19/08/2012

É o que temos

Mal vi o onze inicial, disse logo que tinha tudo para correr mal. Do meu irmão só ouvi um "Aqui vai mais uma primeira parte de borla". É assim Jesus. Não muda. É demasiado teimoso. Nem na época em que já não tem mais crédito ele faz o que é mais lógico. Foi por ele que a minha vontade de renovar o cativo quase chegou a zero e é por ele que pouco acredito na conquista deste campeonato. Sei que pode parecer que é a azia de mais um arranque em falso a falar mais alto mas já tinha dito antes. O sucesso desta época será inversamente proporcional ao número de invenções de Jesus. E neste jogo ele inventou:
- voltou a jogar com dois avançados contra uma das melhores equipas do campeonato;
- não colocou o melhor jogador da pré-época no onze inicial (Carlos Martins);
- Rodrigo que quase não jogou na pré-época, entrou logo no onze;
- forçou a utilização de Bruno César (também já tinha dito que esta paixão de Jesus era incontornável) naquela teoria de que Melgarejo faz o corredor e Bruno César pode então reforçar o miolo nessas movimentações. No papel até pode resultar mas como dizem muitas vezes, no powerpoint e excel, tudo é possível;
- e assim, lá ficou destruída a possibilidade de colocar o melhor meio-campo da liga (Javi, Carlos Martins e Witsel) e naturalmente que, contra apenas dois jogadores, o meio-campo do Braga foi mais forte. E, pior ainda, nem consegue aproveitar devidamente o talento do belga.



O resultado foi um futebol de baixa qualidade, com poucas jogadas de ataque, poucos remates e com raras ocasiões de golo. Mesmo assim deu para começar em vantagem mas o Benfica tem destas coisas, quando há um ponto fraco logo se faz questão de o destacar (quando estava com poucos centrais, adivinhem lá onde surgiam novas lesões, ou quando não havia mais extremos de qualidade, o que aconteceu a Gaitán e Sálvio há duas épocas?). Melgarejo ainda está longe de ser o defesa esquerdo de uma equipa que conquiste o campeonato e foi assim que fez um auto-golo e ofereceu o segundo. Mas neste ponto, critico mais a estrutura (seja ela qual for) do que Jesus. Como se pode gastar tanto dinheiro em extremos quando há excesso de opções para esta posição (o jogador de 8 milhões ficou na bancada) e não se compra um bom defesa-esquerdo?!

Depois, nem com o jogo a correr mal, Martins entrou. Preferiu colocar Aimar, que vinha de uma paragem por lesão, e ainda por cima ao lado de Cardozo (estou certo que se recordam deste filme em vários jogos da época passada). Com mais um jogador em campo, mal se notou esta vantagem.

Tem que ser uma equipa muita melhor do que as outras (com Ramires, Di Maria, David Luiz, Coentrão...) e sem o Porto a lutar pelo título para vermos Jesus ganhar. Não vale a pena dizer muito mais. É o que temos.


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