11/09/2012

Vamos então ao balanço (II - Porto, Benfica e previsões)



Continuando o meu post de ontem...

1. Porto

Dos titulares ou candidatos a tal, o Porto vendeu Álvaro Pereira e Hulk. E foi basicamente isto nas saídas. Também realizaram dinheiro com Guarin, por exemplo, mas esse já não entrava nas contas (desportivas) no ano passado. Ainda se encostou o Rolando na esperança de que alguém achasse que, na realidade, ele faz boas duplas de centrais com qualquer um para além do Olegário e do Soares Dias. Infelizmente para o Porto, hoje em dia os clubes decentes têm olheiros e não caíram nessa, pelo que o Rolando ficou por lá. Ah! E foram despachados o Djalma e o Janko (lembram-se quando eu dizia que este ano nem calçaria?).

Nas entradas, não há grandes novidades. O Porto (como quase sempre, uma das exceções foi o ano passado) geriu a pré-temporada bastante bem. Preferiu investir forte onde estava necessitado (Jackson) e fazer regressar jogadores para posições onde as opções eram escassas (Miguel Lopes, Castro). Tudo somado, fica com um plantel muito sólido e bem construído, talvez o mais equilibrado de Portugal. E o mais forte também, se contarmos com o Pedro Proença.

Ainda assim, tem poucos elementos desequilibradores. Neste ponto, a saída de Hulk pode fazer muita diferença. No ano passado - e penso que quem me chamou a atenção para isto foi precisamente o Gorbyn - Hulk decidiu praticamente todos os jogos "grandes". Isto sem contar com os inúmeros jogos com pequenos que ele ajudou a desbloquear (vejam já este ano o Porto-Guimarães e o Olhanense-Porto em que Hulk "acabou" com o jogo).

A negociata de Hulk teve um toque de génio que na verdade não é uma grande notícia para Vítor Pereira: sabendo que a cheta tinha que ser usada para pagar aos investidores ao invés de reinvestir no plantel, a transferência concretizou-se após o final do período de inscrições. Paga-se aos investidores, em Janeiro ninguém se lembra que entraram 40M e bola para a frente. Fica o Sousa Tavares sozinho a pregar no deserto sobre as contas do FCP e o Vítor Pereira a rezar para que os putos Atsu e Iturbe possam fazer o que Varela, por mais que queira, nunca vai conseguir fazer: partir aquilo tudo em 10, 15, 20 jogos ao longo de uma temporada.

Mas, em suma, se jogar em 4x3x3, só acho que falta mais uma opção no meio-campo (quem faz o lugar de Fernando?). E nas alas se os tais miúdos não "explodirem" fica a faltar um elemento de desequilíbrio.

2. Benfica

Nos nossos rivais de Lisboa as coisas foram um pouco piores em termos de planificação, mas o resultado acaba por não ser desastroso, essencialmente porque o campeonato nacional é muito fraco.

Como habitualmente, foram contratados extremos em barda (de tal forma que um tal de Urreta, que caberia tranquilamente no plantel do Sporting, seria a 6ª ou 7ª opção de Jesus e nem foi inscrito), alguns deles a contar com o ovo no cú da galinha (Ola John aparentemente a assumir a venda de Gaitán... para depois ficarem ambos na bancada). Mas um dos contratados é efetivamente muito bom: Salvio dá-se muito bem no sistema do meu consócio JJ, parece que é treinado por ele há anos. E os avançados são mais do que suficientes para assegurar diversas opções e modelos.

Na defesa e meio-campo é que a coisa se complica: olhando só ao quarteto, 75% da defesa é indiscutivelmente a melhor de Portugal, mas não foi contratado um lateral esquerdo (incompreensível). Podia-se temer pelo castigo de Luisão mas, face à jurisprudência, cheira-me que lhe vão dar 2 meses, a começar em 31 de Maio e a acabar em 31 de Julho. Quanto às saídas de Javi e Witsel deixam o meio-campo entregue a Matic. Pode ser que resulte, mas duvido que Matic seja tão discreto no uso do cotovelo como o era Javi Garcia. E se Matic se lesiona é um sarilho.

A soma disto tudo é um plantel algo desequilibrado, com algumas posições deficitárias, mas imensa qualidade do meio-campo para a frente, múltiplas opções nos extremos e no ataque e indiscutivelmente o maior número de desequilibradores de Portugal. Contando, ainda, com o Luisão a desequilibrar árbitros e o Herculano Lima a aplicar castigos, temos o grande favorito à conquista do título 2012/2013.

Em conclusão, aceitando que Jesus está a assumir o 4x1x3x2 como modelo-base, acho que tem jogadores para isso, mesmo que se tenha desleixado no lateral esquerdo e tido poucas cautelas nas opções do meio-campo (mesmo que Witsel ficasse, quem seria o seu substituto?). Ainda assim, a artilharia ofensiva e os inúmeros desequilibradores chegam bem para ganhar, pelo menos, 11 jogos em casa e, pelo menos, 10 jogos fora. Com isto, são 63 pontos. Somando aos 7 que já têm, dá 70. Se algum dos outros fizer um registo equivalente, têm que fazer pontos no confronto direto. É isto.

