04/09/2012

Vendaval russo

Não levou tudo mas levou o que havia de melhor, tanto no Dragão como na Luz. Vou deixar o comentário de balanço sobre todas as transferências para o meu amigo Koba (Sporting) já que vou apenas deixar aqui algumas linhas sobre a saída de Witsel.

Em primeiro lugar, esta possibilidade que os clubes turcos, franceses e russos têm de contratar jogadores quando os clubes de outros países já não podem, é uma vantagem competitiva completamente injustificada e que não faz o mínimo sentido para equipas que disputam as mesmas competições. Imaginem o ridículo que seria caso o Zenit estivesse no mesmo grupo de Benfica ou Porto. Já para não falar do tal fair play financeiro que não percebo como continua a permitir que estes clubes deturpem completamente as competições em que se encontram envolvidos. Do mal o menos, o Benfica tem aproveitado para fazer boas vendas com estes clubes (o Porto então...).


Em relação à saída do belga, ao contrário do que tinha escrito depois do fecho do mercado de entradas em Portugal (as saídas, como está visto, ainda estão por fechar), acabo por ser bem menos crítico para com os responsáveis do clube. Isto, se os russos apenas começaram a atacar os seus alvos depois do dia 31. Ou seja, mesmo com um Real Madrid ao barulho, parecia evidente para todos que nenhum clube se iria sequer aproximar da cláusula de rescisão. 30 milhões talvez fosse o máximo que se perspectivaria numa eventual transferência. Sendo assim, quando depois do 31 de Agosto, chega um clube que parece que encontrou um bug no FM que lhe garante recursos praticamente ilimitados, e acciona a cláusula de rescisão de 40M € de um jogador que custou cerca de 7M € na época anterior, não há mesmo muito a fazer. Ainda para mais, se se confirmar que o Benfica ainda tentou renovar o contrato e aumentar consideravelmente o ordenado para evitar a saída (tendo mesmo assim ficado muito longe do que o Zenit oferecia).

No fundo, o erro principal deu-se quando não se garantiu um reforço que empreste força, capacidade física e poder de choque ao meio campo, aquando da saída de Javi. É neste tipo de jogadores que estamos deficitários, pois só há Matic. Jjogadores para o meio-campo ofensivo sempre temos Aimar e Carlos Martins, assim como Bruno César e Enzo Perez (se fecharmos um pouco os olhos). Agora, como vai ser, quando as habituais lesões de Matic, Aimar e Martins voltarem? Quando tanto Aimar como Martins, apenas fazem 60/70 minutos por jogo?. Agora é que não há mesmo dúvidas que, infelizmente, não abandonaremos o 4-4-2...

Eu bem tinha dito que era um crime colocar Witsel a defesa direito e mesmo a trinco. A pena está à vista. Mesmo neste jogo, quando Witsel foi chamado por um Jorge Jesus histérico para lhe dar uma reprimenda, foi evidente a reacção de desagrado do belga, que lhe virou imediatamente as costas, como que a dizer "O que é que queres mais? Ando aqui a tapar os buracos e ainda me estás lixar a cabeça?". É talento a mais para andar desaparecido dos jogos, a jogar em posições que nada têm a ver com as suas características. Não deixará de andar escondido algures no frio da Rússia mas seguramente com uma conta bancária bem maior. E daqui a um ano ou no máximo dois, lá dirá que não está satisfeito na Rússia, que tem problemas pessoais, que o cabelo fica estranho com o gelo, e lá acabará por seguir para um clube da sua dimensão por 25 ou 30 milhões de euros.


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