30/01/2013

Update Janeiro 2013

1. Negócios fechados

Até agora tinha abordado aqui as seguintes transferências:

(i) Daniel Carriço - foi o negócio possível;
(ii) Izmailov por Miguel Lopes - um negócio com mais aspetos negativos do que positivos;
(iii) Ventura - só dá para perceber se até amanhã sair um dos GR da equipa A (de preferência o Marcelo e por empréstimo);
(iv) Joãozinho - bem jogado, mas atenção que veio por empréstimo (se correr bem convém conseguir comprar o passe);
(v) Pranjic - preferia que tivesse sido transferido a título defnitivo...;
(vi) Elias - bom negócio.

As novidades são as seguintes:

- Insua saíu. Segundo parece, por 3,5M€ mantendo o Sporting uma percentagem do passe (34%?). Sinceramente, custa-me. Sei que o Insua não vale os 30M€ da cláusula que nos dariam direito a 10,5M€. E sei que neste momento avaliá-lo em mais do que 10M€ (o que nos conferiu direito aos tais 3,5M€) é irrealista. Mas custa ver sair estes jogadores que poderiam efetivamente ser a base para a construção de uma boa equipa. O ano passado eu dizia que havia ali uma base muito simpática para uma equipa competitiva. Insua era um daqueles com que eu estava a contar. Sinceramente, não gostei. Mesmo que seja forçado a reconhecer que o valor pago corresponde ao valor da nossa percentagem do passe neste momento.
- Também saíu Pereirinha. Os experts dizem que ia dar um grande jogador. Sinceramente, nunca lhe vi fibra para isso. Mas vi alguns grandes jogos, isso vi. Suficiente para manter a aposta neste jogador, quando ainda para mais temos o Arias e o Cedric e ainda fomos contratar o Miguel Lopes? Parece-me sinceramente que não... Um grande jogador tem que ser consistente. Pereirinha era tudo menos consistente. Aos que criticam a saída a custo 0, tenham paciência: quem é que ia pagar para ter o Pereirinha agora, a 6 meses do final do contrato??? E quanto à não renovação, se é verdade o que me dizem quanto aos valores que pediu... espero, para bem dele, que a Lazio lhe pague metade do que ele estava a pedir. Já ficaria bem servido.
- Fala-se de Wolfswinkel. Quando disse que seria inegociável partia de um pressuposto: ninguém no mercado daria muito mais do que 10M€ pelo jogador (ou seja: inegociável pelos valores que o Sporting - infelizmente - costuma receber pelos jogadores que transfere). Eu defendi-o e defendo-o publicamente, mas tenho noção de que é um jogador muito pouco versátil. E que, sendo muito importante, não é um avançado decisivo. Nós, sportinguistas, estamos habituados a ter alguém lá à frente que resolve. Depois de Acosta, veio Jardel. Depois de Jardel, veio aquele rapaz do Biafra cujo nome agora não me ocorre. E depois chegou este. Que marca golos "à ponta-de-lança", é verdade, mas não marca de outras maneiras. Não me lembro de 1 só golo de fora da área, por exemplo. Ou de ter fintado um defesa. Ou de ter aproveitado uma bola parada. Ou de ter "inventado" um golo com um roubo de bola. Enfim - é um bom PL, não temos capacidade para contratar melhor, mas compreendo que 13M€ seja uma boa proposta por este jogador. Para além do que já vendemos a fundos (também só temos 35% do passe), receberíamos líquidos 4,55M€. Se vendermos pela cláusula, recebemos 7,8M€. É realista abdicar de 4,55M€ agora na esperança de receber 7,8M€ no final da época, o que implica que um clube pague por ele 22,5M€?! Sinceramente, não é. Agora, atenção: se tivermos capacidade para rejeitar os 13M€, não fico propriamente chateado (até porque os 4,55M€ são precisos para outras coisas que não a contratação de um PL). Só estou a dizer que se vendermos por 13M€, vou compreender.
- os outros de que se fala conheço pouco ou mal (Paulo Henrique, Urruti, mesmo Ghilas que só vi no jogo do campeonato contra nós). Vamos ver.

E vamos ganhar a Vila do Conde!

29/01/2013

Braga já está!

Mas ainda deu para sofrer e muito! Ainda cheguei a pensar que seria uma daquelas vitórias sem margem para dúvidas e sem dar hipóteses de resposta ao Braga. Só que os homens sempre altamente motivados para jogar contra o Benfica complicaram e muito o jogo. Para começar, a surpresa de Jesus: já tinha perdido as esperanças de ver uma aposta num meio-campo mais povoado mas por opção ou mais provavelmente pela indisponibilidade de Cardozo, lá surgiu o esquema que considero dar mais competitividade à equipa. Ainda se falou que o paraguaio não teria jogado por se estar a preparar uma venda mas, por enquanto, não há novidades.

O Benfica começou muito bem mas logo durante largos períodos da primeira parte perdeu o controlo do jogo, permitindo sobretudo vários cantos, cruzamentos e livres para Viana. Poderá ainda ser uma questão de adaptação ao sistema táctico mas, sinceramente, estava à espera de mais. É certo que o Braga não é a Académica mas depois do 0-2 sempre pensei que a tranquilidade viesse ao de cima e que acabássemos por matar o jogo (Lima ainda arriscou um chapéu quando podia ter bisado...). Tal não aconteceu e quando finalmente se viu o Benfica a trocar a bola com segurança, acabou por ser o Braga a reduzir e a colocar a incerteza no desfecho até ao final. Não tivesse sido a expulsão e o sufoco teria sido ainda maior. Faltou um jogador mais forte para substituir Gaitán no meio, sendo que um Carlos Martins em forma já não seria mau, até porque Matic amarelado ficou demasiado macio. Estivessem alguns jogadores do Braga com a eficácia que já demonstraram nalguns jogos contra o Benfica e a tradição recente poderia ter continuado.



- Gaitán mostrou excelentes pormenores, grande capacidade no último passe e foi decisivo nos dois golos. Que arrancada fenomenal no segundo golo.
- Jardel esteve bastante irregular;
- Melgarejo esteve bastante bem (sim, é o meu primeiro elogio para o Melga);
- Salvio foi enorme;
- Matic, antes do amarelo, foi omnipresente a fechar os caminhos para a baliza de Artur;
- Lima novamente em grande e com excelente mobilidade. Arrisco que, neste sistema, Rodrigo tem a capacidade de executar o mesmo papel.
- Aquele relvado foi propositado?!

Agora, abram o caminho para a final da Taça!

28/01/2013

Eu, desculpem lá, gostei mais de Olhão

Apesar de ontem termos feito uma exibição mais consistente, em Olhão ganhámos por 2-0. Muito justamente, aliás. E podíamos ter marcado mais.

Ontem, com o Guimarães (excelente e a provar que é possível desinvestir mantendo qualidade), o Sporting voltou a fazer um jogo... normal. Daqueles jogos normais como tantos outros que se jogaram e (infelizmente) empataram. Devíamos ter ganho mas não calhou.

A reter:
- não sei que raio de preparação física foi dada a esta equipa, mas ter os dois extremos rebentados a meio da segunda parte não é normal (e Carrillo, pelo menos este, precisa mesmo de estar em forma para fazer arrancadas como a da primeira parte em que pôs a bola na barra);
- Wolfswinkel voltou a marcar um grande golo e a desperdição 2 ou 3 lances de perigo. Duvido que haja alguém que tenha defendido publicamente este jogador tantas vezes como eu. Por isso, sinto-me à vontade para esta declaração: por 13 milhões, convenhamos, tem que sair. Claro que não vamos neste momento encontrar um substituto à altura, mas podemos encontrar um jogador com outras características (um que jogue melhor fora da área, ou um que tenha como ponto forte o cabeceamento) em função do que Jesualdo queira da equipa;
- com este Adrien dos últimos 3 jogos valeu a pena renovar. Anos e anos perdido como 6 ou interior num losango quando ele o que sabe fazer é o que Elias nunca soube ou nunca quis fazer. A última substituição de Jesualdo, aliás, só se percebe com fatiga ou lesão de Adrien, porque colocar Jeffren naquele lugar não lembra ao ceguinho.

