30/04/2013

Por que me fazes sofrer assim?! (Parte II)

Foi isto. Sofrimento e nervosismo em excesso! Com um penalty de bandeja logo nos primeiros minutos ainda pensei que seria um jogo bem mais tranquilo do que estaria à espera. No entanto, o estranho recuo e amolecimento do Benfica deu espaço e confiança ao Marítimo e, depois de algumas ameaças, lá levámos com o merecido golo. Com ele, os fantasmas do passado e a angústia de cairmos numa espiral depressiva depois da Turquia. 

Felizmente houve um intervalo que reuniu e motivou as tropas para irem atrás do que tem que ser nosso! Nestes 15 minutos, não duvido que o senhor da foto em baixo tenha tido grande responsabilidade. Quando o Benfica corre pelo menos tanto como o adversário e disputa as bolas com a mesma intensidade, é impossível a qualidade não sobressair. O Porto pode ter qualidade suficiente para equilibrar um jogo mas o resto das equipas estão a grande distância. Mesmo com a esperada teimosia dos dois avançados num jogo fora, num campo complicado, depois de uma desgastante deslocação à Turquia e com um Rodrigo fora de contexto, o Benfica é claramente superior. E foi isso que se viu na segunda parte. Algum azar e adversários no caminho da baliza ainda fizeram duvidar, mas um ressalto lá tratou de colocar justiça no marcador e o Benfica na rota certa para o título.
 
Destaques:
- grande Enzo e Matic. Dupla fenomenal que com um 10 ao mesmo nível poderá ser cada vez mais fenomenal;
- Salvio a manter o pé quente e a qualidade;
- Lima a continuar a fazer a diferença. Como dizia um grande amigo meu tripeiro "este campeonato foi perdido quando o Pinto da Costa não desviou o Lima para o Dragão". Espero que tenha razão;
- Ola John, André Almeida e Rodrigo desinspirados.

O obstáculo mais difícil está ultrapassado. Nada está garantido mas está cada vez mais perto. Estoril tem a dificuldade de ser após mais um jogo europeu e esperamos que o Moreirense seja após uma final. Ou seja, o cansaço poderá ser o derradeiro adversário mas o Dragão ainda será uma óptima oportunidade para fechar as contas e agarrar o 33º.

Quinta estamos lá. Independentemente do resultado da eliminatória, espero que no final se oiça uma estrondosa ovação para que a equipa perceba que acreditamos e que estamos com eles até ao final. Eu lá estarei para aplaudir de pé!


29/04/2013

O que é Nacional é bom


Tarde agradável em Alvalade, uma boa exibição do Sporting na primeira parte, uma boa exibição do Nacional nos primeiros 20-25 minutos da segunda parte e um final de jogo completamente partido. Este é o resumo, em duas linhas, do Sporting 2 - Nacional 1 de ontem. Mas como os leitores que ainda perdem o seu tempo a visitar este blog para me ler já estão habituados aos meus textos chatos e prolixos, convirá desenvolver isto um pouco mais.

Aqui vai:

1. De facto, é muito (mais) agradável ir ao futebol à tarde. Mas ontem faltaram os óculos escuros. É que quem vê o jogo na bancada nascente tem o sol de frente até às 19h/19h30. Tendo o jogo começado às 18h, está bom de ver que os olhos só aliviaram a meio da segunda parte. Mas enfim, a lógica do sol na eira e da chuva no nabal não é filosofia de vida que eu defenda. Daí que eu mantenha que assim é muito melhor. Eu é que não posso esquecer os óculos escuros em casa! Duas notas adicionais:

a) boa iniciativa por CR7 como sócio 100.000 (estranho que ninguém antes se tenha lembrado de fazer o bicho sócio do Sporting, nem o próprio, aliás!);

b) 30.000 adeptos em tarde solarenga, a um Domingo e com ingresso livre é francamente miserável. Recordo que o Sporting-Estoril do início da época teve 35.000 pessoas. Os sportinguistas têm mesmo que adotar a lógica Kennedy e parar de esperar pelo que o Sporting pode fazer por eles: o acompanhamento de um clube, ainda mais de um clube desta grandeza, não pode estar exclusivamente associado aos resultados desportivos.

2. O Sporting terá feito a melhor primeira parte da temporada, jogando efetivamente bom futebol. Nem falo das arrancadas de Bruma (porque essas são iniciativas que dependem da qualidade de um jogador), refiro-me às diversas boas jogadas desenvolvidas, nomeadamente pelo lado direito, que demonstram um trabalho coletivo de qualidade. Nenhuma delas deu golo ou sequer uma boa oportunidade de golo porque o último passe não entrou. Mas a jogar assim o último passe vai entrar. E nessa altura o Sporting vai resolver mais cedo os seus jogos. A começar já pelo de Paços de Ferreira.

3. Muito boa a entrada do Nacional na segunda parte. Coragem de Manuel Machado na forma como foi mexendo na equipa, jogando, a partir de certa altura, praticamente num 4-2-4, com Claudemir e Moreno no meio, Candeias na esquerda, Mateus na direita e os 2 avançados Rondón e Moreira. E aqui quero insistir com alguns pontos, fazer uma marcha-atrás e aduzir uma novidade:

a) insisto que tanto Mateus como Candeias são bons jogadores e poderiam ter lugar no plantel do Sporting;

b) faço uma retirada estratégica quanto a Claudemir - quase sempre o vi atuar no meio-campo, onde foi estando bem (ontem também esteve bem), mas como defesa direito foi um buraco;

c) acrescento que também Mário Rondón teria lugar no nosso plantel (parece-me um ótimo avançado).

4. O final do jogo foi um jogo do tipo anos 50/60. Ambas as equipas queriam ganhar, ambas as equipas arriscaram tudo. O Sporting por necessidade, o Nacional por falta de alternativas (MM já jogava no tal 4-2-4 e tinha feito as 3 substituições). A senhora que assiste aos jogos ao meu lado disse-me, com um ar cabisbaixo "Não acredito que vamos empatar isto...". Respondi-lhe: este jogo não acaba empatado, da forma como está partido ou ganhamos ou perdemos, mas empatar não empatamos. E em bom machadês o técnico do Nacional deu-me razão no final: o jogo partiu, quem marcasse ganhava. Marcámos nós, ganhámos. E ganhámos porque o Nacional arriscou tudo para empatar o jogo e ficou com um meio-campo claramente deficitário. Jesualdo aproveitou bem, desceu Bruma para defesa direito, pôs Viola a cavalgar o flanco esquerdo e convenhamos que marcámos um golo mas até merecíamos marcar mais do que um. Segundo se diz hoje, o nosso golo é em fora-de-jogo. No estádio, não dei por ela. Na TV também não (nos resumos que vi). Mas estou seguro de que, à milésima repetição hoje no "Dia Seguinte", o insuportável Gomes da Silva vai chegar à conclusão que o Sporting, afinal, é levado ao colo. Adiante.

