17/09/2012

Falta matar!

Ontem, faltou matar. Por duas vezes: faltou entrar a matar e faltou matar o jogo na segunda parte.

Se, na segunda situação, vivemos o clássico problema das equipas que jogam sobre brasas e com a bola a queimar (razão pela qual se vão falhando golos atrás de golos, mesmo não jogando de forma excelente), já na primeira situação me parece que o problema poderá estar numa mera questão de metros. E desta vez nem me refiro a outro clássico problema, este mais restrito ao Sporting, relativo à altura dos jogadores; refiro-me, sim, ao posicionamento de Elias, que deve jogar onde jogou na 2ª parte.

Mas vamos à segunda situação porque a primeira está certamente a ser trabalhada em Alcochete. Deixemo-nos de histerias e deixemo-nos de críticas fáceis. Wolfswinkel ontem fez o seu papel, em 2 oportunidades concretizou uma. Podia ter concretizado ambas ou podia ter criado mais? Claro que sim, mas uma equipa que depende do seu ponta-de-lança para marcar golos (a não ser que falemos de um Jardel ou de um Falcao) tem sérias insuficiências. Eu acho que o Sporting tem algumas insuficiências, mas tem um plantel que deveria permitir que Wolfswinkel dormisse descansado mesmo nos seus dias "não". A verdade é que não tem dormido, muito porque os outros também estão a falhar muitos golos. Para não falar dos lances que se desperdiçam em superioridade numérica porque o último passe sai para a zona lateral e a oportunidade acaba por nem surgir.

Ou seja, para matar os jogos, precisamos que os outros jogadores também digam "presente" na hora de finalizar (e tomem lá uma frase feita para não acharem que isto são só ideias giras e originais). O Sporting marcou, até agora, 7 golos em jogos oficiais. Wolfswinkel, desses 7, marcou 3. Carrillo 2. Elias 1. O outro foi um auto-golo de um dinamarquês. Será pelo ponta-de-lança, São Inácio? Onde andam os golos dos outros avançados/estremos? Onde andam os golos dos médios de construção? Onde andam os golos dos centrais? Onde andam os golos de bola parada?

Não é por aqui, desculpem lá... O que falta, a meu ver, é algo de estrutural.

O Sporting tem que se mentalizar que está muito acima dos Marítimos e mesmo dos Bragas desta vida. Falta acreditar. Acreditar que se é grande. Condenar o adversário ao insucesso pelo simples facto de que somos o Sporting e estamos a ganhar. Ter essa confiança e transportá-la para o campo. Matar o jogo pela diferença de qualidade no papel. Tem-nos faltado isso. Face ao nosso passado recente, contra nós os adversários acreditam sempre. Temos que inverter isso. O adversário tem que ser encostado às cordas não só pelo futebol, mas também pela forma como se encara esse mesmo adversário.

Muitos dirão que isto será arrogância e que alguma sobranceria também pode custar pontos. Concedo que, se encararmos isto de forma extrema, pode acontecer. Veja-se o histórico do meu consócio JJ no Benfica e as inúmeras crónicas em que o Gorbyn aqui o criticou por ter arriscado em demasia. Mas aí o que faltou foi o inverso: ter noção de que ser grande não chega.

Ser grande. Acreditar que se é grande. Ter a certeza de que se é grande. E impô-lo. É por aqui! Como? Seria motivo para um longuíssimo post que farei em momento mais oportuno.

Por ora, reter apenas este pensamento: o Sporting é grande e sempre será. Precisa, por ora, de acreditar que é grande. Poderá ter que perceber, como já aqui disse em tempos, que os grandes, por vezes, têm que dar um passo atrás para poder depois dar dois para a frente. Mas vamos tratar primeiro do nosso ego e só depois passar à segunda fase.

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