28/11/2012

Várias coisas que não percebo

Uma vez que me falta imaginação para escrever algo de jeito sobre o jogo de segunda-feira com o Moreirense, optei por enumerar algumas coisas que não percebo.

Ei-las:

1. Não percebo porque só ao intervalo a equipa do Sporting percebe que tem que (re)agir (e isto já vem, pelo menos, do Paulo Bento). Começam a ficar famosos os "45 minutos de avanço à Sporting". Em Moreira, ficámos ali, estáticos, a ver um rapaz de nome Paulinho experimentar por duas vezes um cruzamento rasteiro nas costas da defesa. Dois golos em 4 ou 5 minutos, foi o resultado da brincadeira.

2. Não percebo porque é que a defesa do Sporting não consegue formar uma linha. Já nem discuto os temas que dividem os craques do comentário futeboleiro: se a linha devia estar junto da área, a meio do meio campo, em cima da própria linha de meio-campo ou fora do estádio. Nem chego aí! Pergunto só porque é que há sempre, mas sempre, alguém que está mais atrás. E isto não serve para culpar o Dier, o Rojo, o Xandão ou o Insua. É a desorganização de tudo aquilo que está em causa.

3. Não percebo porque é que Pranjic, que eu próprio defendi que deveria ser titular, merece tantas oportunidades para passar ao lado do jogo. Se Izmailov não está em condições, porque não Labyad, num registo mais próximo do 4-2-1-3 (ou 4-2-3-1, as you wish), a jogar entre o meio-campo e Wolfswinkel? Porque não André Martins, que com a chegada de Vercauteren parece ter voltado a ser sujeito de preconceito, talvez devido ao seu físico?

4. Não percebo porque é que os adeptos do Sporting continuam a fazer apreciações abstratas dos jogadores ignorando a desorganização coletiva. Se o Marcos Rojo jogasse assim na equipa do Porto ou do Benfica, seria o primeiro a apontá-lo como um grande barrete. Mas o Marcos Rojo joga assim no mais caótico e desorganizado Sporting de que há memória. Na realidade, o que eles queriam era que o Marcos Rojo salvasse aquilo tudo. Cortasse cá atrás como um Baresi, conduzisse como um Zanetti, abrisse com um passe à Pirlo, se desmarcasse qual Inzaghi e finalizasse como um Jardel. Mas, meus caros, percebam que aos 22 anos não é assim tão fácil.
E há outros...
(i) o Xandão, não sendo fantástico, o ano passado foi cumprindo - este ano já é pior que qualquer Merdílson contratado para a II Liga;
(ii) o Cedric o ano passado era o melhor lateral português a jogar no campeonato ("como é que dispensámos este gajo para ficar com o João Pereira, Godinho já para a rua") - este ano já não serve ("fónix Godinho, vender o João Pereira para levar com este gajo?");
(iii) já quanto ao Wolfswinkel, de promissor a zero à esquerda foi um ápice;
(iv) o Carrillo (que tinha lugar em qualquer dos nossos adversários, na minha opinião) de grande promessa a puto estúpido foi um saltinho;
(v) o Labyad passou de "grande golpada ao Benfas, hein!" para "fédrix, troca lá este gajo pelo Djaló".

A sério: ACORDEM!!! É impossível julgar estes jogadores no meio do caos em que os meteram!

5. Não percebo porque é que o Dr. Barroso e o eloquente ROC (principalmente estes) não se calam ou não são calados. Lamentáveis as suas intervenções, para dizer o mínimo.

6. Não percebo porque os adeptos dos outros clubes continuam a assistir aos jogos do Sporting. E isto é totalmente genuíno. Não há aqui qualquer crítica a quem o faz, nem qualquer juízo de valor sobre as intenções, simplesmente não percebo onde está o interesse. E não me venham com o argumento de "gostar de futebol" porque sou o primeiro a reconhecer que o futebol do Sporting é de muito má qualidade. Vou virar o tema ao contrário: o último jogo que vi do Benfica foi o Benfica-Barcelona. E do Porto, que me lembre, não vi um único jogo este ano. Infelizmente, não é o meu campeonato. Acompanho o Benfica através do Gorbyn (e, por vezes, do blog do Galaad) e só não acompanho o Porto através do Zatopek porque ele tem menos textos publicados do que o Postiga golos marcados desde que abrimos a casa...

E cá vamos nós, alegres e confiantes, para o próximo jogo, em que certamente iremos esmagar o adversário que se nos deparar ao caminho. Quem é? O Benfica? Bom, se calhar não vai dar. Se calhar vamos ser inteligentes, aguentar o embate com realismo e esperar pelos seguintes para o esmagamento total. Vão ver.

26/11/2012

Portistas… Batemos no tecto!


Em primeiro lugar gostaria de salientar que ainda não me rendi ao facto de termos um novo acordo ortográfico.

·         Bater no tecto? SIM!!!
Se no ano passado andava preocupado pelas capacidades portistas em encontrar petróleo lá para os lados do bairro das Antas, este ano estou mais tranquilo… Para além de estarmos a jogar um bocadinho melhor, as capacidades geológicas estão mais a sul, pelas bandas de Alvalade, tal é o estrondo com que os resultados e as exibições leoninas batem no fundo.
Mas o que quero dizer com “bater no tecto"??? Quero mesmo dizer que é difícil fazer melhor que isto. A equipa não joga um futebol brilhante mas quando troca bem a bola, com critério nos passes, chega com perigo lá a frente e marca golos fáceis (exemplos mais recentes: Dinamos em casa e Nacional e Estoril fora).
Por outro lado,esta equipa gere muito mal o ritmo de jogo, com entradas fortes mas adormecendo quando se encontra em posição vencedora. Nestes casos o resultado mais comum é mesmo a perda escusada de pontos fáceis (exemplos recentes: Rio Ave onde correu mesmo mal; Sporting onde quase corria mal e Braga onde correu bem demais!)
E por fim, quando não jogamos mais do que os outros e parece que nada sai de brilhante... temos um golinho marcado com um ressalto…
Não podia correr melhor, batemos mesmo no tecto! (se está a ler este paragrafo e a perguntar “ENTÃO E O PENALTY???” salte já para o ponto 4)
  
·         As mesmas substituições: Defour – Atsu – Kleber
Já nem sei o que dizer… Atsu check; Defour Check???; Kleber CIAO!!!!

