + [Esgaio (?)]
PL - R5 + Viola + [Diego Rubio]

8. Conclusão: se queremos lutar pelo 3º lugar, e assumindo que saem todos os referidos no ponto 1, faltam 5 jogadores (faltavam 6 mas Jefferson já entrou). Veremos se estou enganado. Se estiver, e os lugares dos RR forem ocupados por Golas, Fokobo e um João Mário assumidamente A (não acredito que não venha um PL e um médio ofensivo), um alerta aos sportinguistas: não é pelo 3º lugar que vamos lutar, é pelo apuramento para a Liga Europa. E acho que nos devemos mentalizar disso mesmo, caso não tenhamos capacidade para um plantel muito diferente deste.

3. A entrevista de BC

Um ponto prévio: eu dou (continuo a dar) o benefício da dúvida a BC apesar de não ser um entusiasta do seu programa eleitoral e do seu estilo (a meu ver) demasiado belicista. Gosto mais de quem convence multidões com argumentos ponderados do que com sound-bytes e um discurso agressivo. Mas reconheço-lhe o mérito de ter percebido o que queriam os sportinguistas e ter mantido um discurso em linha com o que o levaria à presidência. A minha esperança sempre foi que o discurso para ganhar eleições fosse aquele mas a atuação, sem desrespeitar os grandes princípios do seu programa (caso contrário perderia a sua base de apoio), levasse em linha de conta a realidade do futebol profissional e a difícil situação do clube (nomeadamente o ambiente de crispação entre sportinguistas) quando assumisse funções.

Neste contexto, a entrevista que BC deu aos três diários foi, no mínimo, surpreendente. Eu li a versão que saiu no Record e fiquei francamente espantado com algumas declarações. É que, como já dava a entender no meu último post, mais do que ler o que BC diz, é importante perceber onde quer chegar. Com maior ou menos precisão, tenho conseguido atingir os destinatários das mensagens e os objetivos de BC. Mas, desta feita, confesso não perceber (ou não querer perceber, será isso?) a estratégia subjacente às seguintes afirmações

a) desde logo, a cruzada contra os empresários - BC diz que não quer fazer o que toda a gente faz: pagar comissões a empresários nas transferências quando o Sporting atua como comprador. Percebo a lógica de BC, um pouco "ingénua", mas percebo-a: se um jogador tem um valor de transferência de 10, porque deve o clube comprador pagar 12, sendo que os 2 a mais são comissões de intermediação e o comprador na realidade só se interessou por aquele jogador porque ele custa 10 e não 12? Que as suporte, pois, o clube que recebe o dinheiro! Pois, mas nisto BC tem que perceber que o clube que vende também está no mercado com o objetivo de realizar um determinado valor numa venda (no meu exemplo quer realizar 10). Se deixarmos o clube vendedor suportar a totalidade das comissões, será esse a queixar-se que o jogador vale 10 e quer receber 10. Ou seja, se quem vende suporta integralmente as comissões, simplesmente sobe o preço para 12. E o resultado final é igual: pagamos 12 à mesma. É o mundo dos negócios (não apenas do futebol) onde normalmente a história acaba com comprador e vendedor a rachar a comissão devida (por exemplo, comprador paga 10 + 1, vendedor recebe 10 - 1, intermediário recebe 1+1). Ou BC é um visionário e revoluciona o mundo do futebol (e não só) ou na realidade está apenas a fazer passar uma mensagem (acredito mais nesta última). Para quem? Para dentro não será porque quando nos adaptarmos à realidade e pagarmos efetivamente comissões, os adeptos vão dizer "mas e então a conversa da entrevista de Maio?". Para os empresários? Mas a esses BC terá dito isto nas reuniões que com eles manteve, precisava da entrevista para quê, se esta apenas os hostiliza? O tempo responderá a esta pergunta. Por ora, parece-me um tiro na água mas, lá está, por enquanto vou dando o benefício da dúvida a BC.

b) depois, o facto de deixar sempre subjacente nas suas declarações ("isto precisa de uma reestruturação total", "há situações inexplicáveis", "não faço negócios com FCP", etc) um tom crítico relativamente ao passado. O Sporting precisa de um discurso unificador. Chega da distinção entre "brunistas" e "lambuças". Precisamos daquele velho dichote politiqueiro do "agora sou o presidente de todos os sportinguistas". Parece valer pouco, mas vale muito. Não vale a pena recorrer sempre ao passado para salientar como tudo vai ser diferente. É completamente desnecessário por uma simples razão: os sportinguistas já disseram o que pensam do passado ao eleger BC e o seu discurso de rutura com 50% dos votos. Qual o objetivo, então? Manter o apoio de quem o elegeu? Não faria mais sentido "conquistar" quem não votou BC com um discurso de apaziguamento (sem prejuízo da famosa Auditoria de Gestão que, aliás, serviria perfeitamente esse propósito - "não volto a falar do passado a menos que tal resulte necessário das conclusões da Auditoria de Gestão")? Não entendo.

c) também o facto de criticar "entre linhas" as parcerias com empresários e fundos joga mal com o facto de ter contratado Jefferson adquirindo apenas 50% do passe. Os outros 50% são da Traffic, segundo julgo saber. O que é a Traffic senão uma empresa que atua no mercado da mesmíssima forma que empresários e fundos? E o que vai dizer BC aos sportinguistas se Jefferson for o novo Roberto Carlos e receber uma proposta milionária? Como vai explicar que apenas 50% do valor reverte para o Sporting (quando por exemplo tanto se criticou a transferência de Wolfswinkel pelo facto de termos apenas 35% do passe)?

d) outro ponto, o de referir que não estamos em saldos (ontem repetido por Inácio). Acho muito bem que se passe essa mensagem para o mercado, mas é incompatível com o discurso para dentro que vem sendo mantido de que o Sporting vai ter um annus horribilis. Porque o Sporting, não nos iludamos, dificilmente vai vender jogadores pela cláusula de rescisão. Nós, custa dizê-lo mas é verdade, não estamos nos grande mercados, como estão FCP e Benfica. O Sporting dificilmente realiza vendas de 25 e 30 milhões nos anos mais próximos. E nesses momentos como vão reagir aqueles que acreditaram em BC? Se o discurso fosse pacificador e unificador, todos estaríamos com o presidente, acontecesse o que acontecesse. Mas este discurso para agradar só a alguns leva a que, amanhã, mesmo esses fiquem perplexos quando forem tomadas as medidas difíceis. Por outro lado, se não estamos em saldos, deveríamos fazer um esforço adicional nas renovações dos contratos com os nossos putos: se não estamos em saldos (logo não vendemos barato) e não cedermos um pouco nas negociações (logo não renovamos), o Bruma em Janeiro assina por quem quiser. E se o destinatário for FCP ou SLB, de pouco vai valer que o ponham a treinar à parte ou a suplente da equipa B.

e) por fim, a assunção de que efetivamente se terá queixado a Jesualdo da prestação da equipa nalguns jogos que a equipa ganhou (boato que andou por aí e em que poucos acreditaram). Numa época "normal" de um Sporting sofrível (vamos excetuar 3 dos últimos 4 anos em que foi pior do que sofrível) o Sporting em 30 jogos ganha 18, empata 6, perde 6. Faz 60 pontos, é 3º (em princípio). Podemos dizer que numa das 18 vitórias faltou atitude. Numa época como esta em que ganhámos 11 jogos em 30, empatámos 10 e perdemos 9, apenas ganhámos 2 jogos por mais do que 1 golo de diferença (contra o último e o ante-penúltimo) e obtivemos pelo menos 4 vitórias (cerca de 1/3) nos últimos minutos... é razoável concluir que qualquer vitória foi arrancada a ferros. E Jesualdo e os adeptos sabem o quanto cada uma custou obter. Admito que os radicais achem que foi tudo muito fácil e que era possível fazer muito melhor. Mas lembrem-se qual era a nossa equipa, lembrem-se da 1ª volta e lembrem-se que não estávamos a jogar contra bonecos, os adversários também jogam. Era muito complicado fazer melhor. Mas pior do que se ter "queixado" é revelar publicamente que o fez, e nos termos em que o fez, deixando, por exemplo, André Martins, na seleção, à mercê de perguntas de jornalistas sobre "as críticas do presidente à prestação dos jogadores". Esta, então, não entendo mesmo: quem quer criticar os jogadores, fá-lo dentro de 4 paredes. Pensava que este princípio básico do futebol estava mais do que apr(e)endido por todos.

Deixo ainda uma nota final: eu apoiarei BC enquanto BC for presidente do Sporting e vir que está a fazer o melhor para o Sporting (ainda que eu possa não concordar com algumas medidas). Dou o benefício da dúvida a estas declarações que podem ter um alcance que eu, por ora, não atinjo (ou atinjo mas parece-me um "tiro na água"). E eu e os adeptos e sócios do Sporting só faremos, e quando tal for necessário, o balanço dos atos, e não das palavras, do Presidente. Quanto aos atos, até agora, e especulações à parte, tenho vários pontos positivos a assinalar na atuação do Presidente Bruno de Carvalho (estabilização do ambiente quando entrou, reestruturação da dívida financeira, celeridade no processo de contratação do novo treinador, escolha de Leonardo Jardim). Esperemos que, daqui para a frente, todos os seus atos sejam mais eficazes do que estes últimos tiros que, como já disse, caíram na água.

E força Jefferson, para mim és o melhor DE de Portugal!

