04/03/2013

E não é que os aguentámos?

É verdade meus amigos, aguentámos o Porto. E podíamos muito bem ter ganho o jogo com uma equipa em que, às tantas, e depois de mais uma das habituais habilidades com que regularmente nos  brindam nos jogos contra o Porto, entrou com o n.º 71 um tal de Fokobo, jogador de quem, até aos últimos dias, nunca tinha ouvido falar. Confesso que depois reconheci o rapaz, tinha alinhado pela equipa B sob o nome Fabrice. Mas na altura, no estádio, perguntava-me "mas quem é este, será que é o anónimo que respondeu ao meu repto de há 15 dias?".

Bom, convenhamos que o Porto não ganhou o jogo por dois motivos essenciais:
- na primeira parte, porque se deslumbrou com as facilidades (muito embora a melhor oportunidade até tenha sido nossa, mas já lá vamos à apreciação de Wolfswinkel);
- na segunda parte, porque o Sporting teve muito mais personalidade do que na primeira (o discurso de Jesualdo ao intervalo terá sido fundamental - não sei qual foi, mas calculo, já falarei disso mais abaixo).

Mas mesmo a facilitar e com um Sporting razoável, o Porto poderia - deveria! - ter feito muito mais para ganhar o jogo. Como dizia ao Gorbyn no Sábado, o Porto não ganhou porque teve a "sorte" que o Benfica não teve em Alvalade: não sofreu o golo na única oportunidade do Sporting na primeira parte. O Benfica sofreu esse golo. E, ao intervalo, calculo que JJ tenha perguntado aos jogadores do Benfica se iam efetivamente perder contra o pior Sporting em 106 anos de história. Já o Vítor Pereira terá dito aos jogadores "continuem assim que a bola vai lá para dentro mais minuto menos minuto". Eles acreditaram nisto e foi o que se viu.

Não quero com este discurso tirar "mérito" (entre aspas porque um empate não é uma vitória) ao Sporting, pelo contrário. Quero apenas ser realista e afirmar que um Porto a 100% ganhava em Alvalade. Isto dito, quero também deixar claro que, a meu ver, o contraste entre os dois intervalos (Sporting-Benfica e Sporting-Porto) não se fica pela cabina do adversário; a cabina do Sporting também deve ter tido as suas diferenças de discurso. E isso também tem a sua importância.

Vercauteren terá dito aos jogadores algo como "Spletr kiv dahle furtsander kir vehl van den koch stabrinder", o que ninguém percebeu até porque acabei de inventar agora mesmo. Oceano traduziu algo como "eh pá, não percebi o que disse o gajo, aliás o gajo cuspiu-me todo porque a língua que o gajo fala é tramada... sei que estão todos rotos com esta merda das marcações individuais mas parece que não nos deixam mesmo acabar já com o jogo... alguém reanime o Capel e lhe retire o soro da veia, por favor, temos que voltar lá para dentro; Wolfswinkel, tu não és protestante? Pára lá de agradecer o golo à Nossa Senhora de Fátima. Elias, larga imediatamente essa fatia de picanha! E alguém encontre as muletas do Pranjic, para ver se ele consegue subir as escadas de acesso ao relvado."

Já Jesualdo terá limitado o seu discurso ao simples: "como vêem, rapazes, são 11 contra 11 e a melhor oportunidade até foi nossa". Um pouco melhor, convenhamos. Até porque o treinador do Sporting, desta vez, e com exceção da invenção de Dier no meio-campo (o que até correu muito bem na segunda parte), tinha colocado o melhor 11 disponível (eu preferia Carrillo a Labyad de início, mas percebeu-se a intenção), o que confere logo outra legitimidade ao discurso. A manter, caro Jesualdo, a manter: havendo outros disponíveis, nada de queimar miúdos.

Individualmente, queria falar de 5 prestações completamente distintas:

Patrício

Um grande GR e fez um jogo de GR de grande - pouco chamado a intervir (culpa do Porto) mas sempre que o fez resolveu com grande categoria.

Ilori

Um jogão - de todos os jovens da Academia forçados a tomar o lugar na equipa principal, tenho que dizer que era o que menos expetativas (me) gerava. No entanto, limpou tudo pelo ar. Tudo. Não deixou passar uma bola. E na segunda parte secou Jackson. A rever.

