18/05/2012

Os 23


Paulo Bento anunciou os 23 do Euro num inacreditável clima de unanimismo de que nunca beneficiaram Scolari (porque desafiou o FCP e a comunicação social) e Queiroz (porque simplesmente era parvo).


Ninguém contesta nada, os Freitas Lobos rendem-se à genialidade da convocatória e à capacidade de formar um "grupo de trabalho" ajustado ao "sistema de jogo" e à forma como Bento "organiza os homens do miolo", esquecem-se os incidentes com Carvalho e Bosingwa e bola para a frente.


Pois eu acho que Paulo Bento conseguiu formar o mais medíocre grupo de que há memória na seleção (o meio-campo, então, não tem "rasgo" algum). Por falta de opções, é verdade, mas também de arrojo, originalidade e versatilidade.


Eis os 23 de Paulo Bento, analisados à lupa:


Baliza:
- Rui Patrício - óbvio, titular;
- Eduardo - não me parece mal, apesar de ter sido suplente no Benfica era o anterior titular, segunda opção;
- Beto - inqualificável falta de respeito por Quim, que fez uma ótima temporada num clube de patamar bem superior ao Cluj. Quase ninguém se lembrou disto. Ou melhor, lembraram-se os paineleiros portistas, mas para confrontar a ausência de Quim com a presença de Eduardo...

Defesa:
- João Pereira - face ao conflito com Bosingwa, escolha óbvia e para titular (muito também por falta de outras opções, neste caso isento Paulo Bento de responsabilidades);
- Coentrão - óbvio, titular;
- Pepe - óbvio, titular;
- Alves - face ao conflito com Carvalho, escolha óbvia e para titular;
- Miguel Lopes - incompreensível, se Bento queria levar um jogador que fizesse lateral direito e esquerdo, e não tendo Sílvio, faria mais sentido escolher alguém que já tivesse feito efetivamente as duas posições. Nélson, do Betis, seria a escolha natural. Mais natural ainda seria Bosingwa, como é evidente, mas sendo o conflito inultrapassável, ponderaria Ruben Amorim e Eliseu, abdicando de Varela (que não vai calçar). O que verdadeiramente não percebo é a convocação de um jogador com 0 internacionalizações e que apenas jogou 3 meses (e só porque Salino, um trinco adaptado a lateral, se lesionou), em detrimento de titulares indiscutíveis nos seus clubes ou de jogadores com várias presenças na seleção;
- Ricardo Costa - não me parece mal, afinal jogou bastante no Valencia (que não é um clube qualquer) e tem alguma rotina de adaptação às laterais (espero que só seja preciso em caso de calamidade). Para mim, é a 3ª escolha para central, na falta de Alves ou Pepe jogaria Ricardo Costa;
- Rolando - escolha que ignora a fraca época do central e esquece as fraquíssimas prestações nos jogos da seleção em que foi chamado a titular (recordar Dinamarca). As opções são escassas, é verdade, mas teria sido no 4º central (o jogador com menos probabilidades de sequer pisar o campo) que teria arriscado um pouco mais, em vez de no lateral que tem que ser direito e esquerdo. Aqui sim, seria de levar o tal jogador com 0 internacionalizações. Lembro-me de Neto, do Nacional, ou de Miguel Vítor que poderia dar jeito nas laterais. Ou então fazer o que fazem tantas vezes os ingleses, os alemães e os holandeses: puxar um elemento da equipa de sub-21 só para sentir o ambiente. Recordo Roderick ou Nuno Reis, por exemplo. Rolando é que seguramente não viajaria para a Ucrânia.


