23/03/2013

Sporting: quem venceu o último debate?

(Hugo Tavares in coberturadefensiva.blogspot.pt)


Esta é, definitivamente, uma corrida a dois. Bruno Carvalho e José Couceiro são os únicos candidatos com possibilidades de vencer a corrida à presidência do Sporting. Se sempre foi uma evidência, ontem ficou só mais uma vez bem explicito com a quantidade de vezes que o ecrã ficou dividido entre os dois.

Quem ganhou? Prefiro dizer quem não perdeu. Quem não perdeu foi Bruno Carvalho. Admiro muito Hélder Conduto mas julgo que ontem, pelo menos na fase inicial, não conduziu o debate da melhor maneira, tentou acalentar a coisa... e conseguiu, depois foi complicado segurar.

Primeiro, estavam e estão todos de acordo sobre a falta de legitimidade de Godinho Lopes para contratar, vender ou renovar contratos de jogadores, nomeadamente Wolfswinkel e Rui Patrício.

Depois, perdeu-se demasiado tempo em conversa populista: rendimentos. Por que razão é uma coisa positiva alguém dizer que vai estar no Sporting sem receber? Não entendo. Se não recebe, vai receber noutro lado, seja licitamente, logo não estará 24h disponível para o clube, seja ilicitamente. Normalmente nestas questões populistas o protagonista é Carlos Severino, que se sente fragilizado e sem hipóteses.

Mais tarde, ficámos mais ou menos a saber que ainda há bancos disponíveis para o Sporting e que há investidores igualmente interessados em ajudar ou catapultar o clube para outra dimensão, a correspondente à sua história. Severino fala na disponibilidade de bancos que não são credores actuais, nomeadamente de um banco holandês comprar dívida do clube (se bem entendi, admito que estava muito barulho na tasca onde ouvi). Bruno Carvalho fala em investidores que injectarão qualquer coisa como 15/20 milhões numa primeira fase. José Couceiro fala em "investidores sportinguistas", se é uma mão cheia de nada ou não, veremos.

José Couceiro surpreendeu finalmente com um nome forte no mundo leonino: Pedro Barbosa. Se antes foi um capitão adorado, com uma classe invulgar, hoje é um comentador respeitado e simpático para qualquer adepto de futebol. Severino tem o trunfo Cruyff. Eu que sou fã da escola holandesa, da metodologia (a pirâmide Coerver por exemplo) e do "futebol total" criado por Rinus Michels... fico entusiasmado mas ao mesmo tempo pergunto: 50 mil euros/mês para cinco treinadores das camadas jovens? Dez mil euros por cada? Mas eles têm alguma poção mágica do Asterix? Noutro clube diria que esse trunfo podia ser tentador, bastante até... no Sporting, se há "petróleo", como disse Severino, é na academia.

De seguida, José Couceiro tentou distanciar-se de Bruno Carvalho numa temática: fusão da SPM (Sporting Património e Marketing) e SAD. Couceiro mostrou-se contra a transferência do passivo para o clube, opinião que ganha alguns seguidores entre os adeptos. Bruno Carvalho defendeu-se na tese de que a medida já foi aprovado em Assembleia Geral e de que nada há a discutir. Couceiro tentou saber se Carvalho pretendia transferir 120 milhões de passivo... e nada, não passou dai. Ficou a nota, Couceiro quis distanciar-se, é contra o "lixo tóxico", como dizem na economia, no coração do Sporting.

Depois, alguém rebentou os balões e decidiu fazer-se uma festa. Severino começou a atacar Couceiro de uma forma incrível. "O Izmailov tem o mesmo empresário que tu, que te levou para a Rússia (Lokomotiv). Por isso é que nunca falaste no Izmailov". Mentira, fartei-me de ler artigos que tinham frases de Couceiro sobre o russo. Depois foi o Alverca e a descida de divisão... Depois a passagem de Couceiro no clube em 1998, como director-geral. Foi discutida a contratação e falhanço de Carlos Manuel... Bom, de repente, Couceiro foi o alvo, e Carvalho tranquilo, Severino estava a fazer o trabalho por ele.

Durante o debate, chegou a ouvir-se um "você sabe zero de futebol, você é zero" de José Couceiro para Bruno Carvalho, enquanto a resposta foi "você é incompetente". O tom subiu. 

Considero que Couceiro aqui e ali se sentiu nervoso... Carvalho com aquele jeito calmo, pausado (irritante?), consegue manter-se tranquilo sem se precipitar e enervar os outros. Couceiro foi atacado e, mesmo que seguro de si, senti que tremeu um pouco.

Ninguém ganhou o debate, durante algum tempo nem os sportinguistas, mas um candidato não perdeu: Bruno Carvalho.

