21/01/2013

Precipitação (minha) ou apenas nervosismo (deles)?


1. Sporting 1 - 0 Beira-Mar

O Sporting ganhou ao Beira-Mar por 1-0, golão de Carrillo (o tal que é um brinca-na-areia, supostamente). Não gostei mesmo nada da forma como festejou o golo, parecendo passar uma mensagem aos adeptos do tipo "assobiem lá agora". O Carrillo não o deveria ter feito mas não posso responsabilizar só o peruano. Posso também culpar os adeptos que vão a Alvalade para assobiar jogadores numa lógica "ad hominem". Eh pá, assobiem no fim, e assobiem todos, se não gostarem do jogo, da atitude, whatever. Assobiar só um não faz sentido. E por outro lado pensem que se este rapaz não tiver a capacidade do Nani ou do Patrício para aguentar essa trampa dos assobios, um dia farta-se, vai-se embora e depois acaba num FCP ou num Benfica com os adeptos a dizer duas coisas: (i) "este Carrillo revelou-se um belo traidor" e (ii) "não percebo como é que nunca aguentamos jogadores no Sporting". Será que somos nós que não os aguentamos ou são eles que não nos aguentam a nós?...

Quanto ao jogo, não vi. Não por não poder, simplesmente porque tinha (e tenho) outras prioridades. Mas pelo que li parece que o Sporting voltou a tremer. E não só por ter falhado um penalty no último minuto - Ricky, já devias conhecer esta malta, pá: sim, é verdade, voltaste a ser uma merda e bom, bom é o Bojinov - mas também pela falta de segurança no jogo a partir dos 30 minutos da primeira parte quando se percebeu que o golo não entrava e pela segunda parte, digamos, pouco controlada.

Muitos pensarão que as primeiras apreciações relativamente ao papel de Jesualdo Ferreira foram precipitadas (as minhas incluídas). Parece-me que não podemos tirar essa conclusão. Por três razões, fundamentalmente, que posso alegar mesmo sem ter visto o jogo (o ambiente de Alvalade, esse conheço-o de gingeira e não preciso de ir ver 1 jogo para o imaginar...):

1. Como ando a dizer aos meus amigos ultimamente, para o Sporting se por definitivamente de pé precisava de 1 mês a jogar fora de casa. Em Alvalade, o ambiente é terrível. Em Portugal, aliás, o ambiente é genericamente terrível (recordo-me de ter apontado neste blog que havia adeptos do Porto que assobiavam Hulk quando ele falhava uma finta), mas Alvalade é infinitamente pior. Porque se é verdade que tem os adeptos mais dedicados e pacientes (20.000 em noite de temporal no estado em que estamos...), tem também os que mais facilmente entram na lógica autofágica que persegue o clube (a típica boca de um adepto quando levamos um golo é "estava-se mesmo a ver" ou, pior ainda, "bem feito que é para não andarem a brincar com isto!"). Ou seja, jogar em casa sem que esteja 3-0 ao intervalo é muito complicado neste momento. E a quem acha que os jogadores têm que aguentar assobios num grande clube, pergunto apenas se também têm que aguentar esses assobios quando estiveram 6 meses sem treinador (ou com imitações de treinador), nos lugares próximos da despromoção, com um clube feito em cacos em que os adeptos se preocupam mais em cantar que está na hora de o Presidente se ir embora do que propriamente em apoiar a equipa. E, atenção!, nem critico quem o faz: critico quem o faz e depois não compreende que assim o papel do jogador é muito mais difícil.

2. Pelo que vi, a estatística demonstra que - pese embora aquele final de loucos - o Sporting foi inseguro em certos momentos do jogo, mas não foi tendencialmente permissivo. Ou seja, analisando apenas a estatística, parece que o Sporting fraquejou nalguns momentos, mas não é, tendecialmente, o passador que costumava ser. Ninguém disse que não havia nada a melhorar, é claro que há. Mas para se ganhar um jogo, convém que o adversário não faça uma jogada perigosa cada vez que recupera a bola. Parece que isso não aconteceu desta vez.

