27/12/2012

O mérito de Jesus


As críticas às opções de Jesus têm surgido várias vezes nos meus comentários, tendo atingido o seu ponto mais elevado durante a época passada. Depois de uma primeira época em que me parecia que o toque de Jesus em tamanha qualidade futebolística era inquestionável, a época seguinte fez surgir algumas dúvidas e, nesta última época, o meu grau de irritabilidade chegou a níveis extremos ao assistir às suas decisões durante os jogos e depois aos comentários pós-jogo.

As críticas não variavam muito, incidiam sobretudo:
- na persistência em jogar com um meio-campo pouco povoado e, desta forma, possibilitar a utilização de dois avançados (não percebendo que não há muitos Ramires e Di Marias que permitam o sucesso desta táctica);
- na teimosia em utilizar jogadores que todos percebiam que não podiam continuar a ser convocados, quanto mais assumir a titularidade (Roberto e Émerson são os melhores exemplos);
- apostas cegas em chegar a finais europeias colocando em causa a competitividade interna;
- substituições  erradas e fora de tempo em que o exemplo máximo é o jogo contra o Porto em que a ganhar por 2-1, decide tirar Aimar para colocar Rodrigo.
No entanto, parece agora acontecer com Jesus aquilo que normalmente acontece com os jogadores em final de contrato. É um comentário recorrente falar sobre os golos e grandes exibições dos jogadores que estão em fase de negociação dos novos contratos. O treinador do Benfica sabe que tem pouca margem para errar esta época e que muito dificilmente continuará a ocupar a mesma cadeira caso não vença o campeonato. E a verdade é que esta época há de facto um bom trabalho por parte do homem da Amadora. Não se afigurava fácil a missão de responder às perdas de Javi e Witsel em fase tão adiantada da época, agravadas pelas constantes ausências de Aimar e Carlos Martins, mas a forte aposta em Matic para trinco, a adaptação de Enzo e até a chamada de jovens da equipa B, têm conseguido colocar o meio-campo do Benfica em bom plano. Na zona do campo em que a disciplina táctica ganha especial relevância, é impossível não dar mérito a Jesus. Ainda para mais, a equipa até já conseguiu apresentar, em alguns jogos, futebol de boa qualidade.

Para além do que diz respeito ao miolo, é de assinalar a excelente integração de Lima, a recente explosão de Ola John que foi trabalhado com a calma necessária para responder às exigências da nova equipa e um Garay que sobressaiu numa defesa órfã de Luisão e que, também neste caso, pouco se fez sentir.
A minha grande dúvida prende-se com Melgarejo. Tenho feito um grande esforço mas não consigo acompanhar a onda de entusiasmo de benfiquistas e jornais desportivos. Embora concorde que já é bastante positivo que o lado esquerdo tenha deixado de ser um foco de análise por parte dos comentadores, acho que ainda está longe de ser o que o Benfica necessita e duvido que tenha margem de progressão para alguma vez o chegar a ser. É daqueles casos em que prefiro estar errado…
Vamos ver como se comporta Jesus daqui para a frente. O grande teste será certamente o jogo contra o Porto em casa em que a vitória é imprescindível. Num campeonato como o deste ano, em que existe uma diferença abismal entre os dois da frente e o resto das equipas, uma vitória em casa daria a dose de confiança essencial para o resto da época e faria com que bastasse ser um ponto melhor do que o Porto contra as outras equipas para ser campeão. Digo isto porque tenho a convicção que, tal como se passou na época do título, o Benfica dificilmente terá a capacidade de pontuar no Dragão. Desta forma, não há outra solução que não seja chegar à penúltima jornada com mais de 3 pontos de avanço sobre o Porto. Se não for uma questão de estofo da equipa do Benfica, será uma questão de fiscais de linha, penaltys mal assinalados ou de expulsões.
A verdade é que o Benfica ainda não encontrou adversários de grande qualidade (o jogo contra o Barcelona é tão atípico que nem dá para perceber) e assim ainda não se consegue analisar a capacidade desta equipa para jogar com dois avançados. Não podemos esquecer que o trio Fernando/ Moutinho/ Lucho auxiliado por James é de grande poderio. Não será preferível apostar num trio Matic/ Enzo / Carlos Martins ou Aimar? Ou Jesus vai acreditar nas rotinas do esquema atual com Lima e Cardozo?
O que quer que aconteça, espero que Jesus continue na Luz na próxima época, não por possibilitar transferências de elevado encaixe financeiro mas por se ter sagrado campeão. A Taça de Portugal é muito aliciante mas não suficiente…