22/03/2013

Benfica não pode encomendar as faixas de campeão mas...

(Hugo Tavares in coberturadefensiva.blogspot.pt)

O empate do FC Porto no Funchal deixa a via aberta para o Benfica conquistar o título. Como tão bem lembra o jornal i, desde 1987, quem liderava o campeonato a sete jornadas do fim foi campeão.
Mas isso não chega. Analisemos os calendários de ambos os clubes:

Académica (f), Sp. Braga (c), Moreirense (f), Setúbal (c), Nacional (f), Benfica (c), Paços Ferreira (f)
Rio Ave (c), Olhanense (f), Sporting (c), Marítimo (f), Estoril-Praia (c), FC Porto (f), Moreirense (c)

O mais relevante factor a dar nota: enquanto o Benfica vai jogar quatro vezes em casa, o FC Porto terá apenas três jogos caseiros, entre eles com Sp. Braga e o principal rival.

Poderá o Benfica encomendar as faixas? Eu diria que não. A recepção ao Sporting é sempre imprevisível, o orgulho dos "leões" costuma vir ao de cima nestes jogos. A deslocação ao campo do Marítimo - onde o FC Porto acabou de perder dois pontos - será muito complicada, mas é provável que os madeirenses se dêem pior com uma equipa parecida com a deles, que aposta em esticar o jogo nas transições rápidas. Quanto ao jogo no Dragão... mesmo com esta confiança toda, aposto que os adeptos da Luz preferem não arriscar e ir com os quatro pontos de avanço, pois sabem perfeitamente que o FC Porto tem mais estofo para estes jogos decisivos. Alguns até dizem "se bastar empatar, perdemos...". Chama-se respeito. E ninguém pode esquecer o fantasma dos cinco pontos de avanço do ano passado... sim, Jesus parece menos cientista e inventa menos mas...

O FC Porto terá deslocações dificílimas aos campos do Nacional e Paços de Ferreira, a sensação do campeonato. É essencial o FC Porto ganhar os dois próximos jogos porque o Benfica terá depois outros dois bastante complicados (Sporting e Marítimo), onde pode muito bem perder quatro pontos.

Os dois candidatos ao título continuam sem perder, mas o Benfica é mais forte na finalização e isso tem feito a diferença. Os encarnados têm mais oito golos marcados do que o FC Porto. Faz sentido se pensarmos na abordagem ao jogo, por vezes meio tresloucada, e na qualidade (e quantidade) dos avançados ao dispor de Jorge Jesus. Já no FC Porto causa estranheza a ausência de Liedson num jogo como o de domingo, onde era enorme a necessidade de um golo. A actual forma de Varela deixa muito a desejar. Otamendi continua a parecer-me um flop, não me convence. Atsu magoou-se quando finalmente ganhou a merecida titularidade. Izmailov parece ser mais um tiro no pé dos dragões, tal como Liedson, e pouco tem contribuído. James é um craque mas está com falta de andamento. Quem substitui Moutinho? ... A evidência? O plantel do FC Porto está mal desenhado e o clube deverá pagar caro por isso. Lembro ainda o empate caseiro frente ao Olhanense (18.ª jornada): o campeão nacional a precisar de mudar as coisas, num jogo que até começou a perder com um golo de Targino, e quem é que Vítor Pereira colocou em campo? Tozé (20 anos), Sebá (20) e Liedson. Dois jogadores inexperientes e um jogador "fora dela", como se costuma dizer em futebolês, para mudar o rumo do jogo. Incompreensível e pouco comum num clube como o FC Porto.

As próximas duas jornadas podem ditar o campeão. Se o FC Porto tropeçar com o Sp. Braga e o Benfica chegar aos seis pontos de avanço, está feito.

Falta referir ainda que a saída do FC Porto das competições europeias pode jogar a seu favor a nível físico, mas é provável que haja um sentimento de desilusão. O Benfica está e tem perspectivas de continuar na Liga Europa (Newcastle). Veremos se terá peso, Jesus tem surpreendido ao gerir a equipa.

O Benfica é favorito? Sim. Os quatro pontos de avanço legitimam esta vulgaridade aguda que acabei de escrever... mas também o calendário é favorável ao clube da Luz.

18/03/2013

Finalmente, uma foto!


Sim, uma foto! Foto que significa vitória, como sabem. Têm sido poucas este ano, a partir de Junho volto ao registo habitual.

Não ganhámos folgadamente, mas convém dizer que até o merecíamos. Apesar de Jesualdo não me ter feito a vontade (insistiu em Dier a meio-campo e Bruma a titular), a verdade é que o Sporting fez um jogo razoável, construíu tantas oportunidades de golo neste jogo como em todo o "consulado" de Sá Pinto e Vercauteren (juntos) e, apesar da permissividade defensiva (o Vitória teve mais oportunidades do que as que o seu futebol justificava), foi de tal forma superior que o próprio José Mota reconheceu no fim a justeza do nosso triunfo, mesmo tendo o Vitória sofrido um auto-golo e um penalty daqueles que raramente se marcam.

