27/02/2013

Siga para o campeonato!

Benfica foi eliminado mas no pasa nada. Com o campeonato ao rubro e a final da Taça de Portugal já ao virar da esquina (não esquecendo uma final que se perspectiva simpática) como poderia ficar lixado com este desfecho?! Da mesma forma que não deu para ficar contente com as últimas vitórias neste troféu (pois não compensaram os percursos nas restantes competições) hoje também pouco impacto teve. É óbvio que preferia ter ganho mas como disse no post anterior, teria que ser um jogo de máxima poupança e logo se veria no que dava.

Apenas era escusado ir para Braga jogar com dois avançados e, face às poucas rotinas que os jogadores naturalmente teriam, desproteger um meio-campo composto por um jogador fora de forma e outro que arrisco nem se poder considerar jogador de futebol. As melhores oportunidades foram claramente do Benfica (Rodrigo à barra e um cabeceamento a dois metros da baliza) e penso que ainda ficou a faltar um penalty por carga sobre Gaitán (tesoura por trás de Salino) mas o Braga foi sempre mais ofensivo e Artur foi mesmo o melhor jogador em campo. A desinspiração foi completa para os outros que jogaram e nem a entrada de Aimar por Cardozo levou a qualquer melhoria. Inúmeros passes falhados, raras jogadas de envolvimento, enfim, um jogo que apenas vi por estar o Benfica a jogar.

Os penalties foram menos lotaria do que o costume porque, do Benfica, Luisão e Roderick faziam parte dos 5 iniciais e, por outro lado, para compensar a diminuta estatura, Quim podia defender metro e meio à frente da linha de baliza.



PS: Apenas respeito a inclusão de Roderick porque não havia alternativas já que parece que André Gomes não estava disponível e havia que fazer descansar Maxi. Mas se tudo corresse bem, e Roderick marcasse um golo de canto, já o estava a imaginar a dar saltinhos amaricados agarrado a Jesus como vi Mourinho fazer ontem com o Varane.




25/02/2013

Cansado...

... de escrever a seguir às derrotas.

Já o disse aqui várias vezes: nem no pior dos pesadelos isto era imaginável.

E se é verdade que já tudo me cansa, o que mais me deixa triste é a repetição dos erros, nomeadamente aqueles que qualquer adepto como eu consegue perceber (ao menos que se corrijam de imediato).

Enfim, não vi o jogo pelo que não posso dizer muito mais.

Que sirva de lição aos que diziam "nunca ficámos em 6º", como se isso fosse motivo de orgulho. Ou muito me engano, ou poderão continuar a dizê-lo, mas pelas piores razões.

PS: Faltou dizer uma coisa importante pelo que a edição se justifica plenamente - pode haver quem, ao contrário do que penso eu, entenda que é melhor apostar nos jovens todos de uma vez. E que, perante a entrada de um Rojo, faça sentido manter a dupla Ilori-Dier. E que faça sentido manter o André Martins fora do 11. E que faça sentido lá manter o Bruma. Respeito. Mas esses têm a obrigação de defender a sua dama até ao fim. Esses, os que dizem que isto é que deveria ter sido feito desde o início, têm que aceitar estes jogos. E perceber que assim vamos ficar em 10º (se correr bem).

PS2: Faltam 10 jogos. Nesses 10 jogos é imperioso fazer 10 pontos. É triste, mas é mesmo assim.

Seguro e económico

Depois de um desgastante jogo da Liga Europa, jogar com o 3º classificado da Liga não se perspectivava tarefa fácil. No entanto, os vários avisos e mensagens de Jorge Jesus surtiram efeito e a equipa levou o jogo muito a sério. Sem carregar muito, o Benfica chegou cedo ao golo numa excelente jogada, marcando logo na primeira oportunidade. A partir daqui, a primeira parte foi tudo menos empolgante. Estando já a vencer, a equipa preocupou-se sobretudo em anular os pontos fortes do adversário e, por outro lado, este também não se mostrava disposto em arriscar muito. Desta forma, quase nada se passou no resto da primeira parte e só há a destacar a grande oportunidade de Cardozo que picou para o poste.

