29/06/2012

Tem mesmo que ser assim tão silly???

Adrien por Miguel Lopes, o bettencourtismo está de volta: um médio para eles (faz-lhes falta), um lateral direito para nós (já temos 3).

Sucessivamente comidos e enganados pelo Pinto-Rei. Mérito para ele, desonra para quem no Sporting voltou a alinhar nisto.

28/06/2012

Venha daí a silly season...


E pronto, acabou o Euro. Parece que ainda jogam Alemanha e Itália e depois há mais um jogo qualquer para fazer, mas no que interessa o Euro chegou ao fim.

Mais a frio do que ontem (mas ainda irritado por se escolher para o primeiro penalty o jogador que mais vezes vi falhar penalties em toda a minha vida...), quero dizer que anulámos a Espanha mas, uma vez mais, não fomos audazes. Fez muito lembrar o primeiro jogo com a Alemanha. Sentia-se que quem arriscasse um pouco mais ganharia o jogo e a verdade é que, no prolongamento, quem arriscou mais, e por isso criou mais perigo e esteve mais próxima de ganhar, foi a Espanha, apesar de ter menos dois dias de descanso do que nós.

Sinceramente, sei que parece tipicamente tuga estar aqui sempre a criticar Paulo Bento, mas não o faço apenas porque perdemos - aliás, fi-lo após os jogos com a Dinamarca e a Holanda em que até ganhámos, no segundo caso jogando bastante bem. Faço-o porque como ontem muito bem disse Abel Xavier na SIC, as gerações ganhadoras são as que impõem o seu futebol. As seleções de expetativa raramenta ganham alguma coisa e quando ganham é um fenómeno isolado, como a Grécia em 2004 ou mesmo a Itália em 2006 (desde aí varrida sem honra nem glória das grandes competições - em 2008 nos quartos e em 2010 na primeira fase, num grupo ridículo, com Eslováquia e Nova Zelândia).

Ora, eu acho que podemos ter uma cultura de exigência e não de vitórias morais (esta sim, uma atitude tipicamente tuga). Cultura de exigência que nos obriga a dizer que ontem, com menos dois dias de descanso, os espanhóis também nos anularam, jogaram e correram o mesmo que nós e, quando quiseram arriscar, fizeram-no mudando o jogo de tal forma que nos puseram a nós a rezar para que chegassem os penalties. Depois foi azar do Bruno Alves e sorte do Cesc? Talvez, eu acho que não foi só isso, mas nem discuto o tema. Discuto a incapacidade do nosso treinador em impor mudanças no jogo, como o fez Del Bosque com as suas substituições.

Paulo Bento, que fez um bom trabalho, não teve versatilidade nem imaginação quando defrontou adversários superiores. Nunca tirou, por exemplo, Quaresma do banco. Ontem, face à impossibilidade de fazer jogo coletivo devido à excelente marcação do meio-campo espanhol e irrepreensível organização espanhola, impunha-se tentar batê-los pelo talento. Por os malucos em campo, arriscar qualquer coisa. Quaresma à esquerda, Nani à direita, Ronaldo no meio, por exemplo. E se Veloso e Meireles estavam estoirados, porque não arriscar a entrada de Viana, em vez de Custódio, para fazer uma dupla no meio-campo Moutinho-Viana, colocar a bola direta como Viana tão bem faz, e arriscar (mesmo que com Varela e não Quaresma, já que o selecionador nacional tem medo do talento) dois homens na área? Nada. Tudo sempre igual até ao minuto 110...

Aliás, em 23 jogadores, verdadeiramente jogaram 14, se as contas não me falham! Para além de Eduardo e Beto, que não se esperava que jogassem, não completaram um só minuto Miguel Lopes, Ricardo Costa, Hugo Viana e Ruben Micael. E quanto a Rolando e Varela, os minutos que completaram não devem chegar a 30 em toda a competição (mesmo tendo Varela sido decisivo com a Dinamrca). No total, jogou o 11 do costume, com rotação qb ao nível dos avançados (+ 2, portanto) mais Custódio que entrava de vez em quando para segurar o meio-campo. 14!

É claro que não é só "culpa" de Paulo Bento. A Espanha anda a formar jogadores e a ganhar competições em sub-21 há 10 anos. Construíu uma seleção e está a tirar frutos disto. No nosso caso, não fora Jesus e não haveria lateral esquerdo; não fora o próprio Paulo Bento e não haveria trinco; não fora a Academia do Sporting e não havia, pura e simplesmente, seleção. E recordo que, no caso do Sporting, foram lançados jovens portugueses na equipa (alguns precisamente por Paulo Bento, tais como Patrício, Veloso, Nani) porque não havia condições financeiras para contratar Luchos, Iturbes, Witsels e Gaitans. Se as houvesse, talvez tudo fosse diferente. Por isso, agradeçam ao Projeto Roquette, que faliu o clube, pelo facto de termos uma seleção competitivia internacionalmente. E a Paulo Bento, honra lhe seja feita, por ter lançado alguma desta rapaziada no Sporting.

Atravessamos, em termos de seleção, uma época em que temos 14/15 bons jogadores e não se vislumbra que entrem outros para este grupo no futuro próximo porque ninguém arrisca a espinha de um carapau. Ando a dizer isto há anos: vamos, mais tarde ou mais cedo, acabar por atravessar outra fase muito complicada em que estará em causa a própria presença nas grandes competições. Da seleção de sub-20 que conquistou a presença na final do ano passado, só Nelson Oliveira foi aproveitado agora. Nuno Reis e Roderick não são apostas dos respetivos clubes ou sequer de clubes médios em Portugal. E aquele meio-campo, reconheça-se, era uma máquina de distribuir fruta como poucas. Pode ser que saia dali um trinco simpático, isto se o Milan/Genoa ou o Parma o quiserem formar, porque é aí que jogam Pelé e Danilo. E aliás essa seleção de sub-20 era a expressão do anti-futebol, do futebol de expetativa, que não representa o que é o futebol de Portugal e que nunca vamos saber por em prática. Ou seja, uma cultura defensiva que depois não tem reflexo no que é o verdadeiro futebol português. Eu preferia ter perdido os jogos todos do mundial de sub-20 e ter formado jogadores na cultura e com a mentalidade certa. Mas isto sou eu, claro...

