12/02/2013

Abrandar na Madeira

Não sei se terão sido os rasgados elogios que Manuel Machado fez à equipa do Benfica e a Jorge Jesus(?!) na conferência pré-jogo que amoleceram a nossa equipa mas a verdade é que entraram completamente a dormir! De tal forma que, quando o Nacional marcou logo ao início, já podia ter sido o terceiro. Desconcentração? Arrogância? Não me parece, até porque esta época o Benfica tem demonstrado uma grande seriedade na abordagem aos jogos. Um Nacional, como sempre, super motivado para jogar contra o Benfica? Não tenho dúvidas mas também não pode chegar! 

Para justificar o empate podia começar por laterais em claro sub-rendimento, acompanhados por um Salvio estranhamente sem ponta de inspiração (nem sequer um cruzamento!!) e um Rodrigo como habitualmente desinspirado, ao que se soma um Artur a precisar urgentemente de concorrência à altura. Depois podia ir para a velha questão de jogar com dois avançados em campos tradicionalmente difíceis. No entanto, acho que foram mais as substituições que açaimaram o Benfica que outra razão qualquer...

Depois do golo sofrido, o Benfica lá se encontrou e, com uma benesse do adversário, chegou ao empate e a partir daí dominou o resto da primeira parte. Acabando a primeira parte a ganhar por dois-um, Jesus fez a substituição que se exigia: Rodrigo por Gaitán. E foi a partir daqui que começou a melhor fase do Benfica com Gaitán a pegar no jogo, a marcar o ritmo, a desmarcar Lima, Salvio ou Urreta e a permitir que Enzo subisse mais. Incrivelmente, o Nacional chegou ao empate nesta fase. Não tenho dúvidas que o Benfica chegaria a novo golo rapidamente mas a substituição feita logo de seguida por Jesus tornou este objectivo muito mais complicado. Com a entrada de Cardozo, voltou a fragilidade ao meio-campo e Gaitán foi desviado para a linha. Para agravar, não saiu o apagado Salvio mas o melhor em campo Urreta. É claro que mesmo assim o Benfica podia ter marcado, até por mais do que uma vez, mas também o Nacional o podia ter feito.



Será que Jesus não vai mesmo perceber que o onze mais competitivo é com Gaitán a 10, um avançado apenas (Lima preferencialmente) e depois o resto é relativamente óbvio com Urreta para alternar. Depois nos jogos em casa, Taça da Liga e Liga Europa lá pode jogar com o seu fetiche de dois avançados. Felizmente houve Targino...

No final, a cabeça perdida do costume que praticamente invalidou qualquer pressing final. Cardozo já não tem 20 anos, não se pode dar assim à morte e ainda por cima também quis trocar camisola com Proença. Matic foi mal expulso mas também já foi mesmo no final. Ou seja, não me venham dizer que foi por causa do árbitro que o Benfica não venceu. Se fosse para prejudicar marcava o penalty do Luisão, que com uma grande dose de má vontade, se podia ter marcado (engraçado como vi dez repetições deste lance e quase nenhuma do lance do Matic).

Notas:
- Artur precisa de acordar;
- Luisinho fez-me ter saudades, e isto nunca pensei escrever, de Melgarejo;
Maxi quis imitar Luisinho;
- Urreta foi o grande desequilibrador da primeira parte e depois do grande golo (afinal há no plantel quem saiba marcar livres!!!) ficou cheio de confiança e foi uma pena cortarem-lhe as asas;

5 comentários:

  1. Concordo que não é pelas expulsões que não ganhamos o jogo. Mas o campeonato não acabou na Choupana, e a ausência destes jogadores (sobretudo de Matic), poderá criar dificuldades no jogos que se avizinham. Lembro que ambos foram cartões vermelhos directos, e como estes jogadores não equipam de azul e branco, isso normalmente significa dois jogos de castigo. Académica e Paços de Ferreira são, normalmente, adversários que se batem bem. Basta ver o que aconteceu este fim de semana em Braga!

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  2. Gorbyn, talvez por não acompanhar o Benfica de perto, confesso que não percebi o porquê de tanta rodagem, principalmente depois de Jesus afirmar que dá prioridade ao campeonato. Se a equipa da Choupana jogasse hoje, perceberia. Mas Luisinho (correu mal), Urreta (correu bem) e Cardozo no banco (sinceramente, não me lembro de Cardozo resultar a partir do banco) não deu para perceber.

    Duas notas para contradizer aquilo que eu próprio aqui disse nos meus posts:
    - Jesus fez de Melgarejo um lateral que não compromete (eu tinha dito que ia meter muita galga depois da primeira jornada e a verdade é que me enganei);
    - Matic não só faz o que fazia o Javi como ainda constrói. Aquilo que sempre apontei ao Javi (a dificuldade em colocar a bola jogável, tão importante no jogador que mais recupera bolas na equipa) não posso apontar ao Matic. E já considero que Matic vai render mais ao Benfica do que o Javi (que aliás tem estado bastante discreto no City).

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  3. Só para chatear o Koba:

    Assim de repente, e só fazendo um pequeno esforço para esta época, o Benfica este ano ganhou 2-0 em casa ao Spartak de Moscovo com dois golos de Cardozo, que saiu do banco ao intervalo, para o lugar de Rodrigo. Para completar o ramalhete, expulsou um adversário, ganhou um penalty (que falhou), e ainda lhe viu ser (mal) anulado um golo limpo. Tudo isto em 45 minutos num jogo de Champions... ufa...

    Se Aimar é Deus, Matic neste momento já é um dos seus apóstolos mais chegados. Indubitavelmente. Como o Koba, jamais, em tempo algum pensei, que pudesse vir a atingir este nivel. Melga muito certo hoje em Leverkusen (com ele não empatavamos na Choupana).

    Ab

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  4. Se tivesse jogado a titular, fazia tudo isso na primeira parte e poupava-te a 45 minutos de sofrimento!

    Como contraponto, recordo-te o jogo de Barcelona em que entrou completamente fora do ritmo do jogo e nada acrescentou (antes pelo contrário).

    Não é jogador que goste do banco ou sequer faça sentido no banco. Se tens um jogador essencialmente posicional que marca dezenas de golos por época e dizes que dás prioridade ao campeonato, deixá-lo no banco no campeonato (num jogo que tens que assumir) e pô-lo a titular num jogo em que assumes uma estratégia de expetativa é, no mínimo, estranho. E ontem até marcou um super-golo numa jogada de contra-ataque, o que parece vir dar razão ao JJ.

    Mas não é por isso que a opção do JJ passa a fazer sentido. Calhou bem, ainda bem para o Benfica. Mas se o JJ o fizer 10 vezes, resulta em 2 ou 3.

    Abc

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  5. Face aos jogadores que o Benfica tem, Cardozo justifica-se principalmente nos jogos em que o adversário defende mais perto da sua grande área. Em jogos mais divididos e com mais espaço nas costas da defesa adversária perde um pouco de sentido (como se viu no jogo de ontem). No entanto, nunca deixa de ser um grande finalizador. Mas compare-se com o número de golos que Lima tem conseguido nos jogos fora.

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