30/12/2013

Copo meio vazio vs. Copo meio cheio

Copo meio vazio:

a) Não ganhamos há dois jogos;
b) Estamos há dois jogos a zero;
c) Com os grandes, contas feitas, simplesmente não conseguimos ganhar;
d) Se o Montero não marca, dificilmente ganhamos;
e) Nem com o FCP conseguimos encher o estádio;
f) À frente da baliza, tremem as pernas aos Wilsons e aos Vítores;
g) O Carrillo só dá quando entra a partir do banco;
g) É uma constante sina: contra nós, os GR adversários fazem sempre grandes exibições.

Copo meio cheio:

a) Podemos não ganhar os jogos todos, mas a verdade é que até agora só perdemos um jogo, contra o crónico campeão nacional e no estádio deles (e tivemos algum azar);
b) Mesmo quandos os jogos não correm bem e não marcamos, conseguimos ser suficientemente sólidos para não sofrer golos;
c) Com os grandes, mesmo com orçamentos inferiores, conseguimos jogar sempre de igual para igual e neste último jogo demos um banho de bola na segunda parte;
d) Mesmo quando o Montero não está em forma, conseguimos jogar próximos da área adversária e aparecem outros para finalizar;
e) Tendo em conta que era dia 29 de Dezembro, estava uma noite pouco agradável e tratava-se da Taça Lucílio, o estádio até que estava bem composto;
f) Podemos desperdiçar golos, mas estamos a criar várias oportunidades por jogo;
g) O Carrillo provou que está de corpo e alma e tem que ser titular;
h) Obrigámos o Fabiano a fazer uma exibição típica de GR de clube pequeno.

24/12/2013

Não aprende línguas nem qualquer outra coisa

É por causa de jogos como o do Benfica em Setúbal que olho para o que falta jogar desta época com pouquíssima confiança. É nestes jogos que qualquer réstia de esperança em ver um Jorge Jesus que aprende com os erros acaba mesmo por desaparecer. O jogo tem pouca história: o Benfica ganhou num encontro em que foi tremendamente eficaz, em que jogou mal e em que apenas no fim controlou realmente o jogo. Assim,  deixo aqui o que prefiro destacar:



- a teimosia de Jesus não conhece limites. Já todos tinham visto e comentado que tirar Matic da posição 6, fazer dupla com o Fejsa e desviar Enzo para a direita eram péssimas opções.  Todos reconheceram que manter Matic a 6, com Enzo no miolo e o apoio de Amorim, permitiram ao Benfica dar um gigante salto qualitativo. No entanto, com a lesão de Amorim, voltou logo ao seu preferido e incompetente 4-4-2 mas num molde menos crítico com a dupla Matic-Enzo no meio e que tão bem deu conta do recado na época anterior (continuo a achar que não chega para as equipas mais competitivas). O que voltou a fazer neste jogo e que teve que corrigir ao intervalo dando 45 min de borla? Fejsa a 6 com Matic à frente e Enzo na ala. Bravo! Nota: gosto muito de Fejsa mas como alternativa a Matic para dar o necessário descanso ao sérvio;

- Maxi continua a ser um jogador que pouco ou nada acrescenta e mesmo assim é titular todos os jogos relegando André Almeida ao esquecimento;

- marcaram os golos mas não consigo dar o mínimo crédito à dupla Lima-Rodrigo. No entanto gostava muito de ver Rodrigo sozinho na frente com o trio certo no meio campo;

- os preferidos têm sempre primazia e não se premeia o esforço (Markovic a entrar e Cavaleiro a ver). Que excelente mensagem se passa ao restante plantel;

- boa entrada de Sulejmani a exigir o lugar de ala. Gaitán esteve trapalhão mas lá fez a assistência para o primeiro golo;

- finalmente o regresso de Amorim! Que diferença foi ver o Benfica a trocar a bola com  segurança e facilidade durante largos minutos. Será que não dava para fazer o mesmo com outro jogador enquanto este esteve lesionado?! André Gomes por exemplo?

- os sadinos estavam a gostar das faltas, entradas agressivas e picardias. Até parecia que conheciam bem o calendário do Benfica.


Bom, ganhámos e já temos o Amorim pelo que agora é rezar que volte o 4-3-3. Nunca pensei que este jogador pudesse ser tão determinante para o sucesso do Benfica mas neste momento tenho poucas dúvidas que, de facto, é importantíssimo. Chegamos ao final de 2013 com tudo igual na frente pelo que agora é essencial arrancar bem no novo ano, concentrados na competição que realmente interessa.

17/12/2013

Em 5/7 minutos

Porque não tenho tempo para muito mais:

1. Vitória justíssima e inquestionável no Sábado perante um Belenenses algo frágil e que efetivamente sentiu muito o primeiro golo.

2. Golo esse que resulta de um lance ocorrido fora da área em que, para mim, nem falta existe (parece-me aliás que o Cedric não ia pedir a falta sequer). Recordo, porém, que o jogo acabou 3-0 e que 10 minutos depois há um penalty evidente não assinalado. De qualquer forma, não justifica o erro anterior.

3. Não me parece sinceramente que o lance seja fora do campo. O alegado empurrão começa dentro de campo. De qualquer forma, reproduzo o que já comentei no Cantinho do Morais e também aqui, no anterior post do Gorbyn:

Acabo de ver um teste feito pela FPF a árbitros em 14 de Fevereiro de 2013.

Uma das perguntas é a seguinte: "um jogador, de posse da bola junto à linha lateral e perto da linha de meio-campo, faz uma finta a um adversário, adiantando a bola e tentando ultrapassá-lo por fora do terreno de jogo e aí é empurrado pelo adversário, o suficiente para ser ultrapassado na corrida para a bola. O árbitro assistente, em excelente posição, assinalou a infração. O que deve fazer o árbitro?"

Trata-se de um caso análogo ao do Cedric, admitindo que a falta sobre o Cedric foi fora do campo (não concordo sequer que tenha sido falta, mas vamos admitir que foi e que foi feita fora do campo).

Nesse mesmo teste da FPF, a resposta indicada como correta é a seguinte:

"O árbitro deve interromper o jogo, advertir o jogador infrator por sair do terreno de jogo para empurrar o adversário e punir a sua equipa com um pontapé livre indireto no local em que a bola se encontrava no momento da interrupção".

Ou seja, nada do que diz o Pedro Henriques ou o Leirós: seria livre indireto.

4. O Sporting jogou qb, não foi brilhante, mas esteve coletivamente bem e manteve sempre a cabeça fria e a organização. Não me lembro de muitas bolas despejadas, nem sequer quando estava 0-0.

5. O que o André Carrillo fez ao longo do jogo, em diversos lances, os restantes extremos do plantel só conseguem fazer na play-station (alguns nem na play-station). Bem sei que o rapaz é irregular mas agora que até anda mais cumpridor nas funções defensivas, que tal (i) dar um pouco mais de rédea para o cavalo andar à solta e (ii) pararem com as assobiadelas (ainda que continuem a aplaudir as arrancadas enérgicas e não raras vezes despropositadas do Capel)?

6. Jogo fraco de Fredy Montero, desperdiçou inúmeros lances e desperdiçou um golo fácil, o pior que lhe vi fazer desde que chegou ao Sporting. Mas tudo bem, com 13 golos no bornal pode fazer o que lhe apetece (em Alvalade só pude comentar isto com o meu pai e bem baixinho para ninguém me ouvir). Ainda bem que caiu em graça, é menos um para assobiar nos dias menos bons. Já o Carrillo e o Rojo não beneficiam dessa sorte...

7. O André Martins vem subindo de produção. Um leitor menos atento poderia dizer que este facto prova que eu não percebo mesmo nada de bola, uma vez que andava a defender mais oportunidades para o Vítor. Errado. O que acontece é que o André lê o fa3 regularmente e ficou picado com as minhas chamadas de atenção. De qualquer forma, gostei que tenham sido dados alguns minutos ao Vítor. Em boa verdade, com o jogo em 2-0, preferia que o Vítor tivesse tido mais minutos.

8. O William tem vários lances que o público adora, com reviengas ali no meio. Em 10, 9 saem-lhe bem. O que lhe saiu mal no Sábado originou um contra-ataque que não foi perigoso porque o Belém neste jogo foi inofensivo.

9. A minha aposta sobre o Wilson Eduardo (7 golos no campeonato ou 10 em todas as competições) vai ficando mais apertada. Até porque em Alvalade, agora, só se desejam golos do Slimani. Acabados de festejar o golo, o meu próprio pai, a quem devo a grande alegria de ser sportinguista, vira-se para mim e diz "podia ter dado ao Slimani". E é por causa destas e de outras que vou acabar a pagar uma almoçarada...

10. Pés no chão: enquanto estivermos em 1º, estamos mais próximos de assegurar um lugar na Champions. Os rivais históricos começam a conseguir ganhar mesmo quando jogam mal e sofrem golos, o que é um sintoma de que começam a ficar alinhados com os astros. Pés no chão!

16/12/2013

Que triste Benfica

Que triste Benfica que apresenta um futebol miserável e que apenas me prende à televisão porque é a minha equipa. Fosse qualquer outro jogo e não resistia mais do que 15 minutos. A relva pode explicar um pouco mas está muito longe de ser a principal culpada;

Que triste Benfica que sofre golos em todos os jogos e que permite a equipas como o Arouca e Olhanense colocar duas bolas na baliza de Artur;

Que triste Benfica que só por lesão vê sair do onze, jogadores que há muito já deviam estar a aquecer o banco. Markovic na jornada anterior e Artur neste jogo. Os dois golos sofridos mostram um guarda-redes que não evita um golo que seja e que, em qualquer um deles, poderia ter feito bastante mais;

Que triste Benfica que depois de dar a volta ao marcador logo no início da segunda parte, não conseguiu dilatar a vantagem. Os contra-ataques não saíram e os pontapés para a frente foram mais do que muitos. Ainda para mais, vai dar origem a uma série de comentários relacionando o primeiro golo obtido em fora-de-jogo com os 3 pontos (mesmo que tenham existido também vários foras-de-jogo mal assinalados contra o Benfica);


Que triste Benfica que tem um treinador que não larga o 4-4-2 apesar de todos já terem percebido que a equipa é bastante mais competitiva com apenas um avançado, ainda por cima com um Lima e Rodrigo que raramente funcionam bem como dupla da frente. Só Matic e Gaitán conseguiram escapar a exibições miseráveis;

Que triste Benfica que, para além de já não conseguir compor as bancadas do Estádio da Luz, também já não consegue boas assistências nos jogos fora. Não se pode exigir tudo pelo amor ao clube, pelo que as exibições e a distância entra a ambição e vontade dos adeptos e as da equipa, acabam por pesar mais. 