A organização deste Sporting está a léguas do de Vercauteren. E foi principalmente esta a razão pela qual continuei a insistir nas melhorias do Sporting de Jesualdo mesmo nas derrotas. Jesualdo também erra, obviamente que sim, mas não em temas básicos como organização defensiva, forma de sair a jogar, posicionamento dos laterais, compensações, etc. Claro que é teimoso, principalmente com Eric e Bruma. Mas aqui já estamos a entrar no treinador de campo vs treinador de bancada típico em qualquer clube; não estamos na lógica do "só o treinador é que não vê que assim vamos descer de divisão".

Adiante. Com 27 pontos o Sporting, talvez pela primeira vez na época, fica psicologicamente mais próximo da luta pela Europa do que da luta pela manutenção. Pode ser que os jogadores se libertem dessa pressão e comecem a jogar um futebol mais consistente. Vamos ver. Por ora, há que dizer que a falta de hábito destas lutas de meio da tabela dá nisto: pensamos que estamos longe do 5º lugar, mas na realidade estamos a 4 pontos (na prática 5 porque o Estoril tem vantagem no confronto direto). A nossa medíocre prestação leva a que esqueçamos o quão fraquinhas são as outras equipas. As tais que são grandes fenómenos mas levam 0-4 em casa dos dois candidatos ao título...

Até ao fim acredito que podemos fazer 11 ou 12 pontos, no máximo. Ficaríamos com 38 ou 39, ainda longe dos 48 que, aquando da entrada de Jesualdo, antecipei como objetivo a atingir. No entanto, a continuar a instabilidade dos resultados dos opositores diretos, pode ser que com um forcing adicional (mais 3 pontos) os 40 e poucos cheguem para o apuramento. Isto tudo para dizer que, no improvável cenário de o Sporting ganhar em Braga, acredito que é possível o apuramento para a UEFA. Convém é que os candidatos à presidência, que já estão a contar com o não-apuramento, parem de falar da possibilidade de sermos excluídos pela UEFA!!

Entretanto, a 23 temos eleições. Acreditem ou não, estou ainda indeciso. Mas como não vou dizer aqui em quem votarei, é indiferente. Que os debates corram bem e ganhe o melhor.

3 pontos fundamentais

Agora sim! Agora acredito que somos os favoritos a vencer o campeonato. No entanto, nada de grandes euforias. Como Jesus disse, ainda faltam sete "etapes" e jogos de grande dificuldade até ao final do campeonato para Benfica e Porto, mais jogos da Liga Europa para o Benfica e um Porto-Benfica na penúltima jornada. Por isso, como disse no post anterior, com 4 pontos de diferença passamos a ter 60% ou 65% de hipóteses de vencer o campeonato mas nada mais do que isto. A não ser que Pedro Emanuel repita o que fez na Luz e este Porto, com dificuldades em criar ocasiões de golo e sem Moutinho, volte a não vencer em Coimbra e então acredito que começarei a ficar contagiado por alguma euforia.

O Benfica começou o jogo desta noite sabendo já o resultado do Porto mas não foi por isso que entrou a todo o gás. Frieza e calculismo são características desta equipa pelo que jogou de forma equilibrada e ponderada. Não tanto como gostaria, pois os dois avançados lá voltaram, mas não correu mal. Depois de 4 foras de jogo mal assinalados contra uma defesa vimaranense que apostava tudo em jogar em linha, Lima escapou num livre rápido e sofreu grande penalidade. Confesso que ao ser assinalada, por não ser daquelas 100% evidentes (mas é penalty), tenho que refrear os meus receios de que já tenham começado as movimentações de bastidores e más arbitragens para desviar o Benfica do caminho do título. Filme já visto em épocas anteriores e que esperamos que não se repita.

A partir da expulsão do homem de Guimarães na 2ª parte, ficou aberta a auto-estrada para a baliza do Guimarães e logo Garay aproveitou com uma grande chapelada. A partir daqui foi só gerir o jogo e aproveitar para dilatar a vantagem.



- Grande jogo de Gaitán, auxiliado pelas movimentações de Melgarejo, embora este continuasse a ser pouco consequente;
- Garay perfeito e a contribuir com um grande golo;
- Enzo todo o terreno;
- Artur fez a defesa da noite, sentado;
- Rodrigo marcou mas estava de trombas.
- Jesus fechou em grande com um "ambas as três". Grande dia!