Adiante, por ora. Mas Paulo Bento que pense nisto: tem que começar chamar os Netos, os Candeias, os Rodericks, mesmo os Salvadores Agras desta vida se quer ter uma seleção no futuro. Já o deveria ter feito neste Mundial, como defendi. O que é certo é que, nada sendo feito, vejo as coisas mal paradas.

Venha a silly season. Acho muito bem o Gelson, precisávamos de mais uma opção para aquela posição, como disse aqui. Mas falta reforçar outras posições, ainda que isso implique deixar sair um ou outro.

Acabou o EURO, venham os reforços para mais uma época de sofrimento. Ser português E sportinguista é dose...

27/06/2012

Oh Paulo Bento...

... depois de 4 anos de Sporting com o Minorca a falhar penalties, quando é que te vais convencer que ele NÃO OS SABE MARCAR????

Ser sportinguista E português é dose: livrei-me das bolas paradas do anão, levo com elas na seleção.

F***-se para isto!

26/06/2012

Não, não dá mesmo para por uma checa nua...


... mas a Eva Herzigova quase nua (ainda que de perfil) é homenagem bastante à nossa rapaziada!

Bom, há que dar o braço a torcer. Mantenho que o grupo de 23 está pouco acima do razoável (como aliás o demonstra o facto de haver vários jogadores que ainda nem calçaram ou jogaram menos de 10 minutos), mas reconheça-se que, com maiores ou menores erros na convocatória, Paulo Bento tem conseguido o que poucos julgavam possível.

Estamos nas meias-finais, diga-se, com todo o mérito. Tendo em conta o que foi o percurso da equipa no pré-Euro e a infeliz entrada em prova, não se deveria poder pedir mais. Mas eu peço, peço mais. Peço que derrotem os castelhanos (ainda há por lá algum verdadeiro?) e os mandem ir jogar tiki-taka na playstation. Peço que representem condignamente a raça lusitana, ao contrário do que sucedeu em 2010. Peço que CR7 acabe de vez com as dúvidas sobre a Bola de Ouro. E peço que acreditem. Acreditem que é possível. Porque é mesmo possível.

Derrotar a Espanha é complicado, claro que sim. A Espanha não perde um jogo num Euro desde 2004, em Portugal e precisamente contra a seleção nacional. Desde aí, ganhou todos os jogos, com exceção dos que realizou com a Itália (em 2008 e 2012). Marcou quase sempre e sofreu muito poucos golos. Defende bem sem ter grandes torres (pode ser por aqui, cantos, livres, Pepe, Alves, Almeida...). E ataca muito bem, claro. Quando estão em vantagem é muito complicado pará-los porque aplicam o tiki-taka de forma ainda mais enervante (se é que isso é possível). Por isso, é essencial entrar bem, entrar em cima deles, não entrar no jogo de forma amorfa, como temos entrado. Se esperarmos para ver o que o jogo dá, é quase garantido que vamos andar a correr atrás do prejuízo.

Agora parece que há uma polémica com o árbitro nomeado. Tal como em qualquer história tipicamente portuguesa, é primo em segundo grau do vizinho de baixo do filho bastardo do melhor amigo do gajo que é casado com a tipa com quem o Presidente da Federação de Espanha perdeu a virgnidade. Pois. É uma história gira, mas berrem nisso. Se formos roubados, aticem-lhe os cães no fim, à boa moda lusitana. Durante o jogo, bico calado e bola para a frente.

Na outra semi-final, os alemães vão com uma equipa super descansada. Para além das 48 horas, recorde-se que Muller, Podolski e Gomez não jogaram de início com a Grécia e que Özil, às tantas, foi substituído. E recorde-se também que os alemães passearam a partir do minuto 70, enquanto que a Itália teve que suar 120 minutos. Mas deixo aqui o palpite: passam os italianos.

Enfim, lá estamos nós, pela 4ª vez, rodeados de potências a ver se pinga para nós. É notável ter 4 meias-finais e 1 final em 6 participações, verdadeiramente notável. Mais, nunca ficámos pela fase de grupos. Mas se conseguíssemos ganhar isto, atingiríamos algo que até hoje muito poucos conseguiram: a eternidade. Vamos a isto, rapazes!

Venham eles, os espanhóis, venham eles... e vamos mostrar a fibra de que é feito o lusitano!

19/06/2012

Só falta seguir o outro conselho, Paulo...


Desenganem-se os que me costumam ler... não é a Miss Holanda, mas sim a Sylvie van der Vaart, mulher do rapaz que nos marcou um golão no Domingo e ia marcando outro, ainda melhor, em que fomos salvos pelo poste.

E nada melhor do que começar precisamente pelo van der Vaart, porque desde o minuto em que marcou o golo até ao fim do jogo, e salvo um ou outro lance de bola parada e uma distração no tal remate a que já aludi, a seleção nacional fez uma bela joga.

Graças a Ronaldo, pensam uns; à exibição magistral de Pepe (mais uma), pensam outros; à tática de loucos dos holandeses, pensam alguns. Nada disto. O mérito é meu e, em certa medida, de Paulo Bento.