Notas finais para alguns dos nossos jogadores:

Rojo/Ilori - a dupla tremeu na segunda parte, mas foi aguentando o que pôde. Apesar de algumas desconcentrações, Ilori esteve bem (faz um corte simplesmente magnífico pouco antes do nosso golo), e o próprio Rojo fez um bom jogo. Marcou um golo que, a ter surgido numa fase anterior da temporada, poderia ter motivado este jogador para uma época bem melhor. Não esquecer que é um puto, mais um. O que é Nacional é bom, mas há outros jogadores, não Nacionais, que podem fazer parte do nosso futuro. Não nos esqueçamos destes.

Capel - o melhor em campo, fez dos melhores jogos que lhe vi fazer desde que chegou ao Sporting e seguramente o melhor desta temporada.

Bruma - faz duas assistências para golo, tem um lance infantil que original o golo do Nacional, mas acima de tudo melhorou muitíssimo a prestação (ofensiva) relativamente ao jogo da Luz pelo simples facto de ter sido objetivo nas suas ações - não se limitou a conduzir, fintar, desmarcar, fê-lo com objetividade na maioria das vezes (o que nem sempre significa que saia tudo bem, como é óbvio). Embora a plateia tenha adorado um lance em que fintou 3 tipos e perdeu a bola dando origem a um contra-ataque adversário, eu continuo a preferir os lances em que fintando apenas um, ou não fintando ninguém, consegue com a sua ação causar um efetivo desequilíbrio na defesa adversária.

Labyad - sinceramente, não dá para perceber a desmotivação deste jogador. Um talento como André Carrillo anda a ser desperdiçado mas, caramba!, festeja os golos no banco como se fosse um titular indiscutível. Labyad parece alheado de tudo. Mas é ele que vai merecendo oportunidades. Se é verdade que está previsto no seu contrato 2M€/ano a partir da próxima época, convenhamos que não estamos em posição de esperar que se faça bom jogador. Infelizmente é mesmo assim. Podemos esperar que Carrillo se faça jogador, mas não podemos esperar por Labyad. Por isso pergunto: porque não dar uma oportunidade ao talentoso peruano enquanto se prepara a venda ou empréstimo do marroquino?

Viola - o absoluto contraste com Labyad. Nunca fui apreciador deste jogador (continuo a não ser), mas em termos de atitude nada tenho a apontar. Entra motivadíssimo e mexe com o jogo só pelo facto de atacar o jogo com motivação, garra, vontade. No fundo, dá o litro. Se tem ou não potencial, deixo para os experts.

Vamos agora a Paços num jogo que, sendo difícil, está ao nosso alcance. É mau saber que o Paços pode perder e, ainda assim, ficar em 3º. A pressão sobre os jogadores do Paços jogaria certamente a nosso favor. Mas, ainda assim, esperando todo o país que o Paços dê um banho de bola no Sporting, eu acredito que vamos ganhar. Se ganharmos este jogo, acredito também que ficaremos com o apuramento europeu a depender exclusivamente de nós. Veremos no final da próxima jornada se tenho ou não razão.

25/04/2013

Se era para escorregar...

...que tenha sido esta noite! Há uma parte em que estou 100% de acordo com Jesus: se havia jogadores em condições físicas complicadas e que poderiam colocar em sério risco a sua participação no jogo contra o Marítimo, tinham mesmo que ficar de fora (Gaitán e Lima). Como também concordo com apenas um avançado para jogar este jogo. Outra história foram as opções tomadas para os substituir e durante o jogo. Colocar Aimar num jogo destes fez pouco sentido. Não tem ritmo competitivo e os turcos são conhecidos pelo seu jogo físico e desgastante.

Quanto ao jogo, na primeira parte o Benfica esteve bem e soube contrariar o jogo do Fenerbahce. Teve apenas 5 ou 10 minutos de desconcentração em que a sorte o protegeu. Depois, sem necessidade, no final da primeira parte provocou um penalty e mais uma vez a sorte esteve do nosso lado.


Na segunda parte é que tudo esteve pior e os lances de perigo dos turcos acumularam-se. Gaitán, que substituiu Aimar, não conseguia pegar no jogo, André Gomes estava em dificuldades e Ola John em claro défice. Com tantas dificuldades era urgente a entrada de Lima por Cardozo e de Martins por André Gomes. O poste voltava a revelar-se amigo mas mais do que cheirava a golo. Aí, Jesus tentou repetir a jogada de Newcastle e colocar dois avançados quando o adversário mais estava a pressionar. Se em Inglaterra não concordei mas Jesus ganhou a aposta, esta noite não resultou. O Fenerbahce marcou, num canto mal assinalado em que Melgarejo teve uma paragem cerebral e fez uma assistência para o golo. Perdemos mas está tudo em aberto.

Matic e Jardel estiveram muito bem. A velocidade do brasileiro e o seu jogo de cabeça foram os principais antídotos para os ataques turcos, só pecando pelo excesso de faltas e passes errados. Matic, já nem vale a pena repetir o que tenho dito nos posts anteriores. Impressionante como até sob pressão a bola sai sempre bem dos seus pés. Martins também teve uma excelente entrada em campo. Quantos de vocês também pediram que fosse Lima a receber a grande desmarcação que fez?!

De resto, foi uma exibição fraca, com pouco envolvimento e que coloca em questão, depois do que se viu no jogo com o Sporting, a capacidade física da equipa nesta fase. Segunda-feira é fundamental e aí é que o Benfica tem que ir buscar forças até onde não imagina!    

22/04/2013

Talento...mas não só


Embora existisse muita confiança entre todos os adeptosbenfiquistas, a verdade é que quase todos mantinham aquelas reservas de quemsabe como é imprevisível um derby e de quem viu um Sporting organizado adefender a igualdade frente ao Porto. Assim, não foi surpresa quando o ambienteinfernal que se vivia na Luz até ao apito inicial, viu a temperatura descersignificativamente quando se percebeu que os homens de Alvalade iam mesmo complicara vida ao Benfica e que este não conseguia colocar em campo a pressão, velocidadee assédio à baliza de Patrício que se desejava.

Mas como poderiam esperar outra coisa?! Sinceramente, aindatinha uma ténue (muito ténue mesmo) esperança de ver Jesus repetir o esquema táticode apenas um avançado com que entrou em Newcastle. Afinal de contas, já se percebeuque é assim que o Benfica melhor joga quando defronta equipas mais competitivas(ok, parem lá com as piadas, o Sporting vale mais do que o que foi com Sá Pinto e o belga) e que o jogo Sporting-Porto permitia retirar muitas ilações de como oSporting ia reforçar o meio campo e fechar os caminhos para a baliza. Ainda para mais, à medida que os jogos vãopesando nas pernas, mais difícil fica implementar uma tática que exige bastantedos homens do meio campo, laterais e alas. E este é o meu grande receio para ojogo com o Marítimo! Depois de uma jornada europeia, de uma viagem à Turquia,num campo complicado, voltaremos aos dois avançados? Como fez no ano passado emGuimarães? Nesse caso, temo que o Benfica fique demasiado dependente do talentoindividual dos jogadores e de uma elevada eficácia ofensiva para que saiavitorioso da Madeira e com o campeonato à sua mercê.

