02/01/2013

2013 - Falando de Futebol


Um ponto prévio que não é de todo irrelevante: sou um dos subscritores da petição para a realização do Congresso Leonino.

Apesar de assinar "Koba", mais por tradição do que por outro qualquer motivo (foi o primeiro "avatar" que criei para a blogosfera), muitos dos que têm a paciência de me ler sabem perfeitamente quem eu sou. Seja porque fui eu que indiquei o blog; seja porque foi outro dos criadores a apresentar o blog, identificando os restantes escribas; seja porque já tive oportunidade de assinar posts com o próprio nome; seja por indicação indireta (o terceiro a quem indiquei o blog indica-o a outro terceiro) eu diria que, regra geral, a maioria conhece-me. No entanto, mesmo tendo os três criadores do blog sempre decidido manter um registo relativamente discreto na blogosfera, a verdade é que o blog nunca esteve "fechado" - todos podem aceder, todos podem ler e todos podem comentar. E, nesse sentido, as page views foram aumentando e é previsível que entre os nossos leitores exista quem não sabe quem eu sou. Pois bem, chamo-me Miguel Menezes da Silva, e tenho o número de sócio 19.120-1. Sou também cronista do jornal "Sporting", embora isso para aqui não interesse muito.

E porque o digo (ou reafirmo)? Simplesmente porque a petição para a realização de um Congresso está relativamente publicitada na comunicação social e não quero que se pense que estou a escudar-me num heterónimo para, por esta via, dar as minhas opiniões sobre futebol. Porque, efetivamente, é disso que gosto de escrever neste blog: sobre futebol. Creio que isso em nada afeta a minha capacidade de julgar de forma serena e (espero eu!) razoável os grandes temas que neste momento estão em cima da mesa relativamente ao Sporting (e que vão muito para além da equipa de futebol). E quero, por isso mesmo, que fique absolutamente claro para os leitores que a minha apreciação sobre a equipa de futebol não é "a causa" das minhas posições "políticas" sobre a vida do clube.

Passando agora ao que interessa para este post: o Sporting vai usar Janeiro para adequar (ainda mais) o plantel da equipa de futebol profissional. Não sou nem hipócrita nem maluco, por isso quero recordar a todos que elogiei aqui a construção do plantel. E que escrevi isto:

"Confio, sinceramente, que vamos fazer mais pontos do que fizemos no ano passado. Vamos ver se chega para competir com 2 rivais mais fortes, mas o 3º lugar parece-me o mínimo que podemos atingir. Abaixo disso será um desastre, acima disso depende das circunstâncias: o 2º lugar até pode ser aceitável se um dos rivais estiver inacessível (recordar o Benfica no 1º ano de Jesus ou o FCP de Villas-Boas). A Taça de Portugal é para ganhar. A Taça da Liga é para rodar a equipa, Sá Pinto este ano não tem desculpas para não o fazer. Na Liga Europa, nem ponho a hipótese de não sermos 1º no grupo. Depois disso, depende do sorteio."

Pois é, a previsão saíu-me completamente torta. Mas, que me desculpem os críticos de última hora, tal não se deveu à construção do plantel. Até porque neste momento é impossível ver, no meio do caos coletivo que é a equipa do Sporting, quem são os bons e os menos bons. A meu ver, o Sporting joga mal e perde muito porque a pré-época foi um desastre e porque a equipa está mal preparada coletivamente. É a minha opinião.

Com isto não quero dizer que não haja algumas desilusões. Elas estão (ou estavam) lá. E daí que seja preciso realizar alguns acertos, sempre na perspetiva de desinvestir para melhorar, o que é sempre difícil.

Vejamos posição a posição:

(i) Cedric começou a todo o gás, ao ponto de eu ter dito aqui que era melhor opção do que João Pereira. Mantenho a apreciação técnica, mas convenhamos que o miúdo não conseguiu aguentar (psicologicamente) a pressão do (péssimo) momento coletivo. Há que não deixar cair Cedric (tal como Carrillo ou Labyad) só porque o momento coletivo é mau, mas percebo que neste momento a contratação de Miguel Lopes faça algum sentido. Não pelo que vai trazer em termos técnicos na comparação com Cedric, mas (acima de tudo) pela experiência que pode aportar ao setor, até porque as restantes opções para a posição não trazem totais garantias (Arias pelos mesmos motivos que Cedric, Pereirinha porque possivelmente estará num braço-de-ferro relativo à renovação do contrato - em que se me permitem deveria prevalecer a razoabilidade de quem jogou tão pouco nos últimos anos, mesmo emprestado ao Vitória de Guimarães e ao Kavala da Grécia...);