12/12/2013

Vitória sem sabor

Novidade do jogo com o PSG: pela primeira vez esta época, vi no Estádio da Luz uma equipa com menos vontade de jogar do que o Benfica. De resto não há muito a dizer sobre o jogo. Um PSG obviamente mais fraco do que o habitual depois de já ter garantido o primeiro lugar mas mesmo assim a apresentar jogadores baratinhos como Cavani, Lucas e Pastore. Quanto ao jogo, não há muito a dizer, com as duas equipas a dividir as oportunidades na primeira parte, assim como os golos, e o Benfica a chegar à vitória na segunda parte quando teve muito mais vontade de vencer o jogo, quando foi mais pressionante e quando o PSG decidiu entrar em modo descanso. Só Lavezzi não percebeu que era para correr pouco.


Notas:
- Sílvio fez um grande, grande jogo e é de longe o melhor lateral do Benfica nesta fase. E a jogar do lado esquerdo é bem melhor do que no lado direito. Bons lances e ainda arrancou um penalty com classe;
- Maxi está lento que dói e a defender é um problema bastante sério. Esteve bem a atacar mas preferia ter jogado com André Almeida;
- Fejsa foi o melhor jogador em campo e varreu o meio campo todo, impressionando pela sua velocidade e poder de choque;
- Jesus teima em colocar um Markovic que não rende e que não parece ficar muito preocupado com isso. Repito que prefiro Cavaleiro e não percebo porque Urreta continua esquecido na B a fazer bons jogos;
- Lima esteve esforçado mas está um desastre. Não sei se Rodrigo não teria sido melhor opção mas dou esta de borla a Jesus porque de facto Lima ajudou a desgastar a defesa do PSG e duvido que Rodrigo conseguisse ser um jogador de combate tão disponível;

Como destaque, o silêncio da claque apenas interrompido aos 30 min para o hino do Benfica, "Benfica é nosso" e depois para um "Nós só queremos Benfica campeão". Foi absolutamente desolador o silêncio num estádio que já tinha as bancadas bastante despidas. No entanto, têm toda a legitimidade para optar por este gesto de protesto já que nem quando a equipa joga mal, a deixam de apoiar. Acredito que tenha sido pelo miserável jogo contra o Arouca e pelo facto da equipa simplesmente não perceber o quanto o título nacional é importante para os adeptos. Espero que tenham percebido a mensagem uma vez que as fracas assistências que se têm registado mostram que o divórcio entre os adeptos e a equipa é cada vez mais evidente, o que não deixa de ser mais preocupante quando a equipa está empatada com o Porto e a apenas dois pontos da liderança. Só que a sensação da equipa não partilhar da mesma vontade de vencer dos adeptos, é muito mais forte.

Vencemos, não valeu de nada e agora vem a desgastante Liga Europa. Espero que ninguém coloque o objectivo da final ao mesmo nível do campeonato...
   

10/12/2013

O que vi em Barcelos e Salvador

1. Barcelos


Começo pelo que não vi: em Barcelos não vi a primeira parte (só depois o resumo); nem vi os primeiros 5 minutos da segunda parte; nem vi um grande Sporting até ao 0-2.

Vi um Gil Vicente que, com 11, e mesmo nalguns momentos com 10, conseguiu quase sempre progredir no campo em jogadas coletivas, construir alguns lances interessantes e causar sempre a ideia de poder gerar perigo. Depois, vi uma entrada para vermelho ser corretamente punida e o Sporting a controlar o jogo um pouco melhor.

Vi também que mesmo nos momentos de maior aperto, a equipa do Sporting estava focada e determinada. A atitude estava lá, só me assustou alguma permissividade (e falta de objetividade) que podia ter permitido o empate do Gil Vicente (grande Rui Patrício...). Após a expulsão do Peks, vi o Sporting desenvolver e desperdiçar vários lances para o 0-2. Mas vi finalmente o 0-2, que matou o jogo, e a partir daí vi um Sporting tranquilo.

Vi um bom jogo de André Martins, a habitual eficácia de Montero, a persistência de Capel e uma boa entrada de Carrillo. Defensivamente, e como já disse, vi a equipa a tremer até ao 0-2, mesmo após o Gil Vicente ser reduzido a 10. Vi erros que o Marcos Rojo insiste em não corrigir (incrível como insiste em atacar os lances 1 segundo antes de o adversário decidir o que fazer, dando assim margem para que qualquer perneta o drible facilmente).

Vi também um estádio adequado à dimensão do clube que ali joga (haja alguém com realismo neste país) todo ele pintado de verde e branco. Somos um clube fantástico: mesmo sem uma luzinha de esperança, estamos lá; havendo uma luzinha de esperança, começa a criar-se uma onda verde por todo o país. Inigualável.

Também vi o futuro: se mantiverem os atuais níveis futebolísticos, Benfica e Porto não ganham em Barcelos. Podem escrever o que digo. Mas é um problema deles, porque mantenho que não temos as mesmas armas e que ficar em 1º, nesta fase, não é mais do que um excelente sinal de que estamos fortes na luta por um lugar na Champions.

2. Salvador



Vi um sorteio favorável essencialmente à França: evitou o pote 2 à última da hora e ainda teve a sorte de calhar no grupo mais acessível de todos, com a seleção europeia mais fraca (Suiça), a seleção sul-americana mais fraca (Equador) e a seleção centro-americana mais fraca (Honduras).

E vi um tremendo azar para a Itália: além de ir parar ao pote 2, calhou no grupo mais forte, com Uruguai e Inglaterra (também a Costa Rica, mas vai lá só fazer figura de corpo presente).

Quanto a nós, essencialmente, vi uma histeria incompreensível só pelo facto de termos evitado Itália e Uruguai. Explico-me: percebo a alegria por termos evitado esse grupo, não percebo a afirmação "já nos livrámos dos grupos difíceis" quando passou o sorteio do grupo D. É que o G, precisamente o G, era de evitar. No E creio que nos apuraríamos sem dificuldades, o mesmo se diga do F (tínhamos a Argentina, mas os restantes eram acessíveis). Mesmo o H, se encarássemos a Coreia com seriedade e sem a sobranceria de 2002, seria um grupo ao alcance.

O Grupo G era o mais complicado dos disponíveis:
- a Alemanha é um adversário com que tradicionalmente nos damos mal. Mas em princípio ganha o grupo facilmente, pelo que discutimos o apuramento com Gana e EUA;
- o Gana, não sendo a seleção africana mais brilhante, será porventura a mais sólida e equlibrada (e taticamente mais evoluída). Recordo que não chegou à 1/2 final em 2010 porque Asamoah Gyan falhou um penalty contra o Uruguai no último minuto do prolongamento. Mas foi duas vezes ao Mundial e em ambas conseguiu passar a fase de grupos.
- os EUA são uma seleção de qualidade que consecutivamente tem conseguido apurar-se facilmente para os Mundiais e em que em 2002 passou aos 1/8 (às nossas custas), em 2006 ficou-se pela fase de grupos (num grupo muito difícil) por ter perdido com... o Gana e em 2010 voltou a apurar-se para os 1/8 (em 1º no seu grupo, onde também estava a Inglaterra) caindo, novamente, aos pés do Gana.

É o típico grupo que faz lembrar 86 e 2002. Só peço atenção a isto e concentração em todos os jogos.

Já agora os meus palpites para os grupos, incluindo já algumas surpresas. Gorbyn, devíamos montar uma banquinha para isto!

A- passam Brasil e México;
B- passam Espanha e Chile;
C- passam Colômbia e Costa do Marfim;
D- passam Itália e Inglaterra;
E- passam França e Equador;
F- passam Argentina e Nigéria;
G- passam Alemanha e Portugal;
H- passam Bélgica e Rússia.

08/12/2013

E ser homem para colocar o lugar à disposição?

Que o tropeção estava prestes a acontecer, já era algo que me passava pela cabeça. Que fosse em casa contra o Arouca? Isso meus caros, nem com as invenções de Jesus acreditava que acontecesse. Estamos simplesmente a falar de um dos piores plantéis da liga assim como de um dos piores treinadores (agora que não há Costinha é candidato a pior treinador do campeonato). Assim, sempre pensei que por muito baixa que fosse a motivação, por muitos que fossem os erros tácticos, onze inicial, substituições e falhas defensivas e ofensivas, daria sempre para garantir a vantagem mínima. A verdade é que não deu e saí do Estádio da Luz, numa fria sexta-feira à noite, com os nervos em máximos e sem a mínima vontade de voltar ao mesmo local na terça. Ainda se admiram porque éramos apenas 29 mil nas bancadas…

Nos jogos com o Braga, Anderlecht e Rio Ave o Benfica conseguiu o que normalmente não consegue: não jogar grande coisa (ou mesmo mal) e mesmo assim sair vitorioso. Como se manteve o nível contra o Arouca, desta vez não deu mesmo para garantir os 3 pontos. Foi-se o primeiro lugar e agora já ninguém falará em crise portista. Excelente timing! Tivemos dois bons jogos contra Olympiacos e Sporting mas a nossa queda para lesões lá tratou de arrumar com Amorim e acabar com o sistema táctico em que acredito sermos mais competitivos (embora também considere que era possível mantê-lo recorrendo a outros jogadores como André Gomes). Os outros rivais quase não têm lesões enquanto o Benfica tem sistematicamente jogadores lesionados: Salvio, Markovic, Fejsa, Siqueira, Silvio, Cardozo, Amorim…



Quanto ao jogo:

- obrigado Jesus pela nova versão do Émerson. Cortez é uma bela merda e pior do que decidir contratá-lo (felizmente por empréstimo!) é perceber a sua incompetência e coloca-lo sistematicamente a jogar. Quem o coloca no 11 é que é o principal culpado! Quem vê o jogo no estádio percebe, para além disto, como a equipa só lhe passa em último caso e como desespera com ele. Depois do empate era ver Rodrigo a tentar explicar-lhe que tinha que subir, dar linha de passe e avançar com a bola;

- parece-me que o bom velho Maxi já não vai regressar. A vontade está lá mas as pernas já não deixam. Para um jogador que depende bastante da capacidade física pois tecnicamente nunca foi muito forte, se está mais lento, é um grande problema. Jesus, posso apresentar-te o Cancelo?