Como a segunda parte também começou da melhor forma, com o golo de Cardozo após o cabeceamento de Luisão num canto, o jogo ficou praticamente resolvido e só me recordo de um lance em que o P. Ferreira causou sério perigo. Quando o sistema táctico foi alterado com a entrada de Aimar, começou, para mim, a melhor parte do jogo. Não tanto pela entrada do argentino mas pelas constantes trocas de bolas que mais um elemento no meio-campo permitiu. Com Gaitán, Aimar, Carlos Martins, Matic, Salvio e Lima a jogarem em simultâneo, a mobilidade e capacidade técnica que detêm obviamente que se traduz num futebol mais apoiado e de passe curto. Foi a melhor fase do jogo e pareceu-me que tinha voltado a vontade dos jogadores se divertirem a jogar futebol (facilitada pela tranquilidade do terceiro golo de Lima que o árbitro não assinalou mas que Salvio confirmou) e quando tal acontece, é mais fácil enganar os músculos cansados.


Destaques:
- o facto de não conseguir eleger um melhor em campo, traduz que esta noite foi mesmo o colectivo a funcionar;
- Carlos Martins com uma boa segunda parte (apenas uma perda de bola que deu a tal situação de perigo do P. Ferreira), pode ser que tenha aqui o incentivo para voltar a ser um jogador importante na equipa;
- Luisinho foi incrivelmente mau.

Para o próximo jogo, se eu fosse treinador, dos mais utilizados apenas jogaria Luisão e Gaitán. Não se pode desperdiçar energias nesta fase do campeonato por força de uma Taça da Liga. De resto seria algo como Paulo Lopes, André Almeida, Jardel, Luisinho, André Gomes, Carlos Martins e Aimar, Urreta, e Rodrigo.  

22/02/2013

2 golões de tributo à sorte

Foi uma eliminatória em que o Benfica foi claramente bafejado pela sorte. Tanto foi assim após o golo na Alemanha, como durante grande parte do jogo desta noite na Luz. Mas para agradecer aos deuses tamanha benesse, um excelente golo de equipa finalizado com grande classe por Cardozo no 1º jogo e no 2º, Ola John fez um golo do outro mundo. Pelo meio, uma série de grandes defesas de Artur. Certamente que os deuses ficaram agradecidos com tributos de tão elevada qualidade.

Jorge Jesus afirmou que o campeonato era a prioridade e não deixou de o mostrar com alguma rotação do plantel mesmo contra uma equipa de grande poderio como este Bayer. Fico agradecido por apostar finalmente no sistema táctico que dá maior consistência a esta equipa, ao jogar com apenas um avançado.


Destaques positivos:
- Artur fez uma série de grandes defesas, a querer mostrar que o lance contra o Porto e o 2º golo do Nacional foram meros acidentes de percurso;
- André Almeida fez  um grande, grande jogo. Tem aumentado bastante de produção à medida que vai acumulando jogos;
- Garay com a classe e eficiência já habitual;
- Matic parece que já só sabe fazer grandes jogos e até já se está a habituar a marcar golos;
- Ola John pode estar desaparecido do jogo por alguns períodos mas a capacidade em desequilibrar, sobretudo pelo lado esquerdo, os excelentes cruzamentos que arranca e os fantásticos últimos passes, compensam todos esses apagões. Rebentou por volta dos 75 min e exigia-se Urreta;

Destaques negativos:
- Melgarejo fez um jogo mais que trapalhão e inconsequente;
- Carlos Martins está completamente fora de forma e não deu uma para a caixa.
- Enzo tem que perder aqueles espasmos de indisciplina, sobretudo quando já tem amarelo.
- Cardozo não está feito para jogos em que há muito espaço entre a defesa adversária e a baliza.

Nem bom nem mau: já só gosto de ver Gaitán a jogar no meio.