Enfim, mais dois pontos perdidos. Mas o único jogo este ano em que saí de Alvalade com pontos perdidos e a sensãção de que não merecíamos. Continuo a achar que Jesualdo está a fazer bem a esta equipa. E acredito que vamos ganhar em Vila do Conde.

24/01/2013

EXTRA!! EXTRA!! VENDE-SE CAMISOLA!!

É verde e branca, tem o número 31 nas costas e está um pouco danificada com um rabisco feito com uma caneta por um etíope ou lá o que é.

Mas o tecido é de qualidade, tem um símbolo lindo e as cores são muito bonitas.

Aceito propostas...

23/01/2013

Andam nervosos?

Não percebo como é que nenhum dos vários programas que analisam o futebol português se dignou a convidar Vítor Pereira para analisar os casos de arbitragem. O homem está um especialista como nunca se viu! O ex-árbitro do cabelo à Van Damme e sapatos Miguel Vieira da TVI, tropa de profissão, é um menino ao pé do treinador do Porto. O homem até já discute os amarelos do Matic! Cheira-me que começam a andar muito nervosos para os lados das Antas e que começam a instigar uma daquelas arbitragens que ajude a parar as arrancadas de Salvio, os chapéus de Lima, as finalizações de Cardozo, os cruzamentos de Ola John, a garra de Pérez, a desenvoltura de Matic, a classe de Garay, etc, etc. E só por acaso, o próximo jogo do Benfica é em Braga. Coincidências? Não me parece. É melhor que o Benfica jogue para o 3-0 para ver se conseguimos ganhar por pelo menos um golo.



A direcção do Benfica está a optar por uma estratégia interessante: ignorar as declarações e provocações dos homens de azul. Interessante porque desta forma não está a alimentar um clima de guerrilha que sempre serviu de combustível e motivação às gentes do Porto. Isto foi notório quando o Benfica não reagiu às provocações de Vítor Pereira nas vésperas do jogo na Luz, depois do adjunto de Villas-Boas ter questionado o próximo jogo de Jesus na Champions ou brincado com a recepção dos adeptos no aeroporto, depois do jogo com o Chelsea. Ou depois das declarações sobre o jogo na Luz, arbitragens, Maxi ou o pontapé para a frente do Benfica. E continua agora com Matic, dizendo que está atento e tudo o mais.

Reparem como a comunicação do Porto está a trabalhar através das questões colocadas por alguns "jornalistas". Se alguém acredita que um jornalista a sério se recordasse de fazer as questões que seguem na notícia d'A Bola, que mande um abraço ao Pai Natal por mim. Reparem no que sublinhei (não podiam ser menos óbvios?!): 

Confrontado com o facto de o Moreirense se ter visto privado de quatro jogadores para a receção ao Benfica, devido a castigo, e com a expulsão de Paulo Vinícius, do SC Braga, no jogo com o V. Setúbal - o que afasta o defesa da partida com os encarnados, no próximo fim de semana -, Vítor Pereira mostrou-se apreensivo: 

«Atento tenho que estar e tenho estado. Tenho visto alguns lances que, à vista desarmada, parecem de difícil explicação. Mas não sou especialista e dou o benefício da dúvida aos árbitros em questão. Tenho estado atento e com alguma preocupação».

Instado a comentar a eventual dualidade de critérios por parte dos árbitros na análise dos lances de Matic em Moreira de Cónegos, de Paulo Vinícius em Braga e de Fernando na partida com o Paços de Ferreira (completou série de cinco cartões amarelos e falha a deslocação a Setúbal), o treinador não se furtou a responder

«À vista desarmada, são lances difíceis de compreender. Não sou especialista, às vezes não entendo bem determinado tipo de critério. O que sei é que Matic vai estar presente para jogar em Braga e o Paulo Vinícius vai estar ausente, assim como o Fernando também vai estar ausente em Setúbal», observou, notando que, «à vista desarmada», ficou a ideia de os árbitros terem utilizado «critérios diferenciados» no julgamento dos lances protagonizados por aqueles três jogadores.

Gosto desta postura do Benfica mas é urgente descredibilizar estas declarações. Já na época passado a direcção esteve por demasiado tempo calada aquando do jogo com a Académica e que culminou com o jogo do Porto e o golo em fora-de-jogo.

Continuem com o mais importante, jogar bom futebol e ganhar os jogos sem margem para dúvidas mas não sejam anjinhos!
  

22/01/2013

Meio campo a 3

Foi claramente o que mais gostei no jogo contra a Académica. É verdade que o Benfica marcou mais golos durante a primeira parte a jogar com Lima e Cardozo na frente e que o entrosamento entre os dois foi realmente bastante bom. Só que, para mim, esta solução fica bastante abaixo da alternativa que Jesus apresentou durante a segunda parte. Apesar de já por muitas vezes ter escrito sobre a minha preferência de ver um meio campo mais povoado ou, se preferirem, de abdicar de um esquema com dois avançados, penso que o jogo com a Académica foi a melhor prova desta minha convicção.


A primeira parte foi boa mas fiquei com a sensação de que o Benfica causava perigo sobretudo pelos lançamentos para os avançados que, ou se assistiam mutuamente, ou lançavam os extremos. Uma fase em que o Benfica vivia principalmente dos arranques em velocidade, estando Matic e Enzo demasiado longe da grande área adversária, com este último a andar durante muito tempo desaparecido. É certo que a vantagem conseguida desde muito cedo pode ter contribuído para este cenário mas não se viu muito futebol apoiado.

Na segunda parte, com a entrada de Carlos Martins, foi muito diferente. O Benfica aumentou exponencialmente a troca de bola e a segurança no passe, correu muito menos e não foi por isso que causou menos perigo. Tivesse Lima continuado em campo e os golos seriam certamente mais alguns. Com este sistema, Enzo sobressai bastante mais e aparece muitas vezes em situações de finalização ou de último passe, assim como Matic. Por outro lado, a capacidade para recuperar a bola também aumenta. Mesmo com a noção que há demasiados avançados e em qualidade para este sistema, deveria ser esta a solução para os jogos de maior dificuldade. E se saírem os jogadores de que se fala para o meio campo, contrate-se mais um jogador para o meio campo e não outro 10 para jogar junto do ponta de lança. Era o que bastava para acreditar com maior convicção nas hipóteses do Benfica vencer este campeonato. Se não for assim, mantenho as minhas dúvidas para jogos de maior dificuldade como o próximo em Braga, deslocações à Madeira, Guimarães e Porto, não esquecendo também a Liga Europa.


21/01/2013

Precipitação (minha) ou apenas nervosismo (deles)?


1. Sporting 1 - 0 Beira-Mar

O Sporting ganhou ao Beira-Mar por 1-0, golão de Carrillo (o tal que é um brinca-na-areia, supostamente). Não gostei mesmo nada da forma como festejou o golo, parecendo passar uma mensagem aos adeptos do tipo "assobiem lá agora". O Carrillo não o deveria ter feito mas não posso responsabilizar só o peruano. Posso também culpar os adeptos que vão a Alvalade para assobiar jogadores numa lógica "ad hominem". Eh pá, assobiem no fim, e assobiem todos, se não gostarem do jogo, da atitude, whatever. Assobiar só um não faz sentido. E por outro lado pensem que se este rapaz não tiver a capacidade do Nani ou do Patrício para aguentar essa trampa dos assobios, um dia farta-se, vai-se embora e depois acaba num FCP ou num Benfica com os adeptos a dizer duas coisas: (i) "este Carrillo revelou-se um belo traidor" e (ii) "não percebo como é que nunca aguentamos jogadores no Sporting". Será que somos nós que não os aguentamos ou são eles que não nos aguentam a nós?...

