06/02/2013

Eleições

Ora bem, chegou o momento que todos, de uma forma ou de outra, antecipávamos: o Sporting vai para eleições.

Começam agora as habituais movimentações no sentido de formar listas. Uma vez que já se lançaram tantos nomes para cima da mesa, quero desde já antecipar que não sou candidato. Sei que teria o apoio do meu pai (que me apoia sempre) e dos meus amigos menos letrados (que não sabem bem a diferença entre um veleiro e um petroleiro) mas, ainda assim, não vai dar.

E olhem que até poderia ser! Se houvesse condições, como dizem os agora candidatos a candidatos. Ou, resumidamente, "eh pá, se me assegurarem que há dinheiro, se me assegurarem que há estabilidade, se me assegurarem que tenho uma equipa solidária, se me garantirem que sou eu que mando, se me garantirem que não me chateiam, se me garantirem o haircut da dívida bancária, se me garantirem os salários pagos até 2025 e, por fim, se me garantirem que há gajas boas" sim, eu posso ser candidato. Pois, assim também eu...

Fora de deboche, espero (embora não confie muito nisso) que esta campanha sirva para (i) discutir o presente e o futuro e (ii) ouvir ideias sobre os temas que verdadeiramente interessam.

Assim, pela minha parte, ficam automaticamente fora-de-combate (embora com direito a prova em contrário) os candidatos que (se) afirmem (com) alguns dos seguintes jargões:
- "devolver o Sporting aos sócios" (ou equivalentes do tipo "dar voz aos sócios");
- "repor o Sporting no caminho das vitórias";
- "lutar pela vitória em todas as competições";
- "investir [x] milhões no plantel";
- "salvar o Sporting" (bye bye Severino...).

Vou acrescentando aqui alguns outros à medida que o tempo for passando. Mas estejam atentos à bitaitada...

Por outro lado, dificilmente voto em alguém que não se pronunciar, pelo menos, sobre os seguintes temas:

a) modelo "conservador" (que exige paciência, reestruturação da dívida e uma aposta declaradíssima na formação) vs modelos mais arrojados (e implicações destes, designadamente venda do capital a terceiros);

b) como encontrar receitas que substituam a "grandeza" em tempos de vacas magras;

c) a política de comunicação num clube que se diz grande mas não ganha a espinha dum carapau;

d) posicionamento do Sporting face ao "sistema" (vamos continuar a fingir que o Apito Dourado nunca aconteceu?);

e) o que entende cada candidato dos atuais estatutos;

f) ecletismo: está o Sporting disposto a fazer, em todas as modalidades semi-profissionais, o que fez no hóquei e no rugby?;

g) associativismo: porque é que TEM QUE VALER A PENA ser sócio do Sporting;

h) internacionalização: quais os objetivos, onde queremos chegar, onde abrir academias, onde ter parcerias, quais os aliados internacionais, quais os mercados onde podemos entrar, etc.;

i) soluções alternativas aos fundos - como recuperar o que neles foi colocado apenas por motivos relacionados com a tesouraria.

Quanto a nomes, queria dizer o seguinte:

(i) Godinho Lopes - acabou, não tem margem de manobra, fim da linha;
(ii) Bruno de Carvalho - se as eleições fossem hoje, ganhava mesmo que não tivesse programa - mas eu o que realmente quero é ouvi-lo sobre os temas que verdadeiramente interessam (v. supra);
(iii) Pedro Baltazar - parece que apenas quer o pelouro do futebol, não percebo então como se candidatou a presidente do clube, mas OK, vamos ver;
(iv) Dias Ferreira, o eterno candidato, mas começou mal com o tal discurso do "se houve condições eu avanço". Assim, caro Dr. Dias Ferreira, muitos avançariam. É preciso é ir para lá criá-las porque neste momento... não existem. E olhem que votei nele em 2011;
(v) Abrantes Mendes - não será candidato, mas tem sido a voz da serenidade. Custou-me vê-lo na TVI a analisar o tema do requerimento da AGE de forma, digamos, pouco profunda. Mas o tema já passou...;
(vi) José Couceiro - o desejado para a SAD por muitos, mas também com a conversa do "se houver condições". Repito o que dizia para Dias Ferreira: com condições, teríamos 100 candidatos, é preciso é responder ao que pergunto acima e criar condições para que... se criem condições;
(vii) Carlos Severino - lançou-se ontem e ficou Fora-de-combate de acordo com os meus critérios ao primeiro comunicado. Ainda pode provar o contrário, vamos ver...

Outro ponto: não voto em nenhuma lista que tenha paineleiros que mantenham essa condição mesmo pertencendo a listas durante o período da campanha. Nisso, Dias Ferreira foi um grande exemplo em 2011. Eduardo Barroso (mais) e ROC (menos, porque apesar de tudo era candidato ao CL) estiveram francamente mal. Bem sei que não estão ali para representar o Sporting, mas estão ali porque os programas pretendem ter um representante do Sporting. E, opiniões pessoais à parte, num período de campanha eleitoral a lista a que pertençam fica com uma vantagem enorme sobre as restantes devido ao palco privilegiado que é um programa semanal com grandes audiências. Pior: muitas vezes, sob a capa da equidistância (mesmo com eventuais declarações de interesses, nunca deixa de ser uma opinião com imensa repercussão). Pode ter sido coincidência, mas as duas listas mais votadas em 2011 eram integradas por paineleiros que passaram a campanha eleitoral a usar a sua posição para defender as suas cores, de forma mais ou menos explícita. Tentemos, desta vez, não a(du)lterar os dados do jogo.

Vai (re)começar o circo. Espero que não pegue fogo...

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