24/05/2012

Obrigado... mas sem tretas




Está confirmado: Anderson Polga termina o seu percurso no Sporting.

Trata-se de um jogador que chegou em 2003, com grande impacto. Tinha sido campeão do mundo em 2002, ainda jovem. Dizia-se que podia jogar a central ou médio defensivo (creio que em Alvalade nunca terá experimentado a posição no meio-campo). Na altura foi disputado com o Benfica, que atravessava um jejum de 9 anos sem ganhar o campeonato, ao passo que o Sporting tinha sido campeão em 2002. O jogador escolheu o Sporting.

Sem tretas, trata-se de mais um momento "sliding door", entre tantos outros que assolam a vida dos clubes, em particular do Sporting: Polga, internacional A, escolheu o Sporting; Luisão, que apenas tinha sido internacional sub-21 (se não me falha a memória) foi a escolha do Benfica. Começou perro, mas o futuro acabou por demonstrar que a jogada de antecipação correu mal. Como mal tinha corrido antes por tantas vezes (por exemplo, ao contratar Queiroz por antecipação ao Porto que perdera Ivic) e como mal correu depois também em diversas ocasiões (por exemplo, ao contratar Ricardo deixando "cair" Quim para o Benfica).

Hoje vão proliferar os posts de agradecimento. Quanto a mim, é claro que não deixo de notar a dedicação de Polga. E é claro que Polga não tem culpa das sucessivas ofertas de renovação e dos sucessivos votos de confiança dos mais diversos treinadores. Digo mais: compreendo todas essas direções e equipas técnicas porque quem viu Polga jogar entre Setembro e Novembro deste ano diria que estávamos perante um central de grande classe (eu próprio, se bem se lembram, comecei a duvidar do que achava relativamente a ele).

Sem tretas, reconheçamos que se trata de um jogador que não tinha pedalada para um clube tão instável como o Sporting. Nem vou falar de argumentos técnicos, falo do nível de concentração que, ainda que desaparecendo apenas por breves minutos, tantos e tantos golos e lances de perigo deu aos adversários. Perdi a conta às bolas perdidas (sendo o último jogador), aos alívios falhados (ainda no Domingo...), aos passes para a linha final, aos golos desperdiçados.

Sem tretas, diga-se que para central sempre teve um rendimento abaixo do expectável. Diz-se por aí que marcou 4 vezes pelo Sporting, sempre em competições europeias (eu só me lembro de 3 golos). Em compensação, marcou 4 auto-golos (1 deles épico, no 1-7 de Munique). Isto não é normal num central, não me lixem!

Sem tretas, reconheça-se que tapou (não por culpa dele, obviamente) a possibilidade de se contratarem centrais de outro calibre, uma vez que ganhava um ordenado milionário, o que aliás fazia dele um jogador demasiado caro para o que valia.

Por isso, sem tretas, ao Anderson Polga quero dizer: obrigado pela tua dedicação e empenho mas, pelo menos a mim, não deixas boas memórias.

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