Não gosto daqueles que só aparecem quando cheira a festa mas era realmente importante que voltassem as grandes assistências em casa. Mínimo de 50.000. Como dizia o tresloucado Paulo Parreira, "a onda vermelha nem o Mcnamara se atreve a surfar"!

Próxima preocupação: deslocação a um Olhanense aflito depois do jogo contra o Newcastle, num campo onde temos sofrido bastante. 

15/03/2013

Dará ressaca?

Quando pensava que Jesus ia arriscar tudo e manter os principais titulares a descansar, surpresa total! Afinal colocou quase tudo a jogar. Pelo menos teve o bom senso de jogar com apenas um avançado. Apenas Lima e Maxi descansaram mas aqueles que mais me preocupam, Matic, Enzo, Salvio e Ola John, jogaram grande parte do jogo. 

No que diz respeito à partida, Bordéus não conseguiu disfarçar as limitações que tem e o Benfica, com o golo de canto numa má saída de Carasso, praticamente sentenciou a eliminatória. A vencer por uma bola ao intervalo, acreditei que seria então que Jesus acabaria por fazer descansar pelo menos Enzo e Salvio. Erro mais uma vez. Tirou Rodrigo aos 67 minutos a Savio e Ola John apenas saíram perto do final. Pelo meio, Bordéus a marcar por duas vezes mas sempre que marcou, Cardozo voltou respondeu logo de seguida e a repetir golos de grande classe na Europa. Especialmente o primeiro em que colocou o defesa e guarda-redes a caírem que nem bonecos.


Principais notas:
- Matic brutal no meio campo, acompanhado por um Enzo sempre em alta rotação;
- Gaitan a espaços, a fazer a diferença no meio campo;
- Roderick e André Almeida com uma primeira parte muito sofrível mas lá se encontraram na segunda;
- Ola John estranhamente a acumular disparates durante toda a primeira parte mas melhorou na segunda;
- Salvio desinspirado;
- Melgarejo, mais uma vez, bem a defender, inconsequente e pouco inteligente a atacar;
- Cardozo a matar o Bordéus com dois golos de grande classe e frieza;
- Jorge Jesus hilariante com um colete que o fazia parecer o boneco da Michelin.



E agora? Haverá as pernas necessárias para Guimarães? Face ao descanso de Lima e Cardozo, jogaremos com dois avançados depois do desgaste de uma deslocação europeia e  num campo difícil? Salvio e Ola John estarão em condições? Garay e Luisão recuperam? Depois de Jesus afirmar que quem saísse primeiro da Europa, tinha mais hipóteses no campeonato, como é que ficamos? Acho sinceramente que a próxima jornada é importantíssima e reforço os meus receios depois de tantos titulares terem jogado esta noite. Se quando estávamos em igualdade pontual considerava que tínhamos 40% de hipóteses de vencer o campeonato, depois do empate do Porto acho que subimos para 45%. Se aumentarmos a diferença pontual nas próximas jornadas (+2 pontos), saltamos claramente para uns 60% ou 65%, mas sei que nunca estaremos num 50/50 pois ainda não estamos habituados a ganhar o suficiente para assumir o jogo no Dragão. 

11/03/2013

Ah e tal, parece que jogámos Sábado

E parece-me que conquistámos 1 ponto pelo que me apercebi do jogo. Como este ano não ando a dar especial sorte, vi apenas a primeira meia-hora. E constatei que se repete permanentemente o mesmo erro em Alvalade: aplicar como grandes soluções estruturais (para gáudio dos blogo-histéricos para quem Fokobo já seria o novo Marcel Desailly) receitas que conjunturalmente resultaram em situações muito específicas.

Digamos a verdade em três atos:

1. Eric Dier jogou a médio contra o FCP, porque era o FCP. Ponto.
2. Fokobo entrou para central nos últimos 10 minutos porque não havia outra opção. Ponto.
3. O Sporting precisa de estabilizar um 11 para a grande maioria dos jogos. Ponto final.

Assim, e salvo situações excecionais, havendo outras opções para além das "de recurso", não inventemos. Repare-se que o próprio Dier, a central, já é, ele próprio, uma solução de recurso. Fokobo é o suplente da solução de recurso. Não está em causa o erro de Fokobo no penalty (claríssimo) que o injustiçado Wilson Eduardo converteu. Nada disso. Está em causa toda uma exibição na primeira parte e toda uma equipa que continua a não engatar.

Este Sporting vive de poucas coisas. E uma das poucas coisas que vem tendo é a agradável surpresa quanto ao rendimento de alguns jovens. Mas havendo Carrilo, Bruma tem que esperar. Havendo Adrien, Zezinho tem que esperar. Havendo Rojo, Ilori ou Dier terão que esperar. Sim, porque mesmo Ilori é uma solução de recurso, é bom lembrar.