3. Previsões

Com Luisão, o Benfica é favorito. Mesmo sem defesa esquerdo e com meio-campo a meio gás, acho que chega para consumo interno. Antecipo, porém, uma campanha complicada na Champions (embora tenham um grupo acessível). A Taça Lucílio, como habitualmente, é deles.

O Porto vai alternar jogos em que ganha facilmente com outros em que vai ter dificuldades. Nestes últimos, vai sentir a falta de Hulk. Ou aparece alguém a resolver, ou vai perder aqueles pontinhos que no final podem fazer falta.

O Sporting não tem nem a consistência do Porto, nem os desequilibradores do Benfica. Em tese, até pode ser 1º, se Benfica e Porto perderem muitos pontos (pouco provável que suceda a ambos, mas possível). Pela primeira vez nos últimos anos, não fica a perder para os outros de forma indiscutível, se analisarmos posição a posição (por exemplo, na defesa, a do Benfica é melhor, mas o nosso lateral esquerdo é superior; e se compararmos com a dupla de centrais do Porto, não acho que Maicon-Otamendi seja indiscutivelmente melhor que Boulahrouz-Rojo). De qualquer forma, é um outsider.

O Braga, sinceramente, não conta. Não tem pedalada para Champions + campeonato. No ano em que estiveram na Champions (e foram à final da Liga Europa) ficaram atrás do Sporting de Paulo Sérgio e Couceiro (acreditem, foi mesmo verdade). E tinham uma equipa tão boa (ou melhor) do que esta. Fica em 4º.

2 comentários:

  1. Concordo que, no final das contas, o Porto é a equipa que tem o plantel mais equilibrado. Para uma competição em que a regularidade é importantíssima, este equilíbrio pode revelar-se decisivo.

    O défice de qualidade e quantidade que o Benfica apresenta nas posições mais recuadas, juntamente com a tendência, agora reforçada pela necessidade, de Jesus jogar com dois avançados, poderá revelar-se fatal para os jogos de elevada competitividade, especialmente na Champions e contra os principais adversários. Espero que tal não aconteça, mas é um sério risco. Nas posições mais adiantadas, não há dúvidas que é o plantel que detém mais e melhores soluções.

    Quanto ao Sporting, parece-me que vai ser complicado fugir de muitos empates. Isto porque deverá apresentar um futebol muito previsível, facilitando a condução dos autocarros dos adversários mais fracos. Não vejo ninguém com capacidade para definir as jogadas com velocidade e a desequilibrar no meio-campo. Carrillo, Capel, jogando nas alas não são suficientes para preencher esta necessidade.

    Com Champions, também acho que não haverá Braga suficiente para o campeonato.

    ResponderEliminar
  2. Estamos genericamente de acordo, com uma "nuance".

    Numa liga competitiva, o equilíbrio do plantel será decisivo; nesta nossa liga, o que é decisivo é a capacidade para desembrulhar os jogos com os pequenos. Jogos como o Sporting-Rio Ave, precisamente, em que coletivamente tudo sai mal à equipa mais forte e tudo sai bem à equipa mais fraca.

    Nesses momentos, aparece um Hulk (que o Sporting não tem) ou um dos vários que o Benfica tinha (alguns ainda tem): uma arrancada do Maxi, um canto para a cabeça de Luisão ou Javi, uma jogada de Aimar, uma diagonal de Nolito ou Gaitán, um tiraço de Cardozo.

    Por isso digo que o Benfica é o principal favorito: tem mais armas do que os outros para desembrulhar estes jogos em que, coletivamente, a coisa não está a sair.

    Se, porventura, o Porto conseguir os mesmos pontos que o Benfica nos jogos com os pequenos (ou aproximar-se disso), então a diferença será feita pelos confrontos com as equipas mais fortes: clássicos, derby e Braga. E aí acho que o Porto, sendo mais sólido, pode tirar vantagem.

    Ou seja, se o confronto se resumir aos dois, ao Benfica basicamente "basta" cumprir a sua missão com os clubes pequenos e fica com o campeonato na mão, porque não acredito que o Porto consiga desembrulhar todos esses jogos com os pequenos faltando um elemento como Hulk.

    Quanto ao Sporting, está a procurar a sua solidez (reconheço que ainda não a tem) e os (poucos) elementos desequilibradores ou são muito jovens (Carrillo) ou pouco consistentes, nomeadamente por motivos físicos (Izmailov). Se encontrar rapidamente a solidez, pode fazer uma campanha parecida com a do Porto, como ameaçou fazer o ano passado antes do FCP "arrancar" para o título. Mas é difícil, claro. E quanto à comparação com o Benfica, depende exclusivamente de o Benfica conseguir garantir os tais pontos que tem obrigação de conquistar.

    ResponderEliminar