24/08/2012

Desilusão e histeria



As reações ao jogo de ontem, na Dinamarca, podem ser agrupadas em, essencialmente, duas categorias: reações de desilusão e reações de histeria. E não, não estou a falar de adolescentes que acabaram de ver o Justin Bieber a chegar todo nú. Estou a falar de homens feitos!

Mas vamos por pontos:

1. Quanto à desilusão, compreende-se. Toda a gente esperava que o Sporting ganhasse o jogo. Tinha argumentos para o fazer. Tinha, em tese, a obrigação de o fazer. Quer considerando o seu atual poderio, quer considerando o poderio do adversário. Não houve ninguém que tenha assistido ao jogo e não tenha pensado "mas como é que isto está a acontecer? Devíamos estar a ganhar a estes coxos!". Não aconteceu, ficámos desiludidos. Parece-me normal, como diria o Rei Artur (não o da Távola Redonda, mas o Jorge).

2. Já a histeria... bom, parece-me totalmente injustificada. Recordam-se do meu pesadelo de há um ano? Eh pá, não teve nada a ver. Há um ano o Sporting simplesmente não jogou futebol. Ontem jogou. Podia ter jogado mais? Claro que sim. Houve jogadores em sub-rendimento? Obviamente (Carrillo, apesar do golo). Há jogadores em má forma? Claramente (Insua ainda não está no ponto de forma a que nos habituou o ano passado). Mas se tivesse entrado mais uma das inúmeras oportunidades criadas, a histeria não se instalava. A não ser, claro, que o Carrillo tirasse a camisola ao festejar o golo. A avaliar pela maturidade das reações, isto seria motivo de histeria também.

3. Bem sei que é um chavão futeboleiro, mas normalmente o que preocupa não é a equipa fazer poucos golos, é criar poucas oportunidades. Daí que a exibição de Guimarães tenha sido, para muitos, preocupante - a equipa criou poucos lances de perigo, fez poucos remates, apareceu pouco na área contrária. Ontem, não. Ontem a equipa passou o jogo perto da área do adversário. E não fez mais golos por desinspiração da rapaziada mais avançada.

4. O que concluir, então? Estamos bem, estamos mal, estamos no bom caminho, vamos longe, não vamos a lado nenhum? Não sei. Não sei mesmo. Não percebo de futebol a esse ponto, desculpem lá. Para terem certezas absolutas, têm que ouvir o Freitas Lobo e o Rui Santos. Ou esperem, se calhar não. O Freitas Lobo recomendou o Purovic como um grande avançado e o Rui Santos disse que o Insua era pior que o Grimi. Leiam-me mesmo a mim, ficam melhor servidos. E só faltam mesmo dois parágrafos...

5. Como ia dizendo, não sei onde vamos este ano. Mas sei que nesta altura da época estamos melhor do que estávamos nesta altura da época passada. E sei que, apesar de não ser um grande resultado, é melhor do que o 0-0 contra o Nordsjaelland ou lá como se chamavam os outros coxos... E sei, também, que temos boas opções para todos os lugares na equipa. Um defesa direito que é melhor do que o do ano passado. Uma dupla de centrais que nem se compara. Múltiplas opções no meio-campo (gostava de ter mantido Matias, claro, mas já foi, não vale a pena chorar sobre leite derramado). Boas opções para as alas (vamos ver se Viola satisfaz o meu desejo de ter uma opção de outro tipo para extremo). Jogadores de qualidade, como Insua, Rojo, apesar das minhas críticas do ano passado Elias (parece outro), Carrillo, Capel, Labyad, Wolfswinkel, etc.

6. E o que se passou ontem não foi mais do que isto: o Horsens, equipa ao nível de uma Académica ou coisa do género, empatou em casa com uma exibição de luxo do Ricardo lá do sítio, um golo do Éder lá do sítio num dos três remates à baliza, uma tática fechadinha programada pelo Emanuel lá do sítio. E, claro, uma exibição desinspirada em termos de finalização dos nossos jogadores da frente. Recordam-se do Académica-Sporting do ano passado? Foi mais ou menos isto. Sendo que, e eu sou insuspeito relativamente a Sá Pinto, apesar de tudo ontem jogámos melhor. Devíamos ter ganho? Pois devíamos. Compensemos isso em Coimbra, quando lá formos, onde o empate, mesmo com golos, é, aí sim, um mau resultado. E por ora, insisto, vamos ter alguma paciência.

Venha, entretanto, o Rio Ave para a primeira vitória oficial da época!

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