27/12/2012

O mérito de Jesus


As críticas às opções de Jesus têm surgido várias vezes nos meus comentários, tendo atingido o seu ponto mais elevado durante a época passada. Depois de uma primeira época em que me parecia que o toque de Jesus em tamanha qualidade futebolística era inquestionável, a época seguinte fez surgir algumas dúvidas e, nesta última época, o meu grau de irritabilidade chegou a níveis extremos ao assistir às suas decisões durante os jogos e depois aos comentários pós-jogo.

As críticas não variavam muito, incidiam sobretudo:
- na persistência em jogar com um meio-campo pouco povoado e, desta forma, possibilitar a utilização de dois avançados (não percebendo que não há muitos Ramires e Di Marias que permitam o sucesso desta táctica);
- na teimosia em utilizar jogadores que todos percebiam que não podiam continuar a ser convocados, quanto mais assumir a titularidade (Roberto e Émerson são os melhores exemplos);
- apostas cegas em chegar a finais europeias colocando em causa a competitividade interna;
- substituições  erradas e fora de tempo em que o exemplo máximo é o jogo contra o Porto em que a ganhar por 2-1, decide tirar Aimar para colocar Rodrigo.
No entanto, parece agora acontecer com Jesus aquilo que normalmente acontece com os jogadores em final de contrato. É um comentário recorrente falar sobre os golos e grandes exibições dos jogadores que estão em fase de negociação dos novos contratos. O treinador do Benfica sabe que tem pouca margem para errar esta época e que muito dificilmente continuará a ocupar a mesma cadeira caso não vença o campeonato. E a verdade é que esta época há de facto um bom trabalho por parte do homem da Amadora. Não se afigurava fácil a missão de responder às perdas de Javi e Witsel em fase tão adiantada da época, agravadas pelas constantes ausências de Aimar e Carlos Martins, mas a forte aposta em Matic para trinco, a adaptação de Enzo e até a chamada de jovens da equipa B, têm conseguido colocar o meio-campo do Benfica em bom plano. Na zona do campo em que a disciplina táctica ganha especial relevância, é impossível não dar mérito a Jesus. Ainda para mais, a equipa até já conseguiu apresentar, em alguns jogos, futebol de boa qualidade.

Para além do que diz respeito ao miolo, é de assinalar a excelente integração de Lima, a recente explosão de Ola John que foi trabalhado com a calma necessária para responder às exigências da nova equipa e um Garay que sobressaiu numa defesa órfã de Luisão e que, também neste caso, pouco se fez sentir.
A minha grande dúvida prende-se com Melgarejo. Tenho feito um grande esforço mas não consigo acompanhar a onda de entusiasmo de benfiquistas e jornais desportivos. Embora concorde que já é bastante positivo que o lado esquerdo tenha deixado de ser um foco de análise por parte dos comentadores, acho que ainda está longe de ser o que o Benfica necessita e duvido que tenha margem de progressão para alguma vez o chegar a ser. É daqueles casos em que prefiro estar errado…
Vamos ver como se comporta Jesus daqui para a frente. O grande teste será certamente o jogo contra o Porto em casa em que a vitória é imprescindível. Num campeonato como o deste ano, em que existe uma diferença abismal entre os dois da frente e o resto das equipas, uma vitória em casa daria a dose de confiança essencial para o resto da época e faria com que bastasse ser um ponto melhor do que o Porto contra as outras equipas para ser campeão. Digo isto porque tenho a convicção que, tal como se passou na época do título, o Benfica dificilmente terá a capacidade de pontuar no Dragão. Desta forma, não há outra solução que não seja chegar à penúltima jornada com mais de 3 pontos de avanço sobre o Porto. Se não for uma questão de estofo da equipa do Benfica, será uma questão de fiscais de linha, penaltys mal assinalados ou de expulsões.
A verdade é que o Benfica ainda não encontrou adversários de grande qualidade (o jogo contra o Barcelona é tão atípico que nem dá para perceber) e assim ainda não se consegue analisar a capacidade desta equipa para jogar com dois avançados. Não podemos esquecer que o trio Fernando/ Moutinho/ Lucho auxiliado por James é de grande poderio. Não será preferível apostar num trio Matic/ Enzo / Carlos Martins ou Aimar? Ou Jesus vai acreditar nas rotinas do esquema atual com Lima e Cardozo?
O que quer que aconteça, espero que Jesus continue na Luz na próxima época, não por possibilitar transferências de elevado encaixe financeiro mas por se ter sagrado campeão. A Taça de Portugal é muito aliciante mas não suficiente…

4 comentários:

  1. Boa análise.

    É um bom treinador, que chega para o que queremos para o Benfica, ser campeão nacional.

    No segundo ano o homem, e toda a estrutura, estava nas nuvens. No terceiro, e porque, invariavelmente, os pormenores contam muito, aquela substituição de Aimar por Rodrigo é má demais....foi um momento ridiculo. Se ele reforça o meio-campo não perdiamos. E com mais 3 pontos a tão poucas jornadas do fim...dificilmente nos escapava o titulo.

    Este ano ele sabe que não tem margem de erro, por isso não se têm visto erros grosseiros de outras épocas. Veremos se aguenta a pressão.

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  2. Exacto caro Gus! Festejou-se demais nesse segundo ano. É o que dá não estar habituado a ganhar e não perceber que o mais importante é a próxima conquista.

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  3. Eh páááááááááááá... Gorbyn: existem centenas, milhares, centenas de milhares, de fotografias do Jesus por essa internet fora, mas foste logo escolher uma em que o tipo ainda treinava o Braga!!! Bolas... é azar!!! Abraço

    Concordo com o post. Integralmente.

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  4. Lol, "granda" Galaad. Jesus estava com um penteado apresentável nesta foto ;) Foi azar...

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