Apesar das alterações normalmente não mudarem em nada o esquema base do Porto e a equipa não se ressentir em termos de ritmo de jogo, estas substituições cansam… Terá o Porto melhores jogadores para colocar em campo? Não sei… o VP não deixa!

·         A pontinha de Sorte por JJ

Nos dias difíceis de hoje, estas capacidades de JJ não são de enjeitar, tem futuro garantido nas páginas de classificados do Correio da Manhã ou como comentador nas Tardes da Júlia. 

Na verdade ninguém pode negar que há um penalty claro por marcar a favor do Braga e que os dois golos têm a colaboração da defesa dos minhotos, mas o que JJ não percebeu é que com a capacidade explosiva de Jackson e a clarividência de James e Moutinho a sorte é definitivamente “uma cena que nos assiste”.

  •         Resumindo e baralhando
Jogo simpático para o Porto onde o empate seria o mais justo… Se bem que a equipa do José “Estive Quase” Peseiro passou maior parte do tempo a olhar para a bola a espera de um erro e de um lance de contra ataque. Podia ter resultado mas não resultou. Era um jogo que estava a pedir um golito mais cedo e o penalty que ficou por marcar podia ter dado essa alegria ao jogo.

Era importante não descolar do Benfica nesta fase para poder ver o jogo da 2ª Circular com calma. Com sorte ou não... Objectivo cumprido!


Recomendações musicais para a semana: Fun Lovin Criminals: 100% Colombian


Excelente álbum dos nova iorquinos que surpreenderam o panorama musical com ritmos de hip hop, rock, funk, blues e jazz. No nosso caso estamos numa de 50% Colombian, pois 20 dos 40 golos oficiais do FC Porto saíram do trabalho de James e Jackson. Bom trabalho miúdos!
Por razões pessoais recomendo a música : Korean Bodega J


 Editado 2 horas depois para corrigir o nome do treinador do Braga... As minhas desculpas ao Paulo Sérgio... Não volto a escrever sob o efeito do alcool ou a ver o Sporting ;) Thanks Gorbyn

Vitória natural

Com Jesus a continuar uma saudável rotação dos avançados e com Carlos Martins a voltar e a permitir o descanso a Pérez, o Benfica recebeu o Olhanense e naturalmente venceu. De resto, não há grande história. O Benfica entrou muito forte e com vontade de resolver o jogo rapidamente, já que um jogo a meio da semana para a Champions faz sempre mossa. Não aproveitou as inúmeras oportunidades que criou na fase inicial mas através de um penalty, talvez um pouco forçado, lá se adiantou no marcador e depois só por volta dos 70 minutos é que chegou ao golo do descanso. Mesmo com uma segunda parte em ritmo bastante lento, o desperdício não deixou de imperar.



Se na última jornada disse que era importantíssimo ganhar mesmo quando não se joga bem, também considero que, em jogos em que a superioridade é por demais evidente, não vale a pena tentar colocar o rolo compressor em movimento. Basta chegar rapidamente a uma vantagem confortável, gerir o esforço e aproveitar para rodar a equipa. Não é o que os adeptos mais gostam mas é um mal necessário para se chegar forte aos jogos mais complicados e não perder o fôlego até ao final da época. Neste jogo só deu Benfica pelo que a vitória foi mais que natural.

Algumas notas:
- Rodrigo está a precisar urgentemente uma boa dose de confiança. Percebe-se que se está a deixar afectar por uma grande ansiedade e assim teima em voltar ao alto nível que chegámos a ver na época passada. Começou muito bem a partida mas logo as perdas de bola começaram a surgir e depois praticamente desapareceu do jogo;
- Matic continuou com as boas exibições;
- Salvio desperdiçou demasiadas oportunidades;
- Ola John continua a colocar um sorriso nos adeptos;
- Melgarejo está bastante melhor mas continua a não me convencer. Na verdade irrita-me grande parte das acções que tem em campo, desde as movimentações ofensivas e passes a queimar, até à moda das mangas com buracos para os polegares.
- Gostava de ver mais duas variantes nas opções de Jesus: Rodrigo com Lima mas com o espanhol a jogar mais adiantado e Matic, Carlos Martins e Enzo a jogar com apenas um avançado.


A seguir, para o campeonato, uma difícil e importantíssima deslocação a Alvalade contra um Sporting ferido (e de que forma!) no orgulho.


23/11/2012

Começam a faltar as forças...

... para escrever após as derrotas. E olhem que têm sido muitas. Nunca tinha visto nada como isto e, ao primeiro sinal de esperança, volta tudo ao caos. Nunca, mas nunca mesmo, me deparei com algo tão mau. E nunca, mas nunca mesmo, pensei que isto pudesse correr assim este ano. Sinceramente, e quem me lê sabe o que digo, até elogiei a construção do plantel, considerando que estávamos em desinvestimento. E continuo a acreditar que este plantel não é tão mau quanto o pintam. Mas Sá Pinto, pelos vistos, deixou a equipa próxima do descalabro... Quando me lembro que Paulo Sérgio, na Liga Europa, ganhou duas vezes ao Lille e quanto aos restantes adversários (uns belgas e uns búlgaros) goleou em casa e perdeu fora rodando praticamente toda a equipa, confesso que começo a ter saudades!

O título do meu anterior post era "regresso às vitórias, à organização e... à sorte". Ontem voltámos às derrotas (contra uma equipa vulgaríssima), à desorganização (quer a defender quer a atacar) e nem sequer nos podemos queixar de falta de sorte. Tivemos, nos momentos certos do jogo, a oportunidade de darmos a volta aos acontecimentos e nunca aproveitámos (em particular a oportunidade clara de Wolfswinkel após golo do Basileia e a expulsão do jogador do Basileia na segunda parte ainda com 0-1).

Embora seja claro pelo histórico dos meus posts que considero o Sporting um clube autofágico em que responsabilizar jogadores e treinadores é redutor e simboliza, de certa forma, aquela imagem de ver a árvore e esquecer a floresta, não posso deixar de apontar a Vercauteren algumas falhas que considero inacreditáveis:

1. A primeira, e mais importante de todas, a de ter ido passear à Bélgica em busca de um adjunto quando tinha uma oportunidade única de fazer uma mini-pré-época nestes 15 dias. Podia-se ter trabalhado a doer, melhorado o que havia a melhorar, corrigir o que havia a corrigir, de forma a apresentar um sinal positivo de evolução relativamente à primeira parte com o Braga (que, não sendo fantástica, foi razoável).