25/12/2012

Balanço de final de ano


Como nota prévia, gostaria de assinalar que não tenho escrito sobre os últimos jogos do Benfica pois não tive a possibilidade de assistir aos últimos encontros. E com muita pena minha, já que os 3 tiveram desfechos 100% vitoriosos, ganhando especial destaque a conquista dos 3 pontos no terreno do rival de Lisboa. Ainda rezei que algum canal internacional transmitisse o jogo mas tive que me contentar com o telemóvel e o Live Score num lobby de hotel e constantes pedidos de pontos de situação a vários amigos.

Agora e uma vez que estamos já a caminhar para o final de mais um ano que, para nós benfiquistas, não deixará grandes saudades, aproveito esta pausa no campeonato para fazer um balanço do que está a ser a temporada do Benfica. 


Em poucas palavras, diria que está a ser bastante superior ao que perspectivei após a saída, fora de tempo, de Witsel. Como os dois habituais leitores dos meus comentários já sabem (Olá mãe!), considero o meio-campo a área vital das grandes equipas. Nunca acreditei na velha frase “Os avançados ganham jogos mas as defesas ganham campeonatos” mas Rolando, Sapunaru e companhia ainda reforçaram mais esta minha convicção. Com a saída de 2 jogadores fundamentais do meio-campo (Javi e Witsel) sem a devida compensação por um ou mais reforços, senti que tinha tudo para correr mal, muito mal mesmo.

No entanto, a realidade mostra que tal não aconteceu. Uma apreciação breve a cada um dos troféus em disputa:

- Champions: Apenas esta competição não correu da melhor forma mas também não se pode dizer que tenha sido má. Podíamos ter feito algo mais em Moscovo e Barcelona e não deveríamos depender tanto das outras equipas, mas a realidade é que bastaria que os catalães fizessem um jogo minimamente normal em Glasgow e por esta altura estaríamos a projectar um jogo contra a Juventus.

- Taça da Liga: começou bem mas também não interessa muito. Na presente época e após 3 conquistas, o Benfica deverá olhar para esta Taça com o mesmo interesse com que o Castelo Branco olha para a Miranda Kerr.

- Taça de Portugal: com o Porto antecipadamente fora da corrida, o Benfica terá um muito acessível Desp. Aves em casa, sendo que a partir daí, o percurso mais difícil será a já definida deslocação à Académica, uma eliminatória com o P. Ferreira a duas mãos e o Jamor com o Braga. Estamos há demasiado tempo sem ganhar esta Taça pelo que esta temporada não podemos mesmo deixá-la escapar. Só o calendário traiçoeiro, jogando para a Taça depois de jogar com o Porto e Braga para o campeonato e antes de receber o Sporting, é que poderá dificultar este objectivo.

- Campeonato: parece-me impossível pedir mais. Talvez às arbitragens de andebol, perdão, de futebol se exigisse maior capacidade ocular, mas quando se olha para o número de vitórias do Benfica, golos marcados e sofridos, percebe-se que a avaliação é efectivamente bastante boa. Esta competição é a grande prioridade pelo que terá que ser aqui que se devem concentrar todos os esforços. Um Porto que aparenta estar em excelente forma, não deixará que este objectivo se concretize sem uma acérrima luta mas, de uma forma ou de outra, tem que vir cá parar!

13/12/2012

O Sporting - mais do que uma equipa de futebol - e a tal húngara (porque as promessas são para cumprir!)

Antes de mais: o Sporting ganhou ao Viodeton na 6ª feira. Não jogou grande coisa nem a vitória serviu de muito (aliás, não serviu para quase nada) mas acarretou duas consequências importantes:

1. Vercauteren rodou a equipa, com exceção de Insua e Capel, dando para ver que a maior parte dos que não jogam não têm, de facto, muito a oferecer à equipa (excecionaria Labyad).

2. O Futebola3 volta a publicar fotos de mulheres bonitas! Neste caso, trata-se de Barbara Palvin, uma modelo húngara que, convenhamos, ficará furiosa comigo quando descobrir que é para aqui chamada a própósito do paupérrimo Videoton (não, Barbara, não é por nos ter espetado 3 na primeira volta que vale alguma coisa...).