- por muito que não goste dos dois avançados, não havia como não colocar Rodrigo e Lima, Por força dos golos marcados, Jesus tinha mesmo que puxar pela motivação e confiança destes dois jogadores e esperar que o velho Lima estivesse mesmo de regresso. Até gostei de Rodrigo mas Lima foi novamente desesperante e fartou-se de falhar. Contribuiu decisivamente para o empate. Estou convencido de que com Cardozo, teríamos ganho o jogo;

- chegou a altura de dar um tiro no escuro e apostar em Oblak. Chega de Artur! Mais um golo em que poderia ter feito mais e, sem fazer qualquer defesa, podia perfeitamente ter levado mais um golo quando decidiu ficar a meio caminho e só não levou com o chapéu porque o avançado do Arouca não sabia mais;

- Enzo é dos poucos jogadores que não me canso de elogiar, e sem ter a companhia de Matic e Cardozo, foi o único jogador que aplaudi. Também me pareceu que era o único que partilhava da nossa desilusão pela forma como reagiu ao segundo golo dos visitantes a tapar a cara com as mãos e mais que lixado nos minutos finais da partida e após o apito;

- se Markovic não pode jogar no meio, prefiro um jogador com menos talento mas 10x mais vontade como Cavaleiro a jogar na direita;

- as substituições rebentaram com a equipa e retiraram qualquer réstia de organização ao futebol do Benfica, ficando os jogadores fora das posições em que são mais fortes. Primeiro, Gaitán a defesa esquerdo. Percebe-se a ideia de ficar com um defesa esquerdo mais ofensivo mas perde-se a sua capacidade de passe e de desequilibrar na frente. Depois tirou Markovic e colocou Fuenes Mori (começo a perceber os cânticos de felicidade na Argentina aquando da despedida) desviando Rodrigo para a linha e fora da sua posição. Cavaleiro só entrou perto do fim e quase que deu para ganhar, não fosse o remate ao poste e o falhanço imbecil de Luisão.

Depois coloquem o hino do Benfica no máximo para que não se percebam os assobios! Lá em cima preferem fazer tudo para que a equipa sinta a raiva dos adeptos quando falham em toda a linha (não quero acreditar que aqueles 5 ou 10 polícias que nem se mexiam, estavam lá para de facto evitar que os adeptos não chegassem perto do autocarro do Porto enquanto na Luz até barreiras de segurança colocam a mais de 100m do local de passagem do autocarro). E não considero que tenha sido essencialmente uma questão de falta de vontade dos jogadores. Como dizia um amigo meu "Não merecem estar no primeiro lugar!".


04/12/2013

Bom resultado, bom jogo, bom futebol


Resultado: justíssimo, podiam ter sido mais mas 4-0 ajusta-se. A vitória era essencial para não passar um sinal de tremideira num momento em que o Sporting podia passar para 1º. Cá para nós que ninguém nos ouve: ainda bem que o Benfica também ganhou para que esta equipa não tenha desde já o peso de ser líder isolado do campeonato.

Jogo: correu bem porque o Sporting marcou cedo, claro, mas também porque a equipa entrou a jogar bem e depois disso, tirando 10 minutos na primeira parte, a equipa foi gerindo bem o resultado que criou. O Paços também não era equipa para reagir com força ao 1º golo do Sporting, mas isso nos últimos anos não tem sido argumento para desvalorizar as exibições do Sporting.

Futebol: o Sporting apresentou um futebol de qualidade e com consistência ao longo do jogo. Este era o adversário ideal para isso, sim senhor, mas a verdade é que a equipa jogou bem, corrigindo o mau jogo de Guimarães e apresentando uma atitude competitiva muito melhor. Não se limitou a ser eficaz ou a aproveitar os erros do adversário; apresentou uma dinâmica interessante, jogando com diversidade e com a participação de todos os jogadores. Ao primeiro minuto criou a primeira oportunidade e a partir daí construiu diversos lances coletivos, bem trabalhados, onde só foi falhando o último passe (André Martins, meu caro: a menos que acuse no anti-doping, sugiro um viagra antes dos jogos para ver se esses últimos passes saem com mais... determinação, digamos assim!). O Sporting não deslumbrou mas agradou. Nada a ver com Guimarães, nada a ver com futebol direto. Grande Jardim, percebeu que aquilo em Guimarães não foi nada.

Não deveria fazer destaques individuais porque a exibição foi coletivamente boa e porque não houve ninguém a jogar abaixo do mínimo exigido. Mas William Carvalho esteve mesmo muito bem e começa a desmentir aqueles, como eu, que muito embora dando o benefício da dúvida à ocupação do lugar (até porque todos sabem o que penso de Rinaudo), desconfiavam da capacidade de William para outras tarefas, nomeadamente para sair a jogar. O rapaz tem bons pés e tem velocidade de raciocínio, tem que ser um pouquinho mais rápido a executar mas isso melhora-se.

Agora encaremos com tranquilidade, mas de forma séria, a pressão inerente à posição em que estamos (que apesar de inesperada é a que tradicionalmente deveríamos sempre ocupar). Ganhar os próximos jogos e tentar ficar por ali por cima, esse é agora o objetivo. Se formos primeiros, melhor: estamos mais próximos de assegurar o 3º lugar. Logo que o 3º lugar esteja assegurado, caso tal venha a suceder mais cedo do que esperamos, olhemos para a classificação e vejamos se dá para mais. Até lá, pés no chão.

PS: Sabem porque é que Paulo Fonseca não é um treinador "à Porto"? Um treinador "à Porto" sabe que Capela tem uma dívida a pagar desde o Benfica-Sporting da época passada. Logo, nunca tira o habitual marcador de penalties porque sabe que vai cair um penaltyzito a 5 minutos do fim, dê lá por onde der. Se Fonseca não o sabe e é daqueles que acredita que o Porto perde 2 jogos em 120 porque tem uma grande equipa... está ali a mais.

28/11/2013

Complicações para além de Bento


A entrevista de Paulo Bento na 3ª feira passou algo despercebida sem que eu perceba muito bem porquê. Foi uma excelente entrevista, com os habituais lugares comuns, claro está, mas também com alguns pontos a merecer destaque. Eu, que tanto critico Paulo Bento, não posso deixar de admirar a sua frontalidade sempre que lhe colocam questões complicadas, o que mais uma vez sucedeu nesta entrevista.

Diz Paulo Bento que Manuel Fernandes não quer ir à seleção. Diz que foi à Turquia falar com ele e Manuel Fernandes o ignorou. Se foi assim, compreendo Paulo Bento. Aliás, não duvido mesmo que tenha sido assim, porque Manuel Fernandes, já o sabemos de há muito, tem um feitio, no mínimo, complicado. Basta lembrar que sempre que regressava ao Benfica vindo de empréstimo se recusava a ficar, sem que as razões para tal fossem devidamente esclarecidas.

Quanto a Danny, Paulo Bento diz que não há qualquer problema, mas deixa no ar a ideia de que não achou grande piada ao facto de ter dispensado o jogador e ele ter jogado pelo Zenit alguns dias mais tarde. De imediato pensei para comigo "mas então e o Moutinho que não estava a jogar no FCP e foi utilizado em Israel?". Pois bem, é o próprio Paulo Bento, um pouco mais à frente, a dar este mesmo exemplo, como que mantendo o benefício da dúvida relativamente ao jogador. Mas, na minha opinião, é apenas "para inglês ver". Danny, a meu ver, acabou na seleção.

Outro ponto interessante na entrevista é o facto de haver uma pergunta do jornalista em que este refere que certos jogadores deixaram de ir à seleção porque é a "equipa do Ronaldo" (o que é verdade, e ainda bem!). Nunca tinha ouvido falar disto, se alguém me quiser esclarecer, agradeço. Tentando especular sobre o tema, e olhando ao passado recente, penso que os únicos jogadores que deixaram de ir à seleção por iniciativa própria foram o Tiago e aquele pequenote que no início da carreira disse que só jogava no Sporting. Pois bem: nem um nem outro fazem lá falta nenhuma. O primeiro porque sempre o achei sobrevalorizado, era (e ainda é) um bom jogador mas nunca fez a diferença na seleção. O segundo porque tem um historial de mau ambiente no balneário das equipas por onde passou que o Hélder Cristóvão certamente poderá explicar melhor do que eu. Ah, e já agora, se querem ir à seleção do melhor jogador do mundo e ser tratados por igual... vivem em Marte.

Interessante, também, o facto de o próprio Paulo Bento admitir a convocatória como não fechada pelo que pode acontecer daqui até ao final da época. Não deixa de ser curioso que não aplique este princípio nas fases de apuramento ou sequer nos amigáveis mas o considere para o próprio Mundial. Enfim, não acredito muito mas espero para ver.