2. A segunda, deixar Carrillo no banco. Numa equipa que não funciona, o peruano é o único com capacidade para dar um abanão através da iniciativa individual, como aliás ontem se viu por duas vezes. O lateral esquerdo do Basileia era um buraco maior do que o da camada do ozono e Labyad só por uma vez o ultrapassou. Carrillo foi fazendo dele o que quis e, houvesse um pinguinho de jogo coletivo (que não houve), alguém teria aparecido para ajudar ou dar maior presença na área.

3. A terceira, muito preocupante, a total inabilidade nas substituições. Eu tinha dito aqui que Vercauteren substituía bem, mas tarde, ontem substituíu muito tarde e muito mal. Desde logo, a perder 0-1 ao intervalo, com uma exibição próxima do miserável, não mexe na equipa (!). Depois, após a expulsão do jogador do Basileia, e a perder precisando de ganhar, substitui Labyad por Carrillo, ou seja, homem por homem (!!). Por fim, tira Gelson para fazer entrar Betinho, um ponta-de-lança notoriamente verde, que se vai escondendo do jogo nitidamente por falta de experiência e mantendo um desastrado Pranjic em campo durante os 90 minutos (!!!).

4. Por fim, não usa a terceira substituição num jogo em que certamente qualquer treinador teria vontade de substituir 8 ou 9 dos que entraram de início.

Valham as declarações no fim do jogo. Independentemente da leitura do jogo, que ontem foi péssima, parece-me que estas declarações poderão representar um grito do Ipiranga do próprio Vercauteren. Esteve demasiado preso ao que vinha de trás, quando o que precisávamos era de um recomeço. Pensando agora melhor, pergunto-me se não teria sido preferível jogar mal e empatar com o Braga em casa para que Vercauteren não tivesse ganho o balão de oxigénio que lhe permitiu ir à Bélgica levar negas de adjuntos de 5ª categoria. Teria talvez acordado para a realidade nesse Domingo e trabalhado de forma diferente nestes 15 dias. Agora terá que fazê-lo em competição...

Mas já estou a especular, o que não adianta nada. A única coisa que adianta é treinar o posicionamento dos jogadores de forma intensa, e rezar muito para que Carrillo e/ou Capel vão fazendo pela vida lá na frente.

Até lá, eu, que sempre defendi que Godinho Lopes deve cumprir o mandato até ao fim, começo a perguntar-me se não vai sendo tempo de dar um abanão ainda mais forte. Não sei se é através de eleições ou não, mas algo tem que mudar radicalmente. É que, a jogar assim, e não estou a ser irónico, o Sporting não acaba acima do 10º lugar. Isto não é exagero. É a verdade.  Dura, mas a verdade.

21/11/2012

Colocar o Celtic no seu lugar

Quem viu este jogo, apenas se pode perguntar como é que esta equipa do Celtic venceu em Moscovo, quase empatou em Nou Camp e derrotou o Barcelona em casa. O Benfica dominou, criou oportunidades, falhou muitos golos, acertou no ferro, proporcionou grandes defesas a Forster e viu defesas a evitar o golo em cima da linha. Não foi um super Benfica mas foi competente, objectivo, a jogar ao ataque e chegou mesmo a ser empolgante. Confesso que já tinha saudades de uma noite europeia destas, com um Benfica de raça, com muita emoção e com a vitória a sorrir ao Benfica no final.


Pelo meio, ainda demos a borla aos escoceses. A já conhecida e imbecil ideia de considerar que a linha da pequena área serve para fazer uma fila indiana de jogadores encarnados, voltou a causar estragos. Será que Jesus não percebe que simplesmente não funciona, que permite que os adversários saltem à bola sem oposição e que, apesar de Artur não ter feito tudo o que podia, até possibilita que o adversário perturbe a sua acção?! Se estavam bem avisados para o ponto forte do Celtic (e talvez o único), não tinham a lição bem estudada! A verdade é que, depois do empate, o Benfica podia ter chegado à vantagem por várias vezes e depois de o conseguir, o 3-0 esteve muitas vezes à vista. Mesmo assim, ainda deu para um susto no final.

Destaques:
- Artur, apesar de mal batido no golo, esteve sempre bastante seguro e até parecia que a bola  e o relvado molhados não causavam qualquer diferença ao brasileiro;
- André Almeida, surpreendentemente a titular, esteve em bom plano tanto a defesa direito como a trinco. Muito bem para quem tem tão pouca experiência e tão poucas oportunidades a titular;
- se da última vez disse que Garay esteve simplesmente sublime hoje esteve ainda melhor;
- especialmente nas competições europeias, percebe-se como Luisão faz falta;
- Ola John continua a subir de jogo para jogo. Está imparável;
- Lima continua em grande. Para além o trabalho dos alas, era através dele que o Benfica conseguia os principais desequilíbrios;
- Gaitán simplesmente horrível. Que desperdício de talento...


O cenário para a última jornada não é o melhor mas ainda tudo é possível. Uma eventual gestão do esforço dos catalães seria uma boa ajuda caso Messi não esteja obcecado com o record de golos num ano. Uma ajuda dos russos também era muito bem vinda. 


12/11/2012

Regresso às vitórias, à organização e... à sorte


Era fundamental o Sporting ganhar ontem e conseguiu-o. Com dificuldades, é verdade, mas também com mérito e, convém dizê-lo, alguma da sorte que vinha faltando. Mas quase tão importante como a vitória era demonstrar algo que pouco se tinha visto este ano: organização. E também isso o Sporting conseguiu, principalmente na primeira parte.

Mas vamos só voltar um pouco atrás para perceber onde pode ter "começado" esta vitória...

Nunca quis neste blog dar excessiva importância às declarações de adeptos, dirigentes e profissionais do Sporting de Braga relativamente ao tema "três grandes". E nunca o quis fazer porque simplesmente acho o tema imbecil.

Na realidade, só há duas formas de classificar a grandeza dos clubes: dimensão social e títulos. O resto é conversa. Evidentemente que o que interessa em cada momento é o resultado do jogo anterior, da jornada anterior, do campeonato anterior. E que a alegria ou tristeza no futebol tem a ver com esse momento. Mas uma classificação de "grande clube" só pode resultar de um dos dois fatores que referi. Caso contrário, ter-se-ia colocado em causa a grandeza do Benfica, que não deixo de reconhecer ser o que maior dimensão social e número de títulos tem, só porque em 3 ou 4 anos, entre o final do século passado e início deste, ficara atrás do Boavista. Não faz sentido.