Ou seja, o dificílimo trabalho de Jesualdo tem, a meu ver, um momento na semana menos difícil: o da escolha do 11. Porque para essa escolha devem contribuir fatores tão óbvios quanto (i) a rotina e (ii) a experiência dos jogadores. Não ponho em causa, naturalmente, o que possa ter sido a semana de trabalho com Jesualdo e se foi esse, de alguma forma, o fundamento das escolhas, desde já retiro o que disse. Mas o que me parece é que a solução de Dier a meio-campo, que correu bem contra o FCP, foi pensada para aquele adversário, e não como estratégia de fundo.

Assim, o 11 normal deveria ser este:
GR: Rui Patrício
DD: Miguel Lopes
DC1: Boulahrouz
DC2: Rojo
DE: Joãozinho
MD: Rinaudo
MC1: Adrien/Schaars
MC2: André Martins/Labyad
ED: Carrillo
EE: Capel
AV: Wolfswinkel

Infelizmente, só em duas posições há opções neste momento. Essas posso tentar compreender. Posso discordar, mas tento compreender.

Não sendo possível este 11, então sim, avancemos para as opções de recurso:
GR: Boeck
DD: Cedric
DC1: Ilori
DC2: Dier (reparem como Fokobo só entra se houver 3 centrais indisponíveis...)
DE: desvie-se Rojo ou Miguel Lopes ou mesmo Dier
MD: recuar Schaars, ou Zezinho, ou mesmo Dier
MC1: Zezinho
MC2: João Mário
ED: Bruma
EE: Jeffren/Viola
AV: Rubio/Betinho/Viola

De notar que as semelhanças entre um 11 constituído pelas opções de recurso e a equipa B não são meras coincidências... O 11, na realidade, é a equipa B com os suplentes da A. Equipa B que segue em 3º na II liga, a 20 e tal pontos do líder Belenenses, equipa que para o ano, muito provavelmente, não fará mais do que 30/35 pontos na I Liga.

É que uma coisa é a equipa A, por fraca que seja, com alguns elementos da B. Outra, bem diferente, é a equipa B + suplentes da A constituir meia equipa. Com Cedric, Ilori, Fokobo, Dier e Bruma, foi isso que fez Jesualdo. Que me parece estar a fazer um bom trabalho em circunstâncias complicadas. Mas, ainda assim, a abusar do experimentalismo...

Termino dizendo o que seria o meu 11 no próximo jogo, assumindo a indisponibilidade de Boulahrouz:
GR: Rui Patrício
DD: Miguel Lopes
DC1: Dier/Ilori (esta deixo para o Jesualdo, como achar melhor)
DC2: Rojo
DE: Joãozinho
MD: Rinaudo
MC1: Adrien/Zezinho (nesta concedo porque o Adrien anda a jogar novamente muito mal, segundo rezam as crónicas)
MC2: André Martins/Labyad (outra para o Jesualdo)
ED: Carrillo
EE: Capel
AV: Wolfswinkel

O onze mais rotinado e mais experiente. Se acabar por entrar Zezinho, repare-se que estão 2 suplentes/Bs em 11 e não meia equipa. A ver se Jesualdo não segue o (mau) exemplo dos seus predecessores, ignorando o seu amigo e conselheiro Koba...

O jogo ideal

Depois das últimas más exibições para o campeonato, depois do jogo fraquinho contra o Bordéus, depois dos assobios que se ouviram no final do jogo europeu e antes de novo jogo para a Liga Europa, era mesmo um jogo destes que fazia falta ao Benfica! 

O jogo correu da melhor forma, tendo chegado facilmente ao dois zero com dois golos aos trambolhões e sorte à mistura e depois foi só gerir o esforço e marcar mais dois golos pelo meio e outro no final. Óptimo para a motivação, óptimo para a confiança, óptimo para a gestão física, óptimo para os aplausos, óptimo para a diferença de golos.

Neste jogo sobressaiu o que de melhor o Benfica apresenta esta época:
- a classe e eficiência de Garay;
- a omnipresença e clarividência de Matic;
- a raça e leitura de jogo de Enzo;
- os desequilíbrios e técnica de Salvio;
- as deambulações e assistências de Ola John;
- as movimentações e finalizações de Lima.


