08/10/2012

Umas breves notas sobre os últimos dias...

1. Uma saída previsível

Não vos vou maçar com inúmeras ligações a posts meus onde manifestava as minhas dúvidas sobre Sá Pinto. Não sobre a personalidade, o caráter, ou mesmo as qualidades do Ricardo Sá Pinto. Mas sobre a "estaleca" para trabalhar no clube mais difícil do mundo. É extremamente difícil ter sucesso no atual Sporting e isso é reconhecido até pelos adversários. Não será por acaso que depois de passar pelo Sporting todos encontram colocação em postos onde nem nos seus sonhos mais ambiciosos equacionariam trabalhar (Paulo Sérgio no Hearts, Carvalhal no Besiktas, Couceiro no Lokomotiv, Paulo Bento na seleção). E nem quero imaginar se fossem campeões: aí o Vilanova e o Mourinho começariam a ter o lugar em risco.

Mais a sério: ou Sá Pinto se revelava um predestinado, ou acabaria por dar nisto mais cedo ou mais tarde, até porque no Sporting não há paciência para ninguém. E eu próprio, que detesto andar sempre a mudar de treinador (também não vos vou maçar com as ligações aos meus posts sobre a saída do Domingos...), tenho que reconhecer que, neste caso particular, correu tudo muito mal:
(i) a final da Taça, que deveria ter servido de "boost" para a nova época, foi ingloriamente perdida para um adversário que se limitou a conseguir marcar primeiro (com o plus dos zunzuns sobre problemas com Elias, Xandão e Onyewu que, felizmente, nunca passaram de zunzuns - pelo menos publicamente);
(ii) a pré-época não entusiasmou e não deu elementos de esperança quanto aos "reforços";
(iii) a época começou mal, com a equipa algo enferrujada, mesmo existindo uma ideia de futebol (com a qual muitos discordavam, mas lá que existia, existia);
(iv) quando a mensagem passou (a tal ideia de futebol que eu acho que existia), a equipa rendeu pouco, quando se recuou na ideia a equipa respondeu com coração num jogo, mas reagiu pessimamente à "desistência" perante a ideia de jogo inicial (total falta de rotinas numa tática demasiado arriscada para uma equipa que se estava a revelar frágil defensivamente).

Enfim, é fácil falar agora. E também seria fácil dizer "eu bem dizia" (o que muitas vezes faço, em tom de auto-gozo, para os que me sabem ler). Não vou por aí porque não tem interesse e não faz sentido. Quero limitar-me a dizer que, neste caso, todos, ou quase todos, anteciparam isto muito antes de ter acontecido.

2. Responsabilidades

Tinha pedido que todos os sportinguistas assumissem as suas responsabilidades. Todos, frisei. Sinceramente, dirigia-me muito em particular a Sá Pinto. Não gosto de trocar treinadores, por isso pedia a Sá Pinto que analisasse friamente o que se passava. Era a mensagem que não estava a passar? Era a ideia de futebol que estava errada? Era o tempo que seria ainda curto? Ou era simplesmente a atual situação do clube que não permitia muito mais do que o que temos tido? O que se passava?
Acima de tudo, queria que todos pusessem a mão na consciência. Todos, a começar por Ricardo Sá Pinto.

O primeiro a fazê-lo, pelos vistos, foi Godinho Lopes. Depois terá sido toda a administração da SAD. Sá Pinto continuava a acreditar. Creio que acreditava no tal modelo inicial, porque neste, sinceramente, nem os indefetíveis acreditavam.

Enfim, acabámos na típica decisão da chicotada psicológica. Vamos ver no que dá. Uma coisa é certa: nunca defendi, e nunca defenderei, que uma direção fique "refém" de um treinador e se demita com ele. Sinceramente nunca pensei que esta direção aguentasse o embate da saída de Sá Pinto, mas está a aguentar-se com mais firmeza do que pensava. Temos que ter a tal paciência, mas já vamos, pelos vistos, em dois tiros na água. O próximo tem que acertar em cheio no porta-aviões...