Mas falemos do Sporting. Não do (eu bem dizia...) Elias ou do (estoirado) Capel ou do (arrependido?) Labyad ou do (inglório e injustiçado) Wolfswinkel. Nem do Franky, nem do Sá Pinto, nem sequer do Duque e do Freitas. Falemos do SPORTING. Falemos da floresta e não das árvores.

Ora, do que vejo, a "floresta", para crescer, precisa de 3 coisas:
- Uma ideia clara de clube e do seu posicionamento no país (e, em particular, no futebol);
- Uma estratégia que sirva essa ideia e que defina um objetivo;
- A definição de um rumo para atingir esse objetivo.

Parece tudo muito esotérico, não é? Lá estão os sportinguistas com os "projetos", as "estratégias" e sei lá que mais, pensarão alguns. Mas isto não é nada esotérico!... Recuemos agora 30 anos e vejam lá se estou a dizer algum disparate.

Há 30 anos, o FCP tinha nada mais nada menos do que 7 campeonatos conquistados (se incluirmos a competição que teve lugar entre 34/35 e 37/38, que o FCP conquistou por uma vez). O Sporting tinha 16. Nunca passou pela cabeça de ninguém que fôssemos claramente ultrapassados em 30 anos. Seria preciso que:
(i) o Sporting ganhasse muito poucos ou nenhuns;
(ii) o Benfica reduzisse o ritmo de vitórias que tinha tido nas décadas de 60 e 70;
(iii) o Porto ganhasse muitos;
(iv) não surgisse um quarto clube a ganhar o que quer que fosse.

Impossível, não era? Pois bem:
(i) o Sporting só ganhou 2 (muito poucos), passando a ter 18;
(ii) o Porto ganhou 19 (!!!), passando a ter 26 (vantagem de 8, irra...);
(iii) o Benfica ganhou 8 em 30 anos, quando antes conquistava no mínimo 6 por década (passando a ter um total de 32);
(iv) surgiu um quarto clube, o Boavista, mas só ganhou por 1 vez.

Ou seja, em 30 anos, o Porto passa de 3º clube (em títulos) para 2º e nem se coloca a questão da disputa desse 2º lugar! Pelo contrário, o que os benfiquistas temem é que, a este ritmo, o Porto no final da década passe para 1º. Basta pensar nisto: a manter-se o ritmo do costume, em 2020 estarão iguais (o Benfica, ao ritmo que vem trazendo, ganha 1, o Porto ganha 7 e o Sporting nenhum).

Isto aconteceu porque há 30 anos alguém, no Porto, definiu claramente:
- o que era (ou poderia ser) o seu clube - o representante de uma região, segundo ele próprio, maltratada pelo resto do país, o que poderia tornar o clube no elemento aglutinador das vozes descontentes e no exemplo de sucesso dessa mesma região;
-  uma estratégia assente num objetivo muito ambicioso, mas igualmente muito claro - aliás dois objetivos: o primeiro, ultrapassar o Sporting (daí que fosse inimigo fidagal de João Rocha mas grande amigo do presidente do Benfica à época, Fernando Martins) - objetivo infelizmente já conseguido - e o segundo, ultrapassar o Benfica - objetivo que há 10 anos parecia uma miragem e que hoje assusta os benfiquistas;
- definiu qual o rumo para cumprir essa estratégia e atingir esse objetivo - controlar o sistema do futebol português, instituição por instituição; destruir os clubes pequenos do Sul; construir uma plataforma de satélites, primeiro no Norte, depois também no Sul (os tais que ele próprio destruíra e que agora ajudaria a reconstruir); criar aliados à medida de cada guerra, e dispensá-los com a guerra ganha; nunca abdicar do poder ou de influência sobre o poder; ter uma formação baseada nos novos valores do clube, inspirados essencialmente no regionalismo; criar uma mística de clube, também associada a esse regionalismo; ter quadros técnicos obedientes e respeitadores da filosofia do clube; roubar os jogadores aos rivais, incutindo a ideia de incompetência dos seus gestores; ter a comunicação social domada; ter uma comunicação interna ao serviço do clube e não de interesses de protagonismo pessoal; punir severamente os que se atravessam no caminho; ter a cidade ao serviço do clube.