E foi isto o jogo com o Sporting. Uma primeira partehorrível, em que o Benfica não se conseguia superiorizar no meio campo, criardesequilíbrios, nem servir os homens da frente nas melhores condições.  Enquanto isso, o Sporting aproveitava o espaçopara contra-ataques enervantes. Na segunda parte, o Benfica nunca assumiu o jogo como a sua posição obrigava e o Sporting acumulou cantos e livres mas sem criar perigo a Artur em bola corrida. O quevaleu? A mais valia individual dos jogadores encarnados, a arbitragem deCapela, o esgotamento físico do Sporting a partir dos 70 minutos (nasubstituição de Dier foram muitos os jogadores que correram para o banco do Bruno de Carvalho como se este estivesse a pagar ordenados mas era só pela água) e a alteração de Cardozo porOla John. Pelo meio, alguns (poucos) lances em que o perigo rondou a baliza doSporting. 


Destaques:
- arbitragem horrível de Capela, com um critério largo que éo mesmo que dizer que não assinalou várias faltas evidentes. Tanto para um ladocomo para o outro, mas mais favorável ao Benfica que é bastante mais impetuosoa defender. Por outro, um penalty que realmente me pareceu existir de Maxisobre Capel e que, ao contrário do lance de Viola, seria numa altura crítica dojogo. Os outros são muito duvidosos mas não me chocaria se fossem marcados.
- Jesus deixa-me doido com esta teimosia (mesmo com todo omérito e melhorias que apresenta esta época). Quando corrigiu com a saída deCardozo, foi evidente a diferença mas acredito que só considere esta mudançaquando precisa de defender uma vantagem. Será que alguma vez terá aclarividência para o fazer se estiver a perder, percebendo que terá que ganharo jogo no meio campo para chegar à baliza contrária com maior segurança. Comestes jogadores não tenho dúvidas que é o melhor sistema táctico! Matic, Enzo,Gaitán, Salvio, Ola e Lima!
- Gaitán fez um jogo muito mau a maior parte do tempo mas feza assistência para os dois golos e da forma como o fez no segundo. Para suadefesa, o facto de não ter jogado a 10 a maior parte do tempo;
- Maxi e Luisão foram enormes;
- Matic foi o grande culpado por, mesmo assim, disfarçar asdebilidades. É de uma capacidade física impressionante, com um posicionamentocada vez mais irrepreensível e praticamente só sabe jogar bem. Não marcou nemfez assistências mas para mim, foi o homem do jogo.
- O melhor golo do campeonato aconteceu neste jogo;
- Cardozo tem mais garra a puxar pelo público do que acorrer.

E é isto. Ganhar ao Marítimo é o último grande obstáculo atéao título. Sendo assim, só pode ser para ganhar, dê lá por onde der.

O derby

Como não gosto de justificar resultados com arbitragens, começo já por despachar o tema: a arbitragem foi péssima. Houve decisões erradas (para os dois lados), um critério disciplinar muito estranho (de que beneficiaram Rinaudo, é verdade, mas principalmente o carroceiro que atua como lateral direito do Benfica) e penalties por marcar (infelizmente só uma das equipas saíu prejudicada neste ponto).

À imagem do que aqui disse na época passada a propósito do Sporting-Benfica, não é por não ser marcado um penalty no início do jogo que uma equipa pode justificar uma derrota. Mas há várias diferenças relativamente a esse jogo:
- estão em causa não um, mas dois lances (a diferença é fundamental, porque um só lance prejudica e chateia, dois logo a abrir condiciona);
- em ambos os casos, seriam lances para expulsão (mesmo que o Sporting falhasse o penalty, ficaria a jogar contra 10, admitindo que um dos lances fosse assinalado);
- o lance do 1º penalty é do lado do fiscal-de-linha (ao passo que no ano passado o fiscal-de-linha nada podia fazer para ajudar o árbitro);
- no ano passado, se bem me lembro, ficaram depois outros lances de penalty por assinalar, para os dois lados (curiosamente o que foi assinalado gera-me algumas dúvidas).

Em suma, é verdade que a arbitragem prejudicou o Sporting. Mais: intuo que o árbitro não tenha tido coragem de assinalar o primeiro lance (no segundo tenho dúvidas, mas também me pergunto porque o Capel não levou amarelo por simulação) não tanto pelo penalty em si, mas pelo que o mesmo acarretaria (Benfica a jogar com 10 praticamente 90 minutos). E, sinceramente, mais do que demonstrar se o Benfica tem mais ou menos força no "sistema" do que tinha antes (era uma das suas fraquezas, aparentemente corrigida), acho que o jogo de ontem prova que o Sporting não tem força nenhuma. Também por culpa própria.

E adiante, agora, para a análise do jogo.

O primeiro ponto que gostaria de realçar é que senti uma profunda injustiça quando o Benfica marcou o seu golo. O jogo estava relativamente equilibrado e o Benfica pouco ou nada tinha feito para justificar o golo. Marcou-o porque tem melhor equipa e melhores jogadores e isso chega para justificar a diferença. Mas sinceramente não pensei chegar à meia-hora de jogo a pensar que dava para aguentá-los. Essa meia-hora é a única que releva para a minha análise. Porque a apreciação ao resto do jogo é obviamente condicionada pelo facto de o Benfica estar, de certa forma, a descansar. Dizer que o Sporting esteve por cima do Benfica em certos momentos depois do 1º golo vale pouco; dizer que o Sporting jogou taco-a-taco com o Benfica até ao 1º golo, isso sim, tem muito mérito. Mérito de Jesualdo, assinale-se.

O segundo ponto é que o Benfica tem de facto grandes jogadores mas tem, acima de tudo, um grande treinador. Uma das minhas grandes discussões com o Gorbyn tem precisamente a ver com isto: o Gorbyn entende que o JJ beneficia de um investimento sem precedentes na história do Benfica (considera-o bom treinador, mas não um génio, certo?); eu considero que o Benfica beneficiou da feliz (e competente) coincidência de ter, no período de maior investimento da sua história, o melhor treinador desde Eriksson. Continuo a achas que este ciclo do Benfica se deve, e muito, a JJ, que é um treinador excecional. Além de ter feito do Maxi Pereira um jogador de futebol, o que ele fez esta temporada é absolutamente notável. Eu disse no início da época que o FCP era favorito porque o Benfica se tinha reforçado nas posições erradas e deixado lacunas em posições essenciais. Pois bem: contra todas as minhas previsões (e aqui não eram só as minhas), JJ fez de Melgarejo um ótimo lateral esquerdo, fez de Matic um jogador incomparavelmente superior a Javi (e aposto já que, a comprová-lo, Matic sai pelo dobro do valor de Javi), moveu um inadaptado Enzo Pérez da linha para o centro (grande jogador) e conseguiu rentabilizar Lima, o que foi feito, recorde-se, às custas de Rodrigo, que muitos no ano passado já diziam que devia tirar o lugar a Cardozo. O Benfica de facto merece ser campeão; mas, caramba!, ninguém o o merece mais do que JJ (ou não fosse ele um grande sportinguista!).

