31/07/2012

Mais do mesmo e só para variar


Mais do mesmo

Comecemos pelo Sporting, para despachar já o tema, porque sinceramente o que me apetecia era partir direto para o título "Só para variar" e falar um pouco dos Jogos Olímpicos. Mas já lá vamos.

Sábado lá estive, em Alvalade, juntamente com 30.017 outras almas crentes, para assistir à apresentação de um plantel equilibrado, sim senhor, melhor do que o do Braga ao contrário do que diz por aí, mas ainda uns furos abaixo dos de Benfica e Porto, conforme uns e outros vão afirmando.

Nada a dizer quanto a baliza (Patrício e Boeck, 3º GR na equipa B), lateral-direita (Cedric e Pereirinha, com Arias a espreitar um lugar desde a equipa B), meio-campo (com múltiplas opções para os sistemas que se quiser implementar) e alas (Carrillo, Capel, Jeffren e Wilson como reserva), continuam por perceber e, nalguns casos, preencher, as opções para as posições de lateral-esquerdo, central e ponta de lança.

Na lateral-esquerda só me falta perceber se está mesmo tudo fechado: parece-me que Insua é o indiscutível, sendo Pranjic (um médio) e Rojo (um central) as duas opções de reserva. Até nem me parece mal, vale o esforço da "poupança" no que respeita a Rojo, só insisto que acho estranho contratar um jogador de 30 anos que alinhava no Bayern (e por isso mesmo não vem ganhar meia dúzia de patacos) para suplente do Insua, jogador muitíssimo fiável e que, se não tiver nenhum azar, faz os jogos todos do campeonato e Liga Europa a brincar.

Nos centrais também não se trata de preencher mas sim de perceber: são 5 opções? É para ficar assim? Não saem Carriço e/ou Onyewu? Sai Xandão, aquele que melhor rendimento teve no ano passado? Jogam Boulahrouz e Rojo (este parece-me indiscutível pelo que vi no Sábado)? Ou estamos a planear "matar" o crescimento de Cedric com Boulahrouz na direita e Xandão/Rojo no meio? Então para quê ter Cedric e Pereirinha? Enfim, muita confusão que, estou certo, vai ter desenvolvimentos até 31.08.

Por fim, quanto ao ponta-de-lança: Wolfswinkel está mesmo a precisar de concorrência a sério. Aquele segundo golo, "salvo" pelo menino-de-rua Carrillo, não se pode falhar. Wolfswinkel é oportunista, é rápido, aparece no sítio certo, mas "treme" quando vai isolado e continua a ter deficiências no jogo de cabeça. O Sporting está a contratar Valentin Viola por 3 milhões mas, segundo dizem, é jogador para cair nas alas, jogar a segundo avançado, etc. Não parece a descrição de um jogador de área. E repare-se que para suplente de Wolfswinkel nem era preciso pensar muito: basta recordar o papel de Ayew no título de 99/2000, ou de Weldon no mais recente título do Benfica, para perceber que este tipo de jogador, com um pouco de sorte, até se pode encontrar no mercado interno. É o tal jogador que pode não marcar mais do que 5/6 golos época, mas percebe que o seu papel é jogar a titular quando o outro não pode ou precisa de descansar (Taça da Liga é bom exemplo) e ficar no banco feliz da vida com o seu ordenado em conta. Pense-se em Michel (que foi para o Benfica fazer precisamente este papel), ou em Toscano, ou em Mateus (caso de que aqui já falei). Claro que há outras alternativas, mas pergunto-me se o Sporting pode mesmo gastar mais 3 milhões num suplente... ou é um super-craque em potência ou parece-me má ideia.

Enfim, quanto ao jogo, os melhores em campo foram Elias (e olhem que sou insuspeito) e Carrillo (aqui sou suspeito mas acho que foi indiscutível). Notas positivas para Rojo, Pranjic e Capel. Sinal menos para Boulahrouz (muitos passes falhados), Schaars (continua a não conseguir vir atrás pegar no jogo, o seu parceiro Elias evidencia clara evolução nesse aspeto), André Martins (ainda muito verde e leve para 10) e o já referido Wolfswinkel.