Agora não se cansem muito em França. Garanto que não vou ficar muito chateado se forem eliminados. Podem dizer que não sou um verdadeiro benfiquista por não pensar em grande, ou que está em causa o prestígio europeu (não acho, isso apenas acontece na Champions ou a partir das meias-finais) ou que estou a ser condescendente porque em Inglaterra jogam mais jogos e não se cansam. Recordo-me bem como terminámos o campeonato na época do título e como tivemos quebras impressionantes de rendimento nesta fase do campeonato nas restantes épocas. Por isso, não se cansem muito que preocupo-me a sério é com o jogo em Guimarães. Se me oferecessem já uma vitória contra os vimaranenses em troca de uma eliminação da Liga Europa, podem crer que aceitava já. Depois de uma deslocação europeia, contra um adversário especialmente motivado em jogar contra o Benfica, num campo tradicionalmente complicado, com um Jesus que teima em jogar com dois avançados, os receios são grandes.

08/03/2013

Vitória austera

Ganhámos, um-zero nas competições europeias nem é um mau resultado, mas ficou a sensação que houve uma altura do jogo em que o Benfica podia e devia ter forçado mais. A gestão do plantel era obrigatória e Jesus fez descansar Maxi, Enzo, Salvio e Lima, para além da ausência forçada de Matic. A equipa naturalmente que se ressentiu mas a verdade é que o nível exibicional, mesmo com o onze mais forte, também não tem andado famoso.

No meio do muito mau futebol que Benfica e Bordéus apresentaram, surgiu um grande golo de Rodrigo e pouco mais digno de registo. Aquando da dupla substituição de Salvio e Perez ainda pensei que o Benfica ia apostar em resolver já a eliminatória em Lisboa mas nada disso aconteceu. Não sei se as instruções passavam por uma exibição económica, se os jogadores não estavam devidamente motivados ou se o cansaço é transversal a todo o plantel, mas efectivamente nunca se sentiu vontade e fulgor em ir para cima dos franceses quando estes começaram a dar mais espaço.


- Luisão foi o homem do jogo, interceptando quase todos os lances na sua área de influência e não falhando um único corte;
- Garay a manter o registo de classe e eficiência;
- Melgarejo cada vez melhor a defender (enquanto não aprende a atacar);
- Roderick... também não deve ter sido ele a pedir para jogar a trinco mas é, no mínimo, deprimente;
- Carlos Martins a dar a impressão que já não será possível voltar a níveis de forma decentes.

Questões:
- Aimar não é titular nem sai do banco porquê?
- Urreta cometeu algum crime?
- André Gomes só serve para jogar no estrangeiro?

Vergonhoso:
Os assobios dos adeptos quando não há muitas razões para isso deixa-me doente. É claro que foi um jogo horrível e que muitas vezes me interroguei o que fazia ali com os sapatos molhados e os pés gelados a ver aquela tristeza. Mas daí a assobiar uma equipa que está a vencer, que precisa de confiança e apoio para entrar moralizado no campeonato, com fortes apupos inclusivamente a produtos da cantera, é mais que uma burrice. Estão à espera que se arrisque numa Liga Europa que ainda está recheada de boas equipas para fragilizar a luta pelo título quando vamos com dois pontos de vantagem?!   

05/03/2013

Antes sós que mal acompanhados

Era óbvio que estávamos mal acompanhados no topo da liderança e não há qualquer dúvida que estamos muito melhor assim, sozinhos, sem companhia. Com a óptima e algo inesperada ajuda do Sporting, o Benfica aproveitou e agarrou os 3 pontos em Aveiro. No entanto, agarrou de forma frágil, tremida e sem grande convicção. De tal forma que poderiam, com um pouco menos de sorte, ter escapado e esbanjar-se assim uma excelente e, da forma como a época está a correr, rara oportunidade.

Aquilo que mais me angustia em relação ao que ainda falta jogar desta época, continua a acontecer. A teimosia que não me canso de repetir de Jesus jogar com dois avançados em jogos fora e mesmo nos mais competitivos em casa, é meio caminho andado para o desastre. Foi assim com uma equipa que, como Costinha dizia, apenas tem equipas da segunda liga atrás. Uma equipa que conseguiu inclusivamente ter mais posse de bola que o Benfica e praticamente o mesmo número de ataques e remates. Porra Jesus! Já não chegava o que sofri a ver o Sporting-Porto ainda tive que ter igual dose contra o Beira-Mar? Põe-te a fazer as mesmas opções quando jogares em Guimarães, depois da deslocação a Bordéus, e terás, muito provavelmente, o mesmo desfecho da época passada, o princípio do fim das hipóteses de conquistar o campeonato.




É verdade que muitos dos titulares não jogaram contra o Braga mas, na realidade, a equipa acusa e bastante o cansaço dos muitos jogos disputados nas últimas semanas. Sendo assim, era indispensável reforçar o meio-campo. Não era por jogar com Gaitán que a equipa seria menos ofensiva e também não foi pelas evidências que o jogo mostrava que a primeira alteração foi neste sentido. E Urreta já não serve?! Depois daquele grande jogo contra o Nacional não merecia mais?! Vá lá Jesus, ganha juízo! Não se pode perder pontos nesta fase! E tenho medo do desgaste da Liga Europa, sobretudo pelo jogo de Guimarães que já referi em cima. O Porto também tem uma deslocação difícil ao Funchal depois da deslocação a Espanha, mas não há como poupar num jogo da Champions em que está em vantagem.

