15/10/2012

Seleção & Sporting

1- Seleção

Não vi o jogo. Vi os cinco minutos finais de cada parte. Nem um resumo vi depois. Parece que até jogámos bem na primeira parte, mas na segunda Capello demonstrou a diferença entre um tangas e um bom treinador. O tangas (e não, não é uma indireta a Paulo Bento, é uma abordagem meramente teórica) usa a falta de tempo como desculpa para não implementar as suas ideias numa seleção; o bom treinador é aquele que, numa seleção ou num clube, ao fim de 3 meses, desde que se trabalhe a sério e se seja respeitado, tem as suas ideias de jogo refletidas no campo, ganhe, perca ou empate. Consta, pois, que na segunda parte levámos com o catenaccio Cappelliano e o jogo acabou. Perdemos bem.

Aliás, queria aproveitar para trazer à terra aqueles que "acreditam" verdadeiramente nos rankings da FIFA e da Federação da Estatística ou lá o que é aquilo. Quanto a este último, basta dizer que o Sporting continua a ser o clube melhor cotado para se perceber a relevância do ranking. Quanto ao primeiro, muito embora avalie de uma forma um pouco mais credível a prestação das seleções, avalia o momento, apenas e só. E embora considere justo que assim seja para determinar posições nos sorteios das qualificações e fases finais, temos que ter a cabeça fria e perceber que não demonstra, sequer, a força das seleções nesse momento. Demonstra os últimos resultados. Então porque estamos sempre lá em cima, perguntar-me-ão? Porque nas fases finais os jogadores portugueses têm uma notável capacidade de superação. Houve uma altura em que estávamos num nível muito próximo da elite (entre 2000 e 2006) mas desde aí temos andado pendurados na capacidade de superação da nossa rapaziada. E, já agora, no CR7.

Isto para dizer que há uma elite constituída por seleções que estão claramente acima de nós - Espanha, Itália, França, Alemanha - que nos derrotam sempre que os defrontamos em jogos decisivos, com maior ou menor dificuldade. Depois temos um segundo grupo de seleções que, muito embora pareçam de um nível superior - Holanda, Inglaterra - estão ao nosso alcance precisamente porque se acham mais do que são (a Espanha pertencia a este segundo grupo até 2008). E há um terceiro grupo de seleções - Rússia, Croácia, Sérvia, Turquia, Grécia, agora a Bélgica com esta nova geração - em que vivemos o fenómeno contrário: parecem de um nível inferior, mas nós estamos ao alcance deles precisamente porque nos achamos mais do que somos. Ou seja, esta derrota não é nada de grave, a não ser para aqueles que acreditam que estamos na elite. Mais grave foi levar no focinho na Dinamarca num jogo em que bastava empatar, isso sim foi preocupante.

2. Sporting

Cresce a ansiedade relativamente ao novo treinador. Antecipo o seguinte: com Oceano ao comando, ou temos um milagre ou eleições no início de 2013. Não vejo terceira via se não se encontrar um outro treinador. E até prefiro que se tenha alguma calma, porque é preferível ter um Oceano do que um treinador escolhido à balda só para enganar papalvos (como um Waseige, ou um Cantatore, ou um Materazzi). Mas convém mesmo ponderar que o que está em causa não é o umbigo dos responsáveis e sim o Sporting Clube de Portugal.

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