Quanto ao jogo, não vi. Não por não poder, simplesmente porque tinha (e tenho) outras prioridades. Mas pelo que li parece que o Sporting voltou a tremer. E não só por ter falhado um penalty no último minuto - Ricky, já devias conhecer esta malta, pá: sim, é verdade, voltaste a ser uma merda e bom, bom é o Bojinov - mas também pela falta de segurança no jogo a partir dos 30 minutos da primeira parte quando se percebeu que o golo não entrava e pela segunda parte, digamos, pouco controlada.

Muitos pensarão que as primeiras apreciações relativamente ao papel de Jesualdo Ferreira foram precipitadas (as minhas incluídas). Parece-me que não podemos tirar essa conclusão. Por três razões, fundamentalmente, que posso alegar mesmo sem ter visto o jogo (o ambiente de Alvalade, esse conheço-o de gingeira e não preciso de ir ver 1 jogo para o imaginar...):

1. Como ando a dizer aos meus amigos ultimamente, para o Sporting se por definitivamente de pé precisava de 1 mês a jogar fora de casa. Em Alvalade, o ambiente é terrível. Em Portugal, aliás, o ambiente é genericamente terrível (recordo-me de ter apontado neste blog que havia adeptos do Porto que assobiavam Hulk quando ele falhava uma finta), mas Alvalade é infinitamente pior. Porque se é verdade que tem os adeptos mais dedicados e pacientes (20.000 em noite de temporal no estado em que estamos...), tem também os que mais facilmente entram na lógica autofágica que persegue o clube (a típica boca de um adepto quando levamos um golo é "estava-se mesmo a ver" ou, pior ainda, "bem feito que é para não andarem a brincar com isto!"). Ou seja, jogar em casa sem que esteja 3-0 ao intervalo é muito complicado neste momento. E a quem acha que os jogadores têm que aguentar assobios num grande clube, pergunto apenas se também têm que aguentar esses assobios quando estiveram 6 meses sem treinador (ou com imitações de treinador), nos lugares próximos da despromoção, com um clube feito em cacos em que os adeptos se preocupam mais em cantar que está na hora de o Presidente se ir embora do que propriamente em apoiar a equipa. E, atenção!, nem critico quem o faz: critico quem o faz e depois não compreende que assim o papel do jogador é muito mais difícil.

2. Pelo que vi, a estatística demonstra que - pese embora aquele final de loucos - o Sporting foi inseguro em certos momentos do jogo, mas não foi tendencialmente permissivo. Ou seja, analisando apenas a estatística, parece que o Sporting fraquejou nalguns momentos, mas não é, tendecialmente, o passador que costumava ser. Ninguém disse que não havia nada a melhorar, é claro que há. Mas para se ganhar um jogo, convém que o adversário não faça uma jogada perigosa cada vez que recupera a bola. Parece que isso não aconteceu desta vez.

3. Ver o final do jogo da forma como a imprensa, os adversários e - neste momento, face à excessiva politização do clube - os adeptos contestatários o viram tem o condão de (tentar) fazer esquecer o seguinte: se Wolfswinkel marca o 2º, no penalty, hoje falar-se-ia da "continuidade e estabilidade conferida por Jesualdo" e não da "insegurança" e do muito que "o leão ainda tem que trabalhar". Reitero: há muito por melhorar, não digo que não haja. Digo, também, é que a análise das coisas pela maioria dos ditos "experts" continua a depender da bola que bate no poste, o que revela precipitação. Tal como, a meu ver, revelava precipitação a análise do trabalho de Sá Pinto, onde eu, por exemplo, e tirando a vertente psicológica, sempre vi pouco de meritório, precisamente porque tentei sempre ver se a equipa - E-Q-U-I-P-A - estava melhor. E não estava, como infelizmente se comprovou. Agora está. Está melhor. Jesualdo tem muito por fazer, mas há mudanças, para melhor. Mesmo que a equipa tenha falhado um penalty e com isso concedido ao adversário duas oportunidades - felizmente salvas por Patrício (grande, muito grande) - para empatar o jogo, a equipa está melhor. E diria o mesmo se o Beira-Mar tem empatado no último minuto.

Entretanto, contam os 3 pontos. E com esses 3 pontos, o Sporting soma agora 18. Quando tínhamos 12, e estavam por jogar 51, disse que precisávamos de somar aos tais 12 à volta de 35/36 para ir à Europa. Desses 36, 6 já estão. Faltam 30. E faltam disputar 45 pontos. A continuar assim, parece-me um objetivo ao alcance.

2. Janeiro

Continua a reformulação do plantel, com bons e maus negócios:
- Insua, a ser vendido, é mau negócio. Mesmo que financeiramente as condições sejam boas, tal como disse no meu último texto parece-me um negócio precipitado. Dificilmente conseguiremos encontrar um jogador com a sua qualidade nos tempos mais próximos. Era dos poucos intransferíveis. A vender só pelo valor da cláusula de rescisão. Foi, aliás, o único jogador do Sporting a entrar de caras nos diversos "11 do ano" que por aí se fizeram (eu também incluiria Patrício, mas houve quem não tenha incluído). Duvido que fique muito tempo longe do...  Benfica. O que muito me entristece. Quero apenas pensar que poderá, ainda, ficar. Aguardo com alguma ansiedade o fim desta novela.
- Joãozinho é um jogador que, antes de mais, precisava de uma mudança de nome. Os "inhos" portugueses normalmente não têm a qualidade dos "inhos" brasileiros (Ronaldinho, Jorginho, Jairzinho, mesmo o nosso Luisinho). Mais a sério, é obviamente uma opção com a qual concordo, como tenho aqui defendido muitas vezes (não vou repetir "ad nauseam" os argumentos sobre as vantagens de contratar jogadores no campeonato nacional). Mas faria mais sentido para suplente do Insua, como é evidente.
- Pranjic. Desculpem voltar a deixar sobressair o meu terrível defeito, mas... "eu bem dizia", no início da época, que não dava para perceber estar contratação. Face à saída do Matias (que saudades...), ainda pensei, a meio da 1ª volta, que o Pranjic tinha vindo para o meio-campo e que afinal até faria sentido a contratação. Mas, caramba!, não se pode queixar de falta de oportunidades. E jogou sempre, ou quase sempre, muito pouco. No início da época escrevi que este jogador não vinha ganhar pouco e dificilmente ficaria satisfeito sentadinho no banco. Lá está, qualquer bicho careta faz contratações, pagar o salário é outra conversa... Neste caso, preferia transferir a emprestar. Mas se alguém pagar o salário já não é mau.

E venha o Vitória para a 3ª vitória consecutiva. "3ª?!" perguntam vocês... "Mas não será a 4ª?!" insistem. Não, meus caros, não. A Taça Lucílio não pode contar para umas coisas e deixar de contar para outras... Para mim, nunca contou para nada.

18/01/2013

E agora... o que interessa!


Antes de mais: desculem lá repetir a foto da Barbara Palvin (e da capa do Record) mas só estou a conseguir carregar fotos que já estavam disponíveis no blog. Mas as promessas são para cumprir e creio não haver dúvidas quanto às qualidades da Barbara. De qualquer forma, se quiserem mesmo saber, a menina que tinha em mente, para homenagear a bela joga do Labyad, chama-se Emmanuelle Chriqui, uma marroquina que vale a pena pesquisar...

Passando ao que interessa, creio ser indiscutível que o Sporting fez, em Olhão, o melhor jogo da época. E, ainda assim, não foi um grande jogo, foi um jogo... normal. Um jogo como tantos outros que o Sporting ganhou antes destes 3 anos (e mesmo alguns dos das últimas épocas) a adversários com a qualidade do Olhanense.

Gostaria muito de contrariar a tentação de me precipitar, mas não consigo... Na última vitória para o campeonato (contra o Braga), disse que Vercauteren tinha incutido alguma organização à equipa em poucos dias. Afinal, parecia ser apenas o efeito do chicote, porque o belga ao longo do tempo demonstrou nunca conseguir organizar a equipa coletivamente.

