28/10/2012

Rotatividade sem problemas

Para os mais distraídos que olhassem para o onze inicial, até poderia parecer que estávamos em mais um jogo da Taça da Liga ou da Taça de Portugal, com Jesus a promover a normal rotação de jogadores. Mas não, era mesmo a doer e onde o adversário directo já perdera pontos e que não trazia boas recordações da época passada. Felizmente, mal se notou e o Benfica fez uma primeira meia hora de grande qualidade, muito pressionante, a jogar perto da grande área do Gil Vicente e a não deixar o adversário sair do seu meio campo. Ainda para mais, com um golo logo nos minutos iniciais por Lima. A meia hora foi ainda premiada com um segundo golo e, a partir daí, foi só deixar o tempo correr e evitar grandes esforços pois os jogos da Champions fazem sempre mossa. Mesmo assim, a terminar a primeira parte e meio aos trambolhões, André Gomes fez o 3-0. A segunda parte não teve grandes motivos de interesse, apenas lamentando a expulsão de Pérez que, com três golos de diferença, poderia ter evitado a falta.




Algumas notas:
- já tinha pedido, depois do jogo contra o P. Ferreira, uma oportunidade para Luisinho. Está longe de ser o defesa esquerdo que o Benfica necessita mas, depois de ver alguns particulares, parecia-me que estava em condições de fazer bem melhor a posição que Melgarejo. Este jogo apenas veio reforçar esta convicção. Pena que, para defender a sua primeira opção, Jesus tenha desvalorizado o ex-P. Ferreira dizendo que chega para o campeonato nacional mas não para a Champions. Palavras que seriam aceitáveis para Ola John e André Gomes por força das suas idades mas nunca para um jogador de 27 anos. Não percebo esta gestão da motivação dos seus jogadores...;


- Enzo Pérez a manter-se num plano elevado, desta vez descaído para a direita, fazendo inclusivamente grande parte da jogada no primeiro golo e participando também no segundo;
- André Gomes começou bem o jogo mas desapareceu demasiado cedo. Pela forma como joga, evidenciaria-se muito mais caso jogasse num meio campo com 3 jogadores como acontece na equipa B. Isto porque tem bom critério de passe e capacidade técnica que poderão ser uma mais valia num futuro próximo mas peca em velocidade. Mais um golo, desta vez na estreia a titular, poderá facilitar bastante a sua afirmação;
- Ola John mostrou pouco. Percebe-se que há potencial, sobretudo na forma como ganha no um para um, mas neste jogo perdeu muitas vezes a bola nestas tentativas. Tantos jogadores e tantos milhões investidos dificultam que Cavaleiro possa também ter a sua oportunidade;
- Grande Lima. Os golos que já marcou, já fizeram esquecer o valor investido num jogador que dificilmente será envolvido numa futura transferência;
- A ganhar por 3-0, pensei que Jesus testasse, na segunda parte, o meio-campo que estará a imaginar para o jogo das Champions (em que não poderá contar com Matic), pelo que esperava pela entrada de André Almeida para jogar a trinco, pois Matic até já tinha amarelo. Como não aconteceu, acredito que Jesus poderá optar por um meio campo com André Gomes, Pérez e algum dos lesionados, Aimar ou Martins.

Em resumo, o Benfica cumpriu e bem e até conseguiu uma saudável rotação a jogar fora de portas. E já falta menos tempo para Luisão voltar e para chegar Janeiro...

25/10/2012

Sexta-feira de eleições

Sexta-feira temos mais uma eleição para a presidência do Benfica. De um lado, a continuidade do que se conhece, do outro, a mudança para o pouco que se conhece. Hesitei bastante se deveria colocar aqui a minha intenção de voto mas, da mesma forma que assumimos aqui os sentimentos em relação ao clube que apoiamos tentando comentar com o máximo de objectividade, não farei de forma diferente em relação a estas eleições.


Em primeiro lugar, agradeço e muito o que foi feito nos primeiros anos da direcção de Vilarinho e depois de Vieira. O clube estava um caos, com o seu prestígio em Portugal e fora de portas em níveis miseráveis e com o futebol a acompanhar esta descida ao impensável para a dimensão e história do Benfica. Tiveram a capacidade de endireitar o clube e este é um feito que ninguém pode desvalorizar em relação ao actual presidente e também candidato.


O problema, para mim, veio depois. Com uma vitória no campeonato a cair do céu em 2004/2005, depois de uma vitória na Taça em 2003/2004, mais uma travessia no deserto. Simplesmente não se conseguiu aproveitar a dinâmica de vitórias e, apenas em 2009/2010, se voltou a festejar o campeonato, desta vez de forma estrondosa e com todo o mérito. A seguir e até hoje, mais uma travessia sem se conseguir repetir a palavra campeão numa das duas provas mais importantes. Pelo meio, o mérito de se voltar a ser respeitado também na Europa. Em comum nos dois campeonatos: o adversário directo não era o Porto.

Face a uma capacidade, que se ganhou, de investir fortemente na equipa de futebol não houve a natural consequência de conquistar títulos. Da mesma forma que Portugal aumento a dívida sem conseguir taxas de crescimento significativas, o Benfica aumentou o passivo sem rechear a sala de troféus. É claro que houve outros factores mas para mim isto é o essencial: não vejo competência para que a estrutura actual volte a dar ao Benfica a hegemonia do futebol nacional. Sendo assim, a minha dúvida agora é se votarei em branco ou no Rangel, e passo já a sintetizar as minhas razões (para além do já referido):

