19/02/2013

Juventude à solta: efeito supresa e alguma sorte; o estranho caso Gil Vicente

 
Minuto 6: o Sporting fazia o 0-2 em Barcelos, para estupefação de todos, sportinguistas incluídos. Um golo de Bruma, que fez a estreia no jogo da semana passada com o Marítimo, outro de Ilori que fez a estreia contra o Leiria, em casa, no ano passado.

Uma entrada de rompante que surpreendeu o adversário. Sim, é verdade, surpreendeu o Gil Vicente. O Gil estava à espera do Sporting 2012/2013 e saíu-lhe esta versão sub-20 cheia de inexperiência mas com vontade de mostrar serviço. Moral da história: o Gil passou os 50 minutos seguintes a correr atrás do resultado.

E a verdade é que com dois erros individuais (um deles do não tão jovem Joãozinho) chegou ao empate. E não fosse a arrancada de Miguel Lopes ao minuto 63 e o jogo seria um belo sarilho. Depois disso, alguma sorte e boa-vontade da rapaziada chegou para aguentar o 2-3 final. Que o Sporting mereceu pela primeira parte que fez, mas que podia perfeitamente ter sido 3-3.

Claro que não deixa de ser curioso que o Gil fique "surpreendido" com o Sporting. Sinceramente, oh Paulo Alves... sei que estamos muito mal mas, caramba, entrar com sobranceria frente ao Sporting não lembra ao diabo! Jogamos pouco, mas os outros só nos ganham porque nos anulam o pouco que temos. Se nos deixarem jogar, aí marcamos um ou dois golitos. Infelizmente, estou seguro que a lição foi aprendida pelo Paulo Alves e restantes "misters" da Liga.

Por outro lado, não deixa de ser curioso que ganhámos os 2 jogos desta época ao Gil Vicente com a mesma receita: supresa. Na primeira volta, um esquema tático inovador e uma estratégia suicida a terminar; na segunda volta, a miudagem da Terra do Nunca...

Agora, convirá não repetir o erro da primeira volta. Lembram-se? Na primeira volta, Sá Pinto achou que o tal abanão que se exigia, e que foi dado no jogo com o Gil Vicente, era mais do que um mero abanão, era mesmo uma estratégia a adotar (o resultado está à vista). Convém agora não repetir o erro. Ou seja: convém perceber que este jogo correu bem, mas podia perfeitamente ter corrido mal; convém perceber que o Gil foi apanhado de surpresa mas os outros já não o vão ser (recordar Estoril na primeira volta); convém perceber que há ali situações diferentes (Zezinho e Dier parecem-me já preparados para o 11, Ilori e Bruma talvez não - mais do que a idade de cada um, tem a ver com a maturidade de cada um); convém, em suma, proteger estes jogadores porque os Brumas e os Iloris de hoje podem amanhã ser Nanis e Betos, mas também podem ter o ingrato papel dos (sempre assobiados) Djalós e Carriços.

Aliás, faço daqui um humilde apelo aos adeptos... Sei que pedir paciência no atual estado de coisas é pedir demais. Mas tenhamos, pelo menos, a tolerância de entender que não podemos permanentemente queimar etapas de crescimento de alguns jogadores. Não me refiro evidentemente aos que fazem mesmo falta, esses têm que jogar. Por exemplo, a dupla Ilori/Dier tinha mesmo que jogar no Sábado. Mas, a meu ver, só deve repetir-se se se voltarem a verificar os circunstancialismos desta última jornada. Caso contrário, e ainda que se entenda que o Ilori é, hoje, mais jogador do que o Boulahrouz, há que verificar com os quadros da formação quem está e quem não está preparado para ser precocemente lançado para o 11 principal. Por uma simples razão: porque se o presente correr mal, é quase certo que o futuro irá correr ainda pior. Alguma calma, pois.

E venha daí o Estoril. É para ganhar. Sim, ganhar. O que querem que faça... o meu ADN é este!

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