PS: Zatopek, é ou não verdade que aqui o Jefferson dá uns ares do Gorbyn? É só um fait-divers, mas diz lá o que te parece... Às inúmeras fãs do Gorbyn que ainda não o conhecem pessoalmente mas se derretem só ao ler as suas palavras: "dar uns ares" não significa parecido, o Gorbyn é indiscutivelmente melhor apessoado do que o Jefferson. Só não se veste tão bem, nunca o vi com uma camisola tão bonita quanto a da foto.

28/05/2013

O que fazer com Jesus?

Nestas horas, decide-se o futuro do treinador do Benfica. Entre os adeptos, as opiniões ainda se dividem e na estrutura deverá existir uma divergência entre a corrente de Luís Filipe Vieira e a de, arrisco, Rui Costa e quase todos os outros. Já tinha feito referência à minha posição relativamente a este tema no post anterior (saída de Jesus) mas vou tentar aprofundar mais um pouco a minha opção.


Em grande parte dos atributos que um treinador deve registar, Jesus está de facto a um nível bastante elevado. Em primeiro lugar, destaco a sua paixão pelo jogo. Depois o cuidado com que prepara os jogos, estuda os adversários e prepara as diversas fases de um jogo, especialmente as bolas paradas ofensivas, as movimentações de ataque e a pressão alta enquanto há pernas. Por fim, o futebol explosivo, de ataque com que muitas vezes delicia os adeptos. No entanto, regista também poucas mas graves falhas e acho que prefiro um treinador genericamente bom do que um muito bom em muitos atributos e depois com poucas mas graves falhas. Deste lado negativo, destaco a teimosia e sobranceria. Mas vamos a casos concretos.

Na primeira época, o Benfica apresentou o melhor futebol de que me lembro. Mérito de Jesus, sem dúvida. Mas também apanhou o melhor plantel de que me recordo do Benfica. E se fizerem um pequeno esforço, vão recordar-se que o plantel foi espremido sem necessidade até quase à última gota, tendo chegado à fase decisiva da época preso por arames, falhando completamente na Liga Europa contra o Liverpool e não sendo capaz de vencer o campeonato no Dragão a jogar contra 10. Na segunda época não podia fazer nada face à grande forma do Porto de Villas-Boas mas não podia ser humilhado no Dragão, na Taça em casa, permitir que o Porto fosse campeão na Luz, acabar a tantos pontos do primeiro lugar, fazer uma Champions vergonhosa e ser eliminado pelo Braga nas meias-finais da Liga Europa. Na época passada, não podia desperdiçar uma vantagem de cinco pontos ofuscado pelo brilho da Champions e este ano, depois de fazer o mais difícil, não podia não vencer o Estoril em casa. Ou seja, o balanço é claramente insuficiente face à qualidade dos plantéis que teve à disposição. Não é ter memória curta, é recordar-me do que dizia Trapattoni “Graças a Deus que tenho o Simão” porque tinha um plantel fraquíssimo e ver o que Jesus não conseguiu potenciar. O futebol explosivo e o rolo compressor são conseguidos à custa de um desgaste físico da equipa e da aposta sistemática nos mesmos jogadores. Aprendeu um pouco com os erros mas não o suficiente como se percebeu neste final de época em que Matic, Enzo e Salvio não tiveram descanso.


Ponto positivo também o facto de ter valorizado muitos jogadores. No entanto, foi o único que teve à disposição jogadores de 7, 8, 10 e 12 milhões para valorizar. É mais fácil pegar numa promessa e valorizar do que num desconhecido e fazer o mesmo. É certo que há outros que praticamente não tiveram custos como David Luiz e Coentrão mas é tudo mérito dele? Se fosse assim, hoje o Melgarejo valeria 20 milhões e não daria apenas para safar. O argumento da valorização de jogadores entra também em conflito com a sua teimosia. Teimosia em, por exemplo, apostar sempre nos mesmos. O melhor jogador do campeonato desta época (e esta vai surpreender alguns) já cá estava a época passada. Sim, é verdade, esteve a época toda a treinar com Jesus e praticamente não jogou (não me digam que aprendeu a jogar aos 23 anos, com Jesus). Gostariam de ter visto Matic a jogar com Javi Garcia e Witsel? Também eu e que meio-campo fabuloso seria. Mas isto também colidiria com outra teimosia: jogar
com dois avançados. Tática que resulta bem com equipas que estacionam o autocarro na sua baliza ou de pouca sofisticação táctica como as inglesas e turcas, mas que não resulta contra equipas competitivas em que o exemplo mais fácil é o Porto. A estúpida substituição da época passada em que a ganhar por 2-1 tirou Aimar para colocar Rodrigo é, para mim, o
ponto mais alto da sua teimosia. Teimosia também em jogadores que qualquer um colocaria de parte como Emerson e Roberto que rebentam com qualquer objetivo e com outros que todos gostam menos ele. Nolito não é um jogador para os principais jogos mas é um excelente jogador para a rotação e para jogar contra as equipas que apenas se preocupam em defender, marcando inúmeros golos e fazendo várias assistências. Ou Urreta que nunca foi aposta e depois surpreendentemente entra para jogar uma final.

A dinâmica de vitórias que conseguiu esta época também foi assinalável, assim como o número de pontos que conseguiu. Mas na realidade, também nunca a diferença de Benfica e Porto para os restantes plantéis da liga foi tão evidente. Se olharem para todos os jogos que o Benfica fez esta época, quantos equipas poderiam dizer que tinham melhor ou mesmo nível de plantel que o Benfica? Barcelona, Porto e Chelsea? Depois, quando ganha, o mérito é sempre de alguma jogada dele mas quando perde é sempre o futebol ou não aproveitar as oportunidades ou o cansaço físico. Por outro lado, ganha uns jogos e já fala da final da Champions ou qualquer coisa do género. E o que dizer do seu comportamento no banco? Histérico, enérgico e interventivo quando está a ganhar e silencioso, resignado e imóvel quando está em desvantagem. Não faz sentido.

Também não me parece que tenha o balneário com ele. A reacção de Enzo Pérez no final da Liga Europa e de Cardozo no final da Taça, indiciam que os jogadores não confiam no seu líder. E por isso não pode ter condições para continuar. O que acontecerá se o Benfica tiver um deslize no início da próxima época? Desaba logo tudo obviamente. E mesmo que ganhe muitos jogos e chegue de novo, como ele gosta de dizer, à fase das decisões? Os jogadores vão desconfiar de novo da sua capacidade nos momentos mais importantes. Está demasiado fragilizado. Os jogadores gostam e confiam de quem sabe o caminho dos títulos, não de quem claudica quando é mais importante. E não faço a estúpida comparação de o comparar com Quiques ou assim. Estamos a falar de um treinador que está no top dos mais bem pagos, por isso tenho que o comparar com esses. Analisando o custo/benefício, é efetivamente demasiado alto. E com a desilusão tremenda desta época, não quero pensar na possibilidade de renovar o meu cativo para o ver mais uma ou duas épocas a comandar o Benfica no banco e a repetir as falhas que, apesar de algumas melhorias, voltará com certeza a repetir. O Benfica cresceu com Jesus mas não conseguirá dar o passo seguinte com este treinador ao leme.

Pesadelo completo

Nas contas dos benfiquistas, a taça já era nossa. Afinal, o fosso que separava Benfica e Porto das restantes equipas, levava a crer que a Taça de Portugal teria apenas que fazer uma curta viagem até ao Estádio da Luz. No entanto, depois de dois objetivos falhados, já vários (onde me incluo) se precaviam com algo como “Neste momento, já acredito em tudo!”. E pronto, acabámos mesmo por levar com mais um balde de água bem gelada.

O jogo não teve grande história. O Benfica dominou por completo a primeira parte, mas estava lento e por isso foram raras as ocasiões de golo. Apenas Garay e Lima estiveram em condições de marcar. No entanto, a sorte decidiu fazer uma partida ao Benfica e ainda fingiu que, por fim, estaria do nosso lado e marcámos um golo surreal. Na segunda parte, entrámos ainda mais lentos, sem pressão, abdicando de jogar à bola, e com um erro ridículo de Artur (nem falo do fora-de-jogo) e, com a sorte a assumir a sua preferência deste final de época, deu um golo de ressalto e perdemos mesmo o troféu que nos restava.

A nível táctico, não consigo criticar Jesus neste jogo. Acho que fez o que tinha a fazer. A ganhar e a sentir uma equipa cansada, decidiu reforçar o meio campo. Já com os jogadores que escolheu para os dois sistemas tácticos, já não concordei tanto:
- André Almeida para adversários com extremos fortes, contra equipas com forte capacidade no jogo aéreo, percebe-se. Contra o Guimarães, a precisar de assumir o jogo, não percebo;
- Urreta que nunca foi aposta, ser chamado a entrar numa final, não percebo;
- Aimar que mal acumulou minutos, ser chamado a reanimar a equipa, não percebo. O homem nem conseguia levantar uma bola, quanto mais a equipa;
- Tirar Cardozo que estava a fazer um bom jogo e a segurar os defesas, em vez de Lima que perdeu a forma neste último mês, só percebo se o Takuara acusou desgaste físico;
- Tirar Gaitán que era o único que conseguia desequilíbrios, só percebo caso apresentasse o mesmo tipo de queixas.