Finalmente, o facto de assumir Fernando como uma opção. Não tenho uma posição definida sobre este tema da utilização dos naturalizados, mas, para mim, jogador que declare a intenção de ir à seleção do país de origem ficaria automaticamente excluído (o que deixaria de fora Fernando). Não obstante, pelo discurso, Paulo Bento parece claramente contar com ele.

Isto dito, creio que, se fosse hoje, andaria à volta disto:

GR: Patrício, Beto, Eduardo (ou Anthony Lopes)
DD: João Pereira (Sílvio?)
DE: Fábio (Antunes?)
DC: Pepe, Alves, Neto, Costa
MD: Veloso (Fernando? William?)
MC: Moutinho, Meireles (Micael? Josué? Martins?)
ED: Nani (Varela? Vieirinha?)
EE: Ronaldo (Bruma?)
PL: Postiga, Almeida, Éder (ou Nélson Oliveira).

Andará à volta destes. Duvido que o Adrien ou o Cédric tenham oportunidades, assim como excluo o Licá e o Custódio. Salvo alguma época soberba de um destes jogadores, claro está.

26/11/2013

Vitória sem direito a foto

Uma vitória algo imerecida no Domingo leva a que eu eu considere que não tem direito a foto neste post.

Porquê?

1. Porque o Sporting não jogou nada.
2. Porque o Sporting não merecia ganhar o jogo.
3. Porque o Sporting não criou um só lance coletivo perigoso.
4. Porque o Sporting, em diversos momentos do jogo, não conseguiu anular o Vitória.
5. Porque a dado momento eu estava conformado (satisfeito?) com o empate a 0.
6. Porque o jogo de Domingo me deixa algo apreensivo no que respeita à evolução da equipa.
7. Sim, também por preguiça minha...

De positivo, realço o "crer" e o "querer". O "crer" que levou a equipa, mesmo sem jogar bem, a assumir o jogo na parte final; e o "querer" porque, apesar da desinspiração, não vi ali ninguém desinteressado do jogo, como por vezes parece.

Aproveito também para dizer que este é daqueles jogos em que o Carrillo sai chamuscado injustamente. Porque, como já disse aqui várias vezes, também a propósito do Nani na seleção, só perde bolas quem arrisca algo diferente. Quem segue o plano à risca mesmo quando esse plano nitidamente não está a funcionar está seguro, porque está na bitola da equipa; quem arrisca algo diferente é o primeiro substituído porque em 10 lances acaba por perder 7. Mas nos 3 em que consegue fazer algo diferente, cria os únicos lances de mínimo perigo que o Sporting conseguiu criar em todo o jogo. O que também não justifica, nisso concordo, que saia a passo do campo.

No plano individual, boa entrada do Salomão no jogo e aplausos para o oportunismo do Slimani. As desilusões maiores foram Capel (não conseguiu uma só das suas arrancadas), André Martins (acho que o Vítor já vai merecendo mais oportunidades) e Montero (muito abandonado à sua sorte, é verdade, mas neste momento parece que os adversários e os árbitros já lhe toparam os truques que tinha mostrado, espero que tenha outros na manga). Defensivamente, e uma vez que na 1ª parte só acompanhei o jogo a espaços (mas já vi no resumo que passámos um mau bocado), não me vou pronunciar.

Enfim, pese embora a apreensão pelo pouco futebol apresentado, a verdade é que estamos a 1 ponto do 1º lugar, com 4 pontos de vantagem sobre Estoril e Gil Vicente e, mais importante do que tudo, com 11 pontos de vantagem sobre o Braga. Isto depois de já termos jogado no Dragão, em Braga e em Guimarães. Todas as deslocações são complicadas, como é óbvio, mas eu diria que estas estão no top 5 (as outras duas são Luz e Barreiros) e já estão despachadas com 6 pontos em 9 possiveis.

Segue-se uma série de jogos relativamente acessível (só "relativamente"... a jogar como jogámos Domingo todos os jogos são difíceis). Se o Sporting ganhar os 4 jogos até ao final do ano creio que poderá solidificar de forma decisiva a sua vantagem na luta pelo 3º lugar. Quanto ao título, continuaria a deixar fora do discurso (a menos que neste mesmo período Porto e Benfica desatem a disparatar e acabemos o ano isolados em 1º, o que é pouco provável).

Mais importante do que tudo isso: a 01.12, temos, para além do jogo com o Paços de Ferreira, a caminhada do Jubas, o 1º evento de sportinguismo em que a minha filha de 8 meses irá participar (ainda que ao meu colo)! Orgulho!

PS1: Se nos baseássemos apenas no jogo de Domingo, seria forçado a dar razão ao Anónimo com quem mantive esta discussão. Espero, sinceramente, poder vir aqui brevemente dizer o contrário.

PS2: Face à sua decisiva intervenção no golo do Slimani, ainda bem que o Abdoulaye recuperou das mazelas que o vinham incomodando em certos jogos nos últimos tempos...

25/11/2013

Super Matic depois da boa barra

O post deste jogo será talvez um pouco menos assertivo do que gostaria e muito mais dado a percepções imediatas. Não é que tenha decidido deixar de lado análises mais aprofundadas, só que as condições em que acompanhei este jogo são completamente diferentes da forma como normalmente vejo os jogos do meu Benfica pelo que todas as observações serão realizadas com o seguinte disclaimer (mais reforçado do que é hábito): "isto foi o que me pareceu mas é provável que tenha sido apenas impressão minha". De facto, são residuais os jogos em casa que não tenho a possibilidade de acompanhar do meu lugar de há 10 anos mas compromissos de outra ordem levaram-me bem para o interior do Alentejo e para a comum solução de ver o Benfica-Braga num dos cafés da vila. Não existiu qualquer problema ou dificuldade com a televisão ou transmissão, as minis é que eram incrivelmente baratas e as rodadas não pararam!

Sendo assim e para minimizar as hipóteses de disparates:

- Djuricic continua demasiado macio e a passar quase totalmente ao lado dos jogos. Não está ainda preparado para assumir a titularidade em jogos importantes;

- Se Sílvio estava bem do lado esquerdo, do lado direito só serve para estragar jogadas com cruzamentos para a linha de fundo. Jesus, deixa por favor o homem jogar do lado esquerdo! Estava a jogar bastante bem, a flectir muitas vezes para o meio com perigo e é sempre mais fácil puxar a bola para o pé direito e assim, com ela quase parada, não falhar os cruzamentos;

- Percebeu-se a ideia de Jesus em alterar os laterais (Sílvio apenas de lado) para tentar aproveitar a maior capacidade ofensiva de Siqueira face a André Almeida. Isto em teoria porque na prática ainda pouco vi do lateral esquerdo que justifique tal aposta (com excepção do golo) ainda para mais quando teima em se apresentar nas condições físicas exigidas. Neste momento, não hesitava em manter Silvio na esquerda e André Almeida no lado direito, independentemente do adversário;

- Enzo não estava nos dias dele, o que é bastante raro e faz muita diferença na equipa;

- Markovic parece que nos últimos jogos se esqueceu de como marcar golos e não conseguiu dominar uma bola em desmarcação. O gesto aquando da substituição revela imaturidade e a foto no facebook no dia seguinte num mercedes descapotável branco e em festa com os amigalhaços revela estupidez. Tanto quanta a de Jesus em não o colocar no meio;

- O desvio de Markovic para o meio é ainda mais justificável pela boa entrada de Cavaleiro;

- Atualmente na frente só temos Cardozo. Ontem não houve Cardozo, pelo que andou por lá o fantasma do Lima e a habitual inoperância de Rodrigo.


Tivemos bastante sorte nos lances do Braga que acabaram na barra, sendo que o Rafa parece um jogador a manter debaixo de olho (viram o golo contra o Olhanense?!). O Braga estacionou o autocarro e o Benfica não conseguia atravessar a muralha com um jogo demasiado previsível. O que vale é que apareceu Matic que fez tudo sozinho: roubou a bola, foi para cima dos defesas e rematou certeiro para a vitória. Se este menino sair em Janeiro para pagar os empréstimos que se vencem em Dezembro e Janeiro, acabam-se estas mais valias que os jogadores de classe superior permitem.

 Voltámos a um ponto que considerávamos improvável nas primeiras jornadas do campeonato, estando a apenas um ponto do Porto depois do surpreendente empate com o Nacional. Era importante que a desconfiança se instalasse nas Antas mas por outro lado, o Benfica não consegue fazer três jogos seguidos de grande qualidade para conquistar definitivamente a confiança…

22/11/2013

O grupo do Mundial


Se eu pudesse escolher:
- Suíça;
- Portugal;
- Argélia;
- qualquer um de entre Costa Rica, Honduras, Irão ou Austrália.

(mas seria sorte a mais)

Um grupo equilibrado, mais difícil do que parece e quase seguramente com grandes jogos:
- Colômbia, Uruguai ou Bélgica;
- Portugal;
- Gana ou Chile;
- Japão ou Coreia.

(pode muito bem acontecer...)

Um grupo para esquecer:
- Argentina ou Brasil, Espanha ou Alemanha;
- Portugal;
- França ou Chile;
- México ou EUA.

(sei que nos superamos com grupos difíceis mas este seria mesmo muito complicado).

Já agora, se as bolinhas estiverem quentes, o grupo do Brasil será qualquer coisa como isto:
- Brasil;
- Grécia;
- Argélia;
- Irão.

20/11/2013

Super-Homem


Já tudo foi dito sobre a vitória de ontem e a épica exibição de Cristiano Ronaldo. Mas queria acrescentar alguns pontos:

1. Em primeiro lugar: não me interessa puto quem é o melhor do mundo em termos absolutos; mas neste momento não há ninguém melhor do que Cristiano Ronaldo. E sei uma coisa, mas não digam a ninguém: CR7 é o super-homem. É ele, tenho a certeza: aposto que usa óculos e trabalha no Daily Planet. Vá, no El Mundo, porque sabe-se que vive em Madrid. Os três golos, qual deles o melhor, são impressionantes cavalgadas iniciadas bem longe da baliza, no segundo golo iniciada antes ainda da linha de meio-campo. Fazer o que Ronaldo fez, depois de um jogo em que deu o litro em cada jogada, àquele ritmo, com aquela velocidade e com aquela precisão, não está mesmo ao alcance de todos. Só o podiam parar com kryptonite no bolso, algo que os suecos não tinham. E convém lembrar que marca dois golos com o pé esquerdo (o seu "pior"), um deles, o segundo, absolutamente brutal, depois de um grande domínio de bola e uma condução sublime, com aquele toque de coxa a ajeitar para o remate final. Sublime, mítico, único, um campeão, o Super-Homem.

