05/10/2012

Os donos da bola

Não há muito a dizer do Benfica-Barcelona pelo que o tempo que vou roubar falando do jogo, será directamente proporcional à posse de bola que os comandados de Jesus conseguiram. Ainda para mais, apenas vale a pena falar sobre a primeira parte. Relativamente à segunda, só referir que Carlos Martins teve uma prestação mais austera do que os programas de Vítor Gaspar, que a entrada de Nolito foi mais inconsequente do que a decisão relativa ao aumento da TSU e que Aimar deu-se por contente por fazer umas habilidades junto do seu fã preferido. 

Já na primeira parte, há a salientar a excelente resposta do Benfica ao temível adversário assim como a infelicidade de sofrer um golo, logo aos 5 minutos, quando estava bem na partida. Matic revelou-se como o melhor jogador do Benfica em campo, aproveitando da melhor forma a sua superioridade física contra os anões da Catalunha, segurando a bola com muita calma e a soltando nas melhores condições para os seus colegas. Salvio mostrou que o lugar dele é a jogar com os melhores. Pérez, apesar de não ter subido no terreno, voltou a revelar um excelente critério a soltar a bola. Foi pena Lima não ter marcado na cara de Valdés. O fantástico ambiente e os cerca de 60.000 benfiquistas mereciam comemorar o golo do empate contra o todo poderoso Barcelona.


Agora, gostaria de me debruçar um pouco sobre o futebol que tive que ver durante todo o jogo mas sobretudo durante toda a segunda parte. No entanto, tenho muitas dificuldades em fazer uma crítica assertiva. Ou seja, acho a forma de jogar do Barcelona completamente anti-futebol, mas depois interrogo-me como posso afirmar uma barbaridade destas quando esta equipa só não conquista todas as competições em que participa por manifesto azar ou por falta de motivação. Com uma táctica que obriga a fenomenal equipa do Real Madrid a jogar à defesa e a correr atrás da bola e que é o pesadelo de qualquer treinador adversário. Que apesar de jogar sem avançados, marca em praticamente em todos os jogos, tem percentagens de posse de bola impressionantes e quase que invalida qualquer tentativa de ataque do adversário. Bom, simplesmente não o consigo fazer...


Sendo assim, limito-me a explicar da forma mais simples que consigo: NÃO GOSTO! Não me convencem quando dizem que a forma de jogar do Barcelona é o futebol no seu estado mais puro. Não é este o futebol que eu aprendi a adorar. Não é este o futebol que me faz perder horas e horas a ver 22 jogadores a correr atrás de uma bola, mesmo quando nenhum é do meu clube. Se não fosse do Benfica e estivesse a ver o jogo na televisão, podem ter a certeza que mudaria para ver outro jogo. E reparem que até podia ser entre duas equipas de níveis diferentes. Quem não gostou de ver o Ajax-Real, assistir às jogadas fantásticas e a alta velocidade e aos grandes golos de Benzema e Ronaldo? Porra, o Barcelona só marca golos com a parte de dentro do pé e na pequena área! É por isso que o Nolito não sabe rematar com o peito do pé! Não fosse o génio de Messi, a mestria de Xavi e a qualidade de Iniesta e então é que não teria motivos para sequer ver os resumos do Barcelona. Ok, face aos resultados parece estúpido o que estou a dizer... Já muitos dizem que esta é provavelmente a melhor equipa de sempre e aqui estou eu a dizer que não empolga. Pois, não faz muito sentido mas mantenho a minha posição. Dêem-me velocidade, desequilíbrios constantes, grandes remates de fora da área, cruzamentos milimétricos, cabeceamentos como mandam as regras, passes para o espaço vazio e por aí fora. Mesmo que não fosse pela armada portuguesa e Di Maria, é por isto que estarei sempre a torcer pelo Real Madrid contra o Barcelona.

  

1 comentário:

  1. Quanto ao jogo em si, não há muito mais a dizer. Era dificil fazer melhor contra estes tipos. Apenas umas notas:
    .Não encontro justificação para o vermelho directo a Busquets.
    .Matic devia ter sido expulso por uma entrada assassina sobre o daniel Alves já com o jogo a acabar.

    Gostaria agora de me debruçar sobre a análise que fazes ao Barcelona. A argumentação é sólida e bem construida. Mas não concordo. Não sei explicar muito bem porquê. Proponho antes um exercicio: e se fossemos nós a jogar daquela maneira? Sempre com 70% de posse de bola, 710 passes contra 126 (aconteceu mesmo...). Já gostavas?

    Abraço

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