O comportamento de Jesus no banco é absolutamente ridículo. Quando está a ganhar, salta, grita, é um histérico incontrolável. Quando aos 80 minutos se vê a perder, fica imóvel e sem capacidade de reacção. Compreendo a emoção que este jogo representava para ele, mas tinha que passar outro tipo de atitude para a equipa.


Mas os principais culpados, para mim, são mesmo os jogadores. Teriam que compensar de outra forma os adeptos que os acompanharam sempre durante a época, que fizeram milhares de kms para os apoiar e que os aplaudiram e incentivaram mesmo depois de 4 duros golpes nas nossas ambições (Estoril, Porto, Chelsea e Moreirense) e que perderam horas em filas pra comprar bilhetes, escassas horas depois da mais dura derrota da época. Adeptos que assumiram uma nova cultura e que tiveram a capacidade de separar os resultados, do esforço, dedicação e infortúnio. Teriam que ter feito muito mais. Teriam que ter cilindrado na primeira parte e oferecido uma vitória e exibição robustas. Nada disso, limitaram-se a ser apáticos e a esperar que aquele golo caído do céu fosse suficiente. Não o fizeram e viram, pela primeira vez, os adeptos a reagir de forma feroz a tão fraca prestação. Nos jogos anteriores, os adeptos não reduziram o nível de exigência, apenas reconheceram quem deu tudo o que tinha.  

Confesso que não me custou assim tanto. Talvez por acreditar que, com esta derrota, Jesus não tem outra hipótese que não seja procurar outro clube. Talvez por ter gritado o que me ia na alma enquanto a equipa e treinador desciam para o túnel a escassos metros de onde estava enquanto saía do estádio. Talvez por ter sido contra adeptos de uma cidade que seguem verdadeiramente o seu clube. De certeza por não ter sido contra o Porto, Sporting ou Braga.

Cardozo não podia ter feito o que fez mas indicia bem o estado de espírito dentro do balneário. Tento adivinhar que terá dito que a culpa era dele por jogar com André Almeida e não com Melgarejo, seu companheiro de selecção, o que nem sequer é leal para com um colega de equipa…


Antes das tão faladas decisões, tinha dito que se Jesus não ganhasse dois troféus não merecia ficar, pelo que podem perceber qual acho que deva ser a decisão de Vieira. Quero fazer um post amanhã sobre este tema, mas não sei se vai a tempo da discussão pois dizem agora no telejornal da meia-noite que a decisão está por horas... 

PS: Começo a ficar em mix-feelings em relação ao homem da baliza...

27/05/2013

A comunicação de BC


Um dos pontos mais criticados na gestão do Sporting ao longo dos anos foi a comunicação. Eu próprio a critiquei aqui muitas vezes, quer apontando a falta de uma política de comunicação (boa ou má), quer assinalando o facto de ser impossível controlar tantos papagaios (eram mais do que muitos, todos a dizer de sua justiça).

Reparem que a comunicação é um pouco como o futebol: todos achamos que percebemos imenso do tema mas, na realidade, há tipos mais preparados do que outros, quer porque tiveram formação, quer porque passaram pela experiência de ter que comunicar (e obter um resultado dessa comunicação), quer simplesmente porque têm mais jeito (veja-se o caso de José Mourinho que transmite nas suas comunicações uma confiança que José Peseiro, por melhor assessorado que esteja, nunca vai conseguir transmitir).

Assim, e tal como no futebol, há matérias que parecem evidentes e outras que nos escapam. Por exemplo, é evidente que Jorge Jesus é um excelente treinador, capaz de por uma equipa a jogar bom futebol; não é assim tão evidente o porquê de ter falhado em três momentos decisivos (insuficiências físicas? desmotivação depois de duas derrotas aos 90+2? um balneário a pegar fogo como pareceu no fim com aquela reação de Cardozo? a falta de um apoio claro no anúncio da renovação?). Mas, ainda que sem o conhecimento de todos os contextos, vou arriscar um pré-balanço quanto ao que me parecem ser as ideias de BC quanto a comunicação.

O tema dos papagios abordarei depois, mais em detalhe, quando perceber que BC está efetivamente a pegar nele (parece-me que ainda não pegou totalmente, ainda recentemente o atual PMAG falou da transferência do Minorca e o antigo PMAG continua em roda livre falando do que quer e bem lhe apetece, nomeadamente divulgando salários de ex-treinadores, informação a que apenas teve acesso quando exerceu funções).

Mas podemos já tirar algumas conclusões quanto à visão de BC sobre o que deve ser a comunicação do Sporting:

1. A primeira conclusão, ainda que possa ser a menos relevante, está relacionada com a profusão comunicativa. O Sporting de BC, talvez numa tentativa de operar uma revolução ao nível da transparência das atuações dos seus órgãos executivos, faz diversas intervenções semanais, sendo que, regra geral, uma delas é através de comunicado (o que confere um tom "oficial" ao que se pretende comunicar). Aqui, acho que BC está a ir por um caminho complicado. Porque muitas vezes vai ser preciso ficar em silêncio mas os adeptos vão estar à espera que o Sporting comunique. A gestão dos silêncios é muito importante. Comunicar muito não é necessariamente transparente e não é necessariamente bom. Até porque a maioria dos comunicados emitidos, na minha opinião, foram repetindo os lugares comuns típicos do futebolês.

2. A segunda conclusão, mais relevante, é que o tom mudou. O Sporting é hoje mais agressivo, parece-me claro. O que, uma vez mais, não é necessariamente bom: os timings da agressividade têm que ser escolhidos a dedo, assim como os alvos dessa agressividade. A título de exemplo, a boca inicial dos "pássaros" devido a uma arbitragem da equipa B foi um mau começo (o timing não foi bom e o tema talvez não justificasse); da mesma forma, a boca à inteligência de "alguns jornalistas" é infeliz porque todos, em tese, se podem sentir atingidos - e o Sporting precisa (e, mais do que o Sporting, BC também precisará) de boa imprensa, ainda mais numa fase em que se sabe que estamos a desinvestir; por fim, o ataque a (mais uma vez) "alguns empresários" tem a mesma maleita. Mas com mais uns meses creio que BC aprenderá não só a gerir silêncios como também a guardar um tom mais agressivo para quando o mesmo seja necessário.

3. A terceira conclusão diz respeito à assertividade em dois temas que eu considero muito relevantes: arbitragem e relações com rivais. E aqui tenho que dizer que aplaudo as intervenções de BC, em particular após o Benfica-Sporting e agora a propósito da transferência do Minorca:

a) no Benfica-Sporting, gostei do tom assertivo e da justificação para falar sobre a arbitragem do jogo. Não estava em causa se Capela tinha errado ou não, nem isso interessava muito porque o jogo tinha acabado. Interessava salientar que nos 6 ou 7 lances mais relevantes do jogo, Capela decidira sempre para o mesmo lado. Até poderia ter acertado na maioria desses lances, ficaria sempre em causa o porquê de ter errado nos restantes. Mais: BC falou e ficou-se por ali. Quem depois alimentou o festival, se repararem, foram os paineleiros e o FCP (porque tinha interesse nisso e não por sentir as dores do Sporting, não sejamos ingénuos). BC falou, foi claro, foi assertivo mas não entrou na calimerice, nem relembrou o tema no final da época para justificar o fracasso que foi o 7º lugar.

b) no tratamento dado a PC, gostei da serenidade e do facto de não ter alimentado demasiado o tema com conversas "para radical ver" (do tipo "vamos até às última consequências, queixas à FIFA e bla, bla, bla"), percebendo que ao FCP foi deixada margem para brincar com a situação e que, na realidade, o erro foi cometido antes, e não agora, quando se fez uma transferência em que a situação não ficou devidamente precavida (aliás falou-se disto há 2 anos quando AVB saiu do FCP e ponderou contratar Alvaro Pereira e João Moutinho para o Chelski). E repare-se que BC nem isto salientou, quando lhe era fácil puxar da K7 "anti-corja" e dizer "a culpa não é do Porto mas sim do JEB". Esteve muito bem.

4. A palavra final vai para o mais importante: o conteúdo implícito às comunicações. Recordo o que Guardiola dizia a Mourinho: "na conferência de imprensa, já ganhou; agora vamos ver dentro do campo" (e na altura ganhou Guardiola). Não chega ter os aplausos dos radicais, é preciso que a comunicação corresponda a uma nova atitude. Como muito bem me salientaram hoje de manhã a propósito do "Caso Minorca", mais do que responder às graçolas de PC (e, by the way, até aqui muito bem, mais do que isto não é preciso - se PC retorquir deixemo-lo a falar sozinho), BC terá que demonstrar, nas suas atuações, que as palavras têm um conteúdo que lhes corresponde. O mesmo se aplica a todos os restantes casos. Num contexto um pouco diferente, lembremo-nos do ditado que diz que "à mulher de César não basta ser, é preciso parecer" - mas a premissa essencial é que a senhora seja a mulher de César! Ou seja, só parecer é que não dá mesmo. Por isso, BC que pondere muito bem as suas intervenções, porque se as suas atuações desmentirem os seus comunicados, vai perder margem de manobra, interna e externamente. Mesmo a sua linha radical de defesa cederá a negócios duvidosos com o FCP, por exemplo. A minha opinião, a carecer validação, é a de que, na maioria dos casos (e em particular no "Caso Minorca"), BC sabe o que está a dizer e percebe as consequências do que diz. Mas nalguns outros (como os acima citados dos "alguns jornalistas" e "alguns empresários") pareceu-me que BC estava a comunicar "para dentro" (para os sportinguistas, em particular a sua linha radical de apoio), esquecendo a consequência "para fora" (os jornalistas não gostaram e à primeira oportunidade espetam-lhe a faca).