Ver os adversários dizer que o Benfica foi extremamente eficaz é quase tão raro como ver o meteorito a visitar a Rússia. Mas estou com Jesus! Domingo vamos ao que realmente interessa!

19/02/2013

Juventude à solta: efeito supresa e alguma sorte; o estranho caso Gil Vicente

 
Minuto 6: o Sporting fazia o 0-2 em Barcelos, para estupefação de todos, sportinguistas incluídos. Um golo de Bruma, que fez a estreia no jogo da semana passada com o Marítimo, outro de Ilori que fez a estreia contra o Leiria, em casa, no ano passado.

Uma entrada de rompante que surpreendeu o adversário. Sim, é verdade, surpreendeu o Gil Vicente. O Gil estava à espera do Sporting 2012/2013 e saíu-lhe esta versão sub-20 cheia de inexperiência mas com vontade de mostrar serviço. Moral da história: o Gil passou os 50 minutos seguintes a correr atrás do resultado.

E a verdade é que com dois erros individuais (um deles do não tão jovem Joãozinho) chegou ao empate. E não fosse a arrancada de Miguel Lopes ao minuto 63 e o jogo seria um belo sarilho. Depois disso, alguma sorte e boa-vontade da rapaziada chegou para aguentar o 2-3 final. Que o Sporting mereceu pela primeira parte que fez, mas que podia perfeitamente ter sido 3-3.

Claro que não deixa de ser curioso que o Gil fique "surpreendido" com o Sporting. Sinceramente, oh Paulo Alves... sei que estamos muito mal mas, caramba, entrar com sobranceria frente ao Sporting não lembra ao diabo! Jogamos pouco, mas os outros só nos ganham porque nos anulam o pouco que temos. Se nos deixarem jogar, aí marcamos um ou dois golitos. Infelizmente, estou seguro que a lição foi aprendida pelo Paulo Alves e restantes "misters" da Liga.

Por outro lado, não deixa de ser curioso que ganhámos os 2 jogos desta época ao Gil Vicente com a mesma receita: supresa. Na primeira volta, um esquema tático inovador e uma estratégia suicida a terminar; na segunda volta, a miudagem da Terra do Nunca...

Agora, convirá não repetir o erro da primeira volta. Lembram-se? Na primeira volta, Sá Pinto achou que o tal abanão que se exigia, e que foi dado no jogo com o Gil Vicente, era mais do que um mero abanão, era mesmo uma estratégia a adotar (o resultado está à vista). Convém agora não repetir o erro. Ou seja: convém perceber que este jogo correu bem, mas podia perfeitamente ter corrido mal; convém perceber que o Gil foi apanhado de surpresa mas os outros já não o vão ser (recordar Estoril na primeira volta); convém perceber que há ali situações diferentes (Zezinho e Dier parecem-me já preparados para o 11, Ilori e Bruma talvez não - mais do que a idade de cada um, tem a ver com a maturidade de cada um); convém, em suma, proteger estes jogadores porque os Brumas e os Iloris de hoje podem amanhã ser Nanis e Betos, mas também podem ter o ingrato papel dos (sempre assobiados) Djalós e Carriços.

Aliás, faço daqui um humilde apelo aos adeptos... Sei que pedir paciência no atual estado de coisas é pedir demais. Mas tenhamos, pelo menos, a tolerância de entender que não podemos permanentemente queimar etapas de crescimento de alguns jogadores. Não me refiro evidentemente aos que fazem mesmo falta, esses têm que jogar. Por exemplo, a dupla Ilori/Dier tinha mesmo que jogar no Sábado. Mas, a meu ver, só deve repetir-se se se voltarem a verificar os circunstancialismos desta última jornada. Caso contrário, e ainda que se entenda que o Ilori é, hoje, mais jogador do que o Boulahrouz, há que verificar com os quadros da formação quem está e quem não está preparado para ser precocemente lançado para o 11 principal. Por uma simples razão: porque se o presente correr mal, é quase certo que o futuro irá correr ainda pior. Alguma calma, pois.