Eric Dier

Tem excelentes pés para central, Jesualdo pensou que podia dar para o meio-campo. Na primeira parte, foi complicado. Na segunda, corrigiu o posicionamento e saíu-se bem (desta vez concordo com os freitalobistas, foi por demasiado evidente que na segunda parte deixou de ir à pressão no portador e manteve a ocupação do espaço perfeita até ao timing de saída à bola). Para a semana volta ao eixo da defesa porque o Marcos Rojo lá foi expulso outra vez...

Carrillo

Desmotivado - muito cuidado com este jogador, mantenho que é dos poucos ali que vai muito longe, assim tenha vontade, cabeça, sorte e... bons treinadores. Ainda assim teve uma jogada no fim em que cavalgou o campo todo e só não foi lúcido no último passe. Motivado, teria partido o adversário e entregue ou rematado em condições. Assim, só quis dar a bola para não ser assobiado caso esta fosse parar ao Hipódromo do Campo Grande.

Este jogador tem que ser tão preservado quanto um Bruma, um Dier ou um Zezinho. Não é por não vir da Academia que não merece a proteção conferida a qualquer jovem que faz merda. Calma!

Wolfswinkel

Duvido que tenha havido muita gente a defender este jogador como eu o fiz. E nos timings em que o fiz. E nos locais em que o fiz. Mas os dois golos de Sábado são para marcar. No primeiro lance, além de não avançar mais um metro ou dois, como podia fazer, rematou denunciado e fraco, parecendo deslumbrado com a oportunidade que a sua própria (excelente) desmarcação criou; no segundo lance, só posso justificar o falhanço com cansaço ou desmotivação, porque até era um lance em que o Helton tinha a capacidade de ação limitada pelo facto de estar fora da área.

O que dizer, então, sobre este jogador? Muito simples: o que eu sempre disse dele. Sem contar agora com o aspeto psicológico, que claramente afeta um PL que nem pode ter descanso ou alternativa nas fases menos boas, quero dizer claramente que não retiro uma vírgula ao que disse antes: é um bom PL fixo, jogador de área, para estar - adivinharam... - na área. Não para andar a fazer de Postiga nas alas ou a segurar jogo à espera que a equipa suba 30 metros para se juntar a ele.

Wolfswinkel não é de facto o ponta-de-lança ideal para este Sporting. Este Sporting precisava de um jogador mais móvel, com mais poder de choque, com facilidade de remate e mais velocidade. Mas Wolfswinkel não foi contratado para este Sporting, foi contratado para um Sporting minimamente "normal", que precisa de um rato de área (pode ser Wolfswinkel ou outro) apoiado por um Matias ou por um Labyad e com dois extremos próximos dele ou mesmo a jogar com dois avançados. Wolfswinkel, que é um jogador de área, daqueles PL irritantes que aparece no sítio certo e marca quase sempre golos fáceis, tem jogado a 35/40 metros da baliza e os seus apoios mais próximos têm sido dois médios-ala mais preocupados em ajudar o lateral do que em servir o avançado...

Ou seja, não é bem Wolfswinkel que não serve, é este Sporting que não serve a Wolfswinkel... Só para dar um exemplo, acho que o Lima seria perfeito para este esquema; já o Cardozo, que defendo mais do que muitos benfiquistas, dificilmente marcaria muito mais golos do que o Wolfswinkel se jogasse neste esquema (marcaria mais porque remata muito melhor, é mais forte de cabeça, tem os livres diretos e até aprendeu a marcar penalties... mas duvido que fizesse metade dos golos que marca no Benfica).

Nota final para uma grande exibição de Rinaudo na segunda parte. Só não merece destaque porque o nosso trinco e capitão de equipa fez tantos disparates nos jogos anteriores que me é difícil dar-lhe o destaque que mereceria neste jogo. Se se mantiver assim por 3 ou 4 jogos, volto a acreditar nele. Até lá, sinceramente, fico sempre como aquele russo meio coxo que lá andava no Sábado: de pé atrás.

***

Enfim, mais um ponto. Andamos nisto. Agora é ganhar em Coimbra. Depois disso, com a cabeça mais leve, partir para outro tipo de futebol. Ando a dizer isto há semanas, eu sei. Mas só quando o fantasma da luta pela manutenção sair da cabeça dos jogadores é que eles se vão soltar. E não é com este ponto que os fantasmas se afastam.

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