2. Ainda hoje tive esta discussão de manhã e queria dizer que gostei da exibição de Portugal. Nada a ver com o que se passou em Lisboa, mesmo nada. Aproveitamento muito mais inteligente do espaço, a gerar um quarto de hora final da 1ª parte em que foram criadas mais situações de golo do que em todo o jogo de Lisboa. Tiro o chapéu ao Paulo Bento (mas sim, custa-me um bocadinho porque implico com o homem) pela estratégia. Não podemos culpar o Paulo Bento pelo recuo a seguir ao 1º golo, como vi por aí escrito. "O William devia ter entrado mais cedo". Pois claro, mas o Paulo Bento não podia adivinhar que as perninhas iam começar a tremer. E os golos suecos foram de rajada (68', 72'). Acho que o Paulo Bento esteve bem, acho mesmo.

3. Não é por ser do Sporting, mas que grande entrada em jogo de William Carvalho. A por ordem no meio-campo, a recuperar e a sair a jogar. Na estreia, num jogo complicadíssimo, num momento terrível em que todos temíamos o pior e com os titulares indiscutíveis todos a tremer das pernas, foi ele, o puto, o estreante, a por calma e, aliás, a começar, com uma entrega fria, lúcida e de veterano, a jogada do terceiro golo. Grande William.

4. O Patrício é mal batido no segundo golo, obviamente. Mas, por favor, não tentem recriminar o Patrício e esquecer a imbecilidade da falta cometida pelo Miguel Veloso. Quem é que faz uma falta daquelas, num lance daqueles, a 1 metro da área? Quem? Ontem foi um elemento a mais, perdeu quase sempre para Ibrahimovic e até Junho, se não se põe a pau, perde o lugar para o William.

5. Prova de que nada do que acima digo tem a ver com sportinguismo: que exibição brutal do Minorca. A levar a equipa para a frente, a dar linhas de passe e a fazer duas assistências de top. Grande jogo. Pena desta vez Meireles não ter acompanhado (mas na Luz foi Meireles quem esteve lá em cima). Aquele meio-campo com William, Minorca e um 10 um nadinha mais expedito (que reconheço que podemos não ter), ainda pode ir a tempo de fazer umas coisas engraçadas.

6. Sei que alguns quereriam deixar cair esta discussão mas eu não deixo: dos 47 golos marcados por Ronaldo, recordo os seguintes dados (não há qualquer tipo de precisão científica, estou apenas a apelar à memória):
(i) 3 contra a Holanda (1 no Euro 04, 2 no Euro 12);
(ii) 2 contra a República Checa (1 no Euro 08, 1 no Euro 12);
(iii) 2 contra a Rússia no apuramento para o Mundial 06;
(iv) 2 contra a Bélgica no apuramento para o Euro 08;
(v) 1 contra a Dinamarca no apuramento para o Euro 12;
(vi) 2 contra a Bósnia no jogo que decidiu o apuramento para o Euro 12;
(vii) hattrick na Irlanda do Norte no apuramento para o Mundial 14;
(viii) 4 golos contra a Suécia nos jogos que decidiram o apuramento para o Mundial 14.

Estamos a falar de um extremo, não um PL, que faz nada menos do que 20 (!) dos seus 47 golos em jogos nada fáceis, muitos deles em momentos decisivos, alguns em fases finais, contra seleções respeitáveis, nada de Liechtensteins ou Cazaquistões. E não estou a incluir o golo marcado à Grécia na estreia no Euro 04 ou à Dinamarca no último jogo de apuramento para o Euro 12 (porque perdemos os dois jogos), ou o golo marcado ao Irão no Mundial 06 (foi um penalty e era o Irão), ou o golo à Coreia do Norte no Mundial 10 (mas há quem considere muito válidos golos à Coreia do Norte, aí já contam). Também não estou a incluir amigáveis, nem sequer o golo marcado à Argentina (parece-me uma seleção respeitável, não sei se o Eusébio concorda).

Vamos, por isso, tirar este tipo de golo a certas contabilidades e ver onde vão parar as estatísticas. Façamos todos o exercício.

E por falar nisso, porque será que, quando se desvalorizou Ronaldo, não foi dado o exemplo do Luxemburgo? Ah, o Luxemburgo já existia na década de 60? E até nos deu uma cabazada na estreia de certos jogadores na seleção? Ah ok, assim já percebo...

Que não me levem a mal os fãs do Eusébio. Mas há dias em que acordo mesmo farto das hipocrisias deste país...

18/11/2013

Paulo, vais insistir nos cruzamentos?

Ganhámos por 1-0 à Suécia e vamos amanhã discutir o acesso ao mundial.

A vitória de sexta-feira, mesmo que apenas por 1-0, é um bom resultado. Mas, por outro lado, causa-me alguma preocupação (quer no aspeto psicológico, quer no aspeto futebolístico).

Por partes: é um bom resultado porque (i) ganhámos, (ii) não sofremos golos, (iii) ditamos nós, caso o queiramos, o ritmo da eliminatória e (iv) apesar de este argumento parecer estúpido, o resultado e o jogo em si conferem-me a convicção de que os níveis de concentração (nomeadamente defensivos) serão mantidos. A preocupação está relacionada com o rapaz que temos no banco a comandar as operações. E isto porque se sofremos um golo cedo, não é com o futebol que jogámos na Luz que vamos dar a volta ao texto.

Esta seleção consegue o mais difícil: trabalhar a bola até encontrar espaço nas alas para progredir. Encontrado o espaço, acontece uma coisa fenomenal, em regra: Postiga corre para a área, um dos médios aproxima-se da cabeça da área, o extremo da outra ala junta-se ao PL e entre o lateral ou o extremo do lado da bola, um dos dois produz um daqueles cruzamentos que os toscos centrais da Suécia aliviam facilmente, para uma zona em que estão os dois médios-centro suecos a ocupar o espaço que o nosso médio que subiu queria aproveitar para remate de ressaca ou reinício da jogada.

Quantas vezes isto aconteceu na sexta-feira? Dezenas de vezes. E o selecionador, tão satisfeito com os resultados que estávamos a produzir até então, até teve este rasgo de brilhantismo: colar CR7 à linha do lado direito no primeiro quarto de hora da segunda parte. E era vê-lo, qual Capel de pé direito, a cavalgar linha fora até cruzar para a área onde os suecos, invariavelmente, aliviavam facilmente.

"Ah mas o golo foi assim". Pois, por acaso não foi bem assim. Foi dos poucos momentos ao longo do jogo em que o portador da bola conseguiu fazer o cruzamento para as costas da defesa, facilitando o trabalho a quem aparecesse vindo de trás (mérito do cruzamento, claro, mas a oportunidade de o fazer daquela forma raramente surgiu).

Única exceção: Nani. Criticado por todos, claro, porque "perde muitas bolas" e "é pouco objetivo". Pois bem - foi o ÚNICO que tentou aproveitar os espaços concedidos a João Pereira para tentar algo diferente que não o cruzamento tirado da linha; o ÚNICO que tentou combinar com Miguel Veloso uma jogada nas costas dos suecos; o ÚNICO que percebeu que, ao contrário do que parecia na sexta-feira, a baliza é no meio da linha final e não nas pontas; o ÚNICO, enfim, que tentou algo que não estivesse no Manual "Som Räknaren Lag Paulo Bento?", ensinado aos jogadores suecos a partir dos 12 anos e totalmente aprendido aos 15. E uma vez que era o ÚNICO, obviamente acabava a perder bolas e a perder-se em dribles, porque ninguém o acompanhava. Mas, recorde-se, foi o ÚNICO que conseguiu obrigar Isaksson a uma defesa um pouco mais difícil do que as que se fazem no aquecimento para o jogo.

E já agora, agradeço à alminha que convenceu o Paulo Bento a mandar o Varela sentar-se no banco quando já estava pronto para entrar. É que ter outro robot dentro de campo não ia ajudar mesmo nada.

Na Suécia, convém que os jogadores se lembrem de jogar o futebol que Portugal jogou com a geração de ouro e mesmo com Scolari. Com este futebol, não vamos lá. E se sair o Nani, temo mesmo o pior.

15/11/2013

Portugal x Suécia - Comentários de alguns dos jogadores portugueses antes do jogo

André Almeida - Como é, Mister? Não vale jogar a bola com o braço hoje? Porquê? Sempre o fiz neste estádio e nunca aconteceu nada...

Fábio Coentrão - Mister, acho que com muletas o árbitro não me deixa entrar em campo, tem que confiar mais no Antunes.

Bruno Alves - Portanto, se o Ibrahimovic quiser mesmo cabecear o meu cotovelo, devo evitar, é isso?

Pepe - Já istou ensinando o Fernando no fone, Mister: Heróis do mar, nobri povo, nação valentji i imortáu...

João Moutinho - Qual é mesmo o prémio de jogo?

Ronaldo - Sim, já percebi, tenho que levar tudo às costas outra vez...

11/11/2013

A Alma ainda não chega para tudo

Vamos começar pelos pontos polémicos para os tirar já do caminho:

1. A arbitragem de Duarte Gomes, em geral, foi equilibrada. Para mim, uma arbitragem tendenciosa é aquela em que se percebe desde o primeiro minuto que o campo está inclinado e ao longo do jogo os critérios técnicos e discplinares (principalmente estes) vão dando a entender que uma das equipas está a jogar em Villabajo e que o adversário é que joga em Villarriba. O exemplo é a de Capela na Luz no ano passado: o único lance em que "condescendeu" connosco foi uma entrada de Viola sobre Maxi, para vermelho, em que deu amarelo (lance, aliás, que nem devia ter acontecido porque o Maxi devia ter sido expulso algumas 3 vezes antes disso). Não foi isso que aconteceu no Sábado: não fossem os lances abaixo referidos, e nem teríamos dado pelo árbitro.