Podemos discutir o rumo, mas não é esse o objetivo deste texto. Já por muitas vezes aqui critiquei a postura do Porto e a forma como chegou onde chegou. O que estou a dizer é que o caminho que percorreu Pinto da Costa foi antecedido de algo, muito importante, e que o Sporting perdeu por completo neste momento: uma ideia de clube. E que foi com base nessa ideia que se definiu a estratégia e o finalidade a que aludi. As quais são postas em prática, dia-a-dia, hora-a-hora, sem descurar qualquer detalhe, percorrendo o caminho que expliquei.

Não quero nem essa ideia de clube, nem sequer, neste momento, posso dizer que o nosso objetivo estratégico deve ser igual ao que Pinto da Costa delineou há 30 anos. E, para que não restem dúvidas, repudio o caminho percorrido e a forma encontrada para atingir esse objetivo (sem prejuízo de muitas delas serem bem pensadas e fazerem todo o sentido). Mas gostava de ver no Sporting um presidente que nos dissesse claramente isto:

- o Sporting é (ou tem que ser) um clube com o posicionamento X (necessariamente não regional no nosso caso, por dois grandes motivos: não somos um clube regional, por um lado; e a região em que temos a principal base de apoio é partilhada com outro clube);

- o objetivo do Sporting é Y e a estratégia do Sporting é Z;

- o rumo, esse, seria revelado na medida do possível. Porque há segredos que são mesmo a alma de alguns negócios.

E seria com base nisto que escolheríamos o nosso futuro. Infelizmente, nisto ninguém pensa; isto ninguém discute; com isto ninguém se preocupa. Eu posso um dia mais tarde dizer quais seriam as minhas propostas, mas o que gostaria era de ouvi-las de Godinho Lopes. Se nunca pensou no que digo... estamos muito mal.

Termino como dizia Pinto da Costa: Largos Dias Têm 100 anos! É verdade meus amigos, em 100 anos tudo pode acontecer. Mas a espera está a começar a magoar. Muito.

11/12/2012

Os vários títulos do derby

Pensei muito no título deste post e admiti várias hipóteses... Acabei por chegar à seguinte conclusão: não vou aborrecer os leitores com um post sobre o jogo, vou-me limitar a indicar os títulos em que pensei e explicá-los. Assim ficam a saber o que penso.

Ora vamos lá então:

1. "E não é que ao intervalo estava 1-0?"

Pois é, para quem como eu só viu o jogo a partir dos 15 minutos, não deixou de ser surpreendente o Sporting conseguir chegar à vantagem e aguentá-la até ao intervalo. Porque o Benfica chegava a meio do meio campo do Sporting sem oposição (mesmo na primeira parte, a tal que todos dizem que foi "fantástica" para o Sporting) e o Sporting só conseguia chegar à linha de meio campo quando alguém se libertava do opositor que o pressionava. Reconheça-se que, na primeira parte, a permissividade da pressão do Sporting era compensada pela agressividade a meio campo, o que permitiu recuperar várias vezes a bola. Muito atrás, é verdade, mas enquanto os da frente tiveram pernas, deu para jogar direto nos extremos e/ou em Wolfswinkel aproveitando a segunda bola para chegar mais à frente. Mas via-se que não havia futebol para o opositor e que só uma má segunda parte do Benfica permitiria um resultado positivo. Ah, faltou só perguntar o seguinte: o que querem que Wolfswinkel faça mais numa equipa que não lhe dá uma bola de jeito?

2. "Infelizmente, o Benfica não é o Braga"

Os jogos com Braga e Benfica foram relativamente parecidos, mas infelizmente o Benfica é muito melhor do que o Braga. Uma primeira parte razoável, ainda permissiva mas, mesmo jogando cá atrás, com alguma agressividade, um cheirinho a pressão coletiva e capacidade para sair a jogar (lá está, direto no extremo ou no avançado, aproveitando neste último caso a segunda bola) e uma segunda parte muito recuada, sem pernas para sair, mas ainda assim (e sem que se perceba muito bem como)criando situações que poderiam ter resolvido o jogo. Mas cuidado com este argumento: o Sporting podia ter feito o 2-0 por uma vez, mas o Benfica poderia ter igualado muito antes do minuto 57, poderia ter chegado ao 2-1 antes do minuto 80 e teve várias situações de perigo em diversos momentos do jogo. Limito-me a assinalar que, à imagem do que aconteceu com o Braga, mesmo jogando pouco ou nada, podíamos ter tido a sorte de resolver o jogo. Não resolvemos. Com o Braga, chegou. Com o Benfica, não chegou. Porque o Ola John não é o Hélder Barbosa, o Salvio não é o Alan, o Cardozo não é o Éder e, acima de tudo, o JJ não é o Peseiro.