Mas, mesmo correndo o risco de me precipitar, diria que Jesualdo já deu à equipa um cheirinho a coletivo. Essencialmente por 3 motivos:
- porque colocou os jogadores na posição certa (casos mais evidentes os de Adrien e Labyad);
- porque aproximou o meio-campo do ataque;
- porque melhorou a construção do jogo: fez descer Rinaudo na construção para não obrigar ao passe direto (ainda assim, o argentino continua a ser dos jogadores mais enervantes na atual equipa do Sporting... aquele passe para Patrício na primeira parte deu-me cabo do juízo!) e avançou os laterais para receberem a bola dos centrais, posicionando a equipa, apenas com isso, vários metros mais à frente.

Isto, diga-se o que se disser, e mesmo correndo o risco de ser acusado de me estar a precipitar novamente, parece-me claramente papel do treinador. Pode, novamente, ser apenas o efeito do chicote. Mas no jogo com o Braga eu tinha apontado aqui alguns temas de organização coletiva que estavam por resolver e que não se resolveram. Os três aspetos que apontei não são meros ajustes, são temas de organização coletiva absolutamente fundamentais. E parece-me que Jesualdo está a trabalhar nisso.

Já agora, o melhor pelo Sporting foi Labyad (que não acredito que esteja de saída para o Porto), mas gostei de ver o Miguel Lopes (boa estreia) e o Adrien. Estive quase a escrever "gostei de ver o Adrien a mostrar ao Elias o que é um 8", mas convenhamos que, se calhar, com outros treinadores, Elias seria outro jogador... Agora só o saberemos se no final do seu empréstimo ao Flamengo (com o qual concordo, como já disse aqui) ele voltar. Veremos.

Algumas notas finais sobre este período de Janeiro:
- percebo as dificuldades de tesouraria, mas eu diria que Insua é um dos (poucos) intransferíveis do Sporting. Acrescentaria a esta lista Carrillo e Wolfswinkel, um porque acho que o venderíamos em baixa (vai valer muito mais) e o outro porque não temos capacidade para contratar ninguém melhor, nomeadamente neste momento. Mesmo Patrício, pelo valor certo, é transferível, porque o Boeck é um bom GR. Mas Insua, nunca. Se Insua sair, esta direção dá mais um enorme desgosto aos adeptos que, nesta fase, tanto precisam de acalmar para ver se acaba a guerra civil em que nos encontramos. E, pessoalmente o digo, é mais uma machadada nas suas aspirações a sobreviver à AG... diga-se o que se disser, a gestão do plantel profissional conta, e muito, para a imagem de uma direção. Janeiro começou mal e temo que possa acabar pior. Mas vamos aguardar.
- já quanto ao Liedson, a direção é presa por ter cão ou por não ter... está nesta fase, também por culpa própria, e dificilmente consegue sair dela. Mas é mesmo assim: quem só critica por criticar, diria que Liedson devia ter vindo porque é um símbolo do clube; mas também diria, se ele viesse, que tem 35 anos, um passado complicado e um salário alto demais para suplente. Quanto a mim, só sabendo as condições salariais exigidas é que me poderia pronunciar. Se forem os tais 75.000/mês de que se fala, não podemos, ponto final. Que fique claro, no entanto, que me entristece profundamente ver Liedson no Porto. Porque foi um dos nossos poucos ídolos nos últimos anos e porque tenho em casa uma camisola dele, autografada pelo próprio, oferecida pelo meu pai. Sinceramente, com Liedson no Porto, não vou ser capaz de a usar mais. E provavelmente vou doá-la. Mas é a vida...
- a contratação de Ghilas não me parece de todo desprovida de sentido. Vem, aliás, ao encontro do que aqui venho defendendo: há soluções e alternativas que, por vezes, estão mesmo à nossa frente. Lembremo-nos sempre dos casos de Isaías, Vítor Paneira, Drulovic, Marco Aurélio, Zahovic e, mais recentemente, Fábio Coentrão, Maicon ou Lima (este uma contratação em que pouco acreditei mas que relegou o promissor Rodrigo para o banco, sendo hoje um avançado titularíssimo e a jogar muito). Não temos condições para outros vôos? Muito bem, arrisquemos nos que estão a jogar na nossa Liga;
- Ventura só se percebe se sair Boeck. Ainda assim, tenho dúvidas sobre um GR que não se conseguiu afirmar no Olhanense (pese embora a indiscutível qualidade de Fabiano, hoje no Porto)... Vamos aguardar.

E hoje o (excelente) Vitória, demonstração clara de que é possível gerir um clube de futebol sem entrar em loucuras, vem a Alvalade, moralizadíssimo. Mas vem para perder. Pelo menos assim o espero...

16/01/2013

Congresso do Sporting - só mais este, desculpem lá

Os meus colegas de blog vão-me desculpar, mas afinal vou mesmo ter que usar este espaço para falar do Congresso Leonino. Não para defender o Congresso ou o que quer que seja no meio da guerra civil em que nos encontramos, mas para por alguma verdade nas coisas que têm sido ditas por aí. É que ontem não me tinha apercebido de que andava por aí a correr que eu e os restantes subscritores somos funcionários remunerados do jornal Sporting, que viemos ocupar o lugar de pessoas com 10 e 20 anos de clube e que fomos convidados para o lugar pelo Rui Paulo Figueiredo. Sim, é o tema mais chato jamais discutido neste blog. Mas desta vez prometo mesmo que fica por aqui!

A primeira reação foi a de ignorar. Simplesmente porque é um disparate de tal ordem que nem valeria a pena comentar. E as pessoas que me interessam - os meus familiares e amigos - sabem que isso é uma deslavada mentira. Mas depois lembrei-me de todos aqueles que me acompanham aqui, neste blog. Muitos desses, como fui dizendo, conhecem-me e sabem perfeitamente que tudo não passa de um disparate. Mas há outros que simpaticamente me vão lendo e podem ficar a pensar "mas afinal este gajo é funcionário do Sporting?". Por isso, e só por isso, escolhi este fórum para o que vou dizer de seguida. E só o farei aqui. Não como resposta a ninguém, mas apenas por respeito àqueles que vão tendo a paciência de ler os meus bitaites futeboleiros (e não só).

Claro que isto acontece no atual ambiente do Sporting, em que um gajo diz a outro "eh pá, ouvi dizer que o Godinho tem um caso com a Naide Gomes" e o ouvinte, em vez de se rir, publica no facebook antecedido de algo como "chega disto, quando é que corremos com a corja?". Ou o inverso: "ouvi dizer que o Eduardo Barroso tem um cão que mijou propositadamente à porta da casa do Godinho" e logo aí alguém pega naquilo para dizer "isto é indecoroso, membros da MAG para a rua".

Enfim, é o que é. E estamos todos - sportinguistas - mergulhados nisto. Ninguém está fora. Também por isso, e só para os que teimam em dar-me atenção, queria esclarecer os seguintes pontos:

1. A ideia de um congresso vem de há muito tempo. E acho que posso afirmar que fui uma das pessoas que deu a ideia (inicial) para o Congresso de 2009. Já na altura entendia, como entendo agora, que o Sporting podia estar a dar passos que, se discutidos entre os sportinguistas, podiam pelo menos ser ponderados e objeto de alguma reflexão. Quando foi organizado o Congresso de 2009, recolhi assinaturas de outros sócios de forma a ter capacidade para ser delegado. Por motivos profissionais, já depois de ter as assinaturas, não pude estar presente. Mas adiante.