Assim, se pegarmos na dimensão social, eu diria que temos dois grandes clubes com verdadeira implantação nacional (não deixando de reconhecer que o Benfica tem mais adeptos do que o Sporting) e um grande clube com uma implantação mais localizada em certas regiões do país (o FCPorto). Depois temos fenómenos como os Vitórias, com forte implantação nas respetivas cidades, ou o Marítimo que é forte na Madeira. E ainda o Belenenses, que ainda tem bastantes adeptos, quase todos eles muito desanimados com o que foram os último 30/35 anos da vida do clube. E talvez a Académica com os seus adeptos "sazonais", ou seja, os que se apaixonam pela Briosa durante a universidade. Só depois destes oito surgiria o Braga, como 9ª potência a nível nacional.

Em termos de títulos, temos os 3 grandes, os únicos que não se limitaram a conquistar títulos episodicamente. A seguir a estes, surgem o Boavista e Belenenses, porque além das diversas Taças que conquistaram, conseguiram ser campeões. E depois destes temos o Vitória de Setúbal e a Académica, que conquistaram mais do que uma vez a Taça de Portugal (e o primeiro ainda tem uma Taça da Liga). Em termos de títulos, o Braga está ao nível do Beira-Mar, do Estrela da Amadora e do Leixões, ou seja, ex-aequo em 6º lugar.

Em suma, a discussão não faz sentido e não vou gastar com ela mais do que os 4 parágrafos que já escrevi. E compete aos sportinguistas, com elevação e inteligência, não cair na tentação de rebater os do Braga com o nosso historial quando basta, para o efeito, utilizar o historial do Vitória de Setúbal. Elevação e inteligência que teve, a meu ver, Godinho Lopes, ao "obrigar" António Salvador a uma visita ao museu do Sporting, assim colocando as coisas no devido patamar sem entrar em bocas desnecessárias.

Mas deixemo-nos de fight-divers, como diria o caro consócio Telmo, e passemos ao que é importante: o Sporting voltou a ganhar.

E voltou a ganhar porque Vercauteren conseguiu em 15 dias dar um pouco de organização defensiva à equipa quando ataca. Isto mesmo: organização defensiva quando a equipa ataca. 80% dos golos que o Sporting sofria eram resultantes de perdas de bola no meio-campo ou ataque que se transformavam em auto-estradas para os adversários. Ontem, a equipa estava organizada e, na primeira parte, de que me recorde, só por uma vez uma perda de bola no ataque deu origem a um lance de perigo do Braga. Isto foi absolutamente decisivo.

Não decisivo (ontem) mas igualmente importante foi a organização ofensiva da equipa. Ainda houve muito charuto pelo ar, mas construíram-se ontem mais jogadas de envolvimento entre os vários setores da equipa, sem recurso a iniciativas individuais, do que em todo o resto do campeonato. Ontem o Sporting falhou, talvez pela primeira vez este ano, aquilo que verdadeiramente são ocasiões flagrantes de golo, ou seja, aquelas em que um jogador nosso aparece isolado à frente do GR adversário. E falhou-as por 3 vezes: Wolfswinkel (o tal que não presta para nada mas deve levar mais de metade dos golos da equipa), Elias e Capel.

Ainda não decisivo foi o principal fator que ainda falta melhorar: a gestão da vantagem. O Sporting recuou em demasia e a partir do momento em que Eric Dier (boa estreia) ficou amarelado, passou a dar muito espaço ao lado esquerdo do ataque do Braga, sem que ninguém ali compensasse e sem que Vercauteren reagisse. Aliás, sobre Vercauteren, convém dizer que as primeiras impressões são quase todas elas positivas, mas há um aspeto de que já me apercebi que me vai irritar particularmente: demora muito tempo a reagir no banco. Até agora, não mudaria uma só das substituições que fez desde que chegou (concordei com todas a 100%), mas o timing pode vir a ser decisivo no futuro.

Finalmente, o tema da sorte. Além das grandes exibições de Patrício, Elias, Capel e Wolfswinkel, o Sporting contou também com uma pontinha de sorte que vinha faltando. Quer o golo anulado (no meio da confusão, se Proença não visse a falta seria relativamente aceitável) quer a bola ao poste no último minuto são lances em que os deuses finalmente estiveram com o Sporting. Convenhamos que já o merecíamos...

Retomando, por fim, a lógica do último post de que temos que ir construindo a equipa jogador a jogador, queria dizer que se contarmos com Insua, Xandão e Rojo ao nível que revelaram ontem; se Adrien (por exemplo) puder ter uma oportunidade ao lado de Elias; se Carrillo regressar à melhor forma; se Pranjic debelar definitivamente a lesão e puder ser o verdadeiro motor da equipa... podemos mesmo fazer uma equipa engraçada e competitiva. Falta o lateral direito, eu continuaria a apostar (e fazer evoluir) Cedric. Tem que ser assim num clube formador. Mas convém que daquele lado lhe seja dado o apoio que ontem também foi faltando, nos últimos 10/15 minutos, a Eric Dier...

Chegam agora os 15 dias mais importante da época. Os 15 dias em que, após uma vitória (sobre uma equipa de qualidade acima da média, diga-se), Vercauteren poderá finalmente trabalhar com calma e com jogadores confiantes. É bom que o próximo jogo seja daqui a 15 dias e é também bom que seja contra o Moreirense, que ainda recentemente nos derrotou. Ter a capacidade de perceber o que correu mal nesse jogo é meio caminho andado para a vitória.

Depois... bem, depois vem o derby, que é sempre jogo de tripla. Encará-lo com confiança será sempre melhor do que a medo.

PS: Agora que Elias está na melhor fase desde que chegou ao Sporting, fala-se na sua saída para o Anzhi, da Rússia. Se for bem vendido, não me oponho, obviamente. Mas tem sido decisivo no meio-campo. Vejo Adrien como substituto natural e vejo em Vercauteren um treinador que, caso seja necessário, poderá também recorrer à equipa B. Por isso mesmo, se Elias continuar a jogar assim, ficarei obviamente com pena que saia. Mas ficaria com muito mais pena se insistíssemos no erro de viver acima das nossas possibilidades quando temos jogadores da casa que podem fazer a posição e uma equipa B recheada de putos com qualidade técnica, formados numa das melhores escolas do mundo, ainda para mais cheios de confiança com a liderança numa liga muito complicada onde, normalmente, quem sobe são os mais experientes. Temos que contar com eles.