3. "Este Cardozo não gosta mesmo nada de nós"

Se Cardozo tivesse marcado ao FCP metade dos golos que marcou ao Sporting desde que chegou ao Benfica, teria uma estátua no Estádio da Luz. É terrível para nós... Ainda tive esperança que jogassem Rodrigo e Lima ou que face ao desperdício do paraguaio JJ ao intervalo trocasse Cardozo por Rodrigo mas infelizmente JJ não fez esse disparate. Enfim, em 5 oportunidades marca 3... como já tinha falhado 2 na primeira parte, não surpreendeu o que fez na segunda.

4. "Jesus tem muito Sporting dentro dele"

Quem ouviu as declarações no final do jogo não pode duvidar disto: fosse outro o adversário e JJ certamente teria abordado o massacre futebolístico que ontem aconteceu em Alvalade. Não o fez, apontando melhorias onde elas não são assim tão visíveis, deixando uma mensagem de esperança para o futuro e tratando sempre o Sporting com o respeito que este vem fazendo por não merecer. Foi um cavalheiro e um grande sportinguista. Não o esquecerei.

5. "E Franky estragou o impossível"

Sem retirar o mérito do Benfica, permitam-me dizer que na segunda parte o Sporting não ofereceu resistência absolutamente nenhuma. Porque uma equipa que não tem bola e só pressiona a meio do seu meio-campo não desgasta o adversário. Uma equipa que não sai a jogar não preocupa os elementos defensivos do adversário. Uma equipa ineficaz nas bolas paradas faz o adversário não ter medo de meter o pé. Mas, apesar de tudo isto, e da desorganização defensiva, da falta de classe de alguns jogadores e dos disparates individuais de alguns outros (vão conseguir estragar André Carrillo, o único jogador acima da média deste plantel), o impossível (ganhar o jogo) foi parecendo possível (improvável, mas possível). E não ficou mais perto de se transformar em realidade porque Vercauteren ontem falhou redondamente. As substituições óbvias não saíram, um Capel esgotado desde o minuto 50 (jogou 90 minutos na 6ª feira com o Videoton) ficou em campo até ao minuto 86, um Pranjic sem velocidade nem capacidade de pressão jogou o jogo todo e Izmailov entrou ao minuto 86 depois do 1-3 (!!). Um desastre total a intervenção do belga a partir do banco. Isto para não referir que se insiste com Viola, a quem a equipa B faria tanta falta, para deixar um Labyad que meia Europa queria a ver a mediocridade a saltitar dentro de campo... Tudo mal. Claro que se tivesse feito tudo bem teríamos, provavelmente, perdido de qualquer maneira. Mas pelo menos tínhamos dado luta.

6. "Isto não é o Sporting"

Estava 1-0 e começou a segunda parte. Rui Patrício tenta por 3 vezes colocar a bola em Eric Dier. Por 3 vezes a bola sai fora e o Benfica volta a carregar. O Sporting não conseguia trocar 2 - dois! - passes seguidos. Viro-me para o meu pai (com quem tenho o imenso prazer de partilhar os jogos ao vivo, em Alvalade) e digo-lhe "isto não é o Sporting". Não é, desculpem mas não é. Se calhar o Benfica virava mais cedo o resultado, mas eu preferia ter tentado jogar. Assim, desculpem, mas não vamos a lado nenhum.

7. "Será que é tempo de ir novamente a eleições?"

Não. Ou melhor, só por causa de uma derrota com o Benfica, não. Pela inexistência de uma estratégia desportiva, sim. Ela existe? Se existe, não se vê. Se não se vê, ou está mal explicada ou não existe mesmo. Em Janeiro, esta direção tem a última oportunidade de explicar a sua estratégia, caso ela exista. Vamos ver.

PS: Nem vou abordar a atitude abúlica e o abaixamento de braços após o golo do empate. Porque estes jogadores não o merecem. Estes jogadores mereciam que, do banco, houvesse um sinal claro, uma mensagem forte, de que tinham que fazer algo de diferente. Nada. Rigorosamente nada. Uma tristeza. Temos um presidente incapaz, um treinador passivo e jogadores completamente desmotivados. Vamos lutar pelo 6º ou 7º lugar, no melhor dos cenários. Se isto não é bater no fundo, não sei o que será...