(ii) Boulahrouz não é o patrão que todos esperávamos. Mesmo não sendo, tecnicamente, o jogador ideal poderia ter trazido uma voz de comando à defesa pela sua experiência internacional e capacidade de liderança. Não só não a trouxe como se deixou também levar pelo vendaval de instabilidade e desorganização coletiva (recordar o jogo na Hungria...). Uma vez que foi contratado a custo 0 mas terá certamente mercado, ponderaria a sua saída. É claro que entretanto Carriço já saíu e mesmo que não saísse estando em fim de contrato não seria o jogador mais motivado. Mas, nesta fase, seria uma boa opção por ser o que mais anos tem de clube - sei que o critiquei aqui muitas vezes, mas sempre na perspetiva de que não poderia ser titular num clube que luta para o título... nesta fase acho que poderia ser útil, tal como acho que o seria um Anderson Polga que também tantas vezes aqui critiquei. Reparem: não os quereria no próximo ano, estou apenas a dizer (um pouco demagogicamente, talvez) que com Polga e Carriço fomos 4º lugar, precisamente o único que, realísticamente, podemos atingir este ano... Mas adiante: saindo Boulahrouz, ficam Xandão, Rojo e os centrais da equipa B (Dier entretanto pode assumir o seu lugar como central e afirmar-se definitivamente no plantel principal). Se fosse possível contratar um jogador que fosse claramente um líder, independentemente do seu estatuto, seria positivo. Não acompanhei devidamente a carreira de Defendi, central que agora rescindiu com o Guimarães, e não sei se é o patrão de que precisamos. Mas às vezes este tipo de solução, que está diante dos nossos olhos, resolve muita coisa...

(iii) já agora uma nota quanto a Rojo, apesar de não estar de saída: perdoem-me os teóricos da bola, mas vejo ali grande potencial. Tecnicamente é um jogador excelente. Precisa de alguém ao lado dele que lidere o sector. Que diga "fica", "vai", "cobre", "é meu", "sobe", "compensa ali", ou seja, precisa de um Luisão que faça dele um David Luiz (recordam-se dele quando chegou?...). Noutro dia contaram-me que o Beto teria dito, humildemente, que só fez a carreira que fez porque foi lançado ao lado do Marco Aurélio e no momento da afirmação estava ao lado do André Cruz. É disto que nós precisamos, como disse acima. E se um André Cruz é impossível nesta fase, um Marco Aurélio prova (lá está) que às vezes temos diante dos nossos olhos soluções que, não sendo num primeiro momento fantásticas, resolvem problemas conjunturalmente e podem, num segundo momento, tornar-se soluções boas.

(iv) Gelson correu mal no meio-campo porque, sinceramente, nunca (ou raramente) teve a oportunidade de jogar num sistema 1x2 sozinho atrás. Acho a dispensa compreensível mas pode ser um erro no médio prazo. Na perspetiva imediata, a ascensão de Zezinho é aceitável. Mas se Rinaudo se lesiona novamente (o que não é improvável) deixamos o meio-campo entregue a um jovem a quem pode acontecer o mesmo que sucedeu a Cedric. Sinceramente, acho que devemos ponderar, aqui, se um daqueles ratos de meio-campo de um Paços ou de um Rio Ave não dariam jeito...

(v) Quanto a Elias, sou suspeito: sempre dei aqui a entender que não valia o que pagámos por ele. Pena é que o Benfica não o queira agora ou não esteja disposto a pagar-nos os 8 milhões que por ele pagámos. Sinceramente, foi uma contratação completamente falhada, mas que eu admito que também pudesse fazer se tivesse oportunidade. Diz que está infeliz? Infeliz estou eu, e não é pouco, com o seu rendimento fraquíssimo e com a sua atitude pouco profissional. Que vá rapidamente. O substituto, ao que tudo indica, será João Mário, mas em primeira análise é Adrien quem deve entrar para o lugar do brasileiro. Melhor assim: a aposta na formação é para fazer com cabeça e não quando precisamos de confiar em miúdos para sair do buraco...

(vi) Izmailov é tecnicamente um grande jogador. No aspeto psicológico, joga quando quer. E isto pode dar cabo de um balneário. Parece que vai para o Porto e entram Miguel Lopes e Kadú (?!), o terceiro GR. Este último é para disfarçar o facto de ser o negócio possível nesta fase. Na realidade, queremos livrar-nos do salário e de um elemento que provoca desequilíbrios no balneário e nunca é fácil transferir um jogador quando o mercado sabe que nos queremos desfazer dele. Percebo muito bem a contratação na perspetiva do Porto (+ 1 opção no meio e nas alas, quando há CAN e Atsu fica fora 1 mês), embora não esteja a ver quem será o substituto de Danilo em caso de lesão ou castigo...

(vii) Quanto a Jeffren, digo apenas isto: é uma pena que nunca tenha tido continuidade porque tecnicamente é excelente. Se efetivamente sair, Labyad terá que se afirmar definitivamente como opção nas alas, porque ficam apenas Capel, Carrillo e o próprio Labyad.

Em suma, podem sair 5 ou 6 jogadores (Carriço e Gelson confirmados, podem também sair Boulahrouz, Elias, Izmailov e Jeffren), o que será compensado com a ascensão de 3 ou 4 jogadores da equipa B (Dier já subiu, Zezinho e João Mário quase confirmados, eventualmente Pedro Mendes) e a entrada de Miguel Lopes. É um ajustamento necessário para que o Sporting pague o que efetivamente pode mensalmente pagar... Se houvesse margem para um central mais experiente e uma alternativa a Rinaudo, melhor. E conviria subir Rubio da equipa B, parece-me sinceramente ter mais potencial do que Betinho.

Enfim, 2013 terá que ser um ano completamente diferente de 2012, que foi, sem sombra de dúvidas, o pior de sempre na história do clube. 4 treinadores neste ano civil (5 se incluirmos Jesualdo) demonstram bem o quão complicados foram estes 12 meses. Que o Sporting rapidamente se levante, é o que desejo. O acordar do gigante, esse, terá que ficar para 2014.

Votos de bom ano para todos!

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