E vamos aos Olímpicos porque estou farto de bola!

Só para variar

Gosto muito de Jogos Olímpicos. Gosto mesmo. Desde puto (LA 84) que acompanho o que posso. Claro que acompanho mais o atletismo, mas não deixo de ver natação, ginástica, pólo aquático e até saltos para a água. Ontem, para verem bem, levei com uma sessão de halterofilismo no Eurosport. Melhor ainda: anteontem, enquanto a RTP transmitia o Espanha-Honduras em futebol, eu preferi ver ginástica feminina. Durante os Jogos, só ligo a futebol se Portugal jogar. Caso contrário, nem me interesso. Aliás, acho que o futebol não deveria ser modalidade olímpica. Como o andebol, o basket e até o volley. Regra geral, os desportos coletivos ficariam de fora, salvo nos casos de estafetas e provas combinadas, em que o esforço, apesar de tudo, continua a ser individual.

Mas comecemos pelo princípio: todos os países do mundo que se prezem têm um orçamento para cobrir programas de apoio a atletas olímpicos. Portugal também o tem. É normal. E é também normal que se prevejam subsídios aos que integram o "programa olímpico" e naturalmente que se premeie os que obtêm bons resultados em competições internacionais e, em particular, nos Jogos Olímpicos.

Já não me parece normal que, sucessivamente, atletas de alta competição (é o que são, pelo menos alguns deles) falhem redondamente em Jogos Olímpicos. Eu não peço medalhas, nem sequer classificações nos primeiros 8 ou 10, ou lá o que é. Há uma coisa, porém, enquanto contribuinte, que acho que tenho o direito de pedir: superação pessoal a quem representa o país.

E nem sequer precisamos de ir mais longe: a grande maioria dos nossos representantes no atletismo fá-lo, não só nos Jogos, mas no seu dia-a-dia. Prepararm-se em condições lamentáveis, muitas vezes na estrada, proque não têm condições para treinar. Num país, atenção!, em que se construíram e/ou remodelaram 10 estádios há menos de 10 anos, e em que apenas num deles se teve o cuidado de construir uma pista de atletismo. Eu próprio, que sempre defendi que se acabasse com a pista em Alvalade, mas não adivinhava que iam entregar o novo estádio nas mãos do Arq.º Taveira, tenho que vos confessar que entre a pista e o fosso escolheria a pista todos os dias da semana, mais ao Sábado e ao Domingo. Ora (dizia eu), estes tipos, não só o Lopes, a Rosa, a Fernanda e o Évora, mas também a Dulce Félix, a Naide Gomes, a Vanessa Fernandes, a rapaziada da marcha (grandes, muito grandes...), são todos uns heróis.

Mas há outros, talvez não tão heróicos mas a quem reconheço mérito: a nossa representante do badmington, Telma Santos, teve o mérito de oferecer ao país a primeira vitória num encontro da modalidade nos Jogos Olímpicos. Não é grande coisa? Talvez não, mas superou-se, deu mais do que era suposto e alcançou algo que, por pouco que seja, a fez entrar na história do desporto português. Recordo também um ginasta, se não estou em erro Nuno Merino, que fez uma prova fabulosa em Atenas 2004, chegando inclusivamente à final na sua especialidade. E há outros que mereciam ser citados