07/12/2012

Nem assim...

O Barcelona ofereceu-se ao Benfica. Assim, como uma cheerleader que fortemente alcoolizada depois de uma noite de festa e com o discernimento claramente afectado, se decide trancar no quarto de sua própria casa com um dos jogadores da equipa de basket. Só que desta vez, não é o capitão nem um dos seus melhores amigos que consegue tal prémio, é apenas um dos que não costuma participar nos grandes jogos a que toda a escola assiste nas bancadas. Pouco habituado a estar com as miúdas mais apetecíveis da escola, ao estar ali, num quarto à meia luz com a principal cheerleader já com a sua camisola de futebol como única peça de roupa, num cenário e em circunstâncias quase impossíveis de se voltarem a repetir, sucumbe à pressão e não consegue... fazer o GOLO (reparem como podia ter dito, numa perfeita analogia, "metê-la lá dentro", mas acabei por resistir à tentação).

Basicamente foi isto. Era o todo poderoso Barcelona, com a equipa mais acessível que se podia imaginar, e mesmo assim, o Benfica não foi capaz de sequer marcar um golo. As oportunidades nem foram poucas mas a falta de estofo de uma equipa pouco habituada a grandes vitórias (também perceptível nos momentos-chave das competições internas), fez com que, mesmo quando tinha tudo para marcar um golo fácil, o nome do adversário, o nome do estádio ou as vezes que colocou aquela equipa num pedestal, simplesmente não saíssem da cabeça e se tornassem num bloqueio intransponível. Por compromissos que não consegui adiar, só vi a primeira parte mas foi o suficiente para quase entrar em colapso ao ver o falhanço do Rodrigo quando tinha o Nolito ao lado ou Ola John a fazer tudo bem e depois falhar o mais fácil. 


Era uma oportunidade de ouro, eram milhões de euros que estavam ali para agarrar e aproveitar para fortalecer a equipa para o campeonato (que bem precisa) e foram escandalosamente desperdiçados. Era perfeito. Depois podíamos ser rapidamente eliminados e concentrar todas as forças na Taça de Portugal e Campeonato. Sim, porque depois da eliminação do Porto, o Benfica não pode falhar uma vez mais o Jamor e a conquista deste troféu que já nos foge há muitos anos. Para ainda tornar a noite mais irritante, soube depois que o Celtic venceu através de um penalty muito duvidoso já perto do final do jogo. Há noites assim...

Do que vi:
- Ola John continua a ser o elemento mais em evidência. Pena a perdida na cara de Pinto;
- Rodrigo está a precisar urgentemente de marcar em dois ou três jogos seguidos para ver se limpa a cabeça de vez;
- André Gomes, tendo em conta a idade e experiência, esteve muito bem. Estou na dúvida se a qualidade técnica que evidencia será suficiente para compensar o facto de ser algo lento mas está a entrar bem na equipa;
- Percebi a opção de Jesus ao querer aproveitar a motivação extra de Nolito, mas era jogo para tentar, mesmo com poucas esperanças, que Gaitán fizesse o devido uso da sua qualidade e velocidade;

Quanto ao resto, uma questão: alguém percebe porque é que Miguel Rosa, com tão poucos médios disponíveis, não tem uma oportunidade? Melhor jogador da Segunda Liga, golos atrás de golos, raça e fica apenas a ver os colegas a subirem à equipa principal? Será que é por ser tão parecido, tanto fisicamente como a jogar, com Nolito? Não percebo... Assim como não percebo as declarações de Jesus no final. "Fizemos em Camp Nou o que mais nenhum equipa foi capaz de fazer"?! Somos todos parvos?

Só espero que Jesus não desgaste a equipa na Liga Europa atrás de um qualquer sonho europeu ou promessa eleitoral. 

Segunda, vamos ao que interessa!



03/12/2012

Quando falta uma semana para o derby...

... confesso que fico espantado, enquanto sportinguista, ao ver as reações dos adeptos do Benfica. No bom e no mau sentido.