- considero má gestão o nível alarmante a que chegou o passivo do Benfica;
- não gosto de ver profissionais de outros clubes em lugares fundamentais da estrutura. Com 6 milhões de adeptos, haverá seguramente profissionais competentes para cada posição;
- não percebo como se pode fugir a um debate entre candidatos, quando o opositor prima pela elevação;
- repugna-me perceber que se mente aos sócios como na venda de Witsel (se era a cláusula de rescisão, não haveria lugar a plano de pagamentos);
- a gestão desportiva com dezenas de jogadores contratados e comissões correspondentes, não faz qualquer sentido;
- o lugar de um administrador da SAD não é a fazer comentários facciosos a uma segunda-feira;
- gosto da ideia de um presidente remunerado. O lugar de presidente não pode estar apenas reservado para ricos que podem ficar 4 anos sem ganhar salário. Deveria bastar ser grande benfiquista, íntegro e competente. Para além de que deve ser um lugar que exija 100% de dedicação e não intervalado com negócios pessoais;
- não me identifico com atitudes próprias de outros clubes como apagar as luzes e ligar o sistema de relva quando o adversário é campeão no nosso estádio. Se querem impedir os festejos, façam-no no relvado. Não conseguindo, os valores do clube não podem ficar beliscados;
- apoiar Fernando Gomes à Liga e Federação é impensável;
- não ter ex-jogadores como Humberto Coelho, Veloso, Mozer, Rui Águas, Rui Costa, bem perto da equipa de futebol, é meio caminho para se perder a mística;
- não entendo como se pode ser sócio de outros clubes. Se soubesse que algum "amigo" meu me tivesse feito sócio de Sporting ou Porto, acreditem que enviaria uma carta registada a demonstrar a minha proibição a tal heresia;
- parece-me que há um claro objectivo de Rangel devolver o clube aos sócios e perfeita sintonia com o que me foi ensinado que é o Benfica.


Posto isto, não tenho muitas dúvidas de que Luís Filipe Vieira ganhará estas eleições. O medo de um passado recente, a baixa notoriedade de Rangel e o reduzido tempo de candidatura, deverão conduzir a este desfecho. Infelizmente, isto deverá ser suficiente para os que já se habituaram a ganhar tão pouco. Apesar de ser esta a realidade que mais conheço desde que comecei a marcar presença no Estádio da Luz, nunca ficarei confortável com a situação actual.

Em conversa com amigos e familiares, logo acusam o opositor de papagaio e do vazio de ideias. Meus caros, o tempo de prometer jogadores e treinadores já passou! Face a um grupo de empresas e a uma estrutura profissional, é quase impossível, para quem está de fora, antecipar medidas concretas. A competência e a diferença terá que ser exercida no dia-a-dia, com decisões correctas, gestão responsável, reduzindo as debilidades e potenciando os pontos fortes. Com pouca informação, é preferível ser prudente do que dizer disparates que depois não se podem cumprir. É certo que balelas como a do domínio do futebol português ou ser temido na Europa também fazem parte desta candidatura, mas se não se recordam de algo na mesma linha nos últimos anos, é porque precisam de algo para a memória.

Aceito naturalmente opiniões completamente diferentes da minha mas é o que sinto. Sendo assim, sexta-feira votem em consciência. 

23/10/2012

Valeu o Barcelona...

Não tive oportunidade de ver o jogo todo, apenas os 25 minutos finais. Com um jogo a começar às 17h, não deu para mais. Deixei a gravar com o objectivo de rever ao final do dia mas depois de todos os comentários que fui lendo, perdi a vontade. A verdade é que não me admirou minimamente. A fantástica decisão de ir jogar a Moscovo com dois avançados não perspectivava outro desfecho...

Do que vi, deu para perceber que o Spartak está perfeitamente ao alcance de um Benfica bem montado. Tivesse jogado apenas com Lima na frente, com Bruno César no meio e Gaitán no lado esquerdo e provavelmente o empate teria sido o pior dos resultados possíveis. Só que o mestre da táctica lá deu mais uma lição. E o ar sereno que mostrava enquanto a equipa estava em desvantagem só reforçava mais esta característica de Jesus. Enérgico, histérico e quase com vontade para saltar dentro de campo para dar um puxão de orelhas num jogador da equipa, só quando está a ganhar... E o golpe de génio esteve mesmo quase a sair com aquela substituição de Matic por Ola John nos minutos finais. Meu Deus, era de génio! Seria aquela decisão que ninguém esperava e que num volta-face do outro mundo, daria o empate ao Benfica e provaria a genialidade de Jesus. Não deu... Foi apenas mais uma decisão que desafia qualquer lógica.


Pelo que percebo, vi a única parte do jogo em que houve Benfica. Podíamos ter marcado por Salvio e por Lima, mas falhámos. Gostei de ver a raça a defender de Enzo e os vários desequilíbrios que conseguiu provocar a atacar. Gaitán também mostrava ser dos poucos capaz de colocar a bola no chão e jogar com qualidade. Por outro lado, um Melgarejo pior que sofrível e um Cardozo que não é capaz de correr para a baliza quando recebe um passe a isolar.

Com a surpresa quase a acontecer em Barcelona, esteve praticamente à vista a eliminação do Benfica ainda na primeira volta desta fase de grupos. Valeu o golo de Alba nos minutos finais, colocando a normalidade necessária no outro jogo e o Benfica ainda com possibilidades de passar caso vença os dois jogos em casa. É triste mas é isto...


17/10/2012

Mais um passo em falso

Se uma derrota na Rússia já complicou as contas, não conseguir uma vitória em casa frente a um adversário que não luta pelo apuramento é que não podia mesmo acontecer. Ainda para mais quando já se sabia que a Rússia tinha aproveitado uma grande penalidade nos últimos minutos para vencer em casa o Azerbeijão. Contra a Irlanda do Norte, o que poucos esperavam acabou por acontecer. Uma primeira parte bastante fraca e que ainda permitiu que, numa das poucas jogadas em que o adversário conseguiu colocar a bola no chão, ficasse em vantagem no marcador.


Explicações? Posso arriscar algumas... Em primeiro lugar, parece-me que Paulo Bento tem a menor base de recrutamento de jogadores de qualidade para a selecção dos últimos anos. Quando dois jogadores titulares estão impedidos de alinhar, estas limitações tornam-se mais evidentes. Fábio estava fora e Meireles também. Os substitutos estiveram longe de estar à altura dos ausentes. Miguel Lopes ainda começou bem com um remate perigoso mas de resto foi muito inconsequente e Micael... depois do azar na Rússia (é certo que foi o seu mau passe que deu origem ao golo mas não foi um deslize gritante como muitas vezes vemos em trocas de bola na defesa) esteve demasiado ansioso para mostrar trabalho e só se deu por ele quando varria os irlandeses em faltas sucessivas.