Comparar estes Atletas (assim mesmo, com A grande) com os Marcos Fortes que querem estar de manhã na caminha e a rapaziada do judo que anda 4 anos a fazer anúncios na TV com os seus fatinhos bonitos e pezinhos descalços é de uma injustiça tremenda. O mínimo que se exige a esta malta é superação. Superação não é perder pela primeira vez com quem já se lutou e derrotou 3 vezes. Não é, na natação, ficar longe dos records pessoais. Não é abandonar uma prova de vela sabe-se lá porquê. Superação é dar 101%. É dizer "estou feliz porque fui até ao limite das minhas capacidades" ou mesmo "fui além do que pensava ser possível, superei-me a mim próprio" ao invés dos clássicos "ninguém está mais triste do que eu" ou "não temos as mesmas condições que os outros". A aceitação destas frases, que até são verdadeiras para quem as profere, revela a nossa pequenez enquanto povo e o grau 0 de exigência que atingimos enquanto país. "Se transportares a bandeirinha e chorares no fim, já está bom". Não, não foi bom! Foi uma ganda merda! E, se os atletas me lerem, não levem isto a mal: é a verdade dos factos. A exigência, meus caros, faz parte da vida. Da minha também. E da vida do meu clube, já agora (vejam-se os inúmeros posts que aqui escrevo em que nem por uma vez uso a desculpa de não termos o dinheiro de Benfica e Porto para ficarmos anos sucessivos sem ganhar...).

E nem venham com a treta de que o país só pensa em futebol. Essa só aceito à malta do atletismo. Os outros, quando se compararem com o futebol, pensem nisto: a seleção apurou-se para o Mundial 2002, voltou de lá eliminada pela Coreia e pelos EUA e ninguém disse que tinha sido bom, demos o que pudemos, etc. Não. Toda a gente disse o que estou a dizer à Telma, ao João Pina, à rapaziada da natação, da vela, do ténis de mesa, etc.: foi mau. Foi uma merda. Com a diferença que isso apareceu em todos os jornais, TVs, radios, falou-se disso em todo o lado durante meses, fizeram-se programas só para discutir isso, houve treinadores despedidos, enfim, houve reações e algumas consequências! Comparem-se nas condições, OK, mas comparem-se também na pressão e reação aos resultados. Se pensarem bem nisso, chegam à conclusão que o futebol até cumpre os mínimos. Caso não cumprisse, levava muita porradinha. Já os meus amigos, andam aqui a brincar aos Jogos Olímpicos, saem no jornal muito tristes e amanhã passa tudo. Por isso digo que os únicos que se podem queixar da comparação, repito, são os do atletismo. Os outros, percebam simplesmente isto: têm que ser muito melhores, têm que se superar quando é preciso, isto se quiserem, efetivamente, ter o reconhecimento do país ao invés de levarem com posts destes.

Termino como hoje diz o Vítor Serpa, n'A Bola: nós não sabemos a razão destes fracassos, mas têm que fazer alguma coisa para perceber o que se passa. E até o cito porque a frase é perfeita, "se foi assim no judo, bem podem chamar os seus colegas da natação para tentarem perceber em conjunto porque se alcançam piores resultados nos Jogos Olímpicos". É precisamente isto que me chateia, a mim e a muita gente. Fiquem em penúltimo nos Jogos, desde que o vosso resultado tenha sido sempre último, e serei o primeiro a felicitar. Agora, ser o campeoníssimo mundial da batata doce e chegar aos Jogos sem saber como assá-la... isso é que já não dá.

28/07/2012

Arranque da época 2012 / 2013

Não arranca agora para o Benfica mas apenas para os meus posts relativos à nova época futebolística e particularmente para a realidade benfiquista. Sei que já vou com algum atraso e que o meu amigo Koba leva já larga vantagem com o seu Sporting mas senti que o devia deixar ganhar alguma coisa esta época. Já o meu amigo Zatopek com o seu Porto, só deve começar lá bem para a frente já que também sabe que, em caso de dificuldades, haverá sempre um árbitro amigo que o ajudará.