No bom sentido:

Fico espantado, mas de certa forma aliviado, por perceber que o nosso emblema é desrespeitado por muitos, mas não pelos nossos rivais. Os nossos rivais, por um lado, conhecem a nossa grandeza (como nós conhecemos a deles) e, por outro, percebem aquilo que eu já aqui disse por diversas vezes: num derby tudo pode acontecer. E percebem também que por muito que um momento seja mau (e o futebol é o momento) esse momento é precedido de outro momento e imediatamente substituído por um diferente (ou não). Percebem também que, à imagem dos últimos anos (talvez não tanto no ano passado), a pressão está toda do lado deles. Ninguém ficará chocado se o Benfica ganhar por 2 ou 3. Será certamente chocante se o jogo acabar 3-0 ou 3-1 a favor do Sporting (muito pouco provável mas, ainda assim, possível porque em futebol tudo pode acontecer). Por outro lado, aqueles adeptos rivais que já não se ouviam há muito tempo (vamos chamar-lhes os "chatos" por oposição aos "civilizados") com o aproximar do derby voltaram a fazer-se ouvir. Não digo que tivesse saudades dos chatos, e confesso que prefiro discutir bola com os civilizados, mas como dizia um consócio sportinguista (e grande amigo) há uns tempos, com uma certa dose de ironia, "o maior sinal de que estamos em crise é que os adeptos do Benfica já nem gozam connosco". De certa forma, o reaparecimento dos chatos por alturas do derby demonstra que eles não têm a vitória por segura. E isso, enquanto sinal de respeito, é positivo.

No mau sentido:

Fico espantado, e até chocado, por perceber que estes sinais de respeito vêm mais facilmente dos adeptos rivais do que de nós próprios (o que também é mau noutro sentido: se prevalecesse a sobranceria, isso poderia eventualmente jogar a nosso favor). E contra mim falo: tenho dito aos civilizados que se o Benfica estiver a 100%, não temos hipótese nenhuma (quanto aos chatos, nem lhes respondo - uma boa lição que esta crise me ensinou foi a de não alimentar a ladaínha dos chatos). Pois isso terá que acabar aqui. Temos MESMO que acreditar que é possível ganhar ao Benfica. Temos MESMO que preferir levar o balde de água fria do que escrever para o "Eu bem dizia". Temos MESMO que pensar que, nestes 10 dias, Vercauteren terá conseguido o milagre de organizar devidamente a equipa para defrontar aquele que é, para nós, o mais temível dos adversários em Alvalade (o inverso também é verdadeiro mas em menor medida). É claro que quando sabemos que num jogo de solidariedade contra a seleção do Algarve estávamos a perder 0-1 ao intervalo, começamos a pensar que a organização defensiva ainda está longe da capacidade necessária para segurar o Benfica de Jesus. No entanto, temos que acreditar que a motivação, o estádio cheio e o prestígio do clube falarão mais alto. Tem que ser assim.

Reparem que isto é só a perspetiva do sportinguista, nada mais. Poderia estar aqui a dissertar sobre o que os adeptos do Benfica pensam sobre a própria equipa, mas neste momento não é esse o objetivo. Acho que eles julgam a equipa (e, principalmente, o treinador) de forma demasiado severa. Eu pessoalmente acho que dos nossos só dois lá teriam lugar (no 11 inicial): Insua e Carrillo. Nos restantes, sem dizer se os nossos são bons ou maus, acho que os deles ou são melhores (Maxi, Cardozo, Luisão, Garay) ou estão a um nível semelhante que não justificaria a troca (Patrício vs Artur, por exemplo). Mas tudo bem: o ano passado já era assim mais coisa menos coisa e conseguimos ganhar. Não depende do valor dos jogadores mas de O-R-G-A-N-I-Z-A-Ç-Ã-O.

* - Só para terem uma pequena noção do que digo, em termos estatísticos, em cada 100 jogos em Alvalade para o campeonato o Benfica ganha 37, ao passo que o Porto não ganha mais do que 19 (metade, portanto). Invertendo os papéis, o Sporting em cada 100 jogos no Dragão para o campeonato ganha 16 (relativamente equilibrado) e na Luz ganha 18 (tantos quanto o Porto). Outra nota: se porventura o Benfica ganhasse em Alvalade nos próximos 3 anos, teria tantas vitórias em Alvalade para o campeonato quanto o Sporting... o que não pode evidentemente acontecer. A começar já na segunda-feira, estes jogadores têm que perceber definitivamente que o prestígio começa a estar em causa.