2. Isto dito, nos 5 lances polémicos do jogo, o árbitro, entre boas e más decisões, decidiu 4 vezes a favor do Benfica e apenas 1 vez a nosso favor:
- não me parece que o Montero estivesse fora-de-jogo (boa decisão);
- o Cardozo estava fora-de-jogo no lance do terceiro golo, mas é quase impossível detetar o lance (decisão aceitável face ao critério de, na dúvida, deixar jogar - mas espero que acabem de vez as referências ao golo do Montero em Alvalade...);
- o penalty sobre o Montero parece-me penalty (má decisão);
- o penalty do André Almeida é claramente penalty (má decisão);
- no 4º golo do Benfica, a bola entra claramente na baliza (boa decisão).

3. Em "defesa" do árbitro, posso dizer o seguinte: nos lances em que pôde contar com a ajuda do fiscal-de-linha, decidiu bem ou de forma aceitável; quando os lances foram no lado contrário ao do fiscal-de-linha, decidiu mal. Por isso mesmo, custa-me mais aceitar o lance do Montero com o Luisão. Ou viu e não quis marcar (acho que isto se pode dizer, certo JJ?) ou teve uma perceção incompreensível (a meu ver) do lance. No lance da mão do André Almeida, admito, pela filmagem feita pela linha de fundo, que o ângulo de visão do Duarte Gomes não fosse o melhor.

4. Em suma, acho que o Duarte Gomes não fez uma arbitragem tendenciosa e não sei se o objetivo era o de prejudicar o Sporting nesses lances. Mas lá que prejudicou, disso não tenho dúvidas. O que não significa que o Duarte Gomes tenha culpa das entradas a destempo do Marcos Rojo, por exemplo. Significa, apenas, que ainda não recuperámos um estatuto que nos permita discutir de igual para igual este tipo de lances polémicos...

Adiante, agora, para o que mais interessa: o Benfica revelou que está a jogar mais do que no início da época, é verdade, e que tem mais futebol do que o Sporting; mas o Sporting revelou uma Alma imensa. Não é qualquer equipa que, a perder 3-1 ao intervalo, na Luz, depois de sofrer dois golos em 5 minutos, à beira do intervalo, faz o que o Sporting fez na 2ª parte. Foi uma exibição que nos encheu a todos de orgulho, não necessariamente pela qualidade do futebol apresentado (embora tenha havido momentos interessantes), mas pela postura e pela atitude.

O Benfica recuou linhas? É verdade, mas o Sporting aproveitou bem esse recuo e impôs o seu jogo. Pressionou forte e criou alguns lances complicados. E mais: quando o Slimani entrou (e eu até achei que era demasiado cedo) a equipa não se desequilibrou. Claro que deu mais espaços e o Benfica aproveitou alguns lances para criar perigo (valeu aí Patrício a manter o jogo vivo perante Cardozo) mas foi para cima do adversário com enorme coragem e enorme convicção. Senti orgulho daquela equipa e disse-o momentos antes de marcarmos o 3-3.

Foi uma equipa. Algo que não via há muito tempo, porventura desde o meu "amado" Paulo Bento. Consciente das limitações mas convicta das suas ambições. Uma equipa com Alma. Desta vez não chegou, mas se a Alma for sempre a mesma, lá chegaremos.

Destaco pela positiva:

Adrien foi enorme, foi aquele médio que estou aqui farto de dizer que nos faz falta (jogador que mexe com o jogo da equipa) e que ele pelos vistos consegue ser. Consiga encontrar a consistência que lhe falta e nem o Paulo Bento se atreverá a não o convocar.

William foi menino na primeira parte (aquele lance do 1-3...) mas na segunda foi um senhor. Sempre no caminho da bola, sempre no sítio certo, desarmou inúmeros adversários e recuperou inúmeras bolas. Um campeão.

Montero fez um jogo esforçadíssimo, tentou inúmeras vezes vir buscar o jogo, mas quando não marca a imprensa dá-lhe nota negativa. Discordo. Fez o que pôde e o que não pôde. E inventa uma jogada no golo de Capel, aquilo tinha tudo para não dar em nada.

Maurício pôs em campo uma atitude diabólica na 2ª parte. Não esqueço a 1ª parte aos papéis nem alguns erros de abordagem aos lances, mas prefiro louvar a postura com que encarou a 2ª parte. Levou o amarelo pela sucessão de faltas (mais do que justo) mas não deixou Cardozo jogar (entre lances ganhos e perdidos, válidos e em falta). E a forma como festeja o golo, incentivando os adeptos, é de jogador "da casa". Para quem chegou agora, estou a gostar.

Slimani entrou motivadíssimo, mesmo depois de perceber que em princípio não será mais do que a solução de emergência da equipa. Depois das "bocas", em 2 jogos, 2 golos. Fossem todos assim. E ainda desperdiçou, com algum azar à mistura, outros 2 golos, um deles já cantado (por mim, pelo menos).

Os adeptos estiveram magníficos todo o jogo e, em especial, após o 3-4. Com o estádio em euforia, na TV só se ouvia "até morrer, Sporting allez".

No Benfica, destaco as boas exibições de Sílvio, Enzo, Ruben Amorim, Gaitán e do irritante paraguaio que ainda não percebeu que tem é que marcar ao FCP, algo que raramente faz, e deixar-nos em paz (e a propósito: eu não dizia que era melhor resolver mal mas resolver do que tomar uma não-decisão?).

Pela negativa:

Rojo condiciona o jogo com duas faltas desnecessárias. A primeira dá o 1º golo do Benfica (já vamos falar de barreiras...), a 2ª dá a expulsão e mata qualquer possibilidade de fazer a pressão final que tínhamos feito nos 90 minutos (e que até tinha dado bons resultados). Tenho-o defendido como ninguém, mas começa a ser demais... E isto sou eu: nem quero imaginar o que o Cantinho do Morais pensa de tudo isto.

Jefferson esteve muito apagado e a equipa ressentiu-se da sua inibição ofensiva. Claro que ter um Gaitán ou um Markovic é diferente de ter um Heldon ou um Sami, mas ainda assim parece-me que é mais uma questão de reaquisição de ritmo pós-lesão do que outra coisa. Precisamos do Jefferson do início da época.

André Martins esteve apagadíssimo. É verdade que saiu quando me parecia estar a subir de rendimento mas rendeu muito pouco todo o jogo. Não será por acaso que a quase unanimidade dos adeptos pede um central e um 10 para Janeiro. Atenção!, eu não peço: eu peço que se aposte nos que temos, foi isso que nos foi dito este ano. E há o Vítor que, verdadeiramente, só teve uma oportunidade séria até agora. Quanto ao André, mesmo com o tema que referi no meu último post, tem que fazer muito mais.

Patrício anda com um problema com as barreiras. No jogo com o Marítimo foi o que foi, agora isto. Claro que os jogadores saltam sempre e o Cardozo não fará aquilo muitas vezes. Mas não podemos sofrer um golo de livre direto em dois jogos consecutivos. Depois, faz uma exibição muito segura até se deixar adormecer no lance do 3-4, num lance que custa mesmo muito a digerir...

No Benfica, duas notas:
- faltaram pernas, é verdade, porque o Benfica andou pela Champions e nós não... mas faltou mais qualquer coisa para segurar o jogo na 2ª parte. O Benfica do ano passado ganhava por 4-1 (e se fosse o Sporting do ano passado seriam mais do que 4), nunca sofria dois golos na 2ª parte. Há algo que continua a não estar bem.
- uma equipa que sofre 2 golos de bola parada do Sporting, tendo uma média de altura muitíssimo superior (os cumprimentos no início do jogo demonstravam os pini-pons contra os gigantones de Torres Vedras), merece descer de divisão.

***

A Taça já foi, mas o Sporting cai de pé. Espero que os efeitos psicológicos desta derrota sejam abafados pela lembrança do que foi a 2ª parte. E que o Sporting tenha nos meses mais difíceis da época (Novembro, Dezembro e Janeiro) a capacidade para manter esta atitude e evoluir defensiva e ofensivamente. Garantir o 3º lugar e este ano, excecionalmente, porque estamos fora da Taça, não temos UEFA e não somos candidatos ao título, tentar fazer uma gracinha na Taça da Liga.

PS: Só lembrar que o próximo duelo para a Taça com o Benfica é nosso: sempre com grande jogos, andamos a alternar nos últimos 20 anos (1-3 na final de 96, 3-1 em 2000, 3-3 e penalties em 2005, 5-3 em 2008, agora 3-4). O próximo é nosso. Escrevam. Quanto ao Porto, lá vai ganhando, como habitualmente, com os seus jogos chatarrões. Um dia a festa acaba...

"O Derby" + Taça = Futebol de loucos

Aquele que é o derby mais apaixonante do futebol português parece que, ao desenrolar-se com o Jamor como objetivo final, ganhou a tendência de acabar em jogos para mais tarde recordar, com muitos golos e absolutamente estonteantes. Este sábado, no Estádio da Luz, mais um jogo louco! Na sequência do post sobre o jogo da Grécia e numa troca de comentários com um adepto do Sporting, arrisquei dizer que tinha tudo para ser um grande jogo e de facto, foi mesmo!

Felizmente não foi necessária a lesão de Cardozo para que Jesus se deixasse levar pelo seu preferido 4-4-2 e assim o Benfica conseguiu ser bastante mais competitivo do que no jogo para o campeonato. A primeira parte foi muito jogada a meio campo, com as tarefas defensivas das duas equipas claramente a superiorizarem-se às acções ofensivas. Dava ideia de que o Sporting chegava mais facilmente com perigo às alas mas depois não passava daí. O Benfica estava bastante pressionante no meio campo mas também não conseguia circular a bola em condições. Só que Cardozo estava particularmente inspirado e a velocidade de Enzo, Gaitán e Markovic fizeram a diferença nos golos do Benfica.