Enfim, deixo o tema para o debate dos especialistas sem tirar, por ora, uma conclusão definitiva. Mas genericamente, e em termos puramente comunicacionais, o pré-balanço é positivo. Se BC aprender a gerir os silêncios e a moderar o ímpeto, se mantiver a assertividade não calimérica nos temas essenciais e fizer as suas atuações corresponderem ao que diz nos comunicados, creio que vamos ter um Sporting mais assertivo e a comunicar melhor. Resta o tema dos papagaios mas esse não posso exigir que seja resolvido em 2 meses.

PS - sobre as conferências de imprensa com a sala cheia de radicais apenas uma nota: se algum dia correr mal e um jornalista sair de lá com um banano nas trombas, o responsável é quem abriu as portas. Por muito que eu considere que o jornalismo desportivo em Portugal anda pelas ruas da amargura, acho que este tipo de pressão, além de contra-producente no curto prazo, pode gerar situações muito complicadas. Disto é que BC não precisa seguramente. Mas ao abrir as portas duas vezes, pode estar a gerar um problema para o dia em que as quiser fechar. Que as feche já e vá habituando a malta a ver na TV ou ler no site.

23/05/2013

A troika

Estamos na pré-pré-época de 2013/2014 e já vamos sabendo algumas coisas sobre o Sporting de 2013/2014 mas, pelo menos para mim, há muita coisa que está por perceber. Deixo para outro post o que é mais agradável à escrita e à leitura (a construção do plantel), analisando por ora o que me parece ser o estado (ainda) algo indefinido da nossa estrutura para o futebol.

É curioso que nem este post nem o meu seguinte poderiam ser escritos pelo Gorbyn ou pelo Zatopek em textos sobre os respetivos clubes (provavelmente acham que eu sou maluco por escrever sobre estes temas) mas, na realidade, os clubes deles têm duas vantagens sobre o meu:
- as estruturas, sendo distintas nos dois casos, estão perfeitamente definidas e são claras para todos os benfiquistas e portistas (no caso do Benfica poderia questionar-se o que faz Rui Costa para além de ir a sorteios e ser porta-voz na final da Taça - mas perante a qualidade do treinador, dos reforços e das exibições, o tema cai no esquecimento);
- os plantéis têm muita qualidade e precisam, normalmente, de meros ajustamentos (e mesmo em caso de transferência, sabem ambos que serão sempre por valores substanciais, pelo que a substituição dos transferidos será, em regra, devidamente acautelada).

Mas o Sporting vive um novo ciclo e estas questões, parecendo que não, são muito importantes. Se assim não fosse, ninguém diria, como tantas vezes se diz à boca-cheia, que o problema do Sporting não são os treinadores e os jogadores, mas sim a "estrutura" (esse ente que ninguém percebe muito bem o que será).

Vou, então, tentar explicar as minhas dúvidas recuando um pouco no tempo, para percebermos todo este contexto:

1. Bruno de Carvalho foi eleito por uma confortável (não esmagadora, mas confortável) maioria dos sócios votantes. Apresentava como equipa para o futebol profissional Inácio, Virgílio e o 3º elemento. Depois ainda falou de colaborações pontuais de Freitas Lobo (arre!) e Tomaz Morais. Assim, o 3º elemento passaria a ser o 5º elemento. Comentei oportunamente com amigos que poderíamos ter a sorte de ser a Milla Jovovich. Mas além da piada fácil, isto é mesmo só um pretexto para regressar à tradição de ter o futebola3 como o blog sobre bola lusitana em que mais se fala de mulheres bonitas. Adiante, portanto.

2. Não vou argumentar que esta estrutura foi decisiva para a sua vitória. Pelo contrário: Bruno ganhou por ele e pelas suas ideias de rutura (os sportinguistas estavam fartos de ouvir falar de ativos, SADs, VMOCs e precisavam de um discurso futeboleiro mais terra-a-terra). Se tivesse apresentado Chitãozinho e Xororó como dupla para o futebol, ganharia na mesma. Mas a referência ao 3º elemento como alguém que estava já no Sporting (foi aí que definitivamente eliminei a Milla que, como se recordam, demitiu-se quando percebeu que o Jubas, afinal, não era um leão verdadeiro) foi, para alguns, a certeza de que mesmo dentro da estrutura havia quem quisesse a rutura. Também não foi decisivo, mas foi relevante (não para a vitória, mas para a afirmação desse discurso de rutura que abrangia também alguém que estava já dentro do clube).

3. Com a chegada de Bruno de Carvalho ao poder, fui assinalando, também neste blog, que o próprio estava a atrasar o anúncio da estrutura para o futebol, aparentemente sem grande motivo. Na verdade, mesmo sem apresentar formalmente Inácio (que ainda treinava o Moreirense), BC podia ter esclarecido como seria a estrutura. E afastado algumas ideias que pulularam por aí sobre a integração de Freitas Lobos e outros (ainda não totalmente afastadas). Creio que tardou demasiado este anúncio, mas julgo perceber o porquê: é que, a meu ver, a sua estratégia de comunicação passava por fazer crer que Jesualdo poderia ficar e que o seu papel na estrutura estava ainda a ser discutido. Sinceramente, e mantenho-me na lógica de uma opinião pessoal e meramente especulativa, acho que desde a trica com Jesualdo na campanha, BC afastou Jesualdo como treinador. Manteve-o até final da época - e muito bem - para não gerar mais instabilidade (e BC tem grande parte do mérito, parece-me indiscutível, no ambiente mais calmo que a tomada de posse proporcionou) mas na realidade não contava com ele. Propôs-lhe, eventualmente, funções e competências que, de antemão, sabia que não seriam aceitáveis por JF. O resultado foi o esperado: a recusa de JF.

4. Isto terá sucedido a 9 de maio. O que significa que a estrutura poderia ter sido anunciada antes mas, na lógica que acima descrevi, fazia sentido esperar pelo anúncio da não-renovação de Jesualdo. Assim, a estrutura é anunciada no dia seguinte. Com a seguinte vantagem: já havia um treinador contratado, pelo que se mataram dois coelhos com uma só cajadada. BC anunciou o treinador, Leonardo Jardim, e anunciou que Inácio ficaria com a direção do futebol profissional e Virgílio com a direcção da formação. "Afastou" ainda o terceiro elemento: as funções (logística e negócios...) ficariam a cargo do próprio BC.

5. O problema foi que, mesmo após BC ter puxado o tema do 3º elemento, pouco ou nada se falou de estrutura, afinal o que os nossos OCS consideram ser o calcanhar de Aquiles do Sporting e aquilo que mais o distingue dos rivais. Estando os holofotes no treinador, as perguntas (mais do que muitas) a Leonardo Jardim sobre temas tão "interessantes" como o facto de ter saído dos últimos três clubes em circunstâncias estranhas (não vejo o que teve de estranha a saída do Braga para o Olympiakos, mas tudo bem) fizeram esquecer o que a meu ver devia ter sido perguntado:

a) Inácio e Virgílio vão integrar o conselho de administração da SAD ou serão funcionários da SAD?(isto parece irrelevante mas não é: um membro do CA da SAD sai no final do mandato; um funcionário está nos quadros e só sai por vontade própria ou despedido)

b) Qual será o papel de BC na construção do plantel e em geral no envolvimento com o plantel? Quem escolhe o treinador?

c) Qual é o grau de intervenção do treinador na preparação do plantel? Quem identifica quem falta e quem deve ser contratado?

d) Inácio e Virgílio responderão diretamente a BC? E Virgílio responde perante Inácio? Ou reportam separadamente a BC?

e) Que funções ficam reservadas a Aurélio Pereira? Reportará a Virgílio? Ou será que Virgílio vem fazer o papel de Jean-Paul?

f) Sendo verdadeira a saída anunciada de Paulo Menezes, quem ficará a liderar o scouting?

g) Quais (se alguns) os papéis de Tomaz Morais e Freitas Lobo?

h) O que raio são funções de logística e negócios???

6. E muitas outras perguntas ficaram por fazer. Não sou ingénuo: a muitas delas BC, que já se percebeu que lida muitíssimo bem com os holofotes (ainda que considere o estilo agressivo para com a imprensa contra-produtivo no curto prazo), responderia que é um assunto do foro interno do clube (alíneas b) e c), em particular). Só acho estranho que as perguntas não tenham sido feitas. Pergunto-me, aliás, se BC já tem a estrutura perfeitamente montada e organizada. Caso não tenha, tiro-lhe o chapéu: colocando Leonardo Jardim na conferência de imprensa, lançou uma bela esparrela aos jornalistas presentes, que foram atrás das habituais declarações de circunstância ("venho para ganhar" e outras do género, como se o homem fosse dizer que vinha para perder) ao invés de fazerem as perguntas que verdadeiramente interessam aos sportinguistas (pelo menos os que querem perceber como está montada a equipa que supostamente vai virar o Sporting do avesso).

Enfim, ficam as minhas reflexões e as minhas dúvidas. Fica também uma certeza: pela minha parte, seja qual for a estrutura, vou sempre ter a esperança de que será a melhor para nos levar às vitórias. Porque a paixão de um adepto funciona mesmo assim. Mas gostava, pelo menos, de perceber, dentro da minha consciência, só para o meu "eu" racional, se o modelo adotado tem pernas para andar.

