12/06/2012

E no final, ganha a Alemanha


Escrevo este post no voo de regresso a Lisboa. A vontade de voltar a apoiar Portugal em mais uma das principais competições de selecções, levou-me, desta vez, até Lviv na Ucrânia. A reduzida importância desta cidade nas principais rotas aéreas obrigou (felizmente) a uma escala em Varsóvia e, dois dias depois, a uma viagem de mini bus com a duração de sete horas. Apesar de ser considerada uma das cidades mais bonitas da Ucrânia, está ainda a anos luz de outras cidades do Leste como Praga e Varsóvia que praticamente já fizeram esquecer o seu passado comunista. Se Varsóvia surpreendeu pelo seu lado cosmopolita (não posso deixar de agradecer ao meu amigo Koba pelas excelentes dicas) já Lviv desiludiu por não estar ainda preparada para eventos internacionais desta dimensão. No entanto, a festa do futebol também se viveu muito intensamente nesta cidade ucraniana. Os constantes pedidos das gentes locais para uma foto com o grupo dos 15 portugueses devidamente trajados, fizeram com que provavelmente tivesse posado mais para fotos neste dia do que no meu próprio casamento. Em resumo, o pré-jogo foi uma grande festa a provar que o futebol também consegue contribuir para a aproximação de culturas tão diferentes.


Quanto ao jogo, o favoritismo dos alemães encontrava algum paralelismo ao nível do número de adeptos, sendo que a proximidade geográfica contribuía para uma diferença tão elevada: cerca de 5.000 esforçadas gargantas lusas contra cerca de 20.000 adeptos germânicos. O onze inicial de Paulo Bento foi o mais aguardado, em que os dois lugares em que existiam mais dúvidas ( trinco e avançado) vieram confirmar a titularidade de Veloso e Postiga. Pessoalmente, preferia Pepe a trinco com a inevitável entrada de Rolando e Hugo Almeida a avançado, beneficiando da sua capacidade física e experiência no futebol germânico. A necessidade que Portugal evidenciou, em muitos momentos do jogo, em bombear bolas para a frente, fortaleceram a minha preferência por Hugo Almeida, enquanto que o grande jogo de Pepe contrabalançado pelo jogo apagado de Veloso, não me permitem avaliar qual teria sido a melhor decisão para a posição 6.


Portugal, até porque já sabia da derrota da Holanda, assumiu um modelo de jogo bastante conservador e pragmático. Apesar de algumas críticas, acredito que esta foi a melhor opção contra a equipa que, juntamente com Espanha, assume maior favoritismo para conquistar esta competição (não se esqueçam da grande vantagem de ter um número bastante alargado de titulares provenientes da mesma equipa). Na primeira parte, a Alemanha esteve melhor, chegando várias vezes com perigo à baliza de Patrício enquanto que Portugal não conseguia rematar com o mesmo tom ameaçador. Mesmo assim, a melhor oportunidade acabou por pertencer a Portugal num remate de Pepe que, caprichosamente, não entrou na baliza. A deficiente cobertura defensiva de Postiga e Moutinho nas subidas dos centrais alemães, permitiam os desequilíbrios da Mannschaft. Na segunda parte, Portugal esteve melhor, atacou mais e esteve a maior parte dos 45 minutos por cima do jogo, tendo as melhores oportunidades para marcar. Só que um ressalto em João Pereira foi direitinho para a cabeça mortífera de Gomez, enquanto que Varela, Fábio e Ronaldo não conseguiram finalizar as suas grandes oportunidades, ditando assim a derrota de Portugal no seu primeiro jogo da competição.

No entanto, nada está perdido e este primeiro jogo até acabou por superar as minhas expectativas. Com a surpreendente derrota da Holanda, Portugal pode até passar sem ganhar o próximo jogo mas acredito que é essencial vencê-lo para dar um passo firme na direcção da qualificação.

Destaco, com sinal mais, as exibições de Fábio Coentrão e Pepe, e em sentido inverso as de Postiga, Veloso e João Pereira.

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