Vitória da defesa

Apesar da jogada não ter contado pelo facto da bola ter ultrapassado a linha, este jogo fica marcado por aquela defesa impossível de Artur. Dá para perceber que é daqueles guarda-redes que valem pontos. O Benfica passou o teste contra o Rio Ave, cumpriu o objectivo mas foi muito sofrido. E a razão principal de tanto sofrimento foi o meio-campo fantasma. Uma vitória garantida pelos homens que mais defendem (Matic, Jardel, Garay e Artur) e pela boa forma de Lima.

As dificuldades são imensas. Para além das lacunas já conhecidas ainda se somam castigos recentes e, neste jogo, mais uma lesão (Enzo Pérez) numa zona que tinha já um défice similar ao português e que acabou assim por chegar ao nível da Grécia. Assim, muito podemos agradecer aos elementos mais defensivos:
- Artur muito seguro e a dar a calma necessária à defesa;
- Garay simplesmente sublime. Está ao nível mais alto desde que chegou ao Benfica;
- Jardel muito eficaz e ainda fez a assistência para o golo;
- Matic a fazer mais um grande jogo e a ser o bombeiro de serviço que viu o seu trabalho dificultado por um Bruno César que passou ao lado do jogo, tanto a defender como a atacar;


As adaptações nas laterais não funcionaram, Bruno César não existiu, Salvio foi pouco consequente e Ola John alternou boas jogadas com várias perdas de bola. Melgarejo decide mal praticamente todas as jogadas ofensivas e até tem dificuldade em perceber quando se deve desmarcar pelo que acaba quase sempre por cruzar em esforço ou pressionado pelos defesas adversários. Ao não aproveitar devidamente os contra-ataques, o Benfica poderia ter sofrido o golo do empate. João Tomás falhou um cabeceamento que normalmente não perdoa e noutras jogadas o Rio Ave foi igualmente ineficaz.

É claro que com as condicionantes que já referi, depois de um jogo da Champions, a jogar fora e contra uma boa equipa como o Rio Ave, a tarefa não se previa fácil mas acabou por ser daqueles jogos em que, mesmo não convencendo ou sem justificar plenamente a vitória, ela acabou por sorrir. Num campeonato, este tipo de jogos em que não se joga bem, existem sempre pelo que conseguir ganhá-los revela-se de grande importância. Olhando apenas para campeonato, é fundamental que a equipa volte a contar com jogadores como Pérez, Carlos Martins e Aimar até à deslocação a Alvalade (prevista para 09 Dezembro) pois até lá apenas temos o Olhanense em casa que implica um nível de exigência que permite responder com soluções de recurso.

09/11/2012

Jogador a jogador

Não, não vou fazer uma apreciação jogador a jogador relativamente ao jogo de ontem. O título é "jogador a jogador" porque a reconstrução desta equipa tem que ser feita coletivamente, claro, mas também jogador a jogador. Um por todos, todos por um e... um de cada vez.

Vamos por ora esquecer o detalhe mais importante de todos: a organização coletiva. Vercauteren tem que dar organização a esta equipa, acima de tudo. Ensiná-la a atacar e defender com bola. É isto mesmo: defender com a bola. Como se devem movimentar os jogadores em posse mas, mais importante ainda, como devem estar posicionados os jogadores quando a bola está nossa. Porque um dos nossos grandes problemas é precisamente a perda da bola. Não pela perda em si, mas pela consequência, porque a equipa fica completamente desposicionada.

Mas, como disse, este tema abordarei depois. Vamos ao tal um por um.

Ontem parece-me que "ganhámos" 3 jogadores: Elias, Capel e Gelson. Sim, Gelson, leram bem. Elias e Capel porque fizeram a sua função. Não foram brilhantes mas fizeram o que tinham que fazer e fizeram-no bem. Gelson porque entrou e deu ao meio-campo uma consistência que antes não tinha (mesmo a jogar com menos um). Porque recupera bolas e embora não seja um génio na entrega da bola, na entrega em campo é irrepreensível. Ah! E sabe qual é o sítio dele.

Temos, portanto, 6 jogadores que aparentemente estão em forma, sabem o seu lugar e cumprem com rigor a sua função. Refiro-me aos 3 acima mencionados, mais Patrício, Insua e Wolfswinkel. O primeiro é indiscutível, ainda que ontem, convenhamos, após uma exibição de sonho, tenha sofrido um anormal (nele) golo "à Ricardo". O segundo vai dando um cheirinho do que foi o ano passado. E o terceiro vai cumprindo com a sua função, mesmo com escassas oportunidades e falta de concorrência.

Como dificilmente vamos ter, até ao final da primeira volta, a tal organização coletiva a funcionar em pleno, convirá que estes 6 vão jogando sempre. Quanto aos restantes 5, preocupa-me que 3 deles componham o resto da defesa. Não há muitas opções neste momento devido a lesões, Xandão e Rojo têm que fazer dupla (e párem lá de queimar o argentino que ainda agora chegou, tem 22 anos e um imenso potencial). Na direita, Cedric ou Arias (continuo a dizer que constituiria um upgrade relativamente ao João Pereira, mas a falta de dinâmica e organização coletivas não permitem que eu possa escrever "eu bem dizia"...). Faltam 2. Para mim Carrillo na direita seria indiscutível. O último posto depende da tática de Vercauteren. Em 4x3x3, jogaria Pranjic ou Izmailov, consoante o que esteja disponível. Em 4x4x2 jogaria Labyad a apoiar Wolfswinkel.

E é isto. Falta só dizer que ontem o Genk mereceu o empate pelo que fez após o nosso golo, mas também é verdade que estamos na tal fase em que tudo nos acontece. Não há um rasgo de sorte, não há uma arbitragem que caia para o nosso lado (nem tem que haver, atenção, estou só a dizer que quando alguém leva o 2º amarelo é o nosso jogador e não os outros 3 do Genk que já com amarelo fizeram faltas e não levaram cartão), não há um ressalto sortudo e temos levado golos no fim como já não me lembro de levar (ele foi Marítimo, ele foi Genk fora, ele foi Genk ontem), enfim, a tal lei de Murphy, afinal, não nos larga mesmo.

Eu sei que a sorte se conquista. Mas, por vezes, também cai do céu. Este ano já percebi que ou a conquistamos nós mesmos ou estamos mesmo condenados à pior época da nossa história. Se esperamos por ela, estamos lixados!