Esta é a posição em que realmente estamos muito fracos. Não há um 10! Não há um jogador que, à semelhança do que acontece nas laterais, tenha capacidade de desequilibrar pelo centro. Contra uma equipa que se previa que jogasse junto da sua área e confortável com os cruzamentos, poderia ter apostado num jogador mais versátil como Carlos Martins e no seu forte pontapé. A desculpa de não ser convocado por não jogar com regularidade no Benfica não cola quando há jogadores como Coentrão ou Bruno Alves que têm ido para o banco nos seus clubes e que são titulares na selecção. Não resolvia o problema mas pelo menos minimizava.


Postiga marcou o golo do empate e tem marcado vários golos com Paulo Bento. No entanto, neste tipo de jogo mais físico, com muitos cruzamentos, com o terreno pesado pela chuva, poderia ter arriscado logo com a entrada de Éder. Entrou bastante bem, dinamizou o jogo na frente, fez o passe para o golo do empate e quase provou o golo da vitória. Apenas se deve ter arrependido de ter tentado fazer tantas tabelas com Postiga já que o passe de volta nunca chegou. Poderá não ser o grande avançado que a selecção persegue há muito, mas pode ser o mais parecido que poderemos ambicionar no curto prazo.

E ontem faltou mais Moutinho e Nani. Se para Moutinho esta foi a excepção numa série de grandes jogos que tem feito pela selecção, já Nani teima, à semelhança do que acontece em Inglaterra, em materializar em golos e grandes exibições, a tremenda qualidade que tem. Bom jogo de Bruno Alves, Pepe e Veloso.

Em suma, caminhamos novamente para a perseguição de um segundo lugar e para uma tentativa de apuramento por play-off. Ainda acredito que a Rússia perca alguns pontos já que não é uma selecção muito regular e concretizadora. De resto, não esqueço que esta é uma equipa que acreditou na sua qualidade quando praticamente mais ninguém acreditava (poucos apostavam na passagem da fase de grupos no Europeu), pelo que dou crédito suficiente para apostar numa presença no Brasil.

Nota final para a lotação esgotada no Dragão. Excelente sinal de apoio que merecia mais do que um mero empate.



15/10/2012

Seleção & Sporting

1- Seleção

Não vi o jogo. Vi os cinco minutos finais de cada parte. Nem um resumo vi depois. Parece que até jogámos bem na primeira parte, mas na segunda Capello demonstrou a diferença entre um tangas e um bom treinador. O tangas (e não, não é uma indireta a Paulo Bento, é uma abordagem meramente teórica) usa a falta de tempo como desculpa para não implementar as suas ideias numa seleção; o bom treinador é aquele que, numa seleção ou num clube, ao fim de 3 meses, desde que se trabalhe a sério e se seja respeitado, tem as suas ideias de jogo refletidas no campo, ganhe, perca ou empate. Consta, pois, que na segunda parte levámos com o catenaccio Cappelliano e o jogo acabou. Perdemos bem.

Aliás, queria aproveitar para trazer à terra aqueles que "acreditam" verdadeiramente nos rankings da FIFA e da Federação da Estatística ou lá o que é aquilo. Quanto a este último, basta dizer que o Sporting continua a ser o clube melhor cotado para se perceber a relevância do ranking. Quanto ao primeiro, muito embora avalie de uma forma um pouco mais credível a prestação das seleções, avalia o momento, apenas e só. E embora considere justo que assim seja para determinar posições nos sorteios das qualificações e fases finais, temos que ter a cabeça fria e perceber que não demonstra, sequer, a força das seleções nesse momento. Demonstra os últimos resultados. Então porque estamos sempre lá em cima, perguntar-me-ão? Porque nas fases finais os jogadores portugueses têm uma notável capacidade de superação. Houve uma altura em que estávamos num nível muito próximo da elite (entre 2000 e 2006) mas desde aí temos andado pendurados na capacidade de superação da nossa rapaziada. E, já agora, no CR7.

Isto para dizer que há uma elite constituída por seleções que estão claramente acima de nós - Espanha, Itália, França, Alemanha - que nos derrotam sempre que os defrontamos em jogos decisivos, com maior ou menor dificuldade. Depois temos um segundo grupo de seleções que, muito embora pareçam de um nível superior - Holanda, Inglaterra - estão ao nosso alcance precisamente porque se acham mais do que são (a Espanha pertencia a este segundo grupo até 2008). E há um terceiro grupo de seleções - Rússia, Croácia, Sérvia, Turquia, Grécia, agora a Bélgica com esta nova geração - em que vivemos o fenómeno contrário: parecem de um nível inferior, mas nós estamos ao alcance deles precisamente porque nos achamos mais do que somos. Ou seja, esta derrota não é nada de grave, a não ser para aqueles que acreditam que estamos na elite. Mais grave foi levar no focinho na Dinamarca num jogo em que bastava empatar, isso sim foi preocupante.

2. Sporting

Cresce a ansiedade relativamente ao novo treinador. Antecipo o seguinte: com Oceano ao comando, ou temos um milagre ou eleições no início de 2013. Não vejo terceira via se não se encontrar um outro treinador. E até prefiro que se tenha alguma calma, porque é preferível ter um Oceano do que um treinador escolhido à balda só para enganar papalvos (como um Waseige, ou um Cantatore, ou um Materazzi). Mas convém mesmo ponderar que o que está em causa não é o umbigo dos responsáveis e sim o Sporting Clube de Portugal.

09/10/2012

O novo treinador

Andando por essa blogosfera fora, vejo muitos nomes, muitas sugestões, muitos conselhos e pouco realismo. Há quem fale em Van Gaal e Lippi, vejam bem. Num clube com limitações orçamentais e de tesouraria, ponderam-se treinadores que custariam, no mínimo, 3 milhões/ano. Por aqui, não vale a pena ir.

Também não vale a pena entrar na roda dos nomes sugeridos pela imprensa, porque a desinformação é muita. Não passa pela cabeça de ninguém que haja fontes para Valverde, Luís Enrique, Co Adriaanse, van Marwijk, Scolari, Fernandez, Reja, Bielsa, Rijkaard, Tigana, Van der Gaag, Blanc, Manzano, Redknapp, Eriksson, Balakov (uff!). Não há. Admitamos que há fontes que indicam 4 ou 5 destes nomes, o resto é especulação. Também não é por aqui que chegamos a conclusões.