A vencer por 3-1, o Benfica entrou bem na segunda parte e conseguiu uma melhor circulação de bola. Só que lá chegou o já tradicional golo sofrido de canto e o Sporting cresceu para ir atrás do empate. Acredito que, nesta fase, o cansaço do jogo da Champions e a saída de Amorim tenham também contribuído para este crescimento mas mesmo assim, o Benfica teve oportunidades para matar o jogo por Markovic que enviou a bola à barra e Cardozo que fez tudo bem mas não conseguiu fazer o poker. E depois de duas ameaças de Slimani, à terceira e nos descontos forçou o prolongamento (Cavaleiro mostrou toda a sua inexperiência ao fazer uma falta sem a minima necessidade).

No prolongamento, fiquei com a sensação de que o Benfica beneficiou do grande esforço que o Sporting fez em busca do empate e pareceu-me mais forte. O estranho golo de Luisão derrubou praticamente o Sporting, tendo o Benfica ainda falhado vários contra-ataques e duas grandes oportunidades (diria mesmo que a do André Gomes é mais fácil que um penalty!).

Destaques:
- nota elevada para os laterais com André Almeida em bom plano e Sílvio em grande;
- Enzo é simplesmente fabuloso e está no topo das minhas preferências neste plantel. Amorim manteve o nível da Grécia e Matic esteve em grande a partir do intervalo (aquela arrancada no prolongamento...);
- gostei bastante da exibição de Gaitán, especialmente porque se esforçou como poucas vezes vi em jogos não Champions, enquanto Markovic esteve aquém do que esperava;
- super Takuara. Tenho que fazer a vénia e bater na boca pelas vezes em que não gosto de o ver jogar.

Notas finais:
- os responsáveis de marketing do Benfica ainda não perceberam que colocar o hino depois de uma grande vitória é o maior anti-climax que pode haver?! Quebra automaticamente a ligação entre as bancadas e a equipa! Não podem deixar as colunas desligadas?! Percebo quando é para abafar os assobios agora nestes desfechos...;
- não gosto de muito do que as claques fazem mas acho que os cânticos e coreografias são essenciais ao espectáculo futebol. Fiquei perto da claque do Sporting e foram um exemplo de apoio (especialmente no aplauso final à sua equipa). É claro que há uma grande diferença quando se juntam uns milhares largos que vão ver um jogo fora da sua equipa quando comparados com a normal moldura no resto das bancadas mas é inegável que o terceiro anel ainda está de pé atrás e/ou traumatizado;
- no estádio não me apercebi mas no caminho para casa ouvi críticas ferozes do Sporting à arbitragem. Se estava com a ideia de que tinha presenciado mais um jogo fantástico, fiquei logo com o receio de que tudo se desfizesse por erros de arbitragem. E não há dúvidas que Cardozo estava mesmo fora-de-jogo no terceiro golo e que há uma mão de André Almeida na área. Na única repetição que vi do lance de Luisão com Montero fico com a sensação de que o brasileiro ainda toca na bola mas fico com muitas dúvidas. Mesmo com as reservas com que fiquei relativamente à posição de Montero no golo do Sporting e à falta que Cavaleiro supostamente fez aos 92 minutos, só posso dizer que me tirou praticamente o sabor desta vitória...

05/11/2013

Como é possível?!

Depois de tantas invenções e de tantas asneiras, Jesus lá acertou com a táctica e com quase todos os jogadores (não deixava de jogar com André Almeida). Reparem que é bem diferente jogar com Matic a 6 e depois com Amorim e Enzo em relação a jogar com Fejsa a 6, Matic a 8 e Amorim à frente! Jogão do Benfica na primeira parte a vulgarizar o Olympiacos por completo, com 3 oportunidades escandalosas e mais dois lances de grande perigo e a ser traído pela genial ideia de Jesus de colocar os jogadores na linha da pequena área nos cantos. Já escrevi várias vezes (incluindo na final da Liga Europa) pelo que me limito a mandar o treinador para onde estão a imaginar (esta irritação decorre do facto de estar a escrever esta parte do post ao intervalo e estar mais que f#%#$% por ver a equipa a jogar tão bom futebol e mesmo assim estar a perder).

Enormíssima primeira parte de Amorim, acompanhado por Gaitán e Enzo e até por Sílvio de quem não estava à espera de tão bom nível. Vamos ver se melhoramos a eficácia para a primeira parte!


Impressionante! Ainda conseguimos piorar a eficácia!!! Como é que se explicam os falhanços de Markovic e Matic, para além dos outros lances em que Roberto respondeu de forma incrível?! Grande jogo, grande atitude e finalmente um Benfica que merece todo o apoio mesmo depois de um resultado destes!

Saindo da Champions, não sei como será possível não vender jogadores em janeiro e colocar em causa o campeonato (este será tema para um próximo post)... Do mal, o menos: pode ser que a equipa se tenha encontrado e, se Jesus não for novamente um casmurro de primeira, não exista agora margem para dúvidas relativamente à táctica mais forte para este Benfica (quem sabe se a lesão de Cardozo não ajudará a repetir a estratégia contra o Sporting).

A vontade de comprar bilhete para o jogo da Taça é agora 10x mais forte do que era antes do início deste jogo. Sábado lá estarei para receber a equipa com um forte aplauso pois bem fizeram por o merecer!



Será desta Nelson?

Num post anterior, defendi que apenas fazia sentido apostar sem hesitações em Nelson Oliveira quando chegasse ao Benfica depois de ter sido o melhor marcador da equipa em que tivesse jogado por empréstimo.


Pois bem, a jogar no Rennes, parece que é desta que ameaça seriamente cumprir tal objetivo. Em 11 jogos, já leva 7 golos e, na lista de melhores marcadores do campeonato, apenas tem à sua frente uns desconhecidos de nome Falcão e Cavani.

No último jogo contra o Marselha, fez isto:
http://www.youtube.com/watch?v=hbFG4d7jeH4

Ps: Mas também falhou um penalty e assim o Rennes não foi além do empate...

04/11/2013

Hombre, que pasa???


Apesar da excelente vitória de Sábado, conquistada em condições particularmente complicadas, vou começar o texto por justificar o título, focando o terma no André Carrillo. Isto porque começa a ser exasperante ver tanto desperdício de talento (ou, em alternativa, ver tanta falta de jeito a avaliar talento, a começar por mim). Poder-se-ia pensar que está mal aproveitado, que está a ser limitado no seu futebol pelo papel em campo, que o treinador não tira o melhor dele, etc. Mas se assim for é o único porque todos os outros, ou a grande maioria, por ora, parecem dar-se bem com este treinador. A 2ª parte contra o Marítimo foi muito boa por parte de quase todos os intervenientes, com o mesmo treinador e já sem Carrillo.

Ter talento não chega, todos o sabemos, escusamos de passar a vida a repetir o dichote. Mas há casos que ultrapassam os limites do razoável e Carrillo é um deles (como numa escala diferente foi/é Quaresma). Claro que não estamos a falar da destruição de carreiras (como sucedeu com Fábio Paim, por exemplo) mas estamos a falar de jogadores que podiam, não digo ficar na história, mas pelo menos deixar saudades. Infelizmente, não é o primeiro caso destes no Sporting em não muitos anos... Recordo Matias Fernandez ou mesmo Pinilla, que tinha tudo para ser um jogador de topo e só não chegou lá porque começou a encarar seriamente a carreira lá para os 25 ou 26, desperdiçando 5 anos de evolução e crescimento. Em contrapartida, basta ver como ainda hoje um razoável jogador como De Franceschi (que se limitava a dar o litro) é recordado em Alvalade para se perceber que nem sequer é particularmente complicado conquistar-nos.

Carrillo pode estar a ir pelo caminho do desperdício, sem que se perceba bem porquê. O que me irrita por dois motivos: porque, a continuar assim, o Sporting acabará por perder um jogador com um potencial tremendo; e, sim, porque contradiz tudo o que aqui disse dele (basta seguir o tag "Eu bem dizia" e perceber onde pretendo chegar com esta ironia). E nem se diga "ah, o que ele precisava era de um Mourinho" porque, por exemplo, para Quaresma nem Mourinho chegou. Espero que Carrillo perceba que quando o jogador não quer, dificilmente o treinador pode fazer algo por ele.

Passando ao jogo em si, gostei muito de ver que a equipa nunca deixou de ter paciência apesar de estar a perder em circunstâncias muito complicadas: (i) em casa, (ii) depois de ter estado a ganhar, (iii) sofrendo o segundo golo à beira do intervalo, (iv) sofrendo golos em dois lances muito contestados pelo público, (v) num jogo em que era essencial ganhar depois de um mau resultado no desafio que foi vendido como sendo "o" teste às reais capacidades da equipa e (vi) num momento em que se o Sporting voltasse a escorregar seria normal que todos dissessem "afinal, não dá mesmo para mais". Tendo em conta tudo isto, considero notável a 2ª parte do Sporting - em termos de atitude competitiva, futebol e confiança.

Destaco, pela positiva, a dinâmica dos laterais Cedric e Jefferson; a solidez de William Carvalho; a resistência e entrega ao jogo de Adrien ("este" é o que merece ir à seleção); a entrada em jogo de Slimani (mas aquele falhanço no que seria o 4-2 é incrível...); a "sensatez" trazida ao jogo coletivo pelo Wilson Eduardo; e, claro, a alma de Diego Capel (embora por vezes insista no cruzamento a despropósito, já se viu um Capel muito mais incisivo).