Concluindo, jogo horrível, bem abaixo do esperado e sem aquela motivação extra que se perspectivava depois de conhecerem o resultado do Porto. Já para os adeptos, foi o que bastou para corresponderam logo em número impressionante.

Quinta estou lá, mas Jesus, compreenderei perfeitamente se fizeres descansar os jogadores que têm alternativas menos fiáveis. O campeonato é essencial! 

04/03/2013

E não é que os aguentámos?

É verdade meus amigos, aguentámos o Porto. E podíamos muito bem ter ganho o jogo com uma equipa em que, às tantas, e depois de mais uma das habituais habilidades com que regularmente nos  brindam nos jogos contra o Porto, entrou com o n.º 71 um tal de Fokobo, jogador de quem, até aos últimos dias, nunca tinha ouvido falar. Confesso que depois reconheci o rapaz, tinha alinhado pela equipa B sob o nome Fabrice. Mas na altura, no estádio, perguntava-me "mas quem é este, será que é o anónimo que respondeu ao meu repto de há 15 dias?".

Bom, convenhamos que o Porto não ganhou o jogo por dois motivos essenciais:
- na primeira parte, porque se deslumbrou com as facilidades (muito embora a melhor oportunidade até tenha sido nossa, mas já lá vamos à apreciação de Wolfswinkel);
- na segunda parte, porque o Sporting teve muito mais personalidade do que na primeira (o discurso de Jesualdo ao intervalo terá sido fundamental - não sei qual foi, mas calculo, já falarei disso mais abaixo).

Mas mesmo a facilitar e com um Sporting razoável, o Porto poderia - deveria! - ter feito muito mais para ganhar o jogo. Como dizia ao Gorbyn no Sábado, o Porto não ganhou porque teve a "sorte" que o Benfica não teve em Alvalade: não sofreu o golo na única oportunidade do Sporting na primeira parte. O Benfica sofreu esse golo. E, ao intervalo, calculo que JJ tenha perguntado aos jogadores do Benfica se iam efetivamente perder contra o pior Sporting em 106 anos de história. Já o Vítor Pereira terá dito aos jogadores "continuem assim que a bola vai lá para dentro mais minuto menos minuto". Eles acreditaram nisto e foi o que se viu.

Não quero com este discurso tirar "mérito" (entre aspas porque um empate não é uma vitória) ao Sporting, pelo contrário. Quero apenas ser realista e afirmar que um Porto a 100% ganhava em Alvalade. Isto dito, quero também deixar claro que, a meu ver, o contraste entre os dois intervalos (Sporting-Benfica e Sporting-Porto) não se fica pela cabina do adversário; a cabina do Sporting também deve ter tido as suas diferenças de discurso. E isso também tem a sua importância.

Vercauteren terá dito aos jogadores algo como "Spletr kiv dahle furtsander kir vehl van den koch stabrinder", o que ninguém percebeu até porque acabei de inventar agora mesmo. Oceano traduziu algo como "eh pá, não percebi o que disse o gajo, aliás o gajo cuspiu-me todo porque a língua que o gajo fala é tramada... sei que estão todos rotos com esta merda das marcações individuais mas parece que não nos deixam mesmo acabar já com o jogo... alguém reanime o Capel e lhe retire o soro da veia, por favor, temos que voltar lá para dentro; Wolfswinkel, tu não és protestante? Pára lá de agradecer o golo à Nossa Senhora de Fátima. Elias, larga imediatamente essa fatia de picanha! E alguém encontre as muletas do Pranjic, para ver se ele consegue subir as escadas de acesso ao relvado."

Já Jesualdo terá limitado o seu discurso ao simples: "como vêem, rapazes, são 11 contra 11 e a melhor oportunidade até foi nossa". Um pouco melhor, convenhamos. Até porque o treinador do Sporting, desta vez, e com exceção da invenção de Dier no meio-campo (o que até correu muito bem na segunda parte), tinha colocado o melhor 11 disponível (eu preferia Carrillo a Labyad de início, mas percebeu-se a intenção), o que confere logo outra legitimidade ao discurso. A manter, caro Jesualdo, a manter: havendo outros disponíveis, nada de queimar miúdos.

Individualmente, queria falar de 5 prestações completamente distintas:

Patrício

Um grande GR e fez um jogo de GR de grande - pouco chamado a intervir (culpa do Porto) mas sempre que o fez resolveu com grande categoria.