Depois, há o tema do perfil, também muito discutido. Queremos um treinador ávido de vitórias ou um que já tenha ganho muito? Devemos ponderar o fator ambição vs acomodação, ou simplesmente partir em busca de um palmarés? Pensar nos eventuais problemas do balneário e contratar um disciplinador? Ou contratar um treinador que se identificasse com os elementos chave da equipa? E treinadores portugueses, devemos considerar a possibilidade face à necessidade de conhecer o futebol português? Quem decide deve ponderar isto tudo, o que nem sempre é fácil. Ponderar todos os fatores que envolvem um treinador é absolutamente crucial.

Dou dois exemplos:

1. O Luís Enrique era talvez dos treinadores mais desejados na Europa há 1 ano e meio. Pareceria uma boa opção. Mas noutro dia, quando falava com um amigo sobre o Luís Enrique, ele dizia que o Luís Enrique não é mais do que o Sá Pinto ou o Oceano, salvaguardadas as distâncias. Sendo coerente com o que tenho dito por aqui e noutros fóruns, tenho que reconhecer que é verdade. Não retirando mérito a quem consegue não estragar o que está bem montado, o Luís Enrique é um treinador que pegou na equipa B do Barcelona, como o Oceano pegou na do Sporting, e que se limitou a ligar o "cruise control". É só escolher a velocidade e o carro anda. Tem a vantagem da juventude e ambição, mas convenhamos que ainda não deu grandes provas - antes pelo contrário. Vale a pena ponderar este tipo de treinador, que se enquadraria bem em muitos aspetos do que precisamos (identificação com um clube formador, aproveitamento de jogadores das escolas, utilização de uma tática e um modelo de jogo que permita esse aproveitamento, experiência na estrutura de um grande clube, facilidade na comunicação, etc.)?

2. Quando chegou ao Benfica, gostei de Quique Flores (que, atenção, neste momento não pondero nem para adjunto! O exemplo serve outro propósito, que tratarei de explicar). Essencialmente porque tinha um modelo e seguia esse modelo, identificando as lacunas da equipa e aproveitando os recursos do plantel sem preconceitos (não tendo medo, por exemplo, de lançar contra o Sporting a dupla Sidnei-Miguel Vítor, dois centrais jovens e que fizeram, ambos, um grande jogo). Mas depois viu-se que punha os jogadores a servir o seu modelo, ao invés de montar esse modelo em função dos jogadores. Entre outras coisas, com Quique Flores Suazo jogava fixo na área (teve o rendimento que se viu). E Aimar foi sempre mal aproveitado. Dizia-se, se bem se lembram, que vinha para Portugal para a reforma dourada. Com Jesus, viu-se o que foi Aimar (e ainda se vê de vez em quando). Simplesmente porque Jesus, e muito bem, montou a equipa do Benfica à volta de Aimar. E se temos um Aimar a 10, temos que o aproveitar ao máximo. Defende pouco? Ok, precisamos de um Javi que ocupe sozinho todo o meio-campo (por exemplo). Com Jesus, estou em crer que Matias Fernandez teria tido uma tática à medida do seu talento. Isto tudo para perguntar: devemos ponderar um treinador que chegue com o seu modelo de jogo e o imponha à equipa? Ou um que já tenha demonstrado capacidade para escolher um modelo de jogo em função dos jogadores que tem nas mãos?

Creio que devem ser muito bem ponderados todos estes fatores e expostos a cada um dos nomes que sejam abordados. A margem de erro é agora mínima. E o papel de Godinho, Duque e Freitas não será fácil. Pela minha parte, fico a aguardar, tentando resistir ao bitaite.

08/10/2012

Umas breves notas sobre os últimos dias...

1. Uma saída previsível

Não vos vou maçar com inúmeras ligações a posts meus onde manifestava as minhas dúvidas sobre Sá Pinto. Não sobre a personalidade, o caráter, ou mesmo as qualidades do Ricardo Sá Pinto. Mas sobre a "estaleca" para trabalhar no clube mais difícil do mundo. É extremamente difícil ter sucesso no atual Sporting e isso é reconhecido até pelos adversários. Não será por acaso que depois de passar pelo Sporting todos encontram colocação em postos onde nem nos seus sonhos mais ambiciosos equacionariam trabalhar (Paulo Sérgio no Hearts, Carvalhal no Besiktas, Couceiro no Lokomotiv, Paulo Bento na seleção). E nem quero imaginar se fossem campeões: aí o Vilanova e o Mourinho começariam a ter o lugar em risco.

Mais a sério: ou Sá Pinto se revelava um predestinado, ou acabaria por dar nisto mais cedo ou mais tarde, até porque no Sporting não há paciência para ninguém. E eu próprio, que detesto andar sempre a mudar de treinador (também não vos vou maçar com as ligações aos meus posts sobre a saída do Domingos...), tenho que reconhecer que, neste caso particular, correu tudo muito mal:
(i) a final da Taça, que deveria ter servido de "boost" para a nova época, foi ingloriamente perdida para um adversário que se limitou a conseguir marcar primeiro (com o plus dos zunzuns sobre problemas com Elias, Xandão e Onyewu que, felizmente, nunca passaram de zunzuns - pelo menos publicamente);
(ii) a pré-época não entusiasmou e não deu elementos de esperança quanto aos "reforços";
(iii) a época começou mal, com a equipa algo enferrujada, mesmo existindo uma ideia de futebol (com a qual muitos discordavam, mas lá que existia, existia);
(iv) quando a mensagem passou (a tal ideia de futebol que eu acho que existia), a equipa rendeu pouco, quando se recuou na ideia a equipa respondeu com coração num jogo, mas reagiu pessimamente à "desistência" perante a ideia de jogo inicial (total falta de rotinas numa tática demasiado arriscada para uma equipa que se estava a revelar frágil defensivamente).