Para já, tudo muito indefinido, a meu ver. Mas gostei, e muito, da escolha do treinador, independentemente de onde surgiu a ideia: como disse num comentário a um post do Zatopek, era o único de que se falava que eu considerava que já tinha pedigree suficiente para o Sporting. BC (ou Inácio) acertou em cheio. É um bom começo. Vamos ver o resto.

PS: Queria por uma foto da troika (Bruno, Inácio, Virgílio) e outra da Milla Jovovich, mas não tendo encontrado nenhuma que me agradasse desta última (a miúda está algo desgastada...), optei por não colocar nenhuma foto. De qualquer forma, sendo o post uma grande chatice para a maioria dos leitores, nenhum se poderá queixar de ter sido dolosamente atraído para aqui por uma foto da Milla.

22/05/2013

O triste final

Não há muito a dizer sobre este jogo, nem muita vontade de o fazer. Se ainda havia uma réstia de esperança, uma assistência fantástica do defesa do Paços seguida de um penalty fora da área, logo acabou com ela. De resto, jogo chato com um Benfica muito lento na primeira parte e que até permitiu que o Moreirense se adiantasse no marcador. Depois do intervalo, os jogadores lá decidiram correr um pouco e, conduzidos por um Gaitán acabado de entrar, mostraram um pouco da evidente superioridade e fizeram três golos.


Notas:
- Impresssionante como um Moreirense que precisava da vitória, mesmo quando estava empatado nada fazia pela vitória. Vão bem para outra divisão. Tenho pena que o Olhanense não os tenha acompanhado;
- Gaitán tem mais talento num dedo do que a maior parte dos jogadores desta liga no corpo inteiro. Se tivesse uma cabeça ao mesmo nível seria dos melhores jogadores da Europa. Mexeu com o jogo e o cruzamento para o primeiro golo é perfeito;
- Urreta é o único gajo que sabe marcar livres no Benfica. Mesmo nas raras oportunidades que tem, costuma assinalar boas exibições. Não só nesta época, já que na época do título também me recordo perfeitamente do jogão que fez contra o Porto. Não percebo como não teve mais oportunidades até para poupar o Salvio...;
- No post da final da Liga Europa tinha dito que Enzo poderia ser uma nova referência para os adeptos. Quando foi substituído, saiu pelo lado contrário e o jogo prosseguiu. Impressionante como, esquecendo por momentos o jogo, recebeu aplauso de pé das várias bancadas enquanto caminhava até ao banco.
- No final, apesar da desilusão, houve aplausos para a equipa. 

Bom, esperemos que o Benfica mostre o seu futebol no fim de semana e que conquiste a Taça de Portugal. Não chega para sa;
var a época mas não quero chegar à conclusão que o Universo está todo contra nós.

21/05/2013

E se a época só tivesse uma jornada, e essa jornada fosse a 30ª? Seríamos campeões!


Terminou o pesadelo que foi a época 2012/2013. Todos os clubes têm que ter, nalgum momento da sua vida, o pior momento da sua história e a sua pior época de sempre. Tenho o azar de viver nesta geração em que, para além da pior classificação de que há memória, o Sporting me dá dois jejuns consecutivos: um de 18 anos (dos quais acompanhei "conscientemente" uns bons 13 ou 14) e um segundo, sem fim à vista, mas que, na minha modesta opinião, dificilmente durará menos do que 15 anos (já vamos em 11).

Ou seja, admitindo que comecei a perceber o que era o futebol com o Mundial do México, em 1986 (embora tenha recordações do Euro 84 em França), até à presente data acompanhei de perto (e sabendo o que estava em jogo) cerca de 25 épocas desportivas nas quais o Sporting me deu verdadeiras alegrias em não mais do que 5:
- 94/95 bom campeonato, Taça de Portugal,
- 99/2000 campeonato,
- 2001/2002 dobradinha,
- 2006/2007 bom campeonato, Taça de Portugal,
- 2007/2008 campeonato fraco, mas Taça de Portugal com 5-3 ao Benfica na meia-final e bis de Tiuí (com direito a bicla!) na final contra o Porto.

Houve outras épocas positivas face às expetativas geradas, como 96/97, primeiro apuramento para a Champions quando ninguém contava, ou as boas campanhas europeias de 90/91, 2004/2005 e mesmo 2011/2012, mas na realidade a alegria dessas épocas, no final, deu em desilusão (em particular a de 2004/2005).

Mas, em suma, sem prejuízo de muitas alegrias "momentâneas", alguns jogos europeus memoráveis, muitas goleadas e vitórias nos últimos minutos e alguns títulos (em suma: mais festejos que bocejos), a maior alegria tem sido mesmo a de viver o sportinguismo com paixão em todos os momentos. Com ou sem grandes vitórias, com ou sem títulos, viver o sportinguismo e os seus valores é, por si só, motivo de orgulho, de valorização pessoal e de uma imensa felicidade. E é nisto que temos que nos focar: a paixão por este clube único não pode esmorecer pela pior época de sempre; pelo contrário, tem que sair reforçada.

O que implica viver inconformado. O Sportinguista é, na realidade, e simultaneamente, o mais leal e o mais inconformado dos adeptos. Nunca está satisfeito. Na maioria das vezes, tem razão para essa insatisfação, como agora. E tem que fazer dela - insatisfação - a mola para o próximo passo. Um passo de apoio e de paixão, mas de exigência relativamente ao lema do clube: Esforço, Dedicação, Devoção e Glória.

É nesse sentido que devemos abordar o futuro. E cá estaremos para, seguindo o lema mais bonito da história do futebol mundial, apreciar o que será o futuro. Por ora, friamente, façamos o balanço do passado.

Este ano tem que ser dividido em 4 fases:

1. O início de época (que não augurava nada de bom)

Como sabem, sou dos piores Zandingas da blogosfera. Raramente acerto uma previsão quanto a uma classificação ou à prestação de uma equipa. Ora vejam lá que tinha que acertar nesta, em Agosto de 2012:

"Enfim, não temos futebol. Sá Pinto melhorou algumas coisas relativamente a Domingos, mas houve uma em que não só não melhorou como creio que até fez a equipa regredir: em jogos contra equipas que se fecham, não há fio-de-jogo. Domingos, se bem se recordam, era criticado por não ter ganho a nenhuma equipa da primeira metade da tabela. Sá Pinto, a continuar assim, dificilmente vai ganhar às equipas da 2ª metade da tabela (aqui)".

Ora, os meus textos depois do citado transmitiam a esperança que, na realidade, não sentia. A derrota na final da taça da época passada não augurava nada de bom (atenção Gorbyn - nem eu defenderei o JJ se perder a final da Taça) e a pré-época, pese embora bem pensada quanto ao reforço do plantel (quanto às posições necessitadas), saldou-se por exibições medíocres, quer da equipa, quer dos que já cá estavam, quer dos reforços. Não havia sequer uma chamazita de esperança. Nem a veia goleadora de Wolfswinkel, nem as exibições de Carrillo, nem a afirmação de um patrão na defesa. Tudo mal. O Sporting sofria poucos golos mas jogava horrivelmente. O ponto máximo de crise foi o jogo com o Estoril, em casa, perante uma das maiores assistências da temporada em que só virámos de 0-2 para 2-2 porque o adversário ficou com 10. Depois, o jogo com o Videoton apenas demonstrou que a equipa não estava com Sá Pinto. A saída era inevitável.

2. A turbulência de Outubro e contratação de Vercauteren

Aqui, vemos agora com clareza, tivemos dois erros de Godinho Lopes:
- não se ter demitido e marcado eleições para o final da época no seguimento das saídas de Duque e Freitas;
- uma má (e demorada) escolha do treinador.

Diz o anterior PMAG que Vercauteren ganhava 120k/mês. A ser verdade, é uma loucura... Eu até defendia um treinador estrangeiro, confesso. Mas na realidade ninguém imaginava o quão mal preparada estava a equipa. Não tinha princípios básicos de jogo e o bom do Franky não foi capaz de lhos incutir. Nos primeiros jogos, alguns jogadores deram sinais de vida, mas afinal as prestações resultavam apenas da famosa "chicotada psicológica". Os resultados rapidamente voltaram ao nível anterior (ou pior: se sofrível passámos a miserável), a equipa saiu da Liga Europa e da Taça de Portugal (ainda na fase em que Oceano era interino) e em termos de futebol propriamente dito, pouco ou nada mudara. A equipa, afinal, precisava de um "back-to-basics" que dava total razão aos que defendiam a contratação de Jesualdo Ferreira.

3. O furacão AGE e a remodelação de Janeiro

Quem continuar a pensar que o tema AGE e eleições não mexeu com a equipa vive em Marte. A instabilidade era total, ninguém sabia como seria o dia de amanhã, os salários estavam em atraso, enfim, era o caos. Alimentado externamente pelos nossos inimigos e por muitos que achavam que brincar com o Sporting era a melhor forma de fazer sair Godinho Lopes. Nem se lembraram que podíamos ficar fora da Europa (ontem ouvi dizer que estava perfeitamente ao alcance... a sério: é possível perceber tão pouco de futebol e ainda assim ser paineleiro?) ou, pior, podíamos mesmo, face ao que jogávamos na altura, ter descido de divisão! Mas na altura nada disso interessava...