Domingo é para ganhar. Desculpem lá, sei que temos estado muito mal, mas ainda somos o Sporting. E se procurarmos mesmo a tal sorte, pode ser que ela desta vez apareça.

08/11/2012

Vitória com sabor amargo

Com todas as limitações que se conheciam, Jesus optou e bem por André Almeida a trinco e apostou e muito bem em Ola John. Quanto a Rodrigo não terá saído tão bem e acredito que, apesar dos golos que Cardozo marcou, que a melhor solução teria sido mesmo o reforço do meio-campo. Foi uma primeira parte bastante fraca, em que o Benfica dominou claramente mas com raras oportunidades de golo. Para além de receberem poucas bolas, a dupla Lima/Rodrigo estava longe de mostrar entrosamento.

Na segunda parte, o Benfica melhorou com a equipa a fazer maior pressão e subindo em bloco no terreno. Lima soltou-se, esteve mais activo e parece dar-se melhor a jogar com um Cardozo a segurar os centrais. E foi com jogadas pelo lado esquerdo que o Benfica fez as jogadas e cruzamentos para os golos de Cardozo. Depois o parguaio voltou a falhar um penalty e com um jogador a mais e reforço do meio-campo pela saída de Lima, só nos últimos finais é que o Benfica soube trocar a bola e fazer o adversário correr. Pelo meio, o puto da Geórgia ia dando um trabalho louco ao lado direito da defesa e chegou a cheirar a golo dos russos. Valeu São Artur e remates com fraca pontaria.



- Artur esteve em altíssimo nível a responder da melhor forma aos poucos mas muito complicados lances em que foi chamado a intervir; 
- Melgarejo fez um jogo muito certinho, parecendo tremer cada vez menos nas funções defensivas. No entanto, precisa urgentemente de aumentar o nível e começar a provocar mais desequilíbrios no ataque como aconteceu no primeiro golo;
- Garay mantém-se à prova de erros;
- Salvio está com dificuldades em voltar ao fulgor que apresentava antes da lesão. Fico até com a ideia que não está completamente recuperado, já que são raras as vezes em que arrisca o sprint;
- André Almeida assumiu as suas funções e cumpriu.
- Ola John está a melhorar a cada jogo e esta foi a partida em que começou a conquistar o terceiro anel. Com o Benfica a ganhar e depois da assistência para o segundo golo, a confiança que adquiriu deu direito a dribles sucessivos e muitos aplausos;
- Cardozo, o normal. Não é vistoso, é lento mas é quem normalmente coloca as bolas dentro da baliza. Também o penalty falhado já começa a ser normal.

Com a vitória inesperada do Celtic, depois da ameaça de empate do jogo anterior, está quase fechada a porta da Champions e a Liga Europa surge como desfecho mais provável. É pena pois seria preferível passar a fase de grupos e cair logo nos oitavos, garantindo um importante encaixe financeiro e consequente reforço da equipa para depois se concentrar no que realmente interessa, do que avançar até uma fase mais adiantada da Liga Europa com o desgaste que tal acarreta.

06/11/2012

Julgamentos precipitados

Lembro-me bem da época em que Luisão chegou à Luz. E lembro-me por uma razão muito simples: tinha um colega de escritório, benfiquista fanático, que me chamou a atenção para o facto de Luisão ter chegado e o Benfica passar a levar golos de toda a maneira e feitio. Ele dizia-me "com o Luisão é chapa 3, vais ver... quando jogarmos com o Sporting, até podemos ganhar mas vamos levar 3 golos".

O jogo na Luz ficou, de facto, 1-3. Foi a estreia dos derbies na nova Luz. Rochemback, Elpídio Silva e Sá Pinto marcaram pelo Sporting, Luisão (curiosamente) pelo Benfica.

Admito que possa ter acontecido o seguinte: condicionado pelos resultados desse Benfica e ouvindo o que diziam os comentadores e vários benfiquistas (não apenas o meu colega), acabei por sobrevalorizar as opiniões negativas sobre o jogador. Como consequência, talvez devido a esses jogos iniciais e a esse derby, demorei anos a rever a minha opinião sobre Luisão.

Ainda para mais, no ano seguinte, o Benfica, apesar de campeão - com um golo decisivo e muito polémico de (curiosamente, lá está) Luisão - sofria golos de toda a maneira e feitio. Nem de propósito (e tomem lá outro curiosamente) no jogo da Taça de Portugal dessa época Benfica e Sporting empataram 3-3 (mais uma chapa 3, portanto). E nessa época e nas seguintes, Liedson, somo se sabe, fazia a cabeça em água ao gigante brasileiro, fosse pelo chão ou pelo ar.

Assim, vivemos uns anos em que os sportinguistas basicamente argumentavam que os benfiquistas gostavam de Luisão só porque ele tinha dado aquele campeonato; e os benfiquistas essencialmente contrapunham que Luisão era internacional brasileiro. Mas ninguém convencia ninguém.

Até que chegou Jorge Jesus. Arrumou a casa, organizou a equipa e pôs o Benfica a defender bem e a jogar bom futebol. A dupla era Luisão-David Luiz e a generalidade dos adeptos só tinha olhos para o segundo. Mas quando a cabeça do segundo foi para Inglaterra e o corpo ficou por cá, foi o que se viu: Luisão era o pronto-socorro da defesa do Benfica. Aí mudei definitivamente a minha opinião (já tinha vindo a mudar ao longo dos tempos, mas esse foi o clic definitivo): Luisão não é apenas um grande central, é o melhor a jogar em Portugal.

O que concluir daqui? Inserido numa equipa bem organizada, numa defesa bem montada, num esquema de jogo que funciona e com a confiança total do treinador, um bom jogador é sempre um bom jogador (e um que não seja grande espingarda até pode parecer muito bom - basta lembrar os clubes em que jogou Jordi Cruyff durante a sua carreira). Pelo contrário, numa equipa desequilibrada, desorganizada e sem fio de jogo, um bom jogador pode parecer um mau jogador.

Crucificar Marcos Rojo pelos erros individuais que tem cometido sem perceber que está, provavelmente, a jogar na equipa do Sporting com pior rendimento em toda a sua história, é extremamente injusto. Injusto pela individualização da culpa e pela falta de benefício da dúvida que merece qualquer jogador, ainda para mais um que é... internacional argentino.

