25/10/2012

Sexta-feira de eleições

Sexta-feira temos mais uma eleição para a presidência do Benfica. De um lado, a continuidade do que se conhece, do outro, a mudança para o pouco que se conhece. Hesitei bastante se deveria colocar aqui a minha intenção de voto mas, da mesma forma que assumimos aqui os sentimentos em relação ao clube que apoiamos tentando comentar com o máximo de objectividade, não farei de forma diferente em relação a estas eleições.


Em primeiro lugar, agradeço e muito o que foi feito nos primeiros anos da direcção de Vilarinho e depois de Vieira. O clube estava um caos, com o seu prestígio em Portugal e fora de portas em níveis miseráveis e com o futebol a acompanhar esta descida ao impensável para a dimensão e história do Benfica. Tiveram a capacidade de endireitar o clube e este é um feito que ninguém pode desvalorizar em relação ao actual presidente e também candidato.


O problema, para mim, veio depois. Com uma vitória no campeonato a cair do céu em 2004/2005, depois de uma vitória na Taça em 2003/2004, mais uma travessia no deserto. Simplesmente não se conseguiu aproveitar a dinâmica de vitórias e, apenas em 2009/2010, se voltou a festejar o campeonato, desta vez de forma estrondosa e com todo o mérito. A seguir e até hoje, mais uma travessia sem se conseguir repetir a palavra campeão numa das duas provas mais importantes. Pelo meio, o mérito de se voltar a ser respeitado também na Europa. Em comum nos dois campeonatos: o adversário directo não era o Porto.

Face a uma capacidade, que se ganhou, de investir fortemente na equipa de futebol não houve a natural consequência de conquistar títulos. Da mesma forma que Portugal aumento a dívida sem conseguir taxas de crescimento significativas, o Benfica aumentou o passivo sem rechear a sala de troféus. É claro que houve outros factores mas para mim isto é o essencial: não vejo competência para que a estrutura actual volte a dar ao Benfica a hegemonia do futebol nacional. Sendo assim, a minha dúvida agora é se votarei em branco ou no Rangel, e passo já a sintetizar as minhas razões (para além do já referido):

- considero má gestão o nível alarmante a que chegou o passivo do Benfica;
- não gosto de ver profissionais de outros clubes em lugares fundamentais da estrutura. Com 6 milhões de adeptos, haverá seguramente profissionais competentes para cada posição;
- não percebo como se pode fugir a um debate entre candidatos, quando o opositor prima pela elevação;
- repugna-me perceber que se mente aos sócios como na venda de Witsel (se era a cláusula de rescisão, não haveria lugar a plano de pagamentos);
- a gestão desportiva com dezenas de jogadores contratados e comissões correspondentes, não faz qualquer sentido;
- o lugar de um administrador da SAD não é a fazer comentários facciosos a uma segunda-feira;
- gosto da ideia de um presidente remunerado. O lugar de presidente não pode estar apenas reservado para ricos que podem ficar 4 anos sem ganhar salário. Deveria bastar ser grande benfiquista, íntegro e competente. Para além de que deve ser um lugar que exija 100% de dedicação e não intervalado com negócios pessoais;
- não me identifico com atitudes próprias de outros clubes como apagar as luzes e ligar o sistema de relva quando o adversário é campeão no nosso estádio. Se querem impedir os festejos, façam-no no relvado. Não conseguindo, os valores do clube não podem ficar beliscados;
- apoiar Fernando Gomes à Liga e Federação é impensável;
- não ter ex-jogadores como Humberto Coelho, Veloso, Mozer, Rui Águas, Rui Costa, bem perto da equipa de futebol, é meio caminho para se perder a mística;
- não entendo como se pode ser sócio de outros clubes. Se soubesse que algum "amigo" meu me tivesse feito sócio de Sporting ou Porto, acreditem que enviaria uma carta registada a demonstrar a minha proibição a tal heresia;
- parece-me que há um claro objectivo de Rangel devolver o clube aos sócios e perfeita sintonia com o que me foi ensinado que é o Benfica.


Posto isto, não tenho muitas dúvidas de que Luís Filipe Vieira ganhará estas eleições. O medo de um passado recente, a baixa notoriedade de Rangel e o reduzido tempo de candidatura, deverão conduzir a este desfecho. Infelizmente, isto deverá ser suficiente para os que já se habituaram a ganhar tão pouco. Apesar de ser esta a realidade que mais conheço desde que comecei a marcar presença no Estádio da Luz, nunca ficarei confortável com a situação actual.

Em conversa com amigos e familiares, logo acusam o opositor de papagaio e do vazio de ideias. Meus caros, o tempo de prometer jogadores e treinadores já passou! Face a um grupo de empresas e a uma estrutura profissional, é quase impossível, para quem está de fora, antecipar medidas concretas. A competência e a diferença terá que ser exercida no dia-a-dia, com decisões correctas, gestão responsável, reduzindo as debilidades e potenciando os pontos fortes. Com pouca informação, é preferível ser prudente do que dizer disparates que depois não se podem cumprir. É certo que balelas como a do domínio do futebol português ou ser temido na Europa também fazem parte desta candidatura, mas se não se recordam de algo na mesma linha nos últimos anos, é porque precisam de algo para a memória.

Aceito naturalmente opiniões completamente diferentes da minha mas é o que sinto. Sendo assim, sexta-feira votem em consciência. 

3 comentários:

  1. Gorbyn, explica me, como se eu tivesse a idade do Manel, o que quer dizer "devolver o clube aos sócios ". um xicoração do eduardo. SLB4EVER.

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  2. Um caso concreto: Moniz diz que é possível reatar as relações com o Porto, o comentador das segundas diz que nunca enquanto ele estiver no Benfica, Rangel diz que serão os sócios a decidir em Assembleia Geral. Abraço

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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