29/04/2013

O que é Nacional é bom


Tarde agradável em Alvalade, uma boa exibição do Sporting na primeira parte, uma boa exibição do Nacional nos primeiros 20-25 minutos da segunda parte e um final de jogo completamente partido. Este é o resumo, em duas linhas, do Sporting 2 - Nacional 1 de ontem. Mas como os leitores que ainda perdem o seu tempo a visitar este blog para me ler já estão habituados aos meus textos chatos e prolixos, convirá desenvolver isto um pouco mais.

Aqui vai:

1. De facto, é muito (mais) agradável ir ao futebol à tarde. Mas ontem faltaram os óculos escuros. É que quem vê o jogo na bancada nascente tem o sol de frente até às 19h/19h30. Tendo o jogo começado às 18h, está bom de ver que os olhos só aliviaram a meio da segunda parte. Mas enfim, a lógica do sol na eira e da chuva no nabal não é filosofia de vida que eu defenda. Daí que eu mantenha que assim é muito melhor. Eu é que não posso esquecer os óculos escuros em casa! Duas notas adicionais:

a) boa iniciativa por CR7 como sócio 100.000 (estranho que ninguém antes se tenha lembrado de fazer o bicho sócio do Sporting, nem o próprio, aliás!);

b) 30.000 adeptos em tarde solarenga, a um Domingo e com ingresso livre é francamente miserável. Recordo que o Sporting-Estoril do início da época teve 35.000 pessoas. Os sportinguistas têm mesmo que adotar a lógica Kennedy e parar de esperar pelo que o Sporting pode fazer por eles: o acompanhamento de um clube, ainda mais de um clube desta grandeza, não pode estar exclusivamente associado aos resultados desportivos.

2. O Sporting terá feito a melhor primeira parte da temporada, jogando efetivamente bom futebol. Nem falo das arrancadas de Bruma (porque essas são iniciativas que dependem da qualidade de um jogador), refiro-me às diversas boas jogadas desenvolvidas, nomeadamente pelo lado direito, que demonstram um trabalho coletivo de qualidade. Nenhuma delas deu golo ou sequer uma boa oportunidade de golo porque o último passe não entrou. Mas a jogar assim o último passe vai entrar. E nessa altura o Sporting vai resolver mais cedo os seus jogos. A começar já pelo de Paços de Ferreira.

3. Muito boa a entrada do Nacional na segunda parte. Coragem de Manuel Machado na forma como foi mexendo na equipa, jogando, a partir de certa altura, praticamente num 4-2-4, com Claudemir e Moreno no meio, Candeias na esquerda, Mateus na direita e os 2 avançados Rondón e Moreira. E aqui quero insistir com alguns pontos, fazer uma marcha-atrás e aduzir uma novidade:

a) insisto que tanto Mateus como Candeias são bons jogadores e poderiam ter lugar no plantel do Sporting;

b) faço uma retirada estratégica quanto a Claudemir - quase sempre o vi atuar no meio-campo, onde foi estando bem (ontem também esteve bem), mas como defesa direito foi um buraco;

c) acrescento que também Mário Rondón teria lugar no nosso plantel (parece-me um ótimo avançado).

4. O final do jogo foi um jogo do tipo anos 50/60. Ambas as equipas queriam ganhar, ambas as equipas arriscaram tudo. O Sporting por necessidade, o Nacional por falta de alternativas (MM já jogava no tal 4-2-4 e tinha feito as 3 substituições). A senhora que assiste aos jogos ao meu lado disse-me, com um ar cabisbaixo "Não acredito que vamos empatar isto...". Respondi-lhe: este jogo não acaba empatado, da forma como está partido ou ganhamos ou perdemos, mas empatar não empatamos. E em bom machadês o técnico do Nacional deu-me razão no final: o jogo partiu, quem marcasse ganhava. Marcámos nós, ganhámos. E ganhámos porque o Nacional arriscou tudo para empatar o jogo e ficou com um meio-campo claramente deficitário. Jesualdo aproveitou bem, desceu Bruma para defesa direito, pôs Viola a cavalgar o flanco esquerdo e convenhamos que marcámos um golo mas até merecíamos marcar mais do que um. Segundo se diz hoje, o nosso golo é em fora-de-jogo. No estádio, não dei por ela. Na TV também não (nos resumos que vi). Mas estou seguro de que, à milésima repetição hoje no "Dia Seguinte", o insuportável Gomes da Silva vai chegar à conclusão que o Sporting, afinal, é levado ao colo. Adiante.

Notas finais para alguns dos nossos jogadores:

Rojo/Ilori - a dupla tremeu na segunda parte, mas foi aguentando o que pôde. Apesar de algumas desconcentrações, Ilori esteve bem (faz um corte simplesmente magnífico pouco antes do nosso golo), e o próprio Rojo fez um bom jogo. Marcou um golo que, a ter surgido numa fase anterior da temporada, poderia ter motivado este jogador para uma época bem melhor. Não esquecer que é um puto, mais um. O que é Nacional é bom, mas há outros jogadores, não Nacionais, que podem fazer parte do nosso futuro. Não nos esqueçamos destes.

Capel - o melhor em campo, fez dos melhores jogos que lhe vi fazer desde que chegou ao Sporting e seguramente o melhor desta temporada.

Bruma - faz duas assistências para golo, tem um lance infantil que original o golo do Nacional, mas acima de tudo melhorou muitíssimo a prestação (ofensiva) relativamente ao jogo da Luz pelo simples facto de ter sido objetivo nas suas ações - não se limitou a conduzir, fintar, desmarcar, fê-lo com objetividade na maioria das vezes (o que nem sempre significa que saia tudo bem, como é óbvio). Embora a plateia tenha adorado um lance em que fintou 3 tipos e perdeu a bola dando origem a um contra-ataque adversário, eu continuo a preferir os lances em que fintando apenas um, ou não fintando ninguém, consegue com a sua ação causar um efetivo desequilíbrio na defesa adversária.

Labyad - sinceramente, não dá para perceber a desmotivação deste jogador. Um talento como André Carrillo anda a ser desperdiçado mas, caramba!, festeja os golos no banco como se fosse um titular indiscutível. Labyad parece alheado de tudo. Mas é ele que vai merecendo oportunidades. Se é verdade que está previsto no seu contrato 2M€/ano a partir da próxima época, convenhamos que não estamos em posição de esperar que se faça bom jogador. Infelizmente é mesmo assim. Podemos esperar que Carrillo se faça jogador, mas não podemos esperar por Labyad. Por isso pergunto: porque não dar uma oportunidade ao talentoso peruano enquanto se prepara a venda ou empréstimo do marroquino?

Viola - o absoluto contraste com Labyad. Nunca fui apreciador deste jogador (continuo a não ser), mas em termos de atitude nada tenho a apontar. Entra motivadíssimo e mexe com o jogo só pelo facto de atacar o jogo com motivação, garra, vontade. No fundo, dá o litro. Se tem ou não potencial, deixo para os experts.

Vamos agora a Paços num jogo que, sendo difícil, está ao nosso alcance. É mau saber que o Paços pode perder e, ainda assim, ficar em 3º. A pressão sobre os jogadores do Paços jogaria certamente a nosso favor. Mas, ainda assim, esperando todo o país que o Paços dê um banho de bola no Sporting, eu acredito que vamos ganhar. Se ganharmos este jogo, acredito também que ficaremos com o apuramento europeu a depender exclusivamente de nós. Veremos no final da próxima jornada se tenho ou não razão.

Sem comentários:

Enviar um comentário