Sei que é difícil acreditar, mas o Paulo (Bento) ligou-me no Domingo à tarde e mantivemos o seguinte diálogo:

PB: Acima de tudo, temos ... ahhh... temos trabalhado bem ... ahhh ... e os jogadores, acima de tudo os jogadores ... ahhh ... estão mentalizados de que ... ahhh ... de que vamos ganhar ao Manuel José, ao Carlos Queiroz e àquele ... ahhh ... àquele comentador da SIC Notícias que não gosta de nós ... não gosta do Sbording.

K: Paulo, ouve bem o que te vou dizer... Em primeiro lugar, já não estás no Sporting; em segundo lugar, o Queiroz e o Manel Zé não estão no Euro. Em terceiro lugar, já ninguém liga ao Rui Santos a não ser o próprio Rui Santos. E em quarto lugar tens é que montar a equipa para ganhar à Holanda. E para isso convém fazer o que te disse no meu último post: posicionar alguém para ajudar o Fábio e ver se esse meio-campo consegue finalmente construir uma jogada de ataque.

PB: Mais críticas?... Ahhh ... acima de tudo, mais críticas ... ahhh ... Não aceito críticas ao Sbording ... ahhh ... ao Sbording. Ninguém dá valor ao facto de, acima de tudo, ter lançado o Patrício no lugar do Stojkovic ... ahhh ... e não tenho 10.000 horas de treino mas, acima de tudo, tenho ... ahhh... tenho 10.000 horas de conferências de imprensa a criticar jogadores e comentadores. Sei o que estou a fazer.

K: Mas Paulo, repara, eles têm o Robben do lado direito, se não pões ninguém a ajudar o Coentrão estamos tramados, pá. E deixa lá o Sporting e os críticos, concentra-te no jogo!

PB: Mas eu estou ... ahhh ... eu estou concentrado. Acima de tudo... concentrado. E já pensei em tudo. O Minorca joga no lado esquerdo do losango... ahhh ...

K: (interrompendo) Paulo, nós não jogamos em losango na seleção... E faltaria sempre o jogador mais adiantado do losango, porque não temos nenhum 10.

PB: Não percebem ... ahhh ... as pessoas não percebem futebol, é esse ... ahhh ... acima de tudo, é esse o problema. Jogamos em losango, com Postiga mais adiantado. Ou acham ... ahhh ... que Postiga é ponta-de-lança? E de qualquer forma ... ahhh ... é indiferente ... ahhh ... indiferente, acima de tudo ... indiferente. Para o Minorca, acima de tudo ... ahhh ... acima de tudo, o importante ... ahhh ... é ganhar o prémio de jogo, a tática ... ahhh ... a tática é indiferente. E como para os holandeses ... ahhh ... para os holandeses ... ahhh ... não há tática nenhuma, é tudo ao molho e fé ... ahhh, acima de tudo, fé em Deus ... ahhh ... nem dão por isso.

K: Não está mal visto, Paulo... e o meio-campo desta vez vai construir jogo? Vai entrar o Viana? Ou vais tirar o Nani do flanco?

PB: Nem uma ... ahhh ... nem outra. Tudo igual ... ahhh ... tudo igual, em losango ... ahhh ... e bola direta ... ahhh ... acima de tudo, direta para os extremos. Com aquele meio-campo e defesa da Holanda ... ahhh ... da Holanda, não precisamos de construir jogo... bola no Ronaldo e no Nani e vamos ... ahhh ... acima de tudo, vamos para cima deles.

K: Pois Paulo, já vi que tens tudo controlado. Mas se passarmos apanhamos os checos, que defendem bem melhor... não seria melhor preparar a equipa para jogar um pouco mais no meio-campo, trocar a bola, enfim, jogar o nosso futebol de sempre, mas desta vez com a vantagem de termos um Ronaldo que marca golos e parece estar em forma? Assim até podemos ir longe mas vamos sempre parar com uma Espanha, uma Alemanha, uma Itália, uma França...

PB: Só penso ... ahhh ... só penso no próximo adversário. E quanto aos checos, acima de tudo ... ahhh ... acima de tudo, só tenho pena de não os conseguir substituir a todos ... ahhh ... a todos por miúdos da formação do Sbording. Foi o que sempre fiz ... ahhh ... o que sempre fiz com jogadores do leste.

K: Paulo, começo outra vez a ficar preocupado, pá... De uma vez por todas: contra a Holanda um dos médios apoia o Coentrão ou não? E mudas o meio-campo ou continuamos só com tocadores de bombo?

PB: Já respondi ... ahhh ... já respondi a essa pergunta ... ahhh ... não comparo o rendimento de jogadores nos clubes e na seleção.

K: Não foi essa a pergunta que fiz, mas tudo bem Paulo, fazemos de outra maneira: se puseres alguém a ajudar o Coentrão, ponho no futebola3 uma foto da Sylvie van der Vaart em bikini; se para além disso montares um meio-campo mais construtivo, ponho uma foto de uma gaja holandesa nua. Combinado?

Aqui a chamada caíu e acho que o Paulo não ouviu a minha última promessa, para grande pena minha, dele e dos leitores do futebola3. Mas pode ser que leia este post e monte um meio-campo mais versátil contra os checos. E se assim for terá a recompensa, não com uma holandesa mas com uma checa. O que, diga-se, mantém o nível desta casa bastante elevado!

E na quinta-feira, bom: venham elas e eles, checas e checos, tragam até os Poborskies; se não houver meio-campo para jogar, mostremos-lhes, ao menos, do que é feita a fibra lusitana!

14/06/2012

A maldição dinamarquesa


Repito a foto do nosso último encontro com os dinamarqueses. Não por tradição, ou por preguiça, ou para permitir ao leitor a associação entre os posts, nada disso. Apenas porque a miúda é mesmo uma brasa. Adiante...