2. A ideia voltou a surgir no ano passado através de um dos subscritores, o Pedro Fajardo. Concordei. Essencialmente porque entendo que o futuro do Sporting, face às atuais circunstâncias, depende pouco de estar lá Godinho Lopes, Bruno de Carvalho, Dias Ferreira, Pedro Baltazar ou Abrantes Mendes. Ou melhor, e muito resumidamente: até pode ser que haja muitas alternativas a Godinho Lopes que ano após ano consigam manter um rendimento desportivo no futebol muitíssimo bom face às nossas circunstâncias. Mas este "muitíssimo bom", com as nossas limitações, e face ao atual poderio dos rivais, muito provavelmente conduziria a uma sucessão de terceiros lugares, que não é o que eu quero. Por isso pensei: e que tal discutir se temos condições para, no médio prazo, nos reencontrarmos enquanto clube, perceber o que somos e o que queremos? Quem me acompanha aqui sabe que tenho dito que ao Sporting falta (i) ideia de clube, (ii) estratégia e (iii) definir um rumo para seguir essa estratégia. Andaria mais ou menos por aqui a discussão...

3. Fizemos contatos para explorar a ideia e pedimos ao PMAG que fossem dados passos no sentido da marcação do Congresso. Mas não fizemos apenas isso: fizemos inúmeros contatos com sportinguistas, dos mais "notáveis" aos mais "anónimos":
a) contatámos, naturalmente, membros da direção.
b) contatámos, também, membros de outros órgãos sociais.
c) contatámos cada um dos cabeças-de-lista das últimas eleições.
d) contatámos pessoas ligadas à organização do Congresso de 2009.
e) contatámos diversos sportinguistas do resto do país para que o fenómeno não fosse apenas entendido como uma ideia dos sócios de Lisboa.
f) por fim, fomos recebidos pelo presidente.

4. De seguida, surgem os comentários, que deixo à liberdade de cada um (chamem-me o que quiserem, estou-me borrifando nisso), mas surge ainda a tal informação de que somos todos funcionários do Sporting. Quanto a isto, tenho quatro sérios problemas:

(i) tenho um sério problema para resolver comigo próprio - é que sempre pensei que era advogado e afinal sou funcionário do Sporting;

(ii) em segundo lugar, tenho um sério problema a resolver com Godinho Lopes - é que apesar de eu não o saber, parece que sou funcionário do Sporting. E se assim é, caro presidente, estou com salários em atraso desde Agosto (ou já era funcionário antes disso? fica a dúvida, que não consigo esclarecer porque nem sabia que era funcionário...)

(iii) o terceiro: tenho um sério problema a resolver com o Pedro Cabral - o tipo é funcionário do Sporting e nunca mo disse. A não ser que... espera, Pedro!, és tu quem está debaixo do fato do Jubas? Acreditas que até hoje pensava que aquilo era um leão de verdade, domado pelo Vitor Hugo Cardinali???;

(iv) por fim, tenho um sério problema a resolver com Rui Paulo Figueiredo - é que este senhor será, pelos vistos, uma pessoa desprovida dos mais elementares princípios de boa educação: não é que, no dia em que almocei com Bruno de Carvalho (e ele poderia confirmar esta história se não tivesse muito mais que fazer...), o dito senhor entrou pelo restaurante e cumprimentou o Bruno mas a mim nem me falou? Um tipo que ele contratou com o fito de... ahm... de... ahm... de fazer com que certas e determinadas situações ocorram de forma a que isto seja assim e assado e ele nem diz nada? E para o lugar daquele senhor que lá estava há 20 anos, aquele, o ...ahm... como é que ele se chama? Aquele que eu fui substituir, pá, o que tinha 20 anos de casa, eh pá... Ah, aquele que foi e depois saíu porque... pois, esse.

Enfim, desculpem lá este momento ridículo, mas só sendo ridículo é que se percebe o ridículo (e, se for o caso, só assim os ridículos nos percebem). No próximo falo sobre o Jesualdo, o Olhanense e o Labyad. Ah, claro, e sobre mulheres bonitas. Muito mais interessante do que falar sobre gajos burros (e, provavelmente, feios).

Miguel Menezes da Silva (aka Koba)

15/01/2013

Promessas que o tempo não leva

Prometo que brevemente comentarei o jogo do Sporting em Olhão. Prometo que esse post terá uma foto relativa ao Sporting. E mais uma foto para cumprir tradições que não se devem perder. Prometo que farei a análise do momento do Sporting. E prometo não usar este blog para falar sobre o Congresso de que sou subscritor. A beleza e a magia deste espaço é esta: mesmo que fôssemos só 3, continuaríamos fundamentalmente a discutir futebol. Aquele que se joga dentro das 4 linhas. Aquele que jogaram o Benfica e o Porto nos primeiros 15 minutos do clássico. E também o que jogaram nos restantes 75 minutos. E também aquele que o Sporting jogou, a espaços, em Olhão. E o que vai jogar daqui para a frente, espera-se. E o que vai jogar num futuro não muito distante se ganharmos juízo e percebermos que uma mera troca de bonecos não resolve os problemas estruturais do clube. Ok, sim, é uma boca mais política e menos futeboleira. Mas eu disse "fundamentalmente" e não "apenas". Vamos lá deixar passar o rescaldo do clássico e depois passemos ao que é verdadeiramente importante. Ah, acham que o verdadeiramente importante é o confronto Benfica-Porto?! Pois não é. para quem tenha dúvidas, basta ver esta capa do Record:

14/01/2013

O equilíbrio esteve melhor

Apesar de o título deste post também se adequar ao resultado final, estou aqui a falar de outro equilíbrio. O reconhecimento de uma equipa que foi isto mesmo: mais equilibrada e que por isso esteve melhor.O Porto, com mais unidades no meio campo, controlou melhor o jogo e, por isso, parecia que estava sempre em melhor posição para atacar a vitória na partida. No entanto, também não teve a capacidade de concretizar este controlo e de colocar em sério perigo a baliza de Artur em toda a segunda parte, daí que o empate também não deixe de ser justo.

O mais engraçado é que, mesmo com este reconhecimento à organização dos azuis, neste empate a dois golos há uma oferta incrível de Artur para o segundo golo e a melhor ocasião da partida desperdiçada por Cardozo. Ou seja, esta característica do futebol em que nem sempre quem está melhor na partida acaba por vencer, poderia mesmo ter ditado a vitória do Benfica.

Jogar numa táctica com dois avançados quando não existe um Ramires de um lado e um constante desequilibrador do outro, dificilmente dá bons resultados contra as grandes equipas. Pode chegar para as outras 14 equipas do campeonato mas não para esta que está no mesmo patamar do Benfica (um pouco acima ou um pouco abaixo, depois se verá no final do campeonato). Com um trio experiente e de qualidade composto por Fernando, Moutinho e Lucho, não há como evitar o futebol directo quando apenas se tem Matic e Enzo. Ainda para mais quando o Porto abdicou de atacar pelo lado direito já que Defour estava mais preocupado em dar consistência ao miolo do que em subir na linha (também não sabe para isso). É isto que Jesus teima e vai continuar a teimar em não perceber. E é por isto que considero que Jesus nunca conseguirá colocar o Benfica no lugar em que tem que estar. Mesmo que o amarelo de Enzo possa praticamente ter impossibilitado este reforço do meio-campo, juntando Martins por troca com Lima (e preferia que fosse por Cardozo), não é colocando Aimar perto de Cardozo que também o consegue.


Em grande esteve novamente Matic e até com um fantástico golo, acompanhado pelo melhor Jardel. Do outro lado, um Artur que impediu pela primeira vez uma vitória com um "enterranço" do outro mundo e Salvio que nunca carburou e na segunda parte preferiu rematar em vez de assistir Cardozo que só teria que encostar. 

Quanto às críticas de Vítor Pereira em relação à arbitragem, também acho que tanto Matic como Maxi deveriam ter sido expulsos. Foras-de-jogo não tive oportunidade de ver mas também só me recordo de um que era situação clara de golo e o mesmo erro foi feito a Aimar que era situação de ainda maior perigo (cabeceou ao lado mas se fosse golo...). E depois da época passada, quem é o palhaço para falar de foras-de-jogo na Luz?!

Resta fazer um campeonato à prova de bala, na esperança de que o Porto escorregue mais que o Benfica e que Janeiro traga o devido reforço do meio-campo. Gosto dos miúdos mas ainda não chegam para uma equipa campeã.