Bom, depois de umas gracinhas para os outros membros do Futebol a 3, assinalo que também preferi esperar pelo final das novelas das entradas e saídas de jogadores para iniciar os meus comentários. Na realidade, tudo o que esperava que acontecesse, está longe de se tornar realidade:
- a principal lacuna da equipa, o lado esquerdo, ainda se encontra por resolver desde que Fábio Coentrão preferiu a movida;
- Gaitán afinal ainda não estava vendido;
- Cardozo também não foi vendido naquela que será a última oportunidade de registar um bom encaixe financeiro;
- tantos jogadores para as alas e frente de ataque, fazem-me mais confusão do que a forma como as irmãs e mãe de Ronaldo se apresentaram na inauguração da discoteca;
- a possibilidade de perder Witsel enquanto Hulk não faz as malas de vez, também não estava mesmo nas minhas previsões;
- pensava que Jesus ia despachar Nolito à 1ª oportunidade (vai-se lá saber porquê) mas ainda está por cá para marcar e dar a marcar;
- imaginava também Carlos Martins a rumar a um clube espanhol de 3ª dimensão mas, felizmente, as assistências e golos multiplicaram-se e assim parece que já não corremos esse risco;
- ainda não proporcionaram uma reforma dourada a Saviola em outra paragem que não o Estádio da Luz.

Por outro lado, analisar o que passava nos jogos treinos na fase inicial da pré-poca acaba por ser, na maioria das vezes, um exercício que pouco valor traz para o resto da temporada. Assim, faço coincidir o meu regresso aos posts com o meu regresso ao Estádio da Luz para ver o Benfica - Real Madrid.


O resultado efectivamente não conta contra um Castilha com alguns jogadores do banco do Real Madrid mas, mesmo assim, não deixei de ficar surpreendido. Em primeiro lugar porque não escolheria um onze inicial diferente do que Jesus fez alinhar (foram raras as vezes que, durante a época passada, tive oportunidade de dizer o mesmo) e, em segundo lugar, Pérez pode, afinal, vir mesmo a ser reforço. Pensava que continuava a fazer de tudo para forçar a saída, mas fez mesmo um grande jogo e mostrou pormenores de craque. Quase que me arrisco a dizer que se o Benfica na época passada tivesse contado a 100% com dois jogadores dos seus quadros, Carlos Martins e Enzo Pérez, possivelmente o escudo estaria agora nas camisolas vermelhas. Por falar em craque, este Witsel é assombroso. Acho que qualquer juíz me dará razão se pedir o dinheiro do meu Red Pass de volta caso o belga siga para um campeonato mais de acordo com o seu talento.


Resta agora esperar pelos próximos episódios das novelas defesa esquerdo, alternativa para defesa direito, Witsel, Gaitán, Nolito e Cardozo e ver como o Benfica jogará nos testes mais a sério.

27/07/2012

Já foi


Embora não seja ainda oficial, é quase seguro. Só um inesperado volte-face pode impedir Matias de assinar pela Fiorentina.

Ficam as saudades e a sensação de que com treinadores mais capazes e um nadinha mais de estabilidade tudo poderia ter sido muito melhor (até a venda, caso fosse inevitável). E fica a discordância com os autores do blog linkado: não estou seguro que Pranjic, Izmailov e Labyad possam dar mais ao Sporting do que Matias na última época. Espero sinceramente que sim e tenho alguma fé (absolutamente irracional, diga-se) em Labyad, mas também a tinha com Jeffren e foi o que se viu...

Neste momento, não podem deixar de ficar no ar várias questões sobre a gestão do plantel, mesmo admitindo que, em termos absolutos, se tratava de um jogador caríssimo - como se foi dizendo por aí, o custo anual com Matias Fernandez seria, caso renovasse, próximo dos 1.5 milhões de euros.

Admitindo, pois, que se trata de um jogador caro, pergunto o seguinte:
- quem era mais caro na relação custo/rendimento, Elias ou Matias? Ou não foi mesmo possível empandeirar o brasileiro?
- não é mesmo possível envolver Grimi nos negócios em equação com clubes argentinos?
- vamos continuar a pagar salários a Bojinov e Pongolle?
- porque foi contratado um jogador com a idade e o custo de Pranjic para suplente? Se não é para suplente, onde vai jogar? Quanto vai receber?
- porque foi contratado o 2º central (Rojo ou Boulahrouz, escolham), quando se manteve Carriço, Onyewu e Xandão? Quanto custa este quinteto de centrais? Quem vai sair?
- quem é que correu com Domingos à pressa aceitando pagar 80k/mês até que o treinador encontre outro clube?