Ilori

Um jogão - de todos os jovens da Academia forçados a tomar o lugar na equipa principal, tenho que dizer que era o que menos expetativas (me) gerava. No entanto, limpou tudo pelo ar. Tudo. Não deixou passar uma bola. E na segunda parte secou Jackson. A rever.

Eric Dier

Tem excelentes pés para central, Jesualdo pensou que podia dar para o meio-campo. Na primeira parte, foi complicado. Na segunda, corrigiu o posicionamento e saíu-se bem (desta vez concordo com os freitalobistas, foi por demasiado evidente que na segunda parte deixou de ir à pressão no portador e manteve a ocupação do espaço perfeita até ao timing de saída à bola). Para a semana volta ao eixo da defesa porque o Marcos Rojo lá foi expulso outra vez...

Carrillo

Desmotivado - muito cuidado com este jogador, mantenho que é dos poucos ali que vai muito longe, assim tenha vontade, cabeça, sorte e... bons treinadores. Ainda assim teve uma jogada no fim em que cavalgou o campo todo e só não foi lúcido no último passe. Motivado, teria partido o adversário e entregue ou rematado em condições. Assim, só quis dar a bola para não ser assobiado caso esta fosse parar ao Hipódromo do Campo Grande.

Este jogador tem que ser tão preservado quanto um Bruma, um Dier ou um Zezinho. Não é por não vir da Academia que não merece a proteção conferida a qualquer jovem que faz merda. Calma!

Wolfswinkel

Duvido que tenha havido muita gente a defender este jogador como eu o fiz. E nos timings em que o fiz. E nos locais em que o fiz. Mas os dois golos de Sábado são para marcar. No primeiro lance, além de não avançar mais um metro ou dois, como podia fazer, rematou denunciado e fraco, parecendo deslumbrado com a oportunidade que a sua própria (excelente) desmarcação criou; no segundo lance, só posso justificar o falhanço com cansaço ou desmotivação, porque até era um lance em que o Helton tinha a capacidade de ação limitada pelo facto de estar fora da área.

O que dizer, então, sobre este jogador? Muito simples: o que eu sempre disse dele. Sem contar agora com o aspeto psicológico, que claramente afeta um PL que nem pode ter descanso ou alternativa nas fases menos boas, quero dizer claramente que não retiro uma vírgula ao que disse antes: é um bom PL fixo, jogador de área, para estar - adivinharam... - na área. Não para andar a fazer de Postiga nas alas ou a segurar jogo à espera que a equipa suba 30 metros para se juntar a ele.

Wolfswinkel não é de facto o ponta-de-lança ideal para este Sporting. Este Sporting precisava de um jogador mais móvel, com mais poder de choque, com facilidade de remate e mais velocidade. Mas Wolfswinkel não foi contratado para este Sporting, foi contratado para um Sporting minimamente "normal", que precisa de um rato de área (pode ser Wolfswinkel ou outro) apoiado por um Matias ou por um Labyad e com dois extremos próximos dele ou mesmo a jogar com dois avançados. Wolfswinkel, que é um jogador de área, daqueles PL irritantes que aparece no sítio certo e marca quase sempre golos fáceis, tem jogado a 35/40 metros da baliza e os seus apoios mais próximos têm sido dois médios-ala mais preocupados em ajudar o lateral do que em servir o avançado...

Ou seja, não é bem Wolfswinkel que não serve, é este Sporting que não serve a Wolfswinkel... Só para dar um exemplo, acho que o Lima seria perfeito para este esquema; já o Cardozo, que defendo mais do que muitos benfiquistas, dificilmente marcaria muito mais golos do que o Wolfswinkel se jogasse neste esquema (marcaria mais porque remata muito melhor, é mais forte de cabeça, tem os livres diretos e até aprendeu a marcar penalties... mas duvido que fizesse metade dos golos que marca no Benfica).

Nota final para uma grande exibição de Rinaudo na segunda parte. Só não merece destaque porque o nosso trinco e capitão de equipa fez tantos disparates nos jogos anteriores que me é difícil dar-lhe o destaque que mereceria neste jogo. Se se mantiver assim por 3 ou 4 jogos, volto a acreditar nele. Até lá, sinceramente, fico sempre como aquele russo meio coxo que lá andava no Sábado: de pé atrás.

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Enfim, mais um ponto. Andamos nisto. Agora é ganhar em Coimbra. Depois disso, com a cabeça mais leve, partir para outro tipo de futebol. Ando a dizer isto há semanas, eu sei. Mas só quando o fantasma da luta pela manutenção sair da cabeça dos jogadores é que eles se vão soltar. E não é com este ponto que os fantasmas se afastam.