E venha daí o Estoril. É para ganhar. Sim, ganhar. O que querem que faça... o meu ADN é este!

18/02/2013

Fora-de-combate (IX)

"Redimensionar"

Percebam o ADN do clube. Não é um problema de dimensão. Uma coisa é redefinir uma estratégia, outra muito diferente é colocar o clube abaixo da dimensão que tem. O resultado pode ser catastrófico...

15/02/2013

Quem quer ser central do Sporting?

Se tens mais do que 18 anos e menos do que 35...

Se tens mais do que 1,80m...

Se gostas de jogar futebol e não és daqueles que acha que consegue fintar toda a gente...

Se queres sentir a adrenalina da luta pela manutenção...

Se queres sentir o orgulho de representar a grandiosa instituição Sporting Clube de Portugal...

Aparece, em Barcelos, no Sábado, pelas 18h! Temos uma vaga para ti na zona central da defesa! Contamos contigo.

A propósito disto.

12/02/2013

Abrandar na Madeira

Não sei se terão sido os rasgados elogios que Manuel Machado fez à equipa do Benfica e a Jorge Jesus(?!) na conferência pré-jogo que amoleceram a nossa equipa mas a verdade é que entraram completamente a dormir! De tal forma que, quando o Nacional marcou logo ao início, já podia ter sido o terceiro. Desconcentração? Arrogância? Não me parece, até porque esta época o Benfica tem demonstrado uma grande seriedade na abordagem aos jogos. Um Nacional, como sempre, super motivado para jogar contra o Benfica? Não tenho dúvidas mas também não pode chegar! 

Para justificar o empate podia começar por laterais em claro sub-rendimento, acompanhados por um Salvio estranhamente sem ponta de inspiração (nem sequer um cruzamento!!) e um Rodrigo como habitualmente desinspirado, ao que se soma um Artur a precisar urgentemente de concorrência à altura. Depois podia ir para a velha questão de jogar com dois avançados em campos tradicionalmente difíceis. No entanto, acho que foram mais as substituições que açaimaram o Benfica que outra razão qualquer...

Depois do golo sofrido, o Benfica lá se encontrou e, com uma benesse do adversário, chegou ao empate e a partir daí dominou o resto da primeira parte. Acabando a primeira parte a ganhar por dois-um, Jesus fez a substituição que se exigia: Rodrigo por Gaitán. E foi a partir daqui que começou a melhor fase do Benfica com Gaitán a pegar no jogo, a marcar o ritmo, a desmarcar Lima, Salvio ou Urreta e a permitir que Enzo subisse mais. Incrivelmente, o Nacional chegou ao empate nesta fase. Não tenho dúvidas que o Benfica chegaria a novo golo rapidamente mas a substituição feita logo de seguida por Jesus tornou este objectivo muito mais complicado. Com a entrada de Cardozo, voltou a fragilidade ao meio-campo e Gaitán foi desviado para a linha. Para agravar, não saiu o apagado Salvio mas o melhor em campo Urreta. É claro que mesmo assim o Benfica podia ter marcado, até por mais do que uma vez, mas também o Nacional o podia ter feito.



Será que Jesus não vai mesmo perceber que o onze mais competitivo é com Gaitán a 10, um avançado apenas (Lima preferencialmente) e depois o resto é relativamente óbvio com Urreta para alternar. Depois nos jogos em casa, Taça da Liga e Liga Europa lá pode jogar com o seu fetiche de dois avançados. Felizmente houve Targino...

No final, a cabeça perdida do costume que praticamente invalidou qualquer pressing final. Cardozo já não tem 20 anos, não se pode dar assim à morte e ainda por cima também quis trocar camisola com Proença. Matic foi mal expulso mas também já foi mesmo no final. Ou seja, não me venham dizer que foi por causa do árbitro que o Benfica não venceu. Se fosse para prejudicar marcava o penalty do Luisão, que com uma grande dose de má vontade, se podia ter marcado (engraçado como vi dez repetições deste lance e quase nenhuma do lance do Matic).