3. Substituto & Prosseguimento da Época

Difícil, muito difícil. Vejo por aí muitas ideias, poucas me agradam. Uns querem Manuel José, outros querem Luis Enrique, outros ainda preferem Scolari. A nível internacional, os bons & acessíveis estão ocupados. Os livres ou não são bons ou não são acessíveis. A nível nacional, não vislumbro quem possa tomar conta de um plantel tão desmotivado e pouco crente nas suas capacidades. Numa situação parecida, S. Inácio conseguiu o milagre, em 99/2000. Mas convenhamos: foi mesmo um milagre. Irrepetível, aparentemente. Quantos treinadores campeões tivemos em Portugal antes e depois disso que tivessem entrado a meio da época? De que me lembre, nenhum. Portanto, estamos a jogar para o EuroMilhões e a probabilidade de nos sair a combinação de 5 números e 2 estrelas é ínfima.

Mas não podemos desistir nunca. Temos, ao menos, que recuperar alguma da mística guardada dentro do baú, saltar do lugar em que estamos e ir lá para a frente atrapalhar os outros. Depois logo se vê onde estamos em Dezembro. Podemos não estar em 1º, mas temos que andar por ali perto. Isso, e só isso, garante 35.000 sportinguistas em Alvalade. A este propósito assinalo que, mesmo dando de barato que era fim-de-semana prolongado, o Benfica, em 1º, teve uma assistência de 28.000 na Luz no jogo com o Beira-Mar, contra os 35.000 do Sporting-Estoril no fim-de-semana anterior (que não era prolongado, é verdade). Isto é sinal de que basta uma luzinha ao fundo do túnel para por gente em Alvalade.

Precisamos, agora, de dar 101%, ganhar jogos, encher Alvalade e criar a dinâmica de Setembro-Novembro do ano passado. Parece impossível, mas não é. "Basta" ganhar 2 ou 3 jogos. Depois logo se vê se aguentamos, ou não, o embate de Dezembro. Mas desistir já é que não - é tudo muito complicado, mas não podemos dizer que somos grandes só porque há 70 anos conquistámos uma porrada de campeonatos. Temos que ser maiores do que o Sporting dos últimos 3 anos. E é agora, ou nunca, o momento de o mostrar.

4. FCP-Sporting

Jogo sem grande história: o FCP marcou cedo e geriu o jogo. Mereceu ganhar, obviamente. O Sporting perante o adormecimento do Porto reagiu bem, mas faltou acutilância. Na segunda parte, a partir da saída de Varela, o Porto voltou a acelerar o jogo e a criar mais perigo. No Sporting - muito dependente de rasgos individuais - um Carrillo (cada vez mais) desinspirado e um Wofswinkel (ainda muito) abandonado pouco podiam fazer. Convém não darmos cabo destes dois jovens jogadores e perceber que estes sim, precisam de cânticos e de apoio, não os treinadores que saem... Quanto a Oceano, bem a montar a equipa, fraco nas substituições (aquela do Adrien pelo Izmailov acabou com o jogo ofensivo do Sporting), as declarações finais eram as possíveis.

Fiquei também a saber que há duas novas regras no futebol que eu, pelo menos, desconhecia:
- um jogador para se levantar do chão quando tem a bola perto dele tem que estagiar no Circo Chen para aprender contorcionismo ou malabarismo de forma a evitar tocar na bola (porque se raspar com o braço na bola, é falta);
- quando dois jogadores se agarram mutuamente na área, a falta depende da cor do equipamento: é marcada sempre a favor do que equipa de azul. Temos que testar isto mais a sério num jogo do FCP contra outro clube que vista de azul para ver se é mesmo assim.

Há outra regra, que eu já conhecia, e que gostava de explicar ao Marcos Rojo: quando abalroas um gajo da outra equipa duas vezes, perto da área, levas dois amarelos. Se num dos casos o jogador deu um chutão e não é previsível que apanhe a bola, podes borrifar-te no gajo. Nomeadamente quando já tens amarelo e deixas a equipa com menos um. Obrigado pela atenção, Marcos.

Mas enfim, a arbitragem (má) não justifica nada. Não fizemos o suficiente para ganhar.

5. Futuro próximo

É para ganhar. Nem sei quem são eles, mas vão levar no focinho. Tem mesmo que ser.

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