3. Ver o final do jogo da forma como a imprensa, os adversários e - neste momento, face à excessiva politização do clube - os adeptos contestatários o viram tem o condão de (tentar) fazer esquecer o seguinte: se Wolfswinkel marca o 2º, no penalty, hoje falar-se-ia da "continuidade e estabilidade conferida por Jesualdo" e não da "insegurança" e do muito que "o leão ainda tem que trabalhar". Reitero: há muito por melhorar, não digo que não haja. Digo, também, é que a análise das coisas pela maioria dos ditos "experts" continua a depender da bola que bate no poste, o que revela precipitação. Tal como, a meu ver, revelava precipitação a análise do trabalho de Sá Pinto, onde eu, por exemplo, e tirando a vertente psicológica, sempre vi pouco de meritório, precisamente porque tentei sempre ver se a equipa - E-Q-U-I-P-A - estava melhor. E não estava, como infelizmente se comprovou. Agora está. Está melhor. Jesualdo tem muito por fazer, mas há mudanças, para melhor. Mesmo que a equipa tenha falhado um penalty e com isso concedido ao adversário duas oportunidades - felizmente salvas por Patrício (grande, muito grande) - para empatar o jogo, a equipa está melhor. E diria o mesmo se o Beira-Mar tem empatado no último minuto.

Entretanto, contam os 3 pontos. E com esses 3 pontos, o Sporting soma agora 18. Quando tínhamos 12, e estavam por jogar 51, disse que precisávamos de somar aos tais 12 à volta de 35/36 para ir à Europa. Desses 36, 6 já estão. Faltam 30. E faltam disputar 45 pontos. A continuar assim, parece-me um objetivo ao alcance.

2. Janeiro

Continua a reformulação do plantel, com bons e maus negócios:
- Insua, a ser vendido, é mau negócio. Mesmo que financeiramente as condições sejam boas, tal como disse no meu último texto parece-me um negócio precipitado. Dificilmente conseguiremos encontrar um jogador com a sua qualidade nos tempos mais próximos. Era dos poucos intransferíveis. A vender só pelo valor da cláusula de rescisão. Foi, aliás, o único jogador do Sporting a entrar de caras nos diversos "11 do ano" que por aí se fizeram (eu também incluiria Patrício, mas houve quem não tenha incluído). Duvido que fique muito tempo longe do...  Benfica. O que muito me entristece. Quero apenas pensar que poderá, ainda, ficar. Aguardo com alguma ansiedade o fim desta novela.
- Joãozinho é um jogador que, antes de mais, precisava de uma mudança de nome. Os "inhos" portugueses normalmente não têm a qualidade dos "inhos" brasileiros (Ronaldinho, Jorginho, Jairzinho, mesmo o nosso Luisinho). Mais a sério, é obviamente uma opção com a qual concordo, como tenho aqui defendido muitas vezes (não vou repetir "ad nauseam" os argumentos sobre as vantagens de contratar jogadores no campeonato nacional). Mas faria mais sentido para suplente do Insua, como é evidente.
- Pranjic. Desculpem voltar a deixar sobressair o meu terrível defeito, mas... "eu bem dizia", no início da época, que não dava para perceber estar contratação. Face à saída do Matias (que saudades...), ainda pensei, a meio da 1ª volta, que o Pranjic tinha vindo para o meio-campo e que afinal até faria sentido a contratação. Mas, caramba!, não se pode queixar de falta de oportunidades. E jogou sempre, ou quase sempre, muito pouco. No início da época escrevi que este jogador não vinha ganhar pouco e dificilmente ficaria satisfeito sentadinho no banco. Lá está, qualquer bicho careta faz contratações, pagar o salário é outra conversa... Neste caso, preferia transferir a emprestar. Mas se alguém pagar o salário já não é mau.

E venha o Vitória para a 3ª vitória consecutiva. "3ª?!" perguntam vocês... "Mas não será a 4ª?!" insistem. Não, meus caros, não. A Taça Lucílio não pode contar para umas coisas e deixar de contar para outras... Para mim, nunca contou para nada.

3 comentários:

  1. Concordo plenamente com o post. Principalmente na parte do negócio Insúa. Pena que nem todos os sportinguistas pensem assim. Também quero acreditar que irá ficar...

    Cumps

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  2. Insua no Benfica??? Os deuses devem estar loucos!!!! E tu também Koba...

    PS. Aprecio a coerência sobre a taça da cerveja. E estou á vontade para falar, já que mesmo nos anos em que só a ganhámos, sempre considerei que haviamos ganho... zero. Não é relevante, e até acho que quem a devia jogar, dos nossos maiores emblemas nacionais, seriam as equipas B. Por outro lado, entra a componente financeira, que a torna bem mais atractiva que a Taça de Portugal. No entanto, desportivamente, é zero!

    Abraço

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  3. Caro Anónimo, as notícias de hoje são melhores do que as de ontem! Aguardemos!

    Galaad, se o Grémio compra agora por 2,8M, achas improvável que venda por 4M ou 4,5M ainda este ano? Seria um negócio fantástico para o Grémio! E o Benfica tem capacidade para lá chegar (tal como tem o Porto, mas o Porto tem um bom LE, o Benfica não).

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