Aos que defendem que a medida é "excelente" do ponto de vista financeiro, peço que parem por um momento e percebam que um clube de futebol não é só desporto, mas também não é só número. E há que compatibilizar os dois elementos.

Enfim... menos otimista do que há uma semana, mas lá estarei em Alvalade no Sábado.

25/07/2012

Matias de saída

Aqui.

Não, não pensem que estou furioso. Estou muito triste, claro, acho que vai fazer sucesso em Florença e chegar longe caso o treinador o aproveite devidamente na posição em que ele mais rende (a 10 ou atrás dos avançados). Mas não estou furioso.

Agora... acho um disparate gigantesco, mais um. O ano passado fez a primeira época verdadeiramente boa em Alvalade e esta poderia ser a da explosão. Mas o Sporting precisa de dinheiro, o Izmailov não passaria nos testes médicos nem que o médico fosse o Relvas com equivalência e o Elias ninguém quer, como é óbvio.

E, perguntam vocês, porque não estou furioso? Porque estou cansado. Porque o futebol não é tudo na vida. Porque já esperava. Porque supostamente Labyad é substituto à altura (sempre quero ver isso...). Porque há boas soluções no meio-campo. Porque faltava um ano para acabar contrato e não temos cheta para lhe aumentar o salário. Enfim, não estou furioso porque o Sporting, no estado em que se encontra, não merece o Matias Fernandez.

Vai Matias, podes ir. Não te vou insultar. Boa sorte.

Ah, já agora: treinem, mas treinem mesmo muito, as bolas paradas. Ele era o único que as batia decentemente.

19/07/2012

O canibal




Dizia-se por aí, pelos "mentideros", que havia jogadores do Sporting a comer as mulheres de alguns dos colegas, o que gerava mau ambiente no balneário (sinal de que não só as comeriam como também o divulgavam à boa moda portuguesa). Segundo consta, os comilões eram corridos do clube à pressa para evitar os conflitos com os supostos cornudos.

Embora não ponha a hipótese de parte, parece-me uma tanga para enganar aqueles que acreditam em qualquer história que lhes contem, nomeadamente aquelas histórias em que todo o clube sabe (incluindo a direção, que se apressava a despachar o comilão) mas o cornudo vive bem com isso. Mas adiante...

Agora contratámos um canibal, o que significa que podem estar em risco não só as mulheres mas também os próprios colegas.

Se o plantel fosse o do ano passado, pedir-lhe que começasse pelo apetitoso Evaldo, seguido pelo sumarento Bojinov, deixando para sobremesa o açucarado Anderson Polga.

Este ano é mais complicado, todos podem fazer falta. O que é mais uma razão para não entender a contratação de Boulahrouz caso se confirme que Rojo é o próximo a chegar.

Mais seriamente: eu pedia 2 centrais, no pressuposto de que Carriço saía. Não saíu e ficou como opção para a defesa (já falei disto, não concordo mas aceito). Agora chegaram 2 centrais (não acredito que Rojo venha para suplente de Insua...).

Confesso que estou algo baralhado. Temos mesmo que aguardar pela apresentação do plantel.

PS: Rojo chegou a Lisboa com umas calças que têm uma águia estampada... Esperemos que não se engane na saída da 2ª circular!!!

17/07/2012

Liedson: sim ou não?


A favor:
- garantia de qualidade, trata-se de um jogador indiscutivelmente bom;
- o potencial comercial de um jogador já conhecido e admirado pela massa associativa pode render alguns cobres em gameboxes;
- o trajeto do jogador em Alvalade enquanto goleador (melhor marcador durante anos a fio, melhor marcador estrangeiro da história, melhor marcador de sempre em competições europeias);
- a empatia com a massa associativa, que manteve o apoio ao jogador mesmo após o pugilato com Sá Pinto (o único a resistir às claques quando em confronto com o atual treinador).