Notas:
- Artur precisa de acordar;
- Luisinho fez-me ter saudades, e isto nunca pensei escrever, de Melgarejo;
Maxi quis imitar Luisinho;
- Urreta foi o grande desequilibrador da primeira parte e depois do grande golo (afinal há no plantel quem saiba marcar livres!!!) ficou cheio de confiança e foi uma pena cortarem-lhe as asas;

11/02/2013

Fora-de-combate (VIII)

"Por o Sporting na ordem"

Se for na ordem alfabética, estamos tramados: só os Vitórias ficam atrás de nós!

O que se passa?

Seria fácil estar aqui a puxar as coisas que disse no passado sobre a qualidade do futebol do Sporting ou mesmo sobre o naufrágio que antecipava para a direção de Godinho Lopes. Como fácil seria a quem me lê relembrar os posts que fiz a elogiar contratações e a apontar para um 3º lugar "a olhar para cima", ao invés de um 10º ou 11º "a olhar para baixo". Mas isso de nada ajuda. Uma coisa é usar a etiqueta "Eu bem dizia" para de certo modo gozar comigo próprio. Outra, bem diferente, é usá-la na lógica do profeta da desgraça "eu avisei que isto ia acontecer, como foi possível não terem visto". Esta última é puramente egoísta e arrasta uma lógica de um quase-prazer masoquista com o momento do Sporting que não tem justificação. E poderia ser facilmente objeto de contraditório graças aos inúmeros momentos em que manifestei otimismo e esperança. Não vamos por aí.

Vamos analisar, objetivamente, porque nos encontramos nesta situação quando, obviamente, temos melhores jogadores do que o Paços, o Rio Ave e o Marítimo. Porque é verdade que os temos. Há muitos jogadores destas equipas que nos dariam jeito (e quem me dera que se contratasse um Rafael Miranda em vez de um Elias) mas, implicações pessoais à parte (Rinaudo parece o pior trinco da Liga aos meus olhos neste momento...), não há um único jogador destas equipas que entrasse de caras no 11 do Sporting. Tive esta discussão noutro dia com um amigo e ambos chegámos a essa conclusão: ele, mais radical, defendia que nenhum dos jogadores de uma lista que preparei tinha lugar no Sporting (ou apenas 1 ou 2 e nem esses teriam acesso ao 11); eu, mais moderado, defendia que vários teriam lugar no nosso plantel (e com eventual acesso direto ao 11), ainda que nesta fase, provavelmente, não fosse prioritário contratar um só que fosse. Desafio os leitores, aliás, a fazer este exercício: com exceção do plantel do Braga (nem falo de Benfica e Porto), procurem um só jogador que chegasse a Alvalade e entrasse de caras no 11 do Sporting. Verão que não seria assim tão simples...

Claro que, num exercício necessariamente "aposteriorístico" podemos defender que o plantel precisava de jogadores mais experientes e preparados para este tipo de momentos em lugar de alguns dos jovens do Sporting. Mas isso ajuda a perceber como poderiam as coisas ter sido diferentes, não ajuda a perceber o momento atual.

Então, o que se passa? A meu ver, passa-se o seguinte: ninguém contava que as coisas pudessem estar tão mal; e estes jogadores não estavam (nem estão) preparados para esta situação. Por outras palavras, esta temporada vem, infelizmente, comprovar que o Sporting tem um plantel demasiado jovem para reagir a adversidades e que a aposta na formação tem que ser feita com moderação. Ainda de outra forma: este plantel talvez tivesse capacidade para fazer umas coisas engraçadas se o arranque tivesse sido diferente; mas a 4 pontos da descida, os jogadores não se conseguem soltar, mesmo que tenha chegado um técnico que incutiu aquilo que eu e muitos outros diziam ser o (único?) elemento que faltava: organização.