Ganhámos à Dinamarca (era o que faltava não ganharmos...) depois de um jogo que revelou todas as deficiências apontadas pela generalidade dos críticos, mas em que o lance decisivo foi concretizado por um jogador (Varela) que nem lá deveria estar de acordo com estes mesmos críticos - eu incluído.

Admitindo, pois, a Paulo Bento o golpe de génio (foi mais de sorte, mas tudo bem...) não só na convocação de Varela, mas também no seu lançamento em campo em detrimento de Quaresma (e aqui até percebo, já explico mais adiante), não posso deixar de lhe apontar duas falhas de organização inacreditáveis:

(i) que os laterais são um buraco, todos já sabíamos; que Coentrão, apesar de dar muito espaço, até tem feito grandes jogos (a fazer lembrar o que jogava no Benfica), todos reconhecemos; que o mesmo Coentrão fica invariavelmente sozinho em 1x2 porque Ronaldo, simplesmente, não defende em 90% do jogo, já custa mais a aceitar. Paulo Bento ontem ficou impávido e sereno no banco enquanto os dinamarqueses dinamitavam o nosso flanco esquerdo defensivo com lances perigosos atrás de lances perigosos. Coentrão safou 2 ou 3, Pepe safou outros tantos, mas foram 10 minutos nisto! Até que o cruzamento saíu, Pepe cometeu o único erro de julgamento do jogo e Bendtner (o jogador mais irritante do mundo) lá acabou por marcar. Trocar Ronaldo com Nani (que tanto ajudou João Pereira), nada. Fazer entrar Custódio ou Viana para o lugar de Meireles, mudando o triângulo para 2x1 no meio, nem pensar. Substituir Ronaldo, muito menos. Portanto, deixámos nas mãos do destino. Que primeiro nos penalizou justamente e depois lá acabou por ser simpático para connosco.

(ii) só Paulo Bento ainda não viu que aquele meio-campo não funciona. Não transporta a bola quando é preciso (única vantagem de termos dois laterais com formação de médio/extremo: levam a bola com critério e qualidade, principalmente Coentrão); pressiona bem mas não marca em cima quando precisamos de aguentar o resultado; não ajuda a defender nas laterais (por culpa da organização de jogo de Paulo Bento e não dos jogadores); e não construíu, até agora, um único lance ofensivo digno desse nome em ataque continuado. Reconhecendo que o Minorca do Porto tem que jogar sempre (porque mantém um ritmo elevado durante os 90 minutos e porque, mesmo não sendo um nota 10 em nada, tem notas 7/8 nas funções defensivas e ofensivas), há que pensar se o queremos a interior com Meireles do outro lado e Veloso atrás dos dois. Não seria mais adequado, face às opções que temos (e que foram selecionadas por Paulo Bento...):
a) colocar Moutinho com Meireles (ou Viana) numa dupla mais "alta" (não em centímetros, mas em posicionamento) e mais próxima da bola, com Nani solto à frente (minha solução preferida, mas que obrigaria estes médios a apoiar os laterais) e Quaresma na ala direita?
b) colocar um trinco mais posicional, como Custódio, lançando Viana que com ele joga no Braga e que a construir jogo dá 10-0 a qualquer um dos outros?
c) voltar a jogar com Meireles a trinco, como fez Paulo Bento quando assumiu a seleção, usando Moutinho e Viana mais adiantados?
d) outras que se pudessem TREINAR para que não fôssemos tão PREVISÍVEIS quanto o eram as equipas montadas por Paulo Bento no SPORTING???

Claro que podemos ir longe, ainda assim. Basta que Ronaldo se capacite que tem que viver com a pressão de levar a equipa às costas quando é preciso. E Bento se capacite que Ronaldo não vai defender e que tem que montar a equipa em função disso (e, já agora, que Quaresma se capacite que só vai entrar quando Ronaldo se lesionar ou for castigado, porque Ronaldo nunca vai sair  da equipa e Bento não quer, em termos defensivos, dois "Ronaldos" em campo).

Bom, a verdade é que ganhámos, o povão está feliz, acha que foi do cacete e nem se lembra que ganhando o jogo por 3-0 ou 3-1 ou 4-1 (como deveria ter acontecido) "bastaria" ganhar à Holanda para passar aos quartos... Ou seja, a malta ainda não se apercebeu da maldição dinamarquesa!

E o que é a maldição dinamarquesa, perguntam vocês?? Não, não é o cara de parvo do Bendtner ter uma média de golos contra nós superior à do Liedson em jogos contra o Benfica, nada disso. É o facto de, uma vez mais, os dinamarqueses estarem em condições de se apurarem com recurso à sabujice. Sim, é verdade... dizem os jornais (ainda não conferi as regras eu próprio) que no caso de a Dinamarca ganhar 3-2 à Alemanha, apuram-se sempre estas duas e Portugal vai de vela nem que dedique à Holanda o respeito que dedicou à Coreia do Norte em 2010.

E é isto que me faz lembrar outro episódio, ocorrido em 2004, envolvendo... a Dinamarca. No Euro 2004, Suécia e Dinamarca precisavam de empatar 2-2 para se apurarem ambas e eliminarem a Itália. Adivinhem o resultado??? 2-2, Itália de vela.

Se fosse ao contrário (Itália apurada), os italianos eram suspensos das competições internacionais durante 10 anos por decisão da própria Federação, montava-se o circo total, os jogadores eram todos suspensos e o selecionador, depois disso, só arranjaria emprego a treinar a seleção de juniores femininos da Nova Guiné.

Se fosse com a Ucrânia, havia investigações e suspeitas de ligações a máfias, a União Europeia ponderaria as conversações para uma eventual integração, o governo caía por suspeitas de intromissão no futebol, e a seleção seria para sempre banida das competições internacionais e mais tarde reintegrada na seleção da Rússia.