Pela negativa a insegurança de Dier (Cantinho, creio que desta feita é difícil negar que o Rojo andou a apagar os fogos que o Dier criou); a ineficácia de Montero (3 oportunidades claríssimas de golo desperdiçadas); e a pouca profundidade do futebol de Vítor Silva (embora aqui possa conceder uma aos críticos do Jardim, porque estive atento depois de me chamarem a atenção para isto: o elemento mais avançado do triângulo está, regra geral, muitos metros distante quer do ataque quer do portador da bola). Uma nota ainda para a forma como foi construída a barreira no lance do golo do empate do Marítimo: no mínimo, a rapaziada, em especial o Patrício, ficou baralhada.

Quanto à arbitragem, concordo com o Jardim: foi errando e acertando para os dois lados. Sei que os sportinguistas se têm queixado, mas eu insisto em tentar fazer um exercício de busca de parcialidade e neste caso não a encontrei, ou não a encontrei de forma evidente, desculpem lá. Ainda não consegui ver o Jefferson tocar no Sami em nenhum ângulo na TV; mas também não consegui ver o João Diogo a empurrar o Montero (acho é que a sucessão de faltas do João Diogo não foi devidamente punida); acho que o lance do Rojo é mão e o do jogador do Marítimo na área não é (são lances completamente diferentes); e obviamente acho que o Ruben Ferreira devia ter sido expulso após agressão ao Capel (o que a juntar ao João Diogo na 2ª parte punha o Marítimo com 9 e sem os dois laterais de raiz). Mas tudo bem, estou como diz o Presidente do Sporting: quando não for um disparate o jogo todo e sempre para o mesmo lado, adiante!

Só um comentário final: cheguei a casa e fui rever alguns momentos do jogo; após o 3º falhanço do Montero, alguém perguntava se estávamos a assistir ao "ocaso de Montero". De facto é gravíssimo, não marcou em 2 jogos, um deles no Dragão. Leva a pensar "volta Bojinov, estás perdoado". Quem anda em excelente forma é o Jackson que já marca há vários jogos consecutivos. O quê? Não marcou contra o Sporting? Não marca há mais jogos do que o Montero? E falhou um golo escandaloso no Restelo de cabeça, onde o FCP perdeu pontos??? Não posso crer... E ninguém fala do ocaso do Jackson?

Eh pá, tenho a certeza que não é por mal. É distração.

PS: Venha o derby. Não somos favoritos mas já provámos que damos luta. Com o Benfica em dia não, é possível.

PS2: Para quem tinha dúvidas sobre a arbitragem do Dragão, aconselho a leitura do Jornal do Sporting. Fonte mais suspeita não há. E nessa sede a arbitragem foi vista como normal.

PS3: Ia-me esquecendo de uma palavra para o Marítimo, que a merece. Boa equipa (a melhor em Alvalade este ano), pagou caro o excessivo recuo na 2ª parte e a falta de apoio ao (excelente) Derley.

03/11/2013

Em recuperação

Obrigações profissionais não me permitiram fazer os posts relativamente ao Cinfães, Olympiacos e Nacional pelo que aproveito o comentário ao jogo com a Académica para algumas notas relativamente a esses jogos:


-  para a Taça, o que interessava era dar minutos a quem ainda pouco jogou e especialmente ver Cavaleiro, Bernardo Silva e Cancelo. Infelizmente não deu ainda para ver este último (o que me parece uma estupidez de todo o tamanho) e o Bernardo entrou já muito perto do final. Quanto a Cavaleiro, foi dos melhores em campo e em boa altura, pois fazia muita falta sangue novo à equipa e um jogador que trouxesse motivação e garra a sério. A exibição foi "Satisfaz  Menos" e não percebo como é que um treinador do Benfica pode falar em arbitragem num jogo contra o todo poderoso Cinfães;


- contra os gregos, foi uma noite europeia bem triste. Começou pela grande molha que apanhei no caminho para o estádio e continuou na primeira parte em que o Benfica pouco fez (ao contrário do que Jesus viu) e em que os gregos foram melhores, com mais do que uma oportunidade para marcar. Com o vento forte, continuei a levar com a chuva na bancada e tinha tanta vontade de estar na bancada quanto os jogadores de estar no relvado. Na segunda parte, cheguei a pensar que o jogo corria o risco de ser interrompido mas pelo menos nessa fase os jogadores mostraram alguma vontade! Depois o Roberto que conhecemos não nos falhou. Menos mal mas a adiar as decisões para o difícil jogo na Grécia;


- contra o Nacional finalmente percebi que ainda há esperança. O bom Benfica da época passada, apesar de ligado à máquina, deu alguns sinais de que ainda é possível a recuperação. Entrada forte, pressão elevada e momentos de bom futebol. O entusiasmo nas bancadas é logo evidente. Para isso, muito contribuiu Cavaleiro. Não pelo futebol jogado, que também não foi mau, mas pela ligação que conseguiu estabelecer entre as bancadas e a equipa. Os incentivos dos adeptos foram mais que muitos e isso também tranquiliza a equipa. Vitória sem margem para dúvidas;


- na sexta em Coimbra, um Benfica apático e sem dinâmica viu Cardozo fazer a diferença. Na realidade, o Benfica chegou ao dois zero sem fazer muito por isso e depois foi só controlar a partida e gerir o esforço. Parece que finalmente o Benfica sabe guardar a bola quando está em vantagem, fazendo o adversário correr atrás da bola enquanto deixa o tempo passar. Para isso muito contribuiu Ruben Amorim, que não tem capacidade para substituir Matic ou Enzo mas que se enquadra bastante bem com eles quando a táctica altera para 3 homens no meio campo. O passe para Markovic é excelente e o remate do sérvio é de génio! Já disse que estou disposto a pagar mais para vê-lo a jogar no meio?! Muito bem os centrais, fracos os laterais (Cortez péssimo talvez seja mais correto). Enzo simplesmente fantástico!
 
Com o empate do Porto, era fundamental que os próximos dois jogos corressem bem para o Benfica conseguir uma recuperação mais rápida e deixar definitivamente de estar ligado à máquina.

28/10/2013

Mais equipa, mais futebol e mais sorte


Feita a homenagem ao grande Lou Reed, passemos então ao clássico de Domingo, começando por dizer que o Sporting fez uma boa segunda parte e que, se tem aproveitado duas boas oportunidades de golo, por Montero e Capel (a primeira delas escandalosa), poderia muito bem ter posto o Porto em sentido. Aliás, o Dragão não tremeu no Domingo porque o Porto marcou o segundo golo logo a seguir ao golo do empate, o que tranquilizou a equipa e permitiu controlar o jogo. Ainda assim, o Porto teve que sofrer entre o segundo e o terceiro golo e momentos houve em que ficou acantonado no seu meio-campo a ver o Sporting jogar. Fraco consolo para quem, como eu, acreditou que ia ganhar o jogo quando William marcou o golo do empate.

Numa análise fria, creio que foram três os fatores que decidiram o clássico:

1. Mais equipa - o jogo de Domingo revelou, na minha opinião, que o Porto tem de facto mais equipa do que o Sporting. O Sporting tem ainda algumas limitações que foram evidentes ao longo do jogo. Não me refiro a maus jogadores ou jogadores sem nível para jogar no Sporting, não é disso que se trata. Refiro-me ao tal "plus" de que venho falando há uns tempos e que neste tipo de jogo se nota que vai faltando:

a) A defesa do Porto é de altíssimo nível, basta que o treinador não invente com Fuciles ou Maicons. Os laterais são muito bons, Otamendi tem pormenores de grande categoria e Mangala, quando controla o ímpeto, impõe-se naturalmente pela presença física, sem necessidade de distribuir fruta a torto e a direito. Juntou-se ainda um Helton muito inspirado. No Sporting, Cedric fez um jogo algo a medo (terá ficado afetado pela situação na seleção) e a precipitação de Maurício pôs o Sporting a perder aos 10 minutos. Detalhes que fazem a diferença num jogo destes

b) O meio-campo, não sendo genial, tem um Fernando em boa forma e um Lucho que, apesar de tudo, ainda vai fazendo a diferença. No Sporting, William demonstrou que tem categoria acima da média, mas Adrien continua a falhar inúmeros passes e Martins continua algo desinspirado.

c) No ataque, Varela fez dos melhores jogos que lhe vi fazer pelo Porto, enquanto que Jackson, sem marcar ou ter uma oportunidade sequer, participou muito no jogo coletivo da equipa. Já Wilson Eduardo não conseguiu segurar uma bola, Montero desperdiçou a única boa oportunidade que teve e Carrillo continua, nos grandes jogos, a ter medo de partir para cima do adversário.

Em suma, reconheço que, por ora, o Porto ainda vai tendo mais equipa do que o Sporting.

2. O Porto teve também mais futebol. Em resultado de ter mais equipa, claro, mas também porque, mesmo considerando diferenças de detalhe que cada treinador impõe, o esquema do Porto é o mesmo de há muitos anos. Pode correr melhor com Villas-Boas e pior com Fonseca porque há sempre algo que resulta de opções de cada treinador, mas há uma base e um estilo que estão lá e que os jogadores mais antigos conhecem e os mais novos apreendem rapidamente. Da mesma forma que, com as devidas distâncias, Guardiola e Vilanova e Martino são diferentes, mas o estilo está lá. No Porto acontece o mesmo. E qualquer treinador pode aproveitar essa base ao invés de começar do zero.

3. Por fim, o Porto teve mais sorte. Não desconsiderando os méritos e deméritos dos jogadores, há lances decisivos em que o Porto teve sorte. O timing do golo de Danilo é perfeito, não poderia ser melhor. E o lance de Montero, sem tirar mérito a Helton, será golo em 90% dos lances de que Montero disponha em idênticas condições (não porque outros GRs sejam piores do que o Helton, mas porque o Montero dificilmente deixará de cabecear de cima para baixo, por exemplo).

Uma nota ainda para a arbitragem, que considerei impecável.

Quanto a nós: foco nos objetivos. Terceiro lugar ao alcance, manter a rota e continuar a crescer. Para o ano, mais consistentes, e a jogar da mesma forma, certamente não nos deixamos bater.