O terceiro ponto diz respeito a Cardozo. Sou insuspeito porque o defendo sempre, salvo quando usa o cotovelo como arma para anular o marcador direto. Mas ontem fez um jogo francamente fraco. Tirando o passe para Gaitán no lance do primeiro golo, nem dei por ele. E apercebi-me do seguinte facto: se excluirmos os penalties do avançado do Benfica (8 no total, se não me engano), Wolfswinkel tem mais golos no campeonato do que Cardozo. Atenção, os penalties contam como golos e Cardozo tem, este ano, o mérito de os marcar muito bem. Mas não deixa de ser um elemento a ter em conta.

Agora, o mais importante: a apreciação aos jogadores do Sporting. Os que jogaram e os que não jogaram. E, atenção, esqueçam lá o que diz a imprensa para valorizar este e aquele. Leiam o que escreve este sportinguista dos sete costados, que se engana muitas vezes nas suas previsões mas na apreciação jogador a jogador não tem falhado assim tanto:

Patrício - nada a dizer, não tinha hipótese nos golos.
Miguel Lopes - senti a falta de Cedric.
Joãozinho - obrigado, deu para remendar, mas preferia o Rojo ali na próxima época (se serve para a seleção da Argentina...).
Ilori - muito bem.
Rojo - não ao nível do Ilori, mas fez um bom jogo.
Rinaudo - pode ser implicância minha, mas terá feito o pior jogo desde que Jesualdo chegou.
Dier - esteve bem.
André Martins - oscilou entre o muito bom no transporte do jogo e o medíocre nalguns gestos técnicos falhados que considero inaceitáveis num jogador que, tecnicamente, é de facto muito bom. Mas a apreciação do pormenor não apaga um bom jogo em termos gerais.
Capel - apagado, como em qualquer jogo grande. Mas ontem é que era noite para jogar pela direita, a meu ver, aproveitando o mais inexperiente Melgarejo. Maxi, com alguma latitude no critério disciplinar, é verdade, meteu-o no bolso.
Bruma - é verdade que empolga quando pega na bola, mas pergunto à imprensa que já o idolatra: o que produziu de concreto? Sinceramente, sei que sou teimoso, mas senti que era o jogo ideal para Carrillo. Com algum azar (duas substituições forçadas), acabou por não sair do banco.
Wolfswinkel - fez mais do que se esperava dele e o lance ganho a Garay no início do jogo mostrou um jogador que raramente tínhamos visto até agora.
Schaars - não percebi a sua entrada, mas até jogou bem
Viola - mexeu com o jogo mas à imagem de Bruma produz muito pouco. Repito: C-A-R-R-I-L-L-O.
Boulahrouz - como diz um amigo meu, bastaram 2 minutos em campo para o adversário marcar um golo. Não diria melhor.

Por fim, uma nota quanto ao objetivo da época: o 5º lugar. As conjugações de resultados têm ajudado as nossas contas. E considero que se o Sporting fizer os 12 pontos em disputa, só uma conjugação estranhíssima de resultados nos poderá retirar o 5º lugar. Aquela vitória em Braga pode ter sido decisiva para a pontuação final. Mais: se o campeonato decorrer até ao fim com alguma normalidade, considero que 9 pontos podem chegar. Com 9 pontos faremos os tais 42 que defendo como suficientes de há várias semanas para cá. Pode acontecer que não cheguem se algum dos adversários fizer mais do que é suposto. A título de exemplo, o Estoril, que tem mais 2 pontos, fica à nossa frente se fizer 7 pontos (no caso de só fazermos os tais 9). Alguém acredita que os faça tendo que defrontar Benfica e Braga e jogando com dois clubes que se querem safar da descida (Beira-Mar e Gil Vicente, este último em Barcelos)?

Enfim, depois de tantos avanços e recuos, acredito que é possível. Há um mérito que ninguém pode tirar a Jesualdo: ter-me feito escrever a frase anterior!

Indispensável, claro está, é ganhar já ao Nacional na próxima jornada. E é o que vamos seguramente fazer!

18/04/2013

O derby e a próxima época

Quanto ao derby, muito rapidamente:

1. O Benfica é obviamente favorito e sê-lo-ia também se o jogo fosse em Alvalade e mesmo que o Sporting tivesse começado a recuperar mais cedo.

2. O derby é decisivo para o Benfica mas duvido que o seja para o Sporting. A (inesperada) vitória em Braga deu-nos os 3 pontos de que precisávamos para nos mantermos na corrida até ao fim, ainda que tropecemos este fim-de-semana. E a presença do Vitória na final da Taça facilita as contas: basta torcer todos os fds pelo Sporting e pelo Vitória!

3. A gestão de Jesus neste ano permite que o Benfica não chegue fisicamente debilitado a Abril (nas anteriores épocas até começou a cair antes, em Março) pelo que temo mais pela quebra física dos nossos, devido ao ritmo que o Benfica impõe.

4. O Sporting deve jogar com inteligência e procurar ganhar o jogo com as armas que tem. Um jogo tipo Sporting-Porto (o da segunda parte) seria bastante positivo. A ver se conseguimos aguentar a pressão do Benfica na primeira meia-hora e começar a assustar ainda na primeira parte.

5. Se fosse eu a decidir, o Sporting alinharia com Patrício, Cedric, Dier, Rojo e Joãozinho, Rinaudo, Adrien e André Martins, Capel, Carrillo e Wolfswinkel. Como não sou, provavelmente jogaremos com Patrício, Cedric, Ilori, Rojo e Joãozinho, Rinaudo, Dier e André Martins, Capel, Labyad e Wofswinkel.

E vamos a eles!

***

Relativamente à próxima época, apenas algumas notas:

1. Tenho tentado fazer simulações dos orçamentos desta e da próxima época juntamente com alguns amigos e é um exercício extremamente complicado. Não porque não haja soluções, simplesmente porque desconhecemos os limites orçamentais que nos vão ser impostos. Fala-se de uma redução de 35%, mas, como muito bem se foi perguntando noutros blogs, resta saber se os 35% incidem sobre o orçamento inicial (44M€) ou sobre a versão atual, após a revolução de Janeiro. Se for sobre este último número, vai ser muito complicado compor o plantel da próxima época.

2. A esmagadora maioria dos jogadores que o Sporting emprestou este ano não cabem no próximo plantel. Desses, há uma lista de 4 que considero as principais liabilities do Sporting: Bojinov, Pranjic, Onyewu e Evaldo. Qualquer negócio que não implique custos adicionais com estes jogadores é positivo, mesmo a entrega do passe. Qualquer euro que entre é positivo. Vendas a valores de mercado são negócios excecionais.