E nem quero pensar o que aconteceria se fosse num Mundial com uma Colômbia ou uma Nigéria (ou com os desgraçados do Togo que foram suspensos depois de se retirarem, petrificados de medo, de uma competição onde foram, apenas, metralhados dentro de um autocarro).

Como foram os insuspeitos nórdicos, tudo OK. Até porque, todos o sabemos, o 2-2 é um resultado normal no futebol. E, no fundo, aplicar ao futebol os critérios de solidariedade do Festival da Eurovisão só revela a "amizade entre os povos".

Única esperança: não deve ser fácil convencer os boches a levar no focinho de propósito e, ainda para mais, de um daqueles países que os gajos desprezam profundamente. Tenho essa esperança, mas preferia viver a depender só de nós e muito menos a depender de sabujices...

Mas bom, mesmo bom, neste momento, seria ter Pinto-Rei à frente da Federação Portuguesa de Futebol. Começaria por dizer que "os jogadores alemães são uns heróis, tenho a certeza que bão fazer tudo para ganhar"; depois diria que a Dinamarca é um país de "gente do Norte da Europa, e tal como em tudo na bida, quem é do Norte é sério e merece consideraçom"; enquanto dizia isto, comprava o árbitro do jogo para, em case de 3-2, inventar um penalty qualquer no último segundo que arrumasse a questão para qualquer dos lados. E de nada valeria atirar ao lado, ao poste ou o cacete: enquanto a bola não entrasse, o penalty seria sempre repetido.

No meio disto tudo, há uma coisa que temos que fazer: a nossa parte. Ganhar à Holanda, o que não será nada fácil. Mas venham eles, os latinos do Norte, para continuarmos no caminho das vitórias!

12/06/2012

Um problema de atitude? [EDITADO]


EDIÇÃO PÓS-LANÇAMENTO DO POST: Um minuto depois de lançar o post, vejo que o Gorbyn fez um dedicado ao mesmo tema e por sinal também inspirado no lema do Lineker, em que discorda totalmente da minha opinião, ainda que sem o saber (ainda!). Leiam e vejam o que é a democracia no futebola3!

Ponto prévio: seguindo uma tradição deste blog, e apenas para esclarecer os menos atentos, a menina da foto é a Miss Alemanha. A ideia, basicamente, é usar uma foto chamativa para os rebarbados lerem um post que, na realidade, até é sobre bola... Como normalmente os rebarbados até gostam de bola, a ideia é um bocado parva, bem sei. Mas a tradição vem de há muito e há que mantê-la viva.

E o tema do post é, claro está, o Portugal-Alemanha do passado Sábado. Jogo que, até certo ponto, me fez lembrar o "jovem" inglês da segunda foto (este os rebarbados sabem perfeitamente quem é, o que diz muito dos rebarbados lusos - sabem quem é o jogador da bola mas na outra foto só sabem que é uma "gaja boa"): Gary Lineker, o homem que definiu o futebol como o jogo em que se defrontam 11 contra 11 e no fim ganha a Alemanha.

Mas, sendo honesto, acho que a frase do Lineker foi mais pensada (pelo próprio, já se vê) para uma lógica em que por muito equilibrado que seja um jogo, os alemães fazem sempre valer a sua frieza, a sua eficácia, a sua concentração e a sua organização para acabar por vencer a partida. Não foi pensada para jogos em que o adversário fica na expetativa a ver se aguenta o 0-0 e a 15 minutos do fim leva uma batata que, merecida ou imerecida em função do momento do jogo, acaba por recompensar a equipa que, jogando melhor ou pior, demonstrou uma atitude mais afirmativa.

Ou seja, o que o Gary queria dizer não se aplica totalmente ao Portugal-Alemanha. No Portugal-Alemanha, só uma equipa quis verdadeiramente ganhar desde o início. A equipa portuguesa limitou-se a esperar para ver o que o jogo dava. E nestes casos usualmente perdem-se jogos. Há equipas que o sabem fazer muito bem, como quase todas as italianas da década de 90 e a própria seleção campeão do Mundo em 2006, mas regra geral é preciso uma grande estaleca ou uma grande chouriçada para ganhar um jogo assim.

E a chouriçada até esteve prestes a acontecer. Pepe, em cima do intervalo, podia ter feito golo no único remate decente da equipa portuguesa na primeira parte. Não aconteceu e lá fomos para intervalo convencidos de que na próxima a bola entraria.

O problema é que só houve "próxima" depois do 0-1. E aquilo que mais espantou a generalidade dos comentadores, blogueiros e adeptos - eu próprio incluído - foi o facto de termos ido para cima dos alemães com apreciável facilidade. Para alguns, isso foi reflexo do excessivo recuo dos alemães; para outros, como eu, foi reflexo de uma atitude diferente da equipa portuguesa. Atitude essa que, pelos vistos, faltou até ao 0-1. E que, sejamos realistas, não teria aparecido em campo não fosse esse mesmo 0-1.

E é aí que reside o problema: vendo, ao intervalo, que os alemães não estavam assim tão fortes como os nomes no papel pareciam indicar, dava ou não dava para ter virado, nesse momento, a forma de encarar o jogo? Eu acho que dava. Mesmo faltando quem, no meio-campo, "agarrasse" o jogo e o levasse para a frente (não há desde que Deco deixou de jogar na seleção), havia sempre a possibilidade, arrojada, é certo, de tirar Veloso, equilibrar o meio-campo com o duo Meireles-Moutinho e lançar Quaresma (ou Varela, que pelos vistos é a primeira opção de banco para as alas), deixando Nani solto atrás do avançado (sempre defendi que Nani a 10 poderia resultar, à falta de um Deco ou um Rui Costa). Ou mesmo que nada se fizesse, incutir algo diferente aos jogadores (que saudades de Scolari naquele momento). Mas nada, voltámos para a segunda como entrámos na primeira e pouco ou nada mudou.