10/01/2013

Comentários aos primeiros negócios de Janeiro

1. Daniel Carriço

Foi transferido por 750k para o Reading de Inglaterra. Um negócio é bom ou mau consoante o valor de um jogador no mercado. Tenho sérias dúvidas que Daniel Carriço valesse muito mais do que isto a 6 meses do fim do contrato. Quanto a não ter sido renovado o contrato, depende sempre do que o Daniel Carriço foi pedindo para renovar. De início, achei que seria central muito promissor. Depois, pensei que talvez precisasse de um bom parceiro para a defesa. No final, confesso que comecei a pensar que não fosse mais do que uma alternativa sólida. Nesta lógica, a renovação teria sempre que considerar o lugar de Daniel Carriço no plantel: não mais do que uma alternativa sólida. E uma eventual proposta de renovação refletitiria isso mesmo. Não aceitou, está no seu direito. O que pergunto é porque não foi transferido em Agosto...

Enfim, não é um bom negócio mas também não é desastroso. E em termos desportivos não me preocupa particularmente. Acho é que mais uma vez transferimos o capitão de equipa de uma forma leve, para dizer o mínimo. Qualquer bicho careta chega a Alvalade e leva o capitão de equipa. Custa-me mais este aspeto psicológico do que quaisquer outros termos do negócio.

2. Izmailov por troca com Miguel Lopes

Se bem percebi, os termos do negócio são simples:
- troca sem qualquer desembolso de dinheiro de qualquer dos clubes;
- o Porto retém 50% do passe de Miguel Lopes;
- o Sporting retém 50% do passe de Izmailov.

O negócio tem demasiados aspetos que favorecem o Porto. Desde logo, como é que se avalia por igual estes dois jogadores, desde logo considerando que um deles (Miguel Lopes) terminaria contrato em 6 meses, ao passo que o outro tinha mais dois anos de contrato? Por outro lado, um só não era titular no Sporting por motivos físicos ou psicológicos, enquanto que o Miguel Lopes não era titular porque o Porto tinha lá outro melhor (ou seja, o valor dado ao atleta por cada clube era claramente diferente). Por fim, a retenção de passes é uma falácia: percebo que o Sporting retenha 50% do passe do Izmailov, precisamente porque tinha mais dois anos de contrato, mas é evidente que não vamos retirar nada daí porque o jogador tem 30 anos; quanto ao Miguel Lopes, como é que o Porto consegue assegurar 50% do passe de um jogador que terminava contrato em 6 meses?! E neste caso é bem possível que venha a beneficiar destes 50% a médio prazo...

Também tem coisas boas para o Sporting, mas com menor impacto. Face à impreparação (psicológica) revelada por Cedric, e à não maior experiência das alternativas, percebe-se a contratação. Haveria outras posições mais precisadas (centrais), mas temos vivido, reconhecidamente, muita instabilidade na direita (e convenhamos que, tirando o Rolando, que nem acho fantástico, nenhum dos centrais do Porto nos interessava - refiro-me ao lote dos que não estão a jogar, obviamente). Por outro lado, Izmailov ganhava muito e rendia pouco; já Miguel Lopes vem ganhar menos e espera-se que renda mais. Espera-se...

O balanço, até agora, não é positivo.

Esperemos que com Elias, Boulahrouz e outros as coisas corram melhor - avanço já que, quanto ao Elias, me agrada muito mais a ideia do empréstimo (com salário pago na totalidade pelo Flamengo ou outro qualquer) do que uma venda ao desbarato. Pode ser que valorize, vá ao Mundial, etc e aí consigamos recuperar pelo menos uma fatia considerável do que investimos...

Aviso já outra coisa: se André Carrillo for vendido ao desbarato ou a qualquer um dos rivais, vou ficar muito, mas mesmo muito insatisfeito. Como sempre aqui disse, é jogador para, bem treinado, devidamente motivado e corretamente enquadrado valer muitos milhões. É claro que tenho dito aqui muitos disparates. Mas este ano não devia contar, tal o caos que tem sido tudo isto. E se contarmos só com o ano passado... lembrem-se do que eu dizia dele. E se tiverem dúvidas leiam o que eu escrevia sobre o Matias. Vê-se agora o quão decisivo era ter um jogador que, quando as coisas corriam menos bem, desequilibrava porque era, de facto, o melhor. Ainda há dúvidas?

07/01/2013

Franky came to Hollywood

Meu caro Franky,

Não pretendendo dizer que és o único ou, sequer, o maior responsável, tenho mesmo que te dizer isto: se o teu treino e o teu jogo fossem metade do que é o teu discurso, serias um grande treinador.

Infelizmente para ti, as primeiras impressões foram positivas, as primeiras palavras foram muito boas, mas desde o jogo com o Braga foi uma sucessão tal de disparates que nem o péssimo momento do clube conseguiu disfarçar os teus erros.

Apontei aqui alguns deles mas pelos vistos o Carlos Freitas não deixou o link do blog para poderes vir aqui beber dos meus sábios bitaites sobre bola. Foi pena.

Um abraço e até sempre

PS: Estão 51 pontos em disputa. Sei que vão achar que sou maluco, mas a jogar assim não ganharíamos mais do que 5/6 jogos até ao fim da época. Se Jesualdo mudar as coisas e organizar coletivamente esta equipa, podemos fazer 35/36 pontos e, com isso, talvez dê para ir à Europa... Vamos ver.

Sério e competente


Foi o que mais me agradou no jogo que o Benfica fez no Estoril. A forma competente, trabalhadora e sem traços de sobranceria com que o Benfica encarou a difícil deslocação à Amoreira. Foi um passo fundamental para conseguir a vitória num terreno que não estava fácil e que não facilitava o bom futebol. Foi excelente toda a pressão que, quando não tinham a bola, colocaram nos jogadores do Estoril, assim como a garra que mostraram nas bolas divididas. Com esta mentalidade até ao final do campeonato, até nas difíceis deslocações a Braga, Nacional, Guimarães, Olhão e Marítimo, muito dificilmente perderemos pontos.
Agora, para que isto seja uma realidade, não podem acontecer desconcentrações imperdoáveis como a que vi neste jogo. Num campeonato em que o Benfica segue lado a lado com o Porto, todos os pontos são fundamentais pelo que uma expulsão pode deitar tudo a perder. Rodrigo levou apenas amarelo quando atingiu propositadamente um jogador do Estoril que se recreava com a bola. Um árbitro mais rigoroso ou mal intencionado podia perfeitamente ter dado o vermelho e assim praticamente impossibilitar o Benfica de conquistar os 3 pontos. São erros que se podem pagar de forma pesada e que os jogadores do Benfica não se podem dar ao luxo de cometer.


Destaques:
- obviamente Gaitán. Não tanto pelo golo fenomenal e grande assistência no segundo pois, no que se refere à qualidade do argentino, não há dúvidas e já tinha abordado no comentário após o jogo com o Aves, mas sobretudo pela forma como recuperou bolas e cortou jogadas de ataque do Estoril. Isto sim é um novidade! Até carrinhos o homem fez e não eram daqueles apenas para o espectáculo e com mau timing. Quando Jesus foi questionado se Gaitán teria outros problemas para além dos físicos, respondeu, em tom de brincadeira, que não sabia se tinha problemas sexuais. Bom, se de facto os tinha, deve tê-los resolvido na passagem do ano e virado a Valeria Mazza e a Luisana Lopilato na mesma noite (para quem não sabe quem é esta última, eu também não conhecia mas o Koba pesquisou por mim no Google; disse que queria ocupar o tempo enquanto o Sporting jogava). Se mantiver esta mentalidade competitiva, será sempre apoiado pelos adeptos e ainda vai bem a tempo de ser um jogador decisivo para esta época e chegar ao topo do futebol europeu.