Parece um discurso acrítico (o meu) mas não é: como toda a gente tenho olhos na cara e vejo que Rojo tem cometido alguns erros, essencialmente de posicionamento; mas daí a fazer o julgamento definitivo do jogador vai uma grande distância. Basicamente porque não podemos nunca esquecer os Deivids, os Fabianos e os Stanics desta vida, jogadores que não pareciam nada de especial e que, noutras paragens, tiveram rendimentos de grande qualidade. Mas, se esquecermos estes, não esqueçamos os que, num ou noutro ano, pareciam não merecer a honra de envergar a camisola de um grande clube e depois acabaram por deixar saudades. Ou seja, não esqueçamos os Acostas, os Lisandros e... os Luisões.

PS: Sei que o Luís Freitas Lobo não merece que me refira sempre a ele quando me lembro dos teóricos da bola. Digo mais: o Freitas Lobo é um notório upgrade relativamente aos Antónios Fidalgos e aos Bernardinos Barros desta vida. Vou ainda mais longe: o Luís Freitas Lobo percebe muito mais de futebol do que eu e do que a maioria dos que vêm futebol. Diz muitos disparates, mas eu certamente digo muitos mais. Mas, à semelhança dos clones de Mourinho, que começaram a brotar que nem fungos logo que o original saíu do país, desde que ele (Freitas Lobo) apareceu a falar na TV sobre as teorias da bola, os Freitas Lobos começaram a multiplicar-se (na TV, na rádio e principalmente na blogosfera). Tal como no caso do Mourinho, convém duvidar destes clones. Porque a cópia é sempre pior do que o original mas, mais importante ainda, porque para perceber de futebol o ponto de partida não são as "linhas" e as "transições". O ponto de partida, na minha humilde opinião, é perceber que os jogadores de futebol são pessoas como as outras, inseridas num grupo de 24 ou 25, que precisam, por esse mesmo motivo, de um líder e de uma autoridade (exceção feita ao Coringão do Sócrates, claro) e que o futebol é um jogo de equipa em que a falta de encaixe de uma peça pode estragar tudo, não porque a peça não sirva, mas porque, na maioria das vezes, está mal encaixada. E que esse encaixa, na maioria das vezes, tem que ser feito por quem está fora e não por quem está dentro de campo. Se, ao ler uma qualquer opinião, não deteto isto, confesso que de imediato a desvalorizo. Mas, mesmo desvalorizando, confesso que ando um bocado farto dos clones do Freitas Lobo...

05/11/2012

Um pouco de FM para quarta?

Face às dificuldades geradas por lesões e castigos, é difícil existir algum consenso sobre as escolhas que Jesus deveria fazer para o onze inicial de quarta-feira. Sendo assim, nada como  recordar o tempo em que tinha a possibilidade de perder horas e horas em frente a um computador para simplesmente gerir plantéis e fazer este mesmo exercício para o jogo com o Spartak.


Bom, para começar, a táctica: se no campeonato até consigo perceber a opção de dois avançados, na Champions, para mim, tem que ser meio campo reforçado. Sei que com as várias ausências é tarefa complicada mas, face à falta de rotinas e experiência das possíveis soluções, acho que se deve apostar num maior número de jogadores e minimizar as consequências de eventuais erros nesta zona do terreno.

Sendo assim:

- Artur, Maxi, Jardel e Garay, não geram grandes dúvidas;

- do lado esquerdo, apostava em Luisinho até porque Melgarejo vem de lesão;

- no meio campo, André Almeida, Pérez e Bruno César. André Almeida a trinco porque fez vários jogos nesta posição na equipa B e assim tem mais rotinas para o lugar do que qualquer outro jogador. Pérez é indiscutível no onze titular. Bruno César porque, apesar de não me convencer, tem experiência de Champions e nesta competição ainda conta bastante.

- nas alas Salvio e Gaitán. O primeiro também não deverá gerar dúvidas e Gaitán porque, na Champions, ainda parece preocupar-se em jogar futebol;

- na frente Lima porque está em excelente momento de forma.

Esta equipa é bem diferente da que acho que Jesus vai colocar (Artur, Maxi, Jardel, Garay, Melgarejo, André Gomes, Pérez, Salvio, Gaitán, Lima e Cardozo) mas ainda há várias hipóteses a considerar. André Almeida a defesa direito, Maxi a trinco? André Almeida só com Pérez? Bruno César na esquerda para descair para o meio? Qualquer que seja a solução, será sempre necessária alguma criatividade...


Franky goes to Hollywood



O Franky, que não o Frankie, meteu-se num filme tramado, ao melhor estilo de Hollywood. Não acreditam? Vejam o que foi o Sporting num período de 15 dias em que estive ausente:

1. O filme da Taça ("Elimination")

Primeiro, o Sporting começa logo por perder com o Moreirense para a Taça. Li por aí que fomos infelizes, outros disseram que até tivemos a sorte do jogo e não a soubemos aproveitar. Opiniões tão díspares não me permitem tirar conclusões, mas há uma que me parece óbvia: Oceano sem ganhar na Taça não podia continuar.

2. O filme Duque e Freitas ("Goodbye Lenine")

Depois, demitiram-se Duque e Freitas. Imagino porquê: Godinho exigiu novo treinador, Duque e Freitas não terão concordado. Não faço ideia, logo não posso tirar conclusões. Se foi o que calculo, tenho a dizer que concordo com Godinho Lopes. E também com Duque e Freitas, se eram eles os responsáveis pela "insistência" com Oceano.

Posso também dizer que Duque era a grande esperança dos votantes Godinho (Freitas já tinha tido os seus momentos Buenos, pelo que ninguém antecipava um trajeto imaculado, como é óbvio). E posso especular que, sem Duque, Godinho não teria ganho as eleições. Nunca o saberemos, claro, mas pela diferença de votos parece-me que o sebastianismo de Duque terá sido decisivo.

Logo, o presidente está numa situação muito fragilizada.

Entretanto, desculpem o narcisismo, mas não consigo nunca esquecer-me do que fui escrevendo durante e imediatamente após a saída de Domingos. Para quando o fim da autofagia?

3. O filme da UEFA ("Waterloo")

Uma derrota na Bélgica é sempre marcante. Neste caso, foi talvez a prova que seria necessária para demonstrar que eram precisas novas ideias para aguentar o barco com um mínimo de dignidade. Bastaria um empate para assegurar condições mínimas de apuramento. Nem isso se conseguiu segurar. Muito, muito triste.

