10/09/2012

Vamos então ao balanço (I - Sporting)


Parece que já não há mercados abertos na Europa, salvo para situações especiais (jogadores no desemprego, por exemplo), pelo que podemos finalmente fazer o balanço do que foram estes longos meses do defeso. Começando, naturalmente, por quem mais interessa: o Sporting! Que, aliás, vou escalpelizar neste post em detalhe. O Benfica e o Porto ficam para amanhã, bem como a comparação entre os três e as minhas projeções para a época.

Quanto ao Sporting: permitam-me recuperar pela enésima vez o meu post de 22 de Maio, onde tinha antecipado o que seriam, a meu ver, as necessidades do plantel para este ano. Desta vez - mas só desta vez! - não se trata de um exercício de narcisismo. Trata-se de salientar que, mais do que a minha opinião, sinceramente, o que eu aí dizia era o que resultava do bom senso (se partíssemos do mesmo ponto de partida que eu usei, claro está). E isso comprovou-se pelas medidas adotadas por Duque e Freitas, que me pareceram genericamente boas (ainda mais num ano de redução do orçamento) e onde só fiquei com 1 ou 2 dúvidas.

Se bem se recordam, eu assumia como certas as saídas de Patrício, João Pereira, Polga, Rodriguez, Carriço, Izmailov e Bojinov. Assumia igualmente que Evaldo, Matias e Ribas ficariam no plantel. E assumia como certa a integração de Wilson Eduardo no plantel. Com base nestas premissas, defendia a contratação de 7 jogadores: 2 GR, 2 centrais, 1 médio defensivo, 1 extremo e 1 avançado.

Como sabemos, Patrício renovou (boa medida). Uma vez que Golas não foi emprestado e joga regularmente na equipa B, a contratação dos 2 GR seria, naturalmente, um disparate.

Quanto aos centrais, saíram Polga e Rodriguez, mas Carriço ficou. Foram contratados 2 centrais (Rojo e Boulahrouz) e ficaram 5. Saíu aquele que, financeiramente, menos se justificava que ficasse (considerando que não seria primeira opção) e que, desportivamente, menos se enquadrava no estilo de jogo da equipa.

Entretanto, quanto ao médio defensivo, Freitas fez-me a vontade e contratou aquilo de que estávamos mesmo a precisar: 1 trinco que possa jogar ali sozinho (Gelson). Rinaudo também pode, mas as limitações físicas não permitem que contemos com ele para toda a temporada.

Aliás, aqui convirá já antecipar que me parece que Sá Pinto está a trabalhar dois sistemas alternativos. Um deles com 1-2 no triângulo a meio-campo, outro com 2-1 nesse mesmo triângulo. A saída de Matias obrigará, a meu ver, que se utilize mais o primeiro sistema. E nesse caso ter duas alternativas para a posição 6 era indispensável. Elas estão lá - Gelson e Rinaudo.

No caso do extremo, Wilson acabou por sair, mas Izmailov (que não é extremo mas pode fazer a posição) ficou. Além disso, Labyad (com quem já se contava) pode jogar a falso extremo, em qualquer dos lados (gostaria mais de o ver na esquerda, porque já deu para perceber que tem remate fácil e pode tirar partido das suas diagonais).

Quanto ao avançado, foi de facto contratado 1 jogador: Viola. Que parece ser um segundo avançado. Mas ok, desportivamente compreendo que convém ter opções para uma maior versatilidade no jogo. O próprio Labyad pode também jogar como segundo avançado. Contando com Rubio e Betinho da equipa B, fica só a dúvida quanto à consistência das opções para a posição de PL fixo.