Há muitos responsáveis pelo clima de instabilidade então vivido, que ainda apanhou o final de Vercauteren, mas essencialmente apanhou o início de Jesualdo. Mas há dois que se destacam claramente: Godinho Lopes (que não se demitiu enquanto era tempo e passou à política da terra queimada) e o PMAG (que falou sempre demais e nunca soube ter dignidade institucional). Nos demais intervenientes, de lamentar algumas das intervenções públicas de Bruno de Carvalho que podia ter feito tudo o que fez sem, por exemplo, se ter envolvido em tricas com Jesualdo Ferreira (que se calhar precipitaram esta rutura).

Simultaneamente, no plano desportivo, o Sporting desinvestiu brutalmente. Já era Jesualdo o responsável técnico e a equipa perdia jogadores (os mais caros) dia após dia, à medida que integrava alguns da equipa B na principal. Ganhava-se em Olhão e ao Beira-Mar, mas perdia-se em casa com o Marítimo. Antevia-se a luta pela manutenção.

4. As eleições e o pós-eleições.

Com o agendamento das eleições o ambiente sossegou e Jesualdo pôde trabalhar em paz. Mérito para os candidatos (Bruno de Carvalho, José Couceiro e Carlos Severino) que não permitiram o ambiente triste das eleições de 2011 e mérito para Godinho Lopes e Eduardo Barroso que finalmente se calaram.

Jesualdo promoveu vários jogadores da equipa B e apostou seriamente em 3 deles: Dier, Ilori e Bruma. Deu confiança (e ensinamentos, demonstrados jogo a jogo) a Cedric, Rojo, Rinaudo, Capel e Wolfswinkel. Deu oportunidades sérias a Joãozinho, Adrien e André Martins. Até Miguel Lopes evoluiu claramente. A equipa subiu de rendimento (só não vê quem não quer ver) e pôde, pela primeira vez na época, lutar por um objetivo (o mais modesto pelo qual lutámos desde que me lembro): o 5º lugar.

E não fosse uma conjugação anormal (porque acima das expetativas) de resultados do Estoril e do Rio Ave, tê-lo-ia conseguido. Sempre disse que precisaríamos de 45 pontos mas que os 42 chegariam se estes dois adversários fizessem campanhas minimamente normais (tanto que considerava como adversários o Marítimo e o Nacional e não estes). Mas o Estoril, em 12 pontos possíveis nas últimas quatro jornadas, fez 10. E o Rio Ave fez os mesmos 9 que nós fizemos. E ficámos fora da Europa. Uma enorme tristeza para mim (que considero fundamental o prestígio europeu), mas um enorme alívio também: ninguém vai poder dizer "mas, apesar de tudo, estamos na UEFA". Não, meus amigos, não estamos. Batemos no fundo, só podemos subir.

Um jogador de que não falei: Patrício. Ele não passou por nenhuma das fases que acima mencionei. Ele manteve, do princípio ao fim da época, um rendimento de nível alto (no fundo, o que deveria ser sempre o do Sporting). Está muitos furos acima dos restantes e vai provavelmente sair. Espera-se que por uns bons milhões.

Uma nota especial para um jogador que, do que me recordo, fui dos primeiros a defender na blogosfera, quando todos diziam que Bojinov é que devia ser aposta (não se riam, recuem e vão ver o que digo porque era mesmo assim): Wolfswinkel. O de Aveiro e de Braga vai deixar saudades. O que falhou golos escandalosos contra o FCP, não. O que continuo a achar é que, com um bom treinador esta época, Wolfswinkel teria sido mais vezes o de Aveiro e Braga e menos vezes o que jogou em Alvalade contra o FCP. Desejo-lhe muita sorte, foi sempre um profissional exemplar e um jogador com uma postura que aprecio: sozinho, na frente de ataque, sem alternativas, sempre titular e quase sempre totalista, nunca se lhe ouviu uma só queixa. Pelo contrário, só deixou palavras de apoio e dedicação ao Sporting (à imagem de Capel que, aliás, merecerá a mesma homenagem aqui se sair). Desejo-lhe sinceramente que evolua e regresse um dia.

Nota final: bom jogo do Sporting em Aveiro a finalizar a época. O Wolfswinkel de que vou ter saudades (e não o outro que foi alternando com este), um Adrien a justificar a posição 8, depois de excelente exibição a 6, um Carrillo a nível razoável (tem que dar um salto na próxima temporada, acredito que Leonardo Jardim tire dele o melhor que tem para dar), até Boulahrouz jogou bem. Seria um bom prenúncio para a próxima época, mas entretanto saiu Jesualdo e já entrou Leonardo Jardim, numa estrutura que contará com o Presidente, Inácio e Virgílio, não sendo (ainda) totalmente claro quem faz o quê e quem manda em quem (refiro-me obviamente aos dois últimos). Mas a este tema dedicarei o próximo post.

Por ora, força Leonardo Jardim, boa sorte!

18/05/2013

O regresso do Inferno da Luz



Há alguns clubes que se destacam pela paixão e apoio que recebem dos seus adeptos. Este destaque é merecido, não pela forma como festejam as vitórias ou como se fazem ouvir quando a equipa está em grande forma, a dar espetáculo e a acumular golos, mas sim quando nos momentos complicados e de adversidade não deixam de cantar, aplaudir e incentivar. Há alguns exemplos que tenho bem presentes e que concretizam este espírito:
- o Nápoles que conta com um apoio inquestionável e que, mesmo quando desceu às divisões inferiores, não deixou de ter assistências impressionantes. Tem o record de assistência de um jogo da Série C/1 com 51 mil napolitanos nas bancadas;
- quando vejo milhares de adeptos escoceses a cantar o “You will never walk alone” com todo o sentimento e vigor, mesmo quando a equipa está a perder; 
- a Sudtribune do Dortmund que está sempre esgotada com quase 25.000 entusiastas e o próprio estádio que bate records sucessivos de assistência;
- a devoção dos turcos;
- o apoio frenético e cheio de ritmo do San Lorenzo.

Dos mais de 25 anos de constantes presenças no Estádio da Luz, apenas a espaços vivi o conhecido Inferno da Luz. Normalmente associado a enchentes, jogos com os grandes, momentos decisivos ou grandes noites europeias. No entanto, no resto dos jogos é tudo muito mais morno com uma ou duas claques bem delimitadas a cortar o silêncio e o resto do estádio mais numa postura de julgamento do que de incentivo. Só que também existiam motivos para isso. Não se pode desassociar esta postura da fraca qualidade que os plantéis do Benfica da década de 90 e 2000 muitas vezes apresentaram e que, com uma rotação exagerada de jogadores, faziam com que não existisse uma grande identificação entre os adeptos e os jogadores, sendo que a mística não era mais do que uma palavra estranha.


Face ao que tenho presenciado nas últimas épocas mas especialmente nesta temporada, penso que estamos em condições de voltar a assumir o Inferno da Luz com toda a convicção. O jogo contra o Fenerbahce, no que diz respeito ao apoio vindo das bancadas, foi dos jogos mais entusiasmantes em que estive. Foi realmente impressionante! Nesta final da Liga Europa foi ainda mais estrondoso uma vez que estava um número praticamente igual de adeptos do Chelsea do outro lado. Tal, não deixou de ser sublinhado por toda a estrutura do Benfica, dos jogadores à direcção, tendo sido óbvio para todos os que assistiram a este jogo. As várias referências que ouvi e li relativamente a este apoio, sobretudo quando os jogadores foram aplaudidos de pé no final mesmo depois de mais um golpe violento nos descontos, indiciam uma nova mentalidade. Para reforçar esta ideia, quem diria que estariam mil adeptos no aeroporto às quatro da manhã, para receber uma equipa que, nos espaço de 5 dias, deixou apagar dois sonhos da cabeça de todos os benfiquistas?

http://www.keek.com/!pR7ecab (recepção no aeroporto filmada por Salvio)

No fundo, esta recepção reforça que estaremos sempre ao lado de quem dá tudo o que tem, de quem fica com cãibras por força do enorme desgaste, de quem quer tanto como nós e de quem sofre tanto como nós e, quero acreditar, também por nós. Se nos corre da pior maneira possível e mesmo assim aplaudimos de pé e cantamos, num apoio sem reservas, quem é que consegue criticar. Simplesmente não conseguem e só podem sentir inveja. Um apoio assim, de coração cheio e à prova de tudo, transforma esta ligação num fenómeno só nosso, que não temos que explicar. Afinal só nós sentimos assim e só nós sabemos porque sentimos assim. Desde que se sinta que jogadores que dão tudo por tudo, com garra e vontade, não é o azar que nos faz esmorecer. As lágrimas que vemos são as mesmas lágrimas que deixamos cair. Sofremos o impacto, ficamos de joelhos no chão mas logo voltamos a cantar e a aplaudir, acreditando que a vitória acabará por chegar. E isto contagia a equipa. Percebem que se continuarem com o mesmo esforço e disponibilidade, o público estará sempre com eles e não os deixará desamparados. E é por isso que já se perspectiva uma grande casa para o último jogo. E que espero que para o ano, com a Benfica TV, os horários facilitem as grandes assistências. É uma nova cultura, de apoio mútuo, de ligação forte entre jogadores e adeptos. É o que precisamos. É o que queremos. É o Benfica!