3. Há, depois, outros emprestados que têm que ser também avaliados: André Santos, Wilson Eduardo, Nuno Reis, Diogo Salomão, Renato Neto. Há outros para além destes, mas conheço-os muito mal (um exemplo: William Carvalho, emprestado ao Cercle Brugges). Quanto a estes, conto com os três primeiros, não com os dois últimos. O cenário de empréstimo pode colocar-se mas como não vejo grande futuro nestes jogadores soluções definitivas são sempre melhores.

4. Do atual plantel, podemos assumir as transferências de Patrício e Wolfswinkel. Eu adicionalmente transferiria (sendo realista) Boulahrouz (mesmo que a custo 0), Schaars ou Adrien (ou os dois se tivermos capacidade, por exemplo, para assegurar um Hugo Viana a custo 0) e Jeffren (a muito custo porque continuo a achar que é um jogador tremendo - mas o critério tem que ser o rendimento e não a qualidade). Não exerceria as opções por Joãozinho e Ventura (resta saber se efetivamente não adquirindo Ventura podemos ter opção sobre outro jogador do FCP, mas nem vou contar com isso).

5. Assumindo um plantel principal de 22 (2 por posição, podendo recorrer à Equipa B quando necessário), ficaríamos assim com os seguintes jogadores:
GR- Boeck
DD - Miguel Lopes e Cedric
DE - comigo seria Rojo
DC - comigo seria Dier e Nuno Reis, vou contar também Ilori (já explicarei melhor)
MD - Rinaudo e André Santos (para suplente de Rinaudo estaria bem)
MC - Adrien
MO - André Martins e Labyad
ED - Carrillo e Bruma
EE - Capel
AV - Viola

6. Como se pode ver, a vida não está fácil porque faltam 1 GR, 1 DE, 1 DC, 1 MC, 1 EE e 1 (ou 2) AV. Pelo menos 6 jogadores. Desses 6, a meu ver, apenas 2 ou 3 podem/devem ser preenchidos com recurso à equipa B, sob pena de ser impossível formar uma equipa minimamente competitiva (leia-se, para pelo menos sonhar em disputar o 3º lugar).

7. Face aos recursos que temos, parece-me que podemos completar com recurso à equipa B as posições de DE (parece que o Turan fez uma boa época na Turquia) e eventualmente MC (Zezinho ou João Mário) e EE (Wilson Eduardo, que aliás também poderia ser o segundo AV). Nas restantes (GR, DC e AV) temos que recorrer ao mercado. No eventual segundo AV (assumindo que Wilson Eduardo não conta para esse lugar), dependeria de quem fosse o titular. Sendo um tipo indiscutível (um Liedson antes de se descobrir que afinal é um bandido), vivo bem com Rubio ou Betinho (porque não temos mesmo outras possibilidades). Sendo um Wolfswinkel ou um Ghilas, a concorrência terá que ser mais apertada.

8. Claro que o nosso mercado será o do custo 0, o dos empréstimos e o das oportunidades. Nem me atrevo a sugerir nomes porque o mundo é muito grande! A título de exemplo, há um mercado brasileiro de 2º e 3º nível que é muito bem explorado pelos clubes menores e que temos que começar a tentar explorar também (de onde saíram nomes como Isaías, William, Paulinho Cascavel, Marco Aurélio, Artur, Derlei, Paulo Assunção, Maicon, Lima etc., jogadores que se afirmaram em Portugal em clubes pequenos ou médios e só depois saltaram para clubes grandes). É preciso é estar atento e trabalhar melhor do que os outros, porque claramente não temos as mesmas armas.

9. Essencial é não falhar em 2 posições: DC e AV. Em DC, porque as opções que temos são todas muito jovens. Ilori tem-se safado bem, mas precisa provavelmente de crescer enquanto jogador (já Dier, por exemplo, considero que tem personalidade para dar já este "salto"). Entre Ilori e Nuno Reis, confio mais na personalidade, maturidade e experiência deste último, pelo que Ilori seria o 4º central, alinhando pela equipa B quando se justificasse. Quanto ao AV, tem que ser um indiscutível. Fala-se no nome de Ghilas, que me agrada muito, mas não sei se é jogador para agarrar o lugar. E mesmo que seja, precisa de um outro AV (Viola não chega) que lhe dê luta.

10. Relevante também o MC, porque pode ser o jogador decisivo no ritmo de jogo da equipa. Um Elias com vontade de dar o litro seria o ideal. Schaars não é jogador para este tipo de papel. Mesmo Adrien só conta se o treinador disser que é aposta para titular, caso contrário tem que sair face ao que aufere. Viana poderia ser o jogador ideal, caso tenhamos capacidade para lá chegar. Nesse caso, o suplente poderia ser João Mário ou mesmo Zezinho. Mas perfeito, perfeito, seria encontramos por aí um Duscher...

11. Nota final para o seguinte: este ano ficarei mais feliz quando ler "Onyewu rescindiu" do que quando ler "Ghilas assinou". Porque a nossa competitividade no médio/longo prazo depende de se começar hoje a aplicar receitas básicas que aplicamos em nossa casa, como as de não gastar o que não temos. Por isso, tudo o que a direcção de Bruno de Carvalho consiga fazer no sentido de aliviar a folha salarial será muito bem-vindo. Mais importante do que contratar bem, este ano, é rescindir/transferir bem. Que todos tenham noção disto.

Enfim, muito trabalho pela frente, vamos acompanhando por aqui.

Por ora, rumo à vitória na Luz!

ADITAMENTO: Para a posição de EE e, simultaneamente, 3º AV, tenho sugerido nos círculos de amigos o nome do Wilson Eduardo. Acho que o rapaz mereceria uma oportunidade. Não o referi no post porque quando saltei para o detalhe, não me pronunciei sobre a posição de EE, mas na realidade fui injusto. Assim, corrigi o ponto 7 para permitir a entrada do Wilson no plantel da próxima temporada. Não é um jogador genial, mas pode jogar nos flancos e pode atuar na frente de ataque. E se Bruma evoluir, ficamos com boas opções nas alas: porque continuo a acreditar muito em Carrillo e porque um Capel bem orientado pode ser um jogador muito diferente, para melhor.

12/04/2013

Por que me fazes sofrer assim?!


Jesus está efetivamentediferente. Sugiro mesmo que, caso seja campeão de alguma competição que não aTaça de Portugal, se faça novo contrato de apenas um ano com opções derenovação sucessivas. Jogar com aquela táctica e com aqueles jogadoresera o que se exigia e, mesmo contra as suas crenças mais profundas, lá deixou asolução dos dois avançados de fora. Resultado: grande, grande primeira parte doBenfica! Eliminou qualquer tentativa do Newcastle chegar à baliza de Artur comperigo, praticamente não se viu o brasileiro a fazer uma defesa e ainda teve várias oportunidadesde golo que acabou por desperdiçar. Sendo assim, todos começámoslogo a perceber que ainda haveríamos de sofrer por conta de tantos falhanços.