Parece-me que é por aqui, mas vejamos os outros fatores:

1. A qualidade dos jogadores do Sporting, ou de alguns deles, parece-me indiscutível (e façam o exercício acima para perceber o que estou a dizer). Podemos dizer que a dupla de centrais é fraca, em especial a que atua neste momento. Mas aí convirá relembrar que o Sporting entrou para esta temporada com 4 centrais no plantel e que, por um motivo ou por outro, a verdade é que apenas 1 deles jogou os últimos dois jogos. Imaginem que o Porto tinha que fazer uma dupla com o pior dos 4 centrais do plantel principal (digamos Abdoulaye) e um da equipa B (digamos Tiago Ferreira). Façam o mesmo exercício no Benfica: Miguel Vítor com um central da equipa B. Certamente não estamos a falar da qualidade de uma dupla Otamendi-Mangala ou Luisão-Garay... Ou seja, não é (só) por aí.

2. Podemos também falar da falta de dinâmica coletiva da equipa em termos defensivos. Mas também aí me parece indiscutível que o Sporting melhorou consideravelmente: o Sporting de Vercauteren era, defensivamente, a pior equipa do campeonato e a que mais oportunidades de golo concedia aos adversários; o Sporting de Jesualdo limita-se a ser uma equipa que (ainda) defende mal, como tantas outras (incluindo, por exemplo, o Braga de Peseiro). Mas ontem, por exemplo, teve até mais oportunidades do que o Marítimo - sucede que o Marítimo marcou uma e o Sporting falhou, pelo menos, três oportunidades escandalosas (que, com Vercauteren, nem criava). Mais: o Sporting, acreditem ou não, tem a 4ª melhor defesa da Liga. Também não iria (só) por aqui.

3. Ofensivamente, o Sporting é a equipa que menos golos marca no campeonato. É verdade, é factual. Mas se com Sá Pinto e Vercauteren a equipa simplesmente não produzia, isso deixou de ser verdade com Jesualdo. Não houve um só analista que não tivesse focado o "penalty-em-andamento-e-mais-perto-da-baliza" que Jeffren desperdiçou em Vila do Conde e que faria o 2-0. Tal como ontem Wolfswinkel, antes do golo do Marítimo, teve um lance literalmente de golo cantado e Rubio outro no último suspiro do jogo. Ou seja, é óbvio que o Sporting está onde está porque não marca golos. Mas não deixa de marcá-los porque cria pouco, marca poucos porque neste momento toda a gente treme em frente da baliza.

Em suma, mesmo olhando à qualidade dos jogadores e à organização da equipa, o Sporting não é a 10ª ou 11ª equipa da Liga. É a 3ª ou 4ª, ou a 5ª se acharem que o fator "organização" do Paços superaria em qualquer circunstância o fator "qualidade" do Sporting. Então, o que se passa? Passa-se que nenhum dos atuais titulares do Sporting (com exceção talvez de Joãozinho) tem estrutura mental para lidar com esta situação. Foram formados para uma realidade completamente diferente. E não estão preparados para este tipo de combate.

"Qual combate?", perguntam vocês. "O Sporting todos os anos tem lutado apenas pela Liga Europa!", acrescentam. Pois, mas nós, por ora, não estamos nessa luta. Ninguém o assume, e muito bem, para não gerar ainda mais pressão, mas a luta do Sporting, neste momento, é a da manutenção. Sim, é nessa luta que estamos. Até pode ser que ganhemos em Barcelos e no Estoril (tenho defendido que para o Sporting é mais fácil jogar fora face ao ambiente de "tolerância zero" que se vive em Alvalade)e que certos fantasmas se afastem. Mas, pela minha parte, só penso que precisamos de fazer mais 6 ou 7 pontos nesta Liga para que os jogadores tranquilizem e comecemos a jogar outro futebol.

