08/05/2012

Assim... nem que pagassem

Apetece-me tanto escrever o post sobre o jogo com o Leiria como provavelmente apeteceu aos jogadores do Benfica jogá-lo. Com uma partida que quase esteve para não acontecer, em que juniores teriam que servir para aumentar o lote de jogadores disponíveis, em que o próprio treinador ameaçou não comparecer, com uma classificação que já condenava o Leiria à descida, os dirigentes do Benfica lá tiveram a brilhante ideia de oferecer a entrada aos sócios e assim ajudar a compor a casa. Estratégia já vista a época passada mas com bilhetes distribuídos pelos patrocinadores. Como sempre, os detentores de cativo como eu, continuamos a agradecer estas ofertas a tudo e a todos enquanto pagamos todos os jogos e mais algum e não deixamos de marcar presença jogo após jogo para (sim, a bandeira que ofereceram esta época continua à espera de ser levantada). Para melhorar o panorama geral, um jogo horrível a ilustrar na perfeição mais um penoso final de época. Na verdade, os benfiquistas já não esperavam outra coisa, como prova a fraca assistência mesmo assim registada. Com jogos destes, nem uma borla é incentivo suficiente. Razão tinha o meu caro vizinho de cadeira quando disse "Já não tenho idade para ver jogos a feijões nem jogos com crianças a serem obrigadas a irem brincar na relva mesmo com frio e chuva."


Se o nível do adversário se adivinhava bastante baixo pelas razões já descritas, Jesus tratou de amenizar as diferenças com a colocação de Luís Martins, Djaló e Saviola, assim como com um Witsel forçado a jogar trinco por não haver mais para esta posição. Era assim uma mensagem clara para o resto da equipa "Pessoal, do outro lado estão mais uns quantos da casa, por isso isto é tipo jogo treino com os titulares misturados com as reservas". Na cara de Capdevila, no banco com Emerson sentado ao seu lado, percebia-se como estava incrédulo com esta rotatividade de defesas esquerdos. Por fim, a estupidez de jogar insistentemente para que Cardozo marcasse golos e assim ficasse melhor posicionado para ganhar o prémio de melhor marcador. Os jogadores do Leiria cedo perceberam isso e assim ficou mais fácil defender, para além de que o paraguaio também falhou mais do que costuma. Seria bem mais eficiente se jogassem normalmente e acredito que até aumentariam a probabilidade de Cardozo conseguir marcar. Entretanto, estas reservas foram consolidando a ideia de que efectivamente não têm qualidade para integrar um plantel do Benfica.






No final, a vitória por um zero, através de um golo que teve que chegar de bola parada. Compreende-se que não fazia sentido provocar uma goleada a uma equipa tão debilitada e que tantos sacrifícios tem feito, mas um pouco de bom futebol, boas jogadas, e mais um dois golos era o mínimo que se exigia. Mas há muito que a cultura de exigência se afastou da Luz. Basta ouvir o treinador que, face a uma exibição tão fraca, se limita a dizer que o objectivo foi atingido. Ou que se deve valorizar o facto do Benfica entrar sempre na Champions com ele ao comando. Só faltou dizer que, com Jesus, o Benfica ganha sempre pelo menos uma competição. Estamos bem tramados. Este gajo nunca vai colocar o lugar à disposição e não vejo como Vieira pode descalçar uma bota tão difícil quanto a cláusula de rescisão que lhe está associada. Vamos ver o que nos reservam os próximos episódios.



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