Na segunda parte, com as mexidasno Newcastle e a entrada de Ben Harfa, o Benfica deixou-se levar pela alma dos “ingleses” e foi encostandoem demasia à sua grande área. Pior do que isso, não teve a capacidade de sairem contra-ataque e aproveitar os enormes espaços que começaram a surgir nomeio-campo adversário. Pareceu-me mesmo que o cansaço começou a tomar conta de alguns jogadores do Benfica, especialmente Matic. Se tanto recuo jánão era bem-vindo, pior foi o desentendimento infantil que levou ao golo doNewcastle. Com o golo aos 70 min só me lembrava das palavras do Alan Pardew adizer que bastava marcar o primeiro golo a 20 minutos do fim para dar a volta àeliminatória. Foi então, com algum sufoco, que fui vendo o resto do jogo e comgrande desespero que vi Gaitán a não finalizar o que parecia um golo fácil. A boa jogada e o golo de Salvio no final, foi bom para descomprimir mas já não deupara apagar tanto sofrimento. Agora, este argentino, vale cada euro do forte investimento (curtam o sorriso do homem na foto). E é mesmo isto: na 1ª mão ainda olhava para aLiga Europa de lado e só queria que se preocupassem com o campeonato mas depoisda vantagem conseguida e sem campeonato no próximo fim-de-semana, já me édifícil não pensar em chegar à final. Só que depois olho para o calendário e percebo que os jogos precedem as visitas ao Marítimo e ao Porto (corrijo, afinal é Estoril). Assim recomendo a mesma estratégia: 1ª mão equipa com alguns titulares de fora e, se não perder mais pontos no campeonato, equipa na máxima força na 2ª mão, repito, se não perder pontos no campeonato.



Destaques:
- Jesus que esteve bastante bem amontar a equipa. Tenho mais dúvidas nas substituições. Lima estava a precisarda troca mas colocar dois avançados…foi estranho. É certo que ajudava a que oNewcastle não viesse todo para cima do Benfica mas a 15 minutos, num tudo ounada, duvido que se preocupassem muito com isso. Os amarelados Enzo e AndréAlmeida e com este último em dificuldades, pareciam-me muito maisjustificáveis mas a verdade é que resultou!
- André Almeida teve um jogo bemmais fraco do que o que nos vinha a habituar. Apesar do maior nível dedificuldade deste jogo, parece ter acusado o ambiente e a importância do jogo eesteve demasiado precipitado;
- Salvio pela excelente primeiraparte;
- Enzo por ser um jogador cadavez mais completo. Adoro a garra misturada com a clarividência e ainda acapacidade de ir para cima dos adversários com a bola controlada. Só osamarelos ridículos que continua a acumular é que são de dispensar;
- Gaitán foi o homem do jogo edeve ter reaberto o seu mercado inglês.

Com um dos favoritos fora dacorrida, tudo é possível. O Chelsea continua a ser o adversário mais complicadomas pode ser que o sorteio seja simpático. Se não o for, também não se podedizer que não esteja ao alcance deste Benfica. Mas o desgaste para o campeonato não me deixa de preocupar...

08/04/2013

Apenas mais uma etapa

Preferi esperar pelo desfecho do Porto - Braga antes de escrever este post. Isto, porque fazia toda a diferença na forma como iria encarar a vitória do Benfica em Olhão. Eu sei que os homens do futebol preferem a conversa do "apenas interessam os nossos jogos" mas aqui não pretendo entrar numa de clichés. Assim e uma vez que o Porto ganhou, apenas se pode dizer que a confiança no Benfica se mantém inabalável. Não podemos ir além deste facto. A equipa está bem, não está a acusar a pressão, sabe perfeitamente a qualidade que tem e fisicamente está melhor que os adversários (mesmo aqueles que gostam de gabar o ritmo inglês, o jogar a cada três dias, etc, etc, devem ter achado piada ao ver os jogadores do Newcastle aos 70 min agarrados aos rins e permanentemente a arranjar as meias). Agora, entrar em euforias e começar a brincar com o "Reservado", esqueçam que não alinho nisso. Após esta jornada não ficámos nem mais nem menos favoritos. Se por um lado falta menos uma jornada, por outro o Porto ultrapassou um dos obstáculos mais complicados. Para a semana é a nossa vez: jogo fácil do Porto mas fora, jogo difícil do Benfica em casa. Somos bem melhores mas não gosto de brincar com motivações especiais, potenciadas por golpes de sorte nos últimos minutos, e sobretudo em derbys. 


Em Olhão, os melhores foram os do costume, Matic, Salvio, Enzo, ficando a faltar o habitual Lima e tendo um Gaitán genial a espaços. Nota para André Almeida que me continua a surpreender pela positiva.

Agora, contra o Newscastle, não há como não assumir a passagem e o favoritismo, até porque o calendário ajuda. Depois espero uma 2ª mão da Taça meramente para cumprir o calendário e aproveitar para rodar o plantel e depois a carga toda no campeonato. Continua a existir pouca margem para deslizes e se não queremos ter um jogo de vida ou de morte no Dragão, não dá sequer para permitir um empate. 


Foi Bruno quem trouxe a sorte?


Mais uma vitória nos descontos, mais um momento de sorte, desta feita com um golo improvável do improvável Viola. Não sei se foi Bruno de Carvalho que trouxe a sorte, mas ela é sempre bem-vinda. A meu ver, a sorte procura-se e o Sporting já a vinha procurando desde, pelo menos, o jogo de Olhão. Nesse dia, o Sporting chato e macambúzio foi morto e enterrado e nasceu outro. Outro que procura a sorte e já a teve por diversas ocasiões. Claro que continua a ser um Sporting inexperiente e, por vezes, trapalhão. Mas é um Sporting diferente: se com Sá Pinto, Oceano e Vercauteren os jogos eram sempre de tripla, agora há poucos que apostam em vitórias do Moreirense e do Vitória de Setúbal em Alvalade. O que não significa que elas não possam acontecer, porque podem. Mas a probabilidade é hoje muito menor e não podemos negar que o grande mérito dessa reviravolta é de Jesualdo Ferreira.

E porquê? Porque este Sporting está melhor, obviamente. De há 2 ou 3 meses para cá. E fui dizendo aqui que não era pelo facto de ir acumulando algumas derrotas que o trabalho de Jesualdo podia ser comparado ao dos antecessores. Há inúmeros indícios da qualidade do trabalho de Jesualdo, a começar desde logo pela organização coletiva da equipa (quando ataca e quando se reposiciona para defender), passando pelo rendimento de alguns jogadores. Veja-se Cedric, que tem sido dos melhores no Sporting e vem finalmente dar razão aos que (como eu) defendiam que o Sporting pouco tinha perdido com a transferência de João Pereira. Pena é que Jesualdo não tenha chegado a tempo de treinar "este" Cedric: provavelmente não teria recomendado a contratação de Miguel Lopes (que eu próprio defendi como útil face ao que parecia ser a apatia psicológica de Cedric para reagir ao mau momento da equipa). Enfim, há que ver o copo meio cheio: na próxima época, o lugar de defesa direito não será certamente um problema.