Enfim, é fácil falar agora. E também seria fácil dizer "eu bem dizia" (o que muitas vezes faço, em tom de auto-gozo, para os que me sabem ler). Não vou por aí porque não tem interesse e não faz sentido. Quero limitar-me a dizer que, neste caso, todos, ou quase todos, anteciparam isto muito antes de ter acontecido.

2. Responsabilidades

Tinha pedido que todos os sportinguistas assumissem as suas responsabilidades. Todos, frisei. Sinceramente, dirigia-me muito em particular a Sá Pinto. Não gosto de trocar treinadores, por isso pedia a Sá Pinto que analisasse friamente o que se passava. Era a mensagem que não estava a passar? Era a ideia de futebol que estava errada? Era o tempo que seria ainda curto? Ou era simplesmente a atual situação do clube que não permitia muito mais do que o que temos tido? O que se passava?
Acima de tudo, queria que todos pusessem a mão na consciência. Todos, a começar por Ricardo Sá Pinto.

O primeiro a fazê-lo, pelos vistos, foi Godinho Lopes. Depois terá sido toda a administração da SAD. Sá Pinto continuava a acreditar. Creio que acreditava no tal modelo inicial, porque neste, sinceramente, nem os indefetíveis acreditavam.

Enfim, acabámos na típica decisão da chicotada psicológica. Vamos ver no que dá. Uma coisa é certa: nunca defendi, e nunca defenderei, que uma direção fique "refém" de um treinador e se demita com ele. Sinceramente nunca pensei que esta direção aguentasse o embate da saída de Sá Pinto, mas está a aguentar-se com mais firmeza do que pensava. Temos que ter a tal paciência, mas já vamos, pelos vistos, em dois tiros na água. O próximo tem que acertar em cheio no porta-aviões...

3. Substituto & Prosseguimento da Época

Difícil, muito difícil. Vejo por aí muitas ideias, poucas me agradam. Uns querem Manuel José, outros querem Luis Enrique, outros ainda preferem Scolari. A nível internacional, os bons & acessíveis estão ocupados. Os livres ou não são bons ou não são acessíveis. A nível nacional, não vislumbro quem possa tomar conta de um plantel tão desmotivado e pouco crente nas suas capacidades. Numa situação parecida, S. Inácio conseguiu o milagre, em 99/2000. Mas convenhamos: foi mesmo um milagre. Irrepetível, aparentemente. Quantos treinadores campeões tivemos em Portugal antes e depois disso que tivessem entrado a meio da época? De que me lembre, nenhum. Portanto, estamos a jogar para o EuroMilhões e a probabilidade de nos sair a combinação de 5 números e 2 estrelas é ínfima.

Mas não podemos desistir nunca. Temos, ao menos, que recuperar alguma da mística guardada dentro do baú, saltar do lugar em que estamos e ir lá para a frente atrapalhar os outros. Depois logo se vê onde estamos em Dezembro. Podemos não estar em 1º, mas temos que andar por ali perto. Isso, e só isso, garante 35.000 sportinguistas em Alvalade. A este propósito assinalo que, mesmo dando de barato que era fim-de-semana prolongado, o Benfica, em 1º, teve uma assistência de 28.000 na Luz no jogo com o Beira-Mar, contra os 35.000 do Sporting-Estoril no fim-de-semana anterior (que não era prolongado, é verdade). Isto é sinal de que basta uma luzinha ao fundo do túnel para por gente em Alvalade.

Precisamos, agora, de dar 101%, ganhar jogos, encher Alvalade e criar a dinâmica de Setembro-Novembro do ano passado. Parece impossível, mas não é. "Basta" ganhar 2 ou 3 jogos. Depois logo se vê se aguentamos, ou não, o embate de Dezembro. Mas desistir já é que não - é tudo muito complicado, mas não podemos dizer que somos grandes só porque há 70 anos conquistámos uma porrada de campeonatos. Temos que ser maiores do que o Sporting dos últimos 3 anos. E é agora, ou nunca, o momento de o mostrar.

4. FCP-Sporting

Jogo sem grande história: o FCP marcou cedo e geriu o jogo. Mereceu ganhar, obviamente. O Sporting perante o adormecimento do Porto reagiu bem, mas faltou acutilância. Na segunda parte, a partir da saída de Varela, o Porto voltou a acelerar o jogo e a criar mais perigo. No Sporting - muito dependente de rasgos individuais - um Carrillo (cada vez mais) desinspirado e um Wofswinkel (ainda muito) abandonado pouco podiam fazer. Convém não darmos cabo destes dois jovens jogadores e perceber que estes sim, precisam de cânticos e de apoio, não os treinadores que saem... Quanto a Oceano, bem a montar a equipa, fraco nas substituições (aquela do Adrien pelo Izmailov acabou com o jogo ofensivo do Sporting), as declarações finais eram as possíveis.

Fiquei também a saber que há duas novas regras no futebol que eu, pelo menos, desconhecia:
- um jogador para se levantar do chão quando tem a bola perto dele tem que estagiar no Circo Chen para aprender contorcionismo ou malabarismo de forma a evitar tocar na bola (porque se raspar com o braço na bola, é falta);
- quando dois jogadores se agarram mutuamente na área, a falta depende da cor do equipamento: é marcada sempre a favor do que equipa de azul. Temos que testar isto mais a sério num jogo do FCP contra outro clube que vista de azul para ver se é mesmo assim.

Há outra regra, que eu já conhecia, e que gostava de explicar ao Marcos Rojo: quando abalroas um gajo da outra equipa duas vezes, perto da área, levas dois amarelos. Se num dos casos o jogador deu um chutão e não é previsível que apanhe a bola, podes borrifar-te no gajo. Nomeadamente quando já tens amarelo e deixas a equipa com menos um. Obrigado pela atenção, Marcos.

Mas enfim, a arbitragem (má) não justifica nada. Não fizemos o suficiente para ganhar.

5. Futuro próximo

É para ganhar. Nem sei quem são eles, mas vão levar no focinho. Tem mesmo que ser.

Não era preciso...

Um Porto-Sporting à 6ª jornada, com 5 pontos entre as duas equipas, uma "chicotada" no Sá e com um Oceano a prazo a tentar apanhar os cacos.

