09/10/2012

O novo treinador

Andando por essa blogosfera fora, vejo muitos nomes, muitas sugestões, muitos conselhos e pouco realismo. Há quem fale em Van Gaal e Lippi, vejam bem. Num clube com limitações orçamentais e de tesouraria, ponderam-se treinadores que custariam, no mínimo, 3 milhões/ano. Por aqui, não vale a pena ir.

Também não vale a pena entrar na roda dos nomes sugeridos pela imprensa, porque a desinformação é muita. Não passa pela cabeça de ninguém que haja fontes para Valverde, Luís Enrique, Co Adriaanse, van Marwijk, Scolari, Fernandez, Reja, Bielsa, Rijkaard, Tigana, Van der Gaag, Blanc, Manzano, Redknapp, Eriksson, Balakov (uff!). Não há. Admitamos que há fontes que indicam 4 ou 5 destes nomes, o resto é especulação. Também não é por aqui que chegamos a conclusões.

Depois, há o tema do perfil, também muito discutido. Queremos um treinador ávido de vitórias ou um que já tenha ganho muito? Devemos ponderar o fator ambição vs acomodação, ou simplesmente partir em busca de um palmarés? Pensar nos eventuais problemas do balneário e contratar um disciplinador? Ou contratar um treinador que se identificasse com os elementos chave da equipa? E treinadores portugueses, devemos considerar a possibilidade face à necessidade de conhecer o futebol português? Quem decide deve ponderar isto tudo, o que nem sempre é fácil. Ponderar todos os fatores que envolvem um treinador é absolutamente crucial.

Dou dois exemplos:

1. O Luís Enrique era talvez dos treinadores mais desejados na Europa há 1 ano e meio. Pareceria uma boa opção. Mas noutro dia, quando falava com um amigo sobre o Luís Enrique, ele dizia que o Luís Enrique não é mais do que o Sá Pinto ou o Oceano, salvaguardadas as distâncias. Sendo coerente com o que tenho dito por aqui e noutros fóruns, tenho que reconhecer que é verdade. Não retirando mérito a quem consegue não estragar o que está bem montado, o Luís Enrique é um treinador que pegou na equipa B do Barcelona, como o Oceano pegou na do Sporting, e que se limitou a ligar o "cruise control". É só escolher a velocidade e o carro anda. Tem a vantagem da juventude e ambição, mas convenhamos que ainda não deu grandes provas - antes pelo contrário. Vale a pena ponderar este tipo de treinador, que se enquadraria bem em muitos aspetos do que precisamos (identificação com um clube formador, aproveitamento de jogadores das escolas, utilização de uma tática e um modelo de jogo que permita esse aproveitamento, experiência na estrutura de um grande clube, facilidade na comunicação, etc.)?

2. Quando chegou ao Benfica, gostei de Quique Flores (que, atenção, neste momento não pondero nem para adjunto! O exemplo serve outro propósito, que tratarei de explicar). Essencialmente porque tinha um modelo e seguia esse modelo, identificando as lacunas da equipa e aproveitando os recursos do plantel sem preconceitos (não tendo medo, por exemplo, de lançar contra o Sporting a dupla Sidnei-Miguel Vítor, dois centrais jovens e que fizeram, ambos, um grande jogo). Mas depois viu-se que punha os jogadores a servir o seu modelo, ao invés de montar esse modelo em função dos jogadores. Entre outras coisas, com Quique Flores Suazo jogava fixo na área (teve o rendimento que se viu). E Aimar foi sempre mal aproveitado. Dizia-se, se bem se lembram, que vinha para Portugal para a reforma dourada. Com Jesus, viu-se o que foi Aimar (e ainda se vê de vez em quando). Simplesmente porque Jesus, e muito bem, montou a equipa do Benfica à volta de Aimar. E se temos um Aimar a 10, temos que o aproveitar ao máximo. Defende pouco? Ok, precisamos de um Javi que ocupe sozinho todo o meio-campo (por exemplo). Com Jesus, estou em crer que Matias Fernandez teria tido uma tática à medida do seu talento. Isto tudo para perguntar: devemos ponderar um treinador que chegue com o seu modelo de jogo e o imponha à equipa? Ou um que já tenha demonstrado capacidade para escolher um modelo de jogo em função dos jogadores que tem nas mãos?