Mas há um ponto em que o "mérito" é de Bruno de Carvalho: o estádio já não canta "está na hora do Godinho se ir embora"; o estádio, agora, canta "até morrer Sporting allez". Porque o estádio queria a mudança, como se vê. E hoje o estádio ajuda, ao invés de prejudicar. Tivessem sido outros os cânticos e dificilmente perdíamos com o Paços e empatávamos com o Vitória de Guimarães. Ponho o mérito entre aspas por um motivo: porque Bruno de Carvalho, ele próprio, pouco terá feito, por agora, para contribuir para estas vitórias; mas o facto de o estádio o querer conta muito. Pode-se ganhar muito contra os sócios, mas dificilmente se ganha alguma coisa contra o estádio. O estádio que, recorde-se, tem mais gente numa noite fraca do que qualquer dia de eleições (só para se ter noção das coisas). A ver se, desta feita, o estádio quer. Porque quando o estádio quer é tudo mais fácil.

Voltando a Jesualdo, continuo a achar que é teimosia (i) insistir em Dier no meio-campo (se Boulahrouz não conta e Joãozinho está castigado, porque não recuar Dier e colocar Rojo na esquerda) e (ii) lançar Bruma a titular, quando há Jeffren e Labyad disponíveis. Mas isto é o normal no futebol. O que não é normal é ter o que tínhamos com Sá Pinto e Vercauteren em que nada fazia sentido.

Uma nota quanto aos adversários: continuo a achar que não me enganei no prognóstico relativo à luta pela Europa. Apesar da jornada ter desmentido cabalmente o meu prognóstico, continuo a achar que o Rio Ave e o Guimarães, por falta de pernas, e o Estoril, pelo calendário que tem, vão ficar para trás. Os adversários serão o Nacional e o Marítimo, equipas calejadas nestas andanças. Para nós é (quase) indiferente: tirando o Nacional (contra quem temos jogo em casa), perdemos no confronto direto com as outras todas, pelo que precisamos mesmo de fazer os 9 pontos ao nosso alcance e sacar 1 pontinho na Luz ou em Paços de Ferreira para atingir os 42/43 que, pelas minhas contas, garantem o 5º lugar.

Deixando agora os pontos e analisando algumas das prestações (e não prestações) de Sábado, queria dizer o seguinte:

- quanto a Cedric, já acima comentei o que havia a comentar, mas nunca é demais realçar a excelente primeira parte deste jogador;
- Marcos Rojo foi mal batido nos dois golos - não deve ter havido muita gente a defender este jogador como eu o fiz, tanto aqui como no jornal "Sporting". Mas convém começar a perceber que, a partir de agora, a lógica dominante já não é apenas a do "contam os que temos"; a partir de agora, começam as contas para a próxima temporada. E das três uma: (i) ou Jesualdo acredita que consegue resolver os erros individuais de Marcos Rojo enquanto central; (ii) ou Marcos Rojo convence Jesualdo a ser lateral esquerdo (iii) ou Marcos Rojo dificilmente sai da lista de dispensas. Tenho pena porque vejo nele ótimas qualidades. Mas tenho que reconhecer, mesmo depois da defesa pública que fiz do jogador, que não as tem demonstrado;
- espero que, recuperado da lesão, Carrillo regresse às opções de Jesualdo. Acredito que estes últimos jogos foram um alerta para um jogador que poderia estar acomodado ou em bicos de pés ou, até, em busca da saída. Mas espero que Carrillo tenha percebido que, por muito talentoso que seja, isso não chega. Há Brumas que estão loucos para mostrar trabalho e renovar contrato; há Labyads que, pelos vistos, perceberam a mensagem mais rapidamente do que ele; há Jeffrens que querem manter o lugar; há Capels que são bons profissionais e dão 101% em qualquer momento. Só haverá lugar para Carrillo em duas situações (i) se ele mostrar ao treinador que efetivamente conta para a equipa ou (ii) se o treinador for eu ou alguém que pense como eu. Caso contrário, num clube a precisar de dinheiro, estou mesmo a ver que qualquer proposta razoável põe o peruano a fazer as malas. Ainda vais a tempo, rapaz, de provar que 5 ou 6 milhões são curtos para o teu talento;
- conviria perceber se efetivamente há uma cláusula no contrato de transferência de Wolfswinkel para o Norwich que estabelece que o jogador fica caso o Norwich desça de divisão;
- Ghilas é mesmo bom jogador e parece-me jogador para o Sporting.

Só mais duas notas (breves):

a) para quem insiste que o problema do Sporting não era a organização coletiva, chamo a atenção para o facto de, nesta época, termos sofrido nada mais nada menos do que 7 golos do Moreirense (em 3 jogos). Sete.

b) o próximo jogo é o derby na Luz. Qualquer resultado que não a derrota serve. Mas será extremamente difícil. O Benfica caminha para um merecidíssimo título e só um momento menos bom o impedirá de continuar esse caminho no derby. Mas no Sporting não estendemos passadeiras a ninguém, como se viu no clássico com o FCP. Por isso, os jogadores do Benfica terão que fazer pela vida. E nós vamos esperar que seja o dia de inspiração de algum dos nossos, seja ele quem for. Face ao que produz o adversário, começaria por desejar que seja o dia de inspiração de Rui Patrício!

03/04/2013

De regresso (após o melhor momento da minha vida)





Uma explicação aos leitores: estive ausente por estar 100% concentrado no nascimento da minha filha, o que aconteceu no dia 19 de Março. O momento mais feliz da minha vida, como podem calcular. Nem sequer deu para estar minimamente atento ao futebol e ao Sporting. Deu apenas para ir votar no dia 23 de Março, ver os dois jogos da seleção e ver o jogo do Sporting em Braga. Voltarei a atualizar-me devidamente para voltar a produzir posts minimamente informados mas, por ora, os comentários são muito sumários. Ei-los:

1. Bruno de Carvalho é o novo presidente do Sporting. Deseja-se que seja o início de um novo ciclo na vida do clube. Deseja-se que Bruno de Carvalho tenha as capacidades exigidas para a liderança de uma instituição cuja dimensão ultrapassa (em muito) a que tem transparecido. Deseja-se que o clube estabilize, assuma aquilo que é, defina os seus objetivos e procure o melhor rumo para voltar a ter um lugar adequado à sua dimensão. Deseja-se, acima de tudo, que todos aqueles que pretendem atrapalhar a vida de Bruno de Carvalho por vendetta ou estratégia de poder fiquem sossegados e deixem o novo presidente implementar as suas ideias. Estarei, naturalmente, atento mas a primeira mensagem é de apoio. Não estou com o A, o B ou o C: estou e estarei sempre com e pelo Sporting.