Claro que me dirão que o Sporting ainda recebe Setúbal, Moreirense e Olhanense pelo que 9 dos pontos em disputa são acessíveis. Mas como o Olhanense ontem provou no Dragão (e o Sporting em Alvalade), no futebol não podemos fazer essas contas. As contas têm que ser mais realistas e o realismo manda (i) assegurar 25 pontos o mais rapidamente possível (dado que no histórico da Liga a 16 nunca uma equipa desceu com mais do que 25 pontos - sim, fui ver isto, nunca na vida me passou pela cabeça ter que fazê-lo...); (ii) e depois, sim, dar o salto para os 30/31 para estar a salvo de qualquer anomalia.

Realismo. Precisa-se de realismo. E de experiência. À falta da experiência dos jogadores para esta luta terrível, valha-nos a experiência de Jesualdo. É nele que deposito a minha fé. Para ganhar em Barcelos e no Estoril. Difícil, mas possível.

PS: Em 21 de Janeiro escrevi o seguinte: "(...) Quando tínhamos 12 [pontos], e estavam por jogar 51, disse que precisávamos de somar aos tais 12 à volta de 35/36 para ir à Europa. Desses 36, 6 já estão. Faltam 30. E faltam disputar 45 pontos. A continuar assim, parece-me um objetivo ao alcance." A continuar assim, dizia eu. Não continuámos assim. Para além dos 6 que referi, fizemos apenas mais 1. Confesso que estava a contar, pelo menos, com mais 7 (vitórias em casa e empate, no mínimo, em Vila do Conde). Teríamos passado para 26, precisando "apenas" de 20/21 pontos dos 36 atualmente em disputa. Mas só passámos para 19 e estão agora 36 em disputa. Desses 36, teríamos, em meu entender, que fazer 29 para ir à Europa. Alguém ainda acredita que é essa a nossa luta?

06/02/2013

Fora-de-combate (III)

"Recuperar a grande referência Luís Figo"

A menos que tome sempre o pequeno-almoço em casa, claro...

Fora-de-combate (II)

"O que o Sporting precisa é de rigor e liderança"

Pois, o Haiti também.

Eleições

Ora bem, chegou o momento que todos, de uma forma ou de outra, antecipávamos: o Sporting vai para eleições.

Começam agora as habituais movimentações no sentido de formar listas. Uma vez que já se lançaram tantos nomes para cima da mesa, quero desde já antecipar que não sou candidato. Sei que teria o apoio do meu pai (que me apoia sempre) e dos meus amigos menos letrados (que não sabem bem a diferença entre um veleiro e um petroleiro) mas, ainda assim, não vai dar.

E olhem que até poderia ser! Se houvesse condições, como dizem os agora candidatos a candidatos. Ou, resumidamente, "eh pá, se me assegurarem que há dinheiro, se me assegurarem que há estabilidade, se me assegurarem que tenho uma equipa solidária, se me garantirem que sou eu que mando, se me garantirem que não me chateiam, se me garantirem o haircut da dívida bancária, se me garantirem os salários pagos até 2025 e, por fim, se me garantirem que há gajas boas" sim, eu posso ser candidato. Pois, assim também eu...

Fora de deboche, espero (embora não confie muito nisso) que esta campanha sirva para (i) discutir o presente e o futuro e (ii) ouvir ideias sobre os temas que verdadeiramente interessam.

Assim, pela minha parte, ficam automaticamente fora-de-combate (embora com direito a prova em contrário) os candidatos que (se) afirmem (com) alguns dos seguintes jargões:
- "devolver o Sporting aos sócios" (ou equivalentes do tipo "dar voz aos sócios");
- "repor o Sporting no caminho das vitórias";
- "lutar pela vitória em todas as competições";
- "investir [x] milhões no plantel";
- "salvar o Sporting" (bye bye Severino...).

Vou acrescentando aqui alguns outros à medida que o tempo for passando. Mas estejam atentos à bitaitada...