16/05/2013

Os deuses do futebol


Não posso deixar de questionar os deuses do futebol sobre o que teremos feito de tão grave para, no espaço de 5 dias, nos terem virado as costas e castigado de forma tão cruel. Dois jogos consecutivos com golos já nos períodos de descontos… É verdade que o golo de sábado foi bem mais doloroso que o de ontem mas não se faz tamanha desfeita em tão pouco espaço de tempo e em jogos tão importantes!


Estava um ambiente fantástico, digno de uma grande final europeia e aquelas animações pré-jogo, com o símbolo gigante do Benfica estendido no relvado, aumentaram logo os níveis de ansiedade. Já sabia que isto ia acontecer… Apesar da profunda depressão do fim-de-semana não dava como assistir a este jogo desmotivado e desiludido. E depois com o jogão do Benfica na primeira parte, tudo se agravou ainda mais!

Rodrigo foi a surpresa com a qual não concordei. No entanto, ao contrário do que li na imprensa, acho que o miúdo fez um bom jogo, segurou bem a bola, driblou, apareceu nos espaços e abriu espaços e, não fosse a escorregadela (depois da final das botas a voarem, esta foi a das escorregadelas) podia ter mesmo marcado. Face a uma defesa inglesa pouco móvel e a um David Luiz normalmente pouco disciplinado a nível táctico, Rodrigo apareceu muitas vezes na esquerda e permitiu assim que Gaitán aparecesse também no meio. Parabéns Jesus, não concordei com esta opção, mas saiu muito bem! Infelizmente, o Benfica não traduziu o bom jogo em golos. Estava tímido a rematar (Salvio e Gaitán preferiam passar em vez de arriscarem serem felizes) e com tantos passes junto da grande área, quase não se rematou de fora da área.

Depois na segunda parte, voltámos a entrar bem mas começámos a dar mais espaços. Pensava que Jesus iria reforçar o meio campo com o avançar da segunda parte e o maior cansaço mas, depois do golo do Chelsea num contra-ataque em que Torres se superiorizou aos centrais do Benfica, decidiu arriscar logo com a entrada de Lima e Ola John. Depois do empate, foi um jogo aos soluços de parte a parte destacando-se apenas um grande remate para cada lado e, para nosso desespero, mais um golo nos descontos. E nem os deuses quiseram corrigir os dois erros crassos através de Cardozo, nos últimos segundos da partida.

Notas:
- fantástico Enzo Pérez! Tem tudo para ser a nova referência dos adeptos. Uma garra brutal a defender e uma grande capacidade para transportar a bola, avançar em velocidade e decidir pelo melhor passe;
- Cardozo adora estes jogos e até parece outro jogador. Aquele golo em que estava com um braço em fora-de-jogo poderia ter feito toda a diferença;
- Já não suporto ver o Melgarejo à frente;
- André Almeida está cada vez melhor a defender;
- A discussão de Enzo Pérez no final com Jesus? Não faço ideia do que terá sido mas, se eu fosse o argentino, teria dito algo como “Ó teimoso do car#$%&, estás a ver a merda que dá colocares 5 gajos em fila na linha da pequena área?! Eu é que tenho que marcar o fdp do Ivanovic ou deveria ser o Luisão a marcar o melhor jogador do Chelsea no jogo aéreo e, entre agarrões e encostos, dificultar a acção? Não percebes que assim os gajos vêm embalados e é quase impossível para os que estão agarrados à linha, depois fazer oposição?! F”#%-SE!!!” Algo que já tinha referido aquando do jogo com o Celtic… 
- Se o Benfica deu banho de bola na primeira parte, os adeptos benfiquistas golearam os do Chelsea durante todo o jogo. Foram impressionantes e, na televisão, só ouvia os tradicionais cânticos do Estádio da Luz.


Sei que as vitórias morais são uma treta e que o que interessa são os resultados. Mas também sei o valor que sobressai de perceber que o Benfica voltou a ser grande na Europa e a diferença de jogar uma final contra o Chelsea ou contra uma qualquer equipa da segunda ou terceira divisão europeia. Há um patamar a que nunca será possível chegar pela diferença de orçamentos (Real, Barça, Bayern, United…) mas o Benfica voltou a ser grande na Europa! Depois das humilhações europeias de que todos os benfiquistas se recordam, este não deixa de ser um ponto importante. A recepção que os jogadores tiveram no aeroporto e estádio, por muito que o tentem fazer, não demonstra que somos adeptos que se contentam com pouco e que não têm uma filosofia de exigência. Demonstra apenas que percebemos a diferença entre perder e perder lutando com toda a garra e mostrando ao Mundo uma qualidade que ninguém poderá negar. E isto sim, nos enche de orgulho! Mostra também o crescimento de uma força que será cada vez mais poderosa e que não tardará a inverter por completo o ciclo de fracasso dos últimos 20 anos. Quanto a Jesus…vou deixar para mais tarde.

15/05/2013

Isto é futebol! (ainda o FCP vs SLB)


Ainda o rescaldo do clássico...

Caros, não vos vou escrever sobre o jogo de há 4 dias. Já ninguém quer saber dos mais de 60% de posse de bola, dos golos fortuitos ou dos foras de jogo por assinalar que poderiam ter influenciado o resultado. E não vou escrever porque isso tudo não interessa nada quando comparado com os verdadeiros sentimentos que o futebol nos pode proporcionar. Sábado foi um dia feliz para uns, cruel para outros, mas dramático para todos.


Limpinho, limpinho, limpinho. Não adianta estar aqui a dizer que o jogo foi bom ou mau, que o Benfica entrou para segurar o resultado (até esteve a ganhar) e não o soube fazer. Não foi o Benfica que perdeu o jogo, foi o Porto que o conseguiu ganhar. Com uma dose enorme de drama e uma pontinha de sorte é certo. Com um golo que terá tanto de fantástico como de único, foi

capaz de unir milhares em torno de uma equipa que amam e continuam a acreditar nas suas vitórias. Do primeiro ao último minuto.

Agradeço o esforço de todos, de Helton a Jackson;  com um Moutinho GIGANTE e um irreverente Kelvin; com um Fernando que merecia uma melhor despedida do Dragão (estava a ser o melhor em campo) e com um Varela que quando penso que o devemos dispensar... ele teima em estar em foco.  

Todos demonstraram uma excelente atitude do primeiro ao último minuto, suando a camisola como se pedia.

Tivemos sorte? Sorte era aliviar uma bola e ela entrar ao ângulo, o que demonstramos foi Audácia, Coragem e Querer... e o expoente foi o remate de Kelvin! A bola com “conta, peso e medida”, empurrada por milhares, foi entrar no único espaço aberto. Foi sublime!

Por tudo o que fizemos, merecemos a vitória!


Agora o campeonato... Acessível mas não oferecido! É preciso ganhar em Paços de Ferreira, num jogo em que o resultado só nos interessa a nós, mas onde os pacenses vão querer fazer a sua festa. Espero que terminem as duas equipas em campo a festejar!



Vítor Pereira. Não existe um post portista neste blogue em que não se “carregue” sobre o teu nome, sobre as tuas capacidades ou as tuas decisões. Então que se faça a excepção à regra! Contra o Benfica estiveste bem: não inventaste no 11; a entrada do Defour (o único que poderia substituir o Danilo quando fosse preciso tirar o brasileiro para meter mais poder de fogo lá na frente) foi simples e eficaz; e tiveste a tua dose de sorte no facto de terem sido os substitutos os intervenientes do golo decisivo. Não vou ser hipócrita e chamar te “génio” (só mesmo o João Querido Manha para ter uma tirada dessas...) mas há uma coisa que irei reconhecer para sempre: és portista! Naquele minuto 91, a tua corrida, as tuas lágrimas e a tua emoção demonstraram que em nada és diferente dos mais de 50 mil portistas que estavam naquele estádio e muitos milhares espalhados pelo mundo. Quando, na minha sala, vibrava com aquele golo mágico, oportuno, libertador e glorioso algo me ligava a ti, portista Vítor. Tu choravas e eu chorava… de alegria, de emoção e de agradecimento. Por esse amor, não te esqueceremos! Só vamos esquecer as tuas substituições e conferências de imprensa.

Obrigado Futebol Clube do Porto! Obrigado por tudo!



A poucas horas de um Benfica - Chelsea desejo uma vitória dos encarnados. Boa Sorte! 

13/05/2013

Murro no estômago


Acho muita piada a quem anda a utilizar o cliché do “quem joga para o empate, arrisca-se a perder” para justificar a derrota do Benfica. No entanto, esquecem que a frase é bem utilizada quando a equipa que defende não contraria o futebol do adversário, permite jogadas de ataque e várias ocasiões de golo e depois, normalmente, acaba por sofrer mesmo o golo. Não tem nada a ver com o que se passou nas Antas! Em primeiro lugar, o Benfica não tinha, por força das últimas semanas carregadas de jogos, a mesma capacidade física do Porto. Sendo assim, não poderia arriscar enveredar por um estilo de jogo aberto, rápido, de ataques e contra-ataques sucessivos. Era suicídio! Ainda para mais, esse desgaste extremo também se iria refletir na final da Liga Europa. Por outro lado, romantismos no futebol moderno têm cada vez menos espaço. Já se esqueceram como o Chelsea venceu a última Liga dos Campeões? Precisando apenas do empate, queriam mesmo que o Benfica jogasse o jogo pelo jogo?! É claro que deveria ter conseguido mais circulação de bola e sido mais incisivo no contra-ataque mas pareceu-me que havia um receio maior em desestabilizar a organização defensiva do que em criar desequilíbrios ofensivos.