Ou seja, e em suma: ao contrário do que possa parecer, Portugal até ao 0-1 não merece o benefício do jargão habitual nestas ocasiões de "ter jogado apenas o que a outra equipa deixou". Mentira. Portugal jogou apenas o que a atitude em campo deixou jogar. Tivesse a atitude sido outra e o jogo também seria outro. "Ah, e tal, mas assim perderíamos na certa". Mas não acabámos por perder de qualquer maneira?

E venha a Dinamarca para regressarmos ao caminho das vitórias!

PS: Tinha dito, aqui, que a Dinamarca não passaria a fase de grupos, fosse qual fosse o grupo. Continuo convencido disso mesmo. Reconhecendo que se saíram muito bem contra a Holanda, basta que Portugal faça o mínimo exigível - ganhar à Dinamarca - e os nórdicos vão de vela (não acredito que pontuem com a Alemanha). De qualquer modo, não vou fazer o post " eu bem dizia" porque já fizeram neste Euro bem mais do que eu esperava.

E no final, ganha a Alemanha


Escrevo este post no voo de regresso a Lisboa. A vontade de voltar a apoiar Portugal em mais uma das principais competições de selecções, levou-me, desta vez, até Lviv na Ucrânia. A reduzida importância desta cidade nas principais rotas aéreas obrigou (felizmente) a uma escala em Varsóvia e, dois dias depois, a uma viagem de mini bus com a duração de sete horas. Apesar de ser considerada uma das cidades mais bonitas da Ucrânia, está ainda a anos luz de outras cidades do Leste como Praga e Varsóvia que praticamente já fizeram esquecer o seu passado comunista. Se Varsóvia surpreendeu pelo seu lado cosmopolita (não posso deixar de agradecer ao meu amigo Koba pelas excelentes dicas) já Lviv desiludiu por não estar ainda preparada para eventos internacionais desta dimensão. No entanto, a festa do futebol também se viveu muito intensamente nesta cidade ucraniana. Os constantes pedidos das gentes locais para uma foto com o grupo dos 15 portugueses devidamente trajados, fizeram com que provavelmente tivesse posado mais para fotos neste dia do que no meu próprio casamento. Em resumo, o pré-jogo foi uma grande festa a provar que o futebol também consegue contribuir para a aproximação de culturas tão diferentes.


Quanto ao jogo, o favoritismo dos alemães encontrava algum paralelismo ao nível do número de adeptos, sendo que a proximidade geográfica contribuía para uma diferença tão elevada: cerca de 5.000 esforçadas gargantas lusas contra cerca de 20.000 adeptos germânicos. O onze inicial de Paulo Bento foi o mais aguardado, em que os dois lugares em que existiam mais dúvidas ( trinco e avançado) vieram confirmar a titularidade de Veloso e Postiga. Pessoalmente, preferia Pepe a trinco com a inevitável entrada de Rolando e Hugo Almeida a avançado, beneficiando da sua capacidade física e experiência no futebol germânico. A necessidade que Portugal evidenciou, em muitos momentos do jogo, em bombear bolas para a frente, fortaleceram a minha preferência por Hugo Almeida, enquanto que o grande jogo de Pepe contrabalançado pelo jogo apagado de Veloso, não me permitem avaliar qual teria sido a melhor decisão para a posição 6.


Portugal, até porque já sabia da derrota da Holanda, assumiu um modelo de jogo bastante conservador e pragmático. Apesar de algumas críticas, acredito que esta foi a melhor opção contra a equipa que, juntamente com Espanha, assume maior favoritismo para conquistar esta competição (não se esqueçam da grande vantagem de ter um número bastante alargado de titulares provenientes da mesma equipa). Na primeira parte, a Alemanha esteve melhor, chegando várias vezes com perigo à baliza de Patrício enquanto que Portugal não conseguia rematar com o mesmo tom ameaçador. Mesmo assim, a melhor oportunidade acabou por pertencer a Portugal num remate de Pepe que, caprichosamente, não entrou na baliza. A deficiente cobertura defensiva de Postiga e Moutinho nas subidas dos centrais alemães, permitiam os desequilíbrios da Mannschaft. Na segunda parte, Portugal esteve melhor, atacou mais e esteve a maior parte dos 45 minutos por cima do jogo, tendo as melhores oportunidades para marcar. Só que um ressalto em João Pereira foi direitinho para a cabeça mortífera de Gomez, enquanto que Varela, Fábio e Ronaldo não conseguiram finalizar as suas grandes oportunidades, ditando assim a derrota de Portugal no seu primeiro jogo da competição.

No entanto, nada está perdido e este primeiro jogo até acabou por superar as minhas expectativas. Com a surpreendente derrota da Holanda, Portugal pode até passar sem ganhar o próximo jogo mas acredito que é essencial vencê-lo para dar um passo firme na direcção da qualificação.

Destaco, com sinal mais, as exibições de Fábio Coentrão e Pepe, e em sentido inverso as de Postiga, Veloso e João Pereira.

05/06/2012

A bola e o engate


Venho aproveitar a deixa do Gorbyn para escrever um post que há muito está na minha cabeça...

E vou direto ao tema: se pensarmos bem, as similitudes entre a atitude do macho no engate e a atitude do ponta-de-lança no campo são mais do que muitas. E a relevância de cada uma das características que fazem do macho um boss do engate é a mesma quando pensamos nas qualidades que o ponta-de-lança deve possuir: postura, movimentação, intuição, posicionamento, técnica, faro pelo "golo", killer instinct, resposta à pressão.