Contra:
- o enquadramento num sistema com um só avançado (que nenhum treinador quis arriscar tendo Liedson no plantel, mesmo quando estava em grande forma);
- o peso da idade num jogador que depende muito da velocidade e da energia que põe em jogo;
- o trajeto do jogador em Alvalade no aspeto disciplinar (conflitos com Peseiro e Bento, momentos conturbados com Carvalhal);
- peso junto dos adeptos (quase) equivalente ao do atual treinador pode fazer renascer o "velho" Sá Pinto que resolve os problemas à lei da pêra.

Para refletir:
- que ordenado aceitaria um jogador que até Junho recebia €200k/mês?
- como reage Sá Pinto a esta possibilidade?
- aceitaria Liedson ser segunda opção depois de Wolfswinkel?
- qual o impacto desta contratação no balneário?
- que outras opções estariam em carteira num clube com recursos tão limitados?

16/07/2012

Pré-balanço da pré-época


O dia do regresso de férias nunca é fácil. Mais difícil se torna quando começa com uma notícia sobre a dispensa de Santiago Arias, um dos mais promissores jovens do plantel do Sporting, para o novel Sporting B.

Mas, refletindo mais calmamente, e afastando a sensação de depressão pós-férias, convenhamos que se trata de uma decisão compreensível. Podemos discordar, mas faz sentido.

De forma a facilitar a exposição, permitam-me recuperar o balanço que fiz aqui do que seria a constituição do plantel 2012/2013:

"GR - só Boeck, precisamos de 2 GR (um para disputar o lugar com Boeck, o outro para 3º GR);

DD - Arias, eventualmente Pereirinha, diz-se que Cedric regressa;

DE - Insua e Evaldo

DC - apenas Xandão e Onyewu, como sempre defendi preciamos de 2 centrais;

MC - Rinaudo, Schaars, Elias, André Martins, fala-se do regresso de Adrien, falta claramennte mais 1 médio defensivo;

MO - Matias, fala-se do regresso de Aguiar, Labyad está contratado;

ED - Carrillo, Jeffren pode fazer o lugar, fala-se do regresso de Wilson Eduardo;

EE - Capel, Jeffren também pode fazer o lugar, tal como, caso regresse, Wilson Eduardo - ainda assim, mantendo Jeffren as limitações físicas, seria bom pensar em mais 1 extremo;

AV - Wolfswinkel, Ribas, Rubio, falta mais 1 avançado.

Em suma, temos 23 jogadores para a próxima temporada, e faltam nada menos do que 7 novos jogadores.

Com a equipa B, pode dar para gerir os casos de Rubio, Arias, do 3º GR e do 4º central, mas ainda assim ficariam 26, o que pode determinar as dispensas de Pereirinha e Ribas. Com esses 24 (mais a equipa B), teríamos um plantel equilibrado.
"
Reparem que no final do texto eu próprio admito a possibilidade de gerir Arias através da utilização na equipa B. O plantel principal não precisa de 3 defesas direitos. Bastam 2. E na lógica que venho defendendo aqui, sem beliscar minimamente o potencial de Arias (que considero indiscutível), parece-me razoável que se dê prioridade a Cedric. Porque haveria o titular da seleção portuguesa de sub-20 ficar na equipa B, quando o da seleção colombiana estaria na A? Sá Pinto tomou uma decisão compreensível.

