10/09/2012

Ainda a propósito dos russos

As últimas notícias relacionadas com o raide russo em Lisboa e Porto, revelam que o Benfica apenas aceitou a transferência de Witsel depois de ter confirmado que Hulk já tinha sido vendido, pelos azuis, aos mesmos russos.  Não tenho qualquer interesse em andar a fazer contas com os milhões que giraram à volta da transferência do brasileiro, mas este consentimento do Benfica (a ser verdade) é que me faz muita confusão.

Ou seja, se o valor da transferência é relativamente pacífico (40M €), a existência de cláusulas que bloqueariam a possibilidade do Zenit exercer a cáusula de rescisão é que começa a fazer algum sentido. Quer seja algo relacionado com a necessidade de ser exercida dentro do período de transferências português ou com alguma antecedência, a verdade é que parece que havia alguma forma do Benfica bloquear a transferência.

Desta forma, podemos sempre discutir alguns temas de menor importância:

a) será que 30 milhões de uma eventual venda no final da época mas de um Benfica campeão, não renderiam mais do que 40 milhões agora, de um Benfica que não seja campeão. É de caras que um Benfica com Witsel teria muito mais hipóteses de vencer o campeonato e acredito até que ficaria mais forte do que um Porto sem Hulk. Sendo assim, as receitas adicionais de bilheteira que conseguiria com um Benfica na frente, a valorização de outros jogadores do plantel que a visibilidade de um campeão permite e até as melhores hipóteses na Champions, não seriam suficientes para compensar a diferença de valores?

b) por outro lado, imaginando que o Benfica bloqueava mesmo a saída, até que ponto é que um Witsel contrariado e com menor motivação, não acabaria por se revelar um foco de instabilidade para a própria equipa (até porque passaria a ser, com a renovação, um dos jogadores mais bem pagos do plantel)?

c) mesmo não gostando da venda de Witsel, acho que ficámos com mais hipóteses de vencer o campeonato após o vendaval russo, do que a 31 de Agosto quando perdemos Javi e o Porto mantinha todos os seus jogadores mais importantes.


No entanto, para mim o que é mais importante (reforço, caso estas notícias sejam verdade) é perceber como os discursos realizados para as televisões se assemelham, cada vez mais, aos discursos políticos que não se importam de iludir os eleitores desde que isso garanta mais votos. Na minha ingenuidade e benfiquismo, diria que não há espaço para este tipo de armações por parte dos dirigentes do meu clube. Não tenho dúvidas que é uma visão romântica, mas é aquela que sustenta tantas horas e euros gastos no apoio à equipa e ao clube. Preferia claramente um discurso que apresentaria a necessidade de responder aos compromissos financeiros como justificação para a venda e para um golpe tão doloroso nas aspirações para esta época (por força da inexistência de alternativas para aquela posição) do que palavras que, a pouco a pouco, começam a ficar ensombradas por muitas dúvidas. Acaba por ser um pouco a consequência de se olhar para um sócio/adepto, cada vez mais, com uma objectiva que só o vê como cliente e eleitor mas que corre o sério risco de ser contraproducente a médio prazo.  



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