23/11/2012

Começam a faltar as forças...

... para escrever após as derrotas. E olhem que têm sido muitas. Nunca tinha visto nada como isto e, ao primeiro sinal de esperança, volta tudo ao caos. Nunca, mas nunca mesmo, me deparei com algo tão mau. E nunca, mas nunca mesmo, pensei que isto pudesse correr assim este ano. Sinceramente, e quem me lê sabe o que digo, até elogiei a construção do plantel, considerando que estávamos em desinvestimento. E continuo a acreditar que este plantel não é tão mau quanto o pintam. Mas Sá Pinto, pelos vistos, deixou a equipa próxima do descalabro... Quando me lembro que Paulo Sérgio, na Liga Europa, ganhou duas vezes ao Lille e quanto aos restantes adversários (uns belgas e uns búlgaros) goleou em casa e perdeu fora rodando praticamente toda a equipa, confesso que começo a ter saudades!

O título do meu anterior post era "regresso às vitórias, à organização e... à sorte". Ontem voltámos às derrotas (contra uma equipa vulgaríssima), à desorganização (quer a defender quer a atacar) e nem sequer nos podemos queixar de falta de sorte. Tivemos, nos momentos certos do jogo, a oportunidade de darmos a volta aos acontecimentos e nunca aproveitámos (em particular a oportunidade clara de Wolfswinkel após golo do Basileia e a expulsão do jogador do Basileia na segunda parte ainda com 0-1).

Embora seja claro pelo histórico dos meus posts que considero o Sporting um clube autofágico em que responsabilizar jogadores e treinadores é redutor e simboliza, de certa forma, aquela imagem de ver a árvore e esquecer a floresta, não posso deixar de apontar a Vercauteren algumas falhas que considero inacreditáveis:

1. A primeira, e mais importante de todas, a de ter ido passear à Bélgica em busca de um adjunto quando tinha uma oportunidade única de fazer uma mini-pré-época nestes 15 dias. Podia-se ter trabalhado a doer, melhorado o que havia a melhorar, corrigir o que havia a corrigir, de forma a apresentar um sinal positivo de evolução relativamente à primeira parte com o Braga (que, não sendo fantástica, foi razoável).

2. A segunda, deixar Carrillo no banco. Numa equipa que não funciona, o peruano é o único com capacidade para dar um abanão através da iniciativa individual, como aliás ontem se viu por duas vezes. O lateral esquerdo do Basileia era um buraco maior do que o da camada do ozono e Labyad só por uma vez o ultrapassou. Carrillo foi fazendo dele o que quis e, houvesse um pinguinho de jogo coletivo (que não houve), alguém teria aparecido para ajudar ou dar maior presença na área.

3. A terceira, muito preocupante, a total inabilidade nas substituições. Eu tinha dito aqui que Vercauteren substituía bem, mas tarde, ontem substituíu muito tarde e muito mal. Desde logo, a perder 0-1 ao intervalo, com uma exibição próxima do miserável, não mexe na equipa (!). Depois, após a expulsão do jogador do Basileia, e a perder precisando de ganhar, substitui Labyad por Carrillo, ou seja, homem por homem (!!). Por fim, tira Gelson para fazer entrar Betinho, um ponta-de-lança notoriamente verde, que se vai escondendo do jogo nitidamente por falta de experiência e mantendo um desastrado Pranjic em campo durante os 90 minutos (!!!).

4. Por fim, não usa a terceira substituição num jogo em que certamente qualquer treinador teria vontade de substituir 8 ou 9 dos que entraram de início.

Valham as declarações no fim do jogo. Independentemente da leitura do jogo, que ontem foi péssima, parece-me que estas declarações poderão representar um grito do Ipiranga do próprio Vercauteren. Esteve demasiado preso ao que vinha de trás, quando o que precisávamos era de um recomeço. Pensando agora melhor, pergunto-me se não teria sido preferível jogar mal e empatar com o Braga em casa para que Vercauteren não tivesse ganho o balão de oxigénio que lhe permitiu ir à Bélgica levar negas de adjuntos de 5ª categoria. Teria talvez acordado para a realidade nesse Domingo e trabalhado de forma diferente nestes 15 dias. Agora terá que fazê-lo em competição...

Mas já estou a especular, o que não adianta nada. A única coisa que adianta é treinar o posicionamento dos jogadores de forma intensa, e rezar muito para que Carrillo e/ou Capel vão fazendo pela vida lá na frente.

Até lá, eu, que sempre defendi que Godinho Lopes deve cumprir o mandato até ao fim, começo a perguntar-me se não vai sendo tempo de dar um abanão ainda mais forte. Não sei se é através de eleições ou não, mas algo tem que mudar radicalmente. É que, a jogar assim, e não estou a ser irónico, o Sporting não acaba acima do 10º lugar. Isto não é exagero. É a verdade.  Dura, mas a verdade.

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