08/04/2013

Foi Bruno quem trouxe a sorte?


Mais uma vitória nos descontos, mais um momento de sorte, desta feita com um golo improvável do improvável Viola. Não sei se foi Bruno de Carvalho que trouxe a sorte, mas ela é sempre bem-vinda. A meu ver, a sorte procura-se e o Sporting já a vinha procurando desde, pelo menos, o jogo de Olhão. Nesse dia, o Sporting chato e macambúzio foi morto e enterrado e nasceu outro. Outro que procura a sorte e já a teve por diversas ocasiões. Claro que continua a ser um Sporting inexperiente e, por vezes, trapalhão. Mas é um Sporting diferente: se com Sá Pinto, Oceano e Vercauteren os jogos eram sempre de tripla, agora há poucos que apostam em vitórias do Moreirense e do Vitória de Setúbal em Alvalade. O que não significa que elas não possam acontecer, porque podem. Mas a probabilidade é hoje muito menor e não podemos negar que o grande mérito dessa reviravolta é de Jesualdo Ferreira.

E porquê? Porque este Sporting está melhor, obviamente. De há 2 ou 3 meses para cá. E fui dizendo aqui que não era pelo facto de ir acumulando algumas derrotas que o trabalho de Jesualdo podia ser comparado ao dos antecessores. Há inúmeros indícios da qualidade do trabalho de Jesualdo, a começar desde logo pela organização coletiva da equipa (quando ataca e quando se reposiciona para defender), passando pelo rendimento de alguns jogadores. Veja-se Cedric, que tem sido dos melhores no Sporting e vem finalmente dar razão aos que (como eu) defendiam que o Sporting pouco tinha perdido com a transferência de João Pereira. Pena é que Jesualdo não tenha chegado a tempo de treinar "este" Cedric: provavelmente não teria recomendado a contratação de Miguel Lopes (que eu próprio defendi como útil face ao que parecia ser a apatia psicológica de Cedric para reagir ao mau momento da equipa). Enfim, há que ver o copo meio cheio: na próxima época, o lugar de defesa direito não será certamente um problema.

Mas há um ponto em que o "mérito" é de Bruno de Carvalho: o estádio já não canta "está na hora do Godinho se ir embora"; o estádio, agora, canta "até morrer Sporting allez". Porque o estádio queria a mudança, como se vê. E hoje o estádio ajuda, ao invés de prejudicar. Tivessem sido outros os cânticos e dificilmente perdíamos com o Paços e empatávamos com o Vitória de Guimarães. Ponho o mérito entre aspas por um motivo: porque Bruno de Carvalho, ele próprio, pouco terá feito, por agora, para contribuir para estas vitórias; mas o facto de o estádio o querer conta muito. Pode-se ganhar muito contra os sócios, mas dificilmente se ganha alguma coisa contra o estádio. O estádio que, recorde-se, tem mais gente numa noite fraca do que qualquer dia de eleições (só para se ter noção das coisas). A ver se, desta feita, o estádio quer. Porque quando o estádio quer é tudo mais fácil.

Voltando a Jesualdo, continuo a achar que é teimosia (i) insistir em Dier no meio-campo (se Boulahrouz não conta e Joãozinho está castigado, porque não recuar Dier e colocar Rojo na esquerda) e (ii) lançar Bruma a titular, quando há Jeffren e Labyad disponíveis. Mas isto é o normal no futebol. O que não é normal é ter o que tínhamos com Sá Pinto e Vercauteren em que nada fazia sentido.

Uma nota quanto aos adversários: continuo a achar que não me enganei no prognóstico relativo à luta pela Europa. Apesar da jornada ter desmentido cabalmente o meu prognóstico, continuo a achar que o Rio Ave e o Guimarães, por falta de pernas, e o Estoril, pelo calendário que tem, vão ficar para trás. Os adversários serão o Nacional e o Marítimo, equipas calejadas nestas andanças. Para nós é (quase) indiferente: tirando o Nacional (contra quem temos jogo em casa), perdemos no confronto direto com as outras todas, pelo que precisamos mesmo de fazer os 9 pontos ao nosso alcance e sacar 1 pontinho na Luz ou em Paços de Ferreira para atingir os 42/43 que, pelas minhas contas, garantem o 5º lugar.

Deixando agora os pontos e analisando algumas das prestações (e não prestações) de Sábado, queria dizer o seguinte:

- quanto a Cedric, já acima comentei o que havia a comentar, mas nunca é demais realçar a excelente primeira parte deste jogador;
- Marcos Rojo foi mal batido nos dois golos - não deve ter havido muita gente a defender este jogador como eu o fiz, tanto aqui como no jornal "Sporting". Mas convém começar a perceber que, a partir de agora, a lógica dominante já não é apenas a do "contam os que temos"; a partir de agora, começam as contas para a próxima temporada. E das três uma: (i) ou Jesualdo acredita que consegue resolver os erros individuais de Marcos Rojo enquanto central; (ii) ou Marcos Rojo convence Jesualdo a ser lateral esquerdo (iii) ou Marcos Rojo dificilmente sai da lista de dispensas. Tenho pena porque vejo nele ótimas qualidades. Mas tenho que reconhecer, mesmo depois da defesa pública que fiz do jogador, que não as tem demonstrado;
- espero que, recuperado da lesão, Carrillo regresse às opções de Jesualdo. Acredito que estes últimos jogos foram um alerta para um jogador que poderia estar acomodado ou em bicos de pés ou, até, em busca da saída. Mas espero que Carrillo tenha percebido que, por muito talentoso que seja, isso não chega. Há Brumas que estão loucos para mostrar trabalho e renovar contrato; há Labyads que, pelos vistos, perceberam a mensagem mais rapidamente do que ele; há Jeffrens que querem manter o lugar; há Capels que são bons profissionais e dão 101% em qualquer momento. Só haverá lugar para Carrillo em duas situações (i) se ele mostrar ao treinador que efetivamente conta para a equipa ou (ii) se o treinador for eu ou alguém que pense como eu. Caso contrário, num clube a precisar de dinheiro, estou mesmo a ver que qualquer proposta razoável põe o peruano a fazer as malas. Ainda vais a tempo, rapaz, de provar que 5 ou 6 milhões são curtos para o teu talento;
- conviria perceber se efetivamente há uma cláusula no contrato de transferência de Wolfswinkel para o Norwich que estabelece que o jogador fica caso o Norwich desça de divisão;
- Ghilas é mesmo bom jogador e parece-me jogador para o Sporting.

Só mais duas notas (breves):

a) para quem insiste que o problema do Sporting não era a organização coletiva, chamo a atenção para o facto de, nesta época, termos sofrido nada mais nada menos do que 7 golos do Moreirense (em 3 jogos). Sete.

b) o próximo jogo é o derby na Luz. Qualquer resultado que não a derrota serve. Mas será extremamente difícil. O Benfica caminha para um merecidíssimo título e só um momento menos bom o impedirá de continuar esse caminho no derby. Mas no Sporting não estendemos passadeiras a ninguém, como se viu no clássico com o FCP. Por isso, os jogadores do Benfica terão que fazer pela vida. E nós vamos esperar que seja o dia de inspiração de algum dos nossos, seja ele quem for. Face ao que produz o adversário, começaria por desejar que seja o dia de inspiração de Rui Patrício!

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