Creio que devem ser muito bem ponderados todos estes fatores e expostos a cada um dos nomes que sejam abordados. A margem de erro é agora mínima. E o papel de Godinho, Duque e Freitas não será fácil. Pela minha parte, fico a aguardar, tentando resistir ao bitaite.

3 comentários:

  1. Pois eu, embora não tendo nada a ver com o que se passa para as bandas de Alvalade em todos e quaisquer assuntos, tenho apenas uma questão (se te dignares a responder-me; bem podes simplesmente mandar-me dar uma real volta ao bilhar grande): partindo do principio que o principal factor na escolha será (finalmente...) o da competência (como, aliás, há anos advogas: mais do que 2 ou 3 craques. Na tua óptica sempre defendeste que basta um muito bom jogador, ex. Matias, e um treinador muito bom), a seguir vem a questão dos custos. Quanto terá o SCP disponivel para gastar (há dias ouvi um delirio de um sportinguista que o Guardiola aceitaria o SCP pelo desafio...)? E dentro desse tecto orçamental, quem poderá vir? E, por fim, a quantos treinadores está, neste momento, o SCP a pagar (pergunto porque me parece verosimil a hipotese de ainda não ter saldado as contas com o Paulo Sérgio)?

    Grd abraço

    PS1. Adorava que viesse o Luis Enrique. Como sabes, sigo a AS Roma, e analisando a merda que ele fez por lá com jogadores daquele calibre seria, no minimo, interessante, ver o que ele faria no SCP. Lá está o que tu dizias... quando não se apanha uma máquina oleada, pode ser uma chatice!!! E a máquina do SCP não se pode dizer que esteja propriamente oleada, para ser simpático, embora reconheça valores individuais.

    PS2. OFF-TOPIC: noticias confirmadas de agressões de elementos da JL a simpatizantes e sócios do SCP, dentro e fora do cavalo-marinho, que contestavam as politicas de GL. Ou seja, adeptos do SCP a agredirem adeptos do SCP. Podes ler isto no Paulinho. Comentário?

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    Respostas
    1. Galaad,
      Por pontos:
      1. O custo depende do período para que se quer este novo treinador. Se for para aguentar o barco, prefiro não investir muito. Se for para ficar 3 anos, tem que ser um valor mais seguro (e necessariamente mais caro).
      2. Há quem defenda que, a 8 pontos à 6ª jornada, o campeonato acabou. Eu acho que não, como disse no post. Mesmo que as probabilidades de acabar em 1º sejam de 1%, temos que ter esse 1% como objetivo, senão a malta desmobiliza, os jogadores desmotivam, a imprensa caga em nós e começa o ciclo vicioso novamente.
      3. Dito isto, eu eliminaria desde já Carvalhais, Paulos Sérgios e outro tipo de aventureiros (Paulo Alves, Pedro Martins, Sérgio Conceição, etc.).
      4. Simultaneamente, não havendo ninguém que entusiasme agora, temos que ir em busca do (quase) impossível: um tipo que dê confiança para finalizar a época e que se sujeite a ficar apenas 8 meses, assegurando desde já um treinador livre para a próxima época, mas com um contrato de 2 ou 3 anos (o nosso comum amigo RM até defende 5!). Dou um exemplo, ainda não ponderado: o Tite, considerado o melhor treinador brasileiro da atualidade, acaba contrato com o Corinthians. Não o estou a sugerir, é um exemplo de um treinador que fica livre e que poderia começar a preparar a época em Dezembro.
      5. Ou seja, estamos em busca do impossível: ou um gajo de nome indiscutível e cujo impacto seja imediato e que poderia ficar já para o próximo ano independentemente dos resultados neste, ou um tipo que não dê este ano por perdido mas simultaneamente se sujeite a ser tratado como um Carvalhal.
      6. Por isso não sugeri nomes, a dinâmica e as limitações financeiras são tramadas...
      7. Quanto ao off-topic: é tudo lamentável, mas teria que ouvir todos os lados da história para fazer um juízo valorativo.

      Abraço

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  2. Nem de propósito:

    http://www.record.xl.pt/Futebol/Nacional/1a_liga/Sporting/interior.aspx?content_id=782330

    Do Paulo Sérgio já se safaram...

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