4. O filme do campeonato ("Win, Lose or Draw")

No campeonato deste ano, qualquer jogo do Sporting tem sido jogo de tripla. Depois de derrota com Rio Ave, vitória com Gil Vicente e empate com Estoril, novo empate, desta feita com a Académica em casa. Académica essa que está a fazer um campeonato muito fraco e que inclusivamente perdeu nesta jornada em casa com o Estoril... Enfim, a uma equipa em farrapos começa a ser difícil exigir mais. Mas exige-se. Exige-se porque somos o Sporting e não um clube qualquer. Exigiremos sempre. Vivam com isso.

5. O filme de Franky ("Chaos")

Chega Franky Vercauteren, já anunciado antes do jogo da Bélgica. Apesar das condições, certamente complicadas, que Franky vai encontrar em Hollywood, o lema tem mesmo que ser o contrário do sugerido pelo maior êxito da banda 80's uma vez que Franky pode fazer tudo menos relaxar neste momento. Para já, pôs a rapaziada a correr mais, o que é sinal de que, pelos vistos, corriam pouco (Wolfswinkel já o tinha dito no passado, Schaars e Boulahrouz puseram um pouco o dedo na ferida após a saída de Sá Pinto). Ainda assim, perdeu em Setúbal.

Ao Franky é exigido que ponha a equipa a jogar futebol. Uma equipa que estava sem ideias, sem motivação e, pelos vistos, sem pernas. É um trabalho hercúleo que depende não apenas do Franky, mas essencialmente dos jogadores. Se estavam a dar 100%, têm que dar 101% ou mais. É mesmo assim que tem que ser. Quem não gostar, vê da bancada que também tem a sua piada.

Por ora, é essencial ganhar na 5ª para manter a possibilidade de apuramento na Liga Europa (inacreditável que este grupo não esteja controlado quando, por exemplo, o Sporting de Paulo Sérgio controlou facilmente um grupo muito mais complicado do que este, incluindo uma vitória em França sobre o complicadíssimo Lille). E no campeonato começar paulatinamente a construir um percurso de vitórias. Se os razoáveis sinais ontem vistos tiverem dedo do treinador, pode ser que em Janeiro estejamos a jogar bom futebol. Até lá, ganhar os jogos em casa, ganhar os jogos fora, ganhar todos os jogos da UEFA e pontuar onde não seja mesmo possível ganhar.

E agora, bom... nem sei como terminar estes posts. Apenas com uma mensagem de esperança: o Sporting (não quem lá está no momento A ou no momento B) merece que acreditemos sempre, que apoiemos sempre e que estejamos sempre presentes. Eu vou lá estar na 5ª feira e vos garanto que, enquanto durar o jogo, não assobiarei ninguém nem mandarei ninguém sair, ficar ou ir fazer o que quer que seja. Talvez me venha a irritar muito, mas é com este momento que temos que viver. Sempre inconformados, sempre esperançados, sempre com paixão. Não conheço outra forma.

Clara superioridade

O Benfica não teve grandes dificuldades em vencer este Vitória que, é justo dizer, apresenta argumentos muito fraquinhos. Se considerarmos que faz parte do grupo da frente, logo percebemos o nível a que está a Liga portuguesa. Parece cada vez mais óbvio que a competitividade interna cada vez mais se assemelha à Liga Espanhola, com duas equipas a destacaram-se do resto e um Braga a fazer de Atl. Madrid. Para o Sporting, não consigo encontrar termo de comparação...

Jesus surpreendeu-me por Luisinho e Ola John repetirem a titularidade, mas parece que o primeiro foi por indisponibilidade de Melgarejo. Quanto ao jogo, só deu Benfica. Na primeira parte, parecia ser uma questão de tempo para o Benfica chegar ao golo, mas teimava em ser objectivo. Razão pela qual o Guimarães acabou por, aos 30 min, ter a melhor oportunidade até então, que proporcionou a única defesa de Artur em todo o jogo(!).  Mas o holandês lá acertou com o cruzamento e Cardozo não fez pior com o cabeceamento (engraçado o facto do paraguaio, uns minutos antes, ter dado uma reprimenda ao ex-Twente por não jogar fácil e não se limitar a colocar a bola na área). Com o penalty logo no início da segunda parte, ficou praticamente resolvido e, nos minutos seguinte, o Guimarães continuou desaparecido do jogo. Assim, chegou naturalmente o terceiro golo por Lima. Só não deu para mais porque o Benfica ficou, de novo, reduzido a 10.


A destacar:
- Luisinho mostra ser muito mais consequente do que Melgarejo. Teve, no entanto, algumas perdas de bola de infantil. Poderá melhorar com mais minutos e mais confiança, mas não evita algumas dúvidas em relação à sua capacidade para fazer a posição;
- grande jogo dos centrais, tanto de Jardel como de Garay;
- Carlos Martins fez grande primeira parte e foi decisivo no primeiro golo. Mas já não podemos contar com ele, mais uma vez. Lesões umas atrás das outras... Aimar e Martins estão para as lesões como a Marta Leite Castro e a Liliana Aguiar estão para os homens;
- Ola John está a mostrar cada vez mais, não falha uma recepção e evidencia a facilidade com que ganha no um contra um. Não fez um jogo enorme mas dá indicações que poderemos contar com ele;
- Lima está em grande. Não só pelo golo mas pelo que faz durante o jogo, com constante movimentações, a proteger bastante bem a bola e a passar com critério.

Agora é importante que se consiga alterar o rumo da Champions já no próximo jogo, pois já não há margem para erros.


04/11/2012

Só não percebo uma coisa...

Sem qualquer ironia: os adversários continuam a festejar vitorias contra nos como se fossemos o velho Sporting...

PS: ate jogamos melhor do que tinha visto com Sá Pinto e Oceano. Se já for dedo de Vercauteren, há esperança de um futuro um pouco melhor. Mas a minha previsão de ficarmos em terceiro e para esquecer. Por muita peseirada que aconteça (e vão acontecer varias, não duvidem), 10 pontos nesta fase e uma distancia muito grande. Ha que não desistir e manter a chama acesa mas se Vercauteren conseguir chegar ao terceiro lugar... Sera uma grande conquista (se esquecermos por um momento o historial do clube, claro).

De regresso, a ver bola

Ao fim de 11 minutos, antecipo já que me parece muito difícil ganhar este jogo. A herança deixada foi muito pobre e a equipa joga muito pouco futebol. Se tivermos sorte com este vercauteren, lá para Janeiro podemos ter futebol... Mas, por ora, só uma bola parada ou jogada fortuita pode resolver isto.