Não era preciso tanta facilidade... era o meu pensamento antes do clássico. De facto não podia calhar melhor situação de um adversário direto! Ups... não devia dizer isto, certo? Que era melhor ganhar a um Sporting forte, competitivo e motivado. Nada disso!!! Se puder enfiar 4 ou 5 tanto melhor. Ainda por cima tínhamos de vingar os coxos dos putos da B que perderam 2-0 no dia anterior.

Passo a enunciar o que não era preciso:

  • Massacrar tanto durante 20 minutos iniciais

Talvez aproveitando uma entrada demasiado cautelosa do adversário, Moutinho, James e Lucho não deram hipótese ao meio campo verde, verdinho... a bola circulava, criaram 3 ocasiões de golo para além do golo incrível do Jackson. Saldo muito positivo desses 20 minutos. São destes momentos que os adeptos se empolgam com a equipa
  • A lesão do melhor central que temos (Rolando sai da toca)
Esta não era mesmo preciso... Apesar de ontem o Otamendi ter estado em bom plano, entregar o eixo da  defesa ao argentino + Mangala é arriscar acabar com menos 1 jogador. Será a altura de dar a hipótese de um acto de contrição ao Rolando? Já se percebeu que vai sair em Janeiro e em troca terá dado um voto de silêncio nada habitual para o central, mas caso se confirme a gravidade da lesão de Maicon, acho que se devia "repescar" o cabo verdiano.

  • Adormecer o pessoal durante o restante da primeira parte
Infelizmente, já vem a ser hábito este adormecer da equipa portista. O filme é o mesmo de Vila do Conde e de Zagreb. Marca-se o tal golito, chega-se à vantagem... e depois adormecem todos. Está se a tornar um hábito.
  • Uma arbitragem tão má
Momento 1: Fim dos 45 minutos iniciais. Este Jorge Sousa, ex Super Dragão, tá a ser um tendencioso... só cartões amarelos e faltinhas contra o Porto!!! LADRÃO!!!

Momento 2: Fim do Jogo. Hmmm... Jorge... Bolas pá!!! O jogo tava ganho! O Sporting não dava mais... Eles já tinham metido o Adrien e o Pranijc continuava em campo... Mas porque marcaste tu 2 penaltys que não existiram?? O primeiro então é de sonho!!! No segundo foste enganado pela fama do "BolodeArroz" ou pelo ChaChaCha do Martinez?

Resumindo: Não tivesse sido um jogo dominado pelo Porto e hoje tínhamos conversa de café.

  • Arranjar uma desculpa para o Sporting
Este é o ponto da provocação... Ontem pelo Facebook choviam mensagens de dor e nojo e para quem não viu o jogo e hoje no emprego perguntou como foi o FCP-SCP aposto que as palavras chave são: roubalheira e gatunagem.

Que sirva de desculpa para uns e motivação para outros.


  • Colocar o James a 10 apenas nos 20 minutos finais...
Já cansei de dizer que o miúdo rende é a 10... Vitor... tás a começar a ouvir-me e qualquer dia até os sabes motivar. Grita com eles pá!!! Só não comas pastilhas como o Jorge Jesus. É ridículo.



Conclusões:
Sportinguistas: o fanático diz que foi roubado, o realista diz que era impossível melhor, e o negativo diz que não fizeram nada por ganhar.

Dos azuis: o fanático diz que podiam estar a ganhar por 3 ao intervalo; o realista diz que melhor é impossível e o negativo diz que se continuamos a adormecer a meio dos jogos vamos perder muitos pontos como fizemos em Vila do Conde.


Eu digo apenas que para este Porto e para este Sporting não era preciso tanta polémica .. O futebol verde e branco está a anos luz do portista (passe o exagero). Os primeiros 15 minutos foram exemplo disso, o SCP não fazia 2 passes seguidos e cheirava a goleada.

Se bem que agora que estou a reler este texto... Sou capaz de cair no negativo muitas vezes... Obrigado Vítor "Xanax" Pereira.


Ps. Ao intervalo comentei... Até aos 75 entram o Atsu e o Defour para o lugar do Varela e do Lucho. Sei que não estava a ser brilhante neste meu comentário... Mas o pior é que se até um gajo que está num sofá a 300kms de distância sabe isso, como é que o VP gere um balneário onde jogam sempre os mesmos; para além de facilitar a vida a qualquer treinador adversário...


Vitória mais difícil do que se esperava

O Benfica começou o jogo com o Beira-Mar da pior forma. Um erro monumental de Artur e os aveirenses desde cedo em vantagem. Depois, as dificuldades já habituais. O meio-campo não cria desequilíbrios (com apenas dois jogadores, sendo que um deles recua para junto dos defesas no início do processo ofensivo, também não se pode esperar outra coisa) e os dois avançados não são servidos da melhor forma. Mesmo assim, com um pouco mais de sorte, o Benfica poderia ter chegado ao empate durante a primeira parte. Ridícula foi a grande penalidade assinalada a favor do Benfica, quando até é Maxi que comete falta. Até preferi que Rodrigo não tivesse concretizado. Se é para vencer, que seja com todo o mérito e não beneficiando de erros arbitragens como habitualmente vemos surgir para outros lados ou para os nossos adversários de fim-de-semana.

Na segunda parte, o Benfica entrou com mais velocidade e mais pressionante, e conseguiu rapidamente dar a volta ao marcador. Grande golo de Maxi no primeiro e excelente combinação entre Rodrigo e Lima no segundo. A seguir ao 2-1 não se viu muito mais. Os adeptos esquecem-se do jogo que o Benfica teve a meio da semana e da sova física que levou. A correr quase sempre atrás da bola, os jogadores do Benfica fizeram mais 8 km que os do Barcelona. Por isso não é de estranhar a exibição apagada da equipa no resto da segunda parte. Jesus fez bem em reforçar o meio-campo com Carlos Martins mas o internacional português voltou a fazer uma má entrada na partida.