Fora do que estava cogitado, ficou a contratação de Pranjic. Que me parece ser um médio que encaixaria que nem uma luva no lado esquerdo de um triângulo 1-2 no meio campo, mas que pode aparentemente assegurar também o lado esquerdo da defesa. Não vou dizer que não foi uma boa contratação; face às opções do meio-campo, o que me pergunto é se efetivamente não teremos ali opções em excesso. Mas são opções de indiscutível qualidade, atenção! Não considero que no meio-campo o Sporting perca claramente na comparação com os rivais. Neste momento, por exemplo, não deixa de ser curioso verificar que o Benfica (lá iremos...) certamente não se importaria de ter pelo menos dois dos nossos médios-centro. Elias, Schaars ou mesmo Adrien (para não referir Izmailov) dariam um jeitão a Jesus.

Analisando agora as saídas: Evaldo não foi substituído porque Rojo e Pranjic fazem a posição, Matias não foi substituído porque, para o sistema 1-2, temos muitas opções e para um sistema 2-1 Labyad ou mesmo Izmailov podem fazer o lugar. Quanto a Ribas, parece que era um jogador muito caro. Eu defendi que ficasse porque me pareceu ter tido poucas oportunidades, mas estando emprestado e sendo caro, compreendo a dispensa.

Em suma, eu defendia 7, entraram 5 (Labyad não está nas contas porque estava assumida a sua integração no plantel desde muito cedo). E ainda para mais com redução do orçamento em 5M€. Sinceramente, parece-me que ao contrário do ano passado, este ano as coisas estão bem estruturadas. Podemos não ter os mesmos argumentos dos rivais, mas de um ano para o outro e com um orçamento a valer metade, isso seria sempre muito complicado.

Faltou desenvolver um pouco mais o grande tema do defeso: a alternativa a Wolfswinkel. Aqui, meus caros, deixem-me dizer que, pela primeira vez em muitos anos, fiquei contente por ver que não vinha ninguém para o Sporting no último dia. Já deu para ver os resultados de contratar por contratar (os Tales, os Cristianos, os Hildebrands). E num clube com tradição na formação, ainda mais com equipa B, há que deixar espaço para a subida da rapaziada das escolas.

O que podemos questionar - eu questiono - é fazer esta opção numa posição tão delicada quanto a do ponta-de-lança. Não pretendendo desvalorizar Pranjic, pergunto-me se com o salário do croata não conseguíamos chegar um pouco mais além na alternativa ao promissor Wolfswinkel. E pergunto também se Viola justifica uma aposta tão arriscada (alguns jornais referem 4M€) para um jogador que não entra de caras no 11 e no próprio sistema de jogo. O valor de 1 milhão por Carrillo e outro tanto por Rubio, aceita-se. Tanto financeira como desportivamente. No caso de Viola, parece-me demasiado arriscado.

Mas é claro que as contas não se fazem assim e isto é mais complexo do que parece. E se o ano passado foi notório que algumas coisas tinham sido feitas às três pancadas, este ano vou dar o benefício da dúvida, porque em termos de planificação correu bem, eu diria, em 90%. Nos restantes 10%, fico preocupado mas não apreensivo. Essencialmente porque quem acerta em 90% das opções merece, repito, o benefício da dúvidas nos restantes 10%.

Confio, sinceramente, que vamos fazer mais pontos do que fizemos no ano passado. Vamos ver se chega para competir com 2 rivais mais fortes, mas o 3º lugar parece-me o mínimo que podemos atingir. Abaixo disso será um desastre, acima disso depende das circunstâncias: o 2º lugar até pode ser aceitável se um dos rivais estiver inacessível (recordar o Benfica no 1º ano de Jesus ou o FCP de Villas-Boas). A Taça de Portugal é para ganhar. A Taça da Liga é para rodar a equipa, Sá Pinto este ano não tem desculpas para não o fazer. Na Liga Europa, nem ponho a hipótese de não sermos 1º no grupo. Depois disso, depende do sorteio.

Mas que estamos indiscutivelmente melhores, isso estamos. Por isso, mesmo gastando menos, estamos a exigir mais.

E venham daí os jogos a sério (até agora estávamos só a testar...)!

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