2. A seleção nacional de Paulo Bento mantém um registo que pode surpreender muita gente mas a mim, como sabem, não surpreende nada. Eu não vou dizer, como nunca disse, que Paulo Bento tem um "campo de recrutamento" (como se diz agora) fantástico e que o aproveita mal. Isso não. Mas tem um campo de recrutamento bem melhor do que ele próprio pensa. Sucede que ele aplica a lógica Scolari (grupo fechado). Mas fá-lo com uma geração completamente diferente da de Scolari. Mesmo essa filosofia scolariana só rendeu em 2004 e 2006, quando ainda havia muitas opções de qualidade e se discutiam lugares na seleção. Em 2008, já com a seleção a perder alguma da qualidade do início do século e estando "desgastada" a base do meio-campo do FCP de Mourinho, foi o que se viu: apuramento muito complicado e eliminação nos 1/4 do Euro. Paulo Bento tem que perceber que tem que ser criativo nos particulares. Se o não for, nos momentos em que não tenha elementos importantes, a seleção ressente-se de forma demasiado clara. Um selecionador, digamos, menos conservador, teria deixado Moutinho no banco em Israel, lançando Viana. Paulo Bento não. Insiste e insistirá até ao fim com o 11 que tem na cabeça, desde que esses 11 se consigam locomover sem recurso a muletas. Porque também é um tipo com alguma sorte, agora que não tem mesmo mais opções para o centro da defesa no jogo com a Rússia, poderá lançar Neto que, por mera coincidência, jogou com o Equador, naquele que foi o único (único!) teste verdadeiramente sério que Paulo Bento promoveu relativamente a um "não-indiscutível". A ver vamos, mas acho sinceramente pouco provável que este selecionador consiga apurar esta seleção para o Brasil.

3. O Sporting venceu em Braga na segunda-feira, quando ninguém o esperava (eu por acaso apostei na nossa vitória, mas fá-lo-ia sempre porque nunca aposto contra o Sporting). Bom prenúncio para o novo presidente que se sentou no banco, ao lado do treinador. Jesualdo no fim disse que nem deu pelo presidente no banco e já foi criticado por todos. Eu não interpretei as declarações de Jesualdo nesse sentido: para mim, o que Jesualdo quis dizer é que o presidente não assumiu no banco uma postura institucional, sendo mais um sportinguista a dar apoio. O que é bom - esteve próximo mas não se impôs. Para mim esteve muito bem. Quanto ao jogo, se é verdade que, com um pouco mais de organização defensiva, tudo teria ficado resolvido na primeira parte (aquele primeiro golo é inacreditável), também é verdade que a segunda foi um festival de lances desperdiçados pelo Braga. Tivemos sorte e um Wolfswinkel em grande. Soube muito bem esta vitória, nem sequer estava nos planos realistas e são 3 pontos que vêm mesmo a calhar. Creio que, ainda assim, precisamos de mais 12 pontos para atingir o 5º lugar. Tinha previsto entre 45 e 48 como os necessários, mas de facto 42 devem chegar. A meu ver, o Rio Ave estatelou-se, o Estoril não vai ter pedalada e o Guimarães tem uma equipa tão jovem quanto a nossa mas sem a mesma qualidade, apesar de tudo. Assim, os adversários são o Marítimo e o Nacional. Considerando que recebemos o Nacional, podemos ter aí a nossa vantagem sobre um dos adversários. Quanto ao outro, não dependemos de nós, até porque temos desvantagem no confronto direto mas olhando aos dois calendários, diria que somos favoritos. Até porque com 30 pontos a descida está definitivamente fora de causa e os jogadores, libertos desse fantasma, vão render mais.

4. Dias Ferreira aborreceu-se e abandonou o Dia Seguinte, Barroso voltou ao registo lamechas pré-PMAG, ROC não ouvi mas de qualquer forma comentou antes do jogo de Braga. Sei que não depende apenas do clube, mas seria bom repensar a constituição destes painéis. Ou a renovação só é essencial na direção, caros comentadores?

PS: Uma (humilde) chamada de atenção ao Bruno de Carvalho: cuidado que já anda demasiada gente a falar... É verdade que fomos prejudicados pela arbitragem em Braga mas convenhamos que 2 lances não definem uma "perseguição", ainda para mais quando no segundo lance fiquei exatamente com a mesma impressão do árbitro (pareceu-me que o Joãozinho arrastou o pé para tentar cavar a falta). O lance do Capel, sim, pareceu-me evidente mas, caramba!, não é mais do que um erro. Um erro (admitamos que grave) em 90 e tal minutos. Vamos começar as contra-producentes campanhas caliméricas por causa de um lance?!

02/04/2013

Pressa de ganhar!


Na fase inicial do jogo, foi esta a impressão com que fiquei. Uma pressa impressionante de chegar ao golo. Apesar de alguns passes falhados, de alguma precipitação, gosto de ver a equipa assim. Deixa de existir um deixar o tempo correr, um esperar que o golo chegue por si só mas sim, provocar que o golo aconteça. Nesta fase, os avançados teimavam em não aparecer no jogo. Rodrigo e Lima não conseguiam aparecer para finalizar, não fugiam das marcações nem seguravam a bola. Sendo assim, era pelas faixas que o Benfica ia criando perigo e chegando à grande área adversária.

Assim, foi sem surpresa que o primeiro golo foi criado por Melgarejo e Gaitán, com o paraguaio a fuzilar a baliza de Oblak. Depois um grande cabeceamento de Matic, com mais uma assistência de Gaitán, fez o 2-0 e logo sentenciou a partida. Ainda houve tempo, na primeira parte, para finalmente um avançado chegar em posição de marcar e Lima não falhou. Com 3-0 ao intervalo não havia dúvidas quanto ao desfecho. Agora para refrear a euforia, é preciso dizer que, por esta altura o resultado era bem melhor que a exibição. Como disse antes, gostei bastante da atitude, mas a capacidade em criar ocasiões de golo foi reduzida. Penso que muito passou pela incapacidade de Rodrigo em ligar Matic e Enzo a Lima mas a eficácia ofuscou estas dificuldades. Ou seja, ao intervalo, apesar dos 3 golos, o Benfica tinha apenas 6 remates e Oblak quase que não tinha tido uma defesa difícil. Pelo meio, algumas incursões de um Bebé estranhamente perigoso, rápido e que podia ter marcado.



Na segunda parte a história foi bem diferente com um Benfica mais perigoso e que conseguia chegar mais facilmente à grande área adversária. Com o 4º golo (grande, grande Lima) e as expulsões (que arbitragem miserável…) a goleada foi inevitável. Com a série de jogos que se avizinha, não percebi porque Jesus demorou tanto tempo a dar descanso a alguns jogadores.

Quinta estamos lá, mas Jesus, mais uma vez, posso desde já te deixar completamente descansado. Tens toda a liberdade para apresentar uma equipa de segunda linha e colocar em risco a passagem à fase seguinte. Depois da época passada, passo muito bem sem a Liga Europa, mas vai ficar muito difícil se desperdiçar mais uma vantagem importante e tão perto do final. Sei que o teu ego e o facto de ser contra uma equipa inglesa vão ser mais fortes do que tu mas depois de tantos anos, acho que já devias compreender a cabeça dos benfiquistas.

Nota final: só me faltava um Sporting especialmente motivado, com uma vitória em Braga a jogar com 10 e com um jogador do Norwich a marcar três!