11/12/2012

Os vários títulos do derby

Pensei muito no título deste post e admiti várias hipóteses... Acabei por chegar à seguinte conclusão: não vou aborrecer os leitores com um post sobre o jogo, vou-me limitar a indicar os títulos em que pensei e explicá-los. Assim ficam a saber o que penso.

Ora vamos lá então:

1. "E não é que ao intervalo estava 1-0?"

Pois é, para quem como eu só viu o jogo a partir dos 15 minutos, não deixou de ser surpreendente o Sporting conseguir chegar à vantagem e aguentá-la até ao intervalo. Porque o Benfica chegava a meio do meio campo do Sporting sem oposição (mesmo na primeira parte, a tal que todos dizem que foi "fantástica" para o Sporting) e o Sporting só conseguia chegar à linha de meio campo quando alguém se libertava do opositor que o pressionava. Reconheça-se que, na primeira parte, a permissividade da pressão do Sporting era compensada pela agressividade a meio campo, o que permitiu recuperar várias vezes a bola. Muito atrás, é verdade, mas enquanto os da frente tiveram pernas, deu para jogar direto nos extremos e/ou em Wolfswinkel aproveitando a segunda bola para chegar mais à frente. Mas via-se que não havia futebol para o opositor e que só uma má segunda parte do Benfica permitiria um resultado positivo. Ah, faltou só perguntar o seguinte: o que querem que Wolfswinkel faça mais numa equipa que não lhe dá uma bola de jeito?

2. "Infelizmente, o Benfica não é o Braga"

Os jogos com Braga e Benfica foram relativamente parecidos, mas infelizmente o Benfica é muito melhor do que o Braga. Uma primeira parte razoável, ainda permissiva mas, mesmo jogando cá atrás, com alguma agressividade, um cheirinho a pressão coletiva e capacidade para sair a jogar (lá está, direto no extremo ou no avançado, aproveitando neste último caso a segunda bola) e uma segunda parte muito recuada, sem pernas para sair, mas ainda assim (e sem que se perceba muito bem como)criando situações que poderiam ter resolvido o jogo. Mas cuidado com este argumento: o Sporting podia ter feito o 2-0 por uma vez, mas o Benfica poderia ter igualado muito antes do minuto 57, poderia ter chegado ao 2-1 antes do minuto 80 e teve várias situações de perigo em diversos momentos do jogo. Limito-me a assinalar que, à imagem do que aconteceu com o Braga, mesmo jogando pouco ou nada, podíamos ter tido a sorte de resolver o jogo. Não resolvemos. Com o Braga, chegou. Com o Benfica, não chegou. Porque o Ola John não é o Hélder Barbosa, o Salvio não é o Alan, o Cardozo não é o Éder e, acima de tudo, o JJ não é o Peseiro.

3. "Este Cardozo não gosta mesmo nada de nós"

Se Cardozo tivesse marcado ao FCP metade dos golos que marcou ao Sporting desde que chegou ao Benfica, teria uma estátua no Estádio da Luz. É terrível para nós... Ainda tive esperança que jogassem Rodrigo e Lima ou que face ao desperdício do paraguaio JJ ao intervalo trocasse Cardozo por Rodrigo mas infelizmente JJ não fez esse disparate. Enfim, em 5 oportunidades marca 3... como já tinha falhado 2 na primeira parte, não surpreendeu o que fez na segunda.

4. "Jesus tem muito Sporting dentro dele"

Quem ouviu as declarações no final do jogo não pode duvidar disto: fosse outro o adversário e JJ certamente teria abordado o massacre futebolístico que ontem aconteceu em Alvalade. Não o fez, apontando melhorias onde elas não são assim tão visíveis, deixando uma mensagem de esperança para o futuro e tratando sempre o Sporting com o respeito que este vem fazendo por não merecer. Foi um cavalheiro e um grande sportinguista. Não o esquecerei.

5. "E Franky estragou o impossível"

Sem retirar o mérito do Benfica, permitam-me dizer que na segunda parte o Sporting não ofereceu resistência absolutamente nenhuma. Porque uma equipa que não tem bola e só pressiona a meio do seu meio-campo não desgasta o adversário. Uma equipa que não sai a jogar não preocupa os elementos defensivos do adversário. Uma equipa ineficaz nas bolas paradas faz o adversário não ter medo de meter o pé. Mas, apesar de tudo isto, e da desorganização defensiva, da falta de classe de alguns jogadores e dos disparates individuais de alguns outros (vão conseguir estragar André Carrillo, o único jogador acima da média deste plantel), o impossível (ganhar o jogo) foi parecendo possível (improvável, mas possível). E não ficou mais perto de se transformar em realidade porque Vercauteren ontem falhou redondamente. As substituições óbvias não saíram, um Capel esgotado desde o minuto 50 (jogou 90 minutos na 6ª feira com o Videoton) ficou em campo até ao minuto 86, um Pranjic sem velocidade nem capacidade de pressão jogou o jogo todo e Izmailov entrou ao minuto 86 depois do 1-3 (!!). Um desastre total a intervenção do belga a partir do banco. Isto para não referir que se insiste com Viola, a quem a equipa B faria tanta falta, para deixar um Labyad que meia Europa queria a ver a mediocridade a saltitar dentro de campo... Tudo mal. Claro que se tivesse feito tudo bem teríamos, provavelmente, perdido de qualquer maneira. Mas pelo menos tínhamos dado luta.

6. "Isto não é o Sporting"

Estava 1-0 e começou a segunda parte. Rui Patrício tenta por 3 vezes colocar a bola em Eric Dier. Por 3 vezes a bola sai fora e o Benfica volta a carregar. O Sporting não conseguia trocar 2 - dois! - passes seguidos. Viro-me para o meu pai (com quem tenho o imenso prazer de partilhar os jogos ao vivo, em Alvalade) e digo-lhe "isto não é o Sporting". Não é, desculpem mas não é. Se calhar o Benfica virava mais cedo o resultado, mas eu preferia ter tentado jogar. Assim, desculpem, mas não vamos a lado nenhum.

7. "Será que é tempo de ir novamente a eleições?"

Não. Ou melhor, só por causa de uma derrota com o Benfica, não. Pela inexistência de uma estratégia desportiva, sim. Ela existe? Se existe, não se vê. Se não se vê, ou está mal explicada ou não existe mesmo. Em Janeiro, esta direção tem a última oportunidade de explicar a sua estratégia, caso ela exista. Vamos ver.

PS: Nem vou abordar a atitude abúlica e o abaixamento de braços após o golo do empate. Porque estes jogadores não o merecem. Estes jogadores mereciam que, do banco, houvesse um sinal claro, uma mensagem forte, de que tinham que fazer algo de diferente. Nada. Rigorosamente nada. Uma tristeza. Temos um presidente incapaz, um treinador passivo e jogadores completamente desmotivados. Vamos lutar pelo 6º ou 7º lugar, no melhor dos cenários. Se isto não é bater no fundo, não sei o que será...

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