- Miguel Almeida continua a surpreender. Gosto mais de o ver no meio campo mas mesmo a defesa direito tem cumprido;
- Garay mantém-se em altíssimo nível com uma classe que não é habitual em centrais;
- Lima somou mais um golo ao registo impressionante que leva nos jogos fora de casa. É excelente ver poder físico, capacidade de desmarcação, velocidade e remate fortíssimo no mesmo jogador.
- Artur sofre frangos mas apenas quando pode. Ou seja, sofre um frango num jogo em que o Benfica acaba por ganhar ou quando o adversário está em fora de jogo. Assim, ninguém se lembra dos maus momentos mas apenas das grandes defesas e muitos pontos que tem dado;
- O génio com a camisola 10 voltou!
Próximo jogo… não me interessa! Já só penso no jogo com o Porto. É a vitória que falta para que adeptos e equipa acreditem a 100% que têm o que é necessário para vencer este campeonato.  

03/01/2013

Chumbada nos passarinhos


Excelente jogo para voltar a olear a máquina depois da longa paragem do Natal e, ao mesmo tempo, dar confiança à equipa. Um Aves que desde cedo se viu em desvantagem, não teve capacidade para estacionar o autocarro à frente baliza e assim acabou mesmo por sofrer uma goleada no Estádio da Luz.
Como o jogo não teve outra história que não ver o marcador avançar até à meia dúzia, deixo apenas algumas notas:
- Rodrigo aproveitou para fazer o gosto ao pé e, espero eu, limpar a cabeça de vez. Espero que a partir de agora volte a aparecer aquele Rodrigo que se fartava de marcar e de jogar;
- Nolito acusou bastante a falta de competição. Demasiado preso de movimentos, perdeu muitos dribles e falhou vários passes. Não deixou de ter bons apontamentos e algumas aberturas mas foi bastante irregular;
- Cardozo está em grande! Mantenham a negociação do novo contrato por mais umas semanas e ainda marcará mais alguns golos;
- Gaitán poderá ser o grande reforço de Janeiro caso continue na trajectória ascendente que tem vindo a seguir (espero que o argentino não me esteja a fazer o que o Artur Baptista da Silva fez aos jornalistas). O argentino tem qualidade e talento para ser um jogador de topo pelo que se colocar todo este potencial ao serviço do Benfica, poderá ser um jogador fundamental para os restantes jogos. Não só poderá alternar com Salvio e Ola John como também jogar atrás do avançado, como um 10 mais ofensivo. É certo que o jogo era contra o Aves, mas os vários passes que fez a rasgar a defesa (alguns até sem tocar na bola, com simulações fantásticas), a forma como facilmente fugia ao opositor direto e a velocidade que imprime ao jogo pelo centro, são novidades no Benfica desta época.
- Luizinho e Bruno César responderam bem à oportunidade (tenho impressão que Bruno César o conseguiu fazer pela primeira vez!).
Importa agora não chumbar em Coimbra, pois não me parece que a duas mãos seja possível a P. Ferreira ou Gil Vicente eliminar este Benfica. No entanto e muito mais importante: 2 jogos decisivos se aproximam. Contra Estoril e Porto é que não há mesmo margem para deslizes! Pelo meio, para a Taça da Liga, é arriscar ao máximo a rotação e dar minutos a quem precisa de competição!


Algumas notas adicionais ao post de ontem

Quando andamos a discutir se a alternativa a Wolfswinkel deve ser Rubio ou Betinho; quando andamos a discutir quais os centrais da B que devem subir ao lugar de Boulahrouz; quando discutimos se Elias deve ser substituído por Adrien ou João Mário; quando Miguel Lopes (aparentemente) prefere ir para o Bétis a vir para Alvalade (ou para a Luz, mas isso por motivos relacionados com falta de garantias de tempo de jogo); quando se cogita a contratação de um central que o Vitória de Guimarães acaba de dispensar (ainda que por motivos de tesouraria)... isto é um sinal de duas coisas:

- finalmente há algum realismo em Alvalade, infelizmente motivado pelos piores motivos;

- houve alguém que sinceramente acreditou que as contratações feitas nestes dois anos faziam parte de uma estratégia de risco que nos podia levar ao título. Nem eu, com todo o otimismo demonstrado nos meus posts, fui tão longe: sempre achei que para sermos campeões os outros dois tinham que estar abaixo do esperado. Nem isso chegaria, vê-se agora...

PS: à margem de tudo isto, preocupa-me que o Sporting se possa lançar para novo processo eleitoral em que voltemos a discutir o acessório e deixemos de lado o essencial. Pode ser que as candidaturas me surpreendam e consigam discutir o que verdadeiramente interessa neste momento: onde queremos o Sporting, qual a estratégia desportiva, qual o caminho que vamos seguir. Isto parece esotérico mas não é: capital nas mãos de terceiros, sim ou não? perda de maioria, sim ou não? qual o valor necessário para um investimento de um terceiro? adequação das despesas às receitas com margem mínima de risco (com as inerentes implicações ao nível desportivo), sim ou não? política desportiva baseada na formação, sim ou não? aliança com "grande" europeu, sim ou não? modalidades semi-profissionais, sim ou não? etc., etc., etc. Se nao se discutir nada disto (ou se isto for motivo de discussão sem que sejam apresentadas propostas concretas de entre as quais eu possa escolher uma), não contem comigo: abstenho-me ou voto em branco.

02/01/2013

2013 - Falando de Futebol


Um ponto prévio que não é de todo irrelevante: sou um dos subscritores da petição para a realização do Congresso Leonino.

Apesar de assinar "Koba", mais por tradição do que por outro qualquer motivo (foi o primeiro "avatar" que criei para a blogosfera), muitos dos que têm a paciência de me ler sabem perfeitamente quem eu sou. Seja porque fui eu que indiquei o blog; seja porque foi outro dos criadores a apresentar o blog, identificando os restantes escribas; seja porque já tive oportunidade de assinar posts com o próprio nome; seja por indicação indireta (o terceiro a quem indiquei o blog indica-o a outro terceiro) eu diria que, regra geral, a maioria conhece-me. No entanto, mesmo tendo os três criadores do blog sempre decidido manter um registo relativamente discreto na blogosfera, a verdade é que o blog nunca esteve "fechado" - todos podem aceder, todos podem ler e todos podem comentar. E, nesse sentido, as page views foram aumentando e é previsível que entre os nossos leitores exista quem não sabe quem eu sou. Pois bem, chamo-me Miguel Menezes da Silva, e tenho o número de sócio 19.120-1. Sou também cronista do jornal "Sporting", embora isso para aqui não interesse muito.

E porque o digo (ou reafirmo)? Simplesmente porque a petição para a realização de um Congresso está relativamente publicitada na comunicação social e não quero que se pense que estou a escudar-me num heterónimo para, por esta via, dar as minhas opiniões sobre futebol. Porque, efetivamente, é disso que gosto de escrever neste blog: sobre futebol. Creio que isso em nada afeta a minha capacidade de julgar de forma serena e (espero eu!) razoável os grandes temas que neste momento estão em cima da mesa relativamente ao Sporting (e que vão muito para além da equipa de futebol). E quero, por isso mesmo, que fique absolutamente claro para os leitores que a minha apreciação sobre a equipa de futebol não é "a causa" das minhas posições "políticas" sobre a vida do clube.

Passando agora ao que interessa para este post: o Sporting vai usar Janeiro para adequar (ainda mais) o plantel da equipa de futebol profissional. Não sou nem hipócrita nem maluco, por isso quero recordar a todos que elogiei aqui a construção do plantel. E que escrevi isto:

"Confio, sinceramente, que vamos fazer mais pontos do que fizemos no ano passado. Vamos ver se chega para competir com 2 rivais mais fortes, mas o 3º lugar parece-me o mínimo que podemos atingir. Abaixo disso será um desastre, acima disso depende das circunstâncias: o 2º lugar até pode ser aceitável se um dos rivais estiver inacessível (recordar o Benfica no 1º ano de Jesus ou o FCP de Villas-Boas). A Taça de Portugal é para ganhar. A Taça da Liga é para rodar a equipa, Sá Pinto este ano não tem desculpas para não o fazer. Na Liga Europa, nem ponho a hipótese de não sermos 1º no grupo. Depois disso, depende do sorteio."