Creio, por isso, que a malta do engate deve ser qualificada em, basicamente, sete categorias, em função das características que acima enunicie: Bojinovs, Postigas, Cadetes, Acostas, Jardeis, Liedsons e Wolfswinkels (pegando nos jogadores do presente e do passado do grandioso Sporting Clube de Portugal).

Vejamos, então, se isto bate ou não bate certo.

A maioria dos jovens portugueses não passam de Bojinovs. Andam ali com postura de campeões, mas não sabem o que andam a fazer; movimentam-se com à-vontade, mas a posse de bola termina invariavelmente com a saída da mesma pela linha lateral ou final; dentro da área, posicionam-se mal e, regra geral, no local onde a bola nunca vai cair; disfarçam a falta de qualidade técnica com um ou outro toque de calcanhar que não dá em nada, mas de que se gabam o resto da noite ou mesmo durante semanas; quando têm oportunidades claras, até penalties falham. Um golo ou dois por ano é o pecúlio deste espécie de ponta-de-lança. Exemplo a não seguir.

Outros há, como eu, que, mesmo nos tempos em que andávamos nas trincheiras, não conseguíamos superar a equiparação a um Hélder Postiga. Postura impecável, mas algo tímida, designadamente perante as saídas dos guarda-redes (leia-se, os acompanhantes das damas-alvo); uma movimentação irrepreensível fora da área, mas estática dentro da área e tremida nos momentos decisivos; intuição próxima do 0 ("aquela está a olhar para mim, garanto-te, queres ver? olha, afinal enrolou-se com um Acosta" - ver abaixo); posicionamento excelente para os centrais de marcação (leia-se, machos adversários); remate à figura quando colocado a teste o nosso killer instinct. A média de golos é reduzida e varia entre campeonatos a seco e 4/5 golos por temporada. Pecúlio fraco. Os nossos momentos de glória são esporádicos golos em grandes competições e um remate "à Panenka" nos decisivos desempates por penalties. Lances que, aliás, nos garantiram contratos e carreiras (leia-se, o meu casamento). O que essencialmente nos separa dos Bojinovs é a resposta à pressão: os Bojinovs arriscam muito mais mas nos momentos decisivos falham; nós raramente nos arriscamos, mas perante o "doping" que é um discurso de Scolari (leia-se, vários shots de tequila impingidos por um Jorge Cadete - ver abaixo) lá acabamos por ganhar as forças necessárias e não falhar. Enfim, outro exemplo a não seguir.

Depois temos os Cadetes (inspirados em Jorge Cadete, Joca Cadete para os maiores fãs - e aqui não resisto a remeter para um dos melhores blogs de sempre sobre o fenómeno da bola, hoje infelizmente inativo). O Cadete é um ponta-de-lança que vai a todas, não pára quieto, não teme os centrais de marcação, muito menos teme guarda-redes com a agressividade de um Harald Schumacher e o tamanho de um Peter Schmeichel. No engate, curiosamente, o Cadete tem uma característica de Néné, mas não tanto do Joca que o inspira: milagrosamente, o Cadete do engate nunca sujou os calções (leia-se, nunca apanhou um enxerto de porrada dos centrais ou dos redes sem que se perceba muito bem porquê). Não tem grande intuição e muitas vezes movimenta-se entre o primeiro e o segundo poste sem grande critério, caindo a bola junto da área de penalty, onde ele deveria estar e não está. Pouco dotado de pés, raramente faz grandes golos e falha golos muitas vezes, mas rara é a noite em que não sai um golito. Graças ao seu killer instinct, não perdoa uma bola ali a saltitar. E é, por isso mesmo, dos melhores marcadores do campeonato. É certo que muitos dos golos entram aos tropeções e outros há em que o golo surge numa recarga de baliza aberta, após o trabalho do colega de equipa cujo remate esbarrou no poste. E é certo, também, que nos grandes jogos, nos grandes palcos, com a pressão em cima dele, raramente aparece. Mas em 90% dos jogos está lá, no sítio certo, para empurrar. E vezes há, até, em que marca um ou dois belos golos de cabeça que, no entanto, para ele, valem tanto como o marcado à boca da baliza em fora-de-jogo. Para ele, o que conta é o golo. Exemplo a seguir para quem segue o lema "só se perdem as que caem no chão".

Temos, igualmente, os Acostas (inspirados no mais famoso "matador" que passou por Portugal). Têm uma postura sempre agressiva, nada os intimida, à imagem do Joca. Mas movimentam-se com mais critério entre os centrais e o redes adversário, razão que explica com mais propriedade o facto de nunca terem sujado os calções (já sabem o que significa, está lá em cima). Raramente descaem nos flancos porque sabem que, ao sair da área, podem perder preciosas oportunidades de golo. Também na intuição se assemelham ao Joca: eles vão lá sem saber muito bem se a oportunidade surge ou se terão que disputá-la em carrinho com um dos centrais, mas não deixam de ir a todas. É na técnica e na resposta à pressão que encontramos as diferenças mais marcantes entre os Cadetes e Acostas do engate: enquanto que Cadete tem uma técnica equivalente à de um Purovic (espécie que nem merece qualquer análise), Acosta segura a bola com propriedade e é difícil retirar-lha; um Cadete eclipsa-se nos grandes momentos, já um Acosta nos grandes momentos brilha mais alto, muitas vezes aproveitando passes de um qualquer Secretário (outro que não merece análise) para fazer golos impensáveis. Marca a todos, pequenos e grandes, e marca por vezes grandes golos. Um Acosta, meus caros, é do melhorzinho que podemos encontrar por aí.