Algumas notas:
- Faz falta um meio campo reforçado, seja com Aimar ou Carlos Martins, sobretudo porque Salvio gosta de encostar à linha e Pérez, apesar da raça com que cobre o meio campo e excelente critério ao soltar a bola, não tem a capacidade para fazer passes a rasgar a defesa adversária ou com um ou dois toques, colocar a bola na frente;
- Artur tem esta sorte. Sempre que compromete, o Benfica normalmente ganha ou quem marca está em posição irregular. Desta forma, os erros são facilmente esquecidos e apenas se dá valor às grandes defesas que seguram vitórias. Melhor assim, pelo menos não fica com a confiança beliscada;
- Matic voltou a fazer uma boa exibição. O sérvio está a crescer de jogo para jogo e a cumprir muito bem o seu papel;
- Lima tem estado em bom plano. Não tem recebido os passes que necessita mas a facilidade com que remata e a sua mobilidade é muito bem vinda. A assistência para Rodrigo é muito bem trabalhada;
- Que cena foi aquela do Jesus?! Para dar aquele espectáculo é porque estava a ganhar. Caso contrário estaria impávido e sereno no banco. Chama o Lima?! Era isso?! Foi assim tão grave? No estádio não percebi a razão de tanta irritação. Até o Raul José ia apanhando;
- A equipa está a precisar de dois jogos seguidos com boas exibições e vitórias expressivas para ganhar confiança. Ela própria ainda não está convencida que, depois das saídas de Javi e Witsel, tem o que necessita para conquistar o campeonato. Os adeptos também não mas isso não é o mais importante...



05/10/2012

Os donos da bola

Não há muito a dizer do Benfica-Barcelona pelo que o tempo que vou roubar falando do jogo, será directamente proporcional à posse de bola que os comandados de Jesus conseguiram. Ainda para mais, apenas vale a pena falar sobre a primeira parte. Relativamente à segunda, só referir que Carlos Martins teve uma prestação mais austera do que os programas de Vítor Gaspar, que a entrada de Nolito foi mais inconsequente do que a decisão relativa ao aumento da TSU e que Aimar deu-se por contente por fazer umas habilidades junto do seu fã preferido. 

Já na primeira parte, há a salientar a excelente resposta do Benfica ao temível adversário assim como a infelicidade de sofrer um golo, logo aos 5 minutos, quando estava bem na partida. Matic revelou-se como o melhor jogador do Benfica em campo, aproveitando da melhor forma a sua superioridade física contra os anões da Catalunha, segurando a bola com muita calma e a soltando nas melhores condições para os seus colegas. Salvio mostrou que o lugar dele é a jogar com os melhores. Pérez, apesar de não ter subido no terreno, voltou a revelar um excelente critério a soltar a bola. Foi pena Lima não ter marcado na cara de Valdés. O fantástico ambiente e os cerca de 60.000 benfiquistas mereciam comemorar o golo do empate contra o todo poderoso Barcelona.


Agora, gostaria de me debruçar um pouco sobre o futebol que tive que ver durante todo o jogo mas sobretudo durante toda a segunda parte. No entanto, tenho muitas dificuldades em fazer uma crítica assertiva. Ou seja, acho a forma de jogar do Barcelona completamente anti-futebol, mas depois interrogo-me como posso afirmar uma barbaridade destas quando esta equipa só não conquista todas as competições em que participa por manifesto azar ou por falta de motivação. Com uma táctica que obriga a fenomenal equipa do Real Madrid a jogar à defesa e a correr atrás da bola e que é o pesadelo de qualquer treinador adversário. Que apesar de jogar sem avançados, marca em praticamente em todos os jogos, tem percentagens de posse de bola impressionantes e quase que invalida qualquer tentativa de ataque do adversário. Bom, simplesmente não o consigo fazer...


Sendo assim, limito-me a explicar da forma mais simples que consigo: NÃO GOSTO! Não me convencem quando dizem que a forma de jogar do Barcelona é o futebol no seu estado mais puro. Não é este o futebol que eu aprendi a adorar. Não é este o futebol que me faz perder horas e horas a ver 22 jogadores a correr atrás de uma bola, mesmo quando nenhum é do meu clube. Se não fosse do Benfica e estivesse a ver o jogo na televisão, podem ter a certeza que mudaria para ver outro jogo. E reparem que até podia ser entre duas equipas de níveis diferentes. Quem não gostou de ver o Ajax-Real, assistir às jogadas fantásticas e a alta velocidade e aos grandes golos de Benzema e Ronaldo? Porra, o Barcelona só marca golos com a parte de dentro do pé e na pequena área! É por isso que o Nolito não sabe rematar com o peito do pé! Não fosse o génio de Messi, a mestria de Xavi e a qualidade de Iniesta e então é que não teria motivos para sequer ver os resumos do Barcelona. Ok, face aos resultados parece estúpido o que estou a dizer... Já muitos dizem que esta é provavelmente a melhor equipa de sempre e aqui estou eu a dizer que não empolga. Pois, não faz muito sentido mas mantenho a minha posição. Dêem-me velocidade, desequilíbrios constantes, grandes remates de fora da área, cruzamentos milimétricos, cabeceamentos como mandam as regras, passes para o espaço vazio e por aí fora. Mesmo que não fosse pela armada portuguesa e Di Maria, é por isto que estarei sempre a torcer pelo Real Madrid contra o Barcelona.

  

04/10/2012

Devo ser eu que estou maluco

Extrato da minha conversa com o nosso comentador (e grande amigo) Galaad:

"Ponto prévio: nem ponho a hipótese de perder com o Videoton. O empate já não seria um bom resultado. Derrota na Hungria bom... nem quero imaginar."

O que dizer de uma humilhante goleada? Só uma coisa: para não ponderar uma derrota com o Videoton, só posso ser eu que estou maluco!

Começa a chegar a altura de todos os sportinguistas, sem exceção, assumirem as suas responsabilidades. Todos.

02/10/2012

Eu bem dizia (III)

Ou melhor, nós bem dizíamos, tanto eu como o Gorbyn.

Aqui, por exemplo, ambos defendemos que merecia o 11 do ano.

E aqui ambos concordámos que merecia um lugar no Euro.

Serse Cosmi, o seu treinador no Siena, diz dele que joga com a personalidade e a segurança de um veterano.

Mas, em Portugal, apostar nas evidências não tem graça nenhuma. O que tem graça é jogar à roleta russa...