Pois é, a previsão saíu-me completamente torta. Mas, que me desculpem os críticos de última hora, tal não se deveu à construção do plantel. Até porque neste momento é impossível ver, no meio do caos coletivo que é a equipa do Sporting, quem são os bons e os menos bons. A meu ver, o Sporting joga mal e perde muito porque a pré-época foi um desastre e porque a equipa está mal preparada coletivamente. É a minha opinião.

Com isto não quero dizer que não haja algumas desilusões. Elas estão (ou estavam) lá. E daí que seja preciso realizar alguns acertos, sempre na perspetiva de desinvestir para melhorar, o que é sempre difícil.

Vejamos posição a posição:

(i) Cedric começou a todo o gás, ao ponto de eu ter dito aqui que era melhor opção do que João Pereira. Mantenho a apreciação técnica, mas convenhamos que o miúdo não conseguiu aguentar (psicologicamente) a pressão do (péssimo) momento coletivo. Há que não deixar cair Cedric (tal como Carrillo ou Labyad) só porque o momento coletivo é mau, mas percebo que neste momento a contratação de Miguel Lopes faça algum sentido. Não pelo que vai trazer em termos técnicos na comparação com Cedric, mas (acima de tudo) pela experiência que pode aportar ao setor, até porque as restantes opções para a posição não trazem totais garantias (Arias pelos mesmos motivos que Cedric, Pereirinha porque possivelmente estará num braço-de-ferro relativo à renovação do contrato - em que se me permitem deveria prevalecer a razoabilidade de quem jogou tão pouco nos últimos anos, mesmo emprestado ao Vitória de Guimarães e ao Kavala da Grécia...);

(ii) Boulahrouz não é o patrão que todos esperávamos. Mesmo não sendo, tecnicamente, o jogador ideal poderia ter trazido uma voz de comando à defesa pela sua experiência internacional e capacidade de liderança. Não só não a trouxe como se deixou também levar pelo vendaval de instabilidade e desorganização coletiva (recordar o jogo na Hungria...). Uma vez que foi contratado a custo 0 mas terá certamente mercado, ponderaria a sua saída. É claro que entretanto Carriço já saíu e mesmo que não saísse estando em fim de contrato não seria o jogador mais motivado. Mas, nesta fase, seria uma boa opção por ser o que mais anos tem de clube - sei que o critiquei aqui muitas vezes, mas sempre na perspetiva de que não poderia ser titular num clube que luta para o título... nesta fase acho que poderia ser útil, tal como acho que o seria um Anderson Polga que também tantas vezes aqui critiquei. Reparem: não os quereria no próximo ano, estou apenas a dizer (um pouco demagogicamente, talvez) que com Polga e Carriço fomos 4º lugar, precisamente o único que, realísticamente, podemos atingir este ano... Mas adiante: saindo Boulahrouz, ficam Xandão, Rojo e os centrais da equipa B (Dier entretanto pode assumir o seu lugar como central e afirmar-se definitivamente no plantel principal). Se fosse possível contratar um jogador que fosse claramente um líder, independentemente do seu estatuto, seria positivo. Não acompanhei devidamente a carreira de Defendi, central que agora rescindiu com o Guimarães, e não sei se é o patrão de que precisamos. Mas às vezes este tipo de solução, que está diante dos nossos olhos, resolve muita coisa...

(iii) já agora uma nota quanto a Rojo, apesar de não estar de saída: perdoem-me os teóricos da bola, mas vejo ali grande potencial. Tecnicamente é um jogador excelente. Precisa de alguém ao lado dele que lidere o sector. Que diga "fica", "vai", "cobre", "é meu", "sobe", "compensa ali", ou seja, precisa de um Luisão que faça dele um David Luiz (recordam-se dele quando chegou?...). Noutro dia contaram-me que o Beto teria dito, humildemente, que só fez a carreira que fez porque foi lançado ao lado do Marco Aurélio e no momento da afirmação estava ao lado do André Cruz. É disto que nós precisamos, como disse acima. E se um André Cruz é impossível nesta fase, um Marco Aurélio prova (lá está) que às vezes temos diante dos nossos olhos soluções que, não sendo num primeiro momento fantásticas, resolvem problemas conjunturalmente e podem, num segundo momento, tornar-se soluções boas.

(iv) Gelson correu mal no meio-campo porque, sinceramente, nunca (ou raramente) teve a oportunidade de jogar num sistema 1x2 sozinho atrás. Acho a dispensa compreensível mas pode ser um erro no médio prazo. Na perspetiva imediata, a ascensão de Zezinho é aceitável. Mas se Rinaudo se lesiona novamente (o que não é improvável) deixamos o meio-campo entregue a um jovem a quem pode acontecer o mesmo que sucedeu a Cedric. Sinceramente, acho que devemos ponderar, aqui, se um daqueles ratos de meio-campo de um Paços ou de um Rio Ave não dariam jeito...

(v) Quanto a Elias, sou suspeito: sempre dei aqui a entender que não valia o que pagámos por ele. Pena é que o Benfica não o queira agora ou não esteja disposto a pagar-nos os 8 milhões que por ele pagámos. Sinceramente, foi uma contratação completamente falhada, mas que eu admito que também pudesse fazer se tivesse oportunidade. Diz que está infeliz? Infeliz estou eu, e não é pouco, com o seu rendimento fraquíssimo e com a sua atitude pouco profissional. Que vá rapidamente. O substituto, ao que tudo indica, será João Mário, mas em primeira análise é Adrien quem deve entrar para o lugar do brasileiro. Melhor assim: a aposta na formação é para fazer com cabeça e não quando precisamos de confiar em miúdos para sair do buraco...

(vi) Izmailov é tecnicamente um grande jogador. No aspeto psicológico, joga quando quer. E isto pode dar cabo de um balneário. Parece que vai para o Porto e entram Miguel Lopes e Kadú (?!), o terceiro GR. Este último é para disfarçar o facto de ser o negócio possível nesta fase. Na realidade, queremos livrar-nos do salário e de um elemento que provoca desequilíbrios no balneário e nunca é fácil transferir um jogador quando o mercado sabe que nos queremos desfazer dele. Percebo muito bem a contratação na perspetiva do Porto (+ 1 opção no meio e nas alas, quando há CAN e Atsu fica fora 1 mês), embora não esteja a ver quem será o substituto de Danilo em caso de lesão ou castigo...

(vii) Quanto a Jeffren, digo apenas isto: é uma pena que nunca tenha tido continuidade porque tecnicamente é excelente. Se efetivamente sair, Labyad terá que se afirmar definitivamente como opção nas alas, porque ficam apenas Capel, Carrillo e o próprio Labyad.

Em suma, podem sair 5 ou 6 jogadores (Carriço e Gelson confirmados, podem também sair Boulahrouz, Elias, Izmailov e Jeffren), o que será compensado com a ascensão de 3 ou 4 jogadores da equipa B (Dier já subiu, Zezinho e João Mário quase confirmados, eventualmente Pedro Mendes) e a entrada de Miguel Lopes. É um ajustamento necessário para que o Sporting pague o que efetivamente pode mensalmente pagar... Se houvesse margem para um central mais experiente e uma alternativa a Rinaudo, melhor. E conviria subir Rubio da equipa B, parece-me sinceramente ter mais potencial do que Betinho.

Enfim, 2013 terá que ser um ano completamente diferente de 2012, que foi, sem sombra de dúvidas, o pior de sempre na história do clube. 4 treinadores neste ano civil (5 se incluirmos Jesualdo) demonstram bem o quão complicados foram estes 12 meses. Que o Sporting rapidamente se levante, é o que desejo. O acordar do gigante, esse, terá que ficar para 2014.

Votos de bom ano para todos!