Meio-campo:
- Miguel Veloso - tudo indica que será o titular a trinco. Quanto à titularidade tenho dúvidas, a convocação parece-me pacífica.
- Minorca do Porto - óbvio, titular;
- Meireles - óbvio, titular;
- Carlos Martins - aceita-se, fez boa época no Granada mesmo em circunstâncias pessoais complicadas. Dificilmente será titular, mas não choca a convocação.
- Custódio - aceito, mas não seria a minha escolha... Sempre defendi Custódio enquanto esteve no Sporting, mesmo perante aqueles que me olhavam com o ar de "se este gajo defende o Custódio é porque não percebe nada de bola". Simplesmente porque Custódio cumpria bem a sua função no losango: marcar em cima, pressionar, defender, recuperar a bola, ganhar pelo ar, assegurar a segunda bola. E ainda marcava uns golitos de cabeça. Nunca foi um génio no passe e continua a não ser, mas não era essa a sua função em 4-4-2 losango. Agora, levar Custódio, um trinco puramente posicional, para jogar no 4-3-3 da seleção nacional, não estou seguro que funcione. No Braga a coisa passa. E não me importaria de o ter no banco do Sporting para varrer nos minutos finais ou jogar em jogos específicos (no fundo, para fazer o que agora faz Carriço, que apesar de não ser um grande central pode fazer a posição e não foi ponderado por ninguém como elemento polivalente que poderia resolver dois problemas de banco numa penada). Mas na seleção, para o "lugar" de Custódio, havia várias alternativas que certamente trariam melhor qualidade de passe: Manuel Fernandes e o já citado Ruben Amorim, por exemplo. Toda a gente achou maravilhosa a convocação, eu tenho muitas dúvidas.
- Ruben Micael - nunca conseguirei entender o que a comunicação social vê neste jogador, de que o FCP, que não costuma gerir mal os seus recursos, se viu livre à primeira oportunidade. Não tem lugar, muito menos quando está em causa a presença de Hugo Viana. "Ah, e tal, não encaixa no sistema". Também Elias, Schaars e Matias não encaixavam juntos e Sá Pinto mudou isso num fósforo. Um novato, atenção, conseguiu o que Paulo Bento nunca fez no Sporting ou na seleção: experimentar um esquema de jogo alternativo ao utilizado pelo antecessor e trabalhá-lo. Bento não tem imaginação, versatilidade, coragem ou arrojo para isso, está claro. E quem paga é a seleção.


Ataque:
- Ronaldo - óbvio, titular;
- Nani - óbvio titular;
- Quaresma - óbvio, 1ª opção no banco;
- Postiga - não o levaria, mas percebo que seria injusto não ir depois de fazer toda a fase de qualificação;
- Nélson Oliveira - óbvio, para mim seria o titular, mas vai ser 3ª opção;
- Hugo Almeida - eu não o levaria, claramente - preferia ter mais uma opção na defesa ou no meio-campo e levar um jogador mais versátil como Liedson (de que ninguém se lembra) ou Nuno Gomes;
- Varela - eu não o levaria seguramente. Ou não levaria 4º extremo (levando Eliseu, já referido) ou arriscaria, dando lugar a um Candeias, ou um Hélder Barbosa, ou um Bruno Gama.

Em suma, ninguém discutiu e parece-me haver muito para discutir. Para que não restem dúvidas a minha lista seria a seguinte:

GR: Patrício, Eduardo, Quim;
D: João Pereira, Nelson, Coentrão, Pepe, Bruno Alves, Ricardo Costa, Neto;
M: Veloso, Meireles, Minorca, Viana, Martins, Manuel Fernandes;
A: Ronaldo, Nani, Quaresma, Candeias, Postiga, Oliveira e Liedson.

1 comentário:

  1. Apenas não concordo com a questão do Miguel Lopes. Acho que era a única solução possível. Tanto Nelson como Eliseu apresentam menos garantias. Quanto a Custódio e Ruben Micael não podia estar mais de acordo. Manuel Fernandes é muito mais jogador que qualquer um deles.
    Não esteve na classificação pelo que agora seria um bocado estranho mas Liedson seria o avançado diferente que ainda deveria fazer a diferença.

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