Quanto ao demais, vejamos agora o que tem sido feito até aqui face ao meu anterior balanço:

GR - parece que Patrício fica (excelente notícia) com a concorrência de Boeck. Golas será o titular da equipa B e 3º GR da equipa A - tudo parece fazer sentido, nada a dizer quanto aos GR;

DD - Sá Pinto escolheu CedricPereirinha, Arias será jogador da equipa B ou emprestado - com maior ou menor discussão, aceito a escolha do treinador, como acima disse;

DE - Evaldo foi emprestado ao Coruña, Insua parece estar de pedra e cal (digo "parece" porque desconfio que possam surgir propostas para a sua transferência), não percebo se a nova contratação Pranjic pretende oferecer concorrência ao argentino ou se o Sporting vai ao mercado por um defesa esquerdo (ou contrata Rojo que pode também fazer a posição). Quanto a Pranjic, estranho que um internacional croata de 30 anos que jogava no Bayern venha para o Sporting para ser suplente. Mas pode ser que esteja enganado... Quanto a Turan, será opção na equipa B. Posição em que há ainda indefinição, mas que me parece estar preenchida se o croata - que até diz ser médio - estiver disposto a sentar-se caladinho no banco (complicado)...

DC - Carriço ficou e parece contar para Sá Pinto como central. Restam Xandão e Onyewu, e é necessário, claramente, contratar pelo menos um central. Os jovens Pedro Mendes, Nuno Reis e Tiago Ilori jogarão na equipa B. Ou seja, parece que apenas se irá contratar 1 central. Sinceramente, eu queria 2. Mas ficando Carriço (embora eu já não acredite nas qualidades deste jogador a central) e existindo (aparentemente) confiança de Sá Pinto para a utilização do jogador nessa posição, aceita-se que apenas 1 seja contratado. Discordo, mas aceito;

MDC/MC - Temos Rinaudo, Schaars, Elias, André Martins, Adrien, e foi contratado Gelson. Equilibrado, creio que não precisamos de mais ninguém. E ainda há Izmailov, que no meu anterior post assumi que iria sair. Para mim é médio centro e só deverá ir para a ala se aí não existirem melhores opções;

MO - MatiasLabyad, Luís Aguiar dispensado, Izmailov e André Martins também podem fazer a posição, nada a dizer;

ED - Carrillo, Jeffren, como acima referi Izmailov pode fazer o lugar, regressou Wilson Eduardo;

EE - Capel, Pranjic e Jeffren também podem fazer o lugar, tal como Wilson Eduardo - eu tinha pensado em mais 1 extremo, mas confirmando-se que Pranjic pode jogar aí, dispensa-se ir ao mercado quando temos outras prioridades (o central, em particular, pode ser decisivo);

AV - Wolfswinkel, Rubio, Ribas foi dispensado, Betinho e o craque indiano Sunil Chhetri colocados na equipa B, falta mais 1 avançado.

Contas feitas, a sublinhado estão 24 jogadores e ainda faltam 2 (central e avançado). Eu disse que faltavam 7 jogadores mas, ficando Patrício, Carriço e Izmailov, e estando Gelson e Pranjic contratados, ficam a faltar apenas 2.

Ainda assim, isto significa que vão sair 2 ou 3 jogadores, não duvido. 26 é um plantel excessivo para um clube que tem equipa B. E dos que sublinhei, tirando 2 ou 3 (penso em Cedric e Rubio, eventualmente Wilson Eduardo), ninguém estará disposto a jogar na B, salvo para recuperar de lesões ou situações excecionais.

Seria fantástico que apenas saíssem jogadores que ocupam posições em que haja mais abundância, mas não sei se tal será possível. Creio que o Sporting deve estar a tentar colocar Elias e/ou Izmailov, ou mesmo Matias (não me agrada, mas é o que me parece). A sair alguém, que saia Elias. Mas vamos aguardar.

Por agora, e tirando a dúvida Pranjic, que ninguém percebe para que posição está "pensado", tenho gostado da contenção, do critério rigoroso e do sentido de oportunidade (até na contratação do indiano Chhetri). Muito melhor do que na pré-temporada passada.

Venha, agora, o central de qualidade e pode ser que... Como dizia o Zé Torres, "deixem-me sonhar".