No próximo ano, lá estará ele no FCP, depois de empandeirado o Rolando para Itália num negócio triangular qualquer.

É a vida...

01/10/2012

(In)coerências

Não sou dos que desvalorizam a coerência. A coerência, para mim, tem valor. Não nas atitudes, nas ideias ou sequer nas palavras, mas nos princípios. Podemos ter atitudes diferentes, mudar de ideias, variar o discurso, desde que essas atitudes, ideias e palavras tenham por base princípios sólidos que as norteiem. Muitas vezes, os mesmos princípios, perante situações diferentes, podem (devem!) inspirar diferentes reações. Mas os princípios, os valores, esses têm que estar sempre presentes.

Serve este início chatarrão (e que já deve ter desmobilizado metade dos leitores) para dizer que Sá Pinto foi incoerente no Sábado. Porquê? Porque se era verdade que era necessário um abanão no jogo contra o Gil, também não deixa de ser verdade que as medidas "drásticas" têm natureza meramente conjuntural, não devendo ser a regra mas sim a exceção. Coerente teria sido voltar a implementar o modelo anterior, depois do abanão que a equipa, efetivamente, sentiu.

Claro que a metade dos leitores que começou a ler o post e que continuou até aqui está a perguntar-se neste momento: "Mas este gajo é maluco ou quê? Então ele não elogiou o risco total do jogo contra o Gil Vicente? Vou já fechar isto e passar para outro blog". Ora, mesmo reduzido a 1/3 da audiência inicial (e desde já o meu obrigado aos que continuam a ler-me), penso que tenho o dever de explicar porque entendo que Sá Pinto foi incoerente. E, por arrasto, porque entendo que eu não estou a sê-lo.

Sá Pinto foi incoerente porque abdicou dos seus princípios de jogo. A alteração que se pedia, o safanão, tinha muito mais de motivacional e emocional do que de tático. Sá Pinto foi mais longe: deu um safanão psicológico E tático. Que resultou, perante a evidência de que podia ter corrido mal. Na altura, eu escrevi que "poderia ter corrido muito mal, mas o Sporting ainda é o Sporting. O princípio de Murphy passa, agora, para outro." Ou seja, contrariámos a lei de Murphy e o que poderia ter corrido mal, não correu. Conjunturalmente. Excecionalmente. Por uma vez.

[Neste momento, estou reduzido a 1/5 dos leitores iniciais, esta auto-citação enerva muita gente! E com razão]

Mas o sistema de jogo contra o Gil não pode nunca ser o modelo de jogo para o nosso plantel. Reparem: com 2 avançados no plantel, jogamos com 2 avançados na equipa titular? Foi isto que foi pensado? Com múltiplas opções para médio interior/box-to-box com bastante qualidade (Adrien, Elias, André Martins, Schaars), é razoável pensar que nenhum vai jogar? Claro que não.

Por isso, de duas uma: ou Sá Pinto quis dar o tal safanão e, tendo a coisa corrido bem, tentou aproveitar novo jogo em casa contra adversário de menor valia para fazer render o peixe; ou, na realidade, depois do safanão dado e elogios recebidos (normalmente de ignorantes que dizem "vêm como temos sempre que jogar com 2 avançados?", como se o Porto não fosse cronicamente campeão há 20 anos a jogar com apenas 1), receou a reação da bancada se voltasse ao esquema habitual. Não quis ser visto como um cobarde, não quis correr o risco de empatar 0-0 se iniciasse com o modelo em que eu acredito que ele acredita.

Se foi a primeira, fico preocupado - será que é possível que alguém acredita que aquele é o melhor sistema para este plantel, tendo as opções que nós temos para o meio-campo? Não me parece!

Acho, pois, que foi a segunda. E que Sá Pinto foi incoerente com as suas ideias, cedendo à pressão das bancadas, numa altura em que os seus (poucos) defensores lhe elogiavam a coragem de persistir com um sistema de jogo que privilegia, entre outras coisas, a ligação entre as camadas jovens e o plantel sénior, algo que deveria ter sido feito há muitos anos e nunca ninguém teve coragem de fazer. E mesmo os que são céticos perante as suas qualidades diziam que "Sá Pinto teve a versatilidade de, conjunturalmente, mudar o sistema em que acredita. Era o que se lhe pedia. Teve essa humildade e eu, que nunca fui um entusiasta, reconheço-lhe isso. Continuo a achar, e parece-me que o próprio Sá Pinto o admitiu ontem na (excelente*) conferência de imprensa após o jogo, que o melhor sistema base para este Sporting é um 4x3x3 com meio campo em 1-2 e extremos mais aproximados do avançado (desta parte ele não falou, é totalmente minha)."
Conjunturalmente, excecionalmente, por uma vez, perante uma situação concreta, pode ser necessário dar um abanão nas nossas convicções. Abdicar daquilo em que acreditamos, normalmente, dá mau resultado. Foi o que aconteceu. Pior, aconteceu para dar ouvidos a uma turba impaciente que não quis ver o óbvio: jogar sem meio-campo pode resultar, excecionalmente, uma vez ou outra; regra geral, não dá.

[Falo agora para os 3 leitores que restam depois deste infindável e fiolsófico texto...]

Sá Pinto vai corrigir e inevitavelmente voltar ao 4x3x3. E ser preso por ter cão ou não ter. Se perdemos em 4x2x4, a turba dirá que é louco por jogar assim no Dragão; se perdermos em 4x3x3, a turba dirá que é um cobarde.

Isto só mostra, caro Sá Pinto (o único que ainda me lê neste momento, coitado...) que a turba não é para ouvir.

Enfim... com 4x2x4, 4x3x3 ou 4x5x1, se ganharmos no Dragão, mantém-se a chama acesa. Se empatarmos, ganha-se fôlego, mas tudo dependerá dos jogos seguintes. Se perdermos... acabou o sonho (sim, era um sonho, mas eu alimento sempre esse sonho) de disputar o título. Vamos ver como reage Sá Pinto e como reagem os jogadores.

Mas venham eles, os tripeiros... com uma ponta de sorte, pode sobrar para nós. E ser este, e não o Gil, o tal clique de que tanto se tem falado.