Faltam três espécies - os Jardeis, os Liedsons e os Wolfswinkels. Deixemos este para o fim e fiquemo-nos, por ora, nos Jardeis e nos Liedsons. Dois goleadores imparáveis com estilos absolutamente distintos: um Jardel não precisa de trabalhar, a bola vem ter com ele, já um Liedson esfalfa-se em todos os jogos; Jardel fica parado à espera da bola, dentro da área, um Liedson pressiona os centrais, vai à luta, descai nos flancos; um Jardel sabe sempre onde a bola cai, um Liedson tem que correr para ir ter com a bola; Jardel não joga "pôrra nenhuma", Liedson tem uma técnica requintada; ambos têm faro pelo golo, killer instinct e resposta perfeita à pressão, mas com uma singular diferença: um Jardel adora todo o tipo de golo, um Liedson só adora o golo bonito. Um Jardel sabe que vai fazer golos, e vai escolhendo o golo que quer fazer (só de empurrar, de cabeça, fora-da-área, de penalty); um Liedson despreza o golo de baliza aberta (embora saiba que o pode marcar e o marque de quando em vez), mas dá-lhe 100 vezes mais gozo marcar um golo decisivo ganhando de cabeça ou fazendo uma rata a um Luisão. Dois bons exemplos a seguir com uma sólita diferença: enquanto que um Liedson, sendo apreciado, tem que trabalhar, um Jardel não tem que fazer um carapau. Todos gostaríamos de ser Jardel, mas não depende de nós. Depende delas caírem ou não ao jeito do nosso pé...

Finalmente, os Wolfswinkels. Os cavalheiros da bola. Não pisam ninguém, não dão cotoveladas, não trabalham por aí além, mas são gentlemen da bola com "babyface" e, por isso, os adversários quase que pedem para que o golo entre. Nem se movimentam especialmente bem, mas parece que estão em todo o lado. Até têm uma postura que uns diriam antiquada e pouco agressiva mas, contabilizando bem a coisa, chegam ao fim do ano com 25 golos marcados. Alguns de penalty, é verdade. Mas muitos em lances de bola corrida. Raramente estão no sítio certo, mas de repente podem lá aparecer e marcar, para supresa de todos. Filósofo do engate, o Wolfswinkel pensa demasiado sobre o que faz e passa noites a vadiar sem marcar golos, noites essas que podem atingir largos períodos no tempo. Até que chega ao fim da época. E aí, mesmo com os seus impecáveis 25 a beijar as redes, os Wolfswinkels andam insatisfeitos porque, na realidade, bem lá no fundo, invejam os Postigas que conseguiram contrato na Liga Espanhola mesmo sem marcar golos. Eis o principal "problema" dos Wolfswinkels: não conseguem resistir quando a bola lhes aparece a saltitar à frente da baliza - pezinho em jeito e espetam-na lá para dentro. É mais forte do que eles...

Quanto a mim, um Postiga sem quaisquer pretensões a Jardel, sem capacidades para ser Liedson, desprovido do arrojo de um Acosta ou da lata de um Cadete, sempre sonhei ser um Wolfswinkel. Mas quando falo com Wolfswinkels ou mesmo com Acostas, todos me dizem que gostariam de ser o Postiga! Fico baralhado...

E só me convenço de que é bom ser um Postiga quando olho para trás e recordo aquele penalty à Panenka que saíu mesmo bem...

02/06/2012

A triste novela das contratações

Entre amigos, quando se assistia a engates sem o mínimo de critério, sempre achei piada à explicação "Sei que é impossível sacar todas as mulheres do mundo, mas não custa nada tentar". Agora, parece que estou a encontrar algum paralelismo na política de contratações do Benfica. Se o descontrolo já era evidente com o número incrível de jogadores pertencentes aos quadros, com a desculpa da equipa B é a loucura. Ou seja, já seria fácil enumerar vários erros crassos sem grande esforço de memória (Fernandéz, Fábio Faria, Djaló, Emerson, Felipe Menezes, Shaffer, ...) e já existia um número alargado de jogadores provenientes das camadas jovens que estão longe de ter a qualidade necessária para ficarem de águia ao peito, pelo que agora se está a tratar de encher outro contentor para a nova equipa B. Os jornais desportivos estão a delirar com esta nova realidade e acredito que muitos empresários estarão na mesma linha.



Preocupa-me especialmente que, depois de uma época em que ganhou tanto dinheiro na Champions e depois de vender Fábio Coentrão, se tenha informado que o Benfica precisava de fazer 50 milhões em vendas. Preocupa-me que apenas esteja a ver a venda de Gaitán como lucrativa e com pouco impacto na equipa. Preocupa-me que Witsel, Javi ou Rodrigo possam ser utilizados para chegar ao objectivo de vendas. Preocupa-me que se continue a não rentabilizar os activos emprestados que, especialmente no Brasil, têm registado boas prestações. Preocupa-me dar 8 milhões por um jogador que é um desejo ardente de Jesus ("Queres vir para o nosso balneário?") que, como todos os desejos ardentes de Jesus, a direcção paga o que for preciso para satisfazer e caso não corresponda, jogará na mesma todos os jogos a titular (Roberto, Emerson...). Preocupa-me contratar um avançado que marcou menos golos e é bem mais velho do que um colega que jogava na mesma equipa e que já pertencia ao Benfica. Preocupa-me que o mais urgente ainda não esteja solucionado: defesa esquerdo e reforço do meio campo ( Carlos Martins pode não regressar?!).


Dia 14 de Junho há Assembleia. Esta sou capaz de ir e até calha bem por já estar de regresso do Portugal-Alemanha mas ainda de férias. Quero até fazer um esforço para analisar alguns relatórios de exercícios anteriores para tentar perceber o problema do passivo de que tanto se tem falado.