E depois?! A estratégia foi bem escolhida, a táctica bem montada e concordei a 100% com o onze inicial. E a verdade é que o Porto não conseguiu uma única ocasião de golo legal (não considero a do fora-de-jogo de metro e meio), James nunca se soltou e o Jackson nem se viu. Apenas pelo lado direito da defesa é que o Porto ia ganhando espaço a mais e foi por aqui que veio o golo. Golos que foram bastante semelhantes, resultando de tabelas ou ressaltos e muito por acaso.

Ou seja, estava tudo bem quando já para lá dos 90 minutos, um lance totalmente fora de contexto nos deu um tremendo murro de estômago e nos retirou o chão. É um remate perfeito a todos os níveis (domínio, força, efeito) que, arrisco, nunca mais será repetido pelo mesmo jogador e provavelmente poucos mais marcará pelo Porto. É uma sorte incrível… Não percebo como os deuses do futebol podem ser tão generosos com quem faz tão mal ao futebol! Até as meias finais e finais europeias que ganharam recentemente foram contra Corunha, Mónaco, Celtic e Braga!! Há quem critique Jesus por se ter ajoelhado e demonstrado tudo o que lhe ia na alma. Eu agradeço. Não suportaria ver um treinador que não sentisse pelo menos de forma parecida com qualquer adepto benfiquista. Sei que não reagiu assim pelos adeptos mas mais pelo seu ego ou objetivos profissionais mas precisava de o ver sentir aquele golpe profundo. E não o consigo culpar por este resultado. Consegui fazê-lo contra o Estoril mas não neste jogo. Mesmo quando não consigo perceber como colocou o Roderick em vez do Jardel ou Melgarejo ou mesmo a entrada de Aimar. Foi mesmo felicidade a mais para um Porto que, começo a acreditar, deve ter uma série de bruxos contratados. Muitos temiam um Benfica que fosse engolido por um Porto demolidor e voraz. Nada disso aconteceu...

Quanto à arbitragem, não teve influência no resultado graças ao falhanço de James. Achei estranho como amarelou quase ao mesmo tempo Matic e Enzo mas deixou James dar dois mergulhos olímpicos sem qualquer amarelo. Provavelmente não ia dar nada em nada mas também achei piada a ter permitido o livre para o Benfica depois do golo do Porto, ter permitido a subida de toda a equipa e depois ter terminado o jogo quando a bola ia no ar. Palhaçada à Proença…

Resta esperar que os deuses do futebol nos compensem de tamanha desfeita e têm duas oportunidades para o fazer. Tanto me dá quarta como no próximo fim de semana. Só sei que preciso sair desta depressão futebolística. Amanhã, com o aproximar do jogo já sei que boa parte dela terá passado, mesmo sabendo que há uma grande probabilidade de voltar ao mesmo ponto.

Balanço antecipado: o pior Sporting de sempre!



Deixem-me aproveitar enquanto os meus parceiros de blog não dão início às hostilidades relativas ao clássico de Sábado para antecipar um balanço que podemos desde já fazer desta época quase a terminar: trata-se da pior época de sempre do futebol do Sporting.

A palavra-chave, aqui, só pode ser uma: desastre! Sei que o Benfica já acabou em 6º e que o Porto em tempos ficou em 10º, mas não podia estar mais indiferente a tais factos históricos. A realidade é que acima de 6º não ficamos. E corremos, ainda, o risco de ficar em 10º, caso aconteça uma conjugação estranha (mas possível) de resultados. É a pior classificação de sempre, aconteça o que acontecer.

Antes de falar do momento e do jogo do Sporting, só duas notas prévias:

a) eu tinha dito aqui que o Estoril não faria 7 pontos nos últimos 4 jogos, pelo que até nos poderiam bastar 9 para ir à Europa. Ora, se a vitória no Estoril frente ao Braga era inesperada, o que dizer do empate na Luz? Só posso retirar uma conclusão: os sportinguistas são acusados de ser anti-isto e anti-aquilo, mas foram os benfiquistas a colocar em causa a vitória no campeonato só para nos impedirem de ir à Europa! Além de anti-sportinguistas, são mal agradecidos - é que o empatezito com o Porto em Alvalade não foi propriamente fácil de conquistar...

b) o golo que dá a vitória ao Estoril sobre o Beira-Mar é um escândalo. Eu sei que o Rui Rego não é um rapaz especialmente dotado para a arte de defender balizas mas, caramba, se aquilo não é falta então não sei o que será. Claro que não acredito numa conspiração para prejudicar o Sporting (ou o Beira-Mar, by the way) mas se o árbitro não viu aquilo, não pode apitar na I Liga.

Quanto ao Sporting, vamos por capítulos, muito rapidamente (porque o balanço propriamente dito farei depois):

I - O jogo contra o Olhanense

1. Mais uma vez, mesmo não jogando grande coisa, poderíamos ter goleado. Bruma falha duas oportunidades incríveis (uma delas escandalosa), Schaars outras tantas, Wolfswinkel também falhou a sua, enfim... Merecíamos não ter sofrido na parte final.

2. Continuamos a sofrer em demasia nas bolas paradas. O que justifica isto, não consigo entender. Sei que Ilori e Rojo estão cada vez melhores como dupla, mas isso não ajudou a estabilizar defensivamente a equipa. Não é só o sofrimento nas bolas paradas. É o facto de permitirmos tantas bolas paradas contra nós na fase final dos jogos. É uma das prioridades da próxima época.

3. Destaques pela positiva para Adrien (bom jogo a trinco), Capel (boa entrada e grande golo), a já referida dupla de centrais e Joãozinho, com um par de cruzamentos de qualidade. Pela negativa, Carrillo - péssimo jogo (mas parem de assobiar o rapaz, assobiem os adversários por favor!). Num destaque agri-doce, temos Zezinho - muito bem com a bola nos pés, mas fartou-se de fazer faltas desnecessárias.

4. Wolfswinkel merecia um golo na despedida. Sempre o defendi aqui, não por mero sportinguismo mas por acreditar que poderia evoluir e tornar-se um bom jogador. Não evoluíu na segunda época o que seria de esperar mas, olhando ao que foi a época, quem poderia exigir mais ao ponta-de-lança holandês? Desejo-lhe sorte no Norwich, é um grande profissional e pode ser muito melhor do que aqui demonstrou.

II - O balanço que podemos fazer por ora

1. A equipa evoluíu com Jesualdo. Não conquistou o objetivo, mas as condições de Jesualdo eram muito complicadas. Já o escrevi várias vezes, Jesualdo deveria ficar. Aliás, deveria ficar com um contrato de pelo menos 2 anos, idealmente 3 anos, com objetivos perfeitamente claros (e realísticamente acessíveis) para cada uma das épocas.

2. Como disse há pouco tempo, creio que o Sporting precisa de 6 jogadores, partindo dos seguintes pressupostos:
a) Ilori, Dier, Rojo, Rinaudo, Adrien, Labyad, Carrillo, Bruma e Capel não saem;
b) saem Patrício, Boulahrouz, Joãozinho, Schaars, Jeffren e Wolfswinkel;
c) Evaldo, Onyewu, Pranjic e Bojinov são dispensados.

3. Qualquer pressuposto não verificado implica uma ginástica (financeira e de prospeção) terrível. Em particular, espero que se consigam manter Ilori, Dier, Bruma, Carrillo e Capel. Carrillo precisa de um bom treinador e de motivação. Caso contrário, será um talento desperdiçado. Capel, nota-se, gosta de estar no Sporting. Os outros três podem ir longe e evoluir nestes 3 próximos anos. Mais do que ginástica na prospeção, é preciso ter a capacidade de perceber o custo de oportunidade de deixar sair estes jogadores.

4. Bruno de Carvalho já devia, há muito, ter definido (e anunciado) a estrutura do futebol profissional. Hoje o Record diz que Inácio vai tentar convencer Jesualdo. Parece-me bem. Até porque me parece que a inexperiência de BC nestas andanças pode ter dificultado as negociações - se tivesse definido (e anunciado) como seria a estrutura, era escusado estar a discutir na imprensa se Jesualdo quer poder, autonomia ou o que seja. Jesualdo seria convidado para o papel que lhe pertencesse na estrutura e aceitaria ou não consoante lhe agradasse, ou não, esse papel. No FCP ninguém discute autonomia; já no SLB, o treinador sabe que tem que ser mais do que treinador. A estrutura, em ambos os casos, é clara: na primeira, o presidente dita a política desportiva e a construção do plantel; na segunda, o presidente dá orientações e um orçamento e o treinador gere como se de um manager à inglesa se tratasse. Gosto mais do segundo modelo, embora reconheça que em Portugal o primeiro tem funcionado melhor. O do Sporting até poderá ser um "tertium genus" mas o verdadeiramente importante é que BC saiba qual é! Parece-me que o próprio ainda não o sabe...

5. O meu palpite? Difícil Jesualdo ficar. Aí, pergunto: quem está disponível no mercado que possa garantir um trabalho de igual qualidade? Mais um exercício de ginástica complicado para BC e sua equipa...

***

E por agora? Bem, por agora, resta-nos ganhar ao Beira-Mar para acabar acima dos 40 pontos e evitar ser pior do que 6º ou 7º...