Por outro lado, dificilmente voto em alguém que não se pronunciar, pelo menos, sobre os seguintes temas:

a) modelo "conservador" (que exige paciência, reestruturação da dívida e uma aposta declaradíssima na formação) vs modelos mais arrojados (e implicações destes, designadamente venda do capital a terceiros);

b) como encontrar receitas que substituam a "grandeza" em tempos de vacas magras;

c) a política de comunicação num clube que se diz grande mas não ganha a espinha dum carapau;

d) posicionamento do Sporting face ao "sistema" (vamos continuar a fingir que o Apito Dourado nunca aconteceu?);

e) o que entende cada candidato dos atuais estatutos;

f) ecletismo: está o Sporting disposto a fazer, em todas as modalidades semi-profissionais, o que fez no hóquei e no rugby?;

g) associativismo: porque é que TEM QUE VALER A PENA ser sócio do Sporting;

h) internacionalização: quais os objetivos, onde queremos chegar, onde abrir academias, onde ter parcerias, quais os aliados internacionais, quais os mercados onde podemos entrar, etc.;

i) soluções alternativas aos fundos - como recuperar o que neles foi colocado apenas por motivos relacionados com a tesouraria.

Quanto a nomes, queria dizer o seguinte:

(i) Godinho Lopes - acabou, não tem margem de manobra, fim da linha;
(ii) Bruno de Carvalho - se as eleições fossem hoje, ganhava mesmo que não tivesse programa - mas eu o que realmente quero é ouvi-lo sobre os temas que verdadeiramente interessam (v. supra);
(iii) Pedro Baltazar - parece que apenas quer o pelouro do futebol, não percebo então como se candidatou a presidente do clube, mas OK, vamos ver;
(iv) Dias Ferreira, o eterno candidato, mas começou mal com o tal discurso do "se houve condições eu avanço". Assim, caro Dr. Dias Ferreira, muitos avançariam. É preciso é ir para lá criá-las porque neste momento... não existem. E olhem que votei nele em 2011;
(v) Abrantes Mendes - não será candidato, mas tem sido a voz da serenidade. Custou-me vê-lo na TVI a analisar o tema do requerimento da AGE de forma, digamos, pouco profunda. Mas o tema já passou...;
(vi) José Couceiro - o desejado para a SAD por muitos, mas também com a conversa do "se houver condições". Repito o que dizia para Dias Ferreira: com condições, teríamos 100 candidatos, é preciso é responder ao que pergunto acima e criar condições para que... se criem condições;
(vii) Carlos Severino - lançou-se ontem e ficou Fora-de-combate de acordo com os meus critérios ao primeiro comunicado. Ainda pode provar o contrário, vamos ver...

Outro ponto: não voto em nenhuma lista que tenha paineleiros que mantenham essa condição mesmo pertencendo a listas durante o período da campanha. Nisso, Dias Ferreira foi um grande exemplo em 2011. Eduardo Barroso (mais) e ROC (menos, porque apesar de tudo era candidato ao CL) estiveram francamente mal. Bem sei que não estão ali para representar o Sporting, mas estão ali porque os programas pretendem ter um representante do Sporting. E, opiniões pessoais à parte, num período de campanha eleitoral a lista a que pertençam fica com uma vantagem enorme sobre as restantes devido ao palco privilegiado que é um programa semanal com grandes audiências. Pior: muitas vezes, sob a capa da equidistância (mesmo com eventuais declarações de interesses, nunca deixa de ser uma opinião com imensa repercussão). Pode ter sido coincidência, mas as duas listas mais votadas em 2011 eram integradas por paineleiros que passaram a campanha eleitoral a usar a sua posição para defender as suas cores, de forma mais ou menos explícita. Tentemos, desta vez, não a(du)lterar os dados do jogo.

Vai (re)começar o circo. Espero que não pegue fogo...

02/02/2013

Duas chouricadas

Aconteça o que acontecer neste quarto de hora final, e independentemente da falta de reacção do Jesualdo a partir do banco, só o Sporting e que sofre estes dois golos no mesmo jogo...