23/09/2012

Os apitos do costume

É difícil escrever o comentário do jogo entre a Académica e o Benfica quando o resultado é, uma vez mais, decidido por uma equipa de arbitragem e não pelo que se passou em campo. É um filme repetido por demasiadas vezes, sempre que o Benfica está a lutar ombro a ombro com o Porto e que, invariavelmente, dá sempre mais jeito na fase inicial dos campeonatos. Na medida do possível, vamos à análise.

O Benfica entrou bastante bem nesta partida e apenas a ineficácia gritante dos homens da frente misturada com algum azar, impediram que aos 15 minutos o Benfica já tivesse resolvido o jogo a seu favor. Enzo Pérez estava em grande destaque, a definir as jogadas de ataque e a cumprir o seu papel defensivo. A forma como o argentino distribuía o jogo e a clarividência com que muitas vezes fazia primeiro o drible, provocando enormes desequilíbrios, para depois então soltar a bola, era realmente de assinalar. Por outro lado, Salvio estava imparável e fazia o que queria da defesa da Briosa. Depois surgiu a grande penalidade para a Académica. Mal assinalada pois a falta é fora da área mas não posso deixar de criticar a forma imprudente como Maxi aborda a jogada. A garra do uruguaio é inquestionável mas já tem experiência suficiente para evitar estes lances.

O Benfica foi atrás do empate mas Cardozo continuou a ser tremendamente ineficaz. O lado esquerdo da equipa, simplesmente não funcionava. Bruno César não constrói nem desequilibra, apenas tendo o mérito de ter realizado dois bons cruzamentos. Melgarejo é mesmo um problema. Não teve dificuldades em defender neste jogo mas estranho como não consegue acelerar o jogo vindo de trás com a bola controlada, nem quando jogava contra menos um jogador. Apenas quando recebe a bola já na frente é que consegue dar algum apoio ao ataque. 

Na segunda parte, Salvio inventou o golo do empate e, contra uma Académica reduzida a 10, era uma questão de tempo para o Benfica dar a volta ao resultado. Só que, com estas arbitragens, há sempre surpresas à espreita. Mais um penalty mal assinalado mas, desta vez, de forma escandalosa. Sendo assim, lá teve o Benfica que ir de novo atrás do empate só que teimava em não largar a ineficácia que vinha a registar. Até que Lima fez um grande golo e o 2-2 final. Se Carlos Martins já estava em condições, devia ter entrado ao invés de um Aimar completamente fora de forma, até porque o seu poder de tiro poderia ser uma boa solução.


É óbvio que o Benfica tem que potenciar o impacto mediático da prestação de Xistra para pressionar ao máximo as próximas arbitragens e evitar que volte a ser prejudicado nos seus jogos. Olhando para o que se passou em Coimbra com o máximo de racionalidade que a revolta que sinto permite, não consigo dizer que Xistra apenas fez o que lhe foi encomendado. Se fosse para prejudicar, mesmo assim acho que era menos escandaloso não assinalar o penalty do Benfica e evitar a expulsão do jogador da Académica. Só que no final das contas, mais uma vez, o Benfica é empurrado, tal como aconteceu na época passada. Num jogo que o Benfica fez mais do que suficiente para ganhar por larga margem. Apenas uma ideia: da próxima vez que Luís Filipe Vieira pensar numa medida para pressionar o futebol português, evite o apelo para que os adeptos benfiquistas não apoiem a sua equipa no campo dos adversários. O apoio deve ser sempre total e o máximo possível. Ele que ataque, como António Oliveira fez questão de frisar, quem decide tudo que se passa no futebol português. Ele que ataque quem não se importa minimamente com os jogos em que o Benfica é prejudicado e de ver o Porto repetidamente a ser campeão. Se quiser fazer um apelo onde dói mais ao sistema, peça a todos os benfiquistas para, como aviso, cancelarem a Sport Tv durante um mês.Sem jogos vendidos a um canal generalista, quero